sábado, 26 de outubro de 2024

"LAÇOS DE FAMÍLIA"

Caros leitores,

"Laços de Família" de Clarice Lispector foi o livro do mês de outubro de nosso Clube de Leitura.  O texto de hoje será razoavelmente curto porque não tenho muito o que comentar sobre essa obra.  São 13 contos e esse número já traz em si uma superstição, uma ideia de azar.

Inicialmente cometi um descuido ao escolher esse livro para nosso clube - é um livro de contos e a ideia de nosso grupo é ler outros tipos de livros tais como romances, biografias ou autobiografias, relatos de fatos acontecidos, novelas do cotidiano e o mais importante, os clássicos da literatura.  Quando fiz a lista dos livros deste ano não percebi que esse era um livro de contos.  A ideia também se atém a escolher, para o ano de leitura, um escritor de nacionalidade diferente a cada mês.

Clarice Lispector, embora nascida na Ucrânia, escreveu esse livro em 1960, em português e por isso foi colocada na lista como escritora brasileira.

Após a discussão da obra, que praticamente teve uma opinião unânime, notamos, ou particularmente, eu notei, o porquê não gosto de ler livros de contos - muitas vezes, se o conto não é bem escrito (e, ouso dizer que esses contos deste livro não o foram), não há uma epifania ao final dele. A história fica chocha e percebe-se que a reflexão sobre a mesma fica empobrecida.

Até que, mesmo o livro sendo ruim houve uma boa discussão pois tentamos descobrir através dos contos, "lições de vida", "fios de meada", nexo, enfim o que ela quis dizer em cada um deles.

Eu, particularmente, achei a escrita difícil pois, em minha opinião, ela não escreve bem (pelo menos nesse livro) ou não aprecio seu estilo.

Em suma, um conto, ao meu ver, deve ter começo, meio e fim - partes estas mais fáceis de encontrar num outro tipo de livro - pode até ser um retrato de um momento do cotidiano, mas deve conter essas partes.

Não recomendo esse livro e me perdoem os amantes de Clarice Lispector.

Boa semana! 

 

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

A INVEJA COMO GATILHO PARA O PROGRESSO

Olá leitores amigos,

Como de praxe, trarei a definição do dicionário Aurélio: Inveja: 1. Desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem; 2. Desejo violento de possuir o bem alheio.

Popularmente nós colocamos a inveja apenas como desejando a parte material do outro; o dicionário também traz a infelicidade que podemos sentir quando o outro é feliz e a meu ver continua sendo uma parte material. Entretanto também existe o invejar o que o outro é.  Creio ser esse tipo de inveja mais comum embora seja, na maioria das vezes, inconsciente.

Hoje traremos o outro lado da moeda, tipo "como tirar vantagem da inveja que você sente pelo outro".  Então, me aterei  apenas na inveja que sentimos pelo que o outro é, por exemplo, inveja do talento, da personalidade alheia que pode trazer sucesso e triunfo e, então inveja-se também esse sucesso e esse triunfo.

Antes de explicar o que quer dizer com tirar vantagem, gostaria de completar que invejar objetos materiais do outro denota uma pessoa primitiva, medíocre e com dificuldade de encarar a própria vida, ou até a realidade em que vive, isso a grosso modo.  Por exemplo, uma pessoa tem uma situação financeira baixa, ou tem um trabalho que não traz boa remuneração não pode querer ter, vamos assim dizer, um carro de luxo - ela até pode invejar a pessoa que tem um carro de luxo e sentir-se mal por não tê-lo.  Nesse caso, ela pode seguir dois caminhos - ter esse carro como objetivo na vida e então trabalhar e juntar dinheiro para adquiri-lo ou sentir-se triste, miserável, fracassada porque acredita que nunca poderá comprar o tal carro.  Contudo, ela poderá também trilhar um terceiro caminho - aprofundar seu autoconhecimento e tentar entender para quê ela inveja um carro de luxo... E quando ela toma esse terceiro caminho, ela deixa de ser medíocre, inconsciente e dá um passo maior em direção à sua evolução e, porque não, à felicidade e ao bem estar.

Esse é um caso. A inveja pode ser um sentimento positivo.

Muitas pessoas sentem-se muito mal quando sentem inveja de alguém; outros até se culpam por sentirem inveja do sucesso de um amigo, pois gostam dele e outros ainda envergonham-se porque o brilho de uma pessoa de seu convívio lhes causa humilhação.

"A inveja tem por função educativa colocar você em comparação com alguém". Isso não é ruim, apenas acende uma luz que deixa claro que existe um talento ou qualidade sua que está adormecida e que você não percebeu, mas que a inveja lhe mostrou - obviamente se você aceitar esse sentimento.

A psicologia nos diz que você só percebe algo no outro se você também o tiver em você - dependendo do seu grau de maturidade emocional e/ou espiritual essa percepção pode ser inconsciente - mas, se você já está realizando a prática do autoconhecimento, essa percepção será consciente - basta apenas que você tenha humildade suficiente para aceitá-la em você.

Sendo assim, as qualidades que invejamos nos outros também fazem parte de nós - temos a possibilidade de conquistá-las.  Todos nós podemos fazer muitas coisas - basta querer e ter vontade.

Outra função bastante esclarecedora da inveja é ela nos dizendo que nossa "autoestima não está boa." É como se ela nos dissesse "Não é o outro que é melhor, é você que não está se acolhendo e se querendo bem como merece!" "Você não está usando tudo o que você sabe e pode!" "Você não está reconhecendo seu valor!"

Algumas perguntas que podemos nos fazer quando a inveja surgir:

- "O que eu posso fazer a respeito dessa situação para me sentir melhor?"

- "O que esse sentimento está querendo mostrar a meu respeito através dessa pessoa?"

- "O que eu posso fazer ou ser que projetei em alguém?"

- "O que há de bom no outro que pode ser melhor em mim?"

- "O que preciso aprender sobre o que falta em mim?"

Em realidade, a melhor, eu diria, a única proposta contra a inveja é o amor a si mesmo ou o autoamor. Quando você descobrir sua verdadeira grandeza - e todos nós a temos - "A vergonha, o desconforto, a sensação de humilhação diante do brilho alheio" não acontecerá.  

E então, dá para refletir sobre como a inveja pode ser uma companheira de nosso crescimento?  

Vou deixar uma frase de Ermance Dufaux, para melhor reflexão:

"É com a pessoa antipática que você tem mais chances de aprender o que precisa para ser alguém melhor."

Em realidade, nem acho que é só com esse tipo de pessoa que podemos aprender isso, mas vale a dica.

Boa reflexão!

 

 

sábado, 12 de outubro de 2024

VIAJAR É PRECISO - PARTE II

Caros leitores amigos,

O título está como parte II porque já escrevi um texto com este título em 23.09.23, contando outra viagem.

No dia 06.10.24, meu marido Zé e eu viajamos para a cidade de Juiz de Fora em Minas Gerais - lugar que jamais esteve nos meu planos de viagem, mas que acabamos indo, pois o Zé tinha um compromisso agendado no consulado português deste lugar referente à sua cidadania portuguesa.  Em sendo assim, resolvemos ficar uns dias para fazer um pouco de turismo.

Nós partimos de São José dos Pinhais - aeroporto de Curitiba, com escala em Guarulhos - SP e final de destino em Goianá - aeroporto Itamar Franco de Juiz de Fora que dista 60 quilômetros da referida cidade de Juiz de Fora.  Esse aeroporto, com boas instalações e uma boa cafeteria, é um lugar ermo - onde pousam aviões de pequeno porte (tipo teco-teco) - nos sentimos chegando na Área 51.

A primeira surpresa de algumas: para chegar de Goianá até Juiz de Fora há poucas opções: ou de ônibus que vai até a rodoviária de lá, o qual já havia partido quando chegamos, ou aluga-se um carro na Localiza (nós não dirigimos mais há algum tempo - eu, há 15 anos e o Zé há uns 30 anos) ou de táxi (Uber não chega lá).

Bem, já deu para perceber que só sobrou o táxi à bagatela de 200 reais.  Entretanto a viagem foi ótima.  O motorista de uma companhia de táxi de luxo de Goianá (acho que é a única que faz esse trajeto...) era uma figura ímpar a começar pelo nome: Warly - talvez faça um texto futuro sobre ele.  Inclusive foi ele que nos levou de volta para o aeroporto em Goianá em nosso retorno.

Ao chegarmos no hotel Íbis outra surpresa - jantar somente de segunda a sábado - era domingo.  Toca campear lugar para comer - estávamos praticamente sem comer, pois nos voos, como são de curta distância e duração, só servem amendoim e água ou Coca-Cola.  Então, estávamos num bairro distante chamado Salvaterra e não havia nada nos arredores; telefonamos para uma padaria que informou que ficava aberta até às 21 horas - fomos até lá, ficava a uns 500 metros, e não encontramos nenhuma padaria no número indicado.  Então passamos em frente a outro hotel - Premier Parc Hotel - entramos e jantamos uma maravilhosa canja. No restaurante só havia nós dois.

No dia seguinte que era o dia livre, resolvemos conhecer o centro da cidade - esta visita poderia ter sido dispensada - muita gente, muito barulho, como quase todo centro de cidade - até duvidei que a cidade possuísse somente 200.000 habitantes - parecia maior que Curitiba, tal a quantidade de pessoas - provavelmente todos os habitantes de lá concentravam-se  para trabalhar na área central.

Entretanto, começamos o trajeto por uma rua especial - nela, uma espécie de galeria, haviam cinco sebos - nos deliciamos com vários títulos, todos muito antigos e diferentes das obras existentes nos sebos daqui de Curitiba.

Na terça feira era o dia do compromisso com o cônsul de Portugal.  A sala dele ficava numa sede do Clube Campestre da Associação Portuguesa de Juiz de Fora - um lugar muito aprazível com quadra de tênis, basquete, piscina, campo de futebol e um excelente restaurante "Cantina Verde Gaio" onde comi um salmão maravilhoso e o Zé comeu filé (ele não come peixe).

Assim que finalizou o processo do Zé, fomos até o Parque da Lajinha. Aqui na foto é um mico estrela.





Na quarta feira, último dia, fomos no Jardim Botânico de lá - adoramos. A foto do tucano de bico verde foi tirada lá pelo Zé.  O tucano estava bebendo água da bromélia.


Eu acredito que todo Jardim Botânico do mundo é lindo, pois existem nele os meus amores preferidos na vida - plantas (árvores) e animais.  Até agora conhecemos o de São Paulo (é bem bonito); o daqui de Curitiba, o qual é pobre em espécimes, só tendo como grande referencial mais visitado um dos ícones da cidade - o palácio de Cristal (a estufa), uma pequena imitação do similar da Inglaterra; o Kew Gardens da Inglaterra, onde fica a estufa original do Palácio de Cristal (aliás, de longe o melhor Jardim Botânico que conhecemos até o momento); o de Montevidéu com muitas árvores majestosas e antigas; o de Saint Andrews na Escócia, com um magnífico borboletário.

Na quinta feira voltamos para Curitiba com alguns percalços no trajeto - perda da conexão em Guarulhos devido ao atraso do primeiro voo da Voepass (depois que percebi que foi um avião dessa companhia que caiu há uns dois meses atrás...) devido à chuva.  Felizmente depois de muita correria fomos alocados num voo de outra companhia e chegamos em casa com 6 horas de atraso, aproximadamente.

Hoje resolvi fazer todo esse resumo dessa pequena viagem, mas o que mais gostei mesmo, além das plantas e dos animais, foi ter conversado e conhecido muitas pessoas diferentes e interessantes.  Eu acredito que o que sempre é mais prazeroso numa viagem é o contato humano (embora só recentemente tenha começado a apreciar esse espécime - o humano...  Gosto de momentos de solidão e silêncio, sempre prefiro animais, plantas, o campo, o mar, o rio como companhia - porém nessa viagem me surpreendi comigo mesma e com minha amabilidade para com todos - em nossas viagens, meu marido e eu, usualmente temos encontrado e conversado com jovens na faixa dos 30 anos mais ou menos ao invés de  pessoas de nossa faixa etária - e desta vez foi exatamente assim.

Em frente a janela de nosso quarto de hotel do nono andar, havia uma mata e todas as manhãs ao abrirmos a cortina (foram quatro manhãs) éramos cumprimentados por tucanos e carcarás (meus espécimes preferidos - os pássaros, depois do gatos, é claro).

Assim, como sempre digo, viajar é preciso - aprende-se muito sobre muitas coisas.

Boa semana!






  



 

quarta-feira, 2 de outubro de 2024

FRUSTRAÇÃO E SENSAÇÃO DE FRACASSO

Olá leitores,

Antes de adentrar o tema, vamos buscar seus significados no dicionário Aurélio.

Frustração: Psican. Estado de quem, por ausência de um objeto ou por um obstáculo externo ou interno, é privado da satisfação dum desejo ou necessidade.

Fracasso: 1. Desastre, desgraça; 2. Ruína, perda; 3. Mau êxito, malogro.

Até que a diferença é fácil de perceber ao olharmos essas definições no dicionário, entretanto existem situações em que confundimos as duas sensações e, como não as temos melhor definidas, mostra-se difícil para nós resolvermos essas questões dentro de nós mesmos.

Por exemplo, imaginemos que nossa vida esteja patinando, sem sair do lugar e então advém uma sensação de fracasso, onde parece nada dar certo, temos a tendência de culpar outras pessoas, situações ou até a maré de azar pelo que nos acontece.

Em nossa cultura não fomos acostumados a refletir sobre nossos fracassos, pelo contrário, somos constantemente levados a crer que só através do sucesso é que teremos condições de nos desenvolvermos melhor e assim alcançar o triunfo.

Na frustração, como o dicionário definiu, havia uma situação exclusiva, a qual você esperava um desfecho específico que não ocorreu.  O desânimo, a tristeza invade sua pessoa e, se você não se vigiar, você pode abrir a porta "para a entrada de sua irmã gêmea, a sensação de fracasso."

Assim, como lidar com essas duas sensações, quando elas ocorrem, uma vez estas serem tão similares? Primeiramente observar as situações em questão e refletir sobre suas diferenças, pois para cada uma delas necessitamos de estratégias diversas.

"O limite entre frustração e sensação de fracasso é tênue.  É uma questão de crença, posição mental e escolha."

Para facilitar um pouco, separá-las-ei em duas colunas.

Frustração

Dói, mas motiva outras buscas.

É emoção positiva, mostra que o problema está em você.

Pode se transformar em impulso motivador.

Ela diz: "Não foi desta vez, recomece e ache o caminho."

Sensação de fracasso

Trava a sua vida.

É algo mais sério, de efeitos mais nocivos.

É uma avaliação injusta, um juízo inibidor e de censura, um atestado de menos valia.

Ela diz: "Você não é capaz."

Em nosso exercício de autoconhecimento pode ser que alguns de nós já tenhamos enfrentado esses dois sentimentos.  A frustração me parece ser um sentimento inesperado, embora assim o seja para aqueles indivíduos mais incautos.

Muitas pessoas que resolvem tirar sua própria vida têm essa dificuldade em lidar com a frustração e acabam transformando-a em sensação de fracasso - dentro dessas pessoas existe um gigantesco ego envolto em orgulho, vaidade, perfeccionismo.  

O que todos nós necessitamos entender é que a vida é simples, nós a complicamos. À frente de situações que devemos enfrentar tenhamos sempre um plano B, ou seja, entendamos que nem sempre nossas expectativas serão preenchidas e quando não o sejam, que possamos buscar a coragem, a paciência, a esperança e a fé dentro de nós.

Para não cairmos em frustrações, observemos o que esperamos dos outros - muitas vezes eles, os outros, não têm realmente como preencher nossas expectativas.

Então como fazer para que nossa frustração não se encaminhe para a sensação de fracasso? Ermance Dufaux sugere: "Acolha sua frustração, transforme-a em arrependimento produtivo.  Ela pode ajudá-lo muito no recomeço em direção às suas metas."

Boa reflexão!


 

"EU TENHO UM SONHO..."

Olá leitores, Os meus sonhos não são tão grandiosos quanto o sonho de Martin Luther King em seu discurso. Os meus sonhos são voltados ao meu...