sábado, 11 de abril de 2026

ENVELHECENDO...

Caros leitores,

O texto de hoje é de autoria de J.Tucón.

Moro ao lado de uma pequena reserva florestal dentro da área urbana.  Como sou fotógrafo especializado em Natureza, faz uma década que fotografo a floresta desse local.  Para isso percorro uma trilha que atravessa a floresta.  Na entrada dessa trilha muitas vezes se colocou uma placa com esses dizeres:

Piso escorregadio   Risco de queda de galhos

Esta placa é colocada em dias de vento ou após uma chuva.

Cara-pálida: É óbvio que numa floresta existe a possibilidade, bem grande por sinal, de que caiam galhos.  Uma floresta não é um ser estanque, parando no tempo.

Então, com placa ou sem placa eu vou fotografar.  Não sou ignorante, nem analfabeto.  Tampouco irresponsável.

Pode cair um galho? Claro que pode.  Pode cair na minha cabeça? Óbvio! Pode cair e danificar a minha câmera? Claro!

Ao chegar ao local, a escolha é minha.

Se um galho quebrar, cair e danificar a minha câmera, ninguém vai " quebrar o meu galho".

O leitor, a esta altura vai perguntar: o que tem tudo isso a ver com a dificuldade em envelhecer? Bem, quando comecei a fotografar a floresta eu tinha 65 anos.  Hoje tenho 75.  Minha saúde continua tão boa como há dez anos atrás.

E daí?

Daí que outro dia, ao chegar ao local, a famigerada placa estava colocada no início da trilha.

Então uma funcionária que nunca vi mais gorda se aproximou de mim e disse em voz alta, na frente de outras pessoas:

E aí? O vovozinho vai se arriscar por sua conta e risco?

Diante desta situação deveras constrangedora, voltei as costas e saí.

Nunca fui tratado desta forma nesse lugar.

Alguém vai dizer: a lei é para todos!

Então, vou dizer uma coisa: não é nada disso.  É apenas a "paúra" de que se cair um galho em mim, eu vá processar a prefeitura do local que é a dona da reserva.  Ora, se cair um galho em mim, como dizem os norte-americanos: It is an act of God. (é um ato de Deus).

E para esses casos, tenho seguro de acidentes pessoais.

Para a lei, eles estão cag...do.

Entram no meio da floresta, fumantes com cigarro aceso que jogam a bituca no meio do mato.  Se você denunciar, vai ouvir o velho refrão: Eu não posso fazer nada.

Crianças entram gritando a plenos pulmões; discutem-se orçamentos em altos brados ao celular; jogam-se copos de plástico no mato embora haja várias lixeiras.

Certamente, a fauna e a flora "adoram" as manifestações dos "humanos".

Enfim, para os seres da floresta (animais e plantas, que não podem abrir pedidos de indenização) tanto faz como fez.  E para esses seres, continuam cag...do.

Vamos voltar à abordagem que sofri.

A preocupação e o "cuidado" com o cidadão são pura hipocrisia.  Basta ver a frase pejorativa.

Quer fazer uma advertência (absolutamente inútil, pois a placa já diz tudo) que o faça de forma neutra; não parta do pressuposto que os idosos têm netos porque nem todos os têm.

Mas, tenho uma sugestão melhor: já que não podem fazer nada e vivem a repetir esse mantra, fiquem em casa recebendo seus salários pagos pelo contribuinte.

Pelo menos, não vão encher o saco dos outros.

Para encerrar, deixo aos leitores uma foto do local.


                                             Título: Santuário

Criada em março de 2025.  Numa tarde de céu azul, a luz do Sol se infiltra através da copa das árvores, criando um paralelo com a luz que entra nas catedrais góticas através dos vitrais.


J.Tucón

Fotógrafo da Natureza, residente em Curitiba, Paraná, Brasil.

Projeto "The Architecture of Nature"

Fotos em exibição na galeria virtual da Saatchi Art, London

Colunista do jornal Central Sul de Notícias onde mantém a coluna "Santuário".

Links:

saatchiart.com/jtucon

www.centralsuldenoticias.com.br

Boa semana pessoal!




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