sábado, 6 de junho de 2026

"O CAIBALION"

Caríssimos leitores,

O livro "O Caibalion" fala do estudo da filosofia hermética - foi compilado por William Walker Atkinson - a obra foi baseada na sabedoria do Antigo Egito e na Grécia Helenística.  De acordo com o pensador Philip Deslippe, responsável pela introdução, o livro criou uma ponte entre os mundos ocultistas dos séculos XIX e XX.

A obra discorre sobre "as sete leis cósmicas" onde a tese central de O Caibalion é de que a existência é regida por sete leis universais.

Atkinson, o autor responsável pela compilação do livro era advogado, comerciante, editor, escritor, ocultista e propagador da filosofia do Novo Pensamento.  "O Caibalion" foi publicado em 1908.  O livro em si descreve o funcionamento do Universo por meio de uma séria de leis.

A palavra Hermetismo refere-se a Hermes Trismegisto "o três vezes grande", considerado o deus egípcio da sabedoria ou Thoth.  Mais tarde na história, Thoth/Tehuti foi incorporado aos deus mensageiro grego Hermes.  Ele é citado em diversos textos primitivos como o fundador mítico da Maçonaria.

Atkinson escreveu "O Caibalion" com o pseudônimo de "Os Três Iniciados" - "O Caibalion" é a organização das ideias de Hermes Trismegisto em 7 princípios: mentalismo, correspondência, vibração, polaridade, ritmo, causa e efeito e gênero.

O livro parece difícil mas quando fui lendo percebi que as tais 7 leis cósmicas são leis de como o Cosmos funciona e que por uma "coincidência" estão colocadas como base de todas as religiões, seitas, filosofias do Planeta.

Esse texto de hoje será uma simples introdução à leis - pretendo discorrer a cada semana a uma lei.  Na época em que foi escrito "O Caibalion" deveu seu sucesso ao vazio que ajudou a preencher entre os que buscavam ajuda espiritual, bem como ao modo como alcançou seu público, falando-lhe de uma maneira ao mesmo tempo familiar e reveladora."

"Durante sua vida, Atkinson recusou-se a aderir incondicionalmente a um grupo ou sistema de crenças e, em suas obras, ele instruiu sistematicamente seus leitores a experimentar, descobrir suas próprias verdades, permanecer independentes de todos os dogmas, mesmo que isso implicasse o descarte de boa parte de sua própria obra."

"Foi do Antigo Egito que nos vieram os ensinamentos esotéricos e ocultistas fundamentais que, ao longo de milênios, têm influenciado tão prodigamente as filosofias de todas as raças, nações e povos."

"...os egípcios deificaram Hermes e fizeram dele um dos seus deuses sob o nome de Thoth. Anos depois, os povos da Antiga Grécia também o deificaram com o nome de "Hermes, o Deus da Sabedoria".  Os egípcios reverenciaram sua memória por muitos séculos - sim, dezenas de séculos -, chamando-o de "o Escriba dos Deuses", e apondo-lhe seu antigo título, "Trismegisto", que significa o "três vezes grande", "o grande entre os grandes".  Em todos os países antigos, o nome de Hermes Trismegisto foi reverenciado como sinônimo de "Fonte de Sabedoria".

"Sempre existiram, em cada geração e em vários países da Terra, alguns Iniciados que conservaram viva a sagrada chama dos Preceitos Herméticos, e sempre recorreram a suas luzes para reacender as luzes mais fracas do mundo profano, quando a luz da verdade começava a escurecer e a apagar-se por conta de sua negligência..."

Não foi um livro fácil de ler, entretanto entendi de como tudo está ligado a tudo.

Na semana que vem tentarei dar uma ideia do livro e colocar em minhas próprias palavras o meu entendimento.

Até lá então!

 

 

sábado, 30 de maio de 2026

DO AIPIM AO TOMMY

O texto de hoje é de autoria de J. Tucón.

Olá leitores,

(uma breve paisagem curitibana)

Hoje, 28 de maio pela manhã minha esposa mostrou-se preocupada com a falta de inspiração para escrever o texto semanal do seu blog (este blog aqui).

Pois na hora do almoço, ao entrar no restaurante do Hotel Centro Europeu, me veio a ideia de escrever algo.

Fui lá para almoçar e para minha surpresa havia uma carne de panela feita com aipim salpicada de folhas de salsinha.  Atraiu muito a minha atenção e me servi de um bom bocado; fiz um ótimo negócio: estava com um molho delicioso!

Tanto gostei que após a sobremesa fui pessoalmente elogiar a Chef; já minha conhecida.

Finalizei o almoço com um cafezinho e, depois de pagar a conta, saí em direção à Praça Zacarias aonde iria buscar uns tubos de suplemento de cálcio.

E logo ao entrar na Luiz Xavier decidi ver a vitrine de uma outrora prestigiosa livraria com muitas lojas pela cidade; nela havia, há uns oito anos atrás, um clube de conversação em várias línguas, do qual participei com muito gosto.  Eram reuniões semanais na loja (hoje não existe mais) do Shopping Estação, todas as sextas por volta das 19 horas.

Mas, ao me aproximar da vitrine, o que estava lá? Álbum de figurinhas dos jogadores da Copa! Este era o tema da vitrine...

Continuei e logo me deparei com aqueles engravatados nada elegantes com sua banca de vender livros e folhetos dando resposta para a seguinte questão: "O mundo vai acabar. E você?". Mas são necessários livros, apostilas e folhetos para responder?

Se vai acabar, eu estou nele e acabarei também.

Mas, acabemos com o pessimismo.  Chega a meus ouvidos o som lânguido de um saxofone tocado ao vivo, acompanhado de um ritmo proveniente de uma caixa acústica.

Bésame, bésame mucho! Como si fuera la última vez...

Bésame, bésame mucho! Como si fuera la última vez...

La última vez! Será que o mundo vai acabar?

Volto os olhos para a caixa acústica e vejo que ela está acorrentada a um poste!

Bem, creio que o fim está próximo...

Sigo.

Logo, vejo à minha frente o bondinho com o número 77 pintado.  Sempre me perguntei o que faz um bonde numa rua de pedestres? Me aproximo e vejo que está repleto de livros e tem uma placa com os dizeres "Bondinho da leitura". Que júbilo! Vou até a entrada e me deparo com um aviso: "Fechado para almoço". Como é possível? Na hora do almoço é que temos alguns momentos para ler...

E o mundo?

Viro à direita em direção à Praça Zacarias e ao ao chegar a essa praça começa o inferno para os ouvidos: óticaóticaóticaóticaóticaóticaótica...parece um mantra sem fim.

Tiraram o "p" da "óptica": virou "ótica".  Já imaginaram ter que ficar falando: "óptica, óptica, óptica... Certamente acabaria travando a língua!

Bem, saí da praça e log cheguei ao fornecedor dos suplementos.  Comprei dois tubos.

Atravessei de volta a praça da óticaóticaóticaótica, entrei na Quinze e depois na Luiz Xavier.

É quando o otimismo voltou a ocupar o meu ser.  Vindo em minha direção, um tipo alto, esbelto, com andar elegante exibindo um moletom onde estava escrito "Tommy", passar por mim.

Senti uma sensação de plenitude, de ter ganho o meu dia.  Matei o leão de hoje, ou melhor, vi o "Tommy" de hoje.

Mas, perguntará o leitor, o que um moletom tem a ver com a sensação de otimismo, de meta cumprida?

Bem, caro leitor, isto é algo que fica exclusivamente entre minha esposa e eu.

Afinal diz um velho ditado: Em assuntos de marido e mulher, ninguém mete a colher."

Mas, afinal, e o mundo? Vai acabar?

Boa pergunta!

J. Tucón

Observador de humor sarcástico

Colaborador do blog "Refletindo"

Boa semana!

 

sábado, 23 de maio de 2026

"O ÚLTIMO DIA DE UM CONDENADO"

Caros leitores,

Este mês de maio, nosso Clube de Leitura discutiu um livro de Victor Hugo, "O último dia de um condenado".  Não é um dos bons livros dele, embora tenha sido escrito após muitas outras obras anteriores.  Ele começou a escrever em 1816 aos 14 anos e escreveu nesse ano sua primeira peça de teatro.  Essa obra que ora discutimos foi escrita em 1828 e publicada em 1829, quando ele tinha 26 anos.

Hugo teve sua ideia para escrever esse livro quando assistiu a uma execução na praça de Griève (mesmo local onde se passa o livro) de quatro sargentos de La Rochelle em 1822.  Ele era contra a pena de morte, então escreveu esse livro baseado numa carta, ou seria melhor dizer, um bilhete que um guilhotinado escreveu antes de ser executado. Sua intenção ao escrever o livro era ver se essa ideia da pena de morte, a lei, pudesse ser extinta.

O livro é como um diário em que o prisioneiro relata seus pensamentos e angústias antes do dia fatídico - ao darem o veredicto de "condenado à morte" ele pensa na mulher, na mãe e na filha que sofrerão sem ter culpa de nada.  Ele ficara preso 6 meses, mas após o veredicto permaneceu 6 semanas aguardando o dia da execução. Em nenhum momento o leitor descobre o delito do condenado.  Acredito que isso não foi importante para o escritor.

Ao final do livro, há um prefácio escrito em 1832, onde Victor Hugo narra os absurdos das execuções na guilhotina, como por exemplo, numa das execuções a lâmina falha, não está afiada o suficiente e a cabeça não é cortada ferindo o condenado...

Ao discutirmos a obra, nos perguntamos se foi uma boa ideia tê-la lido.  E então, concluímos que nesses 4 anos e meio (estamos no quinto ano do clube) todos os livros que lemos nos trouxeram informações interessantes para nossas vidas.  Nesse livro, embora desconfortável para ler, pudemos ter uma ideia de como era a vida na França nesse período, no que diz respeito aos crimes, condenações e execuções.

Boa semana!  

sexta-feira, 15 de maio de 2026

QUE VERGONHA!

Olá leitores,

Hoje o texto é de J.Tucón.

O outono chegou!

Hoje lá pelas onze e meia da manhã eu estava na varanda de minha casa, preparando-me para ir ao Centro quando ouvi a voz de minha vizinha falando alto em bom som:

- Veja essas folhas secas na calçada! Que vergonha!

Referia-se ela às folhas secas que caem na calçada de minha casa, uma vez que nela estão plantados hibiscos.

Mas, voltemos a questão da vergonha.  Deveria eu me envergonhar das folhas secas que caem na calçada?

Deveriam os norte-americanos envergonhar-se das folhas secas que literalmente cobrem as calçadas ao chegar o outono? Só para informar, uma das traduções de "outono" para o inglês é fall , que também significa "queda" (das folhas, é claro).

Que dizer, então do Japão, onde não se pode varrer folhas caídas, pois se trata de respeitar um ciclo da natureza?

E a vergonha?

Na minha quadra, cheia de pessoas corretas e impolutas, observemos algumas atitudes:

Um deles tem (tinha) uma carreira de ísis na calçada.  Pois quando estavam em plena floração, oferecendo aos passantes um espetáculo magnífico, mandou um jardineiro (?) decepá-las pela raíz.

O vizinho desse nem embala o seu lixo.  É tudo direto na calçada: embalagem de pizza, garrafa pet, pelanca de contra-filé, arroz e feijão, bolo floresta negra...

Numa construção de um sobrado mais ou menos em frente de minha casa, é música "sertaneja-universitária" em alto volume das 8 às 18 horas.

Mais adiante, nos fins de semana, festinhas com música alta.  E quando, de forma diplomática, se pede que abaixem o volume, a resposta é taxativa: "Eu tenho meus direitos!"

E ainda na mesma quadra, podemos noticiar o hábito de colocar as embalagens do comércio eletrônico direto na calçada.

Fora os maus tratos aos animais...

E a vergonha?

Tirou férias?

Por essas e outras é que sou brasileiro não praticante (expressão criada por Diogo Mainardi).

Para terminar deixo aos leitores um "haiku" (de um velho mestre, já falecido) uma forma de poesia breve da cultura japonesa:

Tapete amarelo

Nem o gari quer varrer

As flores do ipê.


Boa semana!

sábado, 9 de maio de 2026

REFLEXÕES NA MADRUGADA

Caríssimos leitores,

Esta noite (de quinta-feira 07.05 para sexta-feira 08.05), ou talvez seja melhor dizer, esta madrugada fui acordada após a meia noite pelo falatório e pela "música bate-estaca" dos meus vizinhos da frente.  Como já sei que geralmente quando eles se empolgam vão até às 4 da manhã, fui até o banheiro para não acordar meu marido, para colocar meus tampões de ouvido de silicone que uso nessas ocasiões - eles não cessam todo o barulho, mas abafam o suficiente para conseguir dormir - embora a "batida" do que eles chamam erroneamente de música ecoa em nosso diafragma/plexo solar, trazendo desconforto.  Obviamente, fiquei com um pouco de "dor de estômago" não somente por ter sido acordada antes de ter descansado o suficiente, como também pela indignação por eles não perceberem a desarmonia que trazem para os vizinhos da rua.  Em realidade, as vozes altas, desta vez, trouxeram mais desequilíbrio do que o tal som que não estava tão alto.

Como demorei para conciliar o sono novamente, fiquei refletindo em como nossa rua, nosso bairro, nossa cidade decaiu enormemente em qualidade de vida.

Em junho deste ano completaremos 15 anos vivendo em Curitiba.  Quanta diferença de quando chegamos aqui em 2011!! Nossa rua que praticamente não passava carros e, onde haviam outros vizinhos, era, à noite, um silêncio sepulcral.  Em realidade, ainda o é, em alguns dias.

Esse vizinho da frente ainda é o mesmo de quando nos mudamos.  Mas o menino tinha uns 11 anos na ocasião e hoje tem 26 anos, no auge da adolescência que como a maioria das pessoas já percebeu, se estende às vezes até os 50 anos. Assim que nos mudamos ele veio, um dia, bater bola no muro de nossa casa (temos um muro de aproximadamente 2,40 metros de altura) e fazia um barulho irritante, pois a rua era silenciosa.  Abri o portão para ver do que se tratava e perguntei para ele onde ele morava e ele disse: "Nessa casa em frente, do outro lado da rua", e eu respondi: "OK. Então por favor vá bater a bola no muro de sua casa." A casa dele não tem muro; só um portão vazado... Aí ele cresceu e hoje faz reuniões para os amigos com falatório e som alto no terraço e na garagem.  Nada contra festas desde que não incomode os outros.  Uma vez, sugeri que ele talvez pudesse realizar suas reuniões dentro de casa, mas fui ignorada. Acredito até que como a rua e o bairro são mais silenciosos, qualquer ruído na madrugada aparece muito.

Bem, voltemos às mudanças das ruas, bairro e cidade de Curitiba.  Nosso bairro recentemente  foi agraciado com uma "renovação" - trocaram as mãos das ruas, fizeram novas calçadas, nova iluminação e para isso, cortaram todas as árvores da rua principal - era um maravilhoso "túnel" que elas formavam quando suas copas se cruzavam no meio da rua e, por conta disto, hoje, de minha casa ouço o barulho dos carros dessa via principal que dista uns 70 metros de distância.  A distância é pouca, mas antes não se ouvia muita coisa.

Agora também há muitas construções novas e muitas delas ainda em construção com obras que fazem barulho, causam transtornos de movimentos de caminhão; sem contar que nos dias secos e estamos tendo muitos deles, a areia invade tudo. Meu marido costuma dizer que Curitiba não é poluída, é suja.  Aqui venta muito em qualquer época do ano e então a areia, a sujeira das obras, do asfalto estão sempre no ar, carregada de cá para lá. Curitiba é uma montanha - aproximadamente mil metros de altura do nível do mar.

Quando nos mudamos em 2011 haviam muitas ruas desertas, com poucas pessoas trafegando - hoje é tudo cheio de gente para tudo quanto é lado - muitos forasteiros.  Em realidade, nós também os somos, pois não nascemos aqui, entretanto, nos enquadrávamos bem de acordo com a vida social dos curitibanos raiz: silenciosos, de pouca fala, muitas vezes chamados de antipáticos.  Não os vejo assim- vejo-os como pessoas que respeitam o outro e mantém uma distância segura (talvez nos sentíamos confortáveis porque meu marido e eu também somos assim...).

No coletivo, nos ônibus havia silêncio - hoje muitos ouvem música e/ou lives no celular sem o uso do fone de ouvido.  É raro nos deslocarmos pela cidade num ônibus silencioso.

Para finalizar, é muito triste ver lixo espalhado em muitos locais.

Felizmente, quando chego em casa, depois de ter ido para vário locais, chego no nosso pequeno paraíso: nossa casa e seu jardim.  Borboletas brancas me saúdam e me reconecto com minha centelha divina e me lembro que esta vida é transitória e que sempre podemos tirar boas lições de tudo o que nos ocorre.

Apesar de tudo, amamos Curitiba e contribuímos para sua harmonização fazendo nossa parte com nosso jardim e o encontro com amizades que construímos aqui.

Então, até que ter sido acordada depois da meia noite me fez refletir que apesar de tudo e de minhas atitudes ranzinzas vez ou outra, viver em Curitiba é uma benção!

Boa semana!

 

sábado, 2 de maio de 2026

PENSAMENTO PRODUTIVO

Caros leitores,

Neste fim de semana uma amiga me disse uma frase que me deixou intrigada.  Ela disse: "Me contaram que a humanidade acabou e que só sobrou a gente."

Do jeito que as coisas estão eu até nem questionei o motivo de tal afirmação - é meio óbvia!

Quando acompanhamos as notícias pelo mundo ficamos de cabelo arrepiado - eu pelo menos me espanto muito, isso se essas notícias são verdadeiras - afinal de contas, a mídia quando não se "equivoca", acaba inflando os fatos e ficamos nos perguntando "será que isso é verdade?"

Ao acompanharmos o "andar da carruagem" de nosso país, as coisas também não são as melhores.  Aqui nada muda - creio não ser nem o "andar da carruagem" como se diz, mas o "deslizar de uma lesma", ou melhor, "caminhamos em círculos" - as coisas parecem mudar mas continuam as mesmas - muitas vezes, comento com o meu marido: "Gostaria que alguém me surpreendesse" em referindo-me à política.

Entretanto, compreendo que para que as coisas mudem, as pessoas precisam mudar a si mesmas - cada um de nós precisa mudar seu comportamento interno (emoções, sentimentos, pensamentos) para que a sociedade mude - afinal, ela é feita de indivíduos!

Assim, como não podemos mudar o mundo do jeito que "eles" acham que devemos - o ideal é cada um de nós continuar nossa vida, buscar nossos sonhos, realizar nossos planos e pensar de maneira produtiva.  O que chamo de pensamento produtivo é acreditarmos que lá fora existe uma maneira melhor de viver, de sentir, com menos stress, menos necessidades, menos coisas como que se preocupar. Quando pensamos produtivamente caminhamos em direção aos nossos sonhos/metas com determinação, abraçando cada fase da jornada, sem a preocupação se algo vai dar certo ou errado - caminhar ocupando-se de cada etapa com fé, esperança, certeza de estar indo para o lugar certo, uma vez que o lugar certo é o momento presente.

Atualmente vemos pessoas de ambas as situações: uns trabalham demais e uns trabalham de menos - cada uma dessas pessoas com suas ocupações.  Qual seria a melhor opção? Na minha opinião, a melhor opção seria aquela que te faz bem, sem estresse, sem ansiedade, sem agonia, sem paranóia.

Aquele que acredita que possui Deus dentro de si, a "Centelha Divina", ou melhor, como afirmou Jesus "Vós sois deuses", esse, caminha bem mais tranquilo, com a paz interior preservada, sem stress, sem ansiedade.

Cada um de nós precisa fazer a sua parte na construção da "Nova Nova Terra" como dizem.  Em algumas circunstâncias obedecemos o caminhar da vida social, outras vezes nos rebelamos com aquilo que nos violenta e outras vezes ainda, saímos do percurso programado por outros e buscamos nosso próprio caminho.

E como você pensa? A humanidade realmente acabou? Existem em alguns lugares, seres de outras raças? Será que estamos vivendo num mundo "fechado" tipo "O Show de Truman"? E se for isso? Acompanhar a manada ou buscar um "refúgio"?

Boa reflexão!

sábado, 25 de abril de 2026

"RELATO DE UM NÁUFRAGO"

Olá leitores,

Este mês nosso Clube de Leitura discutiu o livro do colombiano, Gabriel García Márquez, conhecido como Gabo, "Relato de um Náufrago".

Em realidade, nem é um livro ficcional - como Gabo também era jornalista, esse relato é praticamente uma reportagem de um fato que ocorreu em 1955, e foi publicado em série no Diário de Bogotá, El Espectador.

O livro conta a história de Luís Alejandro Velasco, único sobrevivente de um acidente ocorrido com um destroier da marinha colombiana, durante uma tormenta no Mar do Caribe, onde oito membros da tripulação caíram no mar.  Velasco se separou dos outros no acidente e conseguiu permanecer num bote salva-vidas (no livro está balsa) durante 10 dias até ser encontrado descordado, quase morto numa praia deserta do norte da Colômbia.

Durante esses 10 dias ele quase não comeu - tentou comer uma gaivota que tinha conseguido capturar, mas não teve coragem de comê-la; também comeu parte de um peixe que ele também conseguiu pescar, mas jogou o resto ao mar para os tubarões e também comeu uma raiz/uma alga que encontrou num dado momento no fundo do bote - como o bote virou em um dia e ele conseguiu desvirá-lo, a tal da raiz deve ter entrado no bote neste momento.

Ele também não bebeu - quer dizer, bebeu um pouco da água do mar em alguns momentos, mas ficou com a garganta irritada por causa do sal.

Durante sua estada no mar por esses dias, teve "visões" de colegas que poderiam também estar no bote com ele - mas manteve a esperança e a fé de que iria ser resgatado, com breves momentos de desilusão.

Ao ser encontrado na praia, foi levado a um hospital naval, onde só foi permitido falar com jornalistas do regime.  Nessa época, a Colômbia vivia sob a ditadura folclórica de Gustavo Rojas Pinilla.

Em realidade, ao conversar com um jornalista disfarçado de médico, este descobriu que não acontecera tormenta alguma e sim um acidente: o navio levava uma carga de contrabando e ele adernou devido a força dos ventos no mar agitado, a carga (geladeiras, televisores e máquinas de lavar) soltou-se e arrastou para o mar os oito marinheiros.

"A revelação do que verdadeiramente sucedera converteu-se, imediatamente, em denúncia política.  O país foi tomado de grande alvoroço que custou a glória e a carreira do náufrago e valeu um exílio para o repórter."

Gabo comenta na introdução do livro escrito em fevereiro de 1970: 

"Apesar das pressões, das ameaças e das mais sedutoras tentativas de suborno, Luís Alexandre Velasco não desmentiu uma linha sequer da história.  Teve que abandonar a marinha, o único trabalho que sabia fazer, e se precipitou no esquecimento da vida comum.  Em menos de dois anos caiu a ditadura e a Colômbia ficou à mercê de outros regimes melhor vestidos mas não muito mais justos, enquanto eu começava em Paris este exílio errante e um pouco nostálgico que tanto se parece também com uma balsa à deriva.  Nunca mais ouviu-se falar do náufrago solitário, até que, há uns meses, um jornalista perdido encontrou-o atrás de uma mesa em uma empresa de ônibus.  Vi essa foto: aumentou de peso e de idade e nota-se que a vida o marcou, mas deixou nele a aura serena do herói que teve a coragem de dinamitar a própria estátua."

"Eu não voltara a ler este relato nestes 15 anos.  Parece-me bastante digno de ser publicado, mas não consigo entender a utilidade de sua publicação.  Causa-me depressão a ideia de que aos editores não interessa tanto o mérito do texto como o nome que o assina, que, para desgosto meu, é o de um escritor da moda."

Para o náufrago, o seu heroísmo consistiu em não se deixar morrer.

Boa semana!


 

"O CAIBALION"

Caríssimos leitores, O livro "O Caibalion" fala do estudo da filosofia hermética - foi compilado por William Walker Atkinson - a o...