Caríssimos leitores,
Esta noite (de quinta-feira 07.05 para sexta-feira 08.05), ou talvez seja melhor dizer, esta madrugada fui acordada após a meia noite pelo falatório e pela "música bate-estaca" dos meus vizinhos da frente. Como já sei que geralmente quando eles se empolgam vão até às 4 da manhã, fui até o banheiro para não acordar meu marido, para colocar meus tampões de ouvido de silicone que uso nessas ocasiões - eles não cessam todo o barulho, mas abafam o suficiente para conseguir dormir - embora a "batida" do que eles chamam erroneamente de música ecoa em nosso diafragma/plexo solar, trazendo desconforto. Obviamente, fiquei com um pouco de "dor de estômago" não somente por ter sido acordada antes de ter descansado o suficiente, como também pela indignação por eles não perceberem a desarmonia que trazem para os vizinhos da rua. Em realidade, as vozes altas, desta vez, trouxeram mais desequilíbrio do que o tal som que não estava tão alto.
Como demorei para conciliar o sono novamente, fiquei refletindo em como nossa rua, nosso bairro, nossa cidade decaiu enormemente em qualidade de vida.
Em junho deste ano completaremos 15 anos vivendo em Curitiba. Quanta diferença de quando chegamos aqui em 2011!! Nossa rua que praticamente não passava carros e, onde haviam outros vizinhos, era, à noite, um silêncio sepulcral. Em realidade, ainda o é, em alguns dias.
Esse vizinho da frente ainda é o mesmo de quando nos mudamos. Mas o menino tinha uns 11 anos na ocasião e hoje tem 26 anos, no auge da adolescência que como a maioria das pessoas já percebeu, se estende às vezes até os 50 anos. Assim que nos mudamos ele veio, um dia, bater bola no muro de nossa casa (temos um muro de aproximadamente 2,40 metros de altura) e fazia um barulho irritante, pois a rua era silenciosa. Abri o portão para ver do que se tratava e perguntei para ele onde ele morava e ele disse: "Nessa casa em frente, do outro lado da rua", e eu respondi: "OK. Então por favor vá bater a bola no muro de sua casa." A casa dele não tem muro; só um portão vazado... Aí ele cresceu e hoje faz reuniões para os amigos com falatório e som alto no terraço e na garagem. Nada contra festas desde que não incomode os outros. Uma vez, sugeri que ele talvez pudesse realizar suas reuniões dentro de casa, mas fui ignorada. Acredito até que como a rua e o bairro são mais silenciosos, qualquer ruído na madrugada aparece muito.
Bem, voltemos às mudanças das ruas, bairro e cidade de Curitiba. Nosso bairro recentemente foi agraciado com uma "renovação" - trocaram as mãos das ruas, fizeram novas calçadas, nova iluminação e para isso, cortaram todas as árvores da rua principal - era um maravilhoso "túnel" que elas formavam quando suas copas se cruzavam no meio da rua e, por conta disto, hoje, de minha casa ouço o barulho dos carros dessa via principal que dista uns 70 metros de distância. A distância é pouca, mas antes não se ouvia muita coisa.
Agora também há muitas construções novas e muitas delas ainda em construção com obras que fazem barulho, causam transtornos de movimentos de caminhão; sem contar que nos dias secos e estamos tendo muitos deles, a areia invade tudo. Meu marido costuma dizer que Curitiba não é poluída, é suja. Aqui venta muito em qualquer época do ano e então a areia, a sujeira das obras, do asfalto estão sempre no ar, carregada de cá para lá. Curitiba é uma montanha - aproximadamente mil metros de altura do nível do mar.
Quando nos mudamos em 2011 haviam muitas ruas desertas, com poucas pessoas trafegando - hoje é tudo cheio de gente para tudo quanto é lado - muitos forasteiros. Em realidade, nós também os somos, pois não nascemos aqui, entretanto, nos enquadrávamos bem de acordo com a vida social dos curitibanos raiz: silenciosos, de pouca fala, muitas vezes chamados de antipáticos. Não os vejo assim- vejo-os como pessoas que respeitam o outro e mantém uma distância segura (talvez nos sentíamos confortáveis porque meu marido e eu também somos assim...).
No coletivo, nos ônibus havia silêncio - hoje muitos ouvem música e/ou lives no celular sem o uso do fone de ouvido. É raro nos deslocarmos pela cidade num ônibus silencioso.
Para finalizar, é muito triste ver lixo espalhado em muitos locais.
Felizmente, quando chego em casa, depois de ter ido para vário locais, chego no nosso pequeno paraíso: nossa casa e seu jardim. Borboletas brancas me saúdam e me reconecto com minha centelha divina e me lembro que esta vida é transitória e que sempre podemos tirar boas lições de tudo o que nos ocorre.
Apesar de tudo, amamos Curitiba e contribuímos para sua harmonização fazendo nossa parte com nosso jardim e o encontro com amizades que construímos aqui.
Então, até que ter sido acordada depois da meia noite me fez refletir que apesar de tudo e de minhas atitudes ranzinzas vez ou outra, viver em Curitiba é uma benção!
Boa semana!
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