sábado, 31 de janeiro de 2026

"EU TENHO UM SONHO..."

Olá leitores,

Os meus sonhos não são tão grandiosos quanto o sonho de Martin Luther King em seu discurso.

Os meus sonhos são voltados ao meu cotidiano, mas também tenho sonhos voltados para a cidade, o estado e o país onde moro.  Alguns sonhos voltados aos outros países não são tão precisos pois "sei" o que tem acontecido pelos poucos noticiários aos quais assisto e, convenhamos, a mídia... bem, a mídia é a mídia, n'é?

A "inspiração" para esse texto surgiu no domingo, no meu caminhar pela cidade.  A maioria desses sonhos são sonhos mesmo, pois creio que poucos se materializariam antes que eu deixasse o planeta, alguns talvez, e outros jamais.

Um dos meus sonhos seria, ao caminhar pelas ruas e praças de Curitiba não ver mais lixo, caliça atirados nelas.  Quando me mudei para Curitiba há 14 anos atrás a cidade era bem limpa.  O curitibano se orgulhava de sua limpeza e sempre ouvia a frase "em Curitiba não se joga papel de bala na via pública". Hoje a cada dia que passa mais e mais lixo há acumulado, também por conta das inúmeras "obras" eternas em todos os lugares.  Outro sonho que se atrela a esse é caminhar sem vislumbrar edifícios, casas, ruas serem construídas, reformadas, etc. Em São Paulo sempre me ressenti das obras em todos os lugares - sempre quis caminhar por uma cidade onde o "progresso" fosse menos urgente! Nosso prefeito, para mostrar "serviço" (e não é o que todos fazem?) resolveu retirar as estações-tubo da rodoviária para reformar a canaleta dos bi-articulados expressos, na boca do natal. Quem fosse viajar de ônibus nas festas de fim de ano (quase ninguém n'é?) tinha que caminhar bastante para chegar na rodoviária.  A obra continua a ser realizada a passos de tartaruga desde final de setembro/25.

Outro sonho praticamente impossível de se realizar é entrar num espaço público fechado, tipo padaria, farmácia, supermercado, shopping center, restaurante, loja comercial de qualquer produto, etc. e ouvir nada, ou seja, o silêncio natural das pessoas irem e virem e não música (é o que eles acham que é...) intermitente.  Até nos banheiros há música (talvez para abafar alguns ruídos...). Não há locais sem algum áudio tocando...

Alguns sonhos são mais globais. Um sonho em que os governos não impusessem alguns tipos de impostos (que tal quase todos), por exemplo, o imposto de renda - não sei quando ele entrou em vigor no Brasil - eu me lembro quando tinha uns 14 anos e esse imposto não existia.  Sei que existem pessoas que acham que ele sempre existiu, mas não; ele não existia.

Outro sonho seria poder viajar de avião para qualquer lugar e poder usar a roupa que eu quiser e se a mala estiver pesada pagar o excesso. Antes das duas torres serem destruídas eu podia levar o que quisesse no vôo - agora somos todos (acredito que alguns não...) taxados de terroristas (sempre levava meu canivete suíço que sempre quebrava muitos galhos - cortar frutas, abrir embalagens). Desde o tal advento de 2001 já me foram "surrupiados" na alfândega de alguns países vários deles - se pelo menos pagassem por eles, como um exercício de compra e venda... E se  eles descobrirem que a tampa de uma caneta bic é tão perigosa quanto um simples pequeno canivete? 

A cada dia que passa os sonhos ficam mais distantes, mais impossíveis de serem realizados.

Estava assistindo a uma série em que uma pessoa é uma viajante do tempo ("Outlander") e fiquei imaginando que, se eu pudesse viajar para qualquer época qual seria.  Pensei no passado, tipo século XVIII, mas a falta de higiene desse período e as roupas pesadas me demoveram da ideia.  Então pensei nos anos 80 do século XX - não que eu tivesse sido mais feliz nesse período (hoje o sou mais), mas que delícia voltar a trocar correspondências por carta, não ter que carregar o celular ou checá-lo a toda hora, voltar a conversar com as pessoas e assistir aulas e palestras presencialmente.  Era um mundo mais calmo, mais humano, pelo menos era o que parecia para mim.  Obviamente hoje é interessante poder conversar por vídeo com uma pessoa de qualquer lugar do planeta...

Hoje, somos informados sobre tudo o que acontece no mundo em tempo real (será que somos mesmo?)e, sinceramente, muitas das informações não são importantes para nós e muitas nem são verdadeiras, n'é?

Então, o sonho de Martin Luther King também pode ser meu sonho: ver as pessoas de todas as religiões, credos, raças, etnias se respeitarem umas as outras e não imporem suas crenças para ninguém - o sonho seria a liberdade de escolha...

Qual seria seu sonho?

Boa semana!


sábado, 24 de janeiro de 2026

EXERCÍCIO MENTAL

Caros leitores,

"O real trabalho da mente é o exercício da escolha, recusa, anseio, repulsão, preparação, propósito e consentimento.  O que, então, pode poluir e obstruir o funcionamento adequado da mente? Nada além das próprias decisões corruptas." - Epictetus

A tarefa de escrever um texto por semana é árdua - mas felizmente, sempre encontro uma inspiração e hoje ela foi de um texto que encontrei no canal de Sabrina A. (2017) do Telegram.  "Capturei" a frase do estóico Epictetus para reflexão.  Assim como ela o fez, vou discorrer sobre cada item da frase, obviamente sem "copiar e colar" do que ela escreveu - buscarei refletir sobre os itens e assim auxiliá-los, meus leitores, a também refletirem.

Vamos lá!

1. Escolha

Quando estamos diante de uma situação na qual precisamos escolher, obviamente, se não somos impulsivos, a escolha deve vir juntamente com a reflexão de ganhos e perdas e de qual tipo de consequência ela irá gerar.  Quando se tem que escolher entre duas hipóteses até que fica mais fácil, mas e quando se tem que escolher entre inúmeras possibilidades, a situação se complica.  E então, você sabe realizar escolhas genuínas para sua vida ou prefere que outras pessoas escolham por você?

2. Recusa

Em alguns momentos de nossa jornada há a necessidade de se recusar alguma coisa - seja um convite, um objeto, um pedido.  Há algumas pessoas que não conseguem recusar nada, não conseguem dizer "não".  Acredito que esse tipo de pessoa deve sofrer, pois, ao se aceitar tudo acaba-se fazendo/vivendo algo que não é seu, que não faz parte de sua vida.  O pior de tudo nessa circunstância é culpar a si mesmo e passar a sentir frustração por não ter agido de outra maneira.  Você consegue dizer não quando é necessário?

3. Anseio

O anseio é o desejar alguma coisa, alguma situação.  Nesse caso, o funcionamento da mente deve se fazer de grande valia, pois para que nosso desejo venha a se transformar em realidade precisamos raciocinar e buscar pensar bem - nada de pensamentos e palavras negativas.  Devemos sempre ansiar o melhor para nós e para isso, muitas vezes necessitamos pensar e planejar com clareza.  Quais são seus anseios na vida?

4. Repulsão

Palavra de difícil entendimento - tem a ver com repulsa, repelir; uma sensação de aversão, relutância, repugnância, afastamento, oposição.  Por mais que pensemos que esse exercício não faz parte da mente entretanto podemos (eu pelo menos, posso) enumerar algumas coisas, pessoas, situações nas quais sentimos aversão/repulsão.  Por exemplo, podemos sentir aversão por alguns tipos de alimentos (exemplo bobinho...) - eu não consigo nem sentir o cheiro de mandioquinha (em Curitiba chama-se batata salsa), o que diria o gosto.  Uma situação que me causa repulsão e tenho alguma dificuldade de recuar é quando, num transporte coletivo, alguém quer "puxar papo" comigo e começa a falar mal de tudo, do clima, da cidade, do governo, de pessoas, até de parentes - penso cá comigo, depois de ficar muda até a pessoa perceber, muito a contragosto, que não quero conversar, "quer desabafar? Te dou o endereço do meu consultório de psicologia; assim você paga e eu ganho para te ouvir!"

5. Preparação

Entendo a preparação como todo um planejamento antes da ação propriamente dita.  Como já mencionei, aqueles mais impulsivos terão dificuldade com este item.  Porém , acho também que muitas vezes agir impulsivamente não é tão ruim assim - eu diria que atos de bravura/coragem ocorrem impulsivamente.  Em minha opinião, o que Epictetus colocou como preparação envolve todos os itens anteriores - seria uma continuidade da escolha, da recusa, do anseio e da repulsão - depois dessas etapas você poderia se considerar preparado para agir.  Você também vê assim?

6. Propósito

Qual o propósito de se tomar uma decisão ou realizar um trabalho? O motivo do porquê fazemos o que fazemos deve ser importante para uma pessoa. Muitas vezes fazemos algo porque é automático e porque muitos o fazem - mas será que o que você faz tem um propósito, tem um motivo? Reflitamos em nossas próprias ações cotidianas. 

7. Consentimento

Esse é um item de difícil compreensão - o consentimento deve ser da razão ou da emoção, do sentimento? Talvez seja do sentimento, já que a palavra o diz "com sentimento". Eu diria que consentir tem a ver com a emoção e o sentimento do que com o raciocínio, a razão.  Devo "sentir" antes de permitir a ação.  Em alguns momentos, consentimos que outros realizem atos que podem nos beneficiar ou prejudicar, principalmente ações voltadas primordialmente para nós mesmos. No dicionário Aurélio, "consentir" também é permitir, tolerar, sofrer, admitir, concordar com, aprovar.  É uma palavra com muitos significados aparentemente diferentes.  Quando você não concorda com alguma coisa o que você faz? Ignora, dá sua opinião, ou finge que aceita, consente só para não criar discórdia? Difícil refletir sobre isso, n'é?

Agora relendo todas as características que Epictetus enumerou como sendo os "trabalhos" da mente, percebo que a escolha é a principal característica pois a vida depende de nossas escolhas e o resultado delas nos trará harmonia ou desequilíbrio em nosso dia-a-dia.  Reflitamos!

Boa semana!





sábado, 17 de janeiro de 2026

JANUS

Olá leitores,

Janeiro, verão, mês de férias, praia, festas, "zero" de preocupações.  Este é o nosso Brasil e seu cotidiano neste mês.

Enquanto muitos estão realizando modificações em suas agendas, principalmente a classe política, o povo está se divertindo na praia, nos resorts de férias, até em cruzeiros marítimos...

Todos os anos, a rotina em solo brasileiro é a mesma.  Essa agenda inclusive, vai na contramão dos princípios do deus Janus, de onde vem a origem do nome do mês de janeiro - deus que possui duas faces: uma voltada para o passado, na parte de trás da cabeça e outro rosto na frente, olhando para o futuro.

Na mitologia romana, Janus é o deus dos começos, dos portais, das transições, da dualidade, das passagens e dos finais.  Em realidade, a ideia desse mês é buscar no passado boas coisas que deram certo e replicá-las e as outras coisas que não deram tão certo assim, eliminá-las do dia-a-dia.  É o mês do planejamento do ano, de buscar novos caminhos, novas atitudes e não o mês de se "afogar" na vida desregrada, buscando muita comida, muita bebida, muita diversão, muito barulho - nada contra diversão desde que não incomode outras pessoas, outros animais e até o planeta em si.

Numa praia do litoral aqui do Paraná, praia de Caiobá em Matinhos, houve um show com nada mais, nada menos que 338 mil pessoas numa única apresentação de um tal DJ Alok com 300 drones no céu!  Quando me deparei com esse vídeo na internet imaginei o barulho ensurdecedor e a sujeira, após o evento.

Muitas práticas de certas culturas, não somente da brasileira, deveriam ser repensadas - pensando no deus Janus, a raça humana poderia olhar para o futuro e tentar raciocinar qual seria a melhor prática/atitude para não prejudicar o meio ambiente, não em termos de "mudança climática", pois isso é um engodo criado pela ONU para que "caminhemos" para a direção que eles querem, visando outros interesses, os quais não nos ateremos nesse texto, mas pensemos com mais lógica, raciocínio, misericórdia, respeito à natureza!

A natureza a qual me refiro é tudo - por que seres humanos, animais, árvores, plantas, o mar, a terra, o céu, rios devem ser submetidos a todo esse barulho ensurdecedor por horas a fio? Falo também de Copacabana e sua "artilharia" de fogos na passagem do ano por mais de 20 minutos. E o que dizer das "oferendas" a Iemanjá onde flores, velas, alimentos e não sei mais o quê são liberados no mar.  Nada contra nenhuma religião, mas por que "emporcalhar" o mar em alguns rituais? Na minha opinião, um ritual espiritual deveria se ater ao Espírito e não à matéria.

A maioria de vocês podem até me achar chata, mal-humorada, ranzinza.  Podem pensar "Puxa, mas o fogos de artifício são lindos, impossível ela não os admirar!" Até posso achá-los lindos (aliás fomos levados a achá-los "lindos" pela cultura). Acho o céu estrelado muito mais lindo.  Quando, no silêncio da noite, olho para o céu e reflito como a natureza e o próprio planeta Terra são espetaculares. Entendo que no silêncio todos temos possiblidade de estarmos à sós conosco mesmos, com nosso deus interior e a meditação acontece naturalmente.  Também entendo que para a maioria das pessoas estar a sós consigo próprias significa enfrentar problemas internos, pensar em possíveis situações drásticas do dia-a-dia, principalmente para aqueles que têm baixa auto estima.

Amo o Planeta Azul com suas belezas naturais e o Brasil com suas matas verdejantes, seus maravilhosos pássaros coloridos, suas praias e montanhas únicas - e, por isso, às vezes reluto se pretendo reencarnar em outro planeta ou se volto para cá.  E aí me pergunto: teremos, nós terráqueos, ainda, um planeta para retornar?

Boa semana!

 

sábado, 10 de janeiro de 2026

BUROCRACIA

Caros leitores,

Esta semana eu estava pensando nas muitas coisas que precisamos realizar no dia-a-dia que atrapalham a nossa evolução - é muito difícil pensar em espiritualidade quando temos tantas coisas materiais a realizar, a nos preocupar.

Quando penso nas ditas "teorias da conspiração" até cogito em crer que tudo com o que temos que nos preocupar diariamente é um "plano" de "não sei quem" para que nós não crescêssemos.

Vamos raciocinar juntos.  Quando nos tornamos adultos ou até bem antes disso, nossa maior preocupação é trabalhar (bom, pensando bem, nem todos...) não só para ganharmos dinheiro, mas também para existirmos como seres humanos (afinal de contas, é a "lei" do planeta).

OK. Eu explico.  Aqueles que não precisam trabalhar para ganhar seu sustento, precisam cuidar de si próprios; por exemplo, precisam cuidar da higiene de casa, do corpo e isso leva tempo.

O título desse texto "Burocracia" foi colocado pensando em como perdemos um tempo precioso em resolver assuntos burocráticos.

"Burocracia" no dicionário Aurélio, originalmente é "Administração da coisa pública por funcionários (de ministério, secretaria, repartição, etc.) sujeitos a hierarquia e regulamentos rígidos, e a uma rotina inflexível". Mas também quer dizer "Compilação ou morosidade no desempenho do serviço administrativo."

Somente com essas duas definições já compreendemos onde somos escravizados.  Em realidade, praticamente TODOS nós o somos - tanto as pessoas que não trabalham no serviço público (como eu, pobre mortal...) como também aqueles que o fazem. Há uma obediência cega a qual todos se submetem e nem percebem - acham tudo muito natural e acreditam não ter saída.

Vocês já perceberam que a cada dia que passa ficamos mais enrodilhados nessa armadilha?

Vou tentar trazer alguns exemplos.

A internet, o celular que vieram a nos dar liberdade e mais tempo para realizarmos aquilo que queremos, trouxe o oposto - ficamos muito tempo ao celular não somente por causa da ditas redes sociais, mas também para marcarmos consultas médicas, agendarmos compromissos de trabalho, enviarmos documentos necessários para uma infinidade de atividades que "precisamos" (tipo formulários para renovação disso ou aquilo), comprarmos, vendermos qualquer coisa e quando vemos nosso dia se encheu de muitas coisas que se dizem importantes mas "comem" o nosso tempo.

Não há como escapar, principalmente no meio das grandes cidades.  No campo ou até à beira mar a coisa parece mais leve, mas os tais afazeres diários permanecem.

O texto não está sendo muito fácil de redigir, porque a ideia central - "como obter mais tempo para evoluir e se espiritualizar" - fica "dançando" em minha mente e está difícil de colocar no papel.

Para mim a palavra burocracia diz tudo = inutilidade, perda de tempo, chateação, obstáculos a transpor, dificuldade para chegar a um final e mais que tudo, irritabilidade.

Já mencionei que tudo parece não ter saída e creio ser assim mesmo.

Viajar para outro país somente para conhecê-lo, para turismo é um tormento - a começar pela compra das passagens.  De ônibus ainda não é tão desgastante - mas como ir de ônibus daqui do Brasil até o Reino Unido? Viajar de avião é um suplício - não só pela tal burocracia, mas também pelas pessoas que viajam com você.  O desconforto da cabine (a da primeira classe nem é tão maravilhosa assim) é tal que a irritação e o mau humor é fácil de aparecer em certos indivíduos.  A cada dia que passa criam-se mais regras "inacreditáveis" - acho que essa é a melhor palavra quando nos deparamos com uma delas. Viajar pela internet nos canais de turismo ficou mais fácil mas não há a emoção e o real aprendizado de estar com outras pessoas!

Infelizmente, como amo viajar, devo me submeter a tais regras cada vez mais infantis...

E então, pessoal, o texto está estranho, ruim, mas deu para refletir sobre a nossa perda de tempo diária, realizando atividades impostas por outros dizendo que elas são necessárias? Será que são mesmo?

Boa semana!

Errata: No texto anterior "Santuário", a última foto postada não é de J. Tucón, é uma foto minha, nada profissional como as outras duas, de um fotógrafo.  Embora não seja dele, ela foi tirada no mesmo local que as outras duas fotos.  


sábado, 3 de janeiro de 2026

SANTUÁRIO

 Olá leitores amigos,

O texto de hoje é de autoria de J.Tucón.

No artigo anterior do blog falou-se sobre um jardim.  Trata-se do jardim da casa onde moro.  Neste texto, gostaria de fazer algumas considerações a respeito de uma pequena reserva florestal onde frequentemente caminho e fotografo.

Trata-se da floresta do Museu de História Natural do Capão da Imbuia, em Curitiba.

Floresta é Santuário.

Ao se entrar num santuário a atitude deve ser de silêncio e reverência para que o Espírito da Natureza se manifeste. Não faz sentido algum levar grupos de crianças agitadas a pretexto de lhes proporcionar "educação ambiental". Há que se impor o silêncio e a reverência diante do sagrado da Natureza.  

Ora é o som distante de um pica-pau a bicar a casca de uma árvore.

Quando menos se espera, uma saracura começa seu canto bem alto.

Às vezes, depois de um silêncio sepulcral, uma araponga martela o vazio acompanhada do roer de uma cutia num pinhão.

Não há compasso, não há ritmo, não há "música"; tudo é aleatório, mas é algo imensamente libertador para a mente e para o espírito. Lembra as composições de John Cage, a meu ver o maior compositor erudito do século XX.

Tive a satisfação, há anos atrás, aqui em Curitiba, de estar num concerto de suas músicas, só com dois pianos.  Longos silêncios cortados por acordes dissonantes, inesperados e aparentemente sem relação entre si.

Cage encontraria o seu ápice na peça "4 minutos e 33 segundos de silêncio", onde o intérprete permanece por esse tempo com as mãos suspensas sobre o piano.  Decorrido esse tempo, simplesmente fecha a tampa.

Ah, mas eu paguei o ingresso... E daí?

E daí? Levaram o pimpolho até a reserva florestal e o obrigaram a ficar em silêncio, talvez por mais de 4 minutos e 33 segundos...  Não o deixaram pular, gritar, correr...

E se fosse numa catedral, ele iria pular, correr e gritar?

Boa semana!


Fotos: "Bosque da Imbuia" Architecture of Nature/J.Tucon


J.Tucón

Fotógrafo da Natureza há mais de 10 anos. Colunista de Fotografia no Jornal online Central Sul de Notícias. Fotos em exibição virtual na Galeria Saatchi Art (Londres) - saatchiart.com/jtucon









"EU TENHO UM SONHO..."

Olá leitores, Os meus sonhos não são tão grandiosos quanto o sonho de Martin Luther King em seu discurso. Os meus sonhos são voltados ao meu...