terça-feira, 27 de outubro de 2020

NOSSO PLANETA, NOSSA MORADIA

Caros Amigos,

O documentário "Nosso Planeta" de David Attenborough da Netflix de 2020 chamou-me a atenção para algumas informações vitais, que nós, em nosso cotidiano, não nos damos conta de sua importância.  Muitas delas não são novas, mas a maneira como ele as editou foi muito impactante.

Primeiramente ele se apresenta (eu já o conhecia de outros documentários da BBC e livros) e diz a sua idade - 93 anos.  Fantástico! Uma pessoa estar ativa, dinâmica, trabalhando, trazendo conhecimento à humanidade, fazendo sua parte no cuidado com o Planeta, com essa idade.  Se eu viver até lá pretendo seguir seu exemplo.

Ele começa e termina o filme no mesmo local - nas ruínas da Usina Nuclear de Chernobyl na antiga União Soviética - transformaram-se em ruínas devido ao acidente de vazamento ocorrido em abril de 1986 - todos os 48 mil habitantes da região foram evacuados no dia seguinte ao ocorrido e o local se tornou uma "cidade fantasma".

Attenborough nos mostra e praticamente prova a importância dos animais e plantas, a natureza para a sobrevivência da raça humana.  Nós temos dado muita pouca atenção ao nosso ecossistema nas últimas décadas.

Em muitos momentos parecia estar vendo um filme de terror: incêndios florestais, desmatamentos, vazamentos de petróleo no mar, matança de animais e, principalmente como são criados os animais para nossa alimentação.  Quase não consegui ver até o fim e que bom que não o fiz, pois, felizmente, nos vinte minutos finais aproximadamente, há esperança no ar.  É como se David Attenborough estivesse dando sua última contribuição antes de se retirar da arena terrestre - assegurou-nos que se mudássemos alguns de nossos comportamentos, o planeta poderia voltar a respirar; o processo contínuo de destruição poderia ser contido.

Aqui transcrevo bem resumidamente suas idéias; como disse no início, não são novas, nós já as conhecemos - precisamos apenas colocá-las em prática.

Nós deveríamos trocar combustíveis fósseis por outros combustíveis naturais renováveis.

Combustíveis fósseis são combustíveis formados por meio de processos naturais, como a decomposição de organismos mortos soterrados.  Os combustíveis fósseis contém alta quantidade de carbono, usados para alimentar a combustão.  São usados como combustíveis o carvão mineral, gás natural e o petróleo.  São recursos naturais não renováveis.

Como exemplo temos a luz do sol - placas solares - eletricidade e/ou energia eólica - energia dos ventos.  Outros documentários também nos trazem a energia da água - movimento das ondas no oceano - energia marítima ou ondomotriz; ou das quedas d'água - hidrelétricas.  No quesito quedas d'água buscar a sustentabilidade: fazer uso das já existentes e não desviar cursos de rios para transformá-los em cascatas (sic!). (Num outro texto futuro falarei mais da água especificamente, pois muitas áreas de terra são inundadas para serem transformadas em reservatórios).

De acordo com Attenborough e com estudos sobre combustíveis fósseis, principalmente o petróleo, acabarão em 2050.  Temos apenas 30 anos para reverter esse processo.

Nós poderíamos e deveríamos mudar nossa dieta alimentar: diminuir ou parar de ingerir carne; começar a ingerir mais frutas e vegetais.  O grande desmatamento global das florestas se dá principalmente , para aumentar as áreas para a criação de gado bovino e ovino.  Suínos e aves são criados em espaços confinados.  O livro "Homo Sapiens" de Yuval Noah Harari traz uma descrição completa de como são tratados esses animais.  Depois de ler esse livro fica fácil mudar a dieta alimentar.

Vegetais e frutas podem ser cultivados em pequenos espaços ou em estufas.  Fiquei sabendo que a Holanda é o segundo maior exportador de hortaliças do mundo.  Onde há uma vontade de pensar grande, há evolução - a Holanda é um país pequeno - 41.543 km² de área, 17,28 milhões de habitantes - dados de 2019 - com mais água que terra e eles produzem tudo em estufas urbanas.  Nós, humanos, nos acostumamos a comer carne desde os tempos das cavernas - hoje, o planeta não comporta tantos carnívoros - temos outros alimentos que podem fornecer nutrientes necessários para nossa existência.  Há que se organizar para encontrar novas formas de alimentação.

Para que a Terra volte a ser um bom lugar para se viver, muitas áreas precisam ser preservadas e outras devem ser restauradas.  O ser humano precisa dos animais selvagens pois ele renovam o planeta nascendo, vivendo, morrendo (se decompondo e adubando o solo), polinizando as plantas, as flores; se permitirmos suas vidas livres, estaremos contribuindo para que todos nós possamos viver bem, com saúde, com boa qualidade de vida - substituímos o animal selvagem pelo animal domesticado - este último não contribui para a restauração do planeta.

Ao final do documentário, como comentei, ele nos mostra que hoje, depois de 34 anos, a região onde ficava a Usina de Chernobyl está verdejante, com muitas árvores  e que os animais selvagens (coelhos, gamos, raposas, pássaros) estão voltando a habitar aquele local.

Todos nós, habitantes do Planeta Terra - animais, plantas, minerais e humanos poderíamos viver harmoniosamente e para tanto, nós, os racionais necessitamos, com uma certa urgência, modificar alguns de nossos hábitos para conter o aquecimento global, um dos requisitos para a extinção da vida aqui - toda vida na Terra é imprescindível e tem um papel importante no Ciclo da Vida.

Nós temos que trabalhar a favor da natureza e não contra ela.

Qual a sua contribuição na restauração da vida no Nosso Planeta?

Até a próxima semana. 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

COMO ALGUNS HÁBITOS DO DIA-A-DIA LEVAM À VIOLÊNCIA SOCIAL

O texto de hoje é baseado numa fala do TED (TED talk).  TED em inglês quer dizer, Technology, Entertainment, Design); é uma organização americana que posta pequenas conferências no YouTube de quinze minutos em média sobre os assuntos mencionados - Tecnologia, Entretenimento, Design.  O slogan do TED é "Ideias que valem a pena serem espalhadas" (na linguagem de hoje, a melhor palavra seria "compartilhadas").

Este é meu novo hábito - assistir essas pequenas palestras.  Nem todas tem legendas em português - algumas têm legendas em espanhol ou inglês. Os assuntos são bem interessantes e elas ocorrem em várias partes do mundo, inclusive no Brasil - já assisti um TED talk de Bruna Lombardi (atriz) e outro da Dra. Ana Cláudia Quintana Arantes (médica que trabalha com cuidados paliativos).

Assim, o TED talk de hoje é de março de 2020, de Christiane-Marie Abu Sarah de Dallas, Texas, EUA e o título é "How do  daily habits lead to political violence" ("Como os hábitos do dia-a-dia levam à violência política").

Ela é uma historiadora comportamental que estuda a agressão, a tomada de decisões que leva à agressão e o entendimento da moral envolvida. 

Ela nasceu em Idaho, EUA, onde, quando jovem, presenciava reuniões anuais de grupos neonazistas que ocorriam na sua cidade sob protestos da população local. Nessa época não entendia o nazismo.

Antes de se formar na faculdade, mudou-se para Nova York para estudar em agosto de 2001.  Quando o atentado de setembro de 2001 ocorreu, ela quis entender porque os árabes odiavam os EUA e então para iniciar seu entendimento, resolveu aprender árabe.  Depois conseguiu uma bolsa de estudos em Israel e lá se formou em história.

Com essa formação, foi fácil fuçar nos arquivos das bibliotecas na tentativa de encontrar a resposta do porquê dos ataques violentos no mundo.  Esteve em contato com pessoas e documentos de outras culturas (Iraque, Irã, Bálcãs, Cuba, por exemplo).  Concluiu com suas pesquisas , estudos e convivências que os ataques são atos de imitação. Assim, a pergunta a ser feita não é porquê, mas como, como a tomada de decisões leva a um comportamento violento, pois toda ação tem um contexto.

Seus estudos indicaram que a violência política não é endêmica (peculiar a determinada população ou região) - ela é criada.  Nossos hábitos diários contribuem para a criação da violência política.  Ela enumerou alguns hábitos que levam a essa situação, especificamente no caso dos terroristas.  São eles:

1. Isolar-se, morar numa bolha de informações criadas por um determinado grupo que procura incitar a inimizade entre as pessoas e, por conseguinte, incitar a violência.  Ela lembra que todos nós tomamos decisões baseadas em informações - más informações levam a más decisões.  São as famosas fake news.  Pergunto a voces: alguém já viu fake news de boas ações? Reflitam.

2. Cultivar o pensamento "nós contra eles". Christiane traz o exemplo de dois times - o azul e o vermelho.  Quem é do time azul sente prazer quando algo de ruim acontece com o time vermelho e vice-versa.  Alguma semelhança com partidos políticos? E os times de futebol e suas torcidas?

3. Focar nas diferenças entre as pessoas.  Neste item é mostrado uma foto com duas mãos de raças diferentes (de uma pessoa negra e outra de uma pessoa caucasiana [branca]), juntamente com um alfinete - percebeu-se que quando o alfinete espetava uma das mãos, as pessoas de mesma raça que estavam assistindo o vídeo sentiam-se com mais dor e eram mais empáticas do que se espetassem a mão de outra raça diferente da dela. Esse vídeo era mostrado exatamente para frisar as diferenças - é como se não fôssemos todos humanos.

4. Valorizar a emoção da raiva como natural em todos.  Para estimular a raiva no grupo, enchia-se o ambiente com imagens de raiva por dias, meses e anos.

Christiane-Marie, ao estudar história e realizar essas pesquisas, concluiu que a violência política não é culturalmente endêmica; não é uma resposta automática, predeterminada aos estímulos do ambiente - é aprendizagem, é produzida por nós.

Assim, ao focarem a atenção nessas imagens, ao rodearem-se de pessoas violentas, fecharem-se numa bolha de informações violentas, estavam aprendendo novos hábitos - estavam aprendendo algo falso.

Somos seres humanos com culturas e hábitos diferentes, dependendo da região geográfica e  do clima em que vivemos.  Cada raça traz sua peculiaridade e quando nos movimentamos pelo planeta, seja viajando como turistas, visitando pessoas de outras regiões, nos mudando para outros países por trabalho ou por nossa conveniência, encontramos pessoas diferentes daquelas que habitam nossa terra natal.  Mas, apesar disso, somos todos humanos, temos a mesma cor de sangue e temos os mesmos órgãos fisiológicos internos.  A idéia é nos respeitarmos exatamente por todos sermos seres humanos.

Atentemos para o que assistimos na TV, lemos nos jornais, ouvimos das pessoas ao nosso redor.  Ao invés de aprendermos e darmos ênfase às diferenças, cultivemos as semelhanças.  Todos nós podemos aprender coisas diferentes diariamente e elas nos fazem evoluir, crescer.  Entendamos que aquele que sabe mais deve ensinar o que sabe menos.  Todos nós aprendemos algo novo todos os dias, mas também podemos ensinar algo novo para uma pessoa que ainda não sabe o que sabemos.

Ao falar do terrorismo e dos atos violentos, Christiane-Marie nos ajuda a refleltir sobre a nossa vida cotidiana.  Nossas escolhas do que vemos, do que lemos, do que conversamos também podem nos levar para atos violentos. Ela trouxe à baila a violência política, mas alguns de nossos hábitos também podem nos levar à violência social. 

 Podemos mudar nossa trajetória de vida; temos que parar de nos ver como membros da equipe vermelha ou da equipe azul - somos humanos. Nosso futuro depende de encontrarmos um lugar comum com o lado "oposto".  Aprendamos a fazer melhores escolhas para termos uma vida mais pacífica, mais criativa e mais que tudo, mais humana.

Hoje tenho mais de uma pergunta para nossa reflexão: Voce concorda que estamos em contato constante, seja pela mídia ou por filmes e livros com situações violentas? Se voce concorda, o que podemos fazer para mudar essa situação? E que outros hábitos do dia-a-dia podem estar contribuindo para a violência social?

Boa semana!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

UMA AMIZADE INUSITADA

 Caros amigos,

O texto de hoje traz uma reflexão sobre um documentário que assisti na Netflix.

"Professor Polvo" é a história de Craig Foster, um cineasta da África do Sul que produz documentários sobre ciência, natureza e ecologia.

No início do documentário ele narra que havia realizado seu último trabalho no continente africano, mais precisamente na Reserva Central do Kalahari.  Uma série sobre os nativos e de como eles analisam/estudam os rastros dos animais.  Assim, sabem que tipos de animais passaram por aquelas trilhas marcadas e onde se encontram.  Com essas informações, Craig e seu irmão (também cineasta) puderam tirar boas fotografias para o filme em questão.

Quando ele retorna ao seu lar, na África do Sul, ele se depara com uma crise existencial.  Percebe que sua vida estava um caos - começa a ter dificuldades com seu trabalho e sua família. Estava com pouca vontade de voltar a trabalhar, a filmar, o filho crescendo e ele sentindo-se um inútil, percebendo-se um péssimo exemplo para o filho.  Depressivo, cansado da pressão do mundo, ele volta-se para sua infância e suas lembranças.  Quando pequeno morava numa casa a beira mar, no famoso Cabo das Tormentas - um lugar com ondas gigantescas e mar bravio (razão do nome do nome do local) - se lembra de como gostava do mar e de seu contato diário com ele - ele, então começa a sentir saudades de nadar. Nesse momento, sentiu que tinha que fazer uma mudança radical para sair dessa situação.

Ele, então, busca inspiração na infância e no documentário sobre os rastreadores. Os rastreadores eram felizes, estavam em contato com a natureza.  Ele percebeu que os nativos viviam dentro do mundo natural deles e Craig vivia fora de seu mundo natural.  Como ele morava perto do litoral, decide entrar no mar.

No início foi difícil por causa da água fria (o Oceano Atlântico naquela região é muito frio). Para sentir-se completamente em contato com a natureza, com a vida marinha, ele só mergulhava com snorkel e nadadeiras; sem roupa de mergulho e sem o tanque de oxigênio. Queria sentir-se livre e natural.  Na água em contato com os peixes, o colorido das algas, ele sentia-se bem dentro daquele silêncio acolhedor.  Então, ele resolveu mergulhar todos os dias - dizia que o frio melhorava o cérebro - adaptou-se muito bem e acabou sentindo-se fazendo parte daquele meio ambiente marinho.

No documentário há tomadas maravilhosas de águas marinhas transparentes, algas coloridas, peixes exóticos - parecem seres de outro planeta.

Então começou a tirar fotos novamente - o que ele fazia bem, era seu trabalho.

Aí foi quando tudo começou.  Ele narra nesse seu documentário (praticamente autobiográfico) sua "amizade" com um polvo.

Não relatarei todas as suas aventuras com o polvo - mas, pouco a pouco, o polvo foi se acostumando com a presença de Craig e foi perdendo o medo de se aproximar dele - há uma cena em que ambos se tocam - muito comovente.

Craig mergulhava todos os dias, como já mencionei, e fez isso durante um ano.

Durante esse período, houve momentos difíceis (uma luta do polvo com um tubarão listrado, seu predador), o acasalamento do polvo (ficamos sabendo que é um polvo fêmea), a eclosão dos ovos e a morte após a desova (acontecimento "natural" no mundo dos polvos).

O documentário é extraordinário - muitas reflexões ocorreram para mim.

Um dos pontos interessantes é que o polvo é o camaleão do mar - disfarça-se com as conchas, embrulha-se com as algas, muda de cor para se mimetizar.  Isso me lembrou de que muitas vezes temos que nos modificar, nos adaptar para enfrentar certas situações - trocamos de roupa e até mudamos de humor, dependendo do lugar que estamos.

Nunca imaginei como seria ter um polvo como "amigo".

Não sabia também que polvos não fazem mal aos seres humanos.

Fiquei a imaginar como deve ser muito agradável estar imersa no oceano, com seres quase alienígenas, diferentes, sem medo, num silêncio profundo.

Craig nunca interferiu na ordem natural dos acontecimentos - apenas cativou e deixou-se cativar pelo polvo.  Não pediu nada em troca; apenas esteve lá todos os dias para visitar seu novo amigo.  Fico a pensar, quantos de nós não conseguimos conversar com o vizinho porque ou ele é estrangeiro, ou não tem os mesmos gostos que nós, ou tem uma vida ou profissão muito diferente da nossa.

Craig saiu de sua depressão e angústia porque encontrou um ser vivente diferente e que não pedia nada; apenas vivia dentro de sua realidade.  Entendo que o polvo agia por instinto (é o que os cientistas dizem), mas, com certeza havia lá uma certa inteligência, uma curiosidade, uma lealdade.

Entendi que Craig aprendeu com o professor polvo a levar uma vida mais natural, buscando na natureza uma resposta para as tarefas do dia-a-dia - sem pressa, sem ansiedade, sem prazos, sem controle obsessivo sobre o tempo e as pessoas.  Aprendeu a relaxar no mar.

Após ter visto esse documentário (foi candidato ao Emmy deste ano - com razão) senti-me mais calma, mais tranquila - sempre gostei de animais, desde pequena, mas uma amizade com um povo jamais me passou pela cabeça.

E você? Como encara a natureza e seus animais? Tem amizades inusitadas? Como encara pessoas diferentes de você? Já cativou ou foi cativado por algum animal?

Até a semana que vem.

 

 

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

MANTENHA-SE ERETO - COM OS OMBROS PARA TRÁS E AS COSTAS RETAS

Olá!

Hoje gostaria de escrever o primeiro de uma série de artigos sobre um livro de uma pessoa que considero muito especial, um influenciador dos hábitos e costumes de nossa época, um filósofo, psicólogo clínico, palestrante canadense, Jordan Peterson.  Soube de sua pessoa no blog de Rodrigo Constantino, colunista da Gazeta do Povo.  Em 2018, numa viagem à Escócia, adquiri seu livro "Doze Regras para a Vida" (hoje, já está traduzido para o português).

Em doze postagens não sequenciais, tentarei sumarizar cada regra,

Jordan Peterson é considerado polêmico em seu meio, politicamente visto  por alguns, de extrema direita.  Para mim é uma pessoa que fala o que pensa, fala aquilo que muitos não tem coragem de falar à respeito da vida (assim como eu) e assim, muitas pessoas sentem-se inspiradas e acolhidas porque alguém fala por elas.

Ele posta suas palestras e aulas num canal do YouTube, mas atualmente está afastado por problemas de saúde.

Dr. Norman Doidge, médico que prefaciou o livro, escreveu: "Sem regras nós, rapidamente, nos tornamos escravos de nossas paixões."

Então vamos à primeira regra, de acordo com Jordan Peterson.

"Mantenha-se ereto - com os ombros para trás e as costas retas".

Em realidade, apesar do enunciado, essa regra significa que devemos aceitar tudo o que a vida nos reservar com a cabeça erguida, confiantes que, se veio até nós, o problema, a benção, a dificuldade, a alegria, a glória, o que seja que nos apareça na vida, temos condições de enfrentar.  Em sua abertura do livro, Jordan Peterson nos ensina que devemos assumir a responsabilidade pelas nossas vidas.

Para incrementar seu discurso nessa primeira regra, Peterson faz uso de um estudo sobre o comportamento das lagostas.  Nesse estudo/pesquisa é observado que, na eminência de um acasalamento, uma certa lagosta macho, na presença de outras candidatas ao ato, esta pode levantar-se ereta, dando a impressão de ser maior, afugentando outras lagostas macho.  No experimento observou-se que ao ficar nessa posição ereta, havia um aumento no nível de serotonina dessa lagosta macho, ao passo que outras lagostas macho, as que foram afugentadas, o nível de serotonina não aumentava, ou seja, continuava no mesmo nível antes do confronto ou até diminuía o nível.

Em seres humanos, sabe-se que a serotonina é um hormônio que atua regulando o humor, sono, apetite, ritmo cardíaco, temperatura corporal, sensibilidade e funções intelectuais.  Quando se encontra numa baixa concentração, pode causar mau humor, dificuldade para dormir, ansiedade ou mesmo depressão.

Peterson explica: "Manter-se ereto, com os ombros para trás e com as costas retas é aceitar a terrível responsabilidade da vida, com os olhos abertos.  Isso significa decidir voluntariamente transformar o caos numa ordem razoável; significa aceitar o fardo da própria vulnerabilidade e aceitar o fim do paraíso inconsciente da infância, onde a finitude e a mortalidade não são compreendidas totalmente; significa aceitar voluntariamente os sacrifícios necessários para gerar uma realidade produtiva e significativa."

A ideia de Peterson, nessa sua primeira regra, é ajudar-nos a entender que assumir a responsabilidade por nossas escolhas nos torna mais fortes, mais confiantes, menos ansiosos, mais capazes e, com essa atitude, podemos até aumentar nosso nível de serotonina!

Ele termina: "Permita que sua luz brilhe e persiga o destino a que você tem direito.  Assim, o propósito de sua vida poderá ser capaz de afastar a influência deletéria do desânimo.  Então você será capaz de aceitar o peso do mundo e encontrar contentamento."

Uma boa reflexão que essa regra me trouxe foi a de que quando nos encontramos deprimidos e tristes estamos cabisbaixos, olhando para baixo, com as costas encurvadas.  Mas quando estamos bem, confiantes da vida, lutando pelo que acreditamos, nosso corpo fica ereto.  Assim, podemos fazer o caminho inverso - ao nos depararmos  com a tristeza e a desesperança, ergamos o corpo, endireitemos as costas e busquemos enfrentar nossas dificuldades e desafios com a cabeça elevada. Assim, quando ficamos numa posição ereta, saímos da posição de incerteza - conseguimos enxergar as situações da vida de frente, de uma maneira mais realista e prontos para enfrentar qualquer desafio.

Afinal de contas, ao elevarmos nossa cabeça entendamos que nossas melhores inspirações vêm do Alto.

"Mantenha-se ereto - com os ombros para trás e as costas retas".

E aí, como você enfrenta suas dificuldades?

Até a semana que vem.  

 

 

 

 

 

 

 

 

  


 

   

"EU TENHO UM SONHO..."

Olá leitores, Os meus sonhos não são tão grandiosos quanto o sonho de Martin Luther King em seu discurso. Os meus sonhos são voltados ao meu...