quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

RECAPITULAÇÕES

 Olá amigos leitores,

Hoje estou sofrendo daquela "enfermidade" dos escritores, embora não seja uma escritora mas uma simples blogueira: "Bloqueio do escritor". Geralmente, durante a semana já vou pensando sobre o quero escrever. Muitas vezes a inspiração vem durante o banho (a água, para mim, é um ótimo catalisador de ideias); outras vezes são fatos do cotidiano, livros, palestras que assisto, conversa com amigos.

Mas hoje a ideia que me veio foi escrever sobre minha experiência pessoal nesse primeiro ano de pandemia (como assim, primeiro ano? Teremos outro ou outros anos? Eu acredito que sim.) Aqui em Curitiba, para nós, o "fique em casa" inicial aconteceu em 20.03.2020, e acredito que em todo o Brasil; em muitos países foi antes.

Talvez alguns de vocês poderão lembrar-se de suas experiências e possam também buscar juntar os pedaços de vossas vidas através de minha narrativa.  Cada pessoa teve uma experiência diferente, mas creio que até o momento presente, ninguém permaneceu intacto.  Quando falo de "juntar os pedaços de vossas vidas" não me refiro a juntá-los para formar um todo igual ao que era antes dessa situação - refiro-me a juntar os pedaços para uma análise criteriosa do que permanecerá e do que deverá ser descartado para sempre.

Nossas vidas seguem num crescimento constante e sempre há mudanças - muitas vezes as ignoramos e tentamos permanecer em nossa "zona de conforto", mas como dizem, "o tempo é implacável" - há que mudar para evoluir sempre - é a lei da vida.

Bem, vamos à experiência - quando o tal do "fique em casa" foi decretado, me senti como uma prisioneira num campo magnético/virtual de concentração (quem acompanha meu blog, escrevi sobre o livro de Viktor Frankl "O Sentido da Vida", passado num campo de concentração nazista - meu primeiro texto, após a apresentação do blog).  Pois é. O valor que mais aprecio na vida é a liberdade - e ela me foi tirada; decidiram que eu fazia parte do "grupo de risco" - idosa (tinha 63 anos na época, hoje já tenho 64 anos).  Ativa, dinâmica, saudável e alegre como sou, ainda não tinha me imaginado como idosa - mas para o Brasil eu era.  Muitos países atribuem às pessoas com mais de 80 anos, a pecha de "idoso".

Bem, depois do choque inicial, foi nossa decisão, de meu marido e eu, de não aceitar o que estavam nos impondo.  Assim, como moramos numa casa com  jardim, podíamos tomar nosso sol/ar/chuva diários e realmente nos penalizamos  daqueles que moravam em apartamentos.

Nosso bairro é muito bom e caminhávamos todos os dias após o almoço numa praça perto de casa e não deixamos de nos exercitar.  Não temos filhos e nossos pais já não pertencem mais a esse mundo, então não havia nenhum filho para nos dar "ordens" e nenhum "idoso" para nos preocupar.  É óbvio que tomávamos nossas precauções como a distância, a máscara  e o "banho" de álcool gel - nossa vantagem, eu considero uma vantagem, é não temermos a perda da vida, afinal de contas, depois de um tempo você percebe que não será eterno, mesmo que deseje.  Isso não quer dizer que não tive raiva, angústia, conflito - até hoje não pude estar com minha irmã e sobrinha que moram em São José dos Campos - SP; minha outra sobrinha que mora no exterior, estava grávida e resolveu ter o bebê no Brasil; o bebê nasceu e eles três, minha sobrinha, o marido e o bebê ficaram em São José dos Campos até outubro e eu não o conheci, só pela internet; nem pude estar com meus amigos queridos de São Paulo - Capital (costumava ir para São Paulo - Capital uma vez por mês para proferir uma palestra e ver meus amigos).  Hoje sinto saudades ainda de tudo isso e aguardo o momento de poder voltar a vê-los e abraçá-los.

Assim, os dias, as semanas, os meses foram passando e eu fui modificando meu estado interior - a raiva deu lugar a uma expectativa mais tranquila - afinal de contas, são tantas atitudes esdrúxulas dos governantes e das pessoas que se eu tivesse que ter reações de surpresa, de angústia, de temor, de raiva, de desespero, já teria sido hospitalizada ou com o tal de Covid-19 ou de um ataque de nervos.

Então como consegui manter um certo equilíbrio? Tentarei relatar resumidamente.

Hoje posso dizer que a pandemia trouxe-me uma visão diferente da vida no planeta Terra (sempre me achei um ET e agora tenho certeza que sou um.) (Na década de 70 havia um seriado de ficção científica chamado "Os Invasores" que dizia que os ETs já estavam entre nós...ahahahah)

Primeiramente, olhei para dentro de mim e resolvi deliberadamente isolar-me de todos - nada de encontros via Zoom, Google Meet, etc.  Queria entender quem eu era e o que estava fazendo aqui e como continuar essa jornada.  Como gosto de ler, devorei (e ainda devoro) muitos livros (bendito hábito).  Aprendi sobre o poder do pensamento positivo (sim, alguns livros de auto ajuda, os quais sempre critiquei negativamente), meditação, ecologia (li muito sobre árvores - tenho um texto no blog sobre isso também), física, astronomia.

Por uma dessas sincronicidades do destino, no início da pandemia, alguém me enviou no WhatsApp uma lista de "120 filmes, séries e documentários para despertar uma nova consciência na quarentena"; assisti a todos e alguns deles comprei livros sobre os assuntos e pesquisei outros na Internet. Enquanto isso, fazia minhas orações diárias (lembrar do Mestre Jesus sempre traz força ao espírito), caminhava ao sol, fazia ioga (três vezes por semana), meditava - ah, um fator importante, continuávamos a comer as mesmas coisas de sempre nos horários costumeiros e acordávamos e dormíamos na mesma hora habitual todos os dias. Tudo isso continua uma prática constante.  As noites insones foram raras e felizmente, a vizinhança deu trégua nas noites de sexta e sábado, então o silêncio foi bom.

Durante esse ano aprendi muito sobre mim, sobre os outros e sobre o mundo - continuo aprendendo.  "Conheci" pessoas incríveis que se não fosse pela pandemia não teria conhecido.  Lembro de algumas: Viktor Frankl, Ana Cláudia Quintana Arantes, Wayne Dyer, Ludwig Von Mises, Jordan B. Peterson, Charles Darwin, Deolindo Amorim, Papa Francisco, J.J.Benitez, Caio Copolla, Luís Ernesto Lacombe, Rodrigo Constantino, Louise Hay, Deepak Chopra, Sri Prem Baba, Ana Rita Alves, Jason Stephenson, Luís Felipe Pondé, Tatiana Feltrin, Antônio Donato Nobre (esse "conheci" ontem), Gretchen Rubin, Rajshree Patel, Dostoievsky, Kim Kataguiri.  Algumas dessas pessoas  já conhecia e assim busquei me aprofundar mais em suas vidas, teorias, ideias.

Descobri teorias e sistemas que nunca tinha ouvido falar: fractais, ho'oponopono, evolução índigo, universo holográfico, zeitgeist, o poder da água, samadhi, samsara, zen, matemática, pathwork, etc.

Quem desejar pode pesquisar os nomes e os temas na Internet.  Nem tudo me agradou, mas descobri que há muitos ETs por esse mundo afora - não sou a única. Assim me senti acolhida  por essas novas informações e fui resgatando partes boas de minha pessoa e tentando descartar as partes não tão boas.

Depois de um tempo, já acostumada à nova rotina, resolvi compartilhar com os outros  minhas descobertas e assim surgiu o blog "Refletindo" em setembro de 2020. Há muito tempo que venho realizando trabalhos voluntários para auxiliar outras pessoas, não muito materialmente, mas mais expandindo suas consciências. Alguém já disse que quando auxiliamos outros a trilhar seus caminhos somos mais felizes - é a pura verdade.

Finalizando, consegui desfazer o "bloqueio de escritor" e escrevi um bom texto (pelo menos é o que acho).  Espero ter auxiliado alguém.  Quanto à pandemia - caso ela persista mais tempo do que o esperado, estou pronta para continuar aprendendo, lendo, caminhando, meditando e esperando continuar fazendo a parte que me cabe nesse mundão de Deus!

Boa semana a todos!

Até!

P.S. Futuramente, para não ter outro "bloqueio de escritor" aceito de bom grado, sugestões de temas para desenvolver e trazer mais reflexões a todos.












terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

DEIXE SUA CASA EM PERFEITA ORDEM ANTES DE CRITICAR O MUNDO

Caros amigos leitores,

No texto de hoje, voltaremos às "Doze Regras para a Vida" de Jordan Peterson.

Antes de Sigmund Freud, a maioria das doenças eram problemas orgânicos, causados pelas deficiências ou mau funcionamento dos órgãos; haviam também doenças contagiosas por vírus, bactérias, falta de higiene, etc. Freud começou a perscrutar os problemas mentais e embora também se acreditasse fossem causados por mau funcionamento dos órgãos, ele começou a pesquisar a vida pregressa dos doentes mentais e descobriu algo mais.

Com Carl Gustav Jung, seu discípulo num primeiro momento que mais tarde afastou-se de Freud e criou sua própria teoria, o estudo dos problemas mentais foi mais longe.  Para Jung, em início de carreira (aproximadamente em 1905), ele constatou que nem todas as doenças mentais provinham do sistema orgânico, do corpo.  Muitos desses problemas provinham da parte emocional das criaturas.  Para ele, cada vez que uma situação vivida era difícil de lidar, e, ao mesmo tempo causava uma impressão forte no indivíduo, esta experiência ficava gravada no subconsciente, armazenada como um problema que não foi resolvido e por isso, muitas vezes, o corpo era acometido de algumas enfermidades, tiques nervosos, problemas de difícil cura, etc.  Muitas vezes, são ideias fixas que não abandonam a mente, levando o indivíduo quase à loucura total.  Hoje, conhecemos todas essas situações com o nome de trauma.

Assim, Jung descobre ao investigar a história pregressa do indivíduo que muitos dos "traumas" atuais foram causados por experiências não resolvidas do passado.  Na maioria dos casos, assim que se descobre onde, quando e porquê iniciou-se o problema ele é sanado, principalmente quando o indivíduo entende todo o mecanismo da situação.  Aqui o entendimento, a vontade e a razão ajudam na cura do trauma.

Jordan Peterson é um psicólogo clínico canadense que se apoia em Jung. Sou fã dele, fiz pós graduação em Psicologia Junguiana e por isso "devoro" avidamente seus livros, palestras e aulas porque ele me ajuda a refletir sobre o mundo em que vivemos atualmente e porque suas ideias fazem eco em meu espírito.

Nessa regra iniciei falando de Freud e Jung para que aqueles que não entendem de psicologia possam compreender melhor esse texto.

Bem, Peterson começa esse capítulo no lembrando de alguns ataques que foram perpetrados por alguns jovens em algumas escolas principalmente, nos Estados Unidos.  O ataque mais conhecido por nós foi o da Escola de Ensino Médio Columbine, ocorrido em 20.04.1999 no Colorado - 15 pessoas foram mortas por tiroteio (estudantes e professores).  O crime foi cometido por dois rapazes que, após o ataque cometeram o suicídio.  Na Wikipédia na Internet há uma longa matéria sobre o caso.

Quando foi realizada a investigação da biografia dos autores do crime, descobriu-se que os mesmos foram vítimas de bullying na escola por 4 anos porque eram garotos superdotados e não se encaixavam na escola, tinham um ódio generalizado contra a sociedade e desejavam matar aqueles que os incomodavam.  

Um deles deixou escrito: "Não vale a pena lutar pela raça humana, só vale a pena matá-la.  Devolva a Terra aos animais. Eles merecem muito mais do que nós.  Eu digo: Elimine a humanidade. Ninguém deve sobreviver."

Bem, desde que comecei a estudar psicologia, sempre lia e ouvia que a pessoa que cometia atos contra a sociedade era uma pessoa sofrida, traumatizada e que queria vingar-se daquilo que lhe foi feito na infância, ou na adolescência. Muitos estudiosos do tema acreditavam que essa atitude era até lógica, racional, tolerável porque afinal de contas, ela estava "devolvendo" à sociedade aquilo que ela lhe havia feito no passado.  Essa atitude chama-se vingança. 

Felizmente, Jordan Peterson novamente me traz consolo quando acredita, assim como eu, que as coisas não precisam ser assim.

Ele afirma: "Em realidade, a vida é muito dura.  Algumas vezes o sofrimento é o resultado de uma falha pessoal, como uma cegueira, uma tomada de decisão equivocada num momento difícil ou uma malevolência.  Algumas vezes, se aqueles que estão sofrendo, mudassem seu comportamento, então suas vidas se tornariam menos trágicas."

Aqui ele explica que a vingança não é uma atitude saudável.  "Sofrimento, psíquico, físico ou intelectual, não necessita produzir niilismo (aniquilamento, redução ao nada, não existência) (ou seja, uma rejeição radical do valor, significado e desejo). Tal sofrimento permite uma variedade de interpretações."

Todos nós conhecemos histórias de pessoas resilientes. (Resiliência: capacidade do indivíduo de lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas, choque, estresse, algum tipo de evento traumático, entre outros - Wikipédia).

"O desejo por vingança, embora justificado", porque nós ainda temos dificuldade de compreender nossas emoções e sentimentos, "bloqueia o caminho para outros pensamentos produtivos." 

Quando ficamos magoados, aborrecidos por situações onde outras pessoas nos destrataram, tendemos a guardar o que elas nos fizeram para dar-lhe o "troco" numa outra oportunidade. Infelizmente, esse pensamento de vingança ainda faz parte de uma grande maioria de pessoas.  Esse pensamento ocupa nossa cabeça e impede que possamos ter pensamentos mais afetuosos em relação aos outros - a ideia é caminhar pela vida de uma maneira mais leve - e,  para aliviar nossa mente desses pensamentos de vingança há uma alternativa - o perdão!  Duas pessoas me vem à mente: Mahatma Gandhi e Nelson Mandela.

Peterson nos faz refletir: "Considere suas circunstâncias.  Comece com coisas pequenas.  Você abraçou o máximo de oportunidades que lhe foram oferecidas? Você está dando duro em sua carreira, ou seu trabalho ou você está permitindo que o azedume e o ressentimento te atrase o crescimento e te deixe para baixo? Você fez as pazes com seu irmão? Você está tratando sua esposa (seu esposo) e seus filhos com dignidade e respeito? Você tem hábitos que estão destruindo sua saúde e seu bem estar? Você está verdadeiramente arcando com suas responsabilidades? Você disse o que precisava dizer para seus amigos e membros da família? Existem coisas que você poderia fazer, que você sabe que poderia fazer, que fariam com que as coisas ao seu redor melhorassem? Você as faz? Você pôs sua vida em ordem?"

"Pare de fazer as coisas que você sabe que são erradas.  Pare de fazê-las hoje."

Ele continua: "Não culpe o capitalismo, a esquerda radical, ou a perversidade de seus inimigos. Tenha um pouco de humildade.  Se você não consegue trazer paz para sua casa, como ousa tentar governar uma cidade? Deixe sua própria alma te guiar."

A ideia de Peterson é fazer com que todos nós pudéssemos mudar nosso comportamento, e buscar hábitos mais saudáveis.  Sentir-se infeliz com o mundo não irá fazê-lo mudar.  Só nós podemos mudar e agir para tornar o mundo melhor.  É uma ideia "chavão" mas é a pura realidade.  Peterson pede que atentemos para nossos hábitos diários e busquemos perpetuar aqueles que nos fazem bem, que fazem bem ao Planeta e que trazem boas consequências.

Infelizmente, a grande maioria de filmes e narrativas literárias descrevem algumas atitudes como algo natural.  Quando assistia novelas na TV, lembro-me de que todos nós, com poucas exceções, torcíamos para que o vilão da história se desse mal no final e regozijávamos quando os "mocinhos" da trama davam o troco verbal em alguns diálogos para os "vilões".  Essa atitude também é vingança.

Busquemos em nosso passado e acharemos situações nas quais sentimo-nos humilhados, destratados e ficávamos pensando em como iríamos nos comportar na próxima vez que encontrássemos  esses "detratores" - algumas vezes ficávamos imaginando frases que falaríamos a tais pessoas numa próxima oportunidade.  Se alguns de vocês nunca tiveram esse tipo de pensamento, essa ideia não é para vocês - ressalto que enquanto ficamos à espreita de uma oportunidade de vingança, perdemos nosso precioso tempo e enchemos nossa cabeça inutilmente com ideias nefastas que não fazem bem a nós mesmos.

Muitas pessoas, no auge do seu sentimento de orgulho ferido e querendo mudar os outros podem cometer atos atrozes como os rapazes do Colégio de Columbine citado.

Assim, deixe sua casa/mente/vida em perfeita ordem antes de criticar o mundo.

Boa semana!  

 



  





 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

DÊ SEMPRE O MELHOR DE SI

Caros Leitores,

Por fim, chegamos ao quarto compromisso do livro "Os Quatro Compromissos" de Don Miguel Ruiz - "Dê sempre o melhor de si".

Esse "melhor" pode ter variáveis dependendo da hora do dia, do momento pelo qual você está passando em sua vida - o "melhor" poderá ter nuances diferentes.  Por exemplo, talvez seu melhor aconteça de manhã quando você está descansado ao invés de à noite pois poderá estar mais cansado por causa de todo o trabalho do dia, entretanto se você é do tipo "coruja" se sente melhor à noite, poderá dar o seu melhor nesse horário.  Se você está doente, ou com alguma preocupação em mente, seu "melhor" não será tão melhor assim.

Don Ruiz coloca a palavra sempre nesse compromisso.  Se os outros três compromissos estão sendo exercitados a contento, você entenderá que sempre poderá dar o melhor de si em todas as circunstâncias, pois o melhor aqui não é a perfeição absoluta - o melhor de si é realizar sua vida da melhor maneira possível.  Don Miguel traz o exemplo de uma história de um mestre e seu discípulo, a qual transcreverei na íntegra.  Ficará mais fácil de entender o que ele quis dizer com "melhor de si":

"Havia um homem que, desejando transcender seu sofrimento, foi a um templo budista para encontrar um Mestre que o ajudasse.  Dirigiu-se a ele e perguntou:

- Mestre, se eu meditar quatro horas por dia, quanto tempo vou levar para me iluminar?

O Mestre olhou para ele e respondeu:

- Se você meditar quatro horas por dia, provavelmente atingirá a iluminação em dez anos.

Imaginando que poderia fazer melhor, o homem perguntou:

- Mestre, e se eu meditar oito horas por dia, quanto tempo levarei para transcender?

- Se meditar oito horas por dia, talvez possa atingir a iluminação em 20 anos - respondeu o Mestre.

- Mas por que levarei mais tempo se meditar mais? indagou o homem.

- Você não está aqui para sacrificar sua alegria ou sua vida.  Você está aqui para viver, para ser feliz, para amar.  Se puder dar o melhor de si em duas horas de meditação... Mas se você gasta oito horas, só vai se cansar, perder o objetivo principal e não aproveitará sua vida.  Dê o melhor de si e talvez aprenda que não importa quanto tempo você medita, pode viver, amar e ser feliz."

Gostei dessa história porque fala de viver a sua vida ao máximo.  Meditar é bom, útil e faz muito bem ao corpo e à alma - mas como o tal mestre ensinou, estamos vivos para darmos o melhor de nós mesmos - através do aprendizado das coisas que não deram muito certo e prontos para realizar aquilo que nos faz  bem: tratar de nosso corpo e espírito, cuidar do meio ambiente, ajudar os outros em seus empreendimentos quando possível e sermos felizes, muito felizes.

Don Ruiz nos elucida que nosso melhor não deve visar uma recompensa.  Deveríamos gostar de nosso trabalho não porque temos um salário a receber no fim do mês, nem porque almejamos uma promoção - deveríamos dar nosso melhor no nosso trabalho, porque gostamos dele.  Quando gostamos de nós mesmos conseguimos escolher um trabalho que além de nos auxiliar em nosso crescimento, também nos traz prazer. "Se gostamos do que fazemos e sempre fazemos o nosso melhor, então estamos realmente apreciando a vida.  Estamos nos divertindo sem sentir tédio e sem acumular frustrações."

Existem pessoas que trabalham arduamente durante a semana e quando chega o fim de semana, ao invés de aproveitarem com algo saudável e prazeroso, ficam bêbadas, dormem o dia inteiro ou ficam na frente da TV assistindo programas medíocres.  Isso ocorre porque "não gostam de suas vidas." "Existem muitas formas de magoar a nós mesmos quando não gostamos de quem somos."

Outra vantagem de fazermos o melhor que podemos é aprendermos a aceitar a nós mesmos como somos.  Damos o melhor de nós mesmos porque temos vontade e não porque precisemos agradar outras pessoas.  Dar o melhor significa agir.

Don Miguel afirma: "Agir é viver plenamente.  Não agir é a forma de negar a vida.  É sentar em frente à televisão todos os dias por muitas horas porque você tem medo de estar vivo e assumir o risco de expressar quem é.  Agir significa expressar quem você é." "Assumir a ação é estar vivo. É assumir o risco de sair e expressar seu sonho.  É diferente de impor seu sonho aos outros, porque todos têm o direito de expressar o próprio sonho."

"Os primeiros três compromissos só vão funcionar se você fizer o melhor.  Não espere sempre poder ser impecável com as palavras.  Seus hábitos rotineiros são fortes e enraizados demais em sua mente.  Mas você sempre pode fazer o melhor.  Não espere nunca levar nada para o lado pessoal; faça o melhor possível.  Não espere que vá parar de tirar conclusões, mas com certeza você pode fazer o seu melhor."

Dando o melhor de si, os hábitos de usar errado a palavra, de levar as coisas para o lado pessoal e de tirar conclusões irão se tornando cada vez mais fracos e menos frequentes.  Você não precisa julgar a si mesmo, sentir-se culpado ou castigar-se se não conseguir manter os compromissos.  Se estiver fazendo o melhor possível, irá sentir-se bem consigo mesmo, ainda que tire conclusões, que leve as coisas para o lado pessoal e que não seja impecável com sua palavra."

Depois que li esse livro, procuro sempre lembrar-me  desses quatro compromissos e exercitá-los - eles não são muito fáceis, pois o cotidiano e as outras pessoas não nos auxiliam em nossa prática.  A ideia é tê-los escritos num lugar onde possamos ler com assiduidade.  A prática traz o hábito.  E, muitos bons hábitos trazem leveza, paz e serenidade para nossas vidas.

Vivamos um dia de cada vez e que possamos dar sempre o melhor de nós para manter esses quatro compromissos. 

Sendo impecáveis com nossa palavra, não levando nada para o lado pessoal, não tirando conclusões e dando o melhor de nós mesmos, viveremos uma vida plena e será mais fácil amar aos outros como a nós mesmos.

Reflexão de hoje: você consegue perceber quando dá o melhor de si em tudo o que realiza?

Boa semana!

Até! 


 



 

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

NÃO TIRE CONCLUSÕES

Caros amigos,

Hoje comentaremos o terceiro compromisso de acordo com Don Miguel Ruiz "Não tire conclusões".  Esse compromisso, na minha opinião, é o mais difícil de cumprir.

Quem, nos dias atuais não tira conclusões de tudo o que ocorre, principalmente quando não temos todas as informações dos fatos ao nosso alcance?  Eu diria que o ser humano, com poucas exceções, é campeão em tirar conclusões.

O mais extraordinário dessa atitude é que acreditamos nessas conclusões como se fossem verdadeiras.  Você já pensou nisso?  Reflitamos.

Enquanto escrevia esse texto, um amigo contou-me um fato que havia ocorrido com ele, o qual ilustra perfeitamente o tema de hoje.  Ele se considera um fotógrafo amador e sai quase todas as tardes de sua casa para tirar fotos nos arredores do bairro em que reside - gosta de tirar fotos abstratas, mas também tira fotos de flores, plantas, insetos, pássaros, animais - não tira fotos de pessoas.  Nesta tarde em especial, ao retornar de sua jornada fotográfica, ele me relatou o ocorrido.

Havia uma casa com muro azul e perto dele, uma roseira em flor de flores vermelhas - ele tentou fazer a foto da flor contrastando com o muro, mas achou que não ficaria boa, assim desistiu da foto.  Continuou caminhando e logo um rapaz o interpelou na rua,  se poderia lhe fazer uma pergunta; com a anuência de meu amigo, ele assim o fez, constrangido.  A mãe do rapaz o havia enviado para saber porque ele estava tirando fotos da casa (a dita com o muro azul).  Meu amigo explicou tratar-se de um hobby- ele tem um blog de fotografias.  O rapaz, meio sem graça, depois disso, se afastou.

Então, meu amigo continuou sua caminhada e parou na padaria para tomar seu cafezinho e respectivo pão de queijo costumeiros.  Quando saiu da padaria, como a luz do fim da tarde ainda estava bonita, resolveu ir até uma praça para tirar fotos de um mural que havia sido pintado recentemente - esse mural é bem colorido e tem figuras de pássaros, animais e flores.

Enquanto caminhava, se dirigindo para a praça, obviamente, pela calçada , uma van fez um retorno rápido na rua e parou bruscamente ao lado de meu amigo.  A pessoa saiu do veículo interpelando-o sobre o fotografar.  Ele morava na casa de muro azul e queria saber porque ele havia tirado fotos da casa, do muro.  Meu amigo explicou que era um fotógrafo amador e que tirava fotos de flores e de pássaros e não de casas.  Meu amigo achou que esse homem era, talvez, o pai do menino.  A pessoa continuou dizendo que ele tinha que ter licença para tirar fotos da casa dos outros e que ele tinha receio que meu amigo postasse as fotos nas redes sociais difamando-o.  Neste momento, meu amigo percebeu que estava à frente de uma pessoa desiquilibrada, paranoica, que talvez tivesse passado por uma experiência ruim recentemente, ou que tinha alguma "culpa no cartório", como dizemos.  Então, com toda a calma do mundo, meu amigo explicou sobre seu hobby, falou do blog e perguntou se ele queria acessá-lo para checar a verdade.  O homem não quis o endereço do blog, ficou sem graça, assim como o rapaz anteriormente, desculpou-se, entrou no carro e foi embora.

Amigos, veja o que acontece quando tiramos conclusões  - em época de pandemia, meu amigo caminha pelo bairro para tirar fotos, pois não se pode viajar - ele costuma tirar fotos em suas viagens; a paranoia de quem fica diariamente nas redes sociais ou na TV cresce; algumas pessoas não aguentam o isolamento social e imaginam em cada um, uma sombra do mal.  E cá estou eu a tirar conclusões...

O dono da casa do muro azul tirou conclusões e levou para o lado pessoal - quase criou um conflito do nada.

Don Ruiz explica que "criamos muito veneno emocional apenas tirando conclusões e fazendo isso de forma pessoal, porque geralmente começamos a tagarelar sobre nossas conclusões.  Lembre-se, fofocar é a forma como nos comunicamos no sonho do inferno e transferimos veneno de uns para os outros.  Como ficamos com medo de pedir esclarecimentos, tiramos conclusões e acreditamos estar certos sobre elas; depois as defendemos e tentamos tornar a outra pessoa errada.  Sempre é melhor fazer perguntas do que tirar conclusões, porque as conclusões nos predispõem ao sofrimento."

Ele traz um bom exemplo de mal-entendido e conclusões erradas.  "Você resolve se casar, e pressupõe que sua companheira enxerga o casamento da mesma forma que você.  Depois, vivem juntos e descobrem que não é verdade.  Isso cria um bocado de conflito, mas, mesmo assim, você não tenta esclarecer seus sentimentos a respeito do casamento.  O marido chega do trabalho, a esposa está brava, e o marido não sabe por quê.  Talvez seja porque a mulher tirou uma conclusão.  Sem lhe dizer o que quer, presume que ele a conheça tão bem que saiba o que ela deseja, como se pudesse ler sua mente.  A mulher fica brava porque o marido não atinge essa expectativa.  Tirar conclusões num relacionamento leva a muitas brigas, dificuldades e desentendimentos com pessoas que supostamente amamos."

Nós tiramos conclusões precipitadas porque acreditamos que todos pensam como nós.  Achamos que todos sentem como nós, julgam como nós e sofrem como nós.  Isso ocorre, muitas vezes, naturalmente, inconscientemente - se pararmos para raciocinar, obviamente, veremos que não é assim - as pessoas são diferentes de nós.  Talvez por isso, muitos de nós têm medo de sermos autênticos, de sermos nós mesmos na presença dos outros.  Acreditamos que todos estarão nos julgando, assim como, muitas vezes, fazemos com os outros.

"Se os outros nos contam algo, tiramos conclusões; se não nos contam, também tiramos, para preencher nossa necessidade de saber e suprir a necessidade de comunicação.  Mesmo quando escutamos alguma coisa e não compreendemos, tiramos conclusões e depois acreditamos nelas.  Tudo isso porque não temos a coragem de fazer perguntas."

Don Ruiz nos conforta com a seguinte ideia: "Imagine o dia em que você não vai tirar conclusões sobre seu parceiro e, mais tarde, com todas as outras pessoas em sua vida.  Sua forma de se comunicar irá mudar completamente, e seus relacionamentos não mais sofrerão com compromissos criados por falsas presunções."

"A forma de evitar tirar conclusões é fazer perguntas.  Se você não compreende, pergunte.  Tenha a coragem de perguntar até que as coisas fiquem tão claras quanto possível, e, mesmo assim, nunca imagine que sabe tudo o que há para saber numa determinada situação.  Uma vez ouvida a resposta, não terá de tirar conclusões, porque saberá a verdade."

Quando perguntamos e não tiramos conclusões nossa palavra se torna impecável.

"Se nos comunicarmos sempre assim, nossa palavra se tornará impecável.  Se todos os humanos pudessem se comunicar com a impecabilidade da palavra, não existiriam guerras, violência ou mal-entendidos.  Todos os problemas humanos poderiam ser resolvidos se tivéssemos uma comunicação boa e clara."

Esses três compromissos devem fazer parte de nossos hábitos.  A informação e a ideia de que eles trazem são apenas sementes em nossa cabeça.  "O que realmente faz diferença é a ação.  Reafirmar a ação várias vezes fortalece sua vontade, alimenta a semente e estabelece uma base sólida para que os novos hábitos germinem.  Depois de muitas repetições, esses novos compromissos se tornarão uma segunda natureza."

A prática desses compromissos traz a verdadeira liberdade pessoal.

Portanto, não tire conclusões - pergunte o que quer saber.  Se não der para perguntar esqueça o evento ou a situação e cuide de sua vida.

A pessoa da casa de muro azul tinha uma conclusão em sua mente, mas ao fazer as perguntas ao meu amigo, mudou sua conclusão, quer dizer, imagino que sim.  Bem, teve a oportunidade de mudar sua conclusão inicial...

A reflexão de hoje:  você já tirou conclusões precipitadas que te levaram para um beco sem saída?

Semana que vem trarei o último compromisso.

Até lá!




  



 


 

"EU TENHO UM SONHO..."

Olá leitores, Os meus sonhos não são tão grandiosos quanto o sonho de Martin Luther King em seu discurso. Os meus sonhos são voltados ao meu...