A DESTRUIÇÃO DE UMA CIDADE - 3
Olá leitores amigos,
Hoje é o último texto sobre a cidade de Curitiba. A foto de hoje é da Praça Osório, lugar central de Curitiba, início da famosa Rua XV de Novembro - um calçadão.
Meu consultório fica nessa praça e é um lugar aprazível - quatro vezes por ano há uma feirinha de artesanato e comidas típicas de alguns países. A última feira antes de fecharem a praça para a tal "revitalização" foi a Feira da Primavera, agora em setembro último. Não sei exatamente o que sobrará da praça (já cortaram muitas árvores e outras mais serão cortadas) e nem sei quando voltará a abrir.
Como de praxe, o corte de árvores é o ponto central da "revitalização". Em realidade alguns galhos grandes de algumas árvores caíram devido ao excesso de chuvas - não pára de chover quase ininterruptamente desde fim de julho. Mas, infelizmente não somente as árvores mais antigas sofrerão o abate, algumas outras não tão velhas também.
Como esse texto será o último sobre a cidade onde moro, ressalto que outros bairros também sofreram com essa nova prefeitura. No bairro de Santa Quitéria há um avenida bem longa chamada Avenida Arthur Bernardes - lá a devastação só não foi maior porque os moradores da região se moveram com um abaixo-assinado, porém mesmo assim a prefeitura no início da "destruição" teve que driblar com alguns moradores que se amarraram em algumas árvores. Em vista disso, algumas árvores foram preservadas. Entretanto, araucárias, que são consideradas uma espécie ameaçada de extinção foram cortadas. O Ibama aplicou duas multas contra a prefeitura por irregularidades no corte de 105 árvores no valor de R$ 525.000. Em tempo, o Ibama só "chegou" depois de tudo cortado e só para lembrar que a prefeitura, ou melhor o governo não produz nada. Então essa tal de multa é paga por nós mesmos, os contribuintes. Provavelmente o dinheiro para tais multas sairá de outro lugar, outra pasta/secretaria.
Não conheço esse bairro, mas sei que o canteiro central dessa avenida é bem largo pois abrange quadras (acho que tem até uma quadra de tênis), aparelhos de ginástica, playgrounds e muitas, mas muitas árvores com muitas espécies de aves. O argumento da prefeitura é uma nova linha de ônibus (talvez o mesmo argumento que usaram no meu bairro, entretanto essa tal nova linha de ônibus sempre existiu...).
Outra avenida que também perdeu algumas árvores em alguns quilômetros foi a Avenida Victor Ferreira do Amaral, razoavelmente perto de onde moro. Ainda não tive a coragem e nem oportunidade de transitar por ela após o evento de "revitalização", mas me contaram que ficou "pelada", totalmente descaracterizada e quase irreconhecível.
Então, por último, como já comentei no texto anterior, foi a avenida principal do bairro onde moro - Avenida Nivaldo Braga, onde todas as árvores foram sendo cortadas paulatinamente desde que moro aqui. Quando nos mudamos havia árvores de ambos os lados da rua que formavam um belo túnel no meio da rua. Hoje só cimento e asfalto...
Pessoas que não moram em Curitiba podem achar tudo um exagero, mas a cidade que se auto denomina "ecológica" não poderia ter esse tipo de atitude, não é mesmo?
Para finalizar, há obras por toda a cidade, principalmente na canaleta exclusiva dos ônibus biarticulados, o famoso "vermelhão". As obras têm atrapalhado bastante a população que trabalha, estuda ou até de pessoas como eu que gostamos de circular pela cidade. Eu espero que daqui a alguns anos, quando tudo tiver terminado, possamos voltar a usufruir de uma cidade sem areia, tijolos, cimento, caminhões e barulho de obras por todos os lados.
No próximo texto daremos uma volta por outros lugares, mas retratando o mesmo tema - de como a destruição das cidades pode acarretar o fim da civilização como a conhecemos.
Boa semana!






