sexta-feira, 30 de outubro de 2026

O FIM DE UMA CIVILIZAÇÃO - 2

 A DESTRUIÇÃO DE UMA CIDADE - 2

Caros leitores,

Esse é o segundo texto da série "O Fim de uma Civilização". Hoje, ainda abordando a cidade onde moro, Curitiba.  Apresento uma foto do Museu de História Natural do Capão da Imbuia.


Moramos nesse bairro do Capão da Imbuia desde que nos mudamos há 15 anos atrás.  Durante esse tempo praticamente todos os dias após o almoço caminhávamos na trilha que há no bosque.  É uma trilha interessante (aliás era) onde ao caminhar você pisa num pavimento de metal vazado elevado (na foto o pavimento original está à direita embaixo da placa amarela). Não se pisa na terra, no chão de terra, e as plantas que crescem nele são preservadas e o silêncio é (ou era novamente) muito grande.  Nessa trilha que não é muito grande (aproximadamente 500 metros) você pode observar pássaros itinerantes (às vezes eles vem de outras regiões da cidade), cutias, árvores de diferentes espécies (há uma imbuia de 2000 anos), insetos, etc.

Atualmente, como vocês podem ver pela foto, essa trilha está fechada há mais ou menos uns 3 meses.  Há uns meses atrás, acho que uns 4 a 5 meses, resolveram colocar uma grade fechada por cima desse pavimento vazado para que carrinhos de bebê, pessoas de salto, pudessem transitar por ele (na foto dá para ver essa grade).  Essa grade acarretou muitos problemas.  O primeiro e o principal deles foi o barulho ao caminhar - isso assustava os animais.  O segundo problema foi a falta de luz do sol no chão - o pavimento anterior de metal vazado permitia que o sol atingisse o solo sem causar seca e falta de luz para as plantas - o último problema foi que essa grade por causa da chuva enferrujava e tudo ficou muito ruim: o barulho, a falta de luz e o ferrugem contribuíram para que muitos tivessem desistido de frequentá-lo - eu fui um deles.  Aí, depois de "um longo e tenebroso inverno" como dizem, a Secretaria do Meio Ambiente resolveu fechar a trilha do bosque para a retirada da tal grade e até quiçá retornar ao pavimento anterior.  Porém, como custou caro para algum "esperto" vender a ideia de colocar a tal  da grade, também é caro retirá-la.

Por conta desse aborrecimento e por termos ficado sem nossa caminhada num bosque com pequenos animais e pássaros, meu marido e eu resolvemos caminhar numa praça ao lado do museu. Essa praça é grande e vazia (digo vazia porque não há árvores - há somente duas carnaúbas gigantes numa ponta da praça); há um pequeno playground para as crianças, aparelhos de ginástica, uma quadra de areia onde, aos domingos, os moradores colocam uma rede de vôlei, uma outra quadra razoavelmente grande para futebol e um trilha ao redor da praça para caminhar. 

E então aconteceu outro fato inusitado. Um dia, caminhando por ela, chegaram dois caminhões carregados de areia - uma areia fétida, suja, escura - a impressão que tive era que essa areia tivesse sido retirada de outro local e aí jogaram nessa praça; parecia também areia retirada de beira de rio.  Essa tal areia foi descarregada na praça, no local dos brinquedos das crianças e na quadra de vôlei - depois apareceu uma escavadeira para espalhar a areia.  Isso ocorreu bem enquanto tivemos muitos dias de chuva (atualmente parou um pouco de chover).

Conclusão: a terra/areia fétida mal espalhada virou uma piscina cheia de água da chuva e quando tivemos já alguns dias de sol, o cheiro ficou insuportável, sem contar que a quadra de vôlei e o playground ficaram impossíveis de serem usados. Vou postar duas fotos.


Atualmente nada acontece - como podem observar na foto - tudo parado.  Descarregaram também nesse ínterim bloquetes, acredito para pavimentar a tal praça.

Hoje a palavra mais usada em Curitiba é "revitalização", que no meu entender é "trazer vida ao que já não a possui", entretanto, agora em Curitiba, esse substantivo significa, a grosso modo,  cimentar tudo e cortar árvores.

Na próxima semana darei continuidade ainda com a cidade de Curitiba, pois a destruição continua.

Boa semana!

P.S. Um leitor me corrigiu em relação ao texto anterior, dizendo que havia uma outra placa no prédio a demolir, escrito Reforma do Anexo 2.2. e Demolição apenas do Anexo 2.1.  O.K. É verdade, até vi essa placa, mas a placa anterior a essas duas, antes de colocarem a tela protetora estava escrito "Restauração".  Para mim "demolição" não é "restauração" e mesmo porque não me informei sobre qual edifício é o 2.1. e o 2.2.  Acreditei na demolição e explico porque.  Eu, quando vejo uma coisa nessa cidade "ecológica" que chamei de minha quando me mudei e aprendi a amar, pergunto e a resposta é sempre boa, mas depois a realidade acaba sendo outra.  Quando começaram as obras de "revitalização" da rua principal do bairro onde moro (num texto futuro trarei fotos sobre isso), marcaram uma hora e fui falar com as arquitetas da obra, a meu pedido - perguntei se alguma árvore iria ser cortada (para quem não sabe, sou apaixonada por árvores...) e me foi dito que apenas algumas delas e na realidade cortaram todas.  Então, infelizmente acabo acreditando no pior.  E talvez tenha sido o caso desse prédio.

 

sábado, 24 de outubro de 2026

O FIM DE UMA CIVILIZAÇÃO

A DESTRUIÇÃO DE UMA CIDADE (1)

Caros amigos,

Depois de ter assistido a uma série de 10 dias consecutivos no YouTube de Carol Capel levantei algumas hipóteses, ou melhor uma hipótese que leva a outras questões - todas naturalmente hipotéticas - pensamentos de uma pessoa que lê muito, assiste muita coisa, conversa com muitas pessoas de áreas diferentes e acaba tirando conclusões que nem sempre poderíamos chamá-las de "verdadeiras".

A tal da série intitulada "10 dias" traz ideias/pesquisas muito interessantes sobre civilizações antigas e o legado que elas nos deixaram.  Carol Capel falou sobre civilizações perdidas, ruínas de monumentos antigos, artefatos encontrados em escavações arqueológicas, manuscritos descobertos nos recônditos da Terra, restos mortais de seres humanos e outros "seres", de animais e plantas, mapas antigos que retratavam o mundo diferente do que ele é hoje.

Em realidade, não foi apenas essa série que me trouxe as ideias que irei trazer para vocês hoje, mas muita coisa que tenho lido, visto e ouvido, mais precisamente após a chamada "pandemia".  Será uma coincidência? Deixo para vocês essa interrogação!

Assim, usando uma das leis herméticas, a lei da correspondência - "assim como é em cima é embaixo" - começarei hoje uma série de textos sobre Curitiba, para depois expor minha hipótese sobre o resto do mundo.

Meu marido e eu mudamo-nos para Curitiba em junho de 2011 - portanto moramos aqui há 15 anos e 4 meses.   Durante nossos primeiros dez anos morando em Curitiba, a cidade nos acolheu muito bem - haviam poucas pessoas nas ruas, a cidade era limpa, não havia lixo em qualquer lugar e havia um silêncio razoável, com ruídos pontuais aqui e acolá - tudo bom, tudo suportável.  Nós sempre comentávamos um com o outro em como era bom caminhar por uma rua sem obras; afinal de contas, São Paulo de onde viemos parecia sempre estar em construção; em cada lugar havia tapumes, placas de "trânsito impedido", tijolos, areia e uma infinidade de caminhões a carregar materiais de construção aqui e ali.

E então, tudo aconteceu! Curitiba virou uma obra eterna, onde o ar que temos hoje não é de poluição de carros, mas um ar cheio de detritos de construção, areia, cal, cimento, tinta e asfalto.

Ao investigarmos, tentarmos compreender como a cidade "paulificou-se", chegamos no Plano Diretor das Cidades definido na Constituição Federal do Brasil de 1988 - a "Constituição Cidadã" em seu artigo 182 e no Estatuto da Cidade (lei nº 10.257/2001); o Plano Diretor Municipal é obrigatório para municípios com mais de 20 mil habitantes (Curitiba tem 1.900.000 habitantes aproximadamente)...

"No Estatuto da Cidade (art. 40 parágrafo 3º) a revisão do Plano Diretor deve acontecer a cada 10 anos para que não haja um descompasso prejudicial entre a realidade urbana e as políticas de desenvolvimento" - Wikipédia. (Então penso: por que essa "lei" está na constituição? Qual seria sua finalidade?)

Para quem quiser ler tudo sobre o Plano Diretor Municipal basta ir no Google ou ler direto da Constituição. Bem, tendo isso em mente, posso inferir que a cidade de Curitiba está passando por uma renovação.  Para algumas pessoas isso parece progresso, mas no fim da série sobre as civilizações que inicio com esse texto, muitos poderão talvez assim como eu, não chamar isso de "progresso" e, antes de me alcunharem de "atrasada", "contra o progresso", "conservadora radical" aguardem o "andar da carruagem".

Assim o texto de hoje traz um edifício antigo que iria ser preservado para albergar a sede de uma biblioteca ou museu, não sei ao certo, resolveu-se a posteriori a demoli-lo. A foto que tirei mostra o edifício na rua Emiliano Pernetta, no centro de Curitiba com a placa de demolição e infelizmente com uma tela de proteção.  Por esse motivo, é difícil visualizar a beleza do edifício.



O texto de hoje, introdutório, traz o exemplo desse edifício.  A cada semana trarei um outro exemplo - serão muitos textos até chegar em minha conclusão final - pode ser até que "copie" a ideia de Carol Capel e escreva 10 textos sobre minha hipótese.  Quem sabe?

Boa semana!


 

 

sábado, 17 de outubro de 2026

SAUDADES!

Olá leitores,


Algumas pessoas afirmam que conforme a idade vai avançando nós nos lembramos mais das coisas da infância e da adolescência do que eventos que presenciamos há um mês atrás.  Isso em parte, talvez seja verdade.  Entretanto tenho me lembrado sim de situações vividas na infância, não necessariamente com saudades de querer voltar para essa época.  Não, não desejo voltar para lá em absoluto, não porque aqueles dias não foram bons.  Ao contrário tive uma boa infância. Hoje sou uma pessoa feliz e realizada!  Aqui vou relembrar momentos inesquecíveis.

As saudades que estão no título desse texto são saudades de um tempo em que haviam muito mais pessoas boas e confiáveis do que hoje - talvez porque não havia internet e nós não tínhamos acesso a esse tipo de circunstância.  Era uma inocência genuína.

Minha família e eu morávamos numa casinha singela (essa casinha da foto; não consegui achar a verdadeira e essa foto foi tirada em 2022 da foto verdadeira) no bairro da Chácara Santo Antônio, zona sul, em São Paulo Capital.  Nossa casa foi praticamente a primeira casa do bairro e nossa rua chamava-se Rua Júlio Ribeiro (nome de um escritor brasileiro) e posteriormente foi trocada de nome pelo nome de um escritor francês, Rua Alexandre Dumas, hoje uma rua principal do bairro, muito conhecida.

Essa rua, na minha infância, era de terra batida e até hoje tenho no meu joelho uma cicatriz de um tombo de bicicleta que levei andando por ela.  No passado não íamos correndo para o médico e/ou hospital/emergência.  Uma pequena pedra penetrou no joelho e ao retirá-la (eu mesma o fiz) ficou parecendo uma piscina de sangue.  Mas tudo deu certo com o tempo.  Não tomei pontos, o que talvez fosse o ideal, mas sarou e a cicatriz ficou. E, como dizia minha avó na época: "Não pode mais ser miss; já tem uma cicatriz no corpo..."

Uma outra boa lembrança eram as enxurradas da rua em dia de chuva - adorávamos brincar na água. Não tinha nada de leptospirose, dengue, etc.  Era tudo limpo e ninguém se infectava com nada...

Morei nessa casa, nessa rua, nesse bairro, nessa cidade até há 15 anos atrás quando me mudei para Curitiba em 2011. Hoje ela foi demolida e no lugar dela há uma agência da Nossa Caixa.

Quando falamos de saudade, falamos das boas lembranças e da gratidão de termos tido essa infância inesquecível onde andávamos de bicicleta, jogávamos bola, brincávamos de esconde-esconde tranquilamente nas ruas - nada de crime, pedofilia, drogas...

Meu pai era metalúrgico e minha mãe dona de casa e por essa época meu pai conseguiu pagar escolas particulares em colégio de freiras (era como falávamos) e assim, minha irmã e eu, tivemos um bom ensino.

Esse texto também tende a relembrar que não tínhamos telefone (era caro) e este só foi adquirido quando eu tinha uns 10 anos.  A TV também demorou - apareceu nessa época e era em preto e branco.  Imagine que nossa geração viu o surgimento da TV, do telefone, do telex, do fax, do computador, da TV de plasma, do notebook, do celular, do tablet, da smart TV, da internet... 

E depois muitos dizem que nós não sabemos/entendemos nada da vida...

Enfim, as saudades para mim são as da simplicidade, do sorriso e das risadas leves, dos jogos de tabuleiro em família e mais que tudo na vida, as saudades do silêncio...

E você, lembrou de alguma coisa legal da infância? Você tem saudades de quê? Comenta aqui.

Boa semana!

sábado, 10 de outubro de 2026

UM POUCO DE FILOSOFIA

Caros leitores amigos,

A Brasil Paralelo (BP) lançou uma coleção de 10 livros novos, que nunca tinham sido editados no Brasil e alguns deles estavam fora de circulação há décadas. Os livros são de capa dura, papel mais fino com letras grandes, entregues em casa, um por mês, para os assinantes.  São temas universais, onde a ideia é trazer para os leitores de como se iniciou nossa civilização no quesito moral, filosófico, político, de hábitos e costumes.  A ideia primordial da BP é transformar nossa forma de ver o Brasil e o ocidente.

O primeiro volume do Clube do Livro da Brasil Paralelo, o qual estou lendo com vagar pois o tema é denso, é "O Essencial da Grécia" - aliás o berço da civilização, eu diria da civilização "organizada".  A obra traz alguns textos de Platão e Aristóteles.

Hoje resolvi então discorrer um pouco sobre o primeiro texto que li e que gostei bastante e, mesmo sendo uma obra de filosofia não foi difícil compreender suas ideias - talvez porque muitas delas estejam bastante atuais.

Esse primeiro texto é de Platão intitulado "Apologia de Sócrates" - transcrição feita por Platão, da defesa de Sócrates. "Platão apresenta sua versão da defesa que seu mestre Sócrates (c.470-399 a.C.) proferiu perante o Tribunal Popular de Atenas (Helieia), quando foi acusado de impiedade e sedução dos jovens. Um drama jurídico: a atitude de um cidadão inocente e sua postura ética diante de uma injustíssima Justiça! Platão esteve presente ao julgamento público. E legou à posteridade uma defesa estilizada, muito bem redigida e conforme os parâmetros esperados da arte da Retórica de então.  Seu retrato de Sócrates é vivíssimo! O texto é dividido em três partes desiguais: a) resposta às acusações, b) discurso do réu após a primeira votação, e c) suas palavras finais (após ter sido condenado à morte). Sócrates se apresenta como defensor da Verdade e se coloca a partir do ponto de vista da Eternidade, isto é, sem levar em conta a efemeridade das coisas, sempre fugazes e passageiras, mas tendo em vista as verdades que são eternas, universais e necessárias. Sim, pois é sempre melhor sofrer uma injustiça do que cometê-la." Esse texto introdutório foi escrito por Ricardo Costa - professor titular do Departamento de Teoria da Arte e Música (DTAM) da UFES.

Bem, vamos então às minhas impressões sobre o texto. Eu nunca havia lido Platão/Sócrates com tanta profundidade - havia lido uma parte de "O Banquete" na primeira faculdade que cursei, mas na época não houve tanto entendimento de minha parte. Hoje, com mais maturidade minha compreensão foi total.  Talvez pela enorme quantidade de livros que venho lendo desde que "me conheço por gente."

Resumindo, de uma maneira bem simples, Sócrates foi condenado por causa de uma fofoca, um mal entendido, ou melhor dizendo, como nos dias atuais, por uma "fake news".

Tentarei me explicar melhor.  Sócrates era um peripatético, ou seja, aquele que ensina passeando/andando (aprendi essa expressão na série da Netflix "Merlí" e essa palavra está no dicionário Aurélio).  Sócrates ia trocando ideias, conversando, falando o que sentia, o que pensava enquanto caminhava.  Ele, em realidade buscava encontrar um homem sábio (assim como Diógenes, o cínico) e, até o fim de sua existência não o havia encontrado. Ele percebeu que aqueles que se diziam sábios, conheciam bem o seu ofício, mas eram ignorantes para outros assuntos ou coisas.

O texto é riquíssimo, traz ideias que estão, atualmente, em nosso contexto social e muitas vezes, a impressão que tive ao ler era que dos tempos de Sócrates para os nossos tempos pouca coisa foi adiante - o preconceito, o "telefone sem fio", as pessoas que só falam e não ouvem - a humanidade continua rastejando...

Num momento de sua defesa, Sócrates exclama "...é isso que me condenará...não Meleto ou Ânito, mas o preconceito e a antipatia de muitos.  Isso já condenou muitos outros homens bons, e creio que continuará condenando, sem riscos de isso parar em mim."

Na primeira parte das respostas de Sócrates às suas acusações, logo no início ele pede "...prestem atenção, se o que eu digo é justo ou não; afinal, essa é a virtude de um julgador, e a virtude de um orador é dizer à verdade."

Depois ele admite que ninguém o defendeu "...o caso que processaram correu totalmente sem defesa, pois ninguém apareceu para me defender.  Mas o mais absurdo de tudo é isto: que não é sequer possível saber e dizer seus nomes, exceto quando um deles por acaso é um autor de comédias. E todos aqueles que os persuadiram por meio da inveja e da calúnia - e alguns também persuadiram outros porque eles próprios haviam sido persuadidos..."

Na minha opinião, a fala de Sócrates que calou fundo em minha alma foi "Excelentíssimo homem, cidadão de Atenas - que é a maior das cidades e a mais famosa pela sabedoria e pelo poder - não se envergonha de se importar com a aquisição de riqueza e com a reputação e a honra, enquanto não se interessa pela sabedoria, pela verdade e pelo aperfeiçoamento da sua alma?" "...lhes digo que a virtude não vem da riqueza, mas que da virtude vem a riqueza e todos os outros bens, tanto ao indivíduo quanto ao Estado."

"...negligenciei todos os meus próprios assuntos e suportei durante todos esses anos o abandono dos meus interesses, mas estive sempre ocupado a serviço do interesse de vocês, abordando cada um individualmente como um pai ou um irmão mas velho e exortando-os a cuidarem da virtude."

No seu discurso após a primeira votação, ficou marcado para mim a seguinte afirmação: "...agora não é fácil livrá-los de grandes preconceitos em pouco tempo."

Aqui vou deixar para vocês algumas ideias de suas palavras finais já sabendo de sua condenação à morte:

"Senhores, não é difícil escapar da morte; é muito mais difícil escapar da maldade, pois esta corre mais rápido que a morte."

"Se vocês pensam que,  ao matar homens, impedirão alguém de repreendê-los por não agirem como deveriam, estão enganados.  Esse modo de escapar não é de modo algum possível nem honroso; o modo mais fácil e honroso não é suprimindo os outros, mas tornando vocês mesmos os melhores possíveis."

"Afinal, o estado da morte é das duas uma: ou consiste num quase nada, de modo que o morto não possui qualquer consciência, ou, como afirmam alguns, é uma mudança, uma transposição da alma deste lugar para outro."

"...nenhum mal pode acontecer a um homem bom - seja na vida, seja após a morte - , e o deus não o negligencia."

"Eu parto rumo à morte, e vocês rumo à vida; qual de nós tem o melhor destino, apenas o deus sabe."

Boa semana e uma excelente reflexão!

P.S. Definição de "Apologia" no dicionário Aurélio: discurso para justificar, defender, ou louvar uma ideia.

sábado, 3 de outubro de 2026

"O CAMINHO PARA WIGAN PIER"

Caros leitores amigos,

Neste setembro, o livro de nosso Clube de Leitura foi uma obra escrita em 1937 de George Orwell (mesmo autor de "1984"), "O Caminho para Wigan Pier".  Este livro me foi indicado há muitos anos atrás por Jordan B. Peterson, psicólogo canadense, o qual tenho admiração e respeito.  Porém de início, foi difícil de entender o porquê ele tivesse colocado em sua lista de sugestões de leitura, este livro.  Ao quase término da leitura ainda não tinha ficado muito claro para mim a sua sugestão.  Então, relendo os três últimos capítulos, creio ter ficado mais claro.

Todo psicólogo anseia, em regra, que seus pacientes, ou até a sociedade como um todo, se for psicólogo social, acordem para a realidade de suas vidas, como individualidades dentro de um contexto planetário. Pelo menos era uma das minhas utopias em atendimento terapêutico.  Eu coloco o verbo no passado, pois era um desejo, uma meta muito grandiosa e de difícil alcance.

O livro nos dá muitas ideias excelentes para nossa reflexão como seres sociais e ouso dizer, seres planetários.  Obviamente vivemos dentro de um contexto social e nos diz o bom senso que devemos seguir certas regras para uma convivência pacífica e salutar.

Uma das características que me chamou a atenção no livro foi que a sociedade inglesa de 1936 vivia uma convivência pacífica, entretanto longe de ser considerada salutar, não apenas como um ajuntamento de pessoas, as quais podemos chamar de povo, como também como individualidades.

Orwell traz um retrato da época em que era jornalista numa Inglaterra mergulhada numa industrialização brutal ( "a Revolução Industrial iniciou-se na Inglaterra no século XVIII, no final desse século, para ser mais preciso com a transição para novos processos de produção e o desenvolvimento da máquina à vapor" Wikipédia).

Ele, de início, no livro traz sua experiência vivendo numa pensão, enquanto fazia uma reportagem sobre a cidade e o povo de lá.  O local é ruim, com pouca higiene, a qual é descrita em detalhes por ele.  Ao ler esse capítulo não dá vontade de continuar lendo.

Depois ele vai viver a experiência dos mineiros de carvão, onde descreve a vida sub-humana deles.  Ao ler esses relatos sobre a vida dentro da minas, não imaginei que a vida deles fosse tão miserável ("Os Miseráveis" de Victor Hugo são "piadas" perto da experiência desses mineiros).

Durante o transcorrer da leitura, Orwell não só descreve o que vê e experiencia, como também dá sua opinião - ele critica abertamente o sistema industrial e o capitalismo que o leitor, pelo menos eu, tem a impressão de que ele é um comunista.  Todavia, nos últimos três ou quatro capítulos você compreende, pelo menos eu compreendi, que o sistema de governo que ele acha ideal não existe, ainda, em nosso planeta.

Num dado momento no livro, ele nos conta que o governo estava para construir um pier/porto em Wigan, entretanto esse nunca foi construído - daí o título da obra ser "o caminho para Wigan Pier" - o caminho para um local inexistente.

Em realidade, Orwell é a favor do socialismo, mas não o socialismo de esquerda, aquele que se "disfarça" de comunismo.  O socialismo que ele prega, como já mencionei anteriormente, não existe, na minha opinião, em nenhuma sociedade do planeta.  Ele afirma: "Temos que lutar pela justiça e pela liberdade, e o socialismo realmente significa justiça e liberdade, quando se retira dele os absurdos.". Em outro trecho ele diz: "A tarefa do indivíduo pensante, portanto, não é rejeitar o socialismo, e sim tomar a decisão de humanizá-lo."

Eu entendo que o mundo foi "contaminado" pela ideia de um socialismo/comunismo/marxismo onde tolhe-se a liberdade dos indivíduos de poderem ser o que quiserem e onde o povo precisa ser e caminhar uniformemente, e onde todos devem pensar da mesma maneira.  A idéia de Orwell é justiça e liberdade e por isso eu concluí que o sistema de governo que ele prega não existe e que ele usa a palavra socialismo por não ter encontrado outra melhor.  Há que ler a obra para compreendê-la em sua íntegra.  Não é um livro de ficção como o foram seus dois livros mais conhecidos "1984" e "A Revolução dos Bichos" - este é um livro onde ele conta algumas de suas experiências e suas opiniões sobre a sociedade da época.  Apesar de ser um livro da primeira metade do século XX, arrisco dizer que é atualíssimo.  Eu sugiro sua leitura.

Como reflexão final deixo uma afirmação dele no último capítulo que demonstra sua atualidade: "A civilização da máquina está aqui.  E só pode ser criticada internamente, pois todos nós estamos dentro dela."  Lembrou da Matrix?

Boa reflexão e boa semana!

 

  

sábado, 26 de setembro de 2026

SEMPRE APRENDENDO

Caros leitores,

Sábado passado, meu marido e eu, participamos de um simpósio sobre Medicina e Espiritualidade.  Os tópicos eram bem interessantes e como não somos médicos, achávamos que não iríamos compreender muita coisa, entretanto ficamos surpresos com o quanto aprendemos.

Os temas abordados foram desde infância, adolescência até o envelhecimento. Obviamente também foi falado sobre saúde mental e cognitiva, assuntos que supõe-se serem de cunho da psicologia, mas o palestrante destes temas foi um médico homeopata que até realizou um exercício/vivência relacionando a oração do Pai Nosso com cada chakra do corpo.

Um médico de Paraíba trouxe um conceito que para nós foi novo, porém acredito que no meio médico seja lugar comum - a epigenética.  A epigenética é o ramo da biologia que estuda como os fatores ambientais  e o estilo de vida podem modificar a expressão dos genes sem alterar a sequência do DNA - por exemplo a alimentação, produtos químicos na natureza, drogas, ambiente de vida, clima, cultura, atitude, língua, costumes, espiritualidade, etc. tendo em mente que o DNA é a molécula da vida.

O DNA não é o único e supremo fator da hereditariedade.  A informação é transferida de uma geração para a seguinte.  Há alguns fatores na ativação dos genes.  São eles: a mente, o meio ambiente, a cultura, a geografia, a época da vida em que se está inserido, fatores educacionais.  A meditação é um outro fator que muda a expressão genética e reduz os processos inflamatórios.

O palestrante também deu uma boa ideia para a diminuição do stress, o aumento do bem estar e até a diminuição do processo de envelhecimento: fazer um retiro espiritual.

O DNA pode ser reprogramado por palavras e frequências.  Em realidade no meu trabalho com a radiestesia terapêutica isso também é possível - fiquei feliz de saber que a própria medicina já entende que as interferências dos campos eletromagnéticos também modificam os genes - as proteínas receptoras também captam campos de energia vibracional como a luz, sons e até frequências de rádio.

Nossas emoções também podem mudar o nosso DNA.  Na psicologia conhecemos essa característica, porém como a maioria da plateia era de médicos, talvez muitos deles não são tão familiarizados com esse fato.

Esse médico palestrante terminou dizendo que o fator espiritualidade é uma questão de saúde pública e eu concordo.  No mundo atual não dá mais para ignorar a parte espiritual de cada ser no planeta.

Em um futuro próximo trarei mais tópicos desse simpósio.

Boa semana!  


domingo, 20 de setembro de 2026

FELIZ ANIVERSÁRIO!

Olá leitores,

Dia 17 de setembro último o blog Refletindo completou 6 anos de existência.  Não sei se isso é um sucesso ou um exercício de disciplina de minha parte.  Foram anos de textos sobre filmes, livros, fatos do dia-a-dia, tentando não adentrar muitos assuntos polêmicos.  O início foi em 2020 - o ano que ficamos "encarcerados" em casa.

Sempre gostei de ler e escrever, então uni o útil ao agradável - imaginei que como hoje muitas pessoas não leem mais, quem sabe o blog seria uma maneira de incentivá-las a ler novamente.  Eu, pessoalmente, acredito que uma pessoa que lê amplia seus horizontes, viaja na imaginação e de quebra melhora sua linguagem e sua comunicação com o entorno.  Em companhia de amigos, a pessoa que lê consegue conversar sobre assuntos diversos.

Assim, o blog Refletindo tenta seguir sua trajetória escrita buscando novidades para trazer uma reflexão mais abrangente a cada tópico publicado. Muitas vezes o assunto, o tema não aparece tão facilmente.  Então, até gostaria de ideias dos leitores sobre qual assunto gostariam de ler.

Eu envio o blog numa lista de transmissão do WhatsApp, na página do meu Facebook e para algumas pessoas por e-mail.

Eu gostaria também de pedir àqueles que não quiserem mais receber as novas publicações do blog que me comuniquem.

Algumas pessoas perguntaram quanto ganho com essa atividade - não ganho nada, o canal não é monetizado e nem quero que o seja - tudo está bem desse jeito. Escrevo porque gosto, e, como disse, exercito minha escrita e vamos assim dizer, pode ser considerada minha contribuição, embora bem pouca, para uma parte da sociedade.

Boa semana a todos!

O FIM DE UMA CIVILIZAÇÃO - 2

  A DESTRUIÇÃO DE UMA CIDADE - 2 Caros leitores, Esse é o segundo texto da série "O Fim de uma Civilização". Hoje, ainda abordando...