sábado, 4 de outubro de 2025

O INFERNO DO BRIGADEIRO

Olá leitores,

O texto de hoje é de autoria de J. Tucón.

Dia desses, tomando café numa padaria do Centro de Curitiba, não sei porque me veio a mente a expressão "céu de brigadeiro".

Trata-se daquele céu sem nuvens todo azul num dia ensolarado.  Perfeito para qualquer aeronave.

Daí me pus a pensar: o que seria o "inferno do Brigadeiro"?

Seria um céu à noite, durante uma tempestade violenta onde qualquer avião teria que lutar com bravura para sobreviver?

A resposta veio daí a uns minutos.

Ali mesmo na padaria.

Entrou um senhor distinto, elegantemente vestido que se dirigiu ao balcão e pediu um mini brigadeiro. 

A balconista pegou um e pasmem: pousou-o no prato da balança.

Aí ela percebeu que precisava colocar um prato para compensar a calibragem da balança.

Colocou o prato errado.

Pediu um tempo ao distinto senhor e foi buscar o prato adequado.

Colocou o brigadeiro e aí pegou uma comanda plastificada e...

Qual é o código do mini brigadeiro?

Toca a procurar numa tabela e aí digitar num teclado uma quantidade de números... Parece que o código do mini brigadeiro tem mais algarismos que o número de um cartão de crédito!

Daí imprimiu um código de barras num adesivo com o qual selou o saquinho onde foi colocado o brigadeiro.

O distinto cavalheiro pegou o mini brigadeiro e foi para a fila do caixa, a qual não era pequena. Após alguns minutos, chegou a vez dele.

A mocinha do caixa fez aquela fatal pergunta que ela deve repetir como um mantra:

- Vai querer CPF?

Um mantra que tem como resposta outro mantra: onze algarismos.

Mais um mantra: débito ou crédito?

O cavalheiro abre a carteira e pega um cartão.

Segue-se o outro mantra: vai só aproximar ou vai inserir? (atenção: a pergunta não é maliciosa).

Aí um botão é apertado e emite-se a nota fiscal que compartilha com os burocratas do Sistema as seguintes informações:

Brigadeiro pesando "x" gramas vendido ao cidadão que tem tal número de identificação fiscal no dia tal às tantas horas, na rua tal número tal.

No ato será debitado um imposto sobre o brigadeiro.

As informações serão armazenadas num servidor situado sabe-se lá onde.

Ao distinto senhor será dado um crédito de talvez frações de centavos que ele poderá descontar de sabe-se lá que imposto no próximo ano.

E aí o governo vai apregoar: estamos taxando as altas patentes! Os brigadeiros vão pagar imposto!

E o brigadeiro? Será comido? Estará saboroso? Estará no ponto?

Saudosos tempos em que o mais importante era meter os dentes a fundo no chocolate e se deixar inebriar pelo sabor.

O pagamento?

Uma nota de alguns cruzeiros resolvia sem frescura.  O preço era um só.  Ninguém tinha balança calibrada pelo sei lá que instituto.

A doçura do brigadeiro era sentida na sua plenitude, sem medo de pecar contra a hemoglobina glicada.

Comer um brigadeiro era ir para o céu.

Simples assim!

Boa semana!

 

2 comentários:

  1. Bons e velhos tempos que não voltam mais. E assim seguimos com a modernidade. 🙏🏻

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  2. Perfeito amiga! Quantas reflexões. A beleza está no simples...💖

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