sábado, 30 de agosto de 2025

CAPACIDADE ESCONDIDA

Caros leitores,

Há muito tempo atrás li um livro de Hammed intitulado "A Imensidão dos sentidos" e hoje folheando-o achei interessante resgatar algumas ideias dele para o texto de hoje.  Esse tópico do qual me refiro no título, Hammed o colocou como "capacidade ignorada" em um de seus capítulos.

Vocês lerão no decorrer do texto como essa capacidade que todos nós temos é ignorada e portanto escondida em nosso interior.

A vida de cada um de nós é influenciada pela força de nosso pensamento - o recurso mais poderoso que temos ao nosso alcance é o ato de pensar - tudo o que pensamos se materializa.  A força de nosso pensamento transforma ondas energéticas em componentes sólidos com forma e sentido.  Como nosso corpo material está intimamente ligado ao corpo espiritual, compreendemos que o indivíduo enfermo é, em verdade, um reflexo de seus atos e atitudes desarmônicas.

Nossas anomalias, debilidades, insanidades são uma expressão do desajuste de nossa consciência, que se materializa no corpo físico.

Assim sendo, Hammed nos pede que tenhamos "novos olhos"  para transformar nossa maneira de ver, observar e interpretar nossas doenças.

Há uma necessidade urgente de perceber nossas sensações interiores.  A cada situação específica de nossa vida deveríamos nos perguntar "O que senti com isso que me aconteceu?" ou até no tempo presente "O que sinto com isso que me acontece?" "Sinto alegria? Tristeza? Raiva? Bem Estar?" e depois da constatação das sensações, sentimentos, perguntar-se "Por que isto aconteceu agora?" ou "Por que isto acontece sempre?" e então depois, corajosamente, perguntar-se "O que posso fazer para não mais me sentir desse jeito?" (quando há sensações negativas envolvidas) ou "O que posso fazer para me sentir sempre assim?" (quando há sensações positivas envolvidas), ou melhor, "Que tipos de comportamentos devo mudar para não repetir acontecimentos como estes no futuro ou ao contrário, no caso de uma sensação agradável, perpetuar esses acontecimentos?"

Assim, nossa maneira de pensar é a "escultora" de nosso corpo físico; nossos pensamentos comandam as funções internas e externas, construindo, reconstruindo, reformando, transformando o nosso organismo.

Hammed lista alguns pensamentos, sentimentos e emoções e suas sensações específicas:

"O medo nos dá uma sensação que aprisiona, o pranto nos alivia, o perdão nos liberta, a mágoa nos adoece, o amor nos cura, a ansiedade nos enfraquece, a insegurança nos desmotiva, a rigidez nos inibe, a culpa nos constrange, a ilusão nos entorpece, o orgulho nos martiriza, a crueldade nos agride, a preocupação nos paralisa."

A enfermidade e a saúde são apenas a solidificação de constantes atitudes mentais.  Com isso em mente, atentemos para algumas crenças que por ventura adicionamos ao nosso modo de pensar - crenças são ideias ou pensamentos que aceitamos como verdade que criam equilíbrio ou deformidade em nosso corpo fisiológico.

"Cada estrutura celular, ou cada órgão interno, reage a cada emoção que sentimos ou a cada expressão que verbalizamos."

Hammed afirma "Organizamos nossos espaços interno e externo de acordo com nossas relações emocionais com os outros e com nós mesmos." Nossa postura corporal pode estar tensionada porque contraímos, esticamos, desviamos, paralisamos ou inflamos nossos músculos.

Nossa força de vontade pode ser usada a favor de nossos ideais mais nobres, desmanchando velhas estruturas energéticas que não mais sejam úteis à nossa vida, e tecendo novas formas de viver.

Hammed traz exemplos de atitudes e suas consequências, as quais devem  ser analisadas com certo cuidado.  São elas:

- atitudes controladoras e dominadoras podem provocar inflamações na espinha dorsal;

- atitudes de ansiedade e preocupação geralmente se manifestam em forma de gastrite, úlceras, azia e outros problemas digestivos;

- atitudes de apego ou dependência afetiva podem causar intensos movimentos peristálticos e tensão na área muscular abdominal;

- atitudes de temor ou pânico refletem sobre as vísceras, ocasionando paradas intestinais ou diarreias que não cessam;

- atitudes de perfeccionismo criam enrijecimento ou deformações ósseas, podendo causar artrites ou artroses;

- atitudes de submissão e passividade desenvolvem um arqueamento das costas - cifose - decorrente da contenção de energia bloqueada nessa área;

- atitudes de culpa e ressentimento podem originar nódulos, cistos ou gânglios no corpo, resultantes de estados crônicos de tristeza e mágoa mal resolvida.

A reflexão que gostaria com esse texto é conscientizarmo-nos dessa capacidade até hoje ignorada/escondida de que podemos e devemos restaurar ou até aperfeiçoar nossas estruturas celulares danificadas com o nosso pensamento e nossa vontade.

A ideia central é descobrir o auto curador que há em todos nós.  Para tanto, analisemos nossos conjuntos de crenças e regras interiores, estas muitas vezes, distorcidas por ambientes familiares e/ou sociais inadequados.

Os benfeitores do planeta não nos curarão magicamente, sem nos dar oportunidades de perceber quais atitudes ou emoções nos ocasionaram nossas doenças.  Eles, nossos mentores/anjos da guarda/guardiões ou como quiserem chamar, nos facilitam a conscientização para que nós mesmos possamos transformar a enfermidade em saúde.  Esse é o caminho da evolução própria baseada no livre arbítrio.

Para finalizar, creio que, depois de toda essa explanação, podemos compreender perfeitamente porque Jesus dizia em muitos momentos no ato da cura "A tua fé te salvou" (Lucas, 17:19).

Boa reflexão!









 

sábado, 23 de agosto de 2025

O FAROL E A LIBÉLULA

Caros leitores,

O livro do mês de agosto de nosso Clube de Leitura foi de autoria de uma escritora canadense premiada.  "O Farol e a Libélula" é seu primeiro romance para adultos.  O nome dela é Jean E. Pendziwol e "ela mora aos pés das montanhas Nor'Wester, perto do Lago Superior, e tira sua inspiração para escrever da rica história, da cultura e da geografia do noroeste de Ontário, no Canadá.  Ela tem três filhos adultos, um vira-lata amável e várias galinhas temperamentais, todos ocasionalmente visitados por cervos, raposas, lobos e ursos."

A obra foi escrita em 2017 com o título original em inglês de "Lightkeeper's Daughters" ("As filhas do faroleiro").  Acredito que o título em português foi adotado por ser mais poético, em minha opinião, e talvez por chamar a atenção.

Todos do clube, inclusive eu, amaram sua leitura.

A escritora colocou duas narradoras "Elizabeth" e "Morgan" e os capítulos vêm com os nomes da duas personagens e escritos intercaladamente. O início foi um pouco difícil de engrenar na história mas depois que você se acostumava com o estilo da autora, a leitura foi ficando mais fluida.

Assim como os filmes e as séries atuais, a narrativa também se intercalava muitas vezes entre o presente e o passado.  Como há muitos personagens eu fui fazendo, no decorrer de sua leitura, uma ficha com os nomes deles e suas relações com os outros.  Apesar de tudo isso que parece desgastante, quando se chega ao final da história, não há como não amá-la.  Esse é um daqueles livros que você fica com saudades dos personagens, do local e da história embora pareça de difícil compreensão no início, a autora se esmerou no suspense, no drama, no mistério e terminou com uma história comovente e bem contada.

A discussão no grupo foi bem acalorada e muitos aspectos duvidosos do enredo foram resolvidos no encontro.

Esse livro daria uma ótima série na Netflix.

Uma das coisas que mais gostei na obra foi entender e aprender um pouco sobre as pessoas que cuidavam/trabalhavam num farol no passado.  Creio que hoje a tecnologia auxilie de uma maneira mais tranquila a rotina de um faroleiro. A região norte do Canadá, onde se passa a história é uma região muito gelada e a vida dos faroleiros era muito difícil - desde estocar comida e enlatados no verão para o inverno, até coletar ovos de gaivotas e a plantação de raízes - tipo batata.  Isso foi bem interessante.  A autora escreveu o livro baseado na região em que mora, então a ficção da história quase pode ser comparada a uma história real.

Eu recomendo a obra - amei a história, sua leitura a qual ficará na minha memória por um bom tempo.

Boa semana!



 

sábado, 16 de agosto de 2025

O PREÇO DA MENTIRA

Olá leitores,

Recentemente assisti a um filme que me trouxe algumas reflexões. O filme era sobre um erro médico.  O título do filme era "A Mistake" (sem título em português) - traduzindo é "Um Erro".

Geralmente os títulos de filmes em inglês, principalmente dos EUA trazem uma ideia dúbia e com esse filme é exatamente isso - há alguns "erros" na história e a meu ver, o erro médico não é o maior deles.

A película começa com uma moça de uns 26 anos aproximadamente que chega a um hospital com muita dor no abdômen e febre e deve ser submetida a uma cirurgia de urgência pois tratava-se de uma apendicite.  Durante o procedimento por laparoscopia, a cirurgiã chefe permitiu que o residente a auxiliasse na cirurgia e ele, por pressa dela, insere a câmera com muita força e esta causa uma hemorragia interna - então a cirurgia que parecia simples foi bem complicada; estancada a hemorragia, operado o que "poderia" ser feito e ela foi para a UTI.

Obviamente, o primeiro erro foi esse.

O segundo erro foi ela ter dito para o residente comunicar aos pais da paciente que a cirurgia ocorreu dentro do esperado e que agora era só aguardar o seu pronto restabelecimento.

Então ela veio à óbito (como dizem os médicos) e tudo virou de cabeça para baixo.

A diretoria do hospital marcou uma reunião com a equipe da cirurgia e a cirurgiã chefe disse a verdade de como ocorreu e também disse que como ela já tinha entrado com uma apendicite supurada ela iria morrer de qualquer maneira de sepse (contaminação generalizada por conta das bactérias).  Nós que estamos assistindo o filme não temos tanta certeza se essa é a verdade...

Então, repentinamente o hospital resolve que irá publicar periodicamente uma estatística dos cirurgiões do hospital com erros e acertos ou seja, cirurgias bem sucedidas e cirurgias mal sucedidas, por conta de uma melhor transparência. Nessa reunião, a cirurgiã, protagonista da história, retruca que isso fará com que bons cirurgiões  afastem-se do hospital e até muitos pacientes deixariam de escolher esse ou aquele cirurgião por causa dessa listagem.

Quando você pensa que o pior não pode acontecer, ele acontece.  Os pais da moça não ficaram satisfeitos com o resultado do ocorrido.  Então a diretoria do hospital pede que a cirurgiã fale com os pais e explique o ocorrido.  Então ela o faz e repete a mesma história que ela relatou para a diretoria.  Embora ela tivesse relatado superficialmente a participação do residente, ela sempre reiterou que a responsabilidade era dela, pois ela era a cirurgiã chefe do procedimento .  Ao meu ver ela foi correta pois acidentes ocorrem em todos os lugares e em todas as áreas.

Porém, mesmo assim os pais abrem uma ação na justiça porque não aceitaram e não acreditaram nessa explicação simplista do fato. Então o nome e a foto da cirurgiã vão para os jornais e ela perde a credibilidade frente ao hospital e à comunidade da cidade.

Agora acontece o terceiro erro - ela tinha  um relacionamento afetivo com a pessoa encarregada da anestesia (inclusive da cirurgia em questão) e esta termina a relação pois não queria também ser envolvida no processo.  Por esse fato, a protagonista fica arrasada, mas continua sua vida.

Quarto erro - o residente a procura para dizer que tem tido pesadelos e se auto culpando sobre a morte da moça.  Ela diz à ele para não achar que a culpa era dele e que a paciente morreria de qualquer maneira por causa da sepse e também que ela era a responsável e não ele e que ele não deveria preocupar-se. Ficamos sabendo nessa conversa que o residente era filho de um médico importante em outra cidade.

Então após esse encontro, ele liga várias vezes para ela, mas ela ignora as ligações.  Mas quando ela decide atendê-lo depois de muitas ligações, era tarde demais - ele suicidou-se.

Ela fica muito mal e o hospital faz uma pequena cerimônia fúnebre em memória dele.  

Ela então é enquadrada no hospital a atender casos mais simples, apesar do diretor ter dito que ela era a melhor cirurgiã do hospital e ainda rotulá-la de emotiva (na minha opinião não achei nada disso - percebe-se nesse momento um "machismo" sutil; não haviam mulheres na diretoria).

Infelizmente, o melhor do filme foi o final, digo infelizmente pois haverá spoiler, sorry...

Ela entende para quê serviu toda essa ocorrência.

Assim, ela decide procurar os pais da moça na casa deles e lhes conta a verdade nua e crua - que a operação não foi bem sucedida, que houve um acidente na inserção da câmera no abdômen, o qual ocasionou uma hemorragia devido ao longo tempo para ser estancada. Esta infeccionou o corpo e embora tivesse com uma apendicite supurada, o motivo da sepse pode ter sido da hemorragia interna e então, ocorreu o óbito.

O pai da moça, então, às lágrimas, afirmou que se ela tivesse dito a verdade desde o início, ele nem teria aberto a ação contra ela e o hospital.  Ele queria a verdade; queria entender o que realmente tinha acontecido.

A verdade por pior que possa parecer sempre é a melhor e única alternativa.  A mentira desencadeia uma série de mal entendidos ou assumpções que levam a situações desgastantes e muitas vezes inúteis.  Porém, mesmo que as mentiras continuem a acontecer (e ela continuarão, sem dúvida) há que analisarmos que tipo de lição podemos tirar delas, uma vez que a verdade apareça.

Na minha opinião embora a cirurgiã tenha falado a verdade para o hospital, não falou a verdade para os pais.  Em qualquer profissão, seja ela a medicina, a engenharia ou a advocacia, para listar as maiores, devemos ficar atentos aos detalhes que podem fazer toda a diferença para o desfecho de uma situação.

Eu gostei da história por sua capacidade de nos trazer reflexões. A história se passa em Auckland, na Nova Zelândia.

Boa semana!


  

sábado, 9 de agosto de 2025

AINDA ESTAMOS LÁ

Olá leitores,

O texto de hoje é de autoria de J.Tucón.

Saudações! Ou melhor: "bip", "bip", "bip"...

Em 1977, aproveitando um raríssimo alinhamento dos planetas do Sistema Solar nós duas fomos lançadas com a missão de fotografar os planetas Júpiter e Netuno.

Por que esse alinhamento era importantíssimo? Porque nossa trajetória foi planejada usando a aproximação a cada planeta de forma a aumentar nossa velocidade sem ter que recorrer ao uso de combustível.

A cada planeta do qual nos aproximávamos, depois de orbitá-lo usávamos as leis da gravidade para fazer da órbita uma funda que nos atiraria na direção do próximo.  Nossa missão tinha uma duração prevista de apenas alguns anos e de fato durante esse tempo fomos fotografando e enviando informações a respeito desses planetas.

E dessa forma chegamos ao último planeta, ultrapassamos o Cinturão de Kuiper, a Nuvem de Oort(*) e finalmente saímos do Sistema Solar.

E lá fomos nós.

Continuando a nossa viagem enviando informações para a Terra.  Levamos a bordo várias informações sobre a Terra, gravadas em disco de ouro para o caso de sermos interceptadas por outra civilização.  Vocês aí do Brasil sabiam que nesse disco existe uma imagem do Cristo Redentor?

As informações enviadas para a Terra continuam até hoje, quarenta e oito anos depois.

E aí é que vem o grande ponto.  Na época em que fomos lançadas, nossa capacidade de processar informações e enviá-las a Terra era (e continua sendo até hoje) de 70 KB, ou seja centenas de vezes menos que um telefone celular.

Dentro de dois anos comemoraremos meio século (duas gerações de humanos) de trabalho dedicado em busca de respostas de valor inestimável para a raça humana.  E tudo isso com uma capacidade "n" vezes menor que a de um celular.

Nossos softwares foram escritos numa linguagem computacional chamada Fortran.  Alguém se lembra disso?

O que estarão fazendo os terráqueos com celulares de 256 GB? Estão conseguindo respostas? Porque a questão aqui está nas perguntas e para isso não adianta a melhor das IAs.

Encontraremos outra civilização?

Na verdade, isto pouco importa, pois disse Arthur C. Clarke: "Existem duas possibilidades: ou estamos sozinhos no Universo ou não estamos.  Ambas são igualmente aterrorizantes."

Enquanto isso, continuamos a viajar na velocidade de 17 km por segundo (seria como ir de São Paulo ao Rio de Janeiro em 30 segundos).

Continuamos conversando com a Terra, embora entre a ida e a volta de um sinal se passem quase 22 horas.

Até a próxima! "Bip", "Bip", "Bip"...

Assinado:  As Naves Voyager.

(*) Aos interessados em saber o que são o Cinturão de Kuiper e a Nuvem de Oort, favor dirigir-se ao Google.  Como dissemos, o importante é perguntar!

Boa semana!

 

sábado, 2 de agosto de 2025

SEJA GRATO APESAR DOS PERCALÇOS DA VIDA

Olá leitores,

A 12ª regra do terceiro livro de Jordan Peterson "Além da ordem - mais 12 regras para a vida" trata da gratidão.  Já escrevi sobre as outras 11 regras (no fim desse texto relacionarei os títulos das mesmas, caso alguém queira lê-las ou relê-las).

Peterson colocou nesse capítulo um título um pouco diferente: "Seja grato apesar do seu sofrimento". Como estou traduzindo do livro em inglês, achei esse título difícil de encarar...

Ele inicia explicando que "ele acredita que as pessoas têm a habilidade de transcender seu sofrimento, psicológica e praticamente, e conter sua malevolência/maldade, tanto quanto o mal que caracteriza os mundos social e natural."

"Os seres humanos têm a capacidade de confrontar corajosamente seu sofrimento.  Se você confronta as limitações da vida, corajosamente, você terá um propósito que lhe servirá como antídoto para o sofrimento."

A coragem de "olhar para o abismo", metaforicamente falando, como ele diz, te dá a capacidade de enfrentar as dificuldades da existência sem fugir delas.

"Se você age com nobreza (uma palavra que é usada raramente hoje em dia) frente ao sofrimento, você tem a capacidade de amenizá-lo não somente para você mas também para as outras pessoas.  Você pode fazer desse mundo um lugar melhor (parece piegas, n'é, mas não é).  Ele traz o exemplo da malevolência - todos nós gostamos de falar de vidas alheias - mesmo que não sejam tão próximas - falamos de pessoas públicas, como se nós as conhecêssemos na íntegra, como se participássemos de suas vidas - mas muitas vezes o que "sabemos" são notícias dos jornais e/ou das redes sociais...  Hoje em dia, sejamos francos conosco mesmos: Será que tudo o que ouvimos, lemos ou vemos é verdade?

Peterson, em seus livros, fala do relacionamento interpessoal, não somente da vida individual de cada um - para ele, e eu também concordo, para melhorar o mundo há que se melhorar a si próprio.  

De acordo com Jiddu Krishnamurti, filósofo, escritor, orador indiano do século passado, para melhorarmos o mundo (o qual achamos que muitas vezes está indo para o "buraco"), temos que nos conhecer genuinamente com nossos defeitos e virtudes - não podemos "tapar o sol com a peneira" - devemos enfrentar nossa realidade de frente - só assim poderemos "começar" a impulsionar o mundo para um patamar mais alto.

E, voltando ao texto de Peterson - "começar a parar de mentir ou espalhar/compartilhar aquilo que percebemos ser mentira, é o primeiro passo na direção certa". Para ele, o otimismo é mais confiável que o pessimismo - não o otimismo ingênuo - mas o otimismo daquele que frente a escuridão enxerga uma tênue luz que parecia tão diminuta, mas que no final traz uma grande surpresa e um grande alívio e até nos faz gratos por a termos enfrentado.

"E a pergunta que fica é Por quê sempre olhamos para a escuridão? Somos fascinados pelo mal.  Assistimos a dramáticas representações de "serial killers", psicopatas, reis do crime organizado, membros de gangue, estupradores, matadores de aluguel e espiões.  Voluntariamente, muitos de nós, nos aterrorizamos e nos enojamos com filmes de suspense, de terror - é mais do que uma curiosidade.  O conhecimento do mal é necessário - se você falha em conhecê-lo ou entendê-lo poderá cair em algumas de suas armadilhas.  E então, você procura os lugares escuros para se proteger, no caso de a escuridão aparecer, para encontrar a luz (e ela sempre está lá - grifo meu).

Inúmeras situações na vida são difíceis de enfrentar, mas na maioria das vezes temos que fazê-lo, até para que nossos familiares e amigos poderem encontrar alguma força para dar continuidade a seus planos, ou até suas vidas.  Peterson traz o exemplo mais difícil de encarar para a maioria das pessoas - é o sofrimento, a dor de uma perda para a morte.  Raras são as pessoas que enfrentam o funeral de uma pessoa querida de maneira tranquila, como algo natural.  Entretanto esse é o momento que se dever ter uma certa coragem/força para seu enfrentamento - pois seria uma maneira das outras pessoas terem com quem contar ou se apoiar. "Se você consegue observar uma pessoa "pairar" acima de uma catástrofe, perda, desesperança/desespero, você verá evidência que a resposta a tal catástrofe é possível. Coragem e nobreza em face da tragédia é o reverso da destruição, do cinismo vazio que aparentemente se justifica em tais circunstâncias."

"A atitude negativa de algumas pessoas é compreensível - elas têm vidas difíceis, mas quando encontramos na vida pessoas em situações mais difíceis que as nossas até acharíamos muito difícil se estivéssemos no lugar delas."

O sofrimento de pais em relação aos filhos é bem real - um sofrimento que devemos ser gratos - me explico melhor.  Peterson trouxe o exemplo dos próprios filhos. Quando os filhos são pequenos, os pais têm uma árdua lição a aprender, na minha opinião.  Peterson explica: "há uma vulnerabilidade que não pode ser negada sobre os filhos/crianças pequenas que fazem os pais ficarem atentos, conscientes do desejo de protegê-los, mas também do desejo de lhes ensinar autonomia e empurrá-los para o mundo, porque isso os fortalecerão.  É também essa vulnerabilidade que faz com os pais fiquem zangados/furiosos com a vida por causa da fragilidade dos filhos e que faz com que os pais odeiem essa circunstância, mas ao mesmo tempo é a que os une (pais e filhos)."

"Voltando ao tema da morte, quando falamos dela, a resposta de todos é o pesar, a tristeza - principalmente da morte de uma pessoa que nem foi tão próxima de nós - mas se vamos a um funeral, a tristeza é uma experiência estranha - você sente confusão, você nem sabe como agir. Entretanto Peterson acredita que a tristeza, nesse caso é o reflexo do amor.  A tristeza é uma manifestação incontrolável de sua crença de que a vida da pessoa que se foi, apesar das limitações e defeitos que ela tinha, foi valorosa.  Muitas vezes você chora, se entristece porque algo que você valorizava não existe mais.  Mesmo uma pessoa que teve uma vida catastroficamente errônea, sua morte é sentida com tristeza.

Peterson começou a escrever essa regra perto do dia de Ação de Graças nos E.U.A. E então ele notou como é importante dar graças - na minha opinião é uma data que deveria ser comemorada em todos os países, pois deveríamos dar graças por muitas coisas que nos acontecem na vida.  

"Sermos gratos por nossa família é lembrar de tratá-los bem.  Eles podem deixar de existir a qualquer momento.  Sermos gratos por nossos amigos é acordarmos para o fato de tratá-los adequadamente.  Sermos gratos pela sociedade é nos lembrarmos de que somos os beneficiários do imenso esforço da parte daqueles que nos precederam e nos deixaram uma incrível estrutura social, cultural, artística, tecnológica, de luz, de sistema sanitário, que fez com que nossas vidas fossem melhores que as deles."

Seja grato pelos percalços da vida pois eles te fizeram mais forte, mais apto, e mais feliz na medida do possível.  Na maioria das vezes, aprendemos e crescemos por causa das adversidades da existência.  Isso é o que acredito ser humano.

Boa semana!

(P.S. As outras 11 regras desse livro, encontram-se nos textos com os seguintes títulos:

Regra 1 - Instituições e regras X criatividade moral

Regra 2 - O destino do herói

Regra 3 - Omissão nos relacionamentos

Regra 4 - O olho de Hórus 

Regra 5 - Não faça o que você detesta

Regra 6 - Abandone a ideologia

Regra 7 - Uma visão da força de trabalho

Regra 8 - Porque a beleza importa

Regra 9 - Memórias inconvenientes

Regra 10 - Como manter o romance em seu relacionamento

Regra 11 - Ressentimento, falsidade e arrogância

Procure pelo titulo no blog).




 

"EU TENHO UM SONHO..."

Olá leitores, Os meus sonhos não são tão grandiosos quanto o sonho de Martin Luther King em seu discurso. Os meus sonhos são voltados ao meu...