quinta-feira, 25 de março de 2021

ESCOLHA SUA MEDITAÇÃO

Caros amigos leitores, 

Os dias vão correndo e nós, muitas vezes, não vislumbramos uma luz nesse túnel que parece não ter fim.  A cada momento somos acometidos por notícias não desejadas e raros instantes de segurança íntima.  Algumas pessoas nos dizem que é melhor não recorrermos aos noticiários para nos inteirarmos  dos acontecimentos recentes; outras pessoas acreditam ser necessário estarmos a par de tudo o que acontece para nos sentirmos mais seguros pois estaremos mais atualizados.  Entretanto, pergunto: qual dos dois grupos está com a razão, ou melhor, qual dos dois grupos de pessoas nos trazem mais serenidade? Todos nós gostaríamos de pertencer a algum grupo - apontei apenas dois grupos - existem outros - mas, nos dias atuais eu diria que esses dois grupos são os mais aparentes.

Ontem assistimos, meu marido e eu, um bom documentário e descobrimos que, mesmo nos dias de hoje podemos fazer parte de um outro grupo de pessoas - o grupo da serenidade, da paz interior, do crescimento humano, da boa saúde, da paciência, da tranquilidade e do equilíbrio.

O nome do documentário da Netflix é "The Road to Wellbeing" (Em tradução livre "A estrada para o bem estar"). No documentário, um casal argentino convida o monge budista tibetano Mathieu Ricard para passar uns dias num tipo de retiro na Patagônia.  Nessa pequena viagem, o monge ensinaria algumas técnicas de meditação - a esposa do Argentino, um cineasta estava passando por momentos de stress e ela fez uma surpresa para o marido, convidando esse monge e assim ajudar o marido a aprender a meditar para diminuir o stress.  Em contrapartida, o monge que tem como hobby/trabalho tirar fotografias de paisagens - ele sempre quis conhecer a Patagônia e o monte Fitzroy (o maior da região, fica na fronteira do Chile com a Argentina) para fotografá-los - ele então fotografaria a região. Assim, numa relação "uma mão lava a outra" o documentário traz boas ideias para meditar e de quebra belíssimas imagens da Patagônia e do monte nevado Fitzroy.

Como já mencionei em outros textos, a meditação foi uma das práticas que mais utilizamos, meu marido e eu, no nosso dia-a-dia para suportar todos os revezes que o tal vírus trouxe para todos.

Durante esse tempo, aprendemos muitos tipos diferentes de meditação.

Por exemplo, há a meditação guiada onde você é levado a várias situações ou lugares para realizar algumas tarefas enquanto medita, com sua mente, sua imaginação.  Jay Stephenson, um australiano tem boas meditações guiadas no YouTube - tem de 10 minutos, mas também tem de 2 a 3 horas - infelizmente só em inglês.

Há outra meditação guiada do indiano Deepak Chopra realizada por uma coach brasileira chamada Ana Rita Alves - ela dirige o programa de "21 dias de abundância de Deepak Chopra" em português - abundância aqui não só material, mas também de saúde. Já fizemos esse programa duas vezes.

Outro tipo de meditação que gostamos muito e o que mais usamos (praticamente todos os dias) é chamado de "15 minutes Vipassanã Meditation" no YouTube - é uma meditação tibetana - há pouca coisa escrita em inglês no início (ele não é falado) - se resume em ficar de 5 a 15 minutos em silêncio absoluto com os olhos fechados, numa posição confortável - a cada 5 minutos toca um sino para você voltar a se conectar e ter o controle do tempo.  Não é necessário saber inglês para realizá-lo. Inclusive você pode escolher quanto tempo quer ficar, de 5 a 15 minutos.  Dependendo do dia fazemos só 5 minutos; e assim que toca o sino paramos. Para nós, ocidentais, esse é mais difícil pois não estamos acostumados a ficar em silêncio.

Mas ontem aprendemos uma nova maneira de meditar que nos deixou mais confortáveis e mais serenos.

Sempre acreditei no poder da oração, da prece - independente da crença de cada pessoa, a prece, a oração pode ser feita por qualquer pessoa em qualquer lugar, em qualquer circunstância.

A prece ou a oração é uma conversa íntima com Deus, com alguém ausente, com uma pessoa querida ou com você mesmo.  Pode ser um desabafo com seu guia, mentor, ou seu anjo de guarda, como queira chamar.  É aquele momento que, na quietude de nossos pensamentos, conversamos com alguém.  É aquele momento de interiorização em que colocamos nossos problemas para fora para examiná-los melhor, fazer os ajustes necessários para o transcorrer de nossas vidas.

Mathieu Ricard nos ensina a meditar desejando o bem estar dos outros - nessa meditação desejamos o bem estar para nós mesmos, para os nossos parentes e amigos e até para nossos desafetos.  Estamos todos interligados nesse planeta e a ação e o pensamento de cada pessoa ressoa em outra pessoa.

Se você for na Internet, na Wikipédia procurar informações sobre o monge tibetano Mathieu Ricard, você verá que ele foi considerado "o homem mais feliz do mundo" embora ele mesmo tenha dito nesse documentário, que para isso ser verdadeiro, o mundo inteiro deveria ter sido contatado para chegar a essa conclusão, o que aliás faz sentido.

O ideal é meditarmos com esses pensamentos de generosidade e doação numa natureza pacífica - em frente a um rio calmo, defronte a uma montanha nevada, olhando para uma pradaria verdejante, sentados numa praia num dia de mar tranquilo.

Porém, atualmente, tudo isso está longe de nós.  Assim, temos que fazê-la com uma música relaxante num momento de quietude em casa; podemos também buscar vídeos de paisagens, pinturas, pássaros na Internet  e realizar a meditação com os olhos abertos.  Olhando para esses vídeos também relaxamos e podemos  adquirir a serenidade.  O YouTube tem vídeos incríveis  - você se transporta e realiza sua meditação, prece, oração - e sai dessa experiência mais calmo, tranquilo e com mais disposição para enfrentar o desconhecido - ou seja, nossa vida atual.

E então, que espécie de meditação é boa para você?

Para a maioria de nós, meditar parece algo dificílimo - mas, creiam não é tão árduo assim - tudo é uma questão de hábito e vontade - onde há uma vontade há uma realização.  Meditar não é necessariamente deixar a mente vazia - isso é impossível, afirma o monge Mathieu Ricard.  A ideia é preencher nossa mente  com imagens positivas, pensamentos de generosidade, doação, alegria, paciência, perdão e amor - muito amor.  Espero que vocês tentem  - não se arrependerão, pois o resultado é positivo.

Boa semana!



 









sexta-feira, 19 de março de 2021

FALE A VERDADE, OU, PELO MENOS, NÃO MINTA

 Caros amigos, 

A oitava regra do livro "Doze Regras para a Vida" de Jordan B. Peterson é "Fale a verdade, ou, pelo menos, não minta".

Nos dias atuais as palavras mentira e verdade têm sido muito usadas.  A ideia de falar a verdade é sempre mais confortável do que mentir.  Então, por que, algumas vezes, mentimos?

Em minha jornada pela vida, sempre fui uma pessoa que, regularmente, falava a verdade - lembro-me das vezes que mentia - eram poucas, mas me deixavam sempre com uma sensação ruim - às vezes, eu conseguia "consertar" a situação explicando para as partes envolvidas que havia mentido, mas nem sempre compreendia porque mentira.  Mesmo quando eram mentirinhas, as quais muitas pessoas chamam de "mentiras brancas", eu sempre me sentia mal.  Quando não havia como remediar o erro, ele ficava muito tempo pairando em minha mente - em outras vezes, ocorriam consequências funestas dessa atitude.

Jordan Peterson relata uma experiência pessoal quando ainda era estudante de psicologia.  Os estudantes de psicologia clínica podiam visitar os doentes mentais num hospital que ficava na cidade de Montreal, Canadá onde ele cursava a faculdade.  Hoje em dia esses tipos de hospitais não existem mais.  Essas pessoas são tratadas em casa ou em day-clinics à base de medicamentos.  Então, num desses dias, ele estava com alguns colegas de sua turma numa fila, esperando instruções do responsável pelo programa de treinamento da clínica, quando uma interna do hospital perguntou, numa maneira infantil, a uma colega de Peterson: "Por que vocês estão aqui parados nesta fila? O que vocês estão fazendo? Posso me juntar a vocês?" A colega de Peterson virou para ele e perguntou: "O que devo dizer à ela?" Nenhum deles queria dar uma resposta que poderia ser considerada uma rejeição ou uma reprimenda.  Todos eles eram estudantes de psicologia, não estavam preparados para esse tipo de situação, esse tipo de confronto com uma paciente esquizofrênica que fez uma simples e amigável pergunta sobre a possibilidade de interação social.

Naquele momento, Jordan Peterson se pergunta: "Quais era exatamente as regras em tal situação, longe dos limites de uma interação social normal? Quais eram exatamente as opções?"  Ele poderia ter respondido: "Só podemos ter 8 pessoas no grupo (eles estavam em oito)", ou "estamos saindo do hospital"; ele imagina que isso possa "salvar" à todos da continuidade da conversa.  Mas essas respostas não eram a verdade.

Assim, ele resolveu contar a verdade.  Contou à paciente que eles eram estudantes novos, treinando para serem psicólogos, e que ela, por esse motivo, não poderia se juntar à eles.

A resposta, obviamente, aumentou a distinção entre eles, fazendo com que a separação entre eles fosse evidente.  A resposta foi dura mas melhor do que uma mentira branca elaborada.  A pessoa pareceu desconcertada por um instante.  Depois, ela compreendeu e se foi.

(Esse história me lembrou quando eu era uma estudante de psicologia em São Paulo - minha classe foi a um hospital psiquiátrico (ainda existiam alguns, e eles foram fechando paulatinamente enquanto eu me formava na faculdade) e todos fomos de jaleco branco - nosso professor nos lembrou antes de entrarmos que a única diferença entre eles, os internos, e nós, os estudantes, era o jaleco branco.)

A verdade é sempre a melhor resposta, entretanto em muitas situações, muitos de nós nos escondemos (não sei do que ou de quem) e preferimos mentir ou falar meias verdades.

Jordan Peterson nos dá algumas ideias do porque mentimos.

Para ele, algumas vezes "usamos algumas palavras para manipular o mundo para que o mesmo se apresente mais agradável para nós.  Algumas vezes esse tipo de atitude é categorizado de "politicamente correto" - é a especialidade de marqueteiros inescrupulosos, vendedores, anunciantes, alguns artistas, utopistas com slogans prontos e psicopatas.  É a fala que as pessoas usam quando tentam influenciar e manipular os outros.  É o que estudantes universitários fazem quando escrevem o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) para agradar o professor, ao invés de articular e esclarecer suas próprias ideias."

Esse tipo de comportamento (as "mentirinhas") pode incluir como razões e/ou desculpas, ideias tais como "para impor minhas crenças ideológicas", "para provar que eu estou (ou estava) certo", "para parecer competente", "para evitar responsabilidade", "para ser promovido", "para assegurar que todos gostem de mim", "para minimizar conflitos imediatos", "para sempre parecer um santinho".

Com estes exemplos é fácil nos espelharmos em algum ou alguns deles e perceber com é difícil ser verdadeiro, autêntico atualmente e mais que isso, como é difícil não incorrer vez ou outra na atitude da "mentirinha" ou da tal "mentira branca".

"A mentira tem perna curta" é o famoso ditado popular.  Ele é bem real, pois cedo ou tarde (mais cedo que que imaginamos) a mentira aparece.

Jordan afirma "se você trai a você mesmo, se você diz coisas falsas, se você mente, você enfraquece seu caráter, sua personalidade.  Se você tem um caráter fraco, então seu adversário poderá eliminá-lo quando ele aparecer e o fará, inevitavelmente.  Você se esconderá, mas não haverá onde se esconder.  E então você se verá fazendo coisas terríveis." Quando ele fala em adversário ele quer dizer qualquer contratempo ou qualquer pessoa que pode vir a perceber que você mentiu e então você terá que mentir cada vez mais para corroborar sua história.

"Não há como culpar o inconsciente.  Quando um indivíduo mente, ele sabe que o fez.  Ele pode até fazer-se de cego para as consequências de sua mentira.  Ele pode até falhar em analisar ou articular seu ato passado, e em fazendo isso ele não compreenderá o que está acontecendo.  Ele pode até esquecer que mentiu e estar inconsciente deste fato. Mas ele estava ciente, no presente, durante o ato do erro e a omissão da responsabilidade.  Naquele momento, ele sabia o que fazia". E mesmo que ele tenha "esquecido" que tenha faltado com a verdade num dado momento passado, as consequências desse ato cobrarão um preço muito alto no futuro.

"A mentira corrói a estrutura do caráter." 

"Aqueles que mentem corriqueiramente, em palavras e atos, vivem no Inferno."

"É a mentira que faz as pessoas miseráveis além do que elas podem suportar.  É a mentira que preenche as almas humanas com ressentimento e ideias de vingança.  É a mentira que produz o terrível sofrimento da humanidade: a morte nos campos nazistas; as câmaras de tortura e genocídios de Stálin e do monstro maior, Mao.  Foi a mentira que matou centenas de milhões de pessoas no século vinte.  Foi a mentira que quase dizimou a própria civilização. É a mentira que ainda nos ameaça, muito profundamente, hoje."

"Não minta.  Especialmente para você mesmo."

Peterson relata sua própria experiência:  "Eu experimento uma sensação interna de estar afundando e de estar dividido, ao invés de solidez e força, quando sou incauto com meus atos e palavras.  Essa sensação parece estar centrada no meu plexo solar, onde parece haver um grande nó de tecido nervoso.  É através dessas sensações que percebo que estou mentindo.  Algumas vezes uso palavras para aparecer.  Outras vezes estou tentando disfarçar minha real ignorância do tópico em questão.  Algumas vezes estou usando palavras dos outros para evitar a responsabilidade de pensar por mim mesmo."

"A mentira corrompe o mundo.  Pior; esse é seu intento".

Hoje, como nunca, onde temos dificuldade de ver a verdade, podemos perceber como a mentira traz um rastro de desequilíbrio e este, por sua vez, traz insegurança e medo.

Para finalizar, Peterson pede: "Veja a verdade.  Diga a verdade."

"Sua verdade só pode ser vista por você baseada nas circunstâncias únicas de sua vida."

Ele termina: "Se sua vida não é o que poderia ser, tente dizer a verdade.  Se você está preso/atado a uma ideologia, ou afundado no niilismo (corrente filosófica que acredita no vazio), tente dizer a verdade.  Se você se sente fraco e rejeitado, desesperado, confuso, tente dizer a verdade.  No Paraíso todos falam a verdade.  Essa é a característica que faz dele o Paraíso."

"Fale a verdade, ou, pelo menos, não minta."

Boa reflexão a todos.  

Até.


 


  








sexta-feira, 12 de março de 2021

A ANSIEDADE NOSSA DE CADA DIA

 Caros Leitores,

Uma de minhas leitoras sugeriu que eu escrevesse um texto sobre ansiedade - afinal de contas, essa sensação está presente na vida da maioria das pessoas, principalmente nos dias atuais.  Então, o que é realmente a ansiedade, quais suas causas, seus benefícios e malefícios e como lidar com ela?

No dicionário Aurélio Ansiedade é: Psic. Estado afetivo em que há sentimento de insegurança.  Ansioso é aquele que tem ânsia ou anseio.  Ânsia: 1. aflição, angústia; 2. desejo ardente, anseio, anelo; 3. perturbação de espírito causada pela incerteza ou pelo receio.  Também temos a origem, o verbo Ansiar: 1. causar ânsia ou ansiedade a: oprimir, angustiar; 2. desejar ardentemente ou com ânsia, anelar, almejar; 3. ter ou padecer ânsias; 4. respirar com dificuldade ou ruidosamente, ofegar; 5. angustiar-se, agoniar-se.

Bem, vamos tentar destrinchar tudo isso.  A palavra ansiedade está na boca de muitas pessoas atualmente, entretanto esse sentimento muitas vezes é diagnosticado erroneamente.  Alguns confundem uma pessoa acelerada com uma pessoa ansiosa.

Via de regra, a ansiedade está atrelada à situações ou preocupações futuras; aliás falar de preocupações futuras é um pleonasmo, pois a ideia não é pré-ocupar-se e sim ocupar-se...

Então, quando nos ocupamos, fazemos alguma coisa, não há tempo hábil para sentirmos ansiedade, mesmo que tenhamos algumas questões futuras, pendentes a resolver.

Hammed no livro "As dores da Alma" afirma: "A preocupação pode produzir ansiedade, levando-nos, a partir de então, a imaginar fatos catastróficos.  Quando nos preocupamos com o futuro, não vivemos o agora e sofremos imensa imobilização, que toma conta do nosso presente, advinda de coisas que irão ou não acontecer no amanhã.  A reunião de todas as nossas ansiedades não poderá alterar nosso destino; somente nosso empenho, determinação e vontade no momento presente é que poderá transformá-lo para melhor. 

As situações calamitosas que imaginamos apenas se materialização, se as dramatizarmos constantemente.  Se imprimirmos com pensamentos trágicos os fatos e acontecimentos da vida, eles assumirão proporções que não tinham a princípio e, realmente, se tornarão realidade.  Criaturas trágicas atrairão certamente a tragédia."

Assim, viver o agora, trabalhando, se ocupando além de afastar a ansiedade, ainda traz um relativo bem estar.  Como dizem popularmente "o futuro a Deus pertence."

Nossa vida depende em grande parte, de nossos pensamentos - se eles são bons, cheios de esperança, mesmo que algo de ruim aconteça conseguimos compreender sua amplitude e muitas vezes, as consequências são aceitas da melhor maneira possível.  Ao contrário, se nossos pensamentos são pessimistas, esperando as catástrofes, elas fatalmente virão e, se porventura nesse ínterim, acontecerem coisas boas, nem perceberemos.  Existe um termo na psicologia chamado "profecia auto realizadora": "se refere ao processo no qual uma pessoa ao acreditar na possibilidade da ocorrência de determinados eventos contribui para que de fato eles ocorram sem perceber sua participação." (blog.opsicologo.com.br)

Encontrei na internet bons exemplos dessa ideia:

-"se uma pessoa que não se acredita capaz de concorrer a determinada vaga de emprego, pode apresentar-se a esta vaga de forma inadequada e sem demonstração de interesse que faria o selecionador acreditar que o próprio candidato não quer a vaga;

- um professor que não acredita no potencial de determinado aluno, por algum preconceito, talvez pode não aplicar tanto seu interesse, tempo e técnicas de forma a dificultar o aprendizado desse aluno;

- uma pessoa que não acredita que possua atrativos, pode vestir-se de forma tão desleixada a ponto de não permitir que seus reais atrativos sejam vistos, etc. 

Este processo não é consciente e nem sempre esta pessoa deseja que tais coisas aconteçam, mas ao "profetizar" ou seja, ao acreditar que ocorrerão, acabará por colaborar para este desfecho sem ao menos perceber o quanto interferiu no resultado." ( blog.opsicologo.com.br.)

Hammed continua "Lembremo-nos, porém, de que a imaginação serve para criarmos quadros de alegria, beleza, progresso, amor.  No entanto, se a estivermos usando para produzir tristeza, ansiedade, abandono, medo e desconfiança, o melhor a fazer é interromper o negativismo e mudar o estado mental."

Então, em relação a ansiedade, ela só acontece quando não temos bons pensamentos a respeito de situações que ainda não ocorreram.  Entendo que muitas vezes a vida nos traz insegurança, principalmente no momento atual que vivemos pois não temos o controle de nada e outras pessoas creem poder ditar regras de conduta para nós.  Nessa situação quando podemos reverter esse processo que o façamos - entretanto, em outros momentos não há o que fazer, mas "dançar conforme a música."

A ansiedade ocorre também quando não vemos "luz no fim do túnel" - então é quando perdemos a esperança e sua prima-irmã, a fé.  Assim, aqui a ideia é eliminar a ansiedade com boas doses de fé e esperança; afinal de contas foi o que sobrou na caixa de Pandora.

O ansioso possui muito pouco do sentimento da paciência.  Assim, a existência da ansiedade numa pessoa é proporcional à inexistência da paciência em sua vida.

Hammed pede que analisemos as plantas: " se quiseres que elas cresçam e se desenvolvam, limita-te a deixá-las viver naturalmente, pois, por mais que possas dispensar-lhes cuidados e zelos contínuos, somente quando estiverem prontas é que brotarão e se cobrirão de flores."

Então, ele continua: "Não queiras burlar as barreiras naturais do Universo, acalma-te, procura caminhar passo após passo, porque somente assim chegarás à serenidade que tanto procuras.

Não tentes fazer de tua vida um caminho meticuloso, calculando tua existência minuciosamente, pois estarás prejudicando o ritmo natural dos acontecimentos.

Não tenhas pressa - a paciência te ajudará a atravessar o momento de crise e os frutos do amanhã serão proporcionais à tua paciência de agora."

Para finalizar, lembremo-nos que a ansiedade é um sofrimento inútil em nossa mente e pode nos inclinar à enfermidade, prejudicando muitas oportunidades na vida - policiemos assim nossos pensamentos, assegurando-lhes a serenidade necessária para levarmos nossa vida adiante.

Você tem momentos de ansiedade em sua vida? Se os têm, como lida com eles?

Boa semana!










quinta-feira, 4 de março de 2021

BUSQUE O QUE É SIGNIFICATIVO, NÃO O QUE É CONVENIENTE

Amigos leitores,

Vamos à sétima regra do livro "Doze Regras para a Vida" de Jordan Peterson: "Busque o que é significativo, não o que é conveniente".

Para compreendermos essa afirmação devemos entender o que é significativo e o que é conveniente.

No Dic. Aurélio: Significativo: 1. Que significa; 2. Que expressa com clareza; 3. Que contém revelação interessante, expressiva. E Conveniente: 1.Útil, proveitoso, interessante; 2. Vantajoso, cômodo; 3. Favorável, propício, oportuno; 4. Decoroso, decente.

Eu entendo como significativo uma coisa importante, que claramente me auxilia no meu crescimento como ser humano, que revela não somente algo sobre o mundo que me cerca, onde eu vivo, mas também algo sobre mim mesma.  Em contrapartida, entendo como conveniente aquilo que está facilmente ao meu alcance, que é cômodo, que pode me trazer vantagens, principalmente materiais; também traz a ideia de algo favorável, propício, assim como uma oportunidade imperdível.  A última definição que o dicionário traz de conveniente vem do verbo convir e então me lembro da frase de Paulo de Tarso: "Tudo posso mas nem tudo me convém" - refletindo nessa afirmação, vislumbro situações na vida que são lícitas, as quais posso me envolver, mas que não me trarão boas consequências.

Nessa regra, Jordan Peterson traz muitas ideias interessantes e proveitosas - tentarei trazer a todos as ideias que fazem eco em meu espírito, aquelas nas quais acredito serem genuínas para o bem viver.

Primeiramente, ele discorre sobre a diferença entre trabalho duro, árduo e sacrifícios que fazemos na vida - as duas situações não possuem diferença em suas ações mas são diferentes em sua essência, pois podem levar a consequências diversas.

Por exemplo, o castor é um construtor nato, assim como nosso joão-de-barro - eles constroem suas casas, seus ninhos de maneira instintiva - nenhum deles diz: "Ah, está um lindo dia, então não vou construir meu ninho/casa hoje e vou para a praia".  Entretanto, o ser humano constrói sua casa, por exemplo, porque ela pode trazer-lhe conforto futuro.

"Nós aprendemos que se agirmos adequadamente agora, no presente - regulando nossos impulsos, considerando as dificuldades dos outros - podemos obter recompensas no futuro." Assim muitos sacrifícios que fazemos hoje, como separar e guardar dinheiro para comprar uma casa, um carro, viajar;  parar de ingerir determinada substância que nos causa mal ou quando queremos emagrecer; ficar calado numa reunião familiar ou de amigos para apenas ouvir e dar oportunidade a outros para se expressarem; deixar de ir a um lugar "badalado" para visitar um parente doente, por exemplo - são pequenos ou até grandes atos que podemos fazer para vislumbrar uma consequência que nos fará sentirmo-nos mais realizados e pacíficos mais adiante.

Então muitos sacrifícios são significativos pois podem levar a boas consequências; digo podem pois alguns sacrifícios que fazemos para alcançar um certo objetivo podem, no meio do caminho, ser mudados ou pela nossa vontade ou até por circunstâncias alheias a ela.

Peterson afirma: "Se o mundo que você está vendo não é o mundo que você quer, é hora de examinar seus valores.  É hora de você livrar-se de seus pressupostos atuais.  É hora de deixá-los ir.  Pode até ser o momento de você ter que sacrificar o que mais ama, assim você poderá vir a ser, do que continuar sendo o que é." Ao meu ver essa é uma maneira interessante de mudar sua visão do mundo.  Às vezes queremos mudar o outro, o mundo e se somente mudássemos a maneira de vê-los, eles, o outro e o mundo, tornar-se-iam "digeríveis" para nós. Jordan Peterson nos traz um exemplo para entendermos melhor o que quero dizer.

Xenofonte, discípulo de Sócrates, escreve em seu livro "Apologia de Sócrates", sobre como "Sócrates radicalmente alterou sua visão do significado de seu julgamento." ( Sócrates foi sentenciado a tomar cicuta, um veneno mortal, porque suas ideias estavam contrárias às ideias da época). "Ele começou a considerar que poderia ser uma benção, ao invés de uma maldição.  A decisão de Sócrates de aceitar seu destino permitiu a ele colocar de lado o terror mortal que sentia sabendo que iria morrer logo, antes, durante e após seu julgamento e até durante sua execução.  Ele viu que sua vida tinha sido tão rica e tão completa que ele podia abandoná-la graciosamente.  A ele foi dada a oportunidade de colocar seus assuntos em ordem.  Ele também viu que podia livrar-se da lenta degeneração do avanço dos anos.  Ele entendeu que o que estava acontecendo para ele era um presente dos deuses."

Sócrates mudou sua maneira de encarar seu destino  como uma tragédia e aceitou-o.  Dessa maneira sofreu pouco e como disse Jordan Peterson "e então, ele tomou o veneno como um homem."

"Se você cessa de proferir mentiras e vive de acordo com o que sua consciência dita, você mantém sua dignidade, mesmo quando estiver enfrentando uma ameaça final." - "Se você viver adequadamente, você poderá descobrir um significado tão profundo em sua vida o qual o protegerá até do medo da morte."

Para que nossa vida tenha significado ela precisa ser vivida na íntegra - você precisa dar um sentido à ela.  Buscar realizar aquilo que sua alma almeja.  Aquilo que te dá dignidade e que faz com que você se  sinta um ser humano completo. Peterson traz algumas conclusões morais, as quais ele delineou após ter refletido sobre essa regra:  "Preste atenção.  Faça o que você pode fazer.  Não seja arrogante em seu conhecimento.  Esforce-se para ser humilde, porque o orgulho totalitário manifesta-se em intolerância, opressão, tortura e morte.  Seja consciente de sua própria insuficiência - sua covardia, malevolência, ressentimento e ódio.  Considere a capacidade homicida de seu espírito antes de ousar acusar os outros, e antes de você tentar consertar a estrutura do mundo. E acima de tudo , não minta.  Não minta sobre nada nunca.  Mentir leva ao Inferno."

Para finalizar Peterson afirma que "não há fé, coragem ou sacrifício em fazer o que é conveniente.  Quando se busca o que é significativo percebemos que estamos no lugar certo, na hora certa, apropriadamente equilibrados entre a ordem e o caos, onde tudo está alinhado da melhor maneira naquele momento."

"O que é conveniente funciona somente por um tempo - é imediatista, impulsivo e limitado."

"O significativo é o balanço final entre o caos da transformação e possibilidade  de um  lado, e a disciplina da ordem imaculada de outro, cujo propósito é produzir, a partir do caos, uma nova ordem que se tornará mais pura, e capaz de trazer ainda caos e ordem porém, equilibrados e produtivos.  O significativo é o Caminho da vida abundante, o lugar em que você habita quando é conduzido pelo Amor e a Verdade, quando nada que você queira ou possa querer está acima disso tudo."

"Busque o que é significativo, não o que é conveniente."

Boa semana a todos. 



 

 

 

"EU TENHO UM SONHO..."

Olá leitores, Os meus sonhos não são tão grandiosos quanto o sonho de Martin Luther King em seu discurso. Os meus sonhos são voltados ao meu...