Caros leitores,
O primeiro livro de 2026 de nosso Clube de Leitura foi "O Diário de Anne Frank".
Na discussão do grupo, a maioria apreciou sua leitura. Um componente do clube disse que não havia gostado porque não era um romance/história, era uma narrativa jornalística - e, como jornalismo, o livro, para essa pessoa, poderia ser considerado bom. Em realidade, para quem já teve ou ainda tem um diário, a escrita é desse jeito - descrição dos dias, muitos fatos repetitivos, poucos diálogos.
Na minha opinião, o livro foi realmente enfadonho em algumas partes, mas, o mais interessante é constatar o "aprisionamento" da família de Anne num local de uma pequena fábrica de temperos/condimentos, ao qual Anne chamava de "anexo". Era uma parte escondida atrás de uma estante com 8 pessoas vivendo lá por 2 anos (1942 a 1944) durante a II Guerra Mundial. Todos eram judeus e estavam escondidos para não serem pegos pelo exército do führer na Holanda.
O diário começa antes da fuga deles para esse esconderijo. A família que os ajudou comprava alimentos/livros/roupas e levava para eles.
Muitas coisas interessantes me chamaram a atenção. Anne tinha 13 para 14 anos e "termina" o diário aos 15 anos. Para sua idade era uma menina extremamente talentosa como escritora e observadora do seu ambiente e também do seu próprio comportamento. Eu fiquei imaginando se nos dias atuais haveriam meninas com esse talento...
No "anexo" havia estudo, leitura de livros, lição "de casa". Ela estudava álgebra, história, inglês. Aliás todos estudavam e liam muito. Anne gostava muito do pai, mas não se dava com a mãe. Eram 2 famílias no anexo. Haviam até 2 gatos.
Como eram muitas pessoas num espaço pequeno, apesar de serem 2 andares, haviam muitas brigas, pois sabemos o que ocorre quando há muita gente junta nesse tipo de local. A própria Anne escreve no diário: "Imagino se todo mundo que divide uma casa acaba cedo ou tarde se desentendendo com os outros moradores."
Anne tinha sonhos de poder ver o sol, as estrêlas, as nuvens, as montanhas - as janelas eram abertas muito pouco. Ela também tinha sonhos de ser escritora/jornalista após a guerra. Ela comenta no diário: "A natureza é a única coisa para a qual não há substituto."
Anne tinha até pensamentos proféticos à respeito da sociedade, do papel do homem e da mulher. Na página 328 e 329 ela escreve: "As mulheres, seres que sofrem e suportam a dor para garantir a continuação de toda a raça humana, seriam soldados muito mais corajosos do que todos aqueles heróis falastrões lutadores pela liberdade postos juntos. Não quero sugerir que as mulheres devam parar de ter filhos; pelo contrário, a natureza lhes deu essa tarefa, e é assim que deve ser. O que condeno é nosso sistema de valores e os homens que não reconhecem como é grande, difícil, mas lindo o papel da mulher na sociedade. Acredito que, no correr do próximo século, a ideia de que é dever da mulher ter filhos mudará, e abrirá caminho para o respeito e a admiração a todas as mulheres, que carregam seus fardos sem reclamar e sem um monte de palavras pomposas!"
Bom, no final todos foram presos em 04.08.1944 por delação de alguém.
O resto da história da família Frank está no Posfácio. A pessoa que editou o livro em 1947 foi o pai de Anne, Otto H. Frank que foi o único da família a ter sobrevivido após a guerra.
Ao fim, achei interessante a leitura desse livro e relevante para nós podermos entender mesmo que superficialmente, o que a guerra faz com as pessoas em situações de cativeiro forçado.
Boa reflexão!
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