O texto de hoje é de autoria de J. Tucón.
Olá leitores,
(uma breve paisagem curitibana)
Hoje, 28 de maio pela manhã minha esposa mostrou-se preocupada com a falta de inspiração para escrever o texto semanal do seu blog (este blog aqui).
Pois na hora do almoço, ao entrar no restaurante do Hotel Centro Europeu, me veio a ideia de escrever algo.
Fui lá para almoçar e para minha surpresa havia uma carne de panela feita com aipim salpicada de folhas de salsinha. Atraiu muito a minha atenção e me servi de um bom bocado; fiz um ótimo negócio: estava com um molho delicioso!
Tanto gostei que após a sobremesa fui pessoalmente elogiar a Chef; já minha conhecida.
Finalizei o almoço com um cafezinho e, depois de pagar a conta, saí em direção à Praça Zacarias aonde iria buscar uns tubos de suplemento de cálcio.
E logo ao entrar na Luiz Xavier decidi ver a vitrine de uma outrora prestigiosa livraria com muitas lojas pela cidade; nela havia, há uns oito anos atrás, um clube de conversação em várias línguas, do qual participei com muito gosto. Eram reuniões semanais na loja (hoje não existe mais) do Shopping Estação, todas as sextas por volta das 19 horas.
Mas, ao me aproximar da vitrine, o que estava lá? Álbum de figurinhas dos jogadores da Copa! Este era o tema da vitrine...
Continuei e logo me deparei com aqueles engravatados nada elegantes com sua banca de vender livros e folhetos dando resposta para a seguinte questão: "O mundo vai acabar. E você?". Mas são necessários livros, apostilas e folhetos para responder?
Se vai acabar, eu estou nele e acabarei também.
Mas, acabemos com o pessimismo. Chega a meus ouvidos o som lânguido de um saxofone tocado ao vivo, acompanhado de um ritmo proveniente de uma caixa acústica.
Bésame, bésame mucho! Como si fuera la última vez...
Bésame, bésame mucho! Como si fuera la última vez...
La última vez! Será que o mundo vai acabar?
Volto os olhos para a caixa acústica e vejo que ela está acorrentada a um poste!
Bem, creio que o fim está próximo...
Sigo.
Logo, vejo à minha frente o bondinho com o número 77 pintado. Sempre me perguntei o que faz um bonde numa rua de pedestres? Me aproximo e vejo que está repleto de livros e tem uma placa com os dizeres "Bondinho da leitura". Que júbilo! Vou até a entrada e me deparo com um aviso: "Fechado para almoço". Como é possível? Na hora do almoço é que temos alguns momentos para ler...
E o mundo?
Viro à direita em direção à Praça Zacarias e ao ao chegar a essa praça começa o inferno para os ouvidos: óticaóticaóticaóticaóticaóticaótica...parece um mantra sem fim.
Tiraram o "p" da "óptica": virou "ótica". Já imaginaram ter que ficar falando: "óptica, óptica, óptica... Certamente acabaria travando a língua!
Bem, saí da praça e log cheguei ao fornecedor dos suplementos. Comprei dois tubos.
Atravessei de volta a praça da óticaóticaóticaótica, entrei na Quinze e depois na Luiz Xavier.
É quando o otimismo voltou a ocupar o meu ser. Vindo em minha direção, um tipo alto, esbelto, com andar elegante exibindo um moletom onde estava escrito "Tommy", passar por mim.
Senti uma sensação de plenitude, de ter ganho o meu dia. Matei o leão de hoje, ou melhor, vi o "Tommy" de hoje.
Mas, perguntará o leitor, o que um moletom tem a ver com a sensação de otimismo, de meta cumprida?
Bem, caro leitor, isto é algo que fica exclusivamente entre minha esposa e eu.
Afinal diz um velho ditado: Em assuntos de marido e mulher, ninguém mete a colher."
Mas, afinal, e o mundo? Vai acabar?
Boa pergunta!
J. Tucón
Observador de humor sarcástico
Colaborador do blog "Refletindo"
Boa semana!
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