sábado, 22 de agosto de 2026

"MACUNAÍMA"

 Leitores amigos,

Em junho, nosso Clube de Leitura discutiu o livro de Mário de Andrade, "Macunaíma - O Herói Sem Nenhum Caráter", escrito em 1928.

A obra é praticamente uma sátira sobre o povo brasileiro, mais precisamente sobre o povo da capital paulista - o paulistano.

Na minha opinião, o livro é difícil de ler, diria até chato.  Uma boa parte dele é praticamente escrito com muitas palavras indígenas.

Nunca havia lido esse livro e sei que muitas escolas o indicaram e até aparecem questões sobre ele nos vestibulares.  Talvez, ouso dizer que muitas pessoas hoje perderam a vontade de ler/o gosto pela leitura depois que leram esse livro.  Felizmente quando era estudante, a escola pública que frequentei indicou poucos livros brasileiros para ler. Ao contrário, li muitos livros de autores estrangeiros - Agatha Christie, Alexandre Dumas, Júlio Verne, por exemplo.

O personagem de Macunaíma é um "índio" negro que nasceu no mato, não falou até os 6 anos de idade por preguiça e as mulheres o carregavam para lá e para cá. 

O subtítulo, "O herói sem nenhum caráter" cai bem, pois ele comete crimes (por exemplo, acaba matando a mãe por engano...; num dado momento, ele e os irmãos queriam pegar dinheiro do governo para ir para a Europa como pintores, mas não deu certo...), não se importa com ninguém, mente bastante, é o típico malandro.

Na época de Mário de Andrade, só haviam os heróis de quadrinhos, tais como, o Capitão América, o Super-homem, o Batman, o Mandrake - aliás na obra, ele faz algumas mágicas e se transforma muitas vezes em outros seres, tipo um loiro de olhos azuis...

Há uma expressão no livro que demorei um pouco para entender e, depois que entendi, achei engraçada.  "Juque!" O autor usa essa expressão como uma onomatopeia para indicar que ele estava se transformando em outra pessoa, como uma mágica - era o som da transformação - "Juque!" A Wikipédia informa que as onomatopeias são usadas em histórias de quadrinhos.

Em meio às aventuras, ele em toda a história, está em busca de um talismã, a "muiraquitã", que foi perdida no passado e ele consegue reavê-la. 

Mário de Andrade inclui no livro menções de nosso folclore: Boi Bumbá, Saci Pererê e ao final Macunaíma transforma-se na constelação da Ursa Maior.

Mário de Andrade - escritor, poeta, inovador na literatura.  Principal expoente da chamada "Fase Heróica" do Modernismo Paulista. Nasceu e morreu em São Paulo (1893-1945).  Contribuiu também na difusão das artes plásticas, da música e do folclore brasileiro.  Quase no fim da vida atuou no Serviço do Patrimônio Histórico.  Foi também professor de história da música.  A Biblioteca Pública de São Paulo leva seu nome.

Boa semana!


 

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