A DESTRUIÇÃO DE UMA CIDADE - 2
Caros leitores,
Esse é o segundo texto da série "O Fim de uma Civilização". Hoje, ainda abordando a cidade onde moro, Curitiba. Apresento uma foto do Museu de História Natural do Capão da Imbuia.
Moramos nesse bairro do Capão da Imbuia desde que nos mudamos há 15 anos atrás. Durante esse tempo praticamente todos os dias após o almoço caminhávamos na trilha que há no bosque. É uma trilha interessante (aliás era) onde ao caminhar você pisa num pavimento de metal vazado elevado (na foto o pavimento original está à direita embaixo da placa amarela). Não se pisa na terra, no chão de terra, e as plantas que crescem nele são preservadas e o silêncio é (ou era novamente) muito grande. Nessa trilha que não é muito grande (aproximadamente 500 metros) você pode observar pássaros itinerantes (às vezes eles vem de outras regiões da cidade), cutias, árvores de diferentes espécies (há uma imbuia de 2000 anos), insetos, etc.
Atualmente, como vocês podem ver pela foto, essa trilha está fechada há mais ou menos uns 3 meses. Há uns meses atrás, acho que uns 4 a 5 meses, resolveram colocar uma grade fechada por cima desse pavimento vazado para que carrinhos de bebê, pessoas de salto, pudessem transitar por ele (na foto dá para ver essa grade). Essa grade acarretou muitos problemas. O primeiro e o principal deles foi o barulho ao caminhar - isso assustava os animais. O segundo problema foi a falta de luz do sol no chão - o pavimento anterior de metal vazado permitia que o sol atingisse o solo sem causar seca e falta de luz para as plantas - o último problema foi que essa grade por causa da chuva enferrujava e tudo ficou muito ruim: o barulho, a falta de luz e o ferrugem contribuíram para que muitos tivessem desistido de frequentá-lo - eu fui um deles. Aí, depois de "um longo e tenebroso inverno" como dizem, a Secretaria do Meio Ambiente resolveu fechar a trilha do bosque para a retirada da tal grade e até quiçá retornar ao pavimento anterior. Porém, como custou caro para algum "esperto" vender a ideia de colocar a tal da grade, também é caro retirá-la.
Por conta desse aborrecimento e por termos ficado sem nossa caminhada num bosque com pequenos animais e pássaros, meu marido e eu resolvemos caminhar numa praça ao lado do museu. Essa praça é grande e vazia (digo vazia porque não há árvores - há somente duas carnaúbas gigantes numa ponta da praça); há um pequeno playground para as crianças, aparelhos de ginástica, uma quadra de areia onde, aos domingos, os moradores colocam uma rede de vôlei, uma outra quadra razoavelmente grande para futebol e um trilha ao redor da praça para caminhar.
E então aconteceu outro fato inusitado. Um dia, caminhando por ela, chegaram dois caminhões carregados de areia - uma areia fétida, suja, escura - a impressão que tive era que essa areia tivesse sido retirada de outro local e aí jogaram nessa praça; parecia também areia retirada de beira de rio. Essa tal areia foi descarregada na praça, no local dos brinquedos das crianças e na quadra de vôlei - depois apareceu uma escavadeira para espalhar a areia. Isso ocorreu bem enquanto tivemos muitos dias de chuva (atualmente parou um pouco de chover).
Conclusão: a terra/areia fétida mal espalhada virou uma piscina cheia de água da chuva e quando tivemos já alguns dias de sol, o cheiro ficou insuportável, sem contar que a quadra de vôlei e o playground ficaram impossíveis de serem usados. Vou postar duas fotos.
Atualmente nada acontece - como podem observar na foto - tudo parado. Descarregaram também nesse ínterim bloquetes, acredito para pavimentar a tal praça.Hoje a palavra mais usada em Curitiba é "revitalização", que no meu entender é "trazer vida ao que já não a possui", entretanto, agora em Curitiba, esse substantivo significa, a grosso modo, cimentar tudo e cortar árvores.
Na próxima semana darei continuidade ainda com a cidade de Curitiba, pois a destruição continua.
Boa semana!
P.S. Um leitor me corrigiu em relação ao texto anterior, dizendo que havia uma outra placa no prédio a demolir, escrito Reforma do Anexo 2.2. e Demolição apenas do Anexo 2.1. O.K. É verdade, até vi essa placa, mas a placa anterior a essas duas, antes de colocarem a tela protetora estava escrito "Restauração". Para mim "demolição" não é "restauração" e mesmo porque não me informei sobre qual edifício é o 2.1. e o 2.2. Acreditei na demolição e explico porque. Eu, quando vejo uma coisa nessa cidade "ecológica" que chamei de minha quando me mudei e aprendi a amar, pergunto e a resposta é sempre boa, mas depois a realidade acaba sendo outra. Quando começaram as obras de "revitalização" da rua principal do bairro onde moro (num texto futuro trarei fotos sobre isso), marcaram uma hora e fui falar com as arquitetas da obra, a meu pedido - perguntei se alguma árvore iria ser cortada (para quem não sabe, sou apaixonada por árvores...) e me foi dito que apenas algumas delas e na realidade cortaram todas. Então, infelizmente acabo acreditando no pior. E talvez tenha sido o caso desse prédio.



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