sábado, 28 de fevereiro de 2026

ARQUÉTIPO

Caros leitores,

"Arquétipo" se origina do grego e quer dizer "o que é impresso desde o início".  Na Antiguidade, Platão fez uso do termo pra significar o "mundo das ideias" ou as "formas imateriais".  Jung o empregou em sua Psicologia Analítica como "elementos primordiais e estruturais da psique humana". "Arquétipos são sistemas de prontidão para a ação e, ao mesmo tempo, imagens e emoções.  São herdados junto com a estrutura cerebral - constituem, de fato, o seu aspecto psíquico.  Representam, de um lado, um poderoso conservadorismo instintivo e são, por outro lado, os meios mais eficazes que se pode imaginar de adaptação instintiva.  Não se trata de ideias herdadas, mas da possibilidade herdada das ideias.  Não são aquisições individuais, mas, em geral, são comuns a todos os seres humanos, como se depreende de (sua) ocorrência universal." (Léxico Junguiano, Daryl Sharp, 1991).

Essas imagens primordiais estão profundamente gravadas no Inconsciente Coletivo de toda a humanidade.  Hammed define os arquétipos como "condutores ou orientadores do comportamento e das atividades humanas."  Para Luiz Paulo Grinberg, um analista junguiano, "o mundo dos arquétipos é o mundo invisível dos espíritos, deuses, demônios, vampiros, duendes, heróis, assassinos e todos os personagens das épocas passadas da humanidade sobre os quais foi depositada forte carga de afetividade." (Jung, o Homem Criativo, 1997).

"Arquétipo" no Dic. Aurélio: 1. Modelo de seres criados; 2. Padrão, exemplar, modelo protótipo.

Os arquétipos se estabelecem no inconsciente e só aparecem no consciente através de representações, sonhos ou figuras.  Aparecem em nível coletivo, simbolicamente na literatura, nas artes e nos mitos de todos os povos.

A expressão Inconsciente Coletivo criada por Jung "contém toda a herança espiritual da evolução da humanidade, nascida novamente na estrutura cerebral de cada indivíduo."

Jung descobriu e classificou alguns arquétipos tais como o arquétipo da Grande Mãe, do Velho Sábio, do Herói.  Carol S. Pearson, uma analista junguiana classificou outros: arquétipo do Inocente, do Órfão, do Mago, do Nômade, do Guerreiro e do Mártir.

Agora que já compreendemos razoavelmente o que é um arquétipo, analisaremos nesse texto, como exemplo, o arquétipo do "Herói". Ele é facilmente encontrado nos livros, nas poesias, nos dramas, em histórias sagradas das mais antigas mitologias ou lendas.

Quando uma pessoa se espelha no "arquétipo do herói", ela também possui dentro dela o outro lado da moeda - o "arquétipo do Mártir".  Esses tipos de pessoa vivem constantemente estressadas - estão sempre em posição de defesa, armadas, prontas para lutar - ao caminhar a fronte é projetada de forma imponente e o corpo inclinado para a frente.  São perfeccionistas, não só exigindo de si mesmas a perfeição, mas também de todos à sua volta.  Inconscientemente acreditam serem super-homens e não pessoas normais.

Em realidade, muitas vezes, o mundo que nos rodeia exige que esse arquétipo exista.  Muitos de nós exigimos perfeição do mundo, esquecendo-se de que nós mesmos não o somos.  Acredito que somente aquele que se conhece integralmente poderia exigir de si tal intento, mas há de se perguntar: quem de nós se conhece integralmente?

Hammed nos explica que "A criatura que vive de modo intenso numa estrutura mental de "herói" irá gerar, consequentemente, uma estrutura oposta - o culto à dor e ao martírio.  Essas estruturas se interagem.  Ora a personalidade está numa crise de heroica bravura", ora na crise de "sofredora impotente".  Como ela não é perfeita, cada vez que erra se auto flagela caindo no arquétipo da mártir.  Então para fazer, vamos dizer, um "acordo" com a vida para convencer a si mesma que está "progredindo" ou indo para o "caminho da perfeição", ela se priva das alegrias da vida, cultua o sofrimento, não cuida de si mesma, sendo negligente muitas vezes com seu corpo, é austera e rígida consigo mesma.  Por um lado ela é uma heroína, lutando contra tudo e contra todos a favor do que ela considera certo, correto e por outro lado se violenta, não vivendo sua vida naturalmente, fazendo-se de mártir/vítima de uma causa que ela considera a "causa primordial do universo."

Hammed nos lembra de que "Os seres humanos são pluridimensionais, guardando no reino interior características comuns a todos, representadas pelos subprodutos do conjunto dos "arquétipos" presentes em sua estrutura psíquica". Então, quando estamos exercitando nosso autoconhecimento, estamos também entrando em contato com arquétipos pessoais e/ou universais e nesse contato poderemos modificá-los de acordo com nosso interesse pessoal.

O papel de vítima costuma ser usado, muitas vezes, para aparentar uma grandeza que, em realidade, não existe.  A pessoa com a "síndrome de vítima" crê que precisa agradar a Deus, acreditando que em sendo dessa maneira ela irá adquirir a salvação eterna.

Igualmente, ao interagirmos com uma criatura assim, não a condenemos - muitas vezes ela não sabe que faz esse "jogo", pois para ela esse é um mecanismo de defesa para ocultar sua não aceitação de sua personalidade normal, que erra vez ou outra, mas que também acerta outras vezes - em suma, ela não aceita a natureza de si e dos outros.

Em resumo: quem não se aceita como é, tem dificuldade em aceitar os outros.

Você conhece algum outro arquétipo?

Boa reflexão!


 

sábado, 21 de fevereiro de 2026

2026 - UM ANO 1

Olá leitores,

O ano de 2026, de acordo com a numerologia, é o ano 1 (2+0+2+6=10=1+0=1). Obviamente já tivemos muitos "anos 1" - mas este parece ser especial.  Muitas coisas "estranhas", "bizarras", "boas", "não tão boas" têm acontecido. Para a numerologia é um ano de inícios, de novos empreendimentos em várias áreas, assim como o ano de 2025 foi um ano de términos de processos, foi o ano 9. O ano 1 se refere ao planeta Terra, pois cada indivíduo tem seu número de cada ano de acordo com sua dia de nascimento.

Minha atenção e olhar atentos captaram fatos inusitados uns e outros nem tanto porque já eram de meu conhecimento há um bom tempo - tentarei trazê-los à baila para que vocês chequem se também se deram conta da realidade e veracidade deles.

O primeiro fato que me chamou a atenção foi a patinação artística desses jogos de inverno.  Como fui patinadora nas décadas de setenta e oitenta do século XX, posso avaliar com conhecimento de causa, por assim dizer.  Houve uma evolução estrondosa de lá para cá e hoje vejo essa atividade não como esporte, pois em realidade, na minha opinião não o é - vejo como arte, assim como o nome diz - patinação artística - foram apresentações belíssimas onde os trajes e as músicas complementaram a performance dos patinadores.  Inclusive um salto "mortal" (Backflip) que antes era proibido (pelo que entendi, foi proibido por 50 anos) pela sua periculosidade e hoje foi aceito e aprovado.  Também houveram saltos de 4 voltas e meia, os quais, na minha mocidade só conseguiam ser realizados os de 3 voltas e meia.  O corpo humano é realmente uma máquina extraordinária.

Por falar na capacidade do corpo humano se auto regenerar através da descoberta de novas técnicas, aponto para a técnica de "regeneração facial" descoberta por Aline Senatore, através do estudo dessa técnica do povo asiático.  Ela ensina a auto ginástica facial usando apenas os dedos para suavizar linhas de expressão e trazer uma fisionomia mais juvenil para o rosto de qualquer pessoa, de qualquer idade.  Obviamente o método não é perfeito. Ela vende o peixe dela, mas para cada pessoa o resultado é diferente.  Como é um tratamento natural sem cirurgias invasivas ou cremes e remédios, dependendo da consistência de cada pele e até da vida do dia-a-dia de cada pessoa, o resultado é diferente.  Na internet há reclamações sobre pessoas que compraram o curso e o resultado foi aquém do esperado.  

Nesse quesito faço comparação com o curso que fiz de Radiestesia Terapêutica - ele é difícil de absorver, há muito o que aprender, aliás é um eterno aprendizado - exige muita disciplina (felizmente, coisa que tenho de sobra) e já tive resultados positivos em sua aplicação.  Em relação ao tratamento de rejuvenescimento facial com os dedos, os poucos exercícios que realizei me senti bem.  Mas é como eu disse, cada pessoa, cada personalidade, cada corpo, cada vida é diferente.  Não como açúcar, não como glúten, faço ioga, não tenho carro e por isso ando muito; tenho pouco estresse no meu dia-a-dia - isso faz a diferença para a pele, creio eu.

Isso me leva para o próximo tópico.  Vi um vídeo de uma argentina de 100 anos que trabalha ativamente à frente de uma companhia de caminhoneiros - ela é a dona da empresa. Ela vai dirigindo seu carro até a empresa todos os dias.  Na entrevista, ela disse que nem se sentia com 100 anos, pois leva uma vida normal - trabalha, sai com amigas, sai com a filha... e o mais importante: questionada sobre remédios e médicos, disse que não ia a nenhum médico mas que a cada 3 anos fazia uma exame de sangue para checagem.

O próximo assunto a sobre a brasileira pesquisadora que conseguiu descobrir uma proteína que faz com que tetraplégicos e paraplégicos voltem a andar normalmente.  Dra. Tatiana Coelho de Sampaio - professora de biologia da Matriz Extra Celular da UFRJ. Ela desenvolveu a polilaminina - uma forma polimerizada da proteína laminina que ajuda na regeneração celular estimulando o crescimento das fibras nervosas e favorecendo a reorganização do tecido lesionado.  Onde há disciplina, vontade, dedicação há resultado.  Ela me fez ver que tudo é possível quando se quer ajudar a humanidade a evoluir.

Há uma outra pessoa conhecida na internet por "Camilazen" - Camila Zerbieli que ensina uma técnica de meditação e ioga restaurativa.  Essa técnica de ioga que ajuda nas dores do corpo foi trazida da China quando ela morava lá.  É uma técnica para treinar o "músculo da alma"  com é conhecido o músculo PSOAS - músculo profundo que se origina na coluna lombar e se insere no fêmur, o osso da coxa - ele influencia na respiração, na postura e no bem estar mental.  Mais uma técnica sem aditivos médicos...

O último tema que me chamou a atenção são várias pessoas na internet oferecendo aprendizado de inglês em 8 semanas.  Fui professora de inglês e sei que isso é possível. Enquanto ministrava aulas particulares de inglês, consegui realizar a façanha de 3 alunos aprenderem em 1 ano.  Na realidade a façanha foi deles... Eles faziam aulas 2 vezes por semana.  Entendo que você fazendo aulas todos os dias com exercícios todos os dias mais vídeos na internet, é possível sim aprender em 8 semanas.  Novamente aqui a disciplina, a vontade e a dedicação de conseguir.  O brasileiro foi manipulado a temer esse idioma - é um dos idiomas mais fáceis de aprender - os idiomas latinos, tais como o francês, espanhol e português são mais difíceis.  E, quando não se estuda ou se sabe/conhece a gramática de seu próprio idioma é mais difícil de aprender um idioma estrangeiro.

Todos esses fatos me vieram à cabeça quando pensei no ano 1 da Terra. Sem contar toda a podridão do Caso Epstein, o qual já conhecia desde 2020 - agora ele veio à tona, no ano 1.

Há limpeza de coisas ruins e aparecimento de coisas boas.  Creio que ambas as coisas ainda acontecerão até o fim desde ano.  Aguardemos! (O próximo ano 1 é 2035).

Boa semana!

  

sábado, 14 de fevereiro de 2026

AUTOCONHECIMENTO

Caros leitores,

A fim de buscarmos auto conhecermo-nos devemos estudar as características de nossa personalidade - devemos analisar virtudes e defeitos.  Com base nessa análise devemos listar as mudanças que devem ser realizadas para estarmos em paz conosco mesmos e com o mundo que nos cerca.

O verbo "dever" foi usado sem parcimônia no parágrafo acima - pode parecer uma imposição muito dura, mas creio ser de bom alvitre que obedeçamos a essas etapas se quisermos caminhar com mais leveza e liberdade - nesse quesito entendo que o amor é a meta final.

Mas, o que é o amor? Não existe palavra mais falada no planeta e ao mesmo tempo é um sentimento praticamente desconhecido de todos.  Talvez ele seja tão falado justamente para começarmos a entendê-lo, exercitá-lo e ensiná-lo aos outros. 

Joanna de Ângelis, em seu livro "Jesus e Atualidade", no capítulo "Jesus e Amor", afirma que Jesus "elegeu o amor como a solução para todos os questionamentos..." No exercício desse amor, "Sua vida se desenvolveu num plano de integração profunda com a consciência divina, conservando sua individualidade em perfeito equilíbrio psicofísico." Por causa disso, "transmitia confiança, porque possuía um caráter transparente e nunca se submetia às imposições vigentes da épóca tais como : suborno das consciências, o conservadorismo hipócrita, a legislação arbitrária, a preocupação formalística com a aparência em detrimento dos valores legítimos do indivíduo." O mestre insurgia-se contra a injustiça, mesmo quando todos atribuíam legalidade ao crime.  Trazia em si a paciência, a serenidade, a jovialidade em momentos de grande emotividade.  "Elegeu o perdão irrestrito como terapêutica eficaz para todas as enfermidades.  Em momento algum se submeteu às conveniências perniciosas de raça, ideologia, partido e religião, em detrimento do amor indistinto quanto amplo a todos que O cercavam ou O encontravam."

Entretanto o que o amor tem a ver com o autoconhecimento? Tudo.  Jesus estava sempre ligado com o Pai e nossa primeira atitude deveria ser esta - buscar a centelha divina que habita em nós, principalmente nos momentos de dúvida, de grandes decisões a serem tomadas, para nos tornarmos como dizia Paulo de Tarso, "um com o Pai." Depois disso observarmos nossa vida, nossas atitudes, "ouvir a voz interior" para realizarmos aquilo que está de acordo com os ensinamentos do Mestre, realizarmos o que é bom para nós, para nosso semelhante, para nossa sociedade, para o planeta.  Feito isso, o caminho "automaticamente" se abre para o autoconhecimento.  A partir deste momento temos a possibilidade de exercitar o autojulgamento, ou seja, começamos a nossa trajetória em direção à sabedoria - sabermos julgar a nós mesmos para nos conhecermos melhor e podermos realizar em nosso mundo as mudanças necessárias para vivermos bem.

Uma característica quase impeditiva para nosso autojulgamento e posterior autoconhecimento é o controle. Já foi dito num texto anterior de como ele é pernicioso para nossas vidas.  Óbvio que ele é necessário no nosso dia-a-dia, principalmente quando não nos conhecemos, mas achar que podemos controlar tudo e todos é irreal.

Novamente recorramos à figura do Mestre.  Ele não tinha controle do que o cercava, do livre arbítrio dos homens daquela época - mas Ele tinha o controle de Sua vida, de Suas atitudes, de Sua pessoa.  Em verdade, não que Ele tivesse necessariamente controle de si - Ele era o que era, ou melhor, Ele é o que é porque realizou o autoconhecimento pleno; Ele também, em outros tempos, em outros mundos, percorreu o caminho que estamos percorrendo agora.

Ao invés de tentarmos controlar tudo e todos, aprendamos a julgar a nós mesmos, "avaliando e percebendo com lucidez a vida fora e dentro de nós."

Autoconhecer-se então é considerar ao máximo nosso mundo íntimo: do que gostamos, do que não gostamos, do que sentimos em situações de perigo, do que percebemos em nós mesmos em família, no grupo social, com nosso cônjuge, com os amigos: o que sentimos quando temos que tomar uma decisão importante, como nos percebemos nos diferentes papéis que representamos no nosso cotidiano.

Não podemos fugir da realidade, desconsiderando nossa vida íntima - ela é o nosso farol que indica o rumo a tomar para encontrar o porto seguro.

Para finalizar, gostaria de frisar que o autoconhecimento e o autojulgamento são facetas de uma mesma moeda - quando nos julgamos estamos em contato com nossas fraquezas e nossas virtudes, pois elas fazem parte da vida de todos nós. 

Paulo de Tarso, em sua carta aos Gálatas, 6:3 disse: "Se alguém pensa ser alguma coisa, não sendo nada, engana a si mesmo.  Cada um examine a sua própria conduta, e então terá o que se gloriar por si só e não por referência ao outro."

Atualmente, observo que muitas pessoas se espelham nos outros para buscar seu próprio caminho.  Nada contra buscar ideias, comportamentos, atitudes fora de si mesmo para realizar seu autoconhecimento - entretanto o ideal é olhar para dentro, para seu íntimo e assim realizar mudanças genuínas de acordo com sua própria personalidade.

Boa reflexão!




 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

NOSSO PLANETA E NOSSA ORIGEM DIVINA

Olá leitores,

A Terra (nosso lar) é um grande complexo ecológico - donde Ecologia é formada pelas palavras gregas óikos (casa) e logos (ciência). Seus diversos sistemas físicos e biológicos, os quais se auto organizam e se auto reproduzem, não existem separados uns dos outros, ao contrário, se reúnem em unidades cada vez maiores e mais complexas, formando ao final, uma unidade global de existência no planeta.

Considerando esse ponto de vista, podemos comparar o planeta Terra a uma teia ou um sistema todo interligado, onde cada indivíduo tem um papel específico, criativo a desempenhar em sua caminhada de vida.  E, para que este indivíduo possa alcançar o seu objetivo maior ele deve perceber sua relação íntima com a Natureza - ele deve perceber que ele é, como diz Hammed, "somente uma porção dessa grande sinfonia da evolução da vida, e que nascer, sobreviver, desenvolver-se, crescer, criar, viver e morrer são partes de uma única movimentação inseparável e coesa."

Todos somos parte do Todo Maior e tudo e todos progredimos incessantemente - tudo obedece às leis divinas. Lembremo-nos de que essas leis são as diretrizes para que possamos caminhar com mais tranquilidade em direção de volta ao "lar" que existe dentro de cada um de nós. Se perscrutarmos nossa intimidade, podemos perceber que há dentro de nós uma "seta espiritual" que nos indica o rumo de volta à nossa "casa" interior.  E, nesse interior, há um anseio de sair dos domínios da obscuridade e da ignorância de nós mesmos e adentrar o mundo da sabedoria e da claridade.  Podemos dizer que nossa jornada espiritual parte das trevas em direção à luz.

A expansão de nossa consciência se dá através da aprendizagem obtida em nossas experiências diárias.  E, por vezes, acontece que ao vislumbrar a luz pela primeira vez, o Espírito pode, por se ver ofuscado pela luz da consciência, esquecer, quase que de imediato, de onde veio. Em realidade, pouco a pouco fomos sendo manipulados, direcionados a não olhar para dentro por forças ocultas difíceis de nomear - sempre quiseram nos mostrar que a luz vinha de fora, do plano externo.  Mas a centelha divina habita nosso interior - se encontra dentro de nós. Esquecemos então, que temos origem divina e que caminhamos em direção à ela.  Aí advém que muitos de nós temos que passar por situações conflitantes para retornar à direção certa.

Não se pode separar o Criador da Natureza e nem o Espírito do corpo.  Quando percebemos a Divindade dentro de nós, também temos a capacidade de percebê-la igualmente no exterior, nos processos cósmicos que deram origem à vida e dos quais nossas vidas dependem - física e espiritualmente.

A espiritualidade sabe que em todas as coisas viventes há uma parcela do divino, ao qual  Léon Denis sabiamente afirmou: "O psiquismo dorme na pedra, sonha na planta, agita-se no animal e desperta no homem."

As primeiras civilizações da Terra, os erroneamente chamados de primitivos, quando queremos dizer "atrasados", sabiam intuitivamente de nossa origem divina (por isso digo erroneamente).  Eles sabiam que rios, montanhas, florestas, mares, lagos, plantas, animais e o próprio homem são animados  pela mesma essência divina ( o fluido cósmico universal).  Eles viviam nesse mundo natural livremente.  Entretanto, infelizmente, junto com o progresso cresceu o materialismo, e com ele cresceu a inconsciência do mundo interior.  O progresso intelectual, material, tecnológico aumentou, mas o mundo espiritual e com este, o mundo interior foram negligenciados por muitos séculos. Ao recuperarmos o senso de identidade com a Natureza poderemos trazer ao nosso dia-a-dia a compreensão da harmonia que governa todo o Universo.  Poderemos unir o mundo instintivo e intuitivo dos homens primitivos  com a intelectualidade, a tecnologia e o bem estar material dos homens civilizados.  Sem contar que há também a necessidade de olhar para dentro de nós, auscultar nossos defeitos e potenciais de vida, nossa parte negativa e positiva, para podermos caminhar com mais acerto em direção ao "lar", deixando para trás emoções, sentimentos que nos obstaculizam a jornada e trazendo para fora nossa porção divina, colocando à serviço da nossa vida e da vida do outro, nossas melhores qualidades acreditando fielmente em Jesus, quando ele disse: "Vós sois deuses". É neste tipo de mundo que impera o equilíbrio.

Lembremo-nos de que em todas as épocas da humanidade houve médiuns inspirados, popularmente chamados de sensitivos.  Eles percebem o divino em todos os lugares.  Aquele que exercita a sensibilidade, pouco a pouco, percebe que a abertura desta traz "olhos sutis" que "veem", observam, sentem e exaltam a Natureza divina do Universo.

Na história tivemos inúmeros exemplos destes sensitivos notáveis.  Começo por Michelangelo e mais especificamente uma de suas mais belas obras - a estátua de Davi (hoje exposta na cidade de Florença na Itália). A história conta que ele se dirigiu, munido de cinzel e martelo, a um bloco de mármore de Carrara (cidade da Itália) para apará-lo.  Inspirado pelo Alto começou a dar forma à escultura.  Ele afirmava que estava apenas aparando, removendo o excesso de material daquele sólido bloco de pedra e daí libertando Davi, o qual se encontrava aprisionado dentro dele.  O "sexto sentido" de Michelangelo fê-lo revelar a beleza espiritual escondida na matéria, captar as "dimensões invisíveis do Universo".  Ele foi um dos inúmeros artistas que soube restituir as nossas relações interrompidas com a natureza.

Podemos citar outros exemplos, tais como Van Gogh que inspirado pelas vozes que o atormentavam e que ele não compreendia, pintou quadros que retratavam fielmente a luz que ele percebia ao seu redor, trazendo uma grande alegria e bem estar àqueles que os olhavam.

No campo da música não posso deixar de citar meu compositor predileto (que por coincidência nasci no mesmo dia que ele) - Mozart.  Aquele que ouve com atenção seu "Réquiem", principalmente o movimento da "Lacrimosa" (meu trecho favorito), não tem como não se enternecer e sentir-se perto dos deuses, tal é o envolvimento com a música.  Para mim essa obra é espiritualidade pura, é buscar o divino dentro de nós e conectarmo-nos quase que de imediato com a Natureza Divina.

Felizmente, no caminho da evolução da humanidade, tivemos muitos filósofos (Sócrates, Platão, Confúcio, Francis Bacon, André Comte-Sponville, este último autor do livro "Tratado das Grandes Virtudes"), artistas (os dois citados Michelangelo, Van Gogh, Leonardo da Vinci, Rafael), músicos (o citado Mozart, Andrea Bocelli, Wagner, Beethoven), cientistas (o casal Curie [físicos descobridores do elemento rádio e da radioatividade], Oswaldo Cruz [descobridor da vacina da febre amarela], Einstein, Vital Brasil [descobridor do soro antiofídico], o microbiologista Louis Pasteur, aqui incluo os estudiosos do psiquismo humano (Freud, Jung, Kardec, William James, Augusto Cury, J. Herculano Pires, Hermínio Miranda), escritores (Dante, W. Shakespeare, Júlio Verne, Dostoiesvsky, Victor Hugo), religiosos (Gandhi, Madre Tereza de Calcutá, João Paulo II, Francisco de Assis, Chico Xavier, Jesus [Jesus está incluso nesta categoria, embora pertença a várias outras]. Também menciono outros impulsionadores do progresso material que também inspirados pelo Alto, trouxeram uma evolução social, esta baseada na realidade de que todos estamos interligados no mundo, os inventores (Santos Dumont e os Irmãos Wright, Watt [criador da máquina a vapor], Gutenberg, Daimler [inventor do carro], Leonardo da Vinci, Lumière, Nikola Tesla), os políticos influentes (Ronald Reagan, Gorbachev, Álvaro Uribe, Nelson Mandela, Margareth Thatcher, Winston Churchil) na área da tecnologia e física (Stephen Hawking, Hubble, Nikola Tesla). Podemos mencionar também outras personalidades influentes que trouxeram progresso inspirados pelo Plano Maior.  São eles, Oscar Niemeyer, irmãos Villas-Boas, Stephen Spielberg, George Lucas.

Todos esses personagens restituíram as relações humanas rompidas com a natureza. Talvez precisemos hoje também restituir nossas relações com a mãe natureza - ela tem sido negligenciada ao longo dos séculos - hoje cortam-se árvores, poluem-se os rios, mares e ares e todos eles são de origem divina como nós.  O Brasil que tem abundância de tudo isso, foi tão abandonado em sua natureza que, praticamente quase toda água dos rios e lagos está poluída. A água que consumimos deve ser constantemente filtrada, principalmente nas grandes cidades.  Acredito que lugares de grandes florestas e longe da civilização humana ainda há água em seu estado puro.

Nossa origem, a da raça humana, é divina e este planeta é um estágio de nossa evolução, o qual infelizmente, estamos prestes a destruir.

Boa semana! 


FORMAS-PENSAMENTOS

Olá leitores, Conforme fomos evoluindo como seres humanos no planeta Terra, nosso sistema de crenças também foi evoluindo e obviamente, foi ...