sábado, 5 de novembro de 2022

"O PROCESSO"

Caros leitores,

O livro do mês de nosso Clube de Leitura foi "O Processo" de Franz Kafka.  Há muito tempo atrás o único livro que li desse autor foi "A Metamorfose" do qual só me lembro da essência.

"O Processo" relata a história de Joseph K. que é considerado culpado de um crime no qual ele não conhece; há um processo correndo no tribunal, mas ele também não sabe em que pé está.  O livro foi escrito entre os anos de 1914 e 1915, mas só foi publicado postumamente em 1925.

Achei sua leitura fluida, mas senti muito mal estar tamanha a confusão do sistema judiciário da época e do local - um país do leste europeu, provavelmente a Tchecoslováquia (hoje República Tcheca), nacionalidade do autor.

A sensação que tive foi a mesma quando li "Crime e Castigo" de Dostoievsky - opressão!  Embora, como disse, sua leitura é fluida, o clima do livro é pesado e as situações chegam a ser bizarras - muitas vezes, imaginei que se tratasse de um sonho do personagem.  Mas não o era.

Uma pessoa do grupo gostou do livro e o comparou com nosso sistema judiciário atual - a mesma confusão de ideias, segredos, distorções do sistema jurídico - até concordei com ela - houve uma sincronicidade da escolha desse livro para ler nesse exato momento da história.

Na introdução do livro há uma biografia do autor - gosto sempre de saber um pouco sobre a vida do escritor do livro - sempre há similaridade da obra com a vida dele - neste caso não é diferente.  O livro, ao meu ver, retrata muito bem o conflito interno que Kafka tinha em relação ao seu pai - o pai era rígido, distante e pouco carinhoso com ele - mas era um pai eficiente que não deixava faltar nada em casa.  Eu diria que Kafka sempre sentiu-se em débito em relação à figura paterna - é como se ele nunca tivesse preenchido as expectativas do pai.  Então em "O Processo" ele é culpado de um crime ao qual ele desconhece, mas quer compreendê-lo e então "segue" todas as pistas para descobrir suas nuances, mas nunca obtém êxito nessa empreitada. É como um esforço para compreender o pai - mas até a morte dele (do pai) ele não conseguiu.

Boa semana!


 

Um comentário:

  1. Decisões arbitrárias e monocráticas. Qualquer semelhança é mera coincidência.😶😐😑🤪🤐

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