Caros leitores,
O título do texto de hoje me foi sugerido por um livro que folheei num sebo e achei interessante.
Atualmente vivemos num mundo surreal - muitas coisas bizarras têm acontecido e algumas vezes me pergunto se isto é a vida que temos que viver.
Nos tempos antigos a cura das enfermidades era realizada pelos sacerdotes, fazendo com que esse assunto fizesse parte da religião. Os doentes eram tratados através de rituais mágicos, cantos em santuários. Como a enfermidade era considerada como a cólera de Deus, os sacerdotes atuavam como intermediários, ou "pontes" entre Deus e os homens. Eles atuavam como "pontífices", isto é, "construtores de pontes" (do latim "pontifex", palavra que designa sacerdote). Por isso, no catolicismo confere-se o título de Sumo Pontífice ao Papa.
Se estamos do lado de cá da ponte, que tipo de sanidade podemos encontrar ao atravessá-la?
Muitos religiosos e espiritualistas têm fórmulas/protocolos prontos para serem usados que fazem com que possamos encontrar a sanidade necessária para viver no mundo sem stress, sem tristeza, sem preocupações, sem medo, sem depressão. Mas será que é isso mesmo? Só seguir o que eles pregam que teremos uma vida plena de paz?
Muitas sugestões são realmente muito boas e nos fazem bem, mas antes temos que fazer mudanças em nossa vida, em nosso cotidiano. Às vezes, essas mudanças são quase impossíveis. Por exemplo, atentemos para a prática da meditação - é extremamente importante para a sanidade mental e espiritual. Mas como realizá-la quando você mora num lugar barulhento, onde mesmo com fones/protetores de ouvido você ainda sente a vibração da "música bate-estaca" no seu diafragma? Claro, podemos nos deslocar para outro lugar para realizá-la. Aí já temos uma pequena complicação de rotina. Sem contar que há pessoas que não conseguem se concentrar nem em sua própria respiração por alguns minutos e então essa técnica/prática vai por água abaixo.
Entendo que onde há uma vontade há um caminho. A maioria das pessoas tem uma vontade débil e aí nenhuma mudança acontece.
Mas, afinal de contas, o que é a sanidade? Acredito que ela é diferente para cada indivíduo. E como hoje vejo um mundo insano, como liberar-me dele? A maioria das pessoas entra de cabeça nele para fazer parte da humanidade e nem sabe o que realmente quer da vida. Nós criaturas, servindo-nos de nossos sentidos, damos à existência um destino construtivo ou destrutivo. Nós é que decidimos que fim damos aos nossos recursos e possibilidades. Através do uso de nosso livre-arbítrio somos livres para escolher nossos atos e atitudes, mas somos prisioneiros de suas consequências.
No passado eu já fiz parte desse mundo e hoje considero-me uma "outlander" (como a série sugere). Às vezes entro nesse mundo surreal mas na maior parte do tempo me pergunto o que estou fazendo aqui. Atravessei a ponte e tento me adaptar à esse outro lado, o da sanidade. Desse lado da ponte os escândalos do mundo estão distantes, pertencem à outros seres, os quais muitas vezes, me pergunto se são humanos; desse lado a natureza (pássaros, animais, árvores, flores, plantas, rios, lagos, montanhas, mares, céu, estrelas) continua intacta. A sanidade desse lado da ponte me ajuda a respirar melhor, buscar vibrações energéticas positivas, alimentar-me de produtos naturais quase não tocados pela mão humana, encontrar amigos afins que também tentam se adaptar a esse lado da ponte.
Essa ponte deve ser atravessada, ao meu ver, com muita calma, raciocinando a cada passo e fazendo as perguntas: "Será que é isso que eu quero?" "Será que é bom atravessá-la ou é melhor ficar deste lado que já conheço?"
Você gostaria de atravessá-la?
Boa semana!