terça-feira, 26 de janeiro de 2021

NÃO LEVE NADA PARA O LADO PESSOAL

 Olá leitores,

Vamos então ao segundo compromisso de acordo com Don Miguel Ruiz, um nagual tolteca: "Não leve nada para o lado pessoal."

A atitude de levarmos certas situações, alguns diálogos, conversas com outras pessoas para o lado pessoal é bastante comum.  E por que isso acontece?

Na psicologia aprendi que quando uma pessoa emite uma opinião sobre outra pessoa, por exemplo, estando ela presente ou não, essa pessoa está se referindo a ela própria.  Em realidade, com a experiência percebi que é realmente assim que as coisas ocorrem.

Don Miguel dá o exemplo de uma pessoa na rua que xinga uma outra de estúpida.  A pessoa que foi xingada pode pensar:  "Como ele sabe? Será clarividente? Ou todos percebem que não passo de um estúpido?" Ela pode já ter interiorizado em outras ocasiões de sua vida essa ideia por ter sido chamada de estúpida e ter acreditado nisso.  A outra pessoa que xingou na rua  está falando dela mesma pois nem conhece o outro.

"Você leva tudo para o lado pessoal porque concorda com o que está sendo dito." Isso acontece porque você se dá muita importância.  Don Ruiz chama essa característica de egoísmo/importância pessoal.  Eu chamo de orgulho/vaidade/onipotência.  É como se você fosse o centro do mundo e todos estivessem olhando para você.

Claro que isso também é egoísmo, pois trata-se do meu olhar para mim mesma. Don Ruiz explica: "Cometemos a presunção de achar que tudo é sobre "nós".  Durante o período de nossa educação - ou domesticação - aprendemos a levar tudo para o lado pessoal.  Achamos que somos responsáveis por tudo.  Eu, eu, eu e sempre eu!"

Todas as pessoas vivem no seu próprio mundo, em sua própria mente e muitas vezes, esse mundo é completamente diferente do mundo em que vivemos.  "O que dizem, o que fazem e as opiniões que emitem estão de acordo com os compromissos que as pessoas possuem em suas mentes."

Se alguém comenta que você engordou, pare e pense:  "Eu engordei mesmo, de verdade?" Se sim, Ok a pessoa teve uma boa percepção e se esse comentário não te abalou, siga em frente.  Mas, se o fato não é real, ou se é mas você não gostou do comentário, não leve para o lado pessoal.  "A verdade é que essa pessoa está lidando com os próprios sentimentos, crenças e opiniões. Ela está tentando envenená-lo, e se você levar isso para o lado pessoal, então estará aceitando esse veneno, que se torna seu.  Levar as coisas para o lado pessoal torna você presa fácil desses predadores, os feiticeiros de palavras.  Eles conseguem captar sua atenção com uma pequena opinião e injetam todo o veneno que desejam; como você levou para o lado pessoal, acaba aceitando tudo."

"Você aceita o lixo emocional deles, que passa a ser o seu. Mas se você ignorar tais comentários, estará imune, mesmo no meio do inferno.  Imunidade ao veneno no meio do inferno é a dádiva desse compromisso."

"Quando você leva os acontecimentos para o lado pessoal, sente-se ofendido e sua reação é defender suas crenças e criar conflitos. Você faz uma tempestade num copo de água, porque tem a necessidade de estar certo e tornar todos os outros errados.  Você também tenta estar certo, fornecendo suas próprias opiniões."

Toda essa disputa de opiniões traz um grande desgaste inútil - todos saem abalados e cansados - acredito até que algum aprendizado possa sair desse conflito, mas se não levo as coisas para o lado pessoal, saio da situação mais leve e ainda por cima devolvo o problema, o desafio, o comentário ou a fala para a outra pessoa que originou a situação.

Hoje conversando com uma pessoa, esta contou-me sobre uma discussão familiar, onde a maioria dos membros da família tinham a mesma opinião sobre um assunto e só um ente familiar tinha uma opinião diferente e isso fez com que houvesse uma ruptura temporária na relação. A pessoa que me relatou o fato fazia parte do grupo que tinha a mesma opinião sobre o tema.  Ela também relatou que todos do grupo familiar eram de opinião de que essa pessoa era difícil de lidar e que estava claro que eles estavam certos e ela errada, por eles estarem em grande número.  Sim, é comum uma maioria estar certa numa situação e a minoria equivocada.  Entretanto, esta não é a regra geral.  Uma pessoa, olhando de fora do contexto, analisando os dois lados poderá perceber o contrário.  Porém, tudo são opiniões e opiniões.  Ninguém é detentor da verdade absoluta - pareceu-me nesse caso que a pessoa ilhada com a opinião diferente, poderia estar levando tudo para o lado pessoal não querendo "dar o braço a torcer", como dizemos.  A pessoa que me contou a história disse que a pessoa difícil levava realmente tudo para o lado pessoal - é a visão de quem me contou o relato.

Esse relato trouxe-me reflexões sobre como essa pessoa, que leva as coisas para o lado pessoal, sentiu-se após a discussão com a família.  Como podemos ajudar alguém que leva as coisas para o lado pessoal? Ajudando-o a se conscientizar do fato? Explicando a situação? Apenas ouvindo, aceitando e não dizendo nada? Acolhendo-o como uma pessoa momentaneamente equivocada? Ou melhor, olhando para nós mesmos e tentando perceber o porquê estamos nessa situação e que lição podemos tirar desse evento?

Bem, as reflexões deixo a cargo de vocês.

O que as pessoas pensam a nosso respeito não deveria ser importante para nós - mas sim o que nós pensamos sobre nós mesmos.

Don Ruiz afirma: "Não levo as coisas para o lado pessoal.  O que quer que você pense, como quer que se sinta, sei que é problema seu, não meu.  É a forma como você vê o mundo.  Não se trata de nada pessoal.  Você está lidando consigo mesmo, não comigo.  Os outros vão ter outra opinião, de acordo com seu sistema de crenças.  Portanto, nada do que pensem a meu respeito corresponde a mim, mas a eles."

"Não leve nada para o lado pessoal, porque ao fazer isso você sofre por nada."

"Quando realmente enxergamos as pessoas como elas são, sem levar para o lado pessoal, nunca poderemos ser feridos pelo que elas digam ou façam."

"Transformar esse segundo compromisso num hábito evitará muitos aborrecimentos em sua vida.  Sua raiva, inveja e ciúme irão desaparecer; até mesmo a tristeza irá dissolver-se quando você aprender a não levar as coisas para o lado pessoal."

"Uma grande quantidade de liberdade fica acessível quando você deixa de levar as coisas para o lado pessoal.  Você se torna imune à magia negra, e nenhum encantamento é capaz de afetá-lo, não importa quão poderoso seja.  Todo mundo pode mexericar a seu respeito, ou lhe enviar veneno emocional intencionalmente, mas se você não levar para o lado pessoal, estará imune.  Quando não aceitamos a dor emocional, ela se torna pior para quem a enviou, e não consegue nos atingir."

Esse é um compromisso para colocar na porta da geladeira.  

"Não leve nada para o lado pessoal."

Ao introjetar esse segundo compromisso poderemos ir a qualquer lugar que ninguém poderá nos atingir, pois compreenderemos que cada pessoa tem sua história pessoal que na maioria das vezes não tem a ver com você.  E, se, por um acaso, você atrair magneticamente algum tipo de comentário ou crítica em sua caminhada, exercite esse compromisso - você estará isento da influência de outrem e ao mesmo tempo poderá dar a oportunidade para o outro de refletir sobre a própria responsabilidade do ato.

Boa semana!



  




terça-feira, 19 de janeiro de 2021

SEJA IMPECÁVEL COM SUA PALAVRA

 Caros amigos,

Há um tempo atrás assisti a uma palestra muito interessante e posteriormente comprei e li o livro a que ela se referia.  O nome do livro é "Os Quatro Compromissos" escrito por um nagual/xamã tolteca chamado Don Miguel Ruiz.  Antes de adentrar o tema dos compromissos uma breve explanação sobre os toltecas.

"Milhares de anos atrás, no Sul do México, os toltecas eram conhecidos como "homens e mulheres de sabedoria".  Antropólogos se referem a eles como uma nação ou raça, mas na verdade eram cientistas e artistas que se associaram para explorar e conservar a sabedoria espiritual e as práticas dos antigos. Encontraram-se como mestres (nagual) e estudantes em Teotihuacán, a cidade antiga das pirâmides, próxima à Cidade do México.

Ao longo dos milênios, os nagual foram obrigados a manter sua existência na clandestinidade.  A conquista europeia, combinada com o mau uso do poder pessoal por alguns poucos aprendizes, tornou necessário ocultar o conhecimento ancestral daqueles que não estavam preparados para usá-lo - ou que pretendiam usá-lo apenas com objetivos pessoais." 

Assim, Don Miguel Ruiz traz para nós um pouco dessa sabedoria tolteca para, através dos compromissos, ajudar-nos a buscar nossa liberdade pessoal.  Em realidade, essa é a tarefa de um nagual.

Então, vamos aos compromissos.

O primeiro compromisso: "Seja impecável com sua palavra".  Em termos gerais, tem um significado mais abrangente onde cada um de nós apenas deveria abrir a boca para expressar nossa verdade.  A palavra tem o poder de criar e assim sendo, temos a capacidade de, através dela, trazer harmonia, equilíbrio e beleza para o mundo que nos cerca - como também o seu oposto - desarmonia, confusão, desconforto.  "Dependendo de como é usada, ela pode libertá-lo ou escravizá-lo mais do que imagina."

Don Ruiz nos relembra de como a palavra foi usada para destruir no evento do nazismo. São palavras dele: "Alguns anos atrás, (este livro foi escrito em 1997) usando a palavra, um homem na Alemanha manipulou todo um país formado de pessoa inteligentes.  Ele as conduziu a uma guerra mundial usando apenas o poder de sua palavra.  Convenceu os outros a cometerem os piores atos de violência.  Ativou o medo das pessoas e, como uma grande explosão em cadeia, ocorreram assassinatos e a guerra se disseminou no mundo inteiro.  Seres humanos destruíram outros seres humanos porque tinham medo uns dos outros.  Baseada em crenças e compromissos gerados pelo medo, a palavra de Hitler será lembrada por muitos séculos.

Ele enviou todas aqueles sementes de medo.  Elas germinaram e conseguiram provocar uma destruição em massa.  Conscientes do enorme poder da palavra, precisamos compreender que tipo de poder sai de nossas bocas.  Um temor ou dúvida plantado em nossas mentes é capaz de gerar um drama infinito de eventos.  A palavra é como um encantamento, e os seres humanos costumam usá-la como feiticeiros, encantando-se impensadamente uns aos outros."

Quando emitimos nossa opinião sobre determinado assunto ou pessoa, cuidemos para que ele não cause um desastre na vida de quem o ouve.  Por exemplo, imagine um pai ou mãe que sempre repetem para o filho que ele é um incompetente, que não serve para nada.  Ao crescer, baseado nessas falas quase sempre presentes, ele poderia seguir dois caminhos: ou ele se torna uma pessoa realmente incompetente, ineficiente, insegura, que não consegue fazer nada por causa de sua baixa autoestima ou ele, se for uma criatura resiliente, tentará provar aos pais, a ele e aos outros o quão competente ele é, buscando tentar ser o melhor naquilo que aparecer em sua vida.  Como não sabemos se nosso filho, sobrinho, neto, aluno é uma pessoa resiliente, o ideal é buscarmos usar de nossa palavra de uma maneira mais assertiva e afetuosa.

Agora vamos entender a impecabilidade da palavra.  Impecável quer dizer "sem pecado".  Don Ruiz explica: "Um pecado é algo que se faz contra si mesmo.  Tudo o que você sente, acredita ou diz se volta contra você mesmo - ou seja, toda vez que você se julga ou culpa por alguma coisa - é um pecado.  Ser impecável é não contrariar sua natureza.  É assumir a responsabilidade por seus atos, sem julgamentos ou culpas."

Assim, como o pecado começa quando você se rejeita, "ser impecável com a sua palavra é não usá-la contra você mesmo."

Ao expressar nossa opinião sobre alguém numa conversa quando esse alguém não está presente, tomemos cuidado com nossas palavras - essa atitude é chamada vulgarmente de fofoca. Don Ruiz compara a fofoca a um vírus de computador.  Você está usando o computador e de repente coisas estranhas ocorrem:  enquanto você está escrevendo um texto, uma página é apagada sem você dar nenhum comando; quando na interação num site, aparece, do nada, uma tela dizendo que você precisa reiniciá-lo para atualizações e por aí vai.  O vírus vai atuando sutilmente e você nem percebe, ou melhor, acaba percebendo quando ele bloqueia e você não consegue fazer mais nada a não ser levá-lo a uma loja especializada para a retirada ou limpeza do vírus.

Com a fofoca dá-se o mesmo - algumas vezes caluniamos o outro porque ouvimos falar isso e aquilo deles, sem conhecer sua história de vida, sua realidade.

Quando estamos conversando com uma pessoa e emitimos uma opinião sobre ela, também devemos medir nossas palavras - algumas pessoas podem se influenciar, acreditar nessa opinião como sendo uma verdade e transformar a própria vida.  Se busco na pessoa sua parte boa a influencio para o equilíbrio, a estimulo para uma vida feliz.

Don Ruiz traz o exemplo de uma menina brincando em casa, cantando e sua mãe, sem paciência para escutá-la diz que ela tem uma voz horrível e que não deveria nunca mais cantar; assim ela pára de cantar em casa.  Ao crescer, essa menina começa a ter dificuldade de se comunicar,  na escola e com os amigos, porque acreditou que sua voz era feia e ficou com vergonha de falar. "Sempre que escutamos uma opinião e acreditamos nela, estabelecemos um compromisso que se torna parte do nosso sistema de crenças."

A mãe dessa criança não reparou nas consequências de suas palavras. Há de termos cuidado não somente com nossos filhos, mas com todas as pessoas que interagimos.

Em realidade, quando começamos a pensar nas consequências de nossas palavras, facilmente chegamos à conclusão de que o ideal seria ficarmos calados a maior parte do tempo. "A verdade é a parte mais importante de ser impecável com sua palavra."

Então precisamos nos ater ao que conversamos com os outros - assim como o vírus do computador vai minando sua performance - a fofoca que omitimos sobre uma pessoa não só atrapalha a vida dela, como desequilibra a nossa própria vida - como diria um cavaleiro Jedi "há um balanço na Força".

Don Ruiz ensina: " Sua opinião não é nada além do seu ponto de vista.  Não é necessariamente verdadeira.  Ela deriva de suas crenças, do seu próprio ego e do seu próprio sonho.  Criamos todo esse veneno e o espalhamos aos outros, para que possamos nos imaginar certos em nosso ponto de vista.

Você pode medir a impecabilidade de sua palavra pelo seu nível de amor-próprio.  Quanto você ama a si mesmo e como se sente em relação a si mesmo são diretamente proporcionais à qualidade e integridade de sua palavra.  Quando você é impecável com suas palavras, sente-se bem, feliz e em paz."

Coloque na geladeira com um imã esse primeiro compromisso: "Seja impecável com sua palavra."

Esse compromisso com você próprio irá, com a prática de seu exercício, trazer-lhe a tão sonhada liberdade, o sucesso e a abundância.

Quando você usa sua palavra para construir, desejar o bem a outrem, estimular a bondade, a delicadeza e a beleza no mundo, você sente-se em paz.  Aproveite também para repetir palavras positivas sobre você mesmo, tipo: sou bom, sou maravilhoso, desejo o bem a mim mesmo; "diga a si mesmo como gosta de você." O bem estar que essas atitudes trazem não tem preço.

Antes de terminar, gostaria de comentar que hoje vi uma parte de uma palestra de uma filósofa que gosto muito, da Escola Nova Acrópole, Lúcia Helena Galvão.  Ela estava dizendo que a maioria das pessoas em conversa só fala de outras pessoas, uma outra pequena percentagem delas fala sobre fatos do mundo e só uma minoria delas fala de ideias. Quando ouvimos conversas num parque, na rua, no ônibus é isso que ouvimos.  Fica a dica para conversas futuras. Falar sobre ideias.

"Seja impecável com sua palavra."

Você é impecável com sua palavra?

Semana que vem trarei o segundo compromisso.

Até lá!














terça-feira, 12 de janeiro de 2021

FILHOS, REGRAS E LIMITES

 Caros amigos leitores,

A quinta regra do livro de Jordan Peterson "Doze Regras para a Vida" é: "Não deixe que seus filhos façam algo que faça você deixar de gostar deles".

Todos nós gostaríamos que nossos filhos fossem bem recebidos em todos os lugares - mas para que isso ocorra eles precisam ser bem preparados para enfrentar o contexto social.

Para facilitar o entendimento da ideia, imaginemos dois cenários.

O primeiro cenário: você está num restaurante almoçando com seu cônjuge e uma criança, melhor imaginar duas crianças, irmãs, filhas de um casal que também está almoçando, estão brincando, correndo por entre as mesas do restaurante enquanto seus pais estão alheios, conversando ou no celular.  Muitas pessoas e inclusive você sentem-se incomodados com a cena e o equilíbrio de um almoço tranquilo é quebrado.  Você olha para os pais na esperança de que eles percebam a atitude dos filhos, mas eles não se mexem.  Em algum momento você tem a vontade de pedir a eles que "deem um jeito nos filhos" ou até pensa em pedir às próprias crianças que parem de correr pois elas podem se machucar ou causar algum acidente.  Mas, é óbvio que você só tem vontade, e não faz nada porque, afinal de contas, esse não é o seu problema.  Outro sentimento que pode vir à tona nessa situação é a antipatia "gratuita" por essas crianças.  Em realidade, a responsabilidade pela atitude dos filhos nessa situação é dos pais. Já presenciei essa cena muitas vezes, infelizmente, e em algumas delas o garçom ou um funcionário do restaurante acabaram chamando a atenção das crianças.

Agora, vamos para o segundo cenário.  Você está almoçando com seu cônjuge num restaurante e num dado momento você nota um fato incomum - há, numa das mesas, uma família composta do casal, pai e mãe, e dois filhos pequenos, da mesma idade dos filhos do primeiro cenário, entretanto todos estão comendo - há celulares, pouca conversa e os pais ajudam os filhos a se servirem e comerem.  Eu presenciei este acontecimento e após ter almoçado, em minha saída do restaurante, fui até a mesa deles, pedi licença e elogiei os filhos do casal e disse à eles, os pais, que fizeram um bom trabalho.  Eles me responderam que faziam o melhor que podiam e que passaram aos filhos o que aprenderam dos próprios pais.  Talvez eu tenha sido intrometida, mas creio que boas maneiras deveriam ser a regra da humanidade, mas como não o são mais, um elogio é um estímulo para que as pessoas continuem no caminho onde estão.  Infelizmente, os maus modos em sociedade só podem ser lamentados. Não cabe crítica direta à eles.

Então, analisado os dois cenários, em qual deles as crianças recebem vibrações positivas e amorosas por parte dos outros? A resposta à essa pergunta é óbvia - no segundo cenário. 

Jordan Peterson relata sua própria experiência com seus filhos: "Quando nossos filhos eram pequenos e nós os levávamos para os restaurantes, eles atraíam sorrisos. (Peterson tem um casal de filhos, hoje devem estar na faixa dos 30 anos). Eles se sentavam à mesa e comiam educadamente.  Eles não se mantinham dessa maneira por um longo tempo, mas nós também não ficávamos muito tempo.  Quando eles começavam a ficar indóceis, depois de ficarem sentados por 45 minutos, nós sabíamos que era a hora de irmos embora.  Era parte do trato.  Comensais, em algumas ocasiões, nos disseram como era agradável ver uma família feliz.  Nós não éramos sempre felizes e nosso filhos não se comportavam sempre de maneira adequada.  Mas, na maioria das vezes, eles o faziam e era maravilhoso ver as pessoas reagindo tão positivamente à presença deles.  Era realmente bom para as crianças.  Elas podiam perceber que as pessoas gostavam delas.  Isso também reforçava o bom comportamento delas.  Essa era a recompensa."

Nesta regra, Jordan Peterson nos faz refletir sobre nossa postura com relação à educação de nossos filhos.

Ao observarmos como os outros interagem com nossos filhos seria muito gratificante notarmos como há harmonia nessa interação; percebermos como a companhia de nossos filhos é agradável para quem com eles se comunicam.

Peterson afirma que "a capacidade das crianças perceberem as consequências de seus atos a longo prazo é muito limitada.  Os pais são os árbitros da sociedade.  Eles ensinam as crianças a se comportarem de um modo que outras pessoas possam ser capazes de interagir significativamente e produtivamente com elas - disciplinar uma criança é um ato de responsabilidade."

O capítulo dessa regra é bem longo, mas uma das coisas que mais me chamou a atenção foram algumas dicas de disciplina e limite de regras ao educarmos nossas crianças.

"Há dois princípios gerais de disciplina.  O primeiro: limite as regras.  O segundo: use a menor força necessária para reforçar essas regras."

"Sobre o primeiro princípio você poderá perguntar - Como assim limitar as regras?"

Aqui vão as sugestões, as quais achei muito interessantes e diretas (em realidade, muitas delas eu nunca havia pensado):

"Não morda, chute ou bata, exceto em auto defesa."

"Não torture ou acosse outras crianças, assim você não vai terminar sendo preso."

"Coma de uma maneira civilizada e grata, assim as pessoas ficarão felizes de tê-lo na casa delas, e satisfeitas de alimentá-lo."

"Aprenda a compartilhar, assim as outras crianças brincarão com você."

"Preste atenção quando os adultos lhe dirigirem a palavra, assim eles não o odiarão e poderão até ensiná-lo alguma coisa."

"Vá para a cama em paz, assim seus pais poderão ter uma vida particular e não se ressentirão de sua existência."

"Cuide de suas coisas, porque você precisa aprender e porque você tem sorte de tê-las."

"Seja uma boa companhia quando algo divertido está ocorrendo, assim você será convidado para se divertir."

"Faça com que as pessoas fiquem felizes de tê-lo por perto, assim eles sempre gostarão de tê-lo por perto."

"Uma criança que conhece essas regras será bem vinda em qualquer lugar."

Algumas dessas sugestões, na minha opinião, são muito diretas e por vezes, pesadas, mas podemos adaptá-las e usar de expressões mais suaves.  Entretanto, concordo com elas e achei muito interessante a maneira de Peterson educar suas crianças.

Como reflexão de hoje pergunto: Você já havia pensado nessas ideias antes? O que achou delas?

Até semana que vem!


  

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

"ANO VELHO"

 Caros leitores/amigos,

Ano novo, vida nova? Não. Ano novo, vida que segue!

Todo começo de ano é comum termos proposições, lista de desejos, hábitos a deixar para trás ou a adquirir. Entretanto o ano que passou foi atípico  no que concerne à "pandemia" e, do dia 31 de dezembro de 2020 para o dia 01.01.2021 nada mudou.  Mas, há esperança, otimismo no ar - por conta da vacina, muitos esperam que a vida volte ao "normal".

O texto de hoje não tem a intenção de ser um "estraga-prazeres" e dizer que ainda há algumas incertezas pairando sobre nossas cabeças. Não. A ideia de hoje é quase como um retrocesso para avaliarmos o que ficou desse ano de 2020 - o que aprendemos sobre o mundo, as pessoas, o que percebemos de nossas atitudes no decorrer desse ano que, em muitos momentos parecia não passar - em muitos dias pareciam que os minutos do relógio andavam em câmara lenta e em outros dias quando nos dávamos conta já era segunda feira novamente.

E então? Como enfrentamos esse desafio mundial que nos foi proposto?

Assim, reflitamos sobre as diferentes emoções que fomos extravasando no decorrer do ano passado e do que fizemos delas. 

Muitas nações trouxeram à baila dirigentes assustados porque se depararam com o desconhecido - a grande maioria deles, salvacionistas, atropelaram liberdades com a intenção de conter a catástrofe que se aproximava. Todavia, o objetivo final não era alcançado.

Outras nações, por terem em sua população pessoas mais instruídas, altruístas, com boa base educacional e boa vontade, buscaram outras alternativas mais coerentes e então produziram resultados mais positivos.

Cada pessoa do planeta foi afetada, sem exceção, mas de diferentes maneiras.  Mas, creio que uma sensação, um pensamento, uma emoção foi a mesma em todas pessoas - ficamos diante da dicotomia vida e morte.  Muitos talvez nem tinham parado para pensar que o fim da vida era a morte, porém a situação vivida em 2020 nos levou cara a cara com aquela figura de vestes pretas com o alfanje na mão.

As crenças sobre a morte e a vida fizeram toda a diferença neste ano.

Se acredito que não há nada depois da morte, posso me desesperar e imaginar que tenho pouco tempo a viver e a vida é boa e não quero partir agora; também, ao invés de me desesperar, posso tranquilamente realizar tudo o que desejo até o dia em que ela chegar e ir para esse "nada" com leveza e sensação de ter aproveitado o máximo da vida.

Se creio que há um inferno e um paraíso, ao fazer meu balanço de bons ou maus atos, e perceber que minha coluna dos maus atos é maior, posso ter tentado, nesse ano que passou, aumentar a coluna dos bons atos para ver se consigo entrar no céu/paraíso depois do passamento.

Se creio que cada um de nós que falece vai fazer parte do todo, do Universo, posso viver minha vida um pouco mais tranquila, realizando tudo o que estiver ao meu alcance que me faz sentir bem.

Se creio que há uma outra dimensão, um mundo espiritual, onde haja uma justiça universal, que acata todos os indivíduos e os ajuda a compreender o mecanismo entre vida e morte, explicando que Deus é o princípio de tudo e que cada um de nós possui em si uma parte desse princípio, com certeza, minha maneira de encarar essa situação será mais harmônica.

Todas essas ideias sobre as diferentes crenças se mesclam e cada um de nós se deparou com esses pensamentos e eles trouxeram à tona comportamentos que nós desconhecíamos sobre nós mesmos.

A pandemia embora tenha mostrado a todos, nossa finitude, trouxe também alguns dados positivos.

Todos tiveram a oportunidade de se autoconhecerem, mas nem todos a abraçaram.

Muitos, com receio inconsciente de se aprofundarem em si mesmos, preferiram ficar em intermináveis encontros virtuais da hora que acordavam até a hora de se recolherem para a noite de sono - quando conseguiam, pois a insônia fez parte do dia-a-dia da maioria.  A insegurança do dia de amanhã, o medo de perder alguma pessoa querida para o vírus, a entrega ao excesso de comida, como para preencher o suposto vazio interior, as horas infindáveis na frente dos noticiários da TV, do celular, do computador para tentar entender o que estava acontecendo com o mundo.

Mas também existiram aqueles que resolveram olhar para dentro e buscar uma resposta.  Carl Gustav Jung, criador da Psicologia Analítica, tem uma frase que sempre me lembro: "Quem olha para fora sonha.  Quem olha para dentro desperta." Esses (eu me incluo num desses) que olharam para dentro também não tiveram dias fáceis.

Quando olhamos para dentro e despertamos, nem sempre vemos tudo aquilo que nos agrada.  Aqueles de nós que somos razoavelmente adequados aos fatos do cotidiano, vamos pouco a pouco, buscando entrar em acordo com nossas tendências não tão boas, para realizar as transformações necessárias.  Entretanto, essas transformações só podem ser checadas, percebidas no contato com os outros, assim como todos os nossos comportamentos.  Por exemplo, o egoísmo e o altruísmo só podem ser percebidos num contexto social - se moro sozinha numa caverna, numa floresta, jamais saberei se sou egoísta ou altruísta. Assim, só vou checar minhas transformações  quando estiver novamente vivendo no meio dos outros, em minhas atividades presenciais.

Então, nesse ano que está iniciando, acredito que o primeiro item da lista de propostas deveria ser o que vou realizar para me sentir melhor, que tipo de pessoa gostaria de ser este ano que pudesse se olhar no espelho e ficasse muito satisfeita com o que visse.

Para aqueles que ainda não fizeram o exercício de autoconhecimento, ainda dá tempo - comecem agora e colham os bons frutos dessa interiorização.

Como foi o seu ano de 2020? Compartilhe conosco o seu melhor aprendizado neste ano que passou.

Desejo a todos um 2021 repleto de oportunidades para aprendizado, principalmente para aqueles que não o conseguiram em 2020.

Até a semana que vem!



 



"EU TENHO UM SONHO..."

Olá leitores, Os meus sonhos não são tão grandiosos quanto o sonho de Martin Luther King em seu discurso. Os meus sonhos são voltados ao meu...