quarta-feira, 1 de junho de 2022

"O SIGNO DOS QUATRO"

Caros leitores,

O livro de maio de nosso "Clube de Leitura" foi "O Signo dos Quatro" de Arthur Conan Doyle - uma aventura policial do detetive mais famoso do mundo - Sherlock Holmes.

Este livro foi o segundo que li dele.  Já tinha lido "O Cão dos Barskervilles", o qual aliás gostei mais.  Entretanto este também trouxe algumas surpresas no final e como era uma história para ser discutida num clube de leitura, a atenção ao lê-lo foi redobrada.

Sempre achei que um livro policial como este não traria mensagens ocultas ou algum tipo de aprendizado.  Como psicóloga busco muitas vezes compreender a fundo a temática de um livro e de seus personagens.

Obviamente, essa aventura policial traz mortes, assassinatos, desaparecimentos, segredos, tesouros escondidos e até romance.  Os diálogos são muito bons.  Sherlock Holmes aqui faz uso até de um cão farejador - Toby.

Neste livro encontrei algumas "joias" - frases interessantes para reflexão. Aqui estão elas.

Holmes, em sua investigação, necessita vez ou outra, ao buscar pistas do caso em questão, fazer perguntas às pessoas que poderiam dar informações relevantes.  Numa dessas inquirições ele questiona um barqueiro no porto do rio Tâmisa em Londres.  Então ele comenta com Dr. Watson, seu parceiro e amigo na investigação, após ter recebido a resposta do barqueiro: " Com gente dessa espécie o importante é nunca deixá-las supor que o que lhe contam tem importância para você.  Do contrário, fecham-se imediatamente como uma ostra.  Mas se você finge que os escuta porque não há outro remédio, é provável que consiga o que deseja saber." Essa observação é bem verdadeira - é o tipo de atitude que qualquer pessoa poderia usar quando precisasse de uma informação genuína, não acham?

A segunda frase diz respeito à circunstância apresentada por Holmes quando comenta que na maioria das vezes quando estamos muito tempo realizando um trabalho seja ele físico ou mental e nos cansamos ou até não conseguimos "render", ele usa a seguinte frase: "Um de nossos maiores estadistas disse que não há melhor repouso que mudar de trabalho." Concordo plenamente.  Se estou trabalhando arduamente, por exemplo, no jardim, preciso parar um pouco, não só para descansar; o ideal é até mudar de atividade por um tempo.  Depois, ao voltar para o trabalho no jardim, conseguirei "render" mais, como dizemos.

Numa atividade mental fica mais fácil de entender - se preciso ler ou estudar um texto, devo parar depois de um tempo para realizar outra tarefa; do contrário existe a possibilidade de perder a concentração no estudo ou leitura do texto. 

Todo detetive dever ter como qualidades a observação, a astúcia, o raciocínio bem apurados, senão não realizará sua função a contento.

Sherlock em sua investigação desse caso acaba percebendo pistas nas coisas mais elementares e comenta com Watson: "São justamente as coisas mais simples que frequentemente passam despercebidas." Nada mais verdadeiro.  Muitas vezes perdemos a essência dos fatos ao complicá-los.

Uma das colocações a qual achei mais interessante e incrivelmente atual foi a seguinte: "Ele observa que, enquanto o indivíduo tomando isoladamente é um quebra-cabeça indecifrável, torna-se, dentro de uma massa, uma certeza matemática.  Por exemplo, nunca é possível predizer o que fará um homem, mas pode-se prever como se comportará um grupo.  Os indivíduos variam, mas a coletividade é sempre igual.  Assim dizem os estatísticos." Uma observação muito real, a qual podemos constatar nos dias de hoje - e este livro foi escrito em 1890!!!

Para vossa reflexão, fecharei com chave de ouro (pelo menos na minha opinião) a última colocação que separei do livro, a qual também achei muito perspicaz - o comentário é do policial ao prender um suposto "criminoso" que depois se sabe inocente: "Bem, se ele não fez nada de repreensível, cuidaremos para que nenhum mal lhe aconteça.  Somos muito rápidos para apanhar pessoas, mas não temos a mesma pressa para condená-las."

Elementar, meu caro Watson!...

Boa reflexão e boa semana!

P.S. O próximo livro que discutiremos no Clube de Leitura, no fim de junho, será "Esaú e Jacó" de Machado de Assis.






  







 

quarta-feira, 25 de maio de 2022

UM SÁBADO MEMORÁVEL

Caros amigos leitores,

Este fim de semana tive uma experiência extraordinária que gostaria de compartilhar com vocês.

Minha adolescência foi marcada, entre estudo e convivência familiar, por um esporte incomum - a patinação.  Já escrevi um texto sobre isso no blog em abril de 2021, portanto não repetirei o relato.  Como disse nesse texto, eu pertencia (ou ainda pertenço?) a um clube de patinação - o CPP - Clube Paulista de Patinação.

Neste sábado que passou, dia 21.05.22 alguns integrantes desse clube se encontraram numa pizzaria em São Paulo.

O encontro foi todo arranjado por WhatsApp. Uma pessoa, o Marito (apelido de Osmar, Osmarito, Marito apelido que lhe foi dado na infância, me lembro da mãe dele chamando-o de Osmarito) teve a ideia de montar um grupo de WhatsApp "Noite da Pizza CPP".  O Marito foi tentando contatar quem ele conseguiu e todos que entravam no grupo eram 'administradores do grupo' e assim conseguimos reunir praticamente todos os integrantes do clube.  Muitos, atualmente moram no exterior (EUA, Alemanha), outros em outras cidades de São Paulo e de outros estados do Brasil.

Muitos do clube eu não via há 45 anos - éramos adolescentes (eu comecei a patinar aos 14 anos e parei aos 22 anos) e para que pudéssemos relembrar e reconhecer as fisionomias  atuais, o Marito teve a ideia de que cada um que entrasse no grupo deveria tirar uma "selfie".

Assim desde abril quando entrei no grupo relembramos nossos áureos tempos da patinação: corrida, campeonatos de patinação artística, shows e jogos de hóquei. Cada um postava as fotos antigas  que tinham e até objetos como medalhas, fantasias de show e patins antigos.

Assim como relatei na postagem de abril de 2021 éramos como uma família feliz - esse grupo de WhatsApp e o encontro do dia 21 de maio continuou mantendo a tradição de "Família Feliz" (é como eu vejo).  Uma pessoa do grupo disse que "éramos felizes e sabíamos" - concordo totalmente.

Assim, quero apenas dizer que embora poucas pessoas puderam comparecer ao encontro (éramos 18 pessoas ao todo) o objetivo foi atingido com sucesso - foi bom recordar e saber o que cada um realizou na vida.  Claro que o tempo foi curto para sabermos tudo, mas os abraços, beijos, carinhos foram o ponto alto da noite - sem contar, os sorrisos e as risadas.

Termino a postagem de hoje apontando a importância primordial de amigos em nossas vidas. A família, o trabalho, o estudo, nossa casa são partes boas de nossa vida, mas os amigos - esses são essenciais à nossa saúde espiritual e emocional. Podemos tê-los muitos ou poucos, mas eles devem fazer parte de nossa caminhada em direção aos objetivos de nossa existência - considero-me uma pessoa afortunada - tenho bons amigos e embora nem todos pertençam ao mesmo grupo social, todos são especiais para mim e muitos o foram em momentos difíceis de minha jornada.

Nessa pequena viagem que meu marido e eu realizamos neste fim de semana para Sampa, além do encontro do CPP, também visitamos outros amigos que não víamos há um tempo e que também nos são muito caros: a veterinária de nossos gatos que se tornou com o tempo uma grande amiga (demos boas risadas no almoço de sábado), nosso amigo comum que praticamente foi o cupido do nosso casamento - dono de um sebo (nossa paíxão, minha e de meu marido - livros) e até fui visitar meu antigo mecânico que cuidava do meu carro quando morava em São Paulo - foi um sábado realmente memorável, inesquecível.

E como diz a canção "amigo é coisa para se guardar no lado esquerdo do peito", nesses encontros, todos, sem exceção, fizeram eco no lado esquerdo do meu peito.

Agradeço a vocês todos - AMIGOS!

Boa semana!




 


 

segunda-feira, 16 de maio de 2022

LIMITES

Caros leitores amigos,

Uma das tarefas mais difíceis de realizarmos nos dias atuais é a imposição de limites.  Ultimamente é muito comum vermos pessoas se "abrirem" em redes sociais (Instagram, Facebook, WhatsApp), na TV (BBB), nas vias públicas, nos meios de transporte, nos ambientes de trabalho.  Coloquei "abrirem" entre aspas porque "abrir-se para o mundo" não é isto.  O que ocorre atualmente é uma promiscuidade social.

A delimitação de nossas fronteiras serve como proteção  para nossa dignidade.  Só aquele que ama a si mesmo, se protege e tem capacidade para amar os outros.  Aquele que não possui limites corre o risco de ser massacrado emocionalmente.  E quando o indivíduo permite que cruzem os seus limites e não reage ele pode estar perpetuando relacionamentos destrutivos - isto é sinal de que se está "amando" pessoas erradas e de formas erradas.  Amar não é sofrer.

Quando estabelecemos limites legitimamos nossa dignidade pessoal e não anulamos nossa própria identidade.

Reflitamos sobre nossos limites - todas as pessoas os tem. Essa reflexão também é uma boa maneira de perceber os limites alheios - essa atitude tem a possibilidade de trazer mais harmonia ao planeta.  Pensemos nisso!

Boa semana!



 

terça-feira, 10 de maio de 2022

O SILÊNCIO PERTURBADOR

Caros amigos leitores,

Uma das coisas que mais prezo nessa vida, além da liberdade, é o silêncio.

O Silêncio tem aquela característica única - ou é almejado ou é odiado.  Para muitas pessoas ele é aguardado com ansiedade, mas para outras pessoas ele é eliminado rapidamente com algum som assim que ele se manifesta.

Agora, por exemplo, enquanto escrevo essas linhas paira no ar um silêncio relativo - o bairro onde moro é geralmente quieto e tranquilo - raramente há trânsito, vez ou outra passa um avião e, felizmente, o som de pássaros enche o ar, talvez devido ao nosso jardim.  Nem todas as casas da rua possuem um jardim.  O nosso é razoavelmente grande, pois temos treze árvores.  O João-de-barro e o Bem-te-vi disputam o jardim com suas melodias, mais parecendo um desafio que os violeiros costumavam realizar em outras épocas.

Embora a tranquilidade reine em minha residência, nem sempre estou em casa e, então, o silêncio se faz inexistente em outros ambientes.  Assim anseio por ele nas ruas, no transporte coletivo, nos restaurantes, nas lojas...  Hoje até nos templos religiosos ele é escasso.

As pessoas sempre precisam encher o ar com palavras; talvez com receio de que o seu silêncio seja interpretado como um sinal de alguma doença mental, de estranhamento.  Cada vez que entro num restaurante deparo-me primeiramente com uma música de fundo (aliás, nem é "de fundo", é "de frente" mesmo) - o local, a disposição das mesas, o aroma da comida - esses ficam em segundo plano. Sempre me questiono porque se colocam músicas cantadas (raramente há músicas instrumentais, suaves) uma vez que todos falam ao mesmo tempo e falam num volume alto, pois a música compete com a conversa das pessoas.  Há argumentos de que com a música alta, pessoas que "conversam" numa mesa não conseguem ouvir a conversa de outra mesa, trazendo uma certa privacidade, se podemos chamar desse modo.  Assim todos falam alto e o local se torna insalubre para consumir uma comida saudável.  Sem levar em conta a TV - em todos os locais (do universo...) há uma TV ligada - num restaurante, tira todo o prazer de consumir a comida e do papo com os amigos e/ou familiares.

Meu argumento pessoal é de que quando adentramos um ambiente silencioso temos uma tendência a mantê-lo deste modo - ouso sonhar com um restaurante desta estirpe.

Como também valorizo a liberdade, como já citei, respeito o livre arbítrio de qualquer pessoa, mas infelizmente parece que poucas pessoas fazem uso dele escolhendo momentos de silêncio, de quietude.

Pouco se apercebem que o estresse dos centros urbanos tem como principal vilão  o ruído, o barulho constante, o movimento.  Costumo dizer que o silêncio não é para os fracos - há que se ter uma dose de boa vontade, concentração, consciência para elegê-lo em algum momento do dia.

A pessoa cercada de ruído é aquela que tem muita dificuldade de buscar o silêncio.  Isso acontece porque dentro dela existe um barulho, um ruído tão grande impossibilitando-a à quietude - ela necessita criar no exterior ou estar num ambiente ruidoso exatamente para acalmar seu "barulho" interno, mas o ideal é constatá-lo, analisá-lo para tentar eliminá-lo, ou na melhor das hipóteses, amenizá-lo.  E, para essa finalidade necessitamos de silêncio - para ouvirmos o que nosso eu, nossa alma quer nos dizer.

A nossa reflexão de hoje é a sugestão de fazer silêncio dentro de nosso íntimo.  Buscar no recôndito de nosso ser, a essência do silêncio - da paz, da quietude, da tranquilidade.  E, se houver algum "ruído" interno questioná-lo do porquê ele nos perturba.

Boa reflexão!

Até a semana que vem.



 

terça-feira, 3 de maio de 2022

O QUE FAZER COM O QUE SOBROU DE UM RELACIONAMENTO

Olá leitores,

Todos nós já rompemos um relacionamento em nossa vida. Aqui quero dizer qualquer tipo de relacionamento - de amizade, amoroso, de trabalho, de estudo, familiar.  É um momento difícil, mas em muitos casos, inevitável.

Como ainda não entendemos em sua plenitude o que é o amor genuíno, criamos laços (algumas vezes, algemas) de relacionamento e nos recusamos a quebrá-los.

O que fazer quando esses relacionamentos acabam?

Ermance Dufaux (escritora que já foi mencionada em textos anteriores) nos traz a ideia de que "os relacionamentos não acabam; transformam-se" - eu ainda completaria, eles nos transformam.

Quando fazemos uma reflexão sobre nosso passado podemos lembrar-nos de muitos relacionamentos que foram quebrados - a grande maioria deles deixou "sequelas" em nossa personalidade - algumas delas foram de nossa responsabilidade, outras foram da outra parte - mas não importa quem foi o responsável pelo rompimento e nem o motivo pelo qual isso ocorreu -  o que importa é o resquício desse relacionamento em nossa vida.

Cada relacionamento em nossa vida é importante - ele nos enriquece de todas as maneiras - se soubermos valorizá-lo, aprenderemos muito, nossa personalidade se engrandecerá e o caminho para a felicidade tornar-se-á mais fácil de galgar.

Até o momento, falamos sobre como os relacionamentos são importantes para nós, mas e quando eles se rompem, o que fazer? Como agir quando queremos manter um relacionamento e a outra parte não pensa assim?  Ou ao contrário, como nos separar de uma pessoa que não queremos mais manter em nossa vida?

Dufaux nos elucida: "Você pode encerrar a amizade, procurar ser indiferente, separar-se, tentar ignorar a pessoa, mas há uma parte espiritual e energética em cada relacionamento que sempre continua após esse rompimento.  Essa parte você não anula e, dependendo do contexto, mesmo distante e sem contato, esse vínculo energético pode influir em seu mundo pessoal mais do que você imagina, trazendo malefícios, quando mal encerrados, ou uma força positiva, quando orientados para uma visão amorosa e compensadora."

Cada pessoa que encontramos na vida nos enriquece - algumas são passageiras, outras permanecem por um tempo, e outras ainda ficam para a vida inteira, e outras compartilham conosco a eternidade.

Como foi dito no início, não importa se esse relacionamento é duradouro ou não - o que importa é como me sinto "dentro" dele e o que ele deixou comigo quando foi rompido.

Bem, relacionamentos amorosos quando terminam podem ser uma pequena catástrofe, principalmente se não tivermos em mente que tudo passa, que progredimos; a temporalidade da vida é uma realidade.  Na maioria dos casos de relacionamentos amorosos desfeitos ocorrem dentro de nós sentimentos de mágoa, de raiva, de antipatia.  Imaginamos como deveríamos ter agido, muitas vezes percebemos onde erramos, mas não há a volta;  a outra pessoa não nos quer mais.

Dufaux resume esse mal estar numa única palavra - culpa - "prisão mental e emocional". Para acabar com a culpa, a revisão de conduta faz-se necessária - há que se "organizar uma forma mais sensata e madura de olhar para o que aconteceu entre você e essa outra pessoa."

A culpa, embora muitos a considerem positiva, pois há o reconhecimento do erro, entretanto ela não é saudável - é uma das características ligadas ao orgulho - a não aceitação que erramos vez ou outra.  É essa aceitação que faz com que possamos ter uma vida mais leve, mais pacífica.

A ideia principal na quebra de um relacionamento é o que aprendemos com ele enquanto ele esteve em nossa vida.

A culpa ocorre quando acreditamos que nós fomos os responsáveis pelo rompimento.  Entretanto, existe também outro caso - aquele em que acreditamos que a outra parte foi responsável - nesse caso, o resultado pode ser atribuído a falta de coragem e humildade em reconhecer a nossa parcela de responsabilidade no rompimento.

Seja como for, há de se ter um contato saudável com essa culpa - olhemos para o passado, por um instante e veremos novamente que nada acontece por acaso - todos nossos encontros na vida não são fortuitos - são pessoas que encontramos em nossa jornada que nos enriquecem quando percebemos que a vida é boa de ser vivida e que ela torna-se mais leve quando aceitamos as pessoas como são e as perdoamos quando não desejem mais ter um relacionamento conosco.

Dufaux traz ao nosso conhecimento uma frase que achei profunda, verdadeira e belíssima: "Perdoar não é esquecer; é saber construir um novo olhar."

O novo olhar deve vir acompanhado de muito amor.  "Sem amor a vida perece, falta energia para viver."  Quando permanecemos "na esfera das más recordações, da mágoa, da infelicidade e da tristeza", estamos alimentando o "sentimento de injustiça e perda". Quando nos atemos a esses sentimentos em nossa vida por muito tempo, deixamos o amor se esvair de nós.

Quando permanecemos no clima da inconformação e da rebeldia, aumentamos nossas dificuldades íntimas e deixamos o amor esfriar.

"A vida fica muito mais leve quando você fixa a mente em algo bom das pessoas e escolhe parar de olhar e destacar suas imperfeições.  Quem ganha com isso é você."

Boa semana pessoal e boa reflexão!







 

sexta-feira, 29 de abril de 2022

"A LETRA ESCARLATE"

Olá leitores amigos,

O segundo livro que discutimos em nosso "Clube da Leitura" foi "A Letra Escarlate".

Ele foi escrito em 1850 pelo escritor norte-americano Nathaniel Hawthorne. Esse escritor não se considerava um bom escritor, era introvertido e gostava de escrever; trabalhava na alfândega da cidade de Salem, um porto, no estado de Massachusetts, na região da Nova Inglaterra,  nos Estados Unidos da América.  O seu cargo nesse local era o de administrador da alfândega.  No primeiro capítulo do livro intitulado "A Alfândega", o autor descreve não somente o local físico mas também a personalidade de seus funcionários.  Ele tinha uma capacidade extraordinária de perscrutar o íntimo das pessoas trazendo às claras suas personalidades e características mais íntimas.

Só a partir do capítulo sobre a alfândega ele inicia a história da letra escarlate.  A ideia para o livro surgiu quando ele encontrou alguns documentos antigos numa sala da alfândega e descobriu a história de Hester Prynne, personagem principal do livro.  Este é o motivo pelo qual ele inseriu este primeiro capítulo no livro.  Para o leitor não fica claro se a história de Hester Prynne é real.  A personagem existiu realmente com esse nome, mas a história da letra escarlate partiu da criatividade do autor.  Junto com os escritos sobre Hester Prynne ele também encontrou dois recortes de pano de cor vermelha com a letra "A".

No texto de hoje não haverá "spoiler" - não contarei toda a história - acho que a a leitura do livro é o que conta.  Hawthorne escreve bem, usa de boas palavras e, apesar de lermos a tradução do livro, conseguimos apreender a trágica história de Hester como também as características dos personagens.

A história começa com Hester deixando a prisão com um bebê no colo.  Ela havia sido acusada de adultério, motivo pelo qual traz costurada em seu vestido na altura do peito, uma letra "A" em tecido vermelho.  Após a saída, ela e o bebê são encaminhados a um tablado do pelourinho no centro do vilarejo.  Então ela é interpelada por dois sacerdotes a confessar o nome do pai da criança.

O tom da narrativa é pesado, e embora haja suspense, o leitor acaba descobrindo quem é o "culpado" antes do fim - fim este bastante trágico e inesperado.

Como personagens principais temos, além dos dois sacerdotes, o marido de Hester, o governador do local, a filha de Hester, Pearl.

A história se passa antes da independência americana, quando grupos religiosos ingleses a colonizaram.  Na história é o grupo dos puritanos que é retratado.

Henry Thomas, um dos críticos de Hawthorne, afirma que "A Letra Escarlate" é a história moral da Inglaterra e é o retrato do próprio Hawthorne - homem com alma de pagão e corpo de puritano." Ele ainda menciona que "o tema favorito de Hawthorne é o pecado e o sofrimento."

Em nossa discussão sobre o livro apontamos como foi interessante aprender como se deu o início da colonização da América do Norte e entender a vida dos puritanos.

Hawthorne escreve muito bem; não imaginava.  Inclusive ele tem outros livros explorando o tema da morte, da eternidade e da espiritualidade aos quais buscarei para ler.  Fica hoje a sugestão para a leitura de "A Letra Escarlate".

Boa semana!




 

terça-feira, 19 de abril de 2022

COINCIDÊNCIA FANTÁSTICA?

 "Os artistas são a antena da raça".   Ezra Pound

Caros leitores,

O texto de hoje será sobre o filme "Animais Fantásticos - Os Segredos de Dumbledore", o terceiro filme sobre os animais fantásticos.  Sou fã de Harry Potter e da sua criadora J.K.Rowling.

Este filme achei incrível pela sincronicidade de sua história com a realidade, mais especificamente, com fatos  relacionados a um grande país da América Latina.  Ainda não vi nenhuma análise dele.  Sendo assim, resolvi eu mesma realizar tal feito.

Para aqueles que ainda não assistiram ao filme e pretendem fazê-lo, aviso - esse texto trará o "spoiler".

A primeira metade do filme é repleta de efeitos especiais (todo o filme o é, entretanto a primeira parte é mais recheada disso), muitas cenas engraçadas e muitos bichos estranhos, os tais animais fantásticos.

Na segunda parte do filme, a história começa a ficar interessante e intrigante - a cada cena que ia se desenrolando, eu perguntava em tom de comentário para meu marido, o qual assistiu o filme comigo: "Ela está escrevendo(falando) sobre o (do) Brasil?" (Ela, no caso, a escritora).  Acho que a meia hora final, ou até mais, fiz essa observação umas três ou quatro vezes, tamanha a verossimilhança com a situação política desse país latino americano.

O tema central do filme era uma "votação" para o presidente do "planeta", o qual governaria para os bruxos e os trouxas.  Entretanto, para que isso fosse realizado foi capturado um animal fantástico, um tal de "qilin" (uma mistura de cachorro com ovelha/carneiro).  Esse animal tinha a capacidade de "enxergar" a alma de um indivíduo e ele saberia se o mesmo era bom, de bom coração, honesto, ou mau, desonesto.

Mas, em realidade o vilão da história "roubou" o qilin do personagem principal, vamos dizer do "mocinho" do filme.  Então ele o matou e depois por um ato de magia restituiu à vida ao mesmo, fazendo com que ele, o vilão, fosse considerado bom pelo qilin por lhe ter restituído à vida.

Entretanto, no ato do parto, nasceram gêmeos qilin, mas quando um deles foi capturado o outro irmão gêmeo ainda não havia nascido e assim sendo, o vilão não sabia que havia dois qilins.

Vogel, outro personagem da história, que acredito fazer parte do comitê para a preparação da cerimônia da escolha do presidente, um dos "ministros" da magia, resolve que o vilão deveria ser um dos candidatos para o cargo, embora fosse notório que este era desonesto, uma "pessoa do mal", vamos assim dizer, inclusive com condenações.  Vogel disse que era só para constar porque quem decidiria a escolha do presidente seria o qilin.  Assim, ele disse que todos poderiam ficar tranquilos porque ele não teria chances de ganhar.

O outro candidato forte era uma mulher chamada Vicência Santos, pessoa do bem.  Resolveram também escolher um terceiro candidato para que a situação não ficasse tão "polarizada".

Para não me alongar tanto na história, no final Santos ganha porque embora o qilin tenha se curvado, feito uma reverência para o vilão, pois ele estava "adulterado" pela magia, o qilin verdadeiro, o outro gêmeo aparece e se curva, faz a reverência  para Dumbledore, o outro "mocinho" da história, a pessoa do bem. Dumbledore  não era candidato, então a reverência posterior foi feita para Santos.

Bem, vamos à minha análise (em realidade foi uma análise minha e de meu marido em conjunto).

Havia dois qilins: um autêntico e outro adulterado - ou seja, duas urnas eletrônicas.  Um fato que me chamou a atenção, o qual só descobri no final, era que a atriz que protagonizava Santos era a brasileira Maria Fernanda Cândido.  Foi uma coincidência a autora ter escolhido uma atriz brasileira para o papel?  Não faço a mínima ideia de como essa escolha é realizada.

Outra sincronicidade com o referido país: o candidato maléfico, vilão, desonesto foi escolhido pelos "magistrados" para ser um dos candidatos; como já mencionei, um terceiro candidato foi escolhido para que não houvesse "polarização" (essa palavra não é dita no filme, mas o motivo foi este, ao meu ver).

Entretanto, o mais extraordinário de tudo foi o país onde essa cerimônia foi realizada: Butão.

Só existem no mundo três países onde se usa urna eletrônica não auditável no processo eleitoral: Bangladesh, Brasil e ... Butão.

Não sei se a autora escreveu tudo de caso pensado ou se meu marido e eu, "viajamos" na análise.  Tudo pode ser obra daquele famoso "acaso" que não existe.

Para Carl Gustav Jung, eminente médico e psicólogo suíço, a sincronicidade ocorre a todo momento e poucas vezes ela é percebida pelas pessoas.

Boa reflexão!



 





FELIZ ANIVERSÁRIO!

Olá leitores, Dia 17 de setembro último o blog Refletindo completou 6 anos de existência.  Não sei se isso é um sucesso ou um exercício de d...