Caros leitores,
A fim de buscarmos auto conhecermo-nos devemos estudar as características de nossa personalidade - devemos analisar virtudes e defeitos. Com base nessa análise devemos listar as mudanças que devem ser realizadas para estarmos em paz conosco mesmos e com o mundo que nos cerca.
O verbo "dever" foi usado sem parcimônia no parágrafo acima - pode parecer uma imposição muito dura, mas creio ser de bom alvitre que obedeçamos a essas etapas se quisermos caminhar com mais leveza e liberdade - nesse quesito entendo que o amor é a meta final.
Mas, o que é o amor? Não existe palavra mais falada no planeta e ao mesmo tempo é um sentimento praticamente desconhecido de todos. Talvez ele seja tão falado justamente para começarmos a entendê-lo, exercitá-lo e ensiná-lo aos outros.
Joanna de Ângelis, em seu livro "Jesus e Atualidade", no capítulo "Jesus e Amor", afirma que Jesus "elegeu o amor como a solução para todos os questionamentos..." No exercício desse amor, "Sua vida se desenvolveu num plano de integração profunda com a consciência divina, conservando sua individualidade em perfeito equilíbrio psicofísico." Por causa disso, "transmitia confiança, porque possuía um caráter transparente e nunca se submetia às imposições vigentes da épóca tais como : suborno das consciências, o conservadorismo hipócrita, a legislação arbitrária, a preocupação formalística com a aparência em detrimento dos valores legítimos do indivíduo." O mestre insurgia-se contra a injustiça, mesmo quando todos atribuíam legalidade ao crime. Trazia em si a paciência, a serenidade, a jovialidade em momentos de grande emotividade. "Elegeu o perdão irrestrito como terapêutica eficaz para todas as enfermidades. Em momento algum se submeteu às conveniências perniciosas de raça, ideologia, partido e religião, em detrimento do amor indistinto quanto amplo a todos que O cercavam ou O encontravam."
Entretanto o que o amor tem a ver com o autoconhecimento? Tudo. Jesus estava sempre ligado com o Pai e nossa primeira atitude deveria ser esta - buscar a centelha divina que habita em nós, principalmente nos momentos de dúvida, de grandes decisões a serem tomadas, para nos tornarmos como dizia Paulo de Tarso, "um com o Pai." Depois disso observarmos nossa vida, nossas atitudes, "ouvir a voz interior" para realizarmos aquilo que está de acordo com os ensinamentos do Mestre, realizarmos o que é bom para nós, para nosso semelhante, para nossa sociedade, para o planeta. Feito isso, o caminho "automaticamente" se abre para o autoconhecimento. A partir deste momento temos a possibilidade de exercitar o autojulgamento, ou seja, começamos a nossa trajetória em direção à sabedoria - sabermos julgar a nós mesmos para nos conhecermos melhor e podermos realizar em nosso mundo as mudanças necessárias para vivermos bem.
Uma característica quase impeditiva para nosso autojulgamento e posterior autoconhecimento é o controle. Já foi dito num texto anterior de como ele é pernicioso para nossas vidas. Óbvio que ele é necessário no nosso dia-a-dia, principalmente quando não nos conhecemos, mas achar que podemos controlar tudo e todos é irreal.
Novamente recorramos à figura do Mestre. Ele não tinha controle do que o cercava, do livre arbítrio dos homens daquela época - mas Ele tinha o controle de Sua vida, de Suas atitudes, de Sua pessoa. Em verdade, não que Ele tivesse necessariamente controle de si - Ele era o que era, ou melhor, Ele é o que é porque realizou o autoconhecimento pleno; Ele também, em outros tempos, em outros mundos, percorreu o caminho que estamos percorrendo agora.
Ao invés de tentarmos controlar tudo e todos, aprendamos a julgar a nós mesmos, "avaliando e percebendo com lucidez a vida fora e dentro de nós."
Autoconhecer-se então é considerar ao máximo nosso mundo íntimo: do que gostamos, do que não gostamos, do que sentimos em situações de perigo, do que percebemos em nós mesmos em família, no grupo social, com nosso cônjuge, com os amigos: o que sentimos quando temos que tomar uma decisão importante, como nos percebemos nos diferentes papéis que representamos no nosso cotidiano.
Não podemos fugir da realidade, desconsiderando nossa vida íntima - ela é o nosso farol que indica o rumo a tomar para encontrar o porto seguro.
Para finalizar, gostaria de frisar que o autoconhecimento e o autojulgamento são facetas de uma mesma moeda - quando nos julgamos estamos em contato com nossas fraquezas e nossas virtudes, pois elas fazem parte da vida de todos nós.
Paulo de Tarso, em sua carta aos Gálatas, 6:3 disse: "Se alguém pensa ser alguma coisa, não sendo nada, engana a si mesmo. Cada um examine a sua própria conduta, e então terá o que se gloriar por si só e não por referência ao outro."
Atualmente, observo que muitas pessoas se espelham nos outros para buscar seu próprio caminho. Nada contra buscar ideias, comportamentos, atitudes fora de si mesmo para realizar seu autoconhecimento - entretanto o ideal é olhar para dentro, para seu íntimo e assim realizar mudanças genuínas de acordo com sua própria personalidade.
Boa reflexão!



