sábado, 27 de julho de 2024

TUTANKAMON


 Olá leitores,

Domingo passado estive numa exposição imersiva sobre Tutankamon - é uma homenagem a Howard Carter que, em 1922 descobriu, no Egito, a tumba de Tutankamon - o menino faraó.  Provavelmente essa exposição deve ter acontecido em vários lugares, pois foi uma comemoração do centenário dessa descoberta - sendo assim, como estamos em 2024, ela deve ter se iniciado em 2022 em algum outro lugar.

"A descoberta de 1922 por Howard Carter da tumba de Tutankamon, financiada por Lord Carnarvon, recebeu cobertura da imprensa mundial. (Wikipédia)

Bem, a exposição é muito bem organizada e impactante.  No início há painéis explicando como se deu a descoberta e também um pouco da história da cultura egípcia com alguns artefatos originais e alguma cópias da mesma.

Logo na entrada há uma cópia da máscara mortuária dele - a original pesa 11 kgs e tem em seu feitio ouro e a pedra lápis lázuli.  Essa cópia é "emprestada" da Loja da Ordem Rosacruz (AMORC).

Depois há uma cópia do sarcófago e uma múmia embalsamada em tamanho natural. Há painéis sobre a cripta/túmulo com explicações sobre todos os compartimentos e são muitos deles.

Então você caminha num corredor com artefatos de decoração extraordinariamente confeccionados - é incrível a criatividade e a beleza que os artistas egípcios conseguiam dar a essas peças.

Então, depois entramos num galpão para ter a tal experiência imersiva - sentamos em banquetas ou no chão e a filmagem ia passando nas paredes com a história de Tutankamon - nós nos transportávamos (pelo menos eu sim) dentro do ambiente do Egito - quando a filmagem percorre o Nilo, realizamos a viagem junto com ela. Muito emocionante! Você se esquece que está nessa dimensão.

Nesse momento, quando você pensa que acabou você chega numa sala para ter uma experiência de realidade virtual.  Ao colocarmos as máscaras e os fones de ouvido, somos transportados para dentro do caixão de Tutankamon - nós somos o faraó que acabou de ser enterrado.  A sensação é praticamente real - você sai do caixão e inicia uma viagem sobrevoando o Egito - por cima das pirâmides, da areia do deserto, do rio Nilo e chega num templo onde os deuses irão julgar se o faraó poderá entrar no reino celestial/espiritual.

(A mumificação ocorre porque eles acreditavam que era o corpo que ia para o plano espiritual e não o espírito.)

Depois dessa experiência vamos até umas cabines fotográficas e podemos tirar uma foto nossa com o celular para "captar nossa alma egípcia".  Essa experiência, para nós, meu marido e eu, foi interessante. Minha foto, como verão abaixo, mostra uma pessoa andrógena (tanto pode ser masculina como feminina) exatamente como sou - tenho amigos que me chamam de Bowie (em referência ao cantor de rock britânico David Bowie), talvez por conta da cor do cabelo.


A foto do meu marido foi mais interessante - ele foi personificado como uma mulher - e ele realmente é uma pessoa bastante sensível, mais sensível que eu. Quem nos conhece bem sabe disso.


Após essa atividade passamos para uma sala patrocinada pela Metaverso - após colocarmos as máscaras éramos Howard Carter, o descobridor do túmulo, caminhando pelas catacumbas a procura do sarcófago.  Achei essa experiência não tão empolgante, pois tinha receio de bater nas pessoas durante a caminhada, mas era difícil de isso ocorrer pois víamos no filme os outros caminhantes com números para nos guiarmos e não batermos neles.

Assim foi nossa experiência - gostei muito e aquele que mora em Curitiba não pode perder - está no Shopping Estação e vai até o dia 17 de agosto.

Boa semana!








 



 

sábado, 20 de julho de 2024

VISITA AO "TORRÃO NATAL"

Olá leitores,

Esta semana, meu marido e eu, estivemos de férias em Sampa, nosso "torrão natal", visitando amigos que aqui deixamos quando decidimos morar em Curitiba.

Atualmente, depois de um certo tempo de vida, com menos obrigações, constato que não existe nada mais agradável, prazeroso do que estar com os amigos.  Nós ficamos felizes porque passamos momentos inesquecíveis junto a pessoas que prezamos, que nos fazem bem e que podemos trocar ideias não somente sobre nossas vidas, mas também sobre a realidade do país e do planeta.

Em alguns momentos livres passeamos por nosso antigo bairro na zona sul e também pela Av. Paulista e adjacências, pois estávamos hospedados no Hotel Íbis Budget da Rua Vergueiro, ao lado da Estação Paraíso do metrô.

Em um ano muitas coisas mudaram - estivemos aqui em maio do ano passado - costumamos fazer essa viagem todos os anos - e, infelizmente mudaram para pior em algumas circunstâncias.

Por exemplo, o quesito limpeza pública - a sujeira nas ruas é imensa - na própria Av. Paulista, muitas vezes tivemos que passar por cima de sacos e sacos de lixo abertos.  Nos perguntamos se talvez estejamos tão acostumados com a limpeza de Curitiba, a qual ao nosso ver também está atualmente mais suja, e talvez Sampa sempre fosse assim...

Outra característica que nos deixou perplexos - procuramos por todos os sebos na região da Paulista, que pesquisamos no Google e a grande maioria deles já estava fechada, não existia mais - aquele pessoal que ficava na avenida perto da Rua da Consolação vendendo livros usados foram parar numa passagem subterrânea que cruza a Av. Paulista, mas infelizmente não conseguimos ir por problema de agenda.  Mas, nós, como amantes de livros, não encontramos nenhum sebo nessa região. O único sebo que fomos, foi no Sebo "Ao pé da letra" que ainda está lá, invicto, com o mesmo dono, o grande Sérgio, no nosso antigo bairro - a Chácara Santo Antônio. 

Ao longo da Av. Paulista abundam farmácias, bancos e cafeterias/restaurantes.  A propósito, os dois únicos cappuccinos que tomei em cafeterias de "grife" estavam mornos para não dizer frios - um chocolate quente (morno) numa cafeteria no Conjunto Nacional chamada "Casa de Antônia" e um cappuccino (bem morno) na Casa Bauducco do Shopping Paulista.

Felizmente, deixei para o final as boas coisas - o atendimento em todos os locais é melhor do que em Curitiba - os atendentes são amáveis e prestativos.  No jantar, tomamos sopa todos os dias de nossa estadia de seis dias, numa padaria perto do hotel chamada "Moça Paulista" - atendimento impecável, sopas boas - 4 tipos por dia.

O clima ajudou - não choveu nenhum dia e o frio ajudou a caminhar bastante sem cansar muito.

No domingo fomos até São José dos Campos visitar meu sobrinho neto de um mês e meio.  Fomos de ônibus de manhã, almoçamos no Shopping Valesul antes de visitá-lo  e voltamos para São Paulo no final da tarde.  Também foram momentos muito agradáveis com a família.

O café da manhã no hotel foi muito bom. Aliás, do hotel nada a reclamar - dormíamos bem, acordávamos bem dispostos para uma nova jornada.

Pena que seis dias passaram rapidamente, mas o ano que vem tem mais do mesmo.

Nada melhor na vida do que compartilhar momentos com os amigos e os familiares.  As memórias pós-encontros são para sempre.

Vocês também pensam assim?

Boa semana! 



 


 

quarta-feira, 10 de julho de 2024

REFLEXÕES SOBRE O OLHAR - PARTE III

Caros leitores,

Desde que me conheço como gente, sempre gostei de Jesus Cristo - sempre o admirei, independente de qualquer religião - foi uma pessoa íntegra, de uma moral irretorquível, sempre disponível para com o próximo, uma alma caridosa, com boas regras de conduta.  Em realidade, ele veio nos ensinar como vivermos melhor, independentemente se vamos ou não para a casa de Deus após a morte.  Suas ideias revolucionaram e continuam revolucionando a maneira de vermos o mundo.

Já li e continuo lendo tudo o que escrevem sobre ele, e, como disse, não me importo com a religião, porque embora as mesmas sejam diferentes, tudo o que se escreve sobre ele é bom e todos reconhecem o seu valor para o planeta.

Aqui, antes de entrar no tema, relaciono algumas obras que li a seu respeito:

"Harpas Eternas" escrita por uma argentina de nome Josefa Rosalía Luque Alvarez em 4 volumes escrita em 1932.  Esta obra creio ser de cunho espiritual/espírita pois há um autor entre parênteses abaixo do nome dela - Hilarião do Monte Nebo - o qual é um dos personagens do livro ao tempo de Jesus.

"Jesus e suas dimensões" escrito por um monge beneditino alemão Anselm Grün em 2010 (ele é contemporâneo).

"Jesus, o maior psicólogo que já existiu" de Mark W. Baker escrito em 2001.

"Jesus psicoterapeuta" de Hannah Wolf escrito em 1979.

A coleção da "Análise da inteligência de Cristo" de Augusto Cury em 5 volumes, escrita em 2001.

A coleção "Operação Cavalo de Tróia" de J.J.Benítez com 9 volumes até o momento (estou lendo o volume 6).  Este volume foi escrito em 1999.

"O livro de Urântia" escrito por vários autores - este livro foi "canalizado" nos Estados Unidos em 1955 e ainda o estou lendo (ele tem 2047 páginas; acho que em dez anos acabo de ler, pois leio poucos trechos por dia). A história de Jesus encontra-se na quarta parte do livro.

Bem, esses são todos os livros que eu me lembro de ter lido, os quais ainda estão comigo.

Em minha existência já passei por várias religiões: nasci em família católica com avó materna espírita, mas depois participei da Seicho-no-ie, fui membro da Ordem Rosacruz e, por último, a religião que mais fez eco para mim foi o Espiritismo.  Entretanto, hoje, após a pandemia, me considero espiritualista, pois mesmo o tal "movimento espírita" não tem um sentido completo para mim. Assim, creio que todas as religiões possuem algo de bom a nos preencher.  Do Espiritismo guardo a crença na vida após a morte, a reencarnação e a comunicação com outras entidades de outros mundos.

Toda esse introdução foi para finalizar a nossa reflexão sobre o olhar com uma mensagem que encontrei de Emmanuel da Revista Reformador de janeiro de 1956, página 6, que poderá nos auxiliar no entendimento desse novo olhar que desejamos construir sobre nossa vida:

"O Olhar de Jesus

Recordemos o olhar compreensivo e amoroso de Jesus, a fim de esquecermos a viciosa preocupação com o argueiro que, por vezes, aparece no campo visual dos nossos irmãos de luta.

O Mestre divino jamais se deteve na faixa escura dos companheiros de caminhada humana.

Em Bartimeu, o cego de Jericó, não encontra o homem inutilizado pelas trevas, mas sim o amigo que poderia tornar a ver, restituindo-lhe, desse modo, a visão que passa, de novo, a enriquecer-lhe a existência.

Em Maria de Magdala não enxerga a mulher possuída pelos gênios da sombra, mas sim a irmã sofredora, e, por esse motivo, restaura-lhe a dignidade própria, nela plasmando a beleza espiritual renovada que lhe transmitiria, mais tarde, a mensagem divina da ressurreição eterna.

Em Zaqueu, não identifica o expoente da usura ou da apropriação indébita, e sim o missionário do progresso enganado pelos desvarios da posse e, por essa razão, devolve-lhe o trabalho e o raciocínio à administração sábia e justa.

Em Pedro, no dia da negação, não repara o cooperador enfraquecido, mas sim o aprendiz invigilante, a exigir-lhe compreensão e carinho, e, por isso, transforma-o, com o tempo, no baluarte seguro do Evangelho nascente, operoso e fiel até o martírio e a crucificação.

Em Judas, não surpreende o discípulo ingrato, mas sim o colaborador traído pela própria ilusão e, embora sabendo-o fascinado pela honraria terrestre, sacrifica-se, até o fim, aceitando a flagelação e a morte para doar-lhe amor e o perdão que se estenderiam pelos séculos, soerguendo os vencidos e amparando a justiça das nações.

Busquemos algo do olhar de Jesus para nossos olhos e a crítica será definitivamente banida do mundo de nossas consciências, porque, então, teremos atingido o grande Entendimento que nos fará discernir em cada ser do caminho, ainda mesmo quando nos mais inquietantes espinheiros do mal, um irmão nosso, necessitado, antes de tudo, de nosso auxílio e de nossa compaixão."

Assim, "agora pode ser o melhor momento de sua vida.  Tudo vai depender de como você olha os acontecimentos."

Boa semana!

 











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sábado, 6 de julho de 2024

REFLEXÕES SOBRE O OLHAR - PARTE II

Olá leitores,

Na segunda parte desse tema, trago algumas ideias de Ermance Dufaux, as quais estão listadas em seu livro "A inspiração das relações luminosas" sobre o olhar. A parte em itálico é dela e o restante são minhas reflexões.

Dufaux nos traz alguns exemplos de oportunidades quase perdidas porque decidimos não olhar para elas.  Digo quase porque oportunidades outras surgirão em nossa jornada - mas, quanto mais cedo abraçarmos essas oportunidades, mais cedo nos livraremos de algumas lições - contudo, sem pressa - tudo no tempo de cada um.

Vamos aos exemplos:

"Ressurge a oportunidade do perdão, mas você prefere a condição de vítima que foi lesada.  Fazendo-se de vítima, você acredita na maldade dos outros."

O perdão realmente não é fácil principalmente dependendo de quem o magoou.  Mas se já sabemos que o não perdoar pode nos trazer enfermidades não seria mais sensato, nos esforçarmos para exercitá-lo? A primeira vez é a mais difícil, depois, com a prática e o uso da razão, fica mais fácil de realizá-lo.

Em algumas situações fomos realmente lesados, mas onde está a nossa misericórdia em compreender que uma conversa franca, muitas vezes, pode nos auxiliar a compreendermos ou sermos compreendidos pelo outro? A maldade é sinônimo de ignorância - não uma ignorância intelectualmente falando - mas uma ignorância emocional.  Quando somos magoados nos achamos acima de tudo e de todos e nossa onipotência (orgulho) não nos permite, ainda, olhar para o outro com olhos de compaixão - achamos simplesmente um absurdo sermos magoados, repreendidos.  O outro que nos magoa também tem sua ignorância intrínseca - talvez ele nos veja como uma ameaça e também tem sua onipotência (orgulho); ele acha que é melhor do que nós - os dois lados sofrem do mal do orgulho e quando um dos lados consegue ver a característica primordial dessa situação, há o perdão e com ele, o entendimento real da circunstância.  Assim, compreendamos, uma vez por todas que o mal é ausência de bem.  Ainda fazemos o mal quando não nos conhecemos porque ainda sofremos de seqüelas emocionais de hoje e de ontem.

Como segundo exemplo, Dufaux traz o seguinte: "Aparece uma ocasião para você provar a paciência e, a pretexto de sinceridade, você escolhe a agressividade.  Optando pela agressividade, você envenena seu próprio coração."

Nesse exemplo falamos do "sincericídio".

Jesus nos ensinou a buscar a verdade que ela nos libertaria.  Palavras sábias quando bem compreendidas.  Ousamos dizer que ainda não temos o total conhecimento da verdade que Jesus preconizou.

Mas, como lidar com a verdade de cada um? No mundo existe a Verdade Maior e a verdade de cada pessoa.  O que uma pessoa já sabe acerca de um determinado assunto, outra pode não saber muito sobre esse mesmo assunto.  Se isso ocorre, ao nos relacionarmos devemos ter o cuidado com nossa palavra e nossos atos para não causar desentendimentos inúteis.

Atos de agressividade sempre ferem primeiramente o agressor antes de ferir o outro.  Sejamos sensatos e tentemos aprender logo essa tal de paciência para nos auto ferirmos menos.

No terceiro exemplo Dufaux nos fala de nosso aprendizado: "Chega o convite para o aprimoramento e você abona sua recusa com cansaço.  Alegando cansaço, você espera caminhos ilusórios de facilidade."

Com certeza, muitas vezes sofremos de cansaço físico - mas aqui falamos da falta de vontade para realizar tarefas que podem nos auxiliar a compreender a roda da vida. Falamos de auto procrastinação.

O quarto e último exemplo que a autora apresenta é praticamente uma outra versão do terceiro exemplo:  "Você é chamado a servir e foge para os braços da preguiça, alegando falta de tempo.  Entregando-se à preguiça, entorpece-se com o conceito falso de sorte a respeito de suas realizações."

Aqui a preguiça é apresentada como uma grande destruidora de oportunidades.

Uma vez nos foi dito que se precisamos de ajuda numa tarefa, ou um favor de alguém, devemos pedir para a pessoa mais atarefada que ela arranjará um momento em suas tarefas para atender nosso pedido.  A pessoa que tem poucas coisas a realizar no seu dia-a-dia e alega falta de tempo está tomada pela preguiça e pelo cansaço emocional e mental.  A título de aprendizado, percebamos como todos nós temos, diariamente, muitos momentos de preguiça - principalmente aqueles de nós que vivemos adiando problemas, situações ou resoluções.  Aqui falta-nos coragem, fé e força de vontade.

Aprendamos que, com certeza, todos temos questões a resolver - quanto mais cedo resolvermos uma questão, mais cedo oportunidades aparecerão para resolver outras questões - e assim, de questão em questão, de problema em problema caminharemos mais confiantes, mais felizes e mais realizados em direção ao nosso alvo que é uma vida mais plena de significado.

Boa semana!








 

sábado, 29 de junho de 2024

REFLEXÕES SOBRE O OLHAR - PARTE I

Caros amigos leitores,

Hoje falaremos da visão, do olhar, da função de nossos olhos, não somente tratando-os de uma forma metafórica, mas também da parte orgânica propriamente dita.

Quase praticamente todos os seres viventes do planeta, excetuando os vegetais e minerais, possuem olhos.  Alguns poucos animais invertebrados não os possuem e aqui, me lembro das minhocas; os morcegos possuem olhos, mas sua visão não é muito boa, por isso locomovem-se através de sinais sonoros para não colidir com árvores, animais e outros objetos durante o vôo.  Com certeza existem mais alguns outros que, no momento, não me ocorrem.

Assim, podemos refletir sobre o olhar, a visão.  Quem tem animais domésticos pode já ter notado que eles olham para nós, e nós, vice-e-versa, olhamos para eles - nos reconhecemos pelo olhar.  Em se tratando de outros animais que cruzam nosso caminho, por exemplo, quando vamos ao zoológico, obtemos o efeito - nossos olhos se cruzam - muitas vezes, nesse sentido, não conseguimos traduzir o sentimento, a sensação desse olhar - em animais domésticos que habitam conosco fica mais fácil esse entendimento.

Em suma, o olhar diz muita coisa sobre cada um de nós.  O que precisamos em nossa caminhada é buscar a atenção plena para compreender cada olhar que cruzar conosco.  Assim como, pouco a pouco, vamos entendendo o olhar do outro, também vamos nos conscientizando de nosso olhar para ele.

Instintivamente, socialmente e automaticamente já codificamos o que cada olhar significa.  Mas hoje vamos aprender a nos esforçar a olhar através das entrelinhas.

A vida nos oferece muitas oportunidades de crescimento, mas muitas vezes olhamos para o lado mais pobre, deficiente, difícil dela.

Todos nós temos questões, problemas para resolver - alguns deles dependem só de nossa vontade, mas outros dependem da vontade dos outros.

Assim sendo, nossa meta hoje, com esse texto, é construirmos um novo olhar sobre a vida.

Falávamos de oportunidades.  Elas chegam para todos, sem exceção, entretanto poucos a enxergam.  As oportunidades que aparecem sempre surgem como um auxílio para resolvermos nossas questões diárias, sejam elas internas ou externas. Muitas questões externas serão resolvidas mais facilmente, caso consigamos percebê-las, entretanto as realizações nos campos da vida interior, de nossa vida emocional, são mais trabalhosas - requerem um olhar mais aprofundado.

Na segunda parte desse texto, na próxima semana, trarei alguns exemplos de oportunidades perdidas porque decidimos não olhar para elas.  

Boa semana!



 

sábado, 22 de junho de 2024

"A INVENÇÃO DE MOREL"

Olá leitores,

O livro do mês de junho de nosso Clube de Leitura foi "A Invenção de Morel" de Adolfo Bioy Casares, amigo e colaborador de Jorge Luis Borges, ambos de origem argentina, inclusive o prólogo foi escrito por ele. A obra foi escrita em 1940.

Borges acha a obra "perfeita" - eu de minha parte, nem acho tudo isso.  Pelo contrário, achei o livro de difícil entendimento, embora a leitura fosse fluida, fácil de ler - foi a história em si que me deixou confusa.  Talvez até fosse essa a intenção do autor, pois o personagem também sentia-se confuso. Em sendo assim, a obra cumpriu uma de suas funções.

"O livro conta a história de um foragido da Justiça que, em uma ilha deserta e amaldiçoada, vê seu refúgio ser inexplicavelmente invadido por presenças estranhas e perturbadoras.  Ele fica, então, dividido entre o espanto, o medo e o irresistível fascínio por uma bela e inacessível mulher.  Ao buscar atingi-la, ele acaba desvendando o terrível segredo em que, sem saber, penetrara.".

"O autor compõe um jogo de espelhos em que a realidade parece sempre se perder em reflexos e ilusões, e onde passado, presente e futuro se misturam aos desejos e lembranças das personagens.  Essa atmosfera de realismo fantástico culmina num desfecho ao melhor estilo das novelas policiais."

Enquanto lia pensei ele estar morto (pois ninguém o via), ou podia ser uma máquina do tempo, ou até alucinações do personagem.

A discussão do grupo foi interessante - muitas ideias diferentes, embora todos chegaram à mesma conclusão final, isto é, a invenção de Morel é uma máquina que grava imagens e as deixa reproduzirem na ilha todo o tempo.

A obra faz parte do estilo de ficção científica da América Latina, o chamado "realismo fantástico".

Não é o tipo de livro que aprecio, mas até gostei de tê-lo lido e apreciado a discussão do Clube de Leitura com ideias criativas sobre o mesmo.

Boa semana!


 

quarta-feira, 12 de junho de 2024

HONRAR PAI, MÃE, FAMILIARES, AMIGOS?

Caros amigos,

Hoje inicio relatando uma história.  Um rapaz tendo um casamento marcado sente-se infeliz com relação à pessoa com quem vai casar.  Quando indagado porque não o desmarca, responde que não deseja decepcionar pais e convidados.

Essa situação é mais comum do que imaginamos.  Num passado não tão distante, qualquer pessoa não tinha liberdade de se casar com quem desejasse (ainda é assim em alguns países).  Era necessário manter tradições em família.  Até há bem pouco tempo atrás ainda nos lembramos do casamento do Príncipe Charles com Diana Spencer/Lady Di.  Eles foram os primeiros da realeza do Reino Unido a divorciarem-se publicamente, sem que isso significasse um escândalo (ou não?).  Assim, na história temos muitos exemplos onde não havia a liberdade de escolha.

Entretanto, hoje em dia ainda temos pessoas que acabam se casando por conveniência, por tradições familiares, pelo desejo ou até imposição dos pais.  Muitas pessoas ainda escolhem e planejam "sua existência conforme os interesses, gostos e opiniões de familiares e amigos, relegando para último plano seus desejos e sentimentos mais sagrados."

Com a desculpa de honrar seus pais e respeitar amigos e familiares, muitas pessoas passam por cima de seus interesses e necessidades pessoais em nome de um falso amor - amor este que lhes trazem muito desgaste e sofrimento.

Nossas decisões e questões íntimas são intransferíveis.  Nossos valores, tradições e opiniões podem ser diferentes das tradições, valores e opiniões de nossos familiares e amigos.  Isso não significa que sejam melhores ou piores - apenas que são diferentes.  Algumas vezes o que os outros querem para nós pode não servir para nós.

Todos nós, sem exceção, queremos ser felizes - buscamos a felicidade e muitas vezes, fazemos escolhas equivocadas nessa busca e elas nos levam para o caminho oposto - ou seja, ficamos em desarmonia e esta nos traz infelicidade e depressão.  Para que possamos viver felizes o quanto merecemos (e todos nós o merecemos) de acordo com as leis do universo, para permitirmos o fluir desse direito à felicidade, não há como tentar agradar a todos ou fazer as coisas com base no que os outros vão pensar ou dizer.

A palavra de hoje é CORAGEM! Há que assumir a direção de nossa vida e responder pelas consequências de nossos atos e decisões.  A vida de qualquer pessoa é feita de escolhas, lembrando que quando não se escolhe, os outros o fazem por nós e as consequências, como já foi dito, podem trazer dor.

Somos seres dotados por Deus de livre arbítrio e devemos usar de nossa coragem para fazer uso dele.

Quando outros escolhem para nós a vida que eles acham ideal para nós, num primeiro momento, pode trazer certo alívio, principalmente se formos pessoas mais passivas que ativas.  Mas, com o tempo essa "muralha de segurança" cai por terra. Às vezes achamos que quando nos omitirmos de tomar certas atitudes, achamos que essa maneira de viver não trará sofrimento.  Ledo engano! Não há como negar que a omissão perante a vida pode também trazer aprendizado. Afinal de contas, através do sofrimento também aprendemos o que não devemos fazer, no caso a tal omissão, para vivermos em harmonia.

Entretanto se já estamos aprendendo que nos omitirmos de nossas responsabilidades traz, no futuro, dor e sofrimento, que tal colocarmos mãos à obra e começar hoje a agir em prol de nossa vida?

Para tanto, Anselm Grün, um monge alemão, nos sugere um exercício de reflexão com perguntas para fazermos a nós mesmos que nos ajudam a perceber o nosso grau de liberdade em relação aos outros:

"Você se sente interiormente livre? Em relação a quais pessoas você sente que não pode ser como realmente é? Em que aspectos ou condições você se deixa levar a situações sem saída?

Em que ponto os outros aspectos exercem poder sobre você? Reflita sobre os encontros com pessoas junto às quais você não se sente livre.  Como seria a conversa se você fosse inteiramente livre, se realmente dissesse o que está em você, se não se deixasse determinar pela pressão das expectativas alheias?"

Aquele que se entrega ao autoabandono nega seus propósitos e suas intenções na roda da vida.

Evitemos o autoabandono.  Honrar pai, mãe, familiares e amigos não é ser quem eles gostariam que você fosse - é ser quem você gostaria de ser, arcando com a responsabilidade de seus atos, vivendo a vida seriamente. Você é um ser único - não há no universo nenhum ser igual a você.

Então o que é honrar/amar pai, mãe, familiares, amigos...? É estarmos sempre gratos por tudo o que fizeram, gratos por eles existirem e terem cruzado nosso caminho em nossa existência.  Mas devemos reservar o direito de conquistarmos nossa autonomia e deixarmos claros a eles que seremos quem queremos ser e não preencher a expectativa deles de como deveríamos ser.

Apenas siga o seu caminho. Liberte-se de querer agradar a todos e faça o seu melhor.

Boa semana e boa reflexão!


 

"O CAIBALION" - CAUSALIDADE

Olá leitores, O sexto Princípio Hermético é bem conhecido nosso - hoje falaremos da Causa e Efeito, onde nada é por acaso.  Esse princípio a...