Caros leitores,
Depois de 2020, depois da "fraudemia", muitas pessoas e me incluo nessa lista, acordaram para a realidade do planeta. Não foi preciso, pelo menos não para mim, ler muitos livros, assistir muitos vídeos, participar de muitos grupos de estudo de filosofia, ou até conversar com muitas pessoas sobre a vida na Terra. Bastou apenas observar o dia-a-dia das pessoas ao redor de seus afazeres, de seus trabalhos, de seus lazeres, hobbies, de suas atividades.
E como foi que eu (não sei se mais alguém) cheguei a essa conclusão do fim da raça humana como a conheço ou como a conhecemos?
Talvez esse texto de hoje não seja o único que escreverei sobre o assunto, pois ele é extenso, traz muitas reflexões e como dizem "dá muito pano para manga".
Meu marido e eu resolvemos sair de férias, agora em outubro, como fazemos quase todos os anos e, ao invés de viajarmos para fora do Brasil, fomos para uma cidadezinha de aproximadamente 1.000 habitantes, há uns 40 minutos de carro de Ouro Preto-MG - Lavras Novas. A internet nos informou que era uma cidade pacata, silenciosa, onde poderíamos descansar nossos ouvidos do barulho, do stress, de nosso dia-a-dia de Curitiba.
Entretanto, a internet nos enganou, ou não percebemos nas entrelinhas a realidade que nos aguardava. Bem, meu marido escolheu esse local, como sempre ele faz, e não tenho queixas; amei todos os locais pelos quais viajamos e que ele escolheu - Montevidéu e Las Piedras, no Uruguai; Taos no Novo México nos Estados Unidos; Londres, Cirencester e Bibury na Inglaterra; Edinburgh e Saint Andrews na Escócia, como alguns lugares que temos saudades. Agora, escrevo esse texto em Lavras Novas, em nosso último dia aqui (19.10.25) e com certeza não teremos saudades - ficamos aqui 4 dias que para nós no primeiro dia foi a vontade de voltar, mas hoje percebemos nossa estadia como um laboratório riquíssimo de experiências da vida, especificamente do brasileiro, nesse caso e muitas reflexões.
Meu marido ficou muito excitado e curioso em conhecer esse local por algumas paisagens para fotos (ele é fotógrafo autoral) e também pelo silêncio para meditar e acalmar o sistema auditivo. Eu embarquei nessa onda porque gosto de estar em contato com a natureza e buscar a paz de espírito/o silêncio.
A cidade/o vilarejo é bem interessante, montanhosa com calçamento de pedras mineiras (assim como Ouro Preto - estivemos lá um dia e meio), bom para exercitar as canelas. O povo é muito acolhedor, assim como todo mineiro, e a comida é muito boa.
A cidade em si deveria ter sido maravilhosa antes do evento da internet - nada contra, afinal de contas, soubemos dela por esse meio, mas há pontos negativos e positivos, não é?
Então, descobrimos em Ouro Preto que a cidade é quieta, silenciosa de segunda-feira à quinta-feira - às sextas-feiras, sábados e domingos se enche de turistas e isso vira mais do mesmo. (Chegamos aqui numa quinta-feira e hoje, nosso último dia, é domingo).
A própria cidade tem aproximadamente 2 quilômetros de extensão de ponta a ponta - é uma rua com casas em ambos os lados e algumas ruas laterais - é um espigão onde as ruas laterais descem morro abaixo. Ficamos numa pousada perto do "centro" - perto da igreja que só abre às 16 horas no domingo. Há muitas (umas 10 ou 12) lojinhas de artesanato, aliás lindo artesanato, muitos cafés e restaurantes que só abrem nesses três dias do fim de semana. Como chegamos numa quinta-feira só havia dois restaurantes abertos. Aqui não há banco, farmácia, papelaria ou posto de gasolina.
Mas, nesses três dias, tudo é igual a todas as cidades do Brasil e ouso arriscar de grande parte do planeta: muitos carros, muitas pessoas, muita bebida e muito, mas muito barulho, o qual eles chamam de música ao vivo. Os restaurantes são perto um do outro e em cada um deles, no topo da cidade, do morro, há um sujeito cantando ao violão/guitarra com caixas de som potentes. Vocês conseguem imaginar um montão de gente almoçando, numa balbúrdia total, onde não há como conversar, tamanha a grande quantidade de decibéis - e todos acham ótimo; vimos poucas pessoas de nossa idade nesses locais (nada contra os jovens, apenas uma observação); felizmente os restaurantes também tinham uma parte interna para almoçarmos onde o ruído era menor e podíamos conversar.
Mas muitos de você poderiam pensar "mas eles são idosos e é natural não gostarem desse tipo de atividade", ou até poderiam pensar "no tempo deles era diferente". Ouso dizer que no "nosso tempo" era igual - havia lugares, restaurantes com música alta, mas na parte fechada com tratamento acústico e para quem passasse na frente do local nem percebesse que dentro do restaurante ou barzinho tinha música. Na faixa dos meus 20 anos fui a uns dois ou três locais/baladas/boates/barzinhos desse tipo, mas odiei por causa do som alto e que até para dançar era desconfortável - em tempo, adoro dançar mas não aguento som alto e nunca bebo, aliás até hoje não bebo. Sou o que hoje seria diagnosticada como autista - não suporto som alto, não bebo e acho esse tipo de vida obsoleta e medíocre - tipo passar o fim de semana sentada num barzinho com um cara cantando, ou melhor tentando cantar - hoje todo mundo acha que sabe cantar - bebendo, comendo petiscos, "fazendo tipo", ou seja, conversando sobre nada, sobre assuntos banais.
Assim, aqui encontramos a mesma coisa de qualquer cidade brasileira, ou pelo menos uma grande parte delas - barulho, excesso de carros indo e vindo (poucas pessoas a pé), motos, muita bebida e som em todos os lugares. Esse som "eterno" que entra pelos seus ouvidos impedindo qualquer pessoa de pensar, raciocinar, refletir (talvez seja essa a intenção...)
Então como a raça humana será extinta?
Minha reflexão começa com o Brasil - lugar onde moro e nasci. Nossa educação/instrução vem decaindo ano a ano - eu considero que até tive uma boa instrução escolar - fiz duas faculdades - a primeira do curso "Língua e Literatura Inglesas" na PUC de São Paulo, onde houve a tentativa de doutrinação socialista pois no primeiro ano havia uma obrigatoriedade do tal Curso Básico onde tivemos que ler Marx, Gramsci, Marilena Chauí, Paulo Freira, com quatro matérias: PFTHC "Problemas Filosóficos e Teológicos do Homem Contemporâneo" onde estudávamos Leonardo Boff e a Teologia da Libertação, Psicologia Social, Língua Portuguesa (felizmente ainda não havia a tal "linguagem neutra"), ARB "Antropologia e Realidade Brasileira". Felizmente eu era muito jovem (21 anos) e muito ingênua - então isso nem "colou" muito. A segunda faculdade "Psicologia", também foi em Sampa, na FMU, quando eu estava com 39 anos - foi muito sofrida pois os professores eram medíocres e o teórico que eu queria estudar - Jung - foi ministrado em apenas 6 meses dos cinco anos do curso. Sempre fui uma leitora voraz - lia de tudo e com a idade, a reflexão sobre o mundo foi se aguçando dia-a-dia.
Bem, meu currículo foi razoável - nesse interim fiz pós-graduação em Psicologia Junguiana e também estudei astrologia, florais de Bach, filosofia Rosacruz, filosofia espírita e hoje descobri a Radiestesia Terapêutica - esta última participarei de um congresso e quero agora trabalhar com isso (o próximo texto é sobre o congresso e felizmente é um texto bem mais otimista e já está pronto; será postado na próxima semana).
"Pelo andar da carruagem" como dizem, os jovens de hoje não chegarão até os 70 anos de idade - porque digo isso? Poucos estudam, poucos lêem, a maioria bebe muito, muitos se envolvem com drogas e querem apenas viver o presente, o dia de hoje, sem se preocuparem com o amanhã. Poucos estão interessados em saber quem são, de onde vieram e para onde irão.
Como existem poucos cursos técnicos e as faculdades estão mais interessadas em doutrinação sociológica sem ensinar o ofício a que se propõe, temos maus engenheiros, maus médicos, maus advogados, quando digo maus, refiro-me a inépcia. Obviamente há exceções em tudo o que falo, mas observo o contexto geral, a média.
Como a humanidade sobreviverá sem uma pessoa que saiba construir uma casa, sem um médico que consiga diagnosticar uma réles enfermidade, sem um advogado que saiba as leis? Resposta: a alta tecnologia fará esse papel - as IAs - certo? Certo. E enquanto isso o homem fará o quê? Continuará ouvindo música de baixa qualidade, consumindo muito alimento e bebida inadequados para seu corpo físico, continuará sem perceber que há mais gente no mundo, acumulando lixo em todo lugar? Isso trará desenvolvimento e progresso para o planeta? O.K. Que tipo de progresso?
(Continua num texto futuro...)
Boa reflexão!
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