sábado, 28 de fevereiro de 2026

ARQUÉTIPO

Caros leitores,

"Arquétipo" se origina do grego e quer dizer "o que é impresso desde o início".  Na Antiguidade, Platão fez uso do termo pra significar o "mundo das ideias" ou as "formas imateriais".  Jung o empregou em sua Psicologia Analítica como "elementos primordiais e estruturais da psique humana". "Arquétipos são sistemas de prontidão para a ação e, ao mesmo tempo, imagens e emoções.  São herdados junto com a estrutura cerebral - constituem, de fato, o seu aspecto psíquico.  Representam, de um lado, um poderoso conservadorismo instintivo e são, por outro lado, os meios mais eficazes que se pode imaginar de adaptação instintiva.  Não se trata de ideias herdadas, mas da possibilidade herdada das ideias.  Não são aquisições individuais, mas, em geral, são comuns a todos os seres humanos, como se depreende de (sua) ocorrência universal." (Léxico Junguiano, Daryl Sharp, 1991).

Essas imagens primordiais estão profundamente gravadas no Inconsciente Coletivo de toda a humanidade.  Hammed define os arquétipos como "condutores ou orientadores do comportamento e das atividades humanas."  Para Luiz Paulo Grinberg, um analista junguiano, "o mundo dos arquétipos é o mundo invisível dos espíritos, deuses, demônios, vampiros, duendes, heróis, assassinos e todos os personagens das épocas passadas da humanidade sobre os quais foi depositada forte carga de afetividade." (Jung, o Homem Criativo, 1997).

"Arquétipo" no Dic. Aurélio: 1. Modelo de seres criados; 2. Padrão, exemplar, modelo protótipo.

Os arquétipos se estabelecem no inconsciente e só aparecem no consciente através de representações, sonhos ou figuras.  Aparecem em nível coletivo, simbolicamente na literatura, nas artes e nos mitos de todos os povos.

A expressão Inconsciente Coletivo criada por Jung "contém toda a herança espiritual da evolução da humanidade, nascida novamente na estrutura cerebral de cada indivíduo."

Jung descobriu e classificou alguns arquétipos tais como o arquétipo da Grande Mãe, do Velho Sábio, do Herói.  Carol S. Pearson, uma analista junguiana classificou outros: arquétipo do Inocente, do Órfão, do Mago, do Nômade, do Guerreiro e do Mártir.

Agora que já compreendemos razoavelmente o que é um arquétipo, analisaremos nesse texto, como exemplo, o arquétipo do "Herói". Ele é facilmente encontrado nos livros, nas poesias, nos dramas, em histórias sagradas das mais antigas mitologias ou lendas.

Quando uma pessoa se espelha no "arquétipo do herói", ela também possui dentro dela o outro lado da moeda - o "arquétipo do Mártir".  Esses tipos de pessoa vivem constantemente estressadas - estão sempre em posição de defesa, armadas, prontas para lutar - ao caminhar a fronte é projetada de forma imponente e o corpo inclinado para a frente.  São perfeccionistas, não só exigindo de si mesmas a perfeição, mas também de todos à sua volta.  Inconscientemente acreditam serem super-homens e não pessoas normais.

Em realidade, muitas vezes, o mundo que nos rodeia exige que esse arquétipo exista.  Muitos de nós exigimos perfeição do mundo, esquecendo-se de que nós mesmos não o somos.  Acredito que somente aquele que se conhece integralmente poderia exigir de si tal intento, mas há de se perguntar: quem de nós se conhece integralmente?

Hammed nos explica que "A criatura que vive de modo intenso numa estrutura mental de "herói" irá gerar, consequentemente, uma estrutura oposta - o culto à dor e ao martírio.  Essas estruturas se interagem.  Ora a personalidade está numa crise de heroica bravura", ora na crise de "sofredora impotente".  Como ela não é perfeita, cada vez que erra se auto flagela caindo no arquétipo da mártir.  Então para fazer, vamos dizer, um "acordo" com a vida para convencer a si mesma que está "progredindo" ou indo para o "caminho da perfeição", ela se priva das alegrias da vida, cultua o sofrimento, não cuida de si mesma, sendo negligente muitas vezes com seu corpo, é austera e rígida consigo mesma.  Por um lado ela é uma heroína, lutando contra tudo e contra todos a favor do que ela considera certo, correto e por outro lado se violenta, não vivendo sua vida naturalmente, fazendo-se de mártir/vítima de uma causa que ela considera a "causa primordial do universo."

Hammed nos lembra de que "Os seres humanos são pluridimensionais, guardando no reino interior características comuns a todos, representadas pelos subprodutos do conjunto dos "arquétipos" presentes em sua estrutura psíquica". Então, quando estamos exercitando nosso autoconhecimento, estamos também entrando em contato com arquétipos pessoais e/ou universais e nesse contato poderemos modificá-los de acordo com nosso interesse pessoal.

O papel de vítima costuma ser usado, muitas vezes, para aparentar uma grandeza que, em realidade, não existe.  A pessoa com a "síndrome de vítima" crê que precisa agradar a Deus, acreditando que em sendo dessa maneira ela irá adquirir a salvação eterna.

Igualmente, ao interagirmos com uma criatura assim, não a condenemos - muitas vezes ela não sabe que faz esse "jogo", pois para ela esse é um mecanismo de defesa para ocultar sua não aceitação de sua personalidade normal, que erra vez ou outra, mas que também acerta outras vezes - em suma, ela não aceita a natureza de si e dos outros.

Em resumo: quem não se aceita como é, tem dificuldade em aceitar os outros.

Você conhece algum outro arquétipo?

Boa reflexão!


 

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