sábado, 11 de abril de 2026

ENVELHECENDO...

Caros leitores,

O texto de hoje é de autoria de J.Tucón.

Moro ao lado de uma pequena reserva florestal dentro da área urbana.  Como sou fotógrafo especializado em Natureza, faz uma década que fotografo a floresta desse local.  Para isso percorro uma trilha que atravessa a floresta.  Na entrada dessa trilha muitas vezes se colocou uma placa com esses dizeres:

Piso escorregadio   Risco de queda de galhos

Esta placa é colocada em dias de vento ou após uma chuva.

Cara-pálida: É óbvio que numa floresta existe a possibilidade, bem grande por sinal, de que caiam galhos.  Uma floresta não é um ser estanque, parando no tempo.

Então, com placa ou sem placa eu vou fotografar.  Não sou ignorante, nem analfabeto.  Tampouco irresponsável.

Pode cair um galho? Claro que pode.  Pode cair na minha cabeça? Óbvio! Pode cair e danificar a minha câmera? Claro!

Ao chegar ao local, a escolha é minha.

Se um galho quebrar, cair e danificar a minha câmera, ninguém vai " quebrar o meu galho".

O leitor, a esta altura vai perguntar: o que tem tudo isso a ver com a dificuldade em envelhecer? Bem, quando comecei a fotografar a floresta eu tinha 65 anos.  Hoje tenho 75.  Minha saúde continua tão boa como há dez anos atrás.

E daí?

Daí que outro dia, ao chegar ao local, a famigerada placa estava colocada no início da trilha.

Então uma funcionária que nunca vi mais gorda se aproximou de mim e disse em voz alta, na frente de outras pessoas:

E aí? O vovozinho vai se arriscar por sua conta e risco?

Diante desta situação deveras constrangedora, voltei as costas e saí.

Nunca fui tratado desta forma nesse lugar.

Alguém vai dizer: a lei é para todos!

Então, vou dizer uma coisa: não é nada disso.  É apenas a "paúra" de que se cair um galho em mim, eu vá processar a prefeitura do local que é a dona da reserva.  Ora, se cair um galho em mim, como dizem os norte-americanos: It is an act of God. (é um ato de Deus).

E para esses casos, tenho seguro de acidentes pessoais.

Para a lei, eles estão cag...do.

Entram no meio da floresta, fumantes com cigarro aceso que jogam a bituca no meio do mato.  Se você denunciar, vai ouvir o velho refrão: Eu não posso fazer nada.

Crianças entram gritando a plenos pulmões; discutem-se orçamentos em altos brados ao celular; jogam-se copos de plástico no mato embora haja várias lixeiras.

Certamente, a fauna e a flora "adoram" as manifestações dos "humanos".

Enfim, para os seres da floresta (animais e plantas, que não podem abrir pedidos de indenização) tanto faz como fez.  E para esses seres, continuam cag...do.

Vamos voltar à abordagem que sofri.

A preocupação e o "cuidado" com o cidadão são pura hipocrisia.  Basta ver a frase pejorativa.

Quer fazer uma advertência (absolutamente inútil, pois a placa já diz tudo) que o faça de forma neutra; não parta do pressuposto que os idosos têm netos porque nem todos os têm.

Mas, tenho uma sugestão melhor: já que não podem fazer nada e vivem a repetir esse mantra, fiquem em casa recebendo seus salários pagos pelo contribuinte.

Pelo menos, não vão encher o saco dos outros.

Para encerrar, deixo aos leitores uma foto do local.


                                             Título: Santuário

Criada em março de 2025.  Numa tarde de céu azul, a luz do Sol se infiltra através da copa das árvores, criando um paralelo com a luz que entra nas catedrais góticas através dos vitrais.


J.Tucón

Fotógrafo da Natureza, residente em Curitiba, Paraná, Brasil.

Projeto "The Architecture of Nature"

Fotos em exibição na galeria virtual da Saatchi Art, London

Colunista do jornal Central Sul de Notícias onde mantém a coluna "Santuário".

Links:

saatchiart.com/jtucon

www.centralsuldenoticias.com.br

Boa semana pessoal!




sábado, 4 de abril de 2026

"SPIRIT ROOM"

Caros leitores,


No YouTube há um canal chamado "Back in Time" ("Voltando no tempo").  O canal é norte americano então os vídeos são narrados em inglês sem legendas em português - se for colocada a legenda, a mesma estará em inglês.

Bem, nesse canal assisti a um vídeo bem interessante chamado "Spirit Room".

Em 2016, um grupo de cientistas/estudantes da Grécia descobriu que na Europa existia, em casas dos séculos XVIII/XIX, um quarto vazio que ficava no subsolo/porão.  Cada casa antes de 1870 tinha esse quarto, o qual era chamado de "Spirit Room". Eles descobriram, primeiramente, esse fato nas plantas de arquitetura da Europa entre 1750 e 1870. Obviamente muitas dessas casas já foram demolidas para dar lugar a construções modernas.  Esses quartos também foram chamados de "Still Room" ou até "Empty Room" ("Quarto Vazio").

Cada aldeia, cada vilarejo, cada cidadezinha da Europa, antes de 1870, tinha uma igreja e cada igreja tinha um sino de bronze.  

As catedrais góticas eram caixas de ressonância, pois de dentro delas tocava o sino e o órgão.

O "Spirit Room" de cada casa servia como uma caixa de ressonância particular - esse quarto vazio era o "sintonizador" da casa - era  construído do mesmo jeito das construções medievais como condutor de ondas sonoras - para os espiritualistas vitorianos havia uma ressonância com os "fantasmas" - um dos motivos do nome "Spirit Room".

Nesse período os sinos eram confeccionados na proporção precisa de liga e estanho (bronze) e sua feitura passava de pai para filho, para ressoar na frequência exata do local da Terra.  Cada cidade, tendo sua frequência vibratória particular, tinha o seu sino que ressoava de acordo com ela.  Assim, cada cidade tinha sua frequência particular - a vibração de uma cidade nos Alpes Suíços era diferente da vibração de uma cidade que ficava na região do Mediterrâneo, por exemplo.

O "Spirit Room" servia como uma caixa de ressonância do sino de cada cidade.  Assim, cada casa, cada morador tinha e sentia a frequência vibratória da Terra naquele local. Cada cidade tinha sua frequência específica, seu ecossistema acústico.  A casa participava da energia espiritual da cidade, da igreja e da Terra.

O resultado de toda essa engenharia era manter a onda de baixa frequência dentro das casas - era fácil habitá-las, era um ambiente agradável.  Outro detalhe importante - antes de 1870, as paredes das habitações eram grossas exatamente para manter uma baixa frequência e o melhor tipo de material para essas casas eram as pedras, pois elas tinham (acho que ainda têm) a propriedade de ressonância ideal para esse propósito.

E então chegou o grande Reset (reinício, recomeço, redefinição) de 1870 (um outro; houve muitos na história e hoje estamos passando por outro).  Os interesses de cada Reset é de um grupo particular de seres (humanos ou não) que visam modificar padrões culturais no planeta para fins específicos (minha opinião e de inúmeras outras pessoas).

A frequência ideal para a saúde física, emocional, espiritual, psicológica é de 432Hz.  Então, a Filarmônica Real de Londres mudou sua afinação de 433Hz para 455Hz.

Em 1859, a França promulgou uma lei, estatizando a frequência do diapasão (Instrumento de referência de afinação de todos os instrumentos musicais) para 440Hz.

Logo em seguida, resolveu-se derreter todos os sinos para fabricação de munição de guerra e canhões. 

Em 1929, a União Soviética destruiu um milhão de sinos e com isso modificou a vibração local da Terra em suas cidades.


                                            
 A retirada dos sinos.



    O derretimento dos sinos para fabricação de munição de guerra e canhões.


                                              A destruição do sinos.

Em 1936, os Estados Unidos da América começaram a padronizar a frequência para 440Hz com o advento da TV.

Com todas essas medidas, o "Spirit Room" perdeu sua função, pois ele só vibrava de acordo com o sino local.  

Quando perdemos os sinos, perdemos os "Spirit Rooms" e perdemos o som do mundo, o som do Planeta.

Assim, os governos, ao invés de recolocarem os sinos posteriormente, resolveram higienizar os "Spirit Rooms" - algumas construções antigas ainda de pé, que tinham os "Spirit Rooms" - estes foram transformados como um local para abrigar fios elétricos e canos hidráulicos.

Se a extinção dos "Spirit Rooms" foi por "higiene", como explicar o declínio da saúde da população após a extinção dos mesmos?

Nosso mundo mudou de um mundo de ressonância vibratória saudável, onde o silêncio, a espiritualidade, a ação, a boa saúde mental eram preservados com os "Spirit Rooms" para um mundo de consumo passivo.

O "Spirit Room" era a última defesa contra a padronização.  Sem ele, a geometria da casa colapsa em uma coleção de quartos sem uma frequência para meditação e o pensamento próprio.  O ambiente biológico foi mudado quando mudamos a frequência do mundo de 432Hz para 440Hz.

Na minha opinião, embora o vídeo não mencione, a palavra "Spirit Room" tem a ver com a espiritualidade e acredito que esse quarto "vazio" também tinha como finalidade a espiritualização dos moradores da cidade, pois eles absorviam a frequência vibratória do local da Terra onde residiam.  E, o pretexto de derretimento dos sinos para material bélico tinha como finalidade a destruição dos "Spirit Rooms".

Cada Reset no planeta serve a vários propósitos particulares e ao meu ver, sempre tendo em mente, a manipulação em massa.

Boa reflexão!




sábado, 28 de março de 2026

"O DIÁRIO DE ANNE FRANK"

Caros leitores,

O primeiro livro de 2026 de nosso Clube de Leitura foi "O Diário de Anne Frank".

Na discussão do grupo, a maioria apreciou sua leitura.  Um componente do clube disse que não havia gostado porque não era um romance/história, era uma narrativa jornalística - e, como jornalismo, o livro, para essa pessoa, poderia ser considerado bom.  Em realidade, para quem já teve ou ainda tem um diário, a escrita é desse jeito - descrição dos dias, muitos fatos repetitivos, poucos diálogos.

Na minha opinião, o livro foi realmente enfadonho em algumas partes, mas, o mais interessante é constatar o "aprisionamento" da família de Anne num local de uma pequena fábrica de temperos/condimentos, ao qual Anne chamava de "anexo".  Era uma parte escondida atrás de uma estante com 8 pessoas vivendo lá por 2 anos (1942 a 1944) durante a II Guerra Mundial.  Todos eram judeus e estavam escondidos para não serem pegos pelo exército do führer na Holanda.

O diário começa antes da fuga deles para esse esconderijo.  A família que os ajudou comprava alimentos/livros/roupas e levava para eles.

Muitas coisas interessantes me chamaram a atenção.  Anne tinha 13 para 14 anos e "termina" o diário aos 15 anos.  Para sua idade era uma menina extremamente talentosa como escritora e observadora do seu ambiente e também do seu próprio comportamento.  Eu fiquei imaginando se nos dias atuais haveriam meninas com esse talento...

No "anexo" havia estudo, leitura de livros, lição "de casa".  Ela estudava álgebra, história, inglês.  Aliás todos estudavam e liam muito.  Anne gostava muito do pai, mas não se dava com a mãe.  Eram 2 famílias no anexo.  Haviam até 2 gatos.

Como eram muitas pessoas num espaço pequeno, apesar de serem 2 andares, haviam muitas brigas, pois sabemos o que ocorre quando há muita gente junta nesse tipo de local. A própria Anne escreve no diário: "Imagino se todo mundo que divide uma casa acaba cedo ou tarde se desentendendo com os outros moradores."

Anne tinha sonhos de poder ver o sol, as estrêlas, as nuvens, as montanhas - as janelas eram abertas muito pouco.  Ela também tinha sonhos de ser escritora/jornalista após a guerra. Ela comenta no diário: "A natureza é a única coisa para a qual não há substituto."

Anne tinha até pensamentos proféticos à respeito da sociedade, do papel do homem e da mulher.  Na página 328 e 329 ela escreve: "As mulheres, seres que sofrem e suportam a dor para garantir a continuação de toda a raça humana, seriam soldados muito mais corajosos do que todos aqueles heróis falastrões lutadores pela liberdade postos juntos. Não quero sugerir que as mulheres devam parar de ter filhos; pelo contrário, a natureza lhes deu essa tarefa, e é assim que deve ser.  O que condeno é nosso sistema de valores e os homens que não reconhecem como é grande, difícil, mas lindo o papel da mulher na sociedade.  Acredito que, no correr do próximo século, a ideia de que é dever da mulher ter filhos mudará, e abrirá caminho para o respeito e a admiração a todas as mulheres, que carregam seus fardos sem reclamar e sem um monte de palavras pomposas!"

Bom, no final todos foram presos em 04.08.1944 por delação de alguém.

O resto da história da família Frank está no Posfácio.  A pessoa que editou o livro em 1947 foi o pai de Anne, Otto H. Frank que foi o único da família a ter sobrevivido após a guerra.

Ao fim, achei interessante a leitura desse livro e relevante para nós podermos entender mesmo que superficialmente, o que a guerra faz com as pessoas em situações de cativeiro forçado.

Boa reflexão!

sexta-feira, 20 de março de 2026

FORMAS-PENSAMENTOS

Olá leitores,

Conforme fomos evoluindo como seres humanos no planeta Terra, nosso sistema de crenças também foi evoluindo e obviamente, foi se transformando.  No âmbito geral como raça humana, isto é fácil de constatar ao estudarmos a história da humanidade.  Entretanto, como indivíduos, isto não é tão simples de constatar.  Façamos então uma breve reflexão ao responder algumas perguntas:  Pensamos a mesma coisa hoje sobre determinados assuntos que pensávamos há 10 anos? Nossa opinião mudou em relação a alguns assuntos, situações ou pessoas conforme fomos crescendo, evoluindo? Temos as mesmas percepções, sentimentos, ideias de alguns anos atrás? Reagimos frente a diversas situações ou pessoas da mesma maneira que o fizemos no passado, quando éramos mais jovens?  Temos a mesma opinião sobre nós mesmos de há alguns anos atrás?

Quando refletimos sobre essas questões fica mais fácil perceber a evolução de nossa espécie.

O texto de hoje tentará nos ajudar a observarmos a nós mesmos, como num reflexo de um lago e nesse reflexo percebermos, quando olhamos detalhadamente para nós mesmos, como nossos comportamentos, nossos hábitos e nossos pensamentos modificam a nossa imagem e que, por sua vez, modificam também a nossa vida.

Então hoje falaremos sobre a imaginação, as formas-pensamentos.

De acordo com o dicionário Aurélio, forma são os limites exteriores da matéria de que é constituído um corpo, e que a este conferem um feitio, uma configuração, um aspecto particular e pensamento é ato ou efeito de pensar, meditar; processo mental que se concentra nas ideias.  Então a forma-pensamento é a emissão de uma ideia no mundo exterior.

Hammed em seu livro "A Imensidão dos Sentidos" afirma que "quando emitimos uma ideia, passamos a refletir as que se assemelham, ideia essa que para logo se corporifica, com intensidade correspondente à nossa insistência em sustentá-la, mantendo-nos, assim, espontaneamente em comunicação com todos os que nos esposem o modo de sentir".  Trocando em miúdos, vivemos onde está situado o nosso pensamento.

"O pensamento atua sobre os fluidos ambientes, como o som age sobre o ar; esses fluidos nos trazem o pensamento, como o ar nos traz o som.  Pode, pois, dizer-se com toda a verdade que há nesses fluidos ondas e raios de pensamentos que se cruzam sem se confundirem, como há no ar ondas e raios sonoros". (Kardec).

Assim, vivemos num mundo de contradições, pois estas ocorrem por causa dos níveis de evolução que vamos galgando passo a passo; hoje, reforçamos essa ideia e acrescentamos que todas as ideias e crenças que valorizamos ou damos importância têm a tendência de fixar-se em nosso íntimo e se tornam realidade, concretizando-se ao longo do tempo.  "Caminhamos ao influxo de nossas próprias criações."

Nossos pensamentos, conceitos, avaliações que fazemos dos outros e de nós mesmos sejam positivos ou negativos, são elementos dinâmicos de indução e nos influenciam formando formas-pensamentos.

Assim, existem formas-pensamentos positivas e negativas.  Hammed explica que "as "formas-pensamentos positivas" são aquelas que edificamos e alimentamos com informações e ensinamentos úteis e saudáveis para nosso crescimento."  Estas "acham-se presentes nas mãos dos curadores, emanam do semblante dos que olham com amor, exalam do sorriso dos indivíduos sinceros e do peito das criaturas carismáticas."  Também se encontram nos lugares onde as pessoas oram, meditam; esses ambientes ficam impregnados de um clima de harmonia, tranquilidade e paz.  Temos como exemplo os templos religiosos.

Quando um músico, pintor ou escultor imagina uma obra de arte, através do seu pensamento ele cria, com seu pensamento, uma imagem real dessa obra no plano mental/espiritual e assim, quando persiste em seu pensamento, logo ele cria sua obra no plano material.

Por outro lado, também existem as "formas-pensamentos negativas". Hammed afirma que "os indivíduos de sentimentos e pensamentos doentios podem plasmar "estruturas de disformes feições", que os acompanham aos lugares aonde vão." Sentimentos e emoções como o orgulho, a submissão, a mágoa, o medo, a culpa, a rigidez e outros desajustes íntimos produzem estruturas doentias no plano mental/espiritual.  Estas ficam gravitando ao redor de seu criador prontas para influenciar a si e ao ambiente, quanto mais repetitivas e passivas forem.

Então, para cultivarmos formas-pensamentos positivas há de cuidarmos de nossos pensamentos presentes.  Entretanto, em nossa jornada de vida podemos ter criado crenças que não nos auxiliam no nosso dia-a-dia.  Muitos de nós podemos ter guardado em nosso íntimo, velhas imagens de orgulho gravadas há um longo tempo em nosso interior, como por exemplo, se tivermos recebido uma educação rígida, de pais críticos e super exigentes, aqueles pais que "desejam para nós, desesperadamente, aquilo que não tiveram ou não puderam realizar , desenvolveremos, não raro, uma "autovalorização ilusória". Vale lembrar que o sentimento de superioridade é uma forma de super compensação do complexo de inferioridade.  Em psicologia, Complexo que dizer "um conjunto de ideias com forte carga emotiva, as quais se encontram no inconsciente e agem, de maneira imperceptível, sobre a conduta das pessoas."

Aquele que erroneamente se acha o "melhor em tudo" cria uma estrutura mental a qual alimenta o seu complexo de superioridade.  E, como ele não é o "melhor em tudo", gera também uma forma-pensamento que corresponde ao inverso da primeira, uma estrutura mental oposta - um complexo de inferioridade.  Pois quem julga ter uma faceta superior também tem uma faceta inferior e vice-e-versa.  Há aqui um desequilíbrio, pois este indivíduo ou está "em cima" ou está "embaixo" - ele viverá entre altos e baixos, pois não somos nem melhores nem piores que os outros.  Todavia, não se pode contestar que se possuímos capacidades mais desenvolvidas que os outros e qualidades não é porque somos superiores e sim porque as desenvolvemos com dedicação, esforço e disciplina.  Todos nós, no dizer de Hammed, "sabemos o tanto quanto experimentamos e temos o bastante que fizemos por merecer.  Se não sabemos é porque talvez ainda não nos tenhamos esforçado o suficiente, mas quem sabe no amanhã teremos vontade ou esforço necessário para ter, aprender ou fazer mais."

Quando aceitamos quem somos, nos respeitamos e, por conseguinte, paramos de nos comparar com os outros, pois todos somos diferentes por estarmos em momentos diferentes de crescimento.

Todas as estruturas psíquicas que criamos ao longo da vida, podem ser reforçadas quando positivas ou eliminadas quando negativas, bastando para isso, mudarmos nosso jeito de agir e pensar, quando mudarmos nossos hábitos.  Essas formas-pensamentos são fragmentos de nossa personalidade - são como "satélites que gravitam em torno de nós." Muitos se tornam "ideias fixas" e algumas pessoas os "descrevem como "diálogos mentais exaustivos e constantes", que lhes consomem a energia íntima". O indivíduo se torna "prisioneiro dele mesmo."

Hammed nos alerta de que "se perpetuarmos nossas crenças ou pensamentos negativos, poderemos acabar sufocados na névoa de nossa própria negatividade; porém, se abrirmos as comportas de nosso ser para a renovação de ideias e conceitos iluminados, navegaremos harmoniosamente na "imensidão dos sentidos" superiores".  Isso requer de nós muita perseverança no bem, paciência e tolerância com todos e conosco e muita força de vontade e disciplina para mudarmos nossos hábitos.

Boa reflexão!


 








 

sábado, 14 de março de 2026

RELACIONAMENTOS TÓXICOS

 Olá leitores,

Hoje falaremos sobre como analisar um relacionamento tóxico, ou melhor, como descobrir/perceber/detectar algum relacionamento desse tipo que por ventura nos aprisiona.

A ideia não é terminar relacionamentos que nos fazem mal, principalmente quando falamos de relacionamentos familiares - o ideal é buscar estratégias para viver melhor com todos aqueles que nos rodeiam.

Assim, comecemos a definir o que é um "relacionamento tóxico". A palavra "tóxico" no dicionário traz as seguintes definições: 1. Que envenena ou tem a propriedade de envenenar; 2. Veneno, peçonha.

Então, podemos entender que alguns relacionamentos podem nos envenenar.  Lembremos que na homeopatia alguns venenos em doses pequenas podem curar, ou melhor, equilibrar o organismo.  Refletindo dessa maneira, podemos também dizer que o veneno de um relacionamento tóxico só nos aniquilará se não estivermos atentos e que em pequenas doses podemos até compreender e detectar alguns de nossos comportamentos não tão harmônicos.

Ermance Dufaux, em seu livro "Jesus - A inspiração das relações luminosas" alerta: "Quando os relacionamentos são intoxicados pelos sentimentos venenosos de inveja, ciúme, reprovação e raiva, passa a existir na convivência um processo energético de vampirismo de forças.  São relações desgastantes, conflituosas, recheadas de antipatia e desrespeito, que acabam por sufocar o amor e a bondade."

A toxicidade do relacionamento está nesses sentimentos venenosos a que ela se refere.  A pergunta que fica no ar é: A inveja, o ciúme, a reprovação, a raiva são do outro ou nós temos também uma parcela de alguns desses sentimentos?

Após ter respondido a essa pergunta e refletido sobre ela e, caso não tenhamos detectado nada em nós mesmos, uma estratégia para lidar com o outro para trazer respeito, paciência, compreensão ao relacionamento é a distância.

Lembremo-nos que o que nos une a certas pessoas é o magnetismo ou laços astrais e que mesmo à distância uma pessoa pode sugar a energia da outra.

Pessoas com baixa autoestima tendem a submeter-se a esses relacionamentos tóxicos exatamente pela "carência e necessidade imprescindível de serem amadas". E como já foi mencionado, outras pessoas "aceitam esse peso emocional porque as pessoas envolvidas são parentes ou familiares" e, por isso, acreditam que devem ser obrigadas a suportar esse tipo de relacionamento.

Dufaux afirma que "as relações humanas, em sua maioria, estão sendo construídas em alicerces neuróticos, com base no interesse pessoal e em função de ganhos secundários que mantêm as pessoas "unidas" em climas nem sempre amistosos, mas dizendo que se amam."

Para compreendermos o que ela quis dizer por "alicerces neuróticos" temos que entender o que é neurose.

Grosso modo, neurose ocorre "quando não estamos em perfeita união conosco"; a crise psicológica da neurose ocorre devido "a um estado de desunião consigo mesmo." Na opinião de Jung, "a eclosão de uma neurose tem um objetivo, é uma oportunidade de tornarmo-nos conscientes de quem realmente somos em oposição a quem pensamos ser.  Trabalhando os sintomas que invariavelmente acompanham a neurose - ansiedade, medo, depressão, culpa e, especialmente, conflito - tornamo-nos cientes das nossas limitações e descobrimos nossas verdadeiras forças. A neurose é, de fato uma tentativa de auto cura." (Léxico Junguiano, Daryl Sharp).

A título de curiosidade, a psicose é "uma dissociação extrema da personalidade."

Com essa explicação de Jung, podemos entender que os "alicerces neuróticos", ou a neurose propriamente dita está na base da maioria dos relacionamentos pessoais.  Novamente estamos falando da importância do autoconhecimento - com ele fica mais difícil nos envolvermos em relacionamentos tóxicos.

A distância em relacionamentos deste tipo é necessária e oportuna e "que pode ser física ou emocional, ou ambas, para alguns casos."

Dufaux esclarece que "a distância emocional exige mais trabalho e esforço do que estar apenas longe fisicamente de alguém. A prova disso é que você pode até se afastar, mas sofrerá a dor emocional dos impactos que essa convivência deixou nas fibras profundas de sua sensibilidade em forma de mágoa, remorso, revolta, inquietude e infelicidade.  Esses sentimentos criam laços energéticos sólidos, intensos e de grande poder de influência na saúde, nos pensamentos e na sua vida, de uma forma geral."

A distância não é a solução ideal para um relacionamento difícil, entretanto existem casos que só essa estratégia poderá sanear esse vínculo.  Após um período de distância dependendo do caso, já se pode avaliar se vale a pena manter esse vínculo ou não.

Algumas pessoas podem achar que esse tipo de atitude pode parecer desamor, entretanto só pelo fato de você não mais conviver com certo tipo de pessoa não significa que você deve odiá-la. "A distância é suficiente e é saudável quando você se propõe a construir um estado de saúde interior e uma libertação das prisões emocionais.  O segredo é aprender a querem bem a essas pessoas, porque distanciar-se não é abandonar, desistir, ignorar, querer mal ou ser indiferente."

Após a distância, caso haja a necessidade ou mesmo o desejo de uma reaproximação, fiquemos atentos às nossas expectativas, para não haver surpresas desagradáveis que podem ocorrer.  Algumas vezes, "vasos de porcelana quebrados não podem ser consertados."

Não acreditemos que para amar os outros devemos "carregar nas costas os abusos e a indolência alheia em relacionamentos venenosos e sem sentido, que não nos disponibilizam uma única porta para a concórdia e o entendimento." Essa atitude fatalmente leva-nos às enfermidades. "O peso energético do desrespeito do outro vai lhe custar dores emocionais e físicas, acentuadamente as lombares e cervicais.  Não carregue ninguém nas costas."

"Foque sua atenção nas pessoas que se importam com você, é delas que você mais precisa."

Boa semana!


sábado, 7 de março de 2026

PONTE PARA A SANIDADE

Caros leitores,

O título do texto de hoje me foi sugerido por um livro que folheei num sebo e achei interessante.

Atualmente vivemos num mundo surreal - muitas coisas bizarras têm acontecido e algumas vezes me pergunto se isto é a vida que temos que viver.

Nos tempos antigos a cura das enfermidades era realizada pelos sacerdotes, fazendo com que esse assunto fizesse parte da religião.  Os doentes eram tratados através de rituais mágicos, cantos em santuários.  Como a enfermidade era considerada como a cólera de Deus, os sacerdotes atuavam como intermediários, ou "pontes" entre Deus e os homens.  Eles atuavam como "pontífices", isto é, "construtores de pontes" (do latim "pontifex", palavra que designa sacerdote).  Por isso, no catolicismo confere-se o título de Sumo Pontífice ao Papa.

Se estamos do lado de cá da ponte, que tipo de sanidade podemos encontrar ao atravessá-la?

Muitos religiosos e espiritualistas têm fórmulas/protocolos prontos para serem usados que fazem com que possamos encontrar a sanidade necessária para viver no mundo sem stress, sem tristeza, sem preocupações, sem medo, sem depressão.  Mas será que é isso mesmo?  Só seguir o que eles pregam que teremos uma vida plena de paz?

Muitas sugestões são realmente muito boas e nos fazem bem, mas antes temos que fazer mudanças em nossa vida, em nosso cotidiano.  Às vezes, essas mudanças são quase impossíveis.  Por exemplo, atentemos para a prática da meditação - é extremamente importante para a sanidade mental e espiritual.  Mas como realizá-la quando você mora num lugar barulhento, onde mesmo com fones/protetores de ouvido você ainda sente a vibração da "música bate-estaca" no seu diafragma? Claro, podemos nos deslocar para outro lugar para realizá-la.  Aí já temos uma pequena complicação de rotina. Sem contar que há pessoas que não conseguem se concentrar nem em sua própria respiração por alguns minutos e então essa técnica/prática vai por água abaixo.

Entendo que onde há uma vontade há um caminho.  A maioria das pessoas tem uma vontade débil e aí nenhuma mudança acontece.

Mas, afinal de contas, o que é a sanidade? Acredito que ela é diferente para cada indivíduo. E como hoje vejo um mundo insano, como liberar-me dele? A maioria das pessoas entra de cabeça nele para fazer parte da humanidade e nem sabe o que realmente quer da vida. Nós criaturas, servindo-nos de nossos sentidos, damos à existência um destino construtivo ou destrutivo.  Nós é que decidimos que fim damos aos nossos recursos e possibilidades.  Através do uso de nosso livre-arbítrio somos livres para escolher nossos atos e atitudes, mas somos prisioneiros de suas consequências.

No passado eu já fiz parte desse mundo e hoje considero-me  uma "outlander" (como a série sugere).  Às vezes entro nesse mundo surreal mas na maior parte do tempo me pergunto o que estou fazendo aqui.  Atravessei a ponte e tento me adaptar à esse outro lado, o da sanidade.  Desse lado da ponte os escândalos do mundo estão distantes, pertencem à outros seres, os quais muitas vezes, me pergunto se são humanos; desse lado a natureza (pássaros, animais, árvores, flores, plantas, rios, lagos, montanhas, mares, céu, estrelas) continua intacta.  A sanidade desse lado da ponte me ajuda a respirar melhor, buscar vibrações energéticas positivas, alimentar-me de produtos naturais quase não tocados pela mão humana, encontrar amigos afins que também tentam se adaptar a esse lado da ponte.

Essa ponte deve ser atravessada, ao meu ver, com muita calma, raciocinando a cada passo e fazendo as perguntas: "Será que é isso que eu quero?" "Será que é bom atravessá-la ou é melhor ficar deste lado que já conheço?"

Você gostaria de atravessá-la?

Boa semana!



 

sábado, 28 de fevereiro de 2026

ARQUÉTIPO

Caros leitores,

"Arquétipo" se origina do grego e quer dizer "o que é impresso desde o início".  Na Antiguidade, Platão fez uso do termo pra significar o "mundo das ideias" ou as "formas imateriais".  Jung o empregou em sua Psicologia Analítica como "elementos primordiais e estruturais da psique humana". "Arquétipos são sistemas de prontidão para a ação e, ao mesmo tempo, imagens e emoções.  São herdados junto com a estrutura cerebral - constituem, de fato, o seu aspecto psíquico.  Representam, de um lado, um poderoso conservadorismo instintivo e são, por outro lado, os meios mais eficazes que se pode imaginar de adaptação instintiva.  Não se trata de ideias herdadas, mas da possibilidade herdada das ideias.  Não são aquisições individuais, mas, em geral, são comuns a todos os seres humanos, como se depreende de (sua) ocorrência universal." (Léxico Junguiano, Daryl Sharp, 1991).

Essas imagens primordiais estão profundamente gravadas no Inconsciente Coletivo de toda a humanidade.  Hammed define os arquétipos como "condutores ou orientadores do comportamento e das atividades humanas."  Para Luiz Paulo Grinberg, um analista junguiano, "o mundo dos arquétipos é o mundo invisível dos espíritos, deuses, demônios, vampiros, duendes, heróis, assassinos e todos os personagens das épocas passadas da humanidade sobre os quais foi depositada forte carga de afetividade." (Jung, o Homem Criativo, 1997).

"Arquétipo" no Dic. Aurélio: 1. Modelo de seres criados; 2. Padrão, exemplar, modelo protótipo.

Os arquétipos se estabelecem no inconsciente e só aparecem no consciente através de representações, sonhos ou figuras.  Aparecem em nível coletivo, simbolicamente na literatura, nas artes e nos mitos de todos os povos.

A expressão Inconsciente Coletivo criada por Jung "contém toda a herança espiritual da evolução da humanidade, nascida novamente na estrutura cerebral de cada indivíduo."

Jung descobriu e classificou alguns arquétipos tais como o arquétipo da Grande Mãe, do Velho Sábio, do Herói.  Carol S. Pearson, uma analista junguiana classificou outros: arquétipo do Inocente, do Órfão, do Mago, do Nômade, do Guerreiro e do Mártir.

Agora que já compreendemos razoavelmente o que é um arquétipo, analisaremos nesse texto, como exemplo, o arquétipo do "Herói". Ele é facilmente encontrado nos livros, nas poesias, nos dramas, em histórias sagradas das mais antigas mitologias ou lendas.

Quando uma pessoa se espelha no "arquétipo do herói", ela também possui dentro dela o outro lado da moeda - o "arquétipo do Mártir".  Esses tipos de pessoa vivem constantemente estressadas - estão sempre em posição de defesa, armadas, prontas para lutar - ao caminhar a fronte é projetada de forma imponente e o corpo inclinado para a frente.  São perfeccionistas, não só exigindo de si mesmas a perfeição, mas também de todos à sua volta.  Inconscientemente acreditam serem super-homens e não pessoas normais.

Em realidade, muitas vezes, o mundo que nos rodeia exige que esse arquétipo exista.  Muitos de nós exigimos perfeição do mundo, esquecendo-se de que nós mesmos não o somos.  Acredito que somente aquele que se conhece integralmente poderia exigir de si tal intento, mas há de se perguntar: quem de nós se conhece integralmente?

Hammed nos explica que "A criatura que vive de modo intenso numa estrutura mental de "herói" irá gerar, consequentemente, uma estrutura oposta - o culto à dor e ao martírio.  Essas estruturas se interagem.  Ora a personalidade está numa crise de heroica bravura", ora na crise de "sofredora impotente".  Como ela não é perfeita, cada vez que erra se auto flagela caindo no arquétipo da mártir.  Então para fazer, vamos dizer, um "acordo" com a vida para convencer a si mesma que está "progredindo" ou indo para o "caminho da perfeição", ela se priva das alegrias da vida, cultua o sofrimento, não cuida de si mesma, sendo negligente muitas vezes com seu corpo, é austera e rígida consigo mesma.  Por um lado ela é uma heroína, lutando contra tudo e contra todos a favor do que ela considera certo, correto e por outro lado se violenta, não vivendo sua vida naturalmente, fazendo-se de mártir/vítima de uma causa que ela considera a "causa primordial do universo."

Hammed nos lembra de que "Os seres humanos são pluridimensionais, guardando no reino interior características comuns a todos, representadas pelos subprodutos do conjunto dos "arquétipos" presentes em sua estrutura psíquica". Então, quando estamos exercitando nosso autoconhecimento, estamos também entrando em contato com arquétipos pessoais e/ou universais e nesse contato poderemos modificá-los de acordo com nosso interesse pessoal.

O papel de vítima costuma ser usado, muitas vezes, para aparentar uma grandeza que, em realidade, não existe.  A pessoa com a "síndrome de vítima" crê que precisa agradar a Deus, acreditando que em sendo dessa maneira ela irá adquirir a salvação eterna.

Igualmente, ao interagirmos com uma criatura assim, não a condenemos - muitas vezes ela não sabe que faz esse "jogo", pois para ela esse é um mecanismo de defesa para ocultar sua não aceitação de sua personalidade normal, que erra vez ou outra, mas que também acerta outras vezes - em suma, ela não aceita a natureza de si e dos outros.

Em resumo: quem não se aceita como é, tem dificuldade em aceitar os outros.

Você conhece algum outro arquétipo?

Boa reflexão!


 

ENVELHECENDO...

Caros leitores, O texto de hoje é de autoria de J.Tucón. Moro ao lado de uma pequena reserva florestal dentro da área urbana.  Como sou fotó...