sábado, 28 de dezembro de 2024

"O PROFETA"

Caros leitores,

O último livro de nosso Clube de Leitura deste ano foi "O Profeta" de Gibran Khalil Gibran.  O livro é belíssimo, misto de poesia, prosa, espiritualidade.  Será meu livro "de cabeceira", ou seja, aquele livro que abrimos ao acaso quando quisermos acalmar nossa alma das vicissitudes da vida.

As coisas acontecem na hora certa - achei quase inacreditável  que eu, leitora assídua de tudo que encontra pela frente, tenha demorado para ler esta obra de valor incalculável - que bom que agora resolvi colocá-la no nosso clube - antes tarde do que nunca, como dizem.

O livro foi escrito em 1923 e ele o escreveu quando tinha 40 anos de idade.

"Os temas são os temas básicos da vida humana: o amor, o casamento, a liberdade, a religião, o comer e o beber, a amizade, os filhos, o trabalho, a morte e outros assuntos análogos." (da apresentação de Mansour Challita, o tradutor do livro).

Para uma melhor ideia, transcreverei na íntegra, algumas trechos sobre alguns temas.

Sobre o matrimônio: "Cantai e dançai juntos, e sede alegres, mas deixai cada um de vós estar sozinho... e vivei juntos, mas não vos aconchegueis em demasia; pois as colunas do templo erguem-se separadamente, e o carvalho e o cipreste não crescem à sombra um do outro."

Sobre a dádiva: "Dai agora, portanto, para que a época da dádiva seja vossa e não de vossos herdeiros."

Sobre as compras e as vendas: "E, contudo, a menos que a troca se faça no amor e na justiça, ela conduzirá uns à avidez e outros à fome."

Sobre as leis: "Povo de Orphalese, podeis abafar o tambor, e afrouxar as cordas da lira, mas quem poderá proibir à calhandra de cantar?"

Sobre a liberdade: "Sereis, na verdade, livres, não quando vossos dias estiverem sem preocupação e vossas noites sem necessidades e sem aflição, mas, antes, quando essas coisas sobrecarregarem vossa vida e, entretanto, conseguirdes elevar-vos acima delas, desnudos e desatados."

Sobre a razão e a paixão: "Vossa razão e vossa paixão são o leme e as velas de vossa alma navegante."

Sobre o conhecimento de si próprio: "Porque o Eu é um mar sem limites e sem medidas. A alma desabrocha, qual um lótus de inúmeras pétalas."

Sobre o ensino: "Homem algum poderá revelar-vos senão o que já está meio adormecido na aurora do vosso entendimento."

Sobre a amizade: "E que não haja outra finalidade na amizade a não ser o amadurecimento do espírito."

Sobre a conversação (na minha opinião, o melhor texto): "Vós conversais quando deixais de estar em paz com vossos pensamentos."

Sobre o tempo: "E que vosso presente abrace o passado com nostalgia e o futuro com ânsia e carinho."

Sobre o bem e o mal: "Vós sois bons quando vos identificais com vós mesmos."  "Vós sois bons quando vos esforçais por dar de vós próprios."

Sobre a prece: "Que vossa visita a esse templo invisível não tenha, portanto, nenhuma outra finalidade senão o êxtase e a doce comunhão."

Sobre o prazer: "Ide, pois, aos vossos campos e pomares e, lá, aprendereis que o prazer da abelha é sugar o mel da flor, mas que o prazer da flor é entregar o mel à abelha.  Pois, para a abelha, uma flor é uma fonte de vida.  E para a flor, uma abelha é uma mensageira de amor.  E para ambas, a abelha e a flor, dar e receber o prazer é uma necessidade e um êxtase."

Sobre a religião: "Vossa vida cotidiana é vosso templo e vossa religião."

Sobre a morte: "Se quereis realmente contemplar o espírito da morte, abri amplamente as portas de vosso coração ao corpo da vida.  Pois a vida e a morte são uma e a mesma coisa, como o rio e o mar são uma e a mesma coisa."

Este livro não é apenas para ler - é para meditar, refletir sobre cada palavra e tentar mudar comportamentos e maneira de pensar e assim, ter  uma vida mais rica de sentido.

Bora ler o livro?

Boa reflexão!


 

sábado, 21 de dezembro de 2024

"MEGALÓPOLIS" PARTE 3

Caros leitores,

O texto de hoje também é de J.Tucón.

No artigo anterior abordamos o significado da descoberta de um material alienígena sobre o setor da construção, focando na leveza, maleabilidade e resistência desse material.

Hoje vamos abordar a questão dele ser alienígena, ou seja oriundo de astros fora da Terra.

Para começar vamos nos reportar à obra de um astrônomo russo do século passado chamado Nikolai Kardashev.  Ele tratou de classificar as civilizações do Universo em três tipos:

Tipo 0 - A civilização que coleta energia extraindo a mesma do seu próprio planeta.  Aí entram os combustíveis fósseis, as hidrelétricas, as eólicas.  Trata-se evidentemente do caso da Terra.

Tipo 1 - A civilização que coleta energia da estrela que ilumina o planeta onde ela se situa.  A Terra atualmente começa a explorar essa via mas é necessário que quase toda a energia usada tenha origem estelar.

Tipo 2 - A origem da energia é de toda a galáxia onde se situa o planeta em questão.

Bem, e o que isso tem a ver com o material de construção oriundo de outro astro?

Aqui entra a obra do astrônomo inglês Adrian Berry intitulada "Os Próximos Dez Mil Anos" na qual ele relata a extração mineral nos asteróides situados além de Marte.  Isso permitiria preservar a Terra que tem um meio ambiente excepcional dentro do sistema solar.  É óbvio que num estágio como esse a mineração usaria energia solar.

Mas, será que um dia vai rolar?

Em sua obra "Física do Impossível" o astrônomo Michio Kaku aborda a questão da transição entre a civilização do tipo zero (a terráquea) para a civilização do tipo um.

Considera Kaku que para o sucesso dessa mudança precisamos vencer o terrorismo e o machismo.

Com relação ao terrorismo, sabemos que ele usa e abusa do sequestro, ou seja da privação de liberdade do semelhante.  É o abuso do poder no seu ponto máximo.  Sobre o vício no poder, leia o artigo anterior sobre o filme.

Com relação ao machismo que é crença na inferioridade da mulher faça o leitor um paralelo com o abuso do meio ambiente ou seja exploração da Mãe Terra e tire suas próprias conclusões.

O que Kaku nos adverte é que a par da evolução tecnológica é necessário mudar a mentalidade, caso contrário não teremos sucesso nessa mudança e daí para a extinção é só um passo.

Aliás esse autor afirma que poucas civilizações terão sucesso nessa empreitada.

Quem viver, verá!

Boa semana pessoal! 

sábado, 14 de dezembro de 2024

"MEGALÓPOLIS" PARTE 2

Olá leitores,

Meu marido, que como comentei no texto anterior é arquiteto fez algumas observações interessantes sobre o filme. Para melhor entendimento há um elemento chamado Megalon (daí a alusão à Megalópolis) que veio do espaço.

Texto de J. Tucón

Filme de Ficção Científica em Arquitetura

Pontos:

1. Um material leve, flexível, de alta resistência, que assume as estruturas formais da Natureza ou quaisquer outras formas.  Este material, vindo do Espaço, é peça fundamental na proposta de urbanização de uma grande cidade.

2. Obviamente surgem os opositores ferrenhos que são dois:

A - O establishment constituído pelos políticos e pelos empreiteiros que querem continuar usando as formas tradicionais construídas com os materiais pesados e muito pouco flexíveis.

B - Os obreiros que normalmente tem conflito com o establishment também se opõem sob o argumento de que não se deve inovar e sim resolver os "problemas sociais".  Para isso realizam passeatas, promovem quebra-quebra e vandalismo.

3. Nessa hora essas duas correntes se unem contra a inovação pois ninguém quer abrir mão do seu papel, seja de opressor, seja de oprimido papéis que uma revolução tecnológica desse porte acarretaria. (Imagine se ainda por cima o novo material for manuseado por robôs; o filme não toca nessa hipótese).

4. Não vou aqui me estender em considerações filosóficas sobre o significado que uma inovação desse porte traria para a Arquitetura.  Isto daria vários artigos.

5. Mas já que falamos em Filosofia, lembrei-me de um vídeo do filósofo Luís Felipe Pondé onde ele expõe a dialética da liberdade.  A dialética consiste numa dinâmica de três etapas: tese, antítese e síntese. Temos então:

Tese - sou oprimido.

Antítese - de oprimido passo a opressor.

Síntese - não sou oprimido nem opressor: sou livre.

Pondé também explica que na quase totalidade dos casos a dialética pára na etapa dois, pois o opressor em sua sede de poder não vai querer ser livre.

É fácil aplicar isso ao filme: a revolução tecnológica traria uma enorme revolução cultural na indústria da construção.  Um material que pode assumir qualquer forma é um símbolo forte da liberdade e isso é muito ameaçador.

Dirão alguns: ninguém quer sair da zona de conforto.  Discordo: ser oprimido ou ser opressor é confortável? Então, ninguém quer sair da zona do desconforto.

Como assim?

Claro, para exercer a dialética é necessário pensar.  E pensar dói.

P.S.: J.P.Sartre dizia que o homem está condenado a ser livre.

Boa reflexão!

 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

"MEGALÓPOLIS" PARTE 1

 Caros leitores,

O texto de hoje também traz a reflexão sobre um filme de cinema - "Megalópolis" de Francis Ford Coppola.  Um filme épico, de grandes proporções - boa direção de arte, bons atores, bom figurino, boa produção e o mais interessante boa história.

A história se passa no século XXI num momento futuro, numa cidade utópica chamada Nova Roma (em realidade é Nova York repaginada e transposta numa reinvenção do Império Romano). 

O tema central é o esforço de um arquiteto, César Catilina, que no meu entender seria o urbanista responsável pelo planejamento da cidade física, tentar remodelar a cidade baseada na Geometria Sagrada - "a Geometria Sagrada é considerada o modelo da geometria natural no mundo e a base de todas as formas; ela explora e busca explicar padrões de energia que criam e unificam todas as coisas e revela a maneira precisa pela qual a energia do universo se organiza" (Wikipédia); ele quer colocar na cidade belos jardins e uma arquitetura clean/light com pouca ou quase nenhuma agressão à natureza.  Entretanto ele sofre impedimentos do prefeito Frank Cícero que ao contrário, quer fazer da cidade um grande cassino.

A alusão ao Império Romano é perfeita - tem até uma corrida de bigas num coliseu e lutas romanas.  Na época de Roma, Catilina e Cícero eram praticamente rivais/inimigos.

"Lucius Sergius Catilina foi um militar e senador da Roma Antiga, célebre por ter tentado derrubar a República Romana e em particular o poder oligárquico do senado."

Catilina e Cícero se candidataram a mais alta posição da magistratura de Roma. De acordo com a Wikipédia, Catilina tentou até eliminar simpatizantes de Cícero e era uma pessoa que indignava-se contra os abusos da elite e se colocava como candidato ferrenho que defenderia o povo, mas sem sucesso.

Cícero foi o cônsul escolhido em detrimento de Catilina e é famosa sua fala em um dos seus discursos no senado: "Até quando, Catilina, abusarás de nossa paciência?" Os discursos de Cícero contra Catilina ficaram conhecidos como "Catilinárias".

No filme de Coppola, Cícero é o prefeito de Nova Roma que quer manter o povo na ignorância dando o famoso "pão e circo" e Catilina é o arquiteto que afirma que é através da mudança de arquitetura da cidade que as pessoas são levadas a uma vida melhor.

Uma parte interessante do filme é quando ele, Catilina, tem o poder de parar o tempo e enquanto ele, o tempo, pára, Catilina consegue criar  sua arte na arquitetura.  O que, ao meu ver, é real - o tempo nos rouba a vida.

Para mim e para o meu marido que é arquiteto, o filme foi riquíssimo em informações e simbolismos que trouxeram muitas reflexões e a maior de todas, na minha opinião é que ainda existem pessoas que nos fazem maravilhar através de seus filmes.  Que possa abocanhar muitos Óscars, caso a premiação ainda irá existir.

Bora assistir o filme!

Boa semana!




"EU TENHO UM SONHO..."

Olá leitores, Os meus sonhos não são tão grandiosos quanto o sonho de Martin Luther King em seu discurso. Os meus sonhos são voltados ao meu...