Caros leitores,
TOC - Transtorno Obsessivo-compulsivo, é como alguns psicólogos denominam um distúrbio que causa bastante aflição, tanto para o portador do mesmo, quanto para as pessoas que com ele convivem. Ele está associado à ansiedade e a uma ideia fixa que invade a mente, ou melhor dizendo, a alma/espírito e constrange o indivíduo a realizar atos estranhos, rituais sem explicação. Essas ideias podem trazer desde uma leve interferência, até uma incapacidade extrema.
Na maioria dos casos, esses rituais têm como objetivo a necessidade de afastar algo supostamente ruim.
Aqueles que estudam os distúrbios mentais afirmam que esses rituais diferem dos atos supersticiosos tais como, "não passar debaixo de escada", "não deixar gatos pretos cruzarem o seu caminho", "bater na madeira três vezes para afastar adventos ruins", "abrir guarda-chuvas dentro de casa", etc. Os rituais do TOC, dizem esses estudiosos, são mais frequentes do que imaginamos - afetam de alguma maneira desde pessoas talentosas e sensíveis até as pessoas de vida comum. Porém a maioria das pessoas que sofrem de TOC disfarça os rituais, evita falar disso e até esconde suas angústias.
Na maioria das vezes, os que sofrem de TOC gastam horas preciosas de sua vida com gestos, tiques e movimentos. E todos, em sua grande parte, afirmam "por mais que me esforce, não consigo evitá-los".
No diagnóstico do TOC, Hammed, em seu livro "A imensidão dos sentidos", menciona vários tipos de compulsivos:
- "os verificadores": examinam luzes, gás, fechaduras, portas de 4 a 20 ou mais vezes;
- "os obsessivos pela exatidão ou perfeição": gastam tempo buscando "simetrias" desnecessárias e constantes, colocando os sapatos no chão com proporção impecável, fazendo o laço deixando as duas pontas do cordão exatamente iguais;
- "os dominados pelo medo da contaminação": lavam as mãos ou banham-se constantemente com temor de "germes" ou "doenças", possuem extrema apreensão pela sujeira e, nesse caso, perdem tempo em rituais para comer e dificultam simples atos de higiene e bem-estar;
- "os temerosos de que algo ruim possa acontecer caso não realizem os rituais": alguns podem evitar pisar os espaços entre as brechas de uma calçada - "se pisar na fenda, minha mãe morre", por exemplo. Outro exemplo "tenho que atravessar os batentes dessa porta de maneira certa e especial, senão algo maléfico vai acontecer."
- outros têm necessidade de tocar coisas ou pessoas mais de uma vez (Síndrome de Tourette); de engolir a saliva de quando em quando; de arrumar e desarrumar gavetas e malas; medo do imaginário de ferir-se, entre outros tantos tiques incontroláveis e fora de hora.
Cientificamente, de acordo com o livro "O que fazer quando você tem certas manias" de Dawn Huebner, o TOC está relacionado a certas anormalidades da química e da função cerebrais.
Uma das características das pessoas compulsivas é a tendência de serem exageradamente moralistas ou extremistas e a não perdoar a si mesmos e nem aos outros. Lembremo-nos de que tudo que é exagerado é desarmônico. Quando há um moralismo exagerado, há inconscientemente, a não aceitação da imperfeição do planeta, então o indivíduo não aceita a si próprio e nem o semelhante.
Hammed registra pontos vulneráveis que podem desencadear o TOC, dando origem às sensações do mesmo:
. capacidade restrita de expressar carinho ou sentimentos de afetividade;
. internalização dos impulsos agressivos - a criatura não sabe canalizar essa energia para outras atividades capazes de extravasá-la adequadamente;
. hábito do perfeccionismo - a pessoa passa a exigir cada vez mais de si própria, até a exaustão, extrapolando seus limites naturais;
. incapacidade de renovação - tem consciência empedernida e estreita; qualquer inovação, qualquer ideia ou ação criativa que questione seus conceitos e atitudes, é para ela um desafio ameaçador;
. falta de generosidade com seu tempo, lazer e prazeres - exagera na dedicação ao trabalho;
. comportamento inflexível - julga que ceder signifique falta de convicção; por isso, não percebe que as pessoas e as coisas não são integralmente corretas ou erradas, nem inteiramente boas ou más;
. pré-ocupação - não encara o momento presente como tempo de realizar e produzir, vivendo a ansiedade de um futuro imaginário.
Na investigação pessoal da origem da obsessões, saberíamos que estas se encontram em nossos pontos fracos, ou em alguns comportamentos autodestrutivos que adotamos, consciente ou inconscientemente.
Infelizmente, nossa cultura não admite a responsabilidade de cada indivíduo por seus próprios atos. Não fomos educados a compreender que as alegrias e as tristezas que experenciamos são a soma de todas as nossas escolhas de vida. Em nossa cultura há a crença de que não somos responsáveis por tudo o que estamos passando. Entretanto, podemos refletir e compreender que cada emoção que sentimos foi precedida por uma atitude interior ou um pensamento - podemos hoje, entender que a energia antecede a ação.
O processo por uma busca de sanidade mental se inicia quando consideramos nossas limitações e conflitos e modificamos nossos pensamentos e atitudes. Quando temos dificuldade de admitir que somos falíveis, impedimos a cura que buscamos para obter uma maior harmonia em nossa existência terrena.
Nós temos que acreditar que somos causa e efeito de nós mesmos, que não existe fatalismo em nossa vida, apenas, como diz Hammed muito sabiamente, "apenas existe atração e repulsão, conforme nossa sintonia vibracional."
No momento que aprendermos a pensar e agir de modo moderado e saudável, o processo obsessivo cessa, porque quando pensamos e agimos dessa maneira, nos tornamos livres e equilibrados, não mais alimentando os pensamentos desajustados.
A jornada de autoconhecimento é um processo gradual. Quando conseguimos compreender o motivo, a causa de nosso sofrimento, encontramos o real valor de nossa vida e, neste meio tempo, tratemos de olhar para nosso íntimo e busquemos nossas imperfeições e potenciais e tratemos de fazer com que os últimos (os potenciais) auxiliem os primeiros (as imperfeições) a transformar-se.
"Você é um ser humano adulto e consciente, responsável pelo seu comportamento. Controle suas ideias, rejeite os pensamentos inferiores e perturbadores, estimule as suas tendências boas e repila as más. Tome conta de si mesmo. Deus concedeu a jurisdição de si mesmo, é você quem manda em você nos caminhos da vida. Não se faça de criança mimada. Aprenda a se controlar em todos os instantes e em todas as circunstâncias. Experimente o seu poder e verá que ele é maior do que você pensa." (J. Herculano Pires).
Bem, cá entre nós, você notou alguma característica similar a qual você possui? Em realidade, todos nós temos algumas dessas "manias" e isso não quer dizer que você tem TOC. O TOC abrange uma quantidade enorme de várias características simultâneas aqui descritas. O importante é ter bons pensamentos sobre si mesmo, acreditar no seu potencial de evolução, mesmo que o Planeta pareça estar atualmente numa convulsão sem fim. Quando você pensa bem, você ajuda outros a fazerem o mesmo pelo princípio de ressonância.
Boa reflexão e boa semana!




