quarta-feira, 28 de julho de 2021

A RAPOSA E A CEGONHA

 Amigos leitores,

Vamos à história.

"A comadre raposa, apesar de mesquinha, tinha lá seus momentos de delicadeza.  Num dos tais, convidou sua vizinha cegonha a partilhar da sua mesa.

O banquete foi pequeno e não muito refinado, pois a raposa vivia de maneira econômica.  Um caldo ralo servido num prato raso foi oferecido à cegonha, cujo bico, muito duro e comprido, cada vez que tentava tomar a sopa, batia no fundo do prato, e ela nada conseguia beber.  A raposa, esperta, aproveitou-se disso e lambeu a sopa toda.

Para se vingar, a cegonha convidou a raposa para jantar.

Na hora marcada, chegou à casa da anfitriã. Esta, com caprichoso afã, pedindo desculpas pelo transtorno, solicitou ajuda para tirar do forno a carne, cujo cheiro enchia o ar.

A raposa, gulosa, espiou o cozido: era carne moída - e a fome a apertar! Sentou-se depressa à mesa, esperando a comida chegar.

Nesse momento, a cegonha entrou na sala e colocou sobre a mesa uma vasilha de gargalo estreito e muito comprido.  Lá dentro, estava a carne macia e cheirosa que seria o jantar.

Vocês já perceberam o que aconteceu? A cegonha, com seu bico fino e comprido, conseguiu comer toda a carne, enquanto que a raposa tentava enfiar lá dentro o focinho, sem sucesso.  Pobre raposa! Quis dar uma de esperta e só o que conseguiu foi levar de volta sua barriga, roncando de tão vazia.  Voltou em jejum para casa, envergonhada, com o rabo no meio das pernas e as orelhas baixas.

La Fontaine diz ao final desta fábula; Embusteiros, é para vocês que eu escrevo: esperem sempre pelo troco.  Quem planta, colhe."

Com esta fábula, La Fontaine apenas demonstra que tudo aquilo que realizamos de ruim para os outros volta para nós, mais cedo ou mais tarde e, dependendo do momento que volta, pode voltar com intensidade diferente e pode causar também reações diferentes no indivíduo que o recebe de volta.  A história é um tanto agressiva e o ideal não é revidar, mas como ele tinha que colocar dois animais (como já foi dito no primeiro texto, fábulas são histórias fictícias que envolvem animais ou divindades, com um toque de humorismo), ele escolheu a raposa e a cegonha para ilustrar a vingança imediata.

Hammed traz outra história para ilustrar uma vingança tardia.

"Numa aldeia um homem foi condenado a ser atirado num poço abandonado e vazio.  A população da vila achou por bem fazer sua própria justiça, pois tinha sido ofendida e desrespeitada por esse homem.

Então, jogaram-no neste poço e começaram a lançar sobe ele muitos insultos juntamente com lama e lixo das ruas - alguns cuspiam também.  Repentinamente, surgiu um homem que lhe atirou, com raiva, uma pedra.

O homem então, com surpresa, olhou para cima e perguntou àquele que o agredia: "Eu reconheço que errei com todos os outros que me condenam ou atacam, mas você eu não conheço.  Quem você pensa que é para me atirar pedras?"

O agressor à beira do poço responde: "Sou aquele que você arruinou há 20 anos."

O condenado então perguntou; "E onde você esteve todo este tempo?"

Ao que o homem responde: "Durante todo este tempo venho carregando uma pedra no meu coração e agora que te encontrei, vulnerável e nesta miserável condição, resolvi colocar a pedra em minha mão."

Esta história trata, como já foi dito, da vingança tardia ou retroativa.  Este tipo de vingança caracteriza-se por mágoas guardadas em segredo durante muitos anos, nódoas emocionais ou feridas da alma.

Ambos os tipos de vingança, tardia ou imediata, são prejudiciais à vida.  Analisemos cada uma delas.

No primeiro caso, da cegonha e da raposa, da vingança imediata, o fato é menos prejudicial para um dos lados - o lado da cegonha.  Esta se vingou quase que de imediato, querendo dar uma lição na raposa.  É quase como "mostrar" à raposa o que ela fez.  Pode trazer bons resultados de aprendizado, se a raposa aceitar a lição, do contrário, ela pode, por exemplo, sentir-se enraivecida e atacar a cegonha.  Então, neste caso, a cegonha também sairia perdendo com sua vingança "orgulhoso-vaidosa" e se machucaria.

No lado da raposa, como o texto diz, "voltou em jejum para casa, envergonhada, com o rabo no meio das pernas e as orelhas baixas".  Nesta fábula, ela entendeu o que havia feito com a cegonha e envergonhou-se, ou seja, tomou consciência do seu erro, aprendeu a lição.  Muitas vezes, quando nos envergonhamos por causa de alguma coisa aprendemos a lição, e dificilmente a repetimos.  Entretanto, também existem casos de pessoas que passam por humilhações, vergonhas e mesmo assim não compreendem onde erraram, ou até não admitem que errem e não entendem como fazer para não repetir o erro. Se usarmos o raciocínio e se quisermos crescer e aprender, lançamos mão da humildade e compreendemos o nosso erro.

Outra atitude que poderia advir da raposa como já mencionei, é a raiva.  O seu orgulho ferido poderia por tudo a perder e ela poderia atacar a cegonha.

Buscando o lado mais sombrio da situação, ela poderia virar uma "bola de neve" onde as vinganças se sucederiam até a destruição de um dos lados (a raposa vingando-se da cegonha que se vinga novamente da raposa e assim por diante).

No segundo caso, do homem que atira pedras no condenado, da vingança tardia, o fato é bastante pernicioso para aquele que guarda as mágoas por um bom tempo e depois resolve vingar-se.  Na história contada por Hammed, o homem que atirou a pedra, vingou-se casualmente, pois estava passando por ali, viu seu desafeto e aproveitou a oportunidade para desforrar-se dele, por um ato prejudicial que o condenado cometera no passado.  Todavia, poderia ser diferente - a vingança poderia ter sido planejada com minúcia e estratégia, para depois ser colocada em prática num momento que o vingador achasse adequado.  Ainda existe também, a questão do teor vibratório da ação.  Sabe aquele ditado "o perfume permanece nas mãos que entregam flores?" Pois é.  Aquele que se vinga também sente os efeitos negativos de sua vingança planejada.

Assim, nenhuma das duas vinganças, a imediata e a tardia são situações positivas, pois trazem à tona o pior daquele que se vinga.

Então como fazer para não guardar mágoas, ou melhor dizendo, como fazer para não desejar a vingança? Qual a melhor atitude quando enfrentamos situações de ultraje ou de afronta?  Hammed nos faz refletir: se uma farpa de madeira, por acidente, introduz-se em nossa pele, qual atitude devemos ter? Com certeza, removê-la o mais breve possível.  Se ela for deixada na pele, parada, poderá causar dor e até pode infeccionar e, por consequência, contaminar todo o nosso organismo.  Com as farpas venenosas da vingança que se instalam em nosso espírito, é necessário fazer a mesma coisa, antes que os planos de revide comecem a se delinear em nossa mente.  Claro que as farpas da vingança são mais difíceis de serem extirpadas do que as farpas de madeira.  Para extirpá-las o processo começa exatamente em nossa mente.  De nós depende analisar e transformar as situações de ultraje, de ofensa.  Mas, como? Mudando o nível de consciência para alterar a concepção sobre os atos e atitudes que vivenciamos.  Como assim?

Bem, tentemos explicar melhor.  Quando percebemos que alguém nos ofendeu, ou nos acusou/difamou sem razão, o ideal é rever as próprias emoções que gravitaram em nosso íntimo no momento da ofensa; talvez o outro tenha pisado em nosso "calcanhar de Aquiles" e não percebemos conscientemente.  Daí a importância do autoconhecimento.  Se você conhece os seus pontos fracos, deve fortalecê-los para não cair como um "patinho" - não cair em armadilhas.

Por exemplo, se você tem o costume da maledicência e quer eliminá-lo de sua personalidade deve ficar longe de rodinha de amigos, que usualmente faz uso deste tipo de comportamento.  Outro exemplo: suponha que você se acha limitado, com baixa autoestima e alguém, intencionalmente ou não, acusa-o de ser "burro" (ignorante).  Você poderia sentir muita raiva e buscar revidar.  Aqui, também o autoconhecimento presta um enorme serviço à sua harmonia interior, pois você compreenderia que esse é o seu ponto fraco que deveria trabalhar.

Para evitar os planos de vingança, devemos ter empatia; devemos ter a capacidade de nos identificarmos com o outro - a ideia é, emocionalmente, tornarmo-nos conscientes e compreensivos com os atos do outro que o levaram a nos ofender, humilhar, caluniar; ponderarmos quais seriam os sofrimentos que ele carrega no seu íntimo para ter agido de tal maneira.  Outras considerações a pesar seriam tentar saber que tipo de aprendizado ele teve para agir no meio social, qual seu nível de discernimento do mundo que o cerca, qual sua maturidade.

Hammed completa afirmando que o ser empático possui sensibilidade suficiente para perceber a emoção que levou o outro a agir daquele jeito e então, ele consegue atenuar ou reduzir o "abalo íntimo" que ele sofre diante de certos atos e atitudes alheias.

E, então quando falamos do ato de não se vingar, temos que falar do ato de perdoar.  Se exercitarmos a empatia, se buscarmos compreender os atos alheios, principalmente àqueles dirigidos a nós de maneira negativa, estamos a caminho do ato de perdoar.  Quando desejamos perdoar alguém, precisamos acrescentar às coisas novos significados, ou seja, compreender uma experiência de forma diferente.  Para perdoarmos, precisamos refazer ou modificar nossas atitudes, voltarmos nossa atenção para o outro lado da questão e até talvez, perguntarmo-nos: "O que mais isto poderia significar?"

Muitas vinganças familiares, crimes, guerras acontecem porque as ofensas não são relevadas, esquecidas, compreendidas.  Talvez por isso a igreja moderna tenha modificado a frase do Pai-Nosso "Pai, perdoai as nossas dívidas assim como perdoamos aos nossos devedores" para "Pai, perdoai as nossas ofensas assim como perdoamos a quem nos tenha ofendido".

Quando fazemos o exercício de reflexão para compreendermos e perdoarmos o outro, todos nós crescemos e todos nós evoluímos igualmente, porque podermos ver com clareza que todos têm dificuldades iguais às nossas e que se nós estivéssemos em sua condição ou situação, talvez atuássemos do mesmo modo.  Essa postura de vida leva à solidariedade, a uma convivência de teor ético e a relacionamentos mais saudáveis.

Quando criamos expectativas irreais a nossos respeito e a respeito dos outros, podemos nos frustrar facilmente.  Se não refletirmos, compreendermos e buscarmos uma razão dentro de nós, nódoas de desgosto podem tomar conta de nossas vidas.  A mágoa pode se instalar sutilmente no início e pode desencadear desejos de vingança mais adiante.  

Uma mágoa acalentada por anos a fio pode trazer enfermidade tanto para o corpo como para a alma.

Hammed define o revide como o ato ou efeito de polemizar, rebater, replicar uma crítica ou ofensa, ou também reação imediata e penetrante a um acontecimento.

Uma das vantagens de não revidar e perdoar é nos livrar dos desgastes de energia e da fadiga do revide, das discussões, das brigas, da raiva e da crítica.  O perdão traz paz interior.  As emoções de melindre e ressentimento, por sua vez, trazem mal estar, cansaço, queda de adrenalina.

Moral da história, para finalizar: aquilo que plantar, colherá.  A vingança nunca substitui o mal que se sofreu - ao contrário, pode trazer males maiores.  É como um bumerangue que volta para nós, quando o arremessamos.

Mas, é importante lembrar que quando perdoamos, não queremos dizer que concordamos com os atos de agressão cometidos a nossa pessoa, pois estes violam valores e modos de pensar e agir de um indivíduo.  Não está em nós julgarmos os atos e comportamentos de nossos semelhantes.

Perdoar é uma nova maneira de ver a vida fora e dentro de nós. Quando perdoamos genuinamente, o outro pode transformar-se em nosso amigo.

Acho que o texto de hoje deu para refletirmos bastante.

Boa semana!

Até!






























sexta-feira, 23 de julho de 2021

O DESTINO DO HERÓI

Caros leitores,

A segunda regra do novo livro de Jordan Peterson é simples e complexa ao mesmo tempo.  Ele fala muito do mundo mitológico e como este retrata algumas situações do cotidiano.  Para aquelas pessoas não familiarizadas com esse mundo, apenas informo que muitas histórias da mitologia mundial são retratos fiéis de como a humanidade caminha desde os tempos extremamente remotos até os dias atuais.

Assim para chegar nessa regra ele discorre sobre algumas cenas mitológicas antigas e atuais, entretanto não o farei aqui.  Vamos direto à regra: "Imagine quem você poderia ser, e então mire diretamente nessa imagem."

A primeira pergunta a refletir é "Quem é você?" E o mais importante - "Quem você poderia ser, se você pudesse conceber qualquer ideia do que pudesse ser?"

"O antigo filósofo grego Sócrates acreditava que todo o aprendizado era uma forma de lembrança.  Sócrates afirmou que a alma, imortal em sua essência, conhecia tudo antes de vir ao mundo como uma criança."

Bem, baseado nessa premissa de Sócrates, talvez já, inconscientemente, viemos cumprir uma missão...

Embora tenha afirmado no início que não iria discorrer sobre mitologia, entretanto mencionarei algo a respeito de heróis (Peterson discorre sobre isso para dar respaldo a essa regra) - na mitologia, nas histórias em quadrinhos, em contos de fada, em história infantis - em suma, todos têm o mesmo papel no final: matar o dragão/monstro/bandido e salvar a mocinha/princesa/a virgem indefesa.

Peterson traz vários exemplos de histórias de várias épocas da humanidade, as quais trazem a mesma temática Herói-Monstro-Donzela indefesa.

Afinal de contas, o que as histórias de heróis têm a ver com "Quem você poderia ser, se pudesse escolher ser qualquer coisa?" Em realidade muita coisa, na opinião de Peterson e na minha também.

A humanidade foi se desenvolvendo através de histórias contadas sobre fatos reais e também sobre fatos imaginários.  Muitas mitologias parecem realmente histórias extremamente estranhas, entretanto elas também têm seu lado verdadeiro.

Peterson traz muitos exemplos da Bíblia e aqueles que já tiveram a curiosidade de ler algum trecho do Velho Testamento verão que ele se parece com histórias de Steven Spielberg tamanha quantidade de fantasias; entretanto muitas religiões seguem essa coletânea de livros e fazem de seus relatos um exemplo a ser seguido na vida cotidiana.  O Novo Testamento também tem suas idiossincrasias, porém os fatos, exemplos e atitudes de Jesus, na minha opinião, são o modelo ideal de vida para aqueles que desejam uma vida relativamente feliz e para a vida em sociedade.  Afinal de contas, Ele separou o calendário mundial em antes e depois Dele.

Assim, desde sempre a humanidade, em seu caminhar, observou e raciocinou sobre as tradições, as histórias passadas de geração em geração.  A vida moral do planeta foi sendo construída no passado através de figuras, desenhos, imagens que contavam as histórias e o folclore dos povos.  Depois do advento da escrita, as histórias foram transformadas em literatura que hoje, infelizmente está sendo apenas consumida através de filmes e séries cinematográficas; nada contra, podemos conhecer uma história completa vendo um filme de duas horas de duração, ao invés de levar alguns dias (para algumas pessoas meses ou anos...) para ler a mesma história num livro.  Aqueles que já leram uma determinada história, ao verem o filme da mesma, percebem que, de longe, o livro é melhor.  Sabem por quê? Ao ver o filme tenho a visão do diretor do filme e a imagem está na minha frente, mas quando leio o livro uso de minha imaginação, apesar da criatividade do escritor.  Isso torna meus pensamentos mais criativos - começo a aprender a fazer escolhas próprias ao invés de "comprar" escolhas alheias.  Reflitam sobre isso.

Bem, voltemos ao tema da regra de J. Peterson.  Nos livros, nos filmes, nas histórias infantis, nos contos de fada e na mitologia temos fartos exemplos de muitos tipos de comportamento e podemos escolher aquele que consideramos melhor, mais adequado ao momento presente, o que melhor condiz com nossa personalidade em constante construção.

O modelo de história de herói-monstro-donzela traz muitos comportamentos, sendo o principal deles, a coragem. "Nós aprendemos a ver e agir do mesmo jeito que os heróis das histórias que nos cativam."  Isso faz de nós uma criatura que é parte natureza e parte cultura.

Peterson afirma que "cada sociedade já está caracterizada por um comportamento padrão (por comportamento padrão, entendo a noção de virtude e vício como sendo praticamente universais); do contrário tudo seria puro conflito e não haveria "sociedade" como a conhecemos." Para ele, "a demolição da tradição é um convite ao reaparecimento do caos - quando a ignorância destrói a cultura, os monstros emergem."

"O ser humano pode e continuamente busca e encontra o novo, investiga e se adapta à ele, e até o torna parte dele mesmo."

Isso faz de nós criaturas em constante evolução - partes de nós morrem em situações de crises e conflitos, mas há o nascer ou o renascer de outras partes de nós continuamente - é um ciclo de Herói-Dragão-Morte e Renascimento. Em que etapa da vida você está? No herói matando o dragão; no dragão sendo morto; na morte de um processo ou de uma característica de personalidade que não serve mais ou no nascimento e/ou renascimento de uma nova forma de vida?

A história tem moldado a vida e a sociedade desde o início da humanidade e cada um de nós continua construindo-a.  Entretanto, cada indivíduo busca ser feliz e há inúmeras maneiras diferentes de realizar essa construção - uns escolhem copiar a vida dos outros, dos livros, dos filmes; outros usam de imaginação e criatividade nessa busca; mas uma coisa é certa - nem todos caminham em direção a suas metas.  Alguns encontram-se perdidos por vários motivos, mas acredito que o principal deles é a tal falta de coragem do herói falada aqui.

Então trago a vocês um roteiro, inspirado por Jordan Peterson, para que vocês possam iniciar vossa viagem em direção ao vosso objetivo; aquele que já atingiu seu alvo pode buscar outros, pois a vida é um eterno caminhar, um constante evoluir, tudo está em movimento. (Não nos esqueçamos que a Terra gira sobre si mesma, gira ao redor do Sol e nossa Galáxia se arrasta continuamente pelo Universo).

Assim, "para o melhor ou para o pior, você está numa jornada.  Você está numa aventura e seria bom que seu mapa fosse preciso."

Vamos ao roteiro. Busque um objetivo futuro, faça planos para daqui a dez anos.  Para facilitar coloque tudo num papel.  Lembre-se de que nessa empreitada o passado, o presente e o futuro são importantes - afinal de contas, o ideal é tentar não incorrer em erros passados.  Analise prós, contras, consequências - a curto e a longo prazo.  Se no meio do caminho achar melhor fazer desvios, faça-os.  O caminho até a meta final pode conter curvas, retas, pontes, encruzilhadas.  Você pode até mudar o objetivo final, porque a ideia aqui é expandir, melhorar a sua pessoa.  Com disciplina e vontade você fará sua vida ser significativa e produtiva e talvez ela até lhe traga momentos de satisfação e alegria.  Com vontade e perseverança você poderá ser o herói de sua história, o viajante disciplinado, o transformador criativo, o benfeitor de sua família e da sociedade como um todo.

"Imagine quem você poderia ser, e então fixe seu olhar nessa imagem."

Boa semana a todos!









 

quarta-feira, 14 de julho de 2021

COREIA DO SUL X COREIA DO NORTE

Amigos leitores,

A semana passada assisti a uma das melhores séries, na minha opinião, na Netflix - "Pousando no Amor" ("Crash landing on you" em inglês) - é uma comédia romântica de produção coreana.  A história é fictícia, bem contada, bem escrita, bem dirigida e com bons atores.  Muitas reflexões ocorreram no decorrer da trama - tentarei passar para vocês todas as ideias e descobertas que realizei sobre mim mesma e o mundo.

Com a Netflix e outras emissoras de streaming podemos assistir produções filmo gráficas do mundo inteiro, sejam filmes, séries ou documentários - acredito ser essa uma das grandes conquistas da globalização.

Quando jovem sempre gostei de cinema, não somente os filmes da moda, os chamado filmes comerciais, mas também os filmes "de arte" - aqueles filmes que nem todo mundo aprecia; assisti muitos filmes chineses, suecos, alemães, italianos, franceses. 

Mas a experiência de assistir a uma série, uma comédia romântica de 16 episódios de aproximadamente uma hora e meia cada um, da Coreia do Sul, foi além, muito além de qualquer expectativa.

As surpresas, as descobertas e as reflexões que foram aparecendo enquanto via a série foram incríveis.

Quando vejo um filme estrangeiro gosto de assisti-lo na língua original com legendas em português.  Alguns de meus amigos preferem assistir a filmes dublados em português - eles não tem ideia do que perdem ao fazer isso - perdem toda a estrutura da cultura do país.  O idioma, sua melodia, seu ritmo, as expressões faciais conjugadas com a língua trazem toda uma riqueza e aprendizado que obtemos dos outros povos.  Podemos até aprender muitas palavras de outros idiomas. Através da língua entendemos melhor suas expressões corporais e assim compreendemos melhor suas vidas, seus ambientes e seus comportamentos.

A série me foi indicada por uma amiga que conhece razoavelmente minhas preferências de filmes.  A história se passa nos dias atuais quando uma sul-coreana praticando parapente para experimentar uma roupa para esse esporte, de sua própria grife, acaba "caindo" na Coreia do Norte, por conta de um tufão na região.  Bem, aí a trama começa a se desenrolar quando um capitão do exército norte-coreano a encontra.  Por conta desse acidente, ela fica uns dois meses lá, conhece pessoas de lá e passa a "morar" na vila militar da região.  Eles, ela e o capitão do exército, se apaixonam mas ela consegue voltar para casa, para a Coreia do Sul.  A outra metade da série é passada na Coreia do Sul quando ele vai para lá escondido para salvá-la de um possível atentado contra sua vida.

Bem, obviamente não relatarei toda a história e compartilharei com vocês as minhas impressões.

A primeira coisa que me chamou a atenção foi o contraste da vida cotidiana das duas Coreias - a do Sul, capitalista e a do Norte, comunista.  A primeira com cidadãos livres, bastante consumista (demais para meu gosto), parecida com qualquer cidade capitalista que conhecemos.  A segunda, com cidadãos "contidos", ninguém entra e ninguém sai do país sem autorização do governo.  Bem, em realidade, a Coreia do Norte é tão fechada que nós realmente não temos muita ideia de como é a vida deles.  Acredito que os sul-coreanos, pela proximidade geográfica, devem ter mais ideia disso, embora talvez na série,  eles tenham exagerado na situações vividas pela personagem quando esteve "prisioneira" lá.

Na história foi comentado que haviam sotaques diferentes; detectava-se de qual Coreia cada pessoa "pertencia" por causa dos sotaques diferentes. Assim, quis entender melhor a divisão da Coreia, quando ocorreu e o porquê da mesma.  Então, trago para vocês algumas informações gerais que compilei da Internet - Wikipédia.

"A divisão da Coreia em Coreia do Norte e Coreia do Sul resulta da vitória dos aliados na II Guerra Mundial de 1945, terminando o domínio colonial de 35 anos do Japão na Coreia.  Em uma proposta que obteve a oposição de quase todos os coreanos, os Estados Unidos e a União Soviética concordaram em ocupar temporariamente o país com uma tutela com a zona demarcada de controle ao longo do paralelo 38.  O objetivo desta tutela foi o de estabelecer um governo coreano provisório, que viria a ser "livre e independente no devido tempo".  Embora as eleições fossem agendadas, as duas superpotências apoiaram líderes diferentes e dois estados foram estabelecidos de forma eficaz, cada qual reclamando a soberania sobre toda a península coreana.

A Guerra da Coreia (1950) deixou as duas Coreias separadas pela Zona Desmilitarizada Coreana, mantendo-se tecnicamente em guerra durante a Guerra Fria até os dias atuais.  A Coreia do Norte é um Estado socialista, muitas vezes descrito como stalinista e isolacionista.  Sua economia inicialmente teve um crescimento substancial, mas entrou em colapso na década de 1990, ao contrário do seu vizinho socialista - China.  A Coreia do Sul surgiu após décadas de regime autoritário, como uma democracia liberal capitalista, com uma das maiores economias do mundo.

Desde a década de 1990, os sul-coreanos com administrações progressivamente liberais, assim como a morte do fundador norte-coreano Kim Li-Sung, os dois lados deram pequenos passos no sentido simbólico de uma possível reunificação coreana."

Depois dessa informação histórica, relato outra coisa que descobri - achei curioso um detalhe: achava que não saberia quem era quem na história pela semelhança entre os coreanos/orientais.  Esse é um dos nossos preconceitos.  Achamos todos parecidos...  Entretanto isso não é real - depois do quarto ou quinto episódio você já se familiariza com os personagens e sim, eles são diferentes.  Em realidade, nem sei se todas as pessoas ocidentais têm essa impressão - eu tinha...

Outra particularidade que me chamou a atenção é a sensibilidade dos personagens - é uma história romântica onde há lágrimas, dores, partidas e as expressões faciais de todos eram muito coerentes.  Também tinha a impressão (ou melhor, o preconceito) de achá-los frios, com pouca expressão corporal, mas outra descoberta (pelo menos para mim) - em cenas engraçadas (e existem muitas), de ação, ou de tristeza, quase não havia necessidade de palavras.

No tocante às tramas familiares, também estavam retratados a inveja, o orgulho, o egoísmo, a desonra, a corrupção, a vingança.  O autor do enredo foi muito imparcial - retratou mocinhos e bandidos nos dois lados: na Coreia do Norte há pessoas boas e na Coreia do Sul há pessoas más - como qualquer lugar do planeta.

Em suma, é uma bela série que eles denominaram de comédia romântica e que traz de volta o cinema antigo - sem cenas de sexo irrelevantes, uma violência coerente com o enredo (não gratuita e sem exageros) e uma história, embora fictícia, passível de acontecer na vida real.

Não quero esquecer de mencionar a trilha sonora - muito boa, embora não entenda a letra das canções.  Há também uma música instrumental que o protagonista principal toca na série - muito bonita - já a coloquei no toque do meu celular.

O final da história, o qual não irei contar, não me deixou satisfeita mas, de quebra trouxe mais um ensinamento - a de que a vida é uma aventura extraordinária onde o momento presente deve ser valorizado, sabendo que o futuro será cheio de novas e encantadoras surpresas - basta acreditar e aceitá-lo como vier.

Para mim, essa série, além de muito boa, trouxe autoconhecimento.

E aí, bora assistir a série?

Boa semana a todos.






 






 




terça-feira, 6 de julho de 2021

A RAPOSA E AS UVAS

 Caros amigos,

Hoje é dia de mais uma fábula.  Vamos à ela.

"Contam que certa raposa astuta, quase morta de fome, sem eira nem beira, andando à caça de manhã, passou por uma parreira carregada de cachos de uva bem maduros, todos pendentes na grade que oferecia suporte à videira.

Mas eles estavam altos demais e a raposa não podia alcançá-los.  De bom grado ela os trituraria, mas sem lhes poder tocar disse:

- Estão verdes... já vi que são azedas e duras.  Só os cães podem pegá-las.

E foi embora a raposa, deixando para trás os cachos de uva, madurinhos e doces, prontos para quem por ali passasse e pudesse alcançá-los."

Essa fábula de La Fontaine é bastante conhecida e muitas vezes mencionada em situações do dia a dia quando fazemos uso de uma mentira para aplacar uma angústia interna.

Na história, num primeiro momento, a raposa avista um alimento que pode saciar sua fome, depois faz várias tentativas para alcançar as uvas (objeto de seu desejo).  Quando, exausta, percebe que não irá conseguir alcançá-las, uma atmosfera de incapacidade começa a delinear-se em sua mente.

No início, a busca pelo alimento estava ligada ao seu "estado físico" (o saciar a fome como necessidade biológica), entretanto, depois do ocorrido (suas infrutíferas tentativas de alcançar as uvas), ela começa a sentir algo diferente - frustração. Então, ela pensa, reflete sobre o seu fracasso, percebe que não pode realizar tudo o que deseja, é um ser limitado, mas não quer ser considerada falida ou derrotada.  Nesse momento, também percorre pelo seu íntimo um sentimento de desestima e rejeição a si mesma, percebe a sua pequenez perante a realidade dos fatos da vida.  E, pensa: "Que futuro me espera daí em diante?" Como fazer uso da razão para aceitar a si e aos fatos sem contradizer a realidade? Se fizer isto estará sendo incoerente, estará em jogo a falta de nexo ou de lógica...

Nesse momento, ocorre o inesperado: ela conta uma mentira para si mesma, engana si própria. "Estão verdes... já vi que são azedas e duras.  Só os cães podem pegá-las."  Como seu sistema mental não podia aceitar a derrota, o fracasso, ele precisou adaptar-se de maneira "positiva" à dura e frustrante realidade; a raposa deu a si uma vantagem e mentiu para si mesma.  Sua conclusão sobre a condição das uvas não condiz com a realidade, entretanto salva a estrutura íntima da raposa.

Então, ela parte dali, em busca de outro tipo de alimento, com sua angústia interna aplacada, não dá continuidade a seus pensamentos e sentimentos internos (que ela considera negativos - fracasso, derrota) e desiste da crise existencial que poderia provocar reflexões e mudanças em sua vida.

O mecanismo do qual ela faz uso é o da racionalização.  Este mecanismo de defesa permite a negação dos reais motivos de uma situação, escondendo as sensações desagradáveis que vivenciamos com justificativas equivalentes ou histórias semelhantes.

A racionalização é o processo de encontrar motivos aceitáveis para pensamentos e ações inaceitáveis.  Esse termo foi criado por Freud.  William James, outro teórico da psicologia fala de sentimento de racionalidade. "A racionalização envolve o processo de desejo e a procura da razão para justificar um ato cometido por outras razões, na maioria das vezes, irracionais.  O Sentimento de racionalidade é a carga emocional que emerge do relacionamento com uma ideia antes que nos mobilizemos para aceitá-la ou não". (Teorias da Personalidade - James Fadiman, Robert Frager, 1976).

Lembremo-nos de que todo mecanismo de defesa do ego possui duas características comuns:

a) Nega, falsifica ou distorce a realidade;

b) Opera inconscientemente, ou seja, a pessoa não tem consciência do que está ocorrendo. (Teorias da Personalidade, C.S.Hall e G. Lindzey, 1973).

Assim como a raposa, nós também buscamos acalmar nosso íntimo com falsas razões que consideramos "boas razões"; criamos "explicações" para justificar nossos fracassos e frustrações.

Um dos bons exemplos de racionalização é a maledicência onde a desculpa é a de que todos fazem isso e pior, os outros também falam mal de nós, então... A racionalização está na afirmação de que quando falamos dos defeitos alheios estamos apenas analisando suas personalidades como se conhecêssemos suas vidas na íntegra e melhor, com se fôssemos profundos conhecedores da psicologia humana. A desculpa da "análise" da personalidade humana, para alguns, é impedir que se cometam os mesmos erros.  Em verdade, desvalorizamos ou difamamos as pessoas para nos sentirmos melhores, mais eficientes, mais superiores ou capazes perante os outros.  Esta é a verdadeira intenção inconsciente dos maledicentes.  O que deve ser realmente analisado e observado nesta situação é de que em muitas circunstâncias, temos exatamente as mesmas qualidades negativas que observamos nos outros - é a famosa projeção, relatada num texto anterior.

Em sã consciência, quem pode realmente emitir julgamentos sobre alguém? Como apontar ciscos nos olhos dos outros com uma trave nos próprios olhos? Como se pode atirar pedras quando se está carregado de "pecados" (imperfeições)?

Será que quando falamos mal ou bem de uma pessoa, esta não recebe os eflúvios das vibrações de nossas palavras, sentimentos ou pensamentos? Cientificamente a sintonia, as vibrações à distância já foram estudadas.  Assim, se forem palavras de crítica destrutiva, esta pessoa não sentir-se-ia mal? Não sentiria ela um mal estar, uma leve indisposição, uma tontura, ou como diria Luke Skywalker de "Guerra nas Estrelas", um abalo na força?

E se forem palavras de crítica construtiva, palavras positivas, ela também não sentiria as vibrações de amor, de caridade, de benevolência e portanto, sentir-se-ia bem, com disposição e uma sensação de paz e bem estar? O pensamento é vida e neste caso tanto o falar quanto o pensar tem o mesmo peso, pois são vibrações.

São facetas da maledicência: a denúncia caluniosa, a crítica mordaz, o comentário malicioso, o falar mal, a interpretação pejorativa, o julgamento falso, a suspeita comprometedora.  Atualmente é difícil não cair nas malhas deste desvio moral, mas tratemos de nos esforçar em ampliar os recursos da caridade para com o nosso próximo e mantenhamo-nos silentes quando não pudermos valorizar, pela palavra, ato ou pensamento, as ações no bem que podemos realizar, porque o mal não merece comentário em tempo algum.

Agora, falemos um pouco mais sobre a Frustração.  No dicionário Aurélio, Frustração é o estado de quem, por ausência de um objeto ou por um obstáculo externo ou interno, é privado da satisfação dum desejo ou necessidade.  A ideia inicial é compreendermos que tipo de desejos ou necessidades que não são satisfeitos.  Hammed vai mais fundo nesta questão e afirma que quando estabelecemos altos padrões e metas existenciais elevadas ao mais algo grau, mas não estamos preparados para aceitar serenamente resultados que não vão de encontro imediato ao objetivo desejado, sentimo-nos frustrados, e nesta frustração nossa autoestima se rebaixa e podemos apresentar depressão, tristeza, raiva.  Então, sentimo-nos impotentes - essa é a única realidade; os outros sentimentos que nos acometem são exatamente fruto de nossa não aceitação da realidade.

Para identificarmos melhor a sensação de frustração, ilustremos com dois exemplos.

Um milionário de Nova York toma conhecimento de um leilão de arte em Londres.  Ele pretende adquirir um quadro que lhe traz muito bem estar e satisfação quando o admira.  Quando vai tomar o avião para Londres, cai uma nevasca, o aeroporto é fechado, ele é impossibilitado de ir ao leilão e o quadro é adquirido por outro comprador.  Então o milionário, embora tendo todas as condições para satisfazer seu desejo, é bloqueado por um problema climático, e sente-se frustrado.

No segundo exemplo, tomemos uma mulher de 25 anos, solteira que está interessada num rapaz que conheceu superficialmente numa festa.  Numa festa seguinte em que é convidada, ele aparece lá com uma namorada.  Então, ela, que tinha o desejo de começar um relacionamento com ele, sente-se frustrada de não ter o seu desejo realizado.

Com estes dois exemplos descritos façamos uma projeção futura e imaginemos que tipos de atitudes posteriores poderiam advir dessas duas situações frustrantes.

No primeiro caso, se ele não aceitasse com serenidade a perda do objeto desejado, no caso, o quadro, ele poderia tentar encontrar o comprador para adquiri-lo a qualquer preço, afinal de contas, ele é um milionário, mas ele poderia incorrer numa nova frustração.  E, se caso ainda não aceitasse que o comprador não o venderia por nenhum valor, sua raiva em não conseguir o quadro poderia levá-lo a atitudes irracionais - dá para imaginar que tipo de atitudes!

No segundo caso, ela poderia desestruturar, com atos estratégicos, o casal de namorados para tentar ficar com ele.  Imaginemos que ela o consiga, mas descobre que ele não está interessado nela - ele não gosta dela do mesmo modo que ela gosta dele.  Nesse sentido, a frustração seria imensa e se, principalmente, ela não aceitasse este fato com serenidade, poderia continuar tentando seduzi-lo de todas as maneiras possíveis.  Em não aceitando o fato, a realidade da vida, perderia a oportunidade de crescer e evoluir.  Ficaria parada, estagnada.

A frustração nada mais é do que outra faceta do orgulho, pois só fica frustrado aquele que não aceita os percalços da vida com compreensão, serenidade e raciocínio.  É bom, saudável e correto lutarmos por nossos objetivos na vida; o que não é saudável é não aceitarmos com serenidade aquilo que não podemos mudar.  A oração da serenidade, muito usada nas reuniões de compulsivos (alcoólatras, neuróticos,  toxicômanos, etc.) se ajusta perfeitamente a essa situação: "Senhor, concedei-nos a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, coragem para aceitar aquelas que podemos, e sabedoria para distinguir umas das outras."

E assim, como já foi dito antes, a racionalização é um mecanismo de defesa do ego quando uma pessoa apresenta uma explicação com lógica e consistência ou até eticamente aceitável para uma ação, sentimento ou atitude que lhe causa sofrimento moral e com a qual ela não consegue lidar ou aceitar.  Essa explicação disfarça os reais motivos tornando o inaceitável mais aceitável.  Ilustremos novamente com os dois exemplos anteriores.

No caso do milionário, ele poderia dizer que o quadro não valia todo aquele dinheiro ou até que o quadro tinha um defeito na pintura.

No caso da moça apaixonada, ela poderia maldizer o rapaz dando-lhe características negativas, tais como "ele não era honesto, se vestia mal, tinha dentes feios, falava com a boca cheia de comida, etc."

Nosso crescimento como indivíduos no contexto social pressupõe melhorarmos nosso caráter.  Para melhorarmos nosso caráter devemos, antes de qualquer coisa, reconhecer nossos erros, nossos defeitos, sermos honestos com nós próprios.  Quando usamos da racionalização, usamos também a inteligência para negar a verdade, mentimos para nós mesmos e, portanto, somos desonestos com nós próprios. Se mentimos para nós mesmos, é fácil mentirmos para os outros também.  Se há a mentira em jogo, há uma ruptura em nosso caráter.  E, havendo esta ruptura há a dificuldade da expansão da consciência, que por sua vez causa uma desestruturação da nossa individualidade como ser humano.

Para expandirmos nossa consciência devemos integrar todos os conhecimentos adquiridos até o presente para além dos limites conhecidos.  E essa expansão traz experiências transformadoras, radicais (às vezes) e intensas no indivíduo no que diz respeito à sua visão de mundo e à sua forma de viver.

Mas para que ela ocorra, o indivíduo deve decidir-se por realizá-la, deve usar de sua vontade para iniciar o processo.  A expansão da consciência o leva ao crescimento pessoal, social e espiritual e mais que tudo, ao despertar dos potenciais inconscientes, tais como capacidades inatas, aptidões e conduzi-lo à sabedoria almejada.

Moral da história: uma desculpa, um julgamento inadequado pode ser uma forma de compensar nossos fracassos, e ao mesmo tempo trazer certo consolo para nosso ego ferido - mas, analisando realisticamente a situação, este "consolo" é a trave que colocamos em nossos olhos quando não queremos aceitar não somente nossos erros e más escolhas, mas também aquelas situações que não podem ser modificadas por nossa vontade, onde "ego ferido" é simplesmente nosso orgulho.

As racionalizações são usadas para compensar uma frustração.  É comum encontrar indivíduos que agem como a raposa: quando não conseguem, alcançar seus objetivos, acusam as circunstâncias, denigrem os projetos e desta forma diminuem a gravidade de seu insucesso.

Boas reflexões e boa semana!

Até!


 

 




 


 







 







"EU TENHO UM SONHO..."

Olá leitores, Os meus sonhos não são tão grandiosos quanto o sonho de Martin Luther King em seu discurso. Os meus sonhos são voltados ao meu...