sábado, 5 de setembro de 2026

"O MÉTODO ANTES DA DOUTRINA"

Olá leitores,

O Blog Refletindo não comunga nenhuma religião; é um blog livre e algumas vezes pode trazer textos de outras pessoas além de artigos escritos por mim. O texto de hoje é de autoria de um amigo meu, Márcio Salmon, cujo conteúdo traz profundas reflexões a todos.  Eu, particularmente, gostei do artigo e imaginei que outras pessoas também poderiam apreciá-lo e, posteriormente, divagar sobre ele transpondo-o para outras realidades além da filosofia descrita no texto.

Vamos ao texto.

"Para todos aqueles que ainda preferem investigar a concluir.

O Método Antes da Doutrina

Reflexões sobre a ética da investigação e a humildade epistemológica em Allan Kardec, Wolfgang Pauli, Lammenais e Carl Sagan.

Há uma característica de Allan Kardec que sempre me chamou a atenção do que as próprias conclusões a que chegou.  Ela não está propriamente naquilo que escreveu, mas na maneira como aprendeu a pensar.  Quanto mais releio suas obras, menos encontro um homem preocupado em defender uma doutrina e mais reconheço um pesquisador disciplinado, disposto a desconfiar inclusive daquilo que lhe parecia convincente.  Kardec jamais tratou uma ideia como verdadeira apenas porque ela era bela, consoladora ou coerente com suas expectativas.  Antes de aceitá-la, submetia-a ao tempo, à observação e à comparação.  Reunia comunicações obtidas em lugares diferentes, confrontava respostas, anotava divergências, suspendia conclusões e voltava repetidas vezes ao mesmo fenômeno até perceber que havia uma regularidade suficientemente sólida para merecer confiança.  Sua convicção nunca nascia do entusiasmo.  Nascia da paciência.

Essa postura aparece de maneira particularmente clara em A Gênese. Ao comentar a interpretação dos Evangelhos, Kardec observa que até homens sinceros podem equivocar-se quando procuram confirmar uma ideia preconcebida. Permanecem girando em torno do próprio ponto de vista e acabam vendo apenas aquilo que desejam encontrar.  Essa observação ultrapassa o campo da teologia.  Ela descreve um mecanismo da própria consciência humana.  Poucas armadilhas são tão sutis quanto essa.  Não costumamos mentir deliberadamente para nós mesmos; apenas passamos a enxergar o mundo através daquilo que já decidimos acreditar.

Quem sabe essa seja a razão de Kardec parecer tão atual.  Seu método não depende do Espiritismo.  Ele poderia ser aplicado à ciência, à filosofia, à história ou a qualquer investigação honesta da realidade.  Antes de perguntar se uma ideia confirma nossas crenças, ele parece nos convidar a uma pergunta muito mais difícil: e se estivermos vendo apenas aquilo que desejamos encontrar? Talvez a verdadeira honestidade intelectual comece exatamente quando aceitamos  que nossa própria convicção também precisa ser examinada.

Percebe-se que essa atitude não pertence apenas ao Espiritismo.  A história da ciência também é marcada por momentos em que uma explicação aparentemente completa precisou ceder lugar a uma compreensão mais ampla da realidade.  Durante muito tempo acreditou-se que o átomo fosse indivisível.  Parecia uma resposta definitiva, até que os próprios fatos começaram a mostrar seus limites.  Mais tarde, diante de resultados experimentais que pareciam desafiar o princípio da conservação da energia nos processos de decaimento beta, Wolfgang Pauli enfrentou um dilema igualmente profundo.  A hipótese de uma nova partícula não surgiu como uma descoberta celebrada, mas como um recurso extremo diante de um problema que parecia insolúvel.  O próprio Pauli chegou a escrever aos colegas que havia feito "uma coisa terrível", propondo uma partícula que, naquele momento, parecia impossível de ser detectada.  Sua inquietação não nascia do desejo de defender uma ideia nova, mas do receio de abandonar precipitadamente um princípio que, até então, jamais havia falhado.  Somente muitos anos depois o neutrino seria observado experimentalmente.  A história acabou mostrando que, em determinadas circunstâncias, a coragem científica não consiste em defender hipóteses com entusiasmo, mas em suportar, com humildade, o peso da própria dúvida enquanto a realidade ainda não oferece uma resposta definitiva.  Não era um ato de fé.  Era um ato de honestidade intelectual diante dos fatos. 

É curioso perceber que essa mesma atitude reaparece quando ouvimos Lamennais já na condição de Espírito. Seria natural imaginar que alguém liberto da matéria pudesse responder definitivamente às grandes perguntas da existência.  No entanto, diante da investigação sobre a alma, ele prefere dizer apenas: "Vós pesquisais o perispírito; nós pesquisamos a alma." E conclui com uma única palavra: Esperai. Há uma beleza silenciosa nessa resposta.  Ela desfaz a ilusão de que a morte transforma automaticamente o desconhecido em conhecimento.  Nem mesmo aqueles que atravessaram a existência  corporal reivindicam possuir todas as respostas.  Eles continuam investigando.

Essa talvez seja uma das convergências mais inesperadas entre autores que jamais imaginaríamos colocar lado a lado.  Quando leio Carl Sagan afirmando que não conhece evidências suficientemente convincentes para negar a existência de Deus e que tanto a certeza absoluta da existência quanto a certeza absoluta da inexistência lhe parecem excessivamente confiantes para um assunto cercado de tantas incertezas, tenho a impressão de ouvir, em outra linguagem, a mesma humildade epistemológica.  Não é a conclusão que aproxima Sagan de Kardec ou Lamennais.  É a disposição de reconhecer que algumas perguntas ainda permanecem maiores do que nossa capacidade de respondê-las.

Algo semelhante ocorre quando leio O Livro de Urântia.  Independentemente do juízo que cada leitor faça sobre sua origem, suas páginas apresentam afirmações que, pelo menos hoje, permanecem além da nossa possibilidade de confirmação.  Diante delas, vejo dois extremos igualmente precipitados.  O primeiro consiste em aceitá-las integralmente porque nos fascinam.  O segundo, em rejeitá-las integralmente porque ainda não podemos demonstrá-las.  Nenhuma dessas atitudes parece compatível com o espírito de investigação que Kardec tanto valorizava.  Talvez exista uma terceira possibilidade, muito menos confortável: conservar certas perguntas em suspenso, permitindo que o tempo, a experiência e o avanço do conhecimento façam aquilo que nossa geração ainda não pode fazer.

Enquanto pensava sobre tudo isso, uma inquietação começou a surgir.  Talvez a maior contribuição de Kardec não tenha sido apenas oferecer respostas, mas ensinar um método para continuar perguntando.  E foi justamente nesse momento que percebi uma ironia recorrente na história das grandes ideias. Quase todas nascem da liberdade de investigar.  Com o passar do tempo, porém, seus seguidores passam a dedicar mais energia à preservação das respostas do que à continuidade da investigação.  Aos poucos, a curiosidade cede lugar à conservação.  O método transforma-se em tradição.  A tradição converte-se em identidade.  E, sem que ninguém perceba exatamente quando isso aconteceu, aquilo que nasceu para ampliar horizontes começa a estabelecer fronteiras.

Talvez esse processo seja inevitável.  Ele não pertence a uma religião específica, nem a uma escola filosófica ou científica.  É um fenômeno profundamente  humano.  O Cristianismo o conheceu.  A filosofia o conheceu.  A ciência também não está imune a ele.  Sempre que uma comunidade passa a definir-se mais pelas respostas que preserva do que pelas perguntas que continua fazendo, algo do espírito original começa a se perder.

O verdadeiro risco para o Espiritismo talvez nunca tenha sido o ataque de seus críticos.  Talvez seja algo muito mais silencioso: o risco de que o próprio movimento espírita esqueça, pouco a pouco, o método de investigação que lhe deu origem.  Uma doutrina permanece viva enquanto continua investigando e começa a envelhecer quando acredita que já investigou o suficiente.

Quem sabe seja justamente aqui que Allan Kardec volte a surpreender.  É possível citar suas obras durante toda uma vida e, ainda assim, afastar-se completamente da atitude intelectual que as tornou possíveis.  Afinal, Kardec nunca pediu que suas conclusões fossem aceitas pela autoridade de seu nome.  Pediu que fossem examinadas à luz da observação, da razão e da experiência. A fidelidade que esperava de seus leitores não era dirigida às suas respostas, mas ao caminho que percorreu para alcançá-las.

Talvez por isso seja tão significativo o modo como define o próprio Espiritismo no Livro dos Médiuns.  Não começa estabelecendo fronteiras confessionais nem delimitando identidades religiosas.  Define-o simplesmente como a doutrina fundada sobre a crença na existência dos Espíritos e em suas manifestações.  A definição impressiona justamente pela abertura.  Ela descreve um campo de investigação antes de descrever um sistema de pertencimento. Isso não significa que todas as interpretações devam ser aceitas em exame, nem que todas as práticas mediúnicas sejam equivalentes.  Significa apenas que o gesto inicial de Kardec nunca foi o de interditar fenômenos, mas o de compreendê-los antes de julgá-los.

Essa é, talvez, a parte mais difícil de seu legado.  Investigar exige coragem. Preservar respostas prontas exige apenas disciplina.  Investigar nos obriga a correr o risco de descobrir que estávamos errados.  Preservar respostas nos oferece a tranquilidade das certezas já estabelecidas.  Talvez seja por isso que tantas tradições, ao longo da história, tenham substituído lentamente o espírito de investigação pelo espírito de conservação.

No fim, Kardec nos deixou muito mais do que uma doutrina.  Deixou uma ética da inteligência.  Uma maneira de caminhar diante do desconhecido sem transformá-lo prematuramente em certeza.  Essa pode ser considerada a maior herança deixada por Kardec.  Não propriamente um conjunto de respostas, mas uma disciplina do espírito.  A coragem de estudar sem pressa, de observar sem ansiedade, de rever as próprias conclusões quando os fatos assim o exigem e, sobretudo, de não transformar o desconhecido em certeza apenas para aliviar a inquietação da dúvida.  Há uma serenidade muito rara nesse modo de pensar. Ela nos lembra que a verdade não precisa da nossa precipitação para existir.  Ela continuará sendo verdade quando finalmente estivermos preparados para compreendê-la.  Até lá, talvez a atitude mais sábia continue sendo aquela sugerida por Lamennais, sintetizada na prudência de Allan Kardec, vivida por Wolfgang Pauli e surpreendentemente ecoada por Carl Sagan: investigar com rigor, aceitar com humildade e, quando a realidade ainda não se deixou revelar completamente... esperar.

Notas para o leitor

As reflexões apresentadas nesse ensaio dialogam diretamente com passagens das obras de Allan Kardec e com alguns episódios marcantes da história da ciência

Allan Kardec. A Gênese, cap. I - Caráter da Revelação Espírita, item 29. Nesse trecho, Kardec adverte que mesmo homens sinceros podem interpretar equivocadamente um texto quando procuram apenas confirmar ideias preconcebidas, observando que "só viam o que queriam ver". Essa passagem constitui uma das bases da reflexão sobre honestidade intelectual desenvolvida nesse ensaio.

Allan Kardec. O Livro dos Médiuns, cap. XXXII - Vocabulário Espírita.  A definição de Espiritismo como "doutrina fundada sobre a crença na existência dos Espíritos e em suas manifestações" foi utilizada para discutir a amplitude do campo de investigação originalmente proposto por Kardec.

Allan Kardec. Diversos trechos de O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns e da Revista Espírita evidenciam o método empregado pelo codificador: observação sistemática, comparação das comunicações, controle universal do ensino dos Espíritos e permanente submissão das conclusões ao exame da razão e da experiência.

Lamennais. O Livro dos Médiuns, cap. IV - Sistemas, item 51.  A resposta: "Vós pesquisais o perispírito; nós pesquisamos a alma. Esperai." inspirou a reflexão sobre a continuidade da investigação mesmo no mundo espiritual.

Wolfgang Pauli. Em 1930, diante das aparentes violações do princípio da conservação da energia observadas no decaimento beta, propôs a existência de uma partícula ainda não detectada, posteriormente denominada neutrino.  A hipótese, descrita pelo próprio Pauli como um "remédio desesperado", nasceu da confiança na conservação da energia e somente décadas mais tarde seria confirmada experimentalmente.

Carl Sagan. A reflexão sobre a impossibilidade de afirmar, com igual certeza, tanto a existência quando a inexistência de Deus inspira-se em declarações públicas do astrofísico, nas quais defende que ambas as posições exigiriam um grau de conhecimento do universo que a humanidade ainda não possui.

O Livro de Urântia. As referências à obra não pretendem validar sua origem ou conteúdo, mas utilizá-la como exemplo de textos cujas afirmações permanecem , em grande parte, além das possibilidades atuais de confirmação empírica, convidando o leitor à mesma postura investigativa defendida ao longo do ensaio.

Márcio Salmon

Curitiba, julho de 2026."

Boa semana, pessoal!

 





 

sábado, 29 de agosto de 2026

"O LIVREIRO DE CABUL"

Olá leitores,

O livro deste mês de nosso Clube de Leitura foi "O Livreiro de Cabul" escrito em 2002 pela jornalista norueguesa Asne Seierstad.

Para escrever sobre a família Khan e o livreiro de Cabul, Sultan Kahn, a autora foi morar na casa dele após a queda do Talibã em 2001, dois meses após o advento da destruição das duas torres gêmeas em Nova York - EUA em 11.09.2001. Ela pediu licença ao livreiro para poder escrever o livro. Com seu relato pudemos conhecer um pouco sobre a vida doméstica de uma família afegã e de quebra como funcionava (acredito que ainda funciona assim, pois parece que depois que os Estados Unidos saíram de lá, o Talibã voltou...) a realidade do Afeganistão nesse período.

O livro/o relato parece de um lugar surreal; quase inacreditável que uma cultura, uma sociedade viva dessa maneira e onde praticamente não se enxerga uma luz no fim do túnel, ou seja, é impossível a evolução numa sociedade dessa.

Não somente o uso da burca para as mulheres, mas outras rotinas nos deixaram estupefatas, como por exemplo, comer com as mãos, no chão, sobre um tapete. Ficamos imaginando a sujeira desse tapete, embora usassem pratos,  a falta de higiene. Como é possível no século XXI ainda existirem pessoas que comem como animais (aliás alguns animais são mais limpos que muitos humanos...) Sem contar que o corpo, a coluna, as pernas devem sofrer nessa posição para se alimentar.

Bem, o livro, obviamente também fala dos livros que o Talibã queimou em 1999, os livros do livreiro.  O regime do Talibã chegou ao poder no Afeganistão em 1996.

Há um capítulo na obra chamado "O Paraíso Negado" onde estão listados os 16 decretos do Talibã quando de sua subida ao poder, transmitidos pela rádio Sharia.  Apenas os listarei, sem comentá-los:

1. Proibido às mulheres andarem descobertas; 2. Proibição contra a música; 3. É proibido barbear-se; 4. Oração obrigatória; 5. Proibido criar pombos e promover rinhas de aves; 6. Erradicação das drogas e de seus usuários; 7. Proibido soltar pipas; 8. Proibido reproduzir imagens; 9. Proibidos os jogos de azar; 10. Proibido usar cortes de cabelo no estilo americano ou inglês; 11. Proibidos os empréstimos a juros, taxa de câmbio e de transações; 12. Proibido lavar roupa à margem dos rios; 13. Música e dança são proibidas em festas de casamento; 14. Proibido tocar tambor; 15. Proibido a alfaiates costurar roupas femininas, ou tirar medidas das mulheres; 16. Proibida a prática da bruxaria.

Entretanto no decorrer da leitura, descobrimos outros "decretos": É proibido se apaixonar - punível com a morte (para as mulheres principalmente, como de costume - parece que a mulher só serve para parir - desde que seja filho homem, cozinhar, "limpar" a casa). Elas cantam sobre o amor (canto suicida) às escondidas.  Aliás, as mulheres são maltratadas por delitos simples.

Outros detalhes surreais: na casa de Sultan Kahn não há armários, só caixas e cada pessoa tem a sua caixa com suas roupas e seus objetos pessoais; não há água encanada - tudo foi destruído por mísseis na guerra.

Ao final, a escritora sai da casa deles por causa das brigas e das desuniões familiares.

O livro trouxe muitas informações grotescas, parecem irreais, sobre a vida sob o regime do Talibã, entretanto gostei de ter lido.  Nem todo planeta vive da mesma maneira e essa cultura do Poder, da bota sobre a cabeça de outro ser humano, é simplesmente a maldade em toda sua manifestação.  Embora também vivamos atualmente sob um regime de exceções, ainda conseguimos respirar e visualizar uma tênue luz no fim do túnel.  

Eu recomendo a leitura para aqueles que acham que a grama do vizinho é mais verde - muitas vezes ela não é.

Boa reflexão!


sábado, 22 de agosto de 2026

"MACUNAÍMA"

 Leitores amigos,

Em junho, nosso Clube de Leitura discutiu o livro de Mário de Andrade, "Macunaíma - O Herói Sem Nenhum Caráter", escrito em 1928.

A obra é praticamente uma sátira sobre o povo brasileiro, mais precisamente sobre o povo da capital paulista - o paulistano.

Na minha opinião, o livro é difícil de ler, diria até chato.  Uma boa parte dele é praticamente escrito com muitas palavras indígenas.

Nunca havia lido esse livro e sei que muitas escolas o indicaram e até aparecem questões sobre ele nos vestibulares.  Talvez, ouso dizer que muitas pessoas hoje perderam a vontade de ler/o gosto pela leitura depois que leram esse livro.  Felizmente quando era estudante, a escola pública que frequentei indicou poucos livros brasileiros para ler. Ao contrário, li muitos livros de autores estrangeiros - Agatha Christie, Alexandre Dumas, Júlio Verne, por exemplo.

O personagem de Macunaíma é um "índio" negro que nasceu no mato, não falou até os 6 anos de idade por preguiça e as mulheres o carregavam para lá e para cá. 

O subtítulo, "O herói sem nenhum caráter" cai bem, pois ele comete crimes (por exemplo, acaba matando a mãe por engano...; num dado momento, ele e os irmãos queriam pegar dinheiro do governo para ir para a Europa como pintores, mas não deu certo...), não se importa com ninguém, mente bastante, é o típico malandro.

Na época de Mário de Andrade, só haviam os heróis de quadrinhos, tais como, o Capitão América, o Super-homem, o Batman, o Mandrake - aliás na obra, ele faz algumas mágicas e se transforma muitas vezes em outros seres, tipo um loiro de olhos azuis...

Há uma expressão no livro que demorei um pouco para entender e, depois que entendi, achei engraçada.  "Juque!" O autor usa essa expressão como uma onomatopeia para indicar que ele estava se transformando em outra pessoa, como uma mágica - era o som da transformação - "Juque!" A Wikipédia informa que as onomatopeias são usadas em histórias de quadrinhos.

Em meio às aventuras, ele em toda a história, está em busca de um talismã, a "muiraquitã", que foi perdida no passado e ele consegue reavê-la. 

Mário de Andrade inclui no livro menções de nosso folclore: Boi Bumbá, Saci Pererê e ao final Macunaíma transforma-se na constelação da Ursa Maior.

Mário de Andrade - escritor, poeta, inovador na literatura.  Principal expoente da chamada "Fase Heróica" do Modernismo Paulista. Nasceu e morreu em São Paulo (1893-1945).  Contribuiu também na difusão das artes plásticas, da música e do folclore brasileiro.  Quase no fim da vida atuou no Serviço do Patrimônio Histórico.  Foi também professor de história da música.  A Biblioteca Pública de São Paulo leva seu nome.

Boa semana!


 

sábado, 8 de agosto de 2026

"O CAIBALION" - GÊNERO

Caros leitores,

Hoje chegamos no sétimo e último princípio do Hermetismo - o Princípio do Gênero.

Antes de mais nada, a palavra gênero deriva do latim que quer dizer "gerar", "criar", "produzir". 

Tudo no Universo se manifesta nos princípios masculino e feminino - tanto no Plano Físico, como no Plano Mental e no Plano Espiritual.

Não confundir com "sexo".  Em realidade, o "sexo" se manifesta no Plano Físico, na vida orgânica, mas nos outros planos as manifestações do masculino e do feminino assumem formas mais elevadas.

Vale lembrar que todas as coisas e todas as pessoas contém em si os dois princípios. Carl Gustav Jung, o criador da psicologia analítica, até nomeou, em sua obra, o princípio masculino na mulher como animus e o princípio feminino no homem como anima. Assim, "todo Princípio Masculino contém o Princípio Feminino; todo Princípio Feminino contém o Princípio Masculino."

"O Gênero está em tudo; tudo tem os seus princípios Masculino e Feminino; o Gênero se manifesta em todos os planos."

O Hermetismo identifica, na eletricidade, o princípio masculino de gênero como polo "positivo" e o feminino como polo "negativo".

"O termo Positivo significa algo real e forte, quando se compara com uma irrealidade ou fragilidade Negativa.  O chamado polo Negativo da bateria é realmente o polo no qual e pelo qual se manifesta a geração ou produção de novas formas de energia.  Em vez de "Negativo", as maiores autoridades científicas atuais usam "Cátodo".  O Cátodo ou Polo Negativo, é o Princípio Materno dos Fenômenos Elétricos e das formas mais sutis da matéria até hoje conhecidas pela ciência."

"O papel do princípio Masculino parece ser o de dirigir uma certa energia inerente para o princípio Feminino e, assim, pôr em atividade os processos criativos.  O princípio Feminino, porém, é sempre o único que realiza o trabalho ativo criador - e isso é assim em todos os planos.  E, no entanto, cada princípio é incapaz de criar sem a energia do outro."

Trocando em miúdos, o princípio masculino é aquele que traz ideias novas ao mundo, inovação nas várias áreas de atividade; o princípio feminino é aquele que recebe essas informações, incuba-as e depois as devolve ao Universo como forma de novas criações.  Os dois princípios são indispensáveis para a evolução do Universo.  Fazendo uso novamente da ciência, da eletricidade afirma-se que "os corpúsculos criadores ou elétrons são Femininos (a ciência diz que "eles são compostos de eletricidade negativa" - nós (os hermetistas) dizemos que são compostos de energia Feminina).  Um corpúsculo Feminino se desprende de um corpúsculo Masculino ou, mais precisamente, abandona-o e toma uma nova direção, dando início a uma nova carreira.  Busca ativamente uma união com um corpúsculo Masculino, sendo instado a isso pelo impulso natural de criar novas formas de Matéria ou Energia. Esse desprendimento e essa união formam a base da maior parte das atividades do mundo químico.  Quando o corpúsculo Feminino se une com um corpúsculo Masculino, tem início um certo processo.  As partículas Femininas vibram rapidamente sob a influência da Energia Masculina, e giram rapidamente ao redor desta.  O resultado é o nascimento de um novo átomo.  Esse novo átomo é realmente composto da união dos elétrons ou corpúsculos Masculinos e Femininos, mas, quando a união se realiza, o átomo torna-se uma coisa separada que tem certas propriedades..."

Então como esse princípio do gênero se manifesta no Plano Mental?

"O Princípio Masculino da Mente corresponde à chamada Mente Objetiva, Mente Consciente, Mente Voluntária, Mente Ativa, etc. E o Princípio Feminino da Mente corresponde à chamada Mente Subjetiva, Mente Subconsciente, Mente Involuntária, Mente Passiva, etc."

"Os homens e as mulheres fortes do mundo manifestam invariavelmente o Princípio Masculino da Vontade, e a sua força depende materialmente desse fato.  Em vez de viver as impressões dadas às suas mentes pelos outros, dominam sua própria mente por sua Vontade, obtendo a espécie desejada de imagens mentais, e além disso dominam do mesmo modo a mente dos outros.  Observem como as pessoas fortes implantam seus pensamentos embrionários na mente das massas, levando-as, assim, a pensar de acordo com seus desejos e vontades.  É por isso que as massas são formadas por pessoas de índole tão passiva, incapazes de ter ideias próprias ou de usar sua própria capacidade de atividade mental."

"A manifestação do Gênero Mental pode ser observada ao nosso redor todos os dias da vida.  As pessoas magnéticas são as que podem empregar o Princípio Masculino com o fim de incutir suas ideias nos outros.  O ator que faz o público chorar ou rir a seu bel-prazer, está usando esse princípio.  E sucessivamente o mesmo acontece com outras pessoas bem-sucedidas: o orador, o estadista, o pregador, o escritor ou qualquer pessoa que conte com a admiração do público.  A influência particular exercida por algumas pessoas sobre outras se deve à manifestação do Gênero Mental.  Neste princípio encontra-se o segredo do magnetismo pessoal, da influência pessoal, da fascinação, etc..."

E assim termino a série dos Princípios Herméticos.  Agradeço a paciência daqueles que leram e conseguiram fazer sua reflexão de como esses princípios regem o funcionamento do Universo.  Fiquei feliz de ter escrito esses textos pois ao escrevê-los, editá-los entendi melhor esses princípios. As Leis Herméticas são muito similares aos Princípios e serão descritas mais rapidamente num próximo texto num futuro mais distante.

Boa reflexão!

P.S.: Na próxima semana provavelmente não postarei um novo texto. Meu marido e eu estaremos de férias. Iremos para o torrão natal visitar uns amigos. Até a volta!

sábado, 1 de agosto de 2026

"O CAIBALION" - CAUSALIDADE

Olá leitores,

O sexto Princípio Hermético é bem conhecido nosso - hoje falaremos da Causa e Efeito, onde nada é por acaso.  Esse princípio afirma que tudo tem uma causa - nada apareceu do acaso, embora muitas vezes temos dificuldade de acreditar, pois não encontramos, de imediato, sua causa.

"Toda Causa tem seu Efeito; todo Efeito tem sua Causa; tudo acontece de acordo com a Lei; o Acaso nada mais é que um nome dado a uma Lei não reconhecida; há muitos planos de causalidade, mas nada escapa à Lei."

Os Hermetistas mais estudiosos conhecem bem esse princípio e muitas vezes, através da elevação mental a um plano superior, conseguem ser a Causa, ao invés do Efeito.

Mas o que é ser Causa ao invés de Efeito?

Atualmente conhecemos bem essa característica - muitos de nós acatamos facilmente os desejos e vontades dos outros porque temos uma vontade débil.  Através daquilo que nos foi ensinado quando éramos infantes e estávamos na escola. É claro que temos que aprender muita coisa na escola, a ler, a escrever o idioma pátrio, a usar a aritmética, noções básicas de química, física, biologia, história, geografia.  Entretanto muitas vezes não fomos ensinados a pensar, a criar, a refletir, a criticar.

A hereditariedade também torna-se causa e nós tornamo-nos efeito.  Quantos médicos seguiram a carreira de médico porque nasceram numa família de médicos, por exemplo.  Sim, temos também o contrário, pessoas que seguiram carreiras diferentes da família por inúmeros motivos - será que perceberam "algo" de que não gostaram na profissão da família de origem? Ou na infância ou na escola foram atraídos por outro ofício que simpatizaram mais? Em realidade tudo isso são "causa" e sua escolha na profissão é "efeito".  A ideia real é que cada coisa que realizamos, embora nos pareça difícil de acreditar é efeito.

"Mas os Mestres, elevando-se ao plano superior, dominam sua disposição de espírito, seu caráter, suas qualidades e seus poderes, tão bem como o espaço circundante, o que os converte em Motores, em vez de peões."

No Universo "os fenômenos são contínuos, sem interrupção ou exceção". "Acaso é simplesmente uma palavra para indicar uma causa existente, porém não reconhecida ou percebida."

Para nós, simples mortais, assim como dizemos, "não pode haver um agente como o "Acaso", no sentido de alguma coisa extrínseca à Lei - alguma coisa exterior à Causa e Efeito.  Como poderia existir algo que estivesse em ação no universo fenomênico, ignorando por completo as leis, a ordem e a continuidade deste último? Um "algo assim" dependeria por completo da orientação ordenada do universo e seria, portanto, superior a ela.  Não podemos imaginar nada fora do Todo que esteja fora da Lei, e isso simplesmente porque o Todo é a própria Lei."

Atentemos para o detalhe que o Princípio da Causa e Efeito lida apenas com "acontecimentos". "Um "acontecimento" é "aquilo que advém, chega ou acontece como resultado ou consequência de algum acontecimento precedente."  Nenhum evento "cria" outro evento, mas é simplesmente um elo precedente na grande cadeia ordenada de acontecimentos procedentes da Energia Criadora do Todo."

"Toda ideia que nos ocorre, todo ato que praticamos, tem seus resultados diretos ou indiretos que têm seu lugar na grande cadeia de Causa e Efeito."

Esse princípio não entra na questão do Livre Arbítrio ou do Determinismo. " Os Preceitos ensinam que o homem pode ser Livre e, ao mesmo tempo, limitado pela Necessidade, dependendo do significado dos termos e da elevação da Verdade a partir da qual a questão é examinada."

"A maioria das pessoas é mais ou menos escrava da hereditariedade, do meio ambiente etc., e manifesta muita pouca Liberdade.  São guiadas pelas opiniões, costumes e ideias do mundo exterior, e também por suas emoções, sensações e condições etc."  Muitos afirmam que são livres para agir como bem entendem e só fazem o que querem fazer. Mas reflitamos: " O que as faz "querer" fazer uma coisa de preferência a outra; por que lhes "apraz" fazer isso e não aquilo? Não há um "porquê" associado a seu "prazer" e "querer"?"

Muitas pessoas são arrastadas "como a pedra que cai, submissa ao meio ambiente, às influências exteriores e às condições e desejos internos, para não falar dos desejos e das vontades de outros mais fortes que elas, da hereditariedade, do ambiente e da sugestão, empurrando-as sem nenhuma resistência, nenhum exercício da Vontade de sua parte.  Movidas, como os peões no tabuleiro de xadrez da vida, elas desempenham seus papéis e são postas de lado assim que a partida termina."

Como foi dito anteriormente, os Mestres, conhecedores das "regras do jogo, elevam-se acima do plano da vida material e, colocando-se em contato com as forças superiores de sua natureza, dominam seus humores, temperamento, qualidades e polaridade, assim como o meio em que vivem, e deste modo tornam-se Motores em vez de Peões - Causas em vez de Efeitos.  Os Mestres não escapam da Causalidade dos planos superiores, mas se ajustam às leis superiores, e assim dominam as circunstâncias no plano inferior.  Eles formam uma parte consciente da Lei, sem serem meros instrumentos aleatórios.  Enquanto Servem nos Planos Superiores, eles Regem no Plano Material."

O acaso não existe porque tanto nos planos superiores como nos inferiores, a Lei está sempre em ação.  Tudo é regido pela Lei Universal - a Lei é o Todo.  Assim como dizem "todos os nossos fios de cabelo são contados e nem mesmo um pequeno pássaro deixa de ser percebido pela Mente do Todo."

"Não há nada fora da Lei" - mas isso não quer dizer que o Homem é simplesmente um autômato.  Ao contrário, cada um de nós, pode conhecer a Lei para superar as leis, onde "a vontade superior sempre prevalecerá contra a vontade inferior, até que por fim chegará à etapa em que buscará refúgio na própria Lei, e zombará das leis fenomênicas."

Há um exemplo bem fácil para entendermos como usar a Lei à nosso favor.  Quando chove, se não quisermos nos molhar podemos fazer uso de um guarda chuva - entretanto se não nos importarmos de nos molhar ou até se quisermos ficar molhados, é só não usar o guarda chuva.  A chuva (a Lei) está lá atuando e você pode usar de seu livre arbítrio para escolher como enfrentá-la.  Sei que é um exemplo bem banal mas ele poder ser usado como reflexão!

Usemos o Princípio de Causa e Efeito, em vez de sermos por ele usados, seguindo em frente com mais força e vontade.

Boa semana!



sábado, 25 de julho de 2026

"O CAIBALION" - RITMO

Olá leitores,

O quinto princípio, o Princípio do Ritmo traz a verdade de que tudo ocorre com movimento semelhante a um pêndulo - com atração e repulsão, para cima e para baixo, para frente e para trás, para a direita e para a esquerda.

"Tudo tem fluxo e refluxo; tudo tem suas marés; tudo sobe e desce; tudo se manifesta por oscilações compensadas; a medida do movimento à direita é a medida do movimento à esquerda; o ritmo é a compensação."

Se todos nós observarmos atentamente, o ritmo está presente em todos os momentos. Se estamos em estado de relaxamento, quietinhos ou dormindo - temos o ritmo da respiração - inspirar e expirar.

Cada princípio e lei (veremos as leis após os textos sobre os sete princípios) hermética traz uma luz e um conhecimento de como melhor aproveitar a vida no Planeta Terra.  Há um exemplo bem óbvio (para nós hoje) que nem faz parte do Hermetismo, mas que pode dar uma ideia do que seria seguir e aprender a viver de acordo com esses princípios e leis - a lei da gravidade.  Quando atiramos algo pela janela do alto de um edifício, fatalmente esse algo atingirá o chão rapidamente - parece óbvio, n'é? Mas isso é a lei da gravidade. 

Para o Princípio do Ritmo, os hermetistas aplicam a Lei da Neutralização.  Ao meu ver, essa lei tem a ver com a sua paciência, tolerância e compreensão de que tudo tem o alto e o baixo, o esquerdo e o direito, o quente e o frio e que num dado momento o pêndulo estará numa determinada posição e depois em outro dado momento estará na posição oposta.  A Lei da Neutralização (é o ponto do meio) está ligada à Lei da Compensação.

"O pêndulo sempre oscila, embora possamos impedir que ele nos arraste consigo." "A medida da oscilação para a direita é a medida da oscilação para a esquerda; o ritmo compensa." No plano físico é mais fácil observarmos essa compensação: "Um objeto atirado para cima a uma determinada altura tem a mesma distância a percorrer em seu caminho de volta.  A força com que um projétil é lançado à altura de dois quilômetros será a mesma quando ele retornar à terra."

"A Lei da Compensação é a que nos diz que o movimento numa direção determina o movimento na direção oposta, ou para o polo oposto; uma balança ou contrabalança o outro."

O Princípio do Ritmo e da Polaridade estão em conjugação aqui.  O ritmo "se manifesta na criação e destruição dos mundos, na ascensão e queda das nações, na vida histórica de todas as coisas e, por último, nos estados mentais do Homem."

Para fazermos desse princípio um aliado de como podemos ter uma boa vida neste universo façamos uso, na minha opinião, primeiramente da lei da compensação, ou seja, se sei que algo está numa determinada polaridade, provavelmente depois de um tempo irá para outra polaridade, isso quando se refere a situações do plano físico que não dependem de nossa vontade - a lei da neutralidade é útil nessa circunstância - por exemplo, nada permanece naquele estado para sempre - se está chovendo sei que em algum momento essa chuva cessará - ela pode levar minutos ou até semanas, meses ou até anos (no caso do "dilúvio bíblico"), mas vai parar.  Enquanto chove usemos guarda chuva, galochas, capas, até ela cessar se não quisermos nos molhar - é um exemplo simples, mas se conseguirmos nos manter neutros, podemos sentir uma certa harmonia interna - o equilíbrio mental pode ser atingido.

Quando estamos descontentes com a situação econômica, política, moral, social de uma cultura, entendamos que é uma polaridade "X" que está atuando em dado momento e que, de acordo com o Princípio do Ritmo, depois de um tempo que pode ser de séculos ou milênios, essa cultura oscilará para outro lado do pêndulo. A ascensão e queda de uma civilização ocorre dentro desses princípios herméticos: vibração, polaridade, ritmo.  "...acontece com todos os mundos: nascem, desenvolvem-se e morrem, só para voltarem a nascer."

"A  Lei da Compensação está sempre em ação, empenhando-se em equilibrar e contrabalançar, e sempre alcançando seu objetivo com o tempo, ainda que muitas vidas possam ser necessárias para que a oscilação do Pêndulo do Ritmo efetue seu movimento de retorno."

Talvez estejamos vivenciando o fim de uma era, de uma civilização como a conhecemos e o início de uma outra que para nós, no momento, nos parece desconhecida.  Se esta for uma realidade, que possamos nos manter neutros e que possamos aguardar o que se chama "o fim dos tempos" realizando o melhor de nós mesmos, buscando a gratidão como meta de vida por partilharmos essa existência num planeta de luz com tantos seres excepcionais.  Gratidão, então!

Boa semana!

sábado, 18 de julho de 2026

"O CAIBALION" - POLARIDADE

Caros leitores,

Para os Hermetistas, a Polaridade é uma arte que pode e deve ser aprendida por nós, tanto em relação a nós mesmos como em relação aos outros.

O quarto princípio do Hermetismo é o Princípio da Polaridade.

"Tudo é duplo; tudo tem dois polos; tudo tem seu par de opostos; o semelhante e o dessemelhante são uma só coisa; os opostos são idênticos em natureza, mas diferentes em grau; os extremos se tocam; todas as verdades são meias verdades; todos os paradoxos podem ser reconciliados."

Esse princípio foi um dos que mais achei interessante e verdadeiro.  Tudo é uma questão de grau.  Imagine uma régua onde numa ponta você tem o Bem e na outra ponta você tem o Mal. Para mudar de atitude é só caminhar pela régua de uma ponta a outra.  Assim, o ditado popular que ouvimos vez ou outra está correto: "O amor e o ódio são o mesmo sentimento" - depende de que lado você está da régua.  Nesse sentido basta fazer uso da vontade.

Sendo assim, "o Espírito e a Matéria são simplesmente dois polos da mesma coisa, e que os planos intermediários nada mais são que graus de vibração." "Não há demarcação absoluta; tudo é questão de grau."

Para os Hermetistas "Os pares de opostos existem em toda parte.  Onde encontrarmos uma coisa, encontraremos seu oposto: os dois polos."

Toda transmutação de um polo ao outro é possível - deve-se sempre fazer uso do livre-arbítrio e da vontade. A transmutação deve sempre ser feita "entre coisas da mesma natureza, porém de graus diferentes." "...se fizermos uma analogia com o Plano Físico, veremos que é impossível mudar o Calor em Agudeza, Ruído, Altura, etc., mas o Calor pode ser transmutado em Frio, simplesmente pela diminuição das vibrações.  Da mesma forma, o Ódio e o Amor são mutuamente transmutáveis, e o mesmo se pode dizer do Medo e da Coragem.  O Medo, porém, não pode ser transformado em Amor, nem a Coragem em Ódio.  Os estados mentais pertencem a inúmeras classes, e cada uma tem seus polos opostos entre os quais uma transmutação é possível."

Para quem tem uma vontade débil isso parece impossível - há que se ter disciplina, responsabilidade, prática para fazer a mudança necessária. 

Em realidade, os partidos políticos usam desse princípio de uma maneira bastante eficaz - aquele que não pensa, não faz uso da reflexão e do raciocínio, acaba escolhendo o lado da régua inadequado ou até, o lado que lhe convém, que tem a ver com a sua personalidade. 

Um outro exemplo de polaridade é a escala de cores - "as vibrações altas e baixas são a única diferença entre o ultravioleta e o infravermelho."

Tanto no plano mental, emocional ou físico, o princípio da polaridade é aplicado de igual maneira. "...o Calor e o Frio são de natureza idêntica, e que as diferenças nada mais são que uma questão de graus." "O Grande e o Pequeno são relativos. Assim também o Ruído e o Silêncio.  O Duro e o Flexível seguem a regra.  E assim também o Agudo e o Grave.  O Positivo e o Negativo são dois polos da mesma coisa, separados por uma infinidade de graus."

E então fica mais fácil compreendermos os fenômenos do plano físico ao classificarmos como Positivo e Negativo.  "Assim, o Amor é Positivo para o Ódio, a Coragem para o Medo, a Atividade para a Indolência, etc."

Aquele que conseguir compreender esse Princípio da Polaridade terá mais facilidade em responder futuramente questões de difícil solução.

Boa reflexão e boa semana!


 

"O MÉTODO ANTES DA DOUTRINA"

Olá leitores, O Blog Refletindo não comunga nenhuma religião; é um blog livre e algumas vezes pode trazer textos de outras pessoas além de a...