sábado, 9 de maio de 2026

REFLEXÕES NA MADRUGADA

Caríssimos leitores,

Esta noite (de quinta-feira 07.05 para sexta-feira 08.05), ou talvez seja melhor dizer, esta madrugada fui acordada após a meia noite pelo falatório e pela "música bate-estaca" dos meus vizinhos da frente.  Como já sei que geralmente quando eles se empolgam vão até às 4 da manhã, fui até o banheiro para não acordar meu marido, para colocar meus tampões de ouvido de silicone que uso nessas ocasiões - eles não cessam todo o barulho, mas abafam o suficiente para conseguir dormir - embora a "batida" do que eles chamam erroneamente de música ecoa em nosso diafragma/plexo solar, trazendo desconforto.  Obviamente, fiquei com um pouco de "dor de estômago" não somente por ter sido acordada antes de ter descansado o suficiente, como também pela indignação por eles não perceberem a desarmonia que trazem para os vizinhos da rua.  Em realidade, as vozes altas, desta vez, trouxeram mais desequilíbrio do que o tal som que não estava tão alto.

Como demorei para conciliar o sono novamente, fiquei refletindo em como nossa rua, nosso bairro, nossa cidade decaiu enormemente em qualidade de vida.

Em junho deste ano completaremos 15 anos vivendo em Curitiba.  Quanta diferença de quando chegamos aqui em 2011!! Nossa rua que praticamente não passava carros e, onde haviam outros vizinhos, era, à noite, um silêncio sepulcral.  Em realidade, ainda o é, em alguns dias.

Esse vizinho da frente ainda é o mesmo de quando nos mudamos.  Mas o menino tinha uns 11 anos na ocasião e hoje tem 26 anos, no auge da adolescência que como a maioria das pessoas já percebeu, se estende às vezes até os 50 anos. Assim que nos mudamos ele veio, um dia, bater bola no muro de nossa casa (temos um muro de aproximadamente 2,40 metros de altura) e fazia um barulho irritante, pois a rua era silenciosa.  Abri o portão para ver do que se tratava e perguntei para ele onde ele morava e ele disse: "Nessa casa em frente, do outro lado da rua", e eu respondi: "OK. Então por favor vá bater a bola no muro de sua casa." A casa dele não tem muro; só um portão vazado... Aí ele cresceu e hoje faz reuniões para os amigos com falatório e som alto no terraço e na garagem.  Nada contra festas desde que não incomode os outros.  Uma vez, sugeri que ele talvez pudesse realizar suas reuniões dentro de casa, mas fui ignorada. Acredito até que como a rua e o bairro são mais silenciosos, qualquer ruído na madrugada aparece muito.

Bem, voltemos às mudanças das ruas, bairro e cidade de Curitiba.  Nosso bairro recentemente  foi agraciado com uma "renovação" - trocaram as mãos das ruas, fizeram novas calçadas, nova iluminação e para isso, cortaram todas as árvores da rua principal - era um maravilhoso "túnel" que elas formavam quando suas copas se cruzavam no meio da rua e, por conta disto, hoje, de minha casa ouço o barulho dos carros dessa via principal que dista uns 70 metros de distância.  A distância é pouca, mas antes não se ouvia muita coisa.

Agora também há muitas construções novas e muitas delas ainda em construção com obras que fazem barulho, causam transtornos de movimentos de caminhão; sem contar que nos dias secos e estamos tendo muitos deles, a areia invade tudo. Meu marido costuma dizer que Curitiba não é poluída, é suja.  Aqui venta muito em qualquer época do ano e então a areia, a sujeira das obras, do asfalto estão sempre no ar, carregada de cá para lá. Curitiba é uma montanha - aproximadamente mil metros de altura do nível do mar.

Quando nos mudamos em 2011 haviam muitas ruas desertas, com poucas pessoas trafegando - hoje é tudo cheio de gente para tudo quanto é lado - muitos forasteiros.  Em realidade, nós também os somos, pois não nascemos aqui, entretanto, nos enquadrávamos bem de acordo com a vida social dos curitibanos raiz: silenciosos, de pouca fala, muitas vezes chamados de antipáticos.  Não os vejo assim- vejo-os como pessoas que respeitam o outro e mantém uma distância segura (talvez nos sentíamos confortáveis porque meu marido e eu também somos assim...).

No coletivo, nos ônibus havia silêncio - hoje muitos ouvem música e/ou lives no celular sem o uso do fone de ouvido.  É raro nos deslocarmos pela cidade num ônibus silencioso.

Para finalizar, é muito triste ver lixo espalhado em muitos locais.

Felizmente, quando chego em casa, depois de ter ido para vário locais, chego no nosso pequeno paraíso: nossa casa e seu jardim.  Borboletas brancas me saúdam e me reconecto com minha centelha divina e me lembro que esta vida é transitória e que sempre podemos tirar boas lições de tudo o que nos ocorre.

Apesar de tudo, amamos Curitiba e contribuímos para sua harmonização fazendo nossa parte com nosso jardim e o encontro com amizades que construímos aqui.

Então, até que ter sido acordada depois da meia noite me fez refletir que apesar de tudo e de minhas atitudes ranzinzas vez ou outra, viver em Curitiba é uma benção!

Boa semana!

 

sábado, 2 de maio de 2026

PENSAMENTO PRODUTIVO

Caros leitores,

Neste fim de semana uma amiga me disse uma frase que me deixou intrigada.  Ela disse: "Me contaram que a humanidade acabou e que só sobrou a gente."

Do jeito que as coisas estão eu até nem questionei o motivo de tal afirmação - é meio óbvia!

Quando acompanhamos as notícias pelo mundo ficamos de cabelo arrepiado - eu pelo menos me espanto muito, isso se essas notícias são verdadeiras - afinal de contas, a mídia quando não se "equivoca", acaba inflando os fatos e ficamos nos perguntando "será que isso é verdade?"

Ao acompanharmos o "andar da carruagem" de nosso país, as coisas também não são as melhores.  Aqui nada muda - creio não ser nem o "andar da carruagem" como se diz, mas o "deslizar de uma lesma", ou melhor, "caminhamos em círculos" - as coisas parecem mudar mas continuam as mesmas - muitas vezes, comento com o meu marido: "Gostaria que alguém me surpreendesse" em referindo-me à política.

Entretanto, compreendo que para que as coisas mudem, as pessoas precisam mudar a si mesmas - cada um de nós precisa mudar seu comportamento interno (emoções, sentimentos, pensamentos) para que a sociedade mude - afinal, ela é feita de indivíduos!

Assim, como não podemos mudar o mundo do jeito que "eles" acham que devemos - o ideal é cada um de nós continuar nossa vida, buscar nossos sonhos, realizar nossos planos e pensar de maneira produtiva.  O que chamo de pensamento produtivo é acreditarmos que lá fora existe uma maneira melhor de viver, de sentir, com menos stress, menos necessidades, menos coisas como que se preocupar. Quando pensamos produtivamente caminhamos em direção aos nossos sonhos/metas com determinação, abraçando cada fase da jornada, sem a preocupação se algo vai dar certo ou errado - caminhar ocupando-se de cada etapa com fé, esperança, certeza de estar indo para o lugar certo, uma vez que o lugar certo é o momento presente.

Atualmente vemos pessoas de ambas as situações: uns trabalham demais e uns trabalham de menos - cada uma dessas pessoas com suas ocupações.  Qual seria a melhor opção? Na minha opinião, a melhor opção seria aquela que te faz bem, sem estresse, sem ansiedade, sem agonia, sem paranóia.

Aquele que acredita que possui Deus dentro de si, a "Centelha Divina", ou melhor, como afirmou Jesus "Vós sois deuses", esse, caminha bem mais tranquilo, com a paz interior preservada, sem stress, sem ansiedade.

Cada um de nós precisa fazer a sua parte na construção da "Nova Nova Terra" como dizem.  Em algumas circunstâncias obedecemos o caminhar da vida social, outras vezes nos rebelamos com aquilo que nos violenta e outras vezes ainda, saímos do percurso programado por outros e buscamos nosso próprio caminho.

E como você pensa? A humanidade realmente acabou? Existem em alguns lugares, seres de outras raças? Será que estamos vivendo num mundo "fechado" tipo "O Show de Truman"? E se for isso? Acompanhar a manada ou buscar um "refúgio"?

Boa reflexão!

sábado, 25 de abril de 2026

"RELATO DE UM NÁUFRAGO"

Olá leitores,

Este mês nosso Clube de Leitura discutiu o livro do colombiano, Gabriel García Márquez, conhecido como Gabo, "Relato de um Náufrago".

Em realidade, nem é um livro ficcional - como Gabo também era jornalista, esse relato é praticamente uma reportagem de um fato que ocorreu em 1955, e foi publicado em série no Diário de Bogotá, El Espectador.

O livro conta a história de Luís Alejandro Velasco, único sobrevivente de um acidente ocorrido com um destroier da marinha colombiana, durante uma tormenta no Mar do Caribe, onde oito membros da tripulação caíram no mar.  Velasco se separou dos outros no acidente e conseguiu permanecer num bote salva-vidas (no livro está balsa) durante 10 dias até ser encontrado descordado, quase morto numa praia deserta do norte da Colômbia.

Durante esses 10 dias ele quase não comeu - tentou comer uma gaivota que tinha conseguido capturar, mas não teve coragem de comê-la; também comeu parte de um peixe que ele também conseguiu pescar, mas jogou o resto ao mar para os tubarões e também comeu uma raiz/uma alga que encontrou num dado momento no fundo do bote - como o bote virou em um dia e ele conseguiu desvirá-lo, a tal da raiz deve ter entrado no bote neste momento.

Ele também não bebeu - quer dizer, bebeu um pouco da água do mar em alguns momentos, mas ficou com a garganta irritada por causa do sal.

Durante sua estada no mar por esses dias, teve "visões" de colegas que poderiam também estar no bote com ele - mas manteve a esperança e a fé de que iria ser resgatado, com breves momentos de desilusão.

Ao ser encontrado na praia, foi levado a um hospital naval, onde só foi permitido falar com jornalistas do regime.  Nessa época, a Colômbia vivia sob a ditadura folclórica de Gustavo Rojas Pinilla.

Em realidade, ao conversar com um jornalista disfarçado de médico, este descobriu que não acontecera tormenta alguma e sim um acidente: o navio levava uma carga de contrabando e ele adernou devido a força dos ventos no mar agitado, a carga (geladeiras, televisores e máquinas de lavar) soltou-se e arrastou para o mar os oito marinheiros.

"A revelação do que verdadeiramente sucedera converteu-se, imediatamente, em denúncia política.  O país foi tomado de grande alvoroço que custou a glória e a carreira do náufrago e valeu um exílio para o repórter."

Gabo comenta na introdução do livro escrito em fevereiro de 1970: 

"Apesar das pressões, das ameaças e das mais sedutoras tentativas de suborno, Luís Alexandre Velasco não desmentiu uma linha sequer da história.  Teve que abandonar a marinha, o único trabalho que sabia fazer, e se precipitou no esquecimento da vida comum.  Em menos de dois anos caiu a ditadura e a Colômbia ficou à mercê de outros regimes melhor vestidos mas não muito mais justos, enquanto eu começava em Paris este exílio errante e um pouco nostálgico que tanto se parece também com uma balsa à deriva.  Nunca mais ouviu-se falar do náufrago solitário, até que, há uns meses, um jornalista perdido encontrou-o atrás de uma mesa em uma empresa de ônibus.  Vi essa foto: aumentou de peso e de idade e nota-se que a vida o marcou, mas deixou nele a aura serena do herói que teve a coragem de dinamitar a própria estátua."

"Eu não voltara a ler este relato nestes 15 anos.  Parece-me bastante digno de ser publicado, mas não consigo entender a utilidade de sua publicação.  Causa-me depressão a ideia de que aos editores não interessa tanto o mérito do texto como o nome que o assina, que, para desgosto meu, é o de um escritor da moda."

Para o náufrago, o seu heroísmo consistiu em não se deixar morrer.

Boa semana!


 

sábado, 18 de abril de 2026

TOC

Caros leitores,

TOC - Transtorno Obsessivo-compulsivo, é como alguns psicólogos denominam um distúrbio que causa bastante aflição, tanto para o portador do mesmo, quanto para as pessoas que com ele convivem.  Ele está associado à ansiedade e a uma ideia fixa que invade a mente, ou melhor dizendo, a alma/espírito e constrange o indivíduo a realizar atos estranhos, rituais sem explicação.  Essas ideias podem trazer desde uma leve interferência, até uma incapacidade extrema.

Na maioria dos casos, esses rituais têm como objetivo a necessidade de afastar algo supostamente ruim.

Aqueles que estudam os distúrbios mentais afirmam que esses rituais diferem dos atos supersticiosos tais como, "não passar debaixo de escada", "não deixar gatos pretos cruzarem o seu caminho", "bater na madeira três vezes para afastar adventos ruins", "abrir guarda-chuvas dentro de casa", etc. Os rituais do TOC, dizem esses estudiosos, são mais frequentes do que imaginamos - afetam de alguma maneira desde pessoas talentosas e sensíveis até as pessoas de vida comum.  Porém a maioria das pessoas que sofrem de TOC disfarça os rituais, evita falar disso e até esconde suas angústias.

Na maioria das vezes, os que sofrem de TOC gastam horas preciosas de sua vida com gestos, tiques e movimentos.  E todos, em sua grande parte, afirmam "por mais que me esforce, não consigo evitá-los".

No diagnóstico do TOC, Hammed, em seu livro "A imensidão dos sentidos", menciona vários tipos de compulsivos:

- "os verificadores": examinam luzes, gás, fechaduras, portas de 4 a 20 ou mais vezes;

- "os obsessivos pela exatidão ou perfeição": gastam tempo buscando "simetrias" desnecessárias e constantes, colocando os sapatos no chão com proporção impecável, fazendo o laço deixando as duas pontas do cordão exatamente iguais;

- "os dominados pelo medo da contaminação": lavam as mãos ou banham-se constantemente com temor de "germes" ou "doenças", possuem extrema apreensão pela sujeira e, nesse caso, perdem tempo em rituais para comer e dificultam simples atos de higiene e bem-estar;

- "os temerosos de que algo ruim possa acontecer caso não realizem os rituais": alguns podem evitar pisar os espaços entre as brechas de uma calçada - "se pisar na fenda, minha mãe morre", por exemplo. Outro exemplo "tenho que atravessar os batentes dessa porta de maneira certa e especial, senão algo maléfico vai acontecer."

- outros têm necessidade de tocar coisas ou pessoas mais de uma vez (Síndrome de Tourette); de engolir a saliva de quando em quando; de arrumar e desarrumar gavetas e malas; medo do imaginário de ferir-se, entre outros tantos tiques incontroláveis e fora de hora.

Cientificamente, de acordo com o livro "O que fazer quando você tem certas manias" de Dawn Huebner, o TOC está relacionado a certas anormalidades da química e da função cerebrais.

Uma das características das pessoas  compulsivas é a tendência de serem exageradamente moralistas ou extremistas e a não perdoar a si mesmos e nem aos outros.  Lembremo-nos de que tudo que é exagerado é desarmônico.  Quando há um moralismo exagerado, há inconscientemente, a não aceitação da imperfeição do planeta, então o indivíduo não aceita a si próprio e nem o semelhante.

Hammed registra pontos vulneráveis que podem desencadear o TOC, dando origem às sensações do mesmo:

. capacidade restrita de expressar carinho ou sentimentos de afetividade;

. internalização dos impulsos agressivos - a criatura não sabe canalizar essa energia para outras atividades capazes de extravasá-la adequadamente;

. hábito do perfeccionismo - a pessoa passa a exigir cada vez mais de si própria, até a exaustão, extrapolando seus limites naturais;

. incapacidade de renovação - tem consciência empedernida e estreita; qualquer inovação, qualquer ideia ou ação criativa que questione seus conceitos e atitudes, é para ela um desafio ameaçador;

. falta de generosidade com seu tempo, lazer e prazeres - exagera na dedicação ao trabalho;

. comportamento inflexível - julga que ceder signifique falta de convicção; por isso, não percebe que as pessoas e as coisas não são integralmente corretas ou erradas, nem inteiramente boas ou más;

. pré-ocupação - não encara o momento presente como tempo de realizar e produzir, vivendo a ansiedade de um futuro imaginário.

Na investigação pessoal da origem da obsessões, saberíamos que estas se encontram em nossos pontos fracos, ou em alguns comportamentos autodestrutivos que adotamos, consciente ou inconscientemente.

Infelizmente, nossa cultura não admite a responsabilidade de cada indivíduo por seus próprios atos.  Não fomos educados a compreender que as alegrias e as tristezas que experenciamos são a soma de todas as nossas escolhas de vida.  Em nossa cultura há a crença de que não somos responsáveis por tudo o que estamos passando. Entretanto, podemos refletir e compreender que cada emoção que sentimos foi precedida por uma atitude interior ou um pensamento - podemos hoje, entender que a energia antecede a ação.

O processo por uma busca de sanidade mental se inicia quando consideramos nossas limitações e conflitos e modificamos nossos pensamentos e atitudes.  Quando temos dificuldade de admitir que somos falíveis, impedimos a cura que buscamos para obter uma maior harmonia em nossa existência terrena.

Nós temos que acreditar que somos causa e efeito de nós mesmos, que não existe fatalismo em nossa vida, apenas, como diz Hammed muito sabiamente, "apenas existe atração e repulsão, conforme nossa sintonia vibracional."

No momento que aprendermos a pensar e agir de modo moderado e saudável, o processo obsessivo cessa, porque quando pensamos e agimos dessa maneira, nos tornamos livres e equilibrados, não mais alimentando os pensamentos desajustados.

A jornada de autoconhecimento é um processo gradual.  Quando conseguimos compreender o motivo, a causa de nosso sofrimento, encontramos o real valor de nossa vida e,  neste meio tempo, tratemos de olhar para nosso íntimo e busquemos nossas imperfeições e potenciais e tratemos de fazer com que os últimos (os potenciais) auxiliem os primeiros (as imperfeições) a transformar-se.

"Você é um ser humano adulto e consciente, responsável pelo seu comportamento.  Controle suas ideias, rejeite os pensamentos inferiores e perturbadores, estimule as suas tendências boas e repila as más.  Tome conta de si mesmo.  Deus concedeu a jurisdição de si mesmo, é você quem manda em você nos caminhos da vida.  Não se faça de criança mimada.  Aprenda a se controlar em todos os instantes e em todas as circunstâncias.  Experimente o seu poder e verá que ele é maior do que você pensa." (J. Herculano Pires).

Bem, cá entre nós, você notou alguma característica similar a qual você possui? Em realidade, todos nós temos algumas dessas "manias" e isso não quer dizer que você tem TOC.  O TOC abrange uma quantidade enorme de várias características simultâneas aqui descritas.  O importante é ter bons pensamentos sobre si mesmo, acreditar no seu potencial de evolução, mesmo que o Planeta pareça estar atualmente numa convulsão sem fim.  Quando você pensa bem, você ajuda outros a fazerem o mesmo pelo princípio de ressonância.  

Boa reflexão e boa semana!  

 

 

sábado, 11 de abril de 2026

ENVELHECENDO...

Caros leitores,

O texto de hoje é de autoria de J.Tucón.

Moro ao lado de uma pequena reserva florestal dentro da área urbana.  Como sou fotógrafo especializado em Natureza, faz uma década que fotografo a floresta desse local.  Para isso percorro uma trilha que atravessa a floresta.  Na entrada dessa trilha muitas vezes se colocou uma placa com esses dizeres:

Piso escorregadio   Risco de queda de galhos

Esta placa é colocada em dias de vento ou após uma chuva.

Cara-pálida: É óbvio que numa floresta existe a possibilidade, bem grande por sinal, de que caiam galhos.  Uma floresta não é um ser estanque, parando no tempo.

Então, com placa ou sem placa eu vou fotografar.  Não sou ignorante, nem analfabeto.  Tampouco irresponsável.

Pode cair um galho? Claro que pode.  Pode cair na minha cabeça? Óbvio! Pode cair e danificar a minha câmera? Claro!

Ao chegar ao local, a escolha é minha.

Se um galho quebrar, cair e danificar a minha câmera, ninguém vai " quebrar o meu galho".

O leitor, a esta altura vai perguntar: o que tem tudo isso a ver com a dificuldade em envelhecer? Bem, quando comecei a fotografar a floresta eu tinha 65 anos.  Hoje tenho 75.  Minha saúde continua tão boa como há dez anos atrás.

E daí?

Daí que outro dia, ao chegar ao local, a famigerada placa estava colocada no início da trilha.

Então uma funcionária que nunca vi mais gorda se aproximou de mim e disse em voz alta, na frente de outras pessoas:

E aí? O vovozinho vai se arriscar por sua conta e risco?

Diante desta situação deveras constrangedora, voltei as costas e saí.

Nunca fui tratado desta forma nesse lugar.

Alguém vai dizer: a lei é para todos!

Então, vou dizer uma coisa: não é nada disso.  É apenas a "paúra" de que se cair um galho em mim, eu vá processar a prefeitura do local que é a dona da reserva.  Ora, se cair um galho em mim, como dizem os norte-americanos: It is an act of God. (é um ato de Deus).

E para esses casos, tenho seguro de acidentes pessoais.

Para a lei, eles estão cag...do.

Entram no meio da floresta, fumantes com cigarro aceso que jogam a bituca no meio do mato.  Se você denunciar, vai ouvir o velho refrão: Eu não posso fazer nada.

Crianças entram gritando a plenos pulmões; discutem-se orçamentos em altos brados ao celular; jogam-se copos de plástico no mato embora haja várias lixeiras.

Certamente, a fauna e a flora "adoram" as manifestações dos "humanos".

Enfim, para os seres da floresta (animais e plantas, que não podem abrir pedidos de indenização) tanto faz como fez.  E para esses seres, continuam cag...do.

Vamos voltar à abordagem que sofri.

A preocupação e o "cuidado" com o cidadão são pura hipocrisia.  Basta ver a frase pejorativa.

Quer fazer uma advertência (absolutamente inútil, pois a placa já diz tudo) que o faça de forma neutra; não parta do pressuposto que os idosos têm netos porque nem todos os têm.

Mas, tenho uma sugestão melhor: já que não podem fazer nada e vivem a repetir esse mantra, fiquem em casa recebendo seus salários pagos pelo contribuinte.

Pelo menos, não vão encher o saco dos outros.

Para encerrar, deixo aos leitores uma foto do local.


                                             Título: Santuário

Criada em março de 2025.  Numa tarde de céu azul, a luz do Sol se infiltra através da copa das árvores, criando um paralelo com a luz que entra nas catedrais góticas através dos vitrais.


J.Tucón

Fotógrafo da Natureza, residente em Curitiba, Paraná, Brasil.

Projeto "The Architecture of Nature"

Fotos em exibição na galeria virtual da Saatchi Art, London

Colunista do jornal Central Sul de Notícias onde mantém a coluna "Santuário".

Links:

saatchiart.com/jtucon

www.centralsuldenoticias.com.br

Boa semana pessoal!




sábado, 4 de abril de 2026

"SPIRIT ROOM"

Caros leitores,


No YouTube há um canal chamado "Back in Time" ("Voltando no tempo").  O canal é norte americano então os vídeos são narrados em inglês sem legendas em português - se for colocada a legenda, a mesma estará em inglês.

Bem, nesse canal assisti a um vídeo bem interessante chamado "Spirit Room".

Em 2016, um grupo de cientistas/estudantes da Grécia descobriu que na Europa existia, em casas dos séculos XVIII/XIX, um quarto vazio que ficava no subsolo/porão.  Cada casa antes de 1870 tinha esse quarto, o qual era chamado de "Spirit Room". Eles descobriram, primeiramente, esse fato nas plantas de arquitetura da Europa entre 1750 e 1870. Obviamente muitas dessas casas já foram demolidas para dar lugar a construções modernas.  Esses quartos também foram chamados de "Still Room" ou até "Empty Room" ("Quarto Vazio").

Cada aldeia, cada vilarejo, cada cidadezinha da Europa, antes de 1870, tinha uma igreja e cada igreja tinha um sino de bronze.  

As catedrais góticas eram caixas de ressonância, pois de dentro delas tocava o sino e o órgão.

O "Spirit Room" de cada casa servia como uma caixa de ressonância particular - esse quarto vazio era o "sintonizador" da casa - era  construído do mesmo jeito das construções medievais como condutor de ondas sonoras - para os espiritualistas vitorianos havia uma ressonância com os "fantasmas" - um dos motivos do nome "Spirit Room".

Nesse período os sinos eram confeccionados na proporção precisa de liga e estanho (bronze) e sua feitura passava de pai para filho, para ressoar na frequência exata do local da Terra.  Cada cidade, tendo sua frequência vibratória particular, tinha o seu sino que ressoava de acordo com ela.  Assim, cada cidade tinha sua frequência particular - a vibração de uma cidade nos Alpes Suíços era diferente da vibração de uma cidade que ficava na região do Mediterrâneo, por exemplo.

O "Spirit Room" servia como uma caixa de ressonância do sino de cada cidade.  Assim, cada casa, cada morador tinha e sentia a frequência vibratória da Terra naquele local. Cada cidade tinha sua frequência específica, seu ecossistema acústico.  A casa participava da energia espiritual da cidade, da igreja e da Terra.

O resultado de toda essa engenharia era manter a onda de baixa frequência dentro das casas - era fácil habitá-las, era um ambiente agradável.  Outro detalhe importante - antes de 1870, as paredes das habitações eram grossas exatamente para manter uma baixa frequência e o melhor tipo de material para essas casas eram as pedras, pois elas tinham (acho que ainda têm) a propriedade de ressonância ideal para esse propósito.

E então chegou o grande Reset (reinício, recomeço, redefinição) de 1870 (um outro; houve muitos na história e hoje estamos passando por outro).  Os interesses de cada Reset é de um grupo particular de seres (humanos ou não) que visam modificar padrões culturais no planeta para fins específicos (minha opinião e de inúmeras outras pessoas).

A frequência ideal para a saúde física, emocional, espiritual, psicológica é de 432Hz.  Então, a Filarmônica Real de Londres mudou sua afinação de 433Hz para 455Hz.

Em 1859, a França promulgou uma lei, estatizando a frequência do diapasão (Instrumento de referência de afinação de todos os instrumentos musicais) para 440Hz.

Logo em seguida, resolveu-se derreter todos os sinos para fabricação de munição de guerra e canhões. 

Em 1929, a União Soviética destruiu um milhão de sinos e com isso modificou a vibração local da Terra em suas cidades.


                                            
 A retirada dos sinos.



    O derretimento dos sinos para fabricação de munição de guerra e canhões.


                                              A destruição do sinos.

Em 1936, os Estados Unidos da América começaram a padronizar a frequência para 440Hz com o advento da TV.

Com todas essas medidas, o "Spirit Room" perdeu sua função, pois ele só vibrava de acordo com o sino local.  

Quando perdemos os sinos, perdemos os "Spirit Rooms" e perdemos o som do mundo, o som do Planeta.

Assim, os governos, ao invés de recolocarem os sinos posteriormente, resolveram higienizar os "Spirit Rooms" - algumas construções antigas ainda de pé, que tinham os "Spirit Rooms" - estes foram transformados como um local para abrigar fios elétricos e canos hidráulicos.

Se a extinção dos "Spirit Rooms" foi por "higiene", como explicar o declínio da saúde da população após a extinção dos mesmos?

Nosso mundo mudou de um mundo de ressonância vibratória saudável, onde o silêncio, a espiritualidade, a ação, a boa saúde mental eram preservados com os "Spirit Rooms" para um mundo de consumo passivo.

O "Spirit Room" era a última defesa contra a padronização.  Sem ele, a geometria da casa colapsa em uma coleção de quartos sem uma frequência para meditação e o pensamento próprio.  O ambiente biológico foi mudado quando mudamos a frequência do mundo de 432Hz para 440Hz.

Na minha opinião, embora o vídeo não mencione, a palavra "Spirit Room" tem a ver com a espiritualidade e acredito que esse quarto "vazio" também tinha como finalidade a espiritualização dos moradores da cidade, pois eles absorviam a frequência vibratória do local da Terra onde residiam.  E, o pretexto de derretimento dos sinos para material bélico tinha como finalidade a destruição dos "Spirit Rooms".

Cada Reset no planeta serve a vários propósitos particulares e ao meu ver, sempre tendo em mente, a manipulação em massa.

Boa reflexão!




sábado, 28 de março de 2026

"O DIÁRIO DE ANNE FRANK"

Caros leitores,

O primeiro livro de 2026 de nosso Clube de Leitura foi "O Diário de Anne Frank".

Na discussão do grupo, a maioria apreciou sua leitura.  Um componente do clube disse que não havia gostado porque não era um romance/história, era uma narrativa jornalística - e, como jornalismo, o livro, para essa pessoa, poderia ser considerado bom.  Em realidade, para quem já teve ou ainda tem um diário, a escrita é desse jeito - descrição dos dias, muitos fatos repetitivos, poucos diálogos.

Na minha opinião, o livro foi realmente enfadonho em algumas partes, mas, o mais interessante é constatar o "aprisionamento" da família de Anne num local de uma pequena fábrica de temperos/condimentos, ao qual Anne chamava de "anexo".  Era uma parte escondida atrás de uma estante com 8 pessoas vivendo lá por 2 anos (1942 a 1944) durante a II Guerra Mundial.  Todos eram judeus e estavam escondidos para não serem pegos pelo exército do führer na Holanda.

O diário começa antes da fuga deles para esse esconderijo.  A família que os ajudou comprava alimentos/livros/roupas e levava para eles.

Muitas coisas interessantes me chamaram a atenção.  Anne tinha 13 para 14 anos e "termina" o diário aos 15 anos.  Para sua idade era uma menina extremamente talentosa como escritora e observadora do seu ambiente e também do seu próprio comportamento.  Eu fiquei imaginando se nos dias atuais haveriam meninas com esse talento...

No "anexo" havia estudo, leitura de livros, lição "de casa".  Ela estudava álgebra, história, inglês.  Aliás todos estudavam e liam muito.  Anne gostava muito do pai, mas não se dava com a mãe.  Eram 2 famílias no anexo.  Haviam até 2 gatos.

Como eram muitas pessoas num espaço pequeno, apesar de serem 2 andares, haviam muitas brigas, pois sabemos o que ocorre quando há muita gente junta nesse tipo de local. A própria Anne escreve no diário: "Imagino se todo mundo que divide uma casa acaba cedo ou tarde se desentendendo com os outros moradores."

Anne tinha sonhos de poder ver o sol, as estrêlas, as nuvens, as montanhas - as janelas eram abertas muito pouco.  Ela também tinha sonhos de ser escritora/jornalista após a guerra. Ela comenta no diário: "A natureza é a única coisa para a qual não há substituto."

Anne tinha até pensamentos proféticos à respeito da sociedade, do papel do homem e da mulher.  Na página 328 e 329 ela escreve: "As mulheres, seres que sofrem e suportam a dor para garantir a continuação de toda a raça humana, seriam soldados muito mais corajosos do que todos aqueles heróis falastrões lutadores pela liberdade postos juntos. Não quero sugerir que as mulheres devam parar de ter filhos; pelo contrário, a natureza lhes deu essa tarefa, e é assim que deve ser.  O que condeno é nosso sistema de valores e os homens que não reconhecem como é grande, difícil, mas lindo o papel da mulher na sociedade.  Acredito que, no correr do próximo século, a ideia de que é dever da mulher ter filhos mudará, e abrirá caminho para o respeito e a admiração a todas as mulheres, que carregam seus fardos sem reclamar e sem um monte de palavras pomposas!"

Bom, no final todos foram presos em 04.08.1944 por delação de alguém.

O resto da história da família Frank está no Posfácio.  A pessoa que editou o livro em 1947 foi o pai de Anne, Otto H. Frank que foi o único da família a ter sobrevivido após a guerra.

Ao fim, achei interessante a leitura desse livro e relevante para nós podermos entender mesmo que superficialmente, o que a guerra faz com as pessoas em situações de cativeiro forçado.

Boa reflexão!

REFLEXÕES NA MADRUGADA

Caríssimos leitores, Esta noite (de quinta-feira 07.05 para sexta-feira 08.05), ou talvez seja melhor dizer, esta madrugada fui acordada apó...