sexta-feira, 29 de setembro de 2023

"EURICO, O PRESBÍTERO"

Caros leitores,

O livro do mês de nosso Clube de Leitura foi "Eurico, o presbítero", de Alexandre Herculano, escritor português.

O livro foi escrito em 1844 - é "um romance épico de cavalaria em que o personagem Eurico se vê forçado a escolher entre o amor à sua pátria e a fé em Deus". Ele acabou entrando nessa encruzilhada quando foi impedido de casar com Hermengarda, pelo pai dela, por não possuir posses suficientes para tal.

Na obra de cunho romântico estão presentes a consciência moral e a luta por um ideal.

Na discussão do grupo não houve um consenso - a maioria gostou da obra, entretanto alguns participantes acharam a leitura difícil - eu fui uma delas - há muitas palavras difíceis e, creio eu, não somente pelo autor ser de origem portuguesa, mas também por ser uma obra do século XIX.

Na obra descobrimos muitos fatos históricos que desconhecíamos e isso foi muito bom.

O personagem Eurico é godo (gótico). "A raça dos godos, asiática na origem e germânica na língua, que, antes de ocupar uma parte do território romano, habitava ao norte do Ponto Euxino (Mar Negro), dividia-se em duas grandes famílias, cujas denominações  provieram da sua situação relativa.  Os que estanceavam ao oriente chamavam-se ost-goths (godos do leste) e depois, corruptamente, ostrogodos, os que demoravam ao ocidente eram os west-goths (godos do oeste) ou visigodos, que depois de ora servirem o império como aliados, ora assolaram-no como inimigos, vieram fazer assento no sul das Gálias e na Península, estabelecendo, afinal, em Toledo o centro do seu império."

Embora o autor seja de origem portuguesa, ele escreve sobre a Espanha, mais precisamente sobre os conquistadores da Espanha, os visigodos - nesse período a Espanha estava com uma péssima moral.

Eurico, a princípio, depois de  sua desilusão amorosa, torna-se o pastor de uma pobre paróquia, após seus estudos e preparação no presbitério. Nessa fase, como gosta de estar só, é romântico, escreve os hinos da igreja.

A narrativa é muito bem descrita, consegue-se ter uma ideia bem precisa dos locais, da paisagem.  Um dos participantes do grupo imaginou que a história daria um ótimo filme para Mel Gibson dirigir, remetendo ao seu filme "Coração Valente" por causa das cenas de batalha.  

Quando do início da guerra contra os árabes e godos, Eurico resolve ser um cavaleiro - torna-se o Cavaleiro Negro.

Não me alongarei mais na história para não tirar a vontade de alguém que queira ler o livro - só adianto que até o fim do mesmo, Hermengarda e Eurico se reencontram - e o fim é selado à maneira de todo livro romântico; quem conhece a época do Romantismo, facilmente adivinhará o final.

Bora ler o livro?

Boa semana!






 

sábado, 23 de setembro de 2023

VIAJAR É PRECISO

Olá leitores,

Escrevi esse texto em Lambari-MG.  Minha irmã tem um sítio nessa cidade que era de meu pai - um lugar muito bonito, gostoso, cheio de verde, de pássaros e de muita tranquilidade.  Á noite é um silêncio sepulcral - MARAVILHOSO!

Meu marido e eu, quando tiramos férias, geralmente viajamos para o exterior e procuramos lugares diferentes - gostamos de novas paisagens, conhecer outras pessoas, experimentar comidas diferentes e abarcar novos conhecimentos de outras culturas.

Entretanto, dessa vez, resolvemos rever lugares já conhecidos, estar com a família, rir muito e descansar - bem, descansar para mim é andar pelo mato, admirar novos pássaros e animais, descobrir novas flores e árvores, trocar ideias.

Num dos dias passeamos muito até uma reserva que há perto do sítio e nos deliciamos revendo a cachoeira de Sete Quedas de Lambari.  Tem esse nome porque você sobre sete lances de encostas do morro.  A cada lance você vê a cachoeira de um ângulo diferente e de uma diferente queda.  Subir até a sétima queda é uma conquista.  A subida é íngreme. Mas foi um bom exercício para as pernas.

Assim, viajar é preciso para calibrar a mente, colocar o corpo para tomar sol, ouvir o som da mata, dos pássaros, refinar o olfato com o aroma de novas flores e apaziguar o espírito.

Entretanto, nem sempre há como estarmos longe de tudo e de todos - principalmente na viagem de ônibus até lá.  De Curitiba-PR para Lambari-MG, há que se tomar dois ônibus - um até São Paulo (6 horas e meia de viagem) e depois tomar um ônibus de São Paulo para Lambari (mais 4 horas e meia de viagem) - bastante cansativo, mas vale o esforço!

Eu costumo viajar todo primeiro sábado do mês para Sampa para realizar uma palestra, então já estou familiarizada com as peculiaridades de tal empreitada.  Todavia, desta vez foi surreal.

No percurso de Sampa para Lamba, nossos "companheiros" de viagem foram ao extremo.

O casal atrás de nós ligou o aplicativo "waze" como se eles estivessem no carro.  Eles iam para Pouso Alegre (uma cidade há 1 hora e meia de Lambari aproximadamente) e nós desfrutamos as direções do aplicativo "tantos quilômetros, vire à direita, depois de mais tantos quilômetros, vire à esquerda" etc. Na estrada não havia muita direção a ser tomada, mas quando entrou na cidade a coisa ficou "tosca".

Outra "companheira" de viagem sentada ao nosso lado, viajava sozinha, mas seu celular lhe fez companhia tocando música sertaneja razoavelmente em tom alto, durante a viagem até Pouco Alegre também.

Havia um senhor na frente que conversou o tempo todo, contando a passageira ao seu lado, fatos de sua vida - também durante todo o trajeto.

Felizmente todas essas criaturas "estranhas" desceram em Pouso Alegre.

Meu marido foi lendo e eu fui vislumbrando o trajeto pela janela. Não nos sentimos tão incomodados por tais figuras porque deixamos nossa mente "viajar" para outras paragens.  Muitas vezes somos chamados de antissociais porque gostamos de viajar em silêncio, tentando aproveitar esse tempo buscando uma conexão com nossos pensamentos e tentando clarear a mente do stress diário sem tentar controlar a própria viagem e dissipar nossas preocupações no percurso.

"Viajar é preciso" - não somente para outras localidades, mas também para fora de certos momentos como esses, surreais, do ônibus e buscar sair desses momentos do presente e "viajar" para o futuro ou para o passado, relembrando boas memórias.

Boa reflexão! Boa semana!





 

terça-feira, 12 de setembro de 2023

AUTOCONSIDERAÇÃO

Caros leitores,

Hoje iremos refletir sobre nosso relacionamento com nós mesmos.

Os pais têm um papel importante na educação e no processo de crescimento de toda criança.  Todos nós já fomos crianças um dia e passamos pelo mesmo processo, ou seja, apreendemos aspectos da vida com nossos pais e com nosso ambiente familiar.  Salvo exceções, muitos desses aspectos, principalmente os negativos, podem ainda estar nos influenciando inconscientemente, abalando nossa autoestima e até prejudicando nossa vida adulta no que diz respeito ao nosso relacionamento com os outros e às nossas empreitadas diárias. Quando disse salvo exceções, falo daquelas criaturas às quais isso não fez muita diferença no seu psiquismo, por serem indivíduos mais adiantados moral e espiritualmente e que conseguiram driblar essas dificuldades mais facilmente. 

Hammed, um pensador, explica:"...carreguemos características de nossos pais; isso não quer dizer que devamos ser exatamente iguais a eles.  Não somos e jamais seremos, pois temos reações e condutas individuais, uma maneira particular de pensar e agir, ou seja, uma personalidade própria."  

Atualmente é sabido da importância da criança ser aceita com seus dons naturais.  Entretanto, isso nem sempre se dá de maneira muito harmônica - umas são barulhentas e peraltas, outras são quietas demais.  Todos nós gostaríamos que nossas crianças fossem comportadas, educadas, brincalhonas mas tranquilas, extrovertidas mas com momentos calmos para devida reflexão.  Pais atletas não suportam crianças extrovertidas.  Pais intelectuais não aguentam crianças ruidosas.  Gostaríamos que nossos filhos fossem bem na escola, fossem sociáveis com os outros, obedientes à nossa ordem.  Todos os nossos "desejos" podem ser alcançados com a devida atenção a elas, buscando descobrir junto com elas em que atividade elas se sobressaem para, assim, ajudá-las no seu desenvolvimento.  Pais que trabalham juntamente com os filhos em suas escolhas sem tolherem o seu livre arbítrio são o ideal de vida de cada criança.  Mas, às vezes, esse "ideal" está distante da realidade, quando pais não são orientados para esse tipo de observação.

Quando há desrespeito, falta de amor, atenção e carinho, a criança pode crescer acreditando não ser aceita, amada no mundo - ela pode desenvolver um "sentimento de autodepreciação".

Se pudéssemos ouvir a conversa íntima dessa criança com ela mesma poderíamos talvez ouvir os seguintes comentários: "Se as pessoas soubessem como eu sou realmente e o que quero, por certo não gostariam de mim." "Devo fazer as coisas bem feitas e com capricho para conquistar a admiração e  o respeito dos outros." "Não sou uma pessoa importante e agradável.  Não consigo encontrar uma razão para que alguém goste de mim." "Sinto que tenho que ser mais inteligente, produtiva e útil." "Eu deveria dar mais e receber menos, pois quando faço algo por mim mesma, sinto-me culpada."

Essas "conclusões" podem ser atribuídas a crianças que podem ter tido pais ocupados demais com seus negócios/trabalho, ou pais que foram mal preparados para dar aos filhos um crescimento saudável, ou pais "rigorosos que submeteram seus filhos à necessidade de crescer apressadamente e impuseram a eles uma postura competitiva e um desempenho exemplar nas relações com os outros.  Instigavam a criança a uma "síndrome de crescimento rápido".  Demonstravam amor somente quando ela desempenhava um script perfeito, e era rejeitada, de forma velada ou explícita, quando fracassava." Ou até mesmo pais que eram adultos infantilizados.

Todas essas experiências com esses pais e seus comportamentos e atitudes peculiares começam a fazer parte da personalidade das crianças sem ninguém notar.  No momento em que essas crianças se tornam adultas terão uma tendência à autodesconsideração, à introversão, ao isolamento, à falta de interesse no trato social, aonde impera a "vergonha" ou até elas serem consideradas "sem graça".

Quando não nos valorizamos, criamos à nossa volta uma vibração negativa - um campo magnético com "energias negativas mantidas por pensamentos habituais de autodesvalorização." E pelo princípio de sintonia acabamos atraindo para nós acontecimentos inconvenientes que por sua vez atraem indivíduos semelhantes aos nossos pensamentos de autodepreciação.  Acabamos então rodeados de circunstâncias infelizes que atestam nossos sentimentos de menos valia, e assim, acreditamos fielmente que não valemos nada, que não somos importantes nesse mundo, e que se nós não existíssemos não faria diferença para ninguém.

Quando repetimos sempre para nós mesmos que somos desprezíveis, indignos, tolos, infelizes, atraímos, obviamente, ondas mentais semelhantes a esses autoconceitos e assim entramos em faixas vibratórias similares de outras criaturas que pensam como nós mesmos - neste caso, vibramos contra nós mesmos!!!...

"A energia que dissipamos é que atrai a consideração, ou não, dos outros.  Quanto mais nos rejeitamos, maior é a rejeição das pessoas para conosco." Nossa vida está onde está o nosso pensamento.

O melhor antídoto contra essas energias destrutivas é o amor a nós mesmos, a autoconsideração.  Esse comportamento afetuoso por nós mesmos melhorará a qualidade de nosso relacionamento com os outros e com nós próprios.  Vale a tentativa!

Cuidemos para não confundir autoconsideração com egoísmo ou narcisismo.  Somos tão dignos de amor quanto nossos semelhantes.  Em realidade, o egoísta e o narcisista são criaturas aparentemente com boa autoestima, mas sentem-se também tão desvalorizados e desconsiderados pelos outros, exatamente pelo princípio da sintonia.  Tanto aquele que se despreza quanto aquele que se admira em excesso (narcisista) ou pensa só em si próprio (egoísta) vivem num mundo ilusório.  Não somos melhores nem piores que os outros.

Quando nos autoconsideramos fazemos nosso "universo íntimo" girar ao redor do amor e por este motivo, atraímos energias e criaturas amorosas a nossa volta.

Bora tentar?

Boa semana!












sábado, 9 de setembro de 2023

O CONTROLADOR

Olá leitores,

No dicionário Aurélio, Liberdade é:

1. Faculdade de cada um se decidir ou agir segundo a sua própria determinação;

2. Poder de agir, no seio duma sociedade organizada segundo a própria determinação, dentro dos limites impostos por normas definidas;

3. Faculdade de praticar tudo o que não é proibido por lei;

4. Estado ou condição de homem livre;

5. Independência; autonomia;

6. Permissão, licença;

7. Confiança, familiaridade, intimidade (às vezes, abusiva).

A liberdade, na ciência é a possibilidade da experimentação e o uso concomitante do raciocínio; na filosofia é o uso do bom senso; na religião é o discernimento; na arte, a liberdade é a inspiração e o uso da originalidade e, na sociedade é a igualdade e a solidariedade.

No dicionário Aurélio, controle é:

1. Ato ou poder de controlar; domínio, governo;

2. Autodomínio físico e psíquico;

3. Equilíbrio.

E controlar  é:

1. Exercer o controle de;

2. Submeter a controle;

3. Manter o controle, conter-se, dominar-se.

E onde controlado é:

1. Submetido a controle;

2. Que tem controle;

3. Comedido, moderado;

4. Ponderado, prudente.

O reverso daquele que é submetido ao controle, o controlado, é o controlador. Esse indivíduo é o ponto central do texto de hoje. "Controladores" são criaturas que tentam fazer a vida acontecer do jeito que elas querem. Usam de simulações conscientes ou inconscientes e forçam os eventos de suas vidas a acontecerem quando e como desejam.  Muitas vezes realizam suas "artimanhas" em segredo, usando técnicas indiretas.  Agem sutilmente, educadamente e de maneira dócil e quase nunca são identificadas como "controladores".  Em muitas circunstâncias não têm consciência do que fazem - é um hábito, um comportamento a que estão acostumadas.  Vivem dessa maneira, sentem-se razoavelmente confortáveis com essa atitude, mas o que elas não sabem é que esse modo de ser faz-lhes mais mal do que bem.  Em toda essa estratégia usada, há muito desgaste de energia, onde acontece a incapacidade de relaxar, a impaciência e a impossibilidade de "ficar sem fazer nada" - não conseguem meditar, ouvir uma boa música, admirar uma paisagem, ler um bom livro, ouvir seus interlocutores numa conversa.

O que os "controladores" não imaginam é que para dominarem os outros e o ambiente, eles necessitam viver distanciados de seus próprios sentimentos, pois eles creem inconscientemente que os mesmos poderiam deixá-los fracos, vulneráveis frente aos outros.  Então acham melhor não se arriscar a mostrar o que sentem realmente.  Preferem ter o poder sobre os outros e não que os outros tenham poder sobre eles.  Se demonstrarem o que sentem podem vir a ser usados, desmascarados, maltratados e desse modo pode existir a possibilidade de qualquer pessoa ter poder sobre eles.  Eles cuidam para ter sempre as rédeas da vida em suas mãos e então necessitam ordenar tudo e todos.

Há controladores mais fáceis de identificar - são duros, diretos, estão sempre dando ordens, são imponentes e possuem uma "aura" de poder e podem até ser temidos pelos incautos.  Mas, há controladores difíceis de identificar como tais - são os que se fazem de vítima. Poderosos controladores, estes usam como recurso a "máscara da fragilidade".  Mas na realidade, essa é uma outra tática para obrigar o outro "a fazer o que eles querem que seja feito."

Há algumas atitudes mentais que fazem parte da vida psicológica dos "controladores":

- Como sentem um vazio interior, controlam para satisfazer suas "falsas" necessidades de poder;

-  Para se protegerem de uma possível humilhação, fazem com que se sintam respeitados (e muitas vezes, odiados) através do controle;

-  Como se consideram socialmente inadequados (e muitas vezes, realmente, o são), fortalecem, pelo controle, seu desejo de impressionar terceiros;

-  Receiam ser rejeitados, magoados, ridicularizados.

Como são inseguros, temem ser controlados (manipulados), obrigados a fazer o que não desejam ou temem ficar sobrecarregados com enormes responsabilidades.  Assim "atacam" antes que os outros os ataquem; impõem-se aos outros antes que esses os controlem.  Como na maioria das vezes não sabem que são inseguros ou que sentem medo, dominam os outros e as circunstâncias para amenizar ou, até "resolver" conflitos íntimos.

A maior ilusão de nossa vida é acreditar que podemos controlar a vida alheia.  No afã de acreditar que somos livres quando controlamos os outros, fazemos exatamente o contrário.  Imposição é o oposto da liberdade e esta elimina a independência do dominado e também daquele que domina, ou seja, nos tornamos dependentes daquele que dominamos.

A verdadeira libertação chama-se autocontrole.  Atenhamo-nos a controlar a nós mesmos - nossas energias devem ser gastas para nossa evolução emocional, intelectual e espiritual.  Não desgastemos nossas energias para comandar a vida dos outros.

A vida não deve ser um Comandar X Ser Comandado.  Aqueles que "mandam", ou seja, que estão numa posição de autoridade devem tratar os outros com bondade e benevolência, porque são seus iguais frente a Deus.  Devem usar de sua autoridade para erguer a moral alheia e não para esmagá-la com seu orgulho.  Aqueles que são "controlados" devem compreender que quando delegam o controle de suas próprias vidas a outra pessoa, seja ela quem for (pais, filhos, cônjuges, namorados, parentes, amigos, chefes) estão renunciando ao mais importante direito inato: a liberdade.  Sem ela, o livre-arbítrio não existe - a liberdade pressupõe auto respeito, dignidade e escolha.  Quando não nos valorizamos, nos julgamos um "nada" frente ao mundo, com essa sensação virá um sentimento de grande vazio na alma, uma sensação de "não ser".

Finalizo com uma frase de Victor Hugo que aqui cabe ao nosso propósito: "O pior uso que se pode fazer da liberdade é abdicar dela."

Boa reflexão!






sexta-feira, 1 de setembro de 2023

COMPAIXÃO: A CHAVE PARA A TOLERÂNCIA

Olá leitores,

Em nossa vida, nosso conteúdo interno se construiu, num primeiro momento, através de noções e conceitos ditados por nosso pais, parentes, professores e todas as pessoas que se relacionaram conosco na infância. Entrementes, este conteúdo continua sendo transformado dia a dia, conforme vamos estudando, vivendo a vida e assim cambiamos defeitos em virtudes para sermos mais felizes, atraindo para nós uma paz de espírito.

Durante toda a nossa vida de relação internalizamos histórias, críticas, tradições, aplausos, experiências, hábitos e costumes que constituem nosso caráter.  Também incorporamos sentimentos de honestidade, flexibilidade, independência, afetividade, assim como sentimentos de medo, de culpa, de condenação, de insegurança, em primeiro lugar com nossos familiares, depois com os professores, dirigentes religiosos, políticos, filantrópicos, ou seja, com todos aqueles que em nossa vida detiveram destaque ou certa autoridade.

Toda nossa personalidade está baseada em como apreendemos e trabalhamos tudo o que nos vêm de fora e nos influencia.  Quanto mais inconscientes, mais dificuldade de compreender e interagir com o meio.  E, ao contrário, obviamente, se sei quem eu sou, se conheço razoavelmente meus defeitos e qualidades, ou seja, se sou consciente, minha interação com o meio externo se dá de maneira mais eficiente, harmônica e pacífica.  Naturalmente, também neste quesito preciso usar de minha boa vontade para realizar esta interação.

Durante nossa fase de aprendizagem, podemos ter vivido como pessoas excessivamente injustas, preconceituosas, rígidas e inflexíveis as quais nos levaram a reprimir ou até desprezar nossos impulsos, vocações, tendências e inclinações, e, por vezes, julgando nossos sentimentos como ilógicos ou irracionais, podemos ter nos tornado prisioneiros de grande sentimento de "inadequação íntima". Neste caso, podemos, como maneira de compensar nossa sensação de fraqueza interior ou baixa estima - desenvolver o papel de defensor da justiça e da verdade absolutas, escondendo desse modo, nosso desajuste íntimo, aparentando segurança, determinação e força, liderando outros com muito rigor e repreensão.

Ao longo do tempo, por causa deste sentimento de incompetência, aqueles que tiveram esses modelos no decorrer do aprendizado, se autodenominam "donos da verdade". Auto enganam-se e fixam-se na única ideia de como as coisas deveriam ser.  Esses indivíduos chamam isso de boa fé ou até de idealismo, mas , em verdade querem somente compensar sua fragilidade ou instabilidade pessoal.

Cuidemos para que não nos recusemos a aceitar a vulnerabilidade e a incerteza como parte de nós.  Talvez não tenhamos conseguido lidar com as repreensões e condenações assimiladas em outros momentos e possamos estar encobrindo nossa autoconsciência com uma postura de prudência exagerada, severidade e intolerância sem medidas.  Não tenhamos medo de errar. Muitos dos nossos acertos de hoje foram aprendidos através de nossos erros de ontem.  Aprendemos muito com os erros dos outros, entretanto quando nós erramos nosso aprendizado se solidifica, simplesmente porque ainda muitos de nós temos dificuldade de nos colocarmos no lugar do outro.  Quando erramos é porque não sabemos como fazer melhor.  Ninguém, de propósito, quer ser infeliz; por isso, ninguém escolhe o pior.

O texto de hoje é sobre a tolerância versus intolerância, mas reflitamos também um pouco sobre a paciência, a flexibilidade-rigidez, a humildade-orgulho, o complexo de superioridade e o autoritarismo para chegarmos na  compaixão.

A intolerância anda de mãos dadas com a rigidez, o orgulho, o complexo de superioridade e o autoritarismo.  O intolerante perde muito no aprendizado que a vida oferece porque ele acha que conhece todas as regras do mundo e acha que todas as pessoas devem obedecê-las - ele não vê que nem todas as pessoas enxergam o mundo como ele. Ele perde também oportunidade de abarcar ideias novas e com elas novos caminhos que podem levar ao bem estar.  "Atrás de todo excesso ou rigidez se encontra a não aceitação da naturalidade da vida, fora e dentro de nós mesmos." (Hammed).

Nossa saúde mental e psicológica se deve à nossa adaptação ao meio externo - nossa bagagem interior deve se adequar às coisas que nos acontecem no dia a dia - quanto maior nossa capacidade de adequação maior nossa evolução e menor nosso sofrimento. Por isso, abandonar a rigidez mental é fator primordial para o crescimento interior. Nesse quesito vale lembrar que a ideia aqui não é comprar/aceitar as ideias dos outros como se fossem suas.  Cada um de nós deve manter seus valores desde que eles tragam bem estar a nós e ao nosso entorno.

Pessoas com atitudes exageradas significam o contrário do que parece.  Por exemplo, o autoritário é uma pessoa que se sente rebaixada, sem autoridade própria, com problemas de baixa estima (aí podemos incluir os invejosos, os que têm complexo de superioridade, enfim, os orgulhosos).

Ser flexível não é não ter personalidade própria ou ser considerado "volúvel"; é apenas ser mais acessível à compreensão das coisas e pessoas.

Praticamente todas as nossas imperfeições têm como base o orgulho, e a intolerância não deixa de ser uma das faces do mesmo - quando somos intolerantes para as atitudes dos outros é porque queremos controlar suas vidas, ditando regras de como eles deveriam viver e esta compulsão de querer controlar a vida alheia é fruto de nosso orgulho. Se deixarmos os outros pensarem por nós e determinarem o que devemos escolher, teremos muita dificuldade em amadurecer. Então não façamos aos outros o que não quereríamos que eles fizessem conosco.  Simples, não?

Para iniciarmos nossa guerra contra nosso orgulho, temos que vencer pequenas batalhas contra a intolerância, a rigidez, o autoritarismo, entre outros.  Cada um de nós necessita saber quais são suas imperfeições mais graves - aquelas que nos impedem o crescimento mais contínuo - para então travar uma luta contra elas.  E, para lutar contra imperfeições, é mais fácil tentar conquistar virtudes.  No caso em questão, conquistemos a paciência, a humildade e a compaixão.

A humildade está relacionada com a gentileza, a lucidez, a simplicidade, a graciosidade e a distinção;  tem a ver com a forma de comportamento íntimo e não com a ausência ou presença de bens materiais, como se acredita erroneamente.

Assim, ter compaixão é ter uma compreensão maior das fragilidades do ser humano - é nos tornarmos mais realistas, menos exigentes e mais flexíveis com as dificuldades dos outros.  Quanto mais compaixão tivermos pelos outros, mais nossa visão de mundo se alargará.

A conquista da paciência, da humildade e da compaixão nos auxilia a lidarmos com a intolerância, a inflexibilidade, o autoritarismo e o medo de errar.

E, finalmente, a compaixão é: 

- Admitir que os outros pensem, ajam, sintam diferentemente de nós;

- Compreender essas pessoas com respeito e bondade;

- Admitir e perdoar as faltas dos outros;

- Nunca esquecer que o desenvolvimento de qualquer pessoa ocorre a partir do potencial interno dela.

A evolução acarreta em nós uma alquimia espiritual, pois é das cinzas da intolerância que irá nascer a fênix da compaixão, trazendo para nós o entendimento de que ela, a evolução, sempre acontece.  Há de se ter paciência e confiança na Vida Providencial.

Boa reflexão e mais que tudo, força de vontade para mudar o que precisa ser mudado em sua vida.

Até!














 

"EU TENHO UM SONHO..."

Olá leitores, Os meus sonhos não são tão grandiosos quanto o sonho de Martin Luther King em seu discurso. Os meus sonhos são voltados ao meu...