sexta-feira, 18 de outubro de 2024

A INVEJA COMO GATILHO PARA O PROGRESSO

Olá leitores amigos,

Como de praxe, trarei a definição do dicionário Aurélio: Inveja: 1. Desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem; 2. Desejo violento de possuir o bem alheio.

Popularmente nós colocamos a inveja apenas como desejando a parte material do outro; o dicionário também traz a infelicidade que podemos sentir quando o outro é feliz e a meu ver continua sendo uma parte material. Entretanto também existe o invejar o que o outro é.  Creio ser esse tipo de inveja mais comum embora seja, na maioria das vezes, inconsciente.

Hoje traremos o outro lado da moeda, tipo "como tirar vantagem da inveja que você sente pelo outro".  Então, me aterei  apenas na inveja que sentimos pelo que o outro é, por exemplo, inveja do talento, da personalidade alheia que pode trazer sucesso e triunfo e, então inveja-se também esse sucesso e esse triunfo.

Antes de explicar o que quer dizer com tirar vantagem, gostaria de completar que invejar objetos materiais do outro denota uma pessoa primitiva, medíocre e com dificuldade de encarar a própria vida, ou até a realidade em que vive, isso a grosso modo.  Por exemplo, uma pessoa tem uma situação financeira baixa, ou tem um trabalho que não traz boa remuneração não pode querer ter, vamos assim dizer, um carro de luxo - ela até pode invejar a pessoa que tem um carro de luxo e sentir-se mal por não tê-lo.  Nesse caso, ela pode seguir dois caminhos - ter esse carro como objetivo na vida e então trabalhar e juntar dinheiro para adquiri-lo ou sentir-se triste, miserável, fracassada porque acredita que nunca poderá comprar o tal carro.  Contudo, ela poderá também trilhar um terceiro caminho - aprofundar seu autoconhecimento e tentar entender para quê ela inveja um carro de luxo... E quando ela toma esse terceiro caminho, ela deixa de ser medíocre, inconsciente e dá um passo maior em direção à sua evolução e, porque não, à felicidade e ao bem estar.

Esse é um caso. A inveja pode ser um sentimento positivo.

Muitas pessoas sentem-se muito mal quando sentem inveja de alguém; outros até se culpam por sentirem inveja do sucesso de um amigo, pois gostam dele e outros ainda envergonham-se porque o brilho de uma pessoa de seu convívio lhes causa humilhação.

"A inveja tem por função educativa colocar você em comparação com alguém". Isso não é ruim, apenas acende uma luz que deixa claro que existe um talento ou qualidade sua que está adormecida e que você não percebeu, mas que a inveja lhe mostrou - obviamente se você aceitar esse sentimento.

A psicologia nos diz que você só percebe algo no outro se você também o tiver em você - dependendo do seu grau de maturidade emocional e/ou espiritual essa percepção pode ser inconsciente - mas, se você já está realizando a prática do autoconhecimento, essa percepção será consciente - basta apenas que você tenha humildade suficiente para aceitá-la em você.

Sendo assim, as qualidades que invejamos nos outros também fazem parte de nós - temos a possibilidade de conquistá-las.  Todos nós podemos fazer muitas coisas - basta querer e ter vontade.

Outra função bastante esclarecedora da inveja é ela nos dizendo que nossa "autoestima não está boa." É como se ela nos dissesse "Não é o outro que é melhor, é você que não está se acolhendo e se querendo bem como merece!" "Você não está usando tudo o que você sabe e pode!" "Você não está reconhecendo seu valor!"

Algumas perguntas que podemos nos fazer quando a inveja surgir:

- "O que eu posso fazer a respeito dessa situação para me sentir melhor?"

- "O que esse sentimento está querendo mostrar a meu respeito através dessa pessoa?"

- "O que eu posso fazer ou ser que projetei em alguém?"

- "O que há de bom no outro que pode ser melhor em mim?"

- "O que preciso aprender sobre o que falta em mim?"

Em realidade, a melhor, eu diria, a única proposta contra a inveja é o amor a si mesmo ou o autoamor. Quando você descobrir sua verdadeira grandeza - e todos nós a temos - "A vergonha, o desconforto, a sensação de humilhação diante do brilho alheio" não acontecerá.  

E então, dá para refletir sobre como a inveja pode ser uma companheira de nosso crescimento?  

Vou deixar uma frase de Ermance Dufaux, para melhor reflexão:

"É com a pessoa antipática que você tem mais chances de aprender o que precisa para ser alguém melhor."

Em realidade, nem acho que é só com esse tipo de pessoa que podemos aprender isso, mas vale a dica.

Boa reflexão!

 

 

sábado, 12 de outubro de 2024

VIAJAR É PRECISO - PARTE II

Caros leitores amigos,

O título está como parte II porque já escrevi um texto com este título em 23.09.23, contando outra viagem.

No dia 06.10.24, meu marido Zé e eu viajamos para a cidade de Juiz de Fora em Minas Gerais - lugar que jamais esteve nos meu planos de viagem, mas que acabamos indo, pois o Zé tinha um compromisso agendado no consulado português deste lugar referente à sua cidadania portuguesa.  Em sendo assim, resolvemos ficar uns dias para fazer um pouco de turismo.

Nós partimos de São José dos Pinhais - aeroporto de Curitiba, com escala em Guarulhos - SP e final de destino em Goianá - aeroporto Itamar Franco de Juiz de Fora que dista 60 quilômetros da referida cidade de Juiz de Fora.  Esse aeroporto, com boas instalações e uma boa cafeteria, é um lugar ermo - onde pousam aviões de pequeno porte (tipo teco-teco) - nos sentimos chegando na Área 51.

A primeira surpresa de algumas: para chegar de Goianá até Juiz de Fora há poucas opções: ou de ônibus que vai até a rodoviária de lá, o qual já havia partido quando chegamos, ou aluga-se um carro na Localiza (nós não dirigimos mais há algum tempo - eu, há 15 anos e o Zé há uns 30 anos) ou de táxi (Uber não chega lá).

Bem, já deu para perceber que só sobrou o táxi à bagatela de 200 reais.  Entretanto a viagem foi ótima.  O motorista de uma companhia de táxi de luxo de Goianá (acho que é a única que faz esse trajeto...) era uma figura ímpar a começar pelo nome: Warly - talvez faça um texto futuro sobre ele.  Inclusive foi ele que nos levou de volta para o aeroporto em Goianá em nosso retorno.

Ao chegarmos no hotel Íbis outra surpresa - jantar somente de segunda a sábado - era domingo.  Toca campear lugar para comer - estávamos praticamente sem comer, pois nos voos, como são de curta distância e duração, só servem amendoim e água ou Coca-Cola.  Então, estávamos num bairro distante chamado Salvaterra e não havia nada nos arredores; telefonamos para uma padaria que informou que ficava aberta até às 21 horas - fomos até lá, ficava a uns 500 metros, e não encontramos nenhuma padaria no número indicado.  Então passamos em frente a outro hotel - Premier Parc Hotel - entramos e jantamos uma maravilhosa canja. No restaurante só havia nós dois.

No dia seguinte que era o dia livre, resolvemos conhecer o centro da cidade - esta visita poderia ter sido dispensada - muita gente, muito barulho, como quase todo centro de cidade - até duvidei que a cidade possuísse somente 200.000 habitantes - parecia maior que Curitiba, tal a quantidade de pessoas - provavelmente todos os habitantes de lá concentravam-se  para trabalhar na área central.

Entretanto, começamos o trajeto por uma rua especial - nela, uma espécie de galeria, haviam cinco sebos - nos deliciamos com vários títulos, todos muito antigos e diferentes das obras existentes nos sebos daqui de Curitiba.

Na terça feira era o dia do compromisso com o cônsul de Portugal.  A sala dele ficava numa sede do Clube Campestre da Associação Portuguesa de Juiz de Fora - um lugar muito aprazível com quadra de tênis, basquete, piscina, campo de futebol e um excelente restaurante "Cantina Verde Gaio" onde comi um salmão maravilhoso e o Zé comeu filé (ele não come peixe).

Assim que finalizou o processo do Zé, fomos até o Parque da Lajinha. Aqui na foto é um mico estrela.





Na quarta feira, último dia, fomos no Jardim Botânico de lá - adoramos. A foto do tucano de bico verde foi tirada lá pelo Zé.  O tucano estava bebendo água da bromélia.


Eu acredito que todo Jardim Botânico do mundo é lindo, pois existem nele os meus amores preferidos na vida - plantas (árvores) e animais.  Até agora conhecemos o de São Paulo (é bem bonito); o daqui de Curitiba, o qual é pobre em espécimes, só tendo como grande referencial mais visitado um dos ícones da cidade - o palácio de Cristal (a estufa), uma pequena imitação do similar da Inglaterra; o Kew Gardens da Inglaterra, onde fica a estufa original do Palácio de Cristal (aliás, de longe o melhor Jardim Botânico que conhecemos até o momento); o de Montevidéu com muitas árvores majestosas e antigas; o de Saint Andrews na Escócia, com um magnífico borboletário.

Na quinta feira voltamos para Curitiba com alguns percalços no trajeto - perda da conexão em Guarulhos devido ao atraso do primeiro voo da Voepass (depois que percebi que foi um avião dessa companhia que caiu há uns dois meses atrás...) devido à chuva.  Felizmente depois de muita correria fomos alocados num voo de outra companhia e chegamos em casa com 6 horas de atraso, aproximadamente.

Hoje resolvi fazer todo esse resumo dessa pequena viagem, mas o que mais gostei mesmo, além das plantas e dos animais, foi ter conversado e conhecido muitas pessoas diferentes e interessantes.  Eu acredito que o que sempre é mais prazeroso numa viagem é o contato humano (embora só recentemente tenha começado a apreciar esse espécime - o humano...  Gosto de momentos de solidão e silêncio, sempre prefiro animais, plantas, o campo, o mar, o rio como companhia - porém nessa viagem me surpreendi comigo mesma e com minha amabilidade para com todos - em nossas viagens, meu marido e eu, usualmente temos encontrado e conversado com jovens na faixa dos 30 anos mais ou menos ao invés de  pessoas de nossa faixa etária - e desta vez foi exatamente assim.

Em frente a janela de nosso quarto de hotel do nono andar, havia uma mata e todas as manhãs ao abrirmos a cortina (foram quatro manhãs) éramos cumprimentados por tucanos e carcarás (meus espécimes preferidos - os pássaros, depois do gatos, é claro).

Assim, como sempre digo, viajar é preciso - aprende-se muito sobre muitas coisas.

Boa semana!






  



 

quarta-feira, 2 de outubro de 2024

FRUSTRAÇÃO E SENSAÇÃO DE FRACASSO

Olá leitores,

Antes de adentrar o tema, vamos buscar seus significados no dicionário Aurélio.

Frustração: Psican. Estado de quem, por ausência de um objeto ou por um obstáculo externo ou interno, é privado da satisfação dum desejo ou necessidade.

Fracasso: 1. Desastre, desgraça; 2. Ruína, perda; 3. Mau êxito, malogro.

Até que a diferença é fácil de perceber ao olharmos essas definições no dicionário, entretanto existem situações em que confundimos as duas sensações e, como não as temos melhor definidas, mostra-se difícil para nós resolvermos essas questões dentro de nós mesmos.

Por exemplo, imaginemos que nossa vida esteja patinando, sem sair do lugar e então advém uma sensação de fracasso, onde parece nada dar certo, temos a tendência de culpar outras pessoas, situações ou até a maré de azar pelo que nos acontece.

Em nossa cultura não fomos acostumados a refletir sobre nossos fracassos, pelo contrário, somos constantemente levados a crer que só através do sucesso é que teremos condições de nos desenvolvermos melhor e assim alcançar o triunfo.

Na frustração, como o dicionário definiu, havia uma situação exclusiva, a qual você esperava um desfecho específico que não ocorreu.  O desânimo, a tristeza invade sua pessoa e, se você não se vigiar, você pode abrir a porta "para a entrada de sua irmã gêmea, a sensação de fracasso."

Assim, como lidar com essas duas sensações, quando elas ocorrem, uma vez estas serem tão similares? Primeiramente observar as situações em questão e refletir sobre suas diferenças, pois para cada uma delas necessitamos de estratégias diversas.

"O limite entre frustração e sensação de fracasso é tênue.  É uma questão de crença, posição mental e escolha."

Para facilitar um pouco, separá-las-ei em duas colunas.

Frustração

Dói, mas motiva outras buscas.

É emoção positiva, mostra que o problema está em você.

Pode se transformar em impulso motivador.

Ela diz: "Não foi desta vez, recomece e ache o caminho."

Sensação de fracasso

Trava a sua vida.

É algo mais sério, de efeitos mais nocivos.

É uma avaliação injusta, um juízo inibidor e de censura, um atestado de menos valia.

Ela diz: "Você não é capaz."

Em nosso exercício de autoconhecimento pode ser que alguns de nós já tenhamos enfrentado esses dois sentimentos.  A frustração me parece ser um sentimento inesperado, embora assim o seja para aqueles indivíduos mais incautos.

Muitas pessoas que resolvem tirar sua própria vida têm essa dificuldade em lidar com a frustração e acabam transformando-a em sensação de fracasso - dentro dessas pessoas existe um gigantesco ego envolto em orgulho, vaidade, perfeccionismo.  

O que todos nós necessitamos entender é que a vida é simples, nós a complicamos. À frente de situações que devemos enfrentar tenhamos sempre um plano B, ou seja, entendamos que nem sempre nossas expectativas serão preenchidas e quando não o sejam, que possamos buscar a coragem, a paciência, a esperança e a fé dentro de nós.

Para não cairmos em frustrações, observemos o que esperamos dos outros - muitas vezes eles, os outros, não têm realmente como preencher nossas expectativas.

Então como fazer para que nossa frustração não se encaminhe para a sensação de fracasso? Ermance Dufaux sugere: "Acolha sua frustração, transforme-a em arrependimento produtivo.  Ela pode ajudá-lo muito no recomeço em direção às suas metas."

Boa reflexão!


 

sábado, 28 de setembro de 2024

"MARINA"

Caros leitores,

O livro de setembro de nosso Clube de Leitura foi "Marina" do espanhol Carlos Ruiz Zafón.


Desta vez é o livro de um autor contemporâneo - foi escrito em 1999 - é o livro favorito do autor e é considerado um livro juvenil - de minha parte até concordo, pois em nossa discussão, cada um de nós foi levado a relembrar passagens da adolescência.

O Google me informou que o autor faleceu em 2020 de câncer aos 55 anos. Embora trabalhasse como roteirista em Los Angeles, nunca quis adaptar seus livros para o cinema - ele afirmou numa ocasião: "Para mim, estes livros são uma homenagem à literatura, à palavra escrita.  Portanto, transformá-los para o cinema ou televisão, são uma traição."

O autor se expressa muito bem com suas palavras e embora tenhamos lido traduzido, o idioma espanhol, assim como o português, tem uma raiz latina e,  com certeza a fluidez de sua linguagem é realmente a mesma em ambos os idiomas.

A história é extraordinária e inimaginável - somos levados a lugares misteriosos - do internato onde o personagem principal Óscar mora até uma casa onde Marina e seu pai residem - ambos, Óscar e Marina acabam se aventurando pelas ruas de Barcelona (me deu vontade de conhecer essa cidade) onde vão até o cemitério do bairro de Sarriá e também adentram um casarão com aspecto de abandono onde lá eles têm suas primeiras surpresas.  Quem quiser saber o que havia lá, sugiro ler o livro.  Ele é muito agradável de ler e embora possua algumas ideias estranhas é fácil gostar de sua leitura.

Dentro da história do casal protagonista há outra história com começo, meio e fim.

Como é de praxe num livro para jovens este contém suspense, mistério, terror, drama, aventura, memórias e um pouco de romance.

Na capa do livro há uma frase do personagem Óscar que é um chamativo para a leitura e que, felizmente não nos decepciona ao final - na minha opinião, é um chamativo que é real - diferentemente de propagandas de certos produtos que acabam sendo uma decepção ao adquiri-los. 

Cá está a frase: "Todos temos um segredo trancado a sete chaves no sótão da alma.  Este é o meu."

Bora ler o livro? Eu gostei e recomendo.

Boa semana!



 

quarta-feira, 18 de setembro de 2024

ANIVERSÁRIO DO BLOG

 Caros amigos,

Hoje, 17 de setembro o blog Refletindo completa 4 anos de existência. Nesse tempo foram 205 textos sobre filmes, livros, fatos do cotidiano, política, economia, psicologia e espiritualidade.  Nesse período novos leitores surgiram e outros mais antigos desistiram de lê-lo - talvez não gostassem do estilo da escrita, ou até por não concordarem com o tema ou até de algumas ideias ali expostas, resolveram pular fora do barco.

Não há o que me queixar - tenho leitores assíduos que leem tudo o que escrevo mesmo que não concordem com alguns pontos de vista.

Eu, cá escrevo porque gosto - muitas vezes tenho vontade de me livrar de palavras presas na garganta e então espalho-as no papel - este aceita tudo.

Não é muito fácil escrever um texto por semana (creio ter falhado apenas uma vez...) - como hoje, por exemplo - minha agenda me avisou que o blog completava 4 anos e nem sei se irei postá--lo hoje - provavelmente não - o tempo está escasso.

Na semana passada fiquei muito doente - nem sei se era gripe ou não (faz uns 30 anos que me lembre de ter ficado de cama por gripe).  Desta vez não fiquei na cama - continuei fazendo tudo o que tinha de fazer, mas à noite piorei muito - deve ter sido por ter me recusado a adoecer e descansar. Acho que tive uma congestão de ideias - apesar de trabalhar bastante com o corpo físico, a mente também fica encoberta por pensamentos estranhos, as vezes sombrios e outras vezes leves e engraçados.

Ultimamente tenho dificuldade de permanecer no presente - o passado parece tão amigável e o futuro parece tão incerto.

Bem, o texto de hoje está mais para um desabafo - quem sabe algum leitor encontre eco em algumas dessas palavras e até possa se colocar a refletir nelas, n'é?...

Algumas vezes pensei em desistir de dar continuidade a esse blog, mas ainda tenho a ilusão de que ele possa estar ajudando alguém a refletir... Eu, de minha parte, gosto de ler e encontrar nas entrelinhas do que leio motivos para reflexão do meu dia-a-dia. Então, por enquanto o blog Refletindo terá continuidade.

Boa semana, pessoal!



 

sexta-feira, 13 de setembro de 2024

CARÊNCIA

Olá leitores,

Para melhor compreendermos o tema de hoje, começarei fazendo comparações da vida com o carro.  Cada um de nós recebe a vida para que a administremos com o objetivo de nos tornarmos pessoas melhores, - um carro pode ser dirigido por qualquer pessoa, mas nossa vida deve ser dirigida por nós  mesmos, entretanto quando somos carentes, entregamos o volante de nossa vida para outras pessoas.  Mas será que a pessoa a quem confiamos o volante de nossa vida seguirá na direção certa para abraçar nosso objetivo? Como fica nossa individualidade? Ela nos guiará através do caminho de nossas necessidades e interesses?  Nesse percurso podem ocorrer desvios, atalhos, podem ocorrer acidentes, não  é?

Por que será que o carente faz isso?

Em minha opinião, para essa resposta existem alguns fatores.  Comecemos talvez, pelo mais simples: a preguiça, a comodidade - parece uma coisa simples mesmo, mas não é.  A preguiça não é causa, é efeito - efeito da falta de responsabilidade para arcar com os percalços da própria vida.  Entretanto, essa falta de responsabilidade pode também denotar receio e esse pode transparecer uma falta de confiança em si próprio.

O carente não confia no próprio comando de sua vida - acha-se inepto e incapaz de conduzi-la com destreza na direção certa e em segurança.

Quando entregamos nossa vida aos outros, transferimos a eles nossa responsabilidade e assim, se algo dá errado termos a quem culpar e o pior, quando estes saem do trajeto e se distanciam da rota, reclamamos e nos fazemos de vítima - é a tal da vitimização.

Uma coisa é certa: ninguém poderá guiar nossas experiências por toda a vida.  Em algum momento ela nos será devolvida.  Então não seria melhor assumirmos logo o "volante" de nossa vida? Quando a dirigimos vamos amadurecendo a cada passo e então podemos, com o tempo, escolher quem queremos como companhia dessa jornada e com quem podemos compartilhar nossa responsabilidade.

Essas características da carência não têm como causas apenas as retratadas acima, as quais foram: falta de autoconfiança, preguiça/comodidade/zona de conforto, irresponsabilidade, sensação de incapacidade, insegurança, vitimização.

Outra causa que me vêm à mente é o medo de amadurecer - a maioria das pessoas hoje infelizmente crê que amadurecer, evoluir é um processo extremamente sofrível, duro, então inconscientemente (até às vezes, conscientemente mesmo) adiam esse processo.

Hoje é comum os filhos ficarem morando com os pais por muito tempo, alguns nem trabalham, se trabalham não ganham o suficiente para se sustentarem.  Infelizmente também a política de governo atrai muitas pessoas para o trabalho público onde se tem trabalho, uma função medíocre (nem todas são medíocres) por causa dessa facilidade e assim, não raras vezes, o indivíduo freia sua jornada evolutiva.

Quando você delega a sua vida à outra pessoa, você é levado a realizar atividades as quais não fazem parte do seu roteiro de vida.  Por outro lado, existem também pessoas que nos incentivam a realizar determinada função e com o tempo, acabamos descobrindo nosso talento.

Porém, o ideal é sempre buscarmos dentro de nós mesmos as atividades das quais gostamos, das quais temos prazer em realizar.  Então, como saber de que gostamos quais atividades desejamos realizar ou até nos fazermos a seguinte indagação:  "o que queremos ser quando crescermos?" - para investigar nossos "dons" existem algumas práticas que podem ajudar.

Uma ideia é a meditação - não propriamente a meditação milenar chinesa ou hindu, mas pode-se colocar uma música suave, fechar os olhos, sentar-se confortavelmente e prestar atenção aos pensamentos que vem à mente - a ideia aqui também é refletir sobre o tipo de coisas que se gosta de fazer.

Outra prática é a leitura - qualquer tipo de livro pode auxiliar a conhecer o mundo.  Aqui se pode recorrer a romances, biografias, livros de história, ficção.  Se já temos em mente o que queremos fazer, então podemos também ler livros técnicos da área em questão.

Uma terceira prática que me vem à mente é participar de um grupo de pessoas para estudar/conhecer determinando assunto, realizar trabalhos voluntários - estar com pessoas ajuda a nos conhecermos, percebermos nossas fraquezas e nossas virtudes, nossos pontos altos e com isso, fica mais fácil assumirmos o volante de nossas vidas.

Ao prosseguirmos em nossa jornada, tendo as rédeas de nossa vida em nossas mãos perceberemos que ninguém poderá guiar nossas expectativas pela vida inteira.  Ao caminhar com nossos próprios pés, "depois de um tempo, quando mais maduros e conscientes de nosso roteiro, podemos escolher quem queremos por perto, com quem podemos compartilhar alguma responsabilidade, guardando sempre a certeza de que ninguém poderá guiar nossas expectativas pela vida inteira.  Esse é o caminho mais sensato para que haja a bem-aventurança de nos sentirmos fartos, repletos das alegrias que advirão de nossa postura de amor e responsabilidade com o caminho que é só nosso."

Boa semana!








 

domingo, 8 de setembro de 2024

"CAVALEIRO DAS AMÉRICAS"

Olá amigos,

"Cavaleiro das Américas" é um documentário sobre Filipe Mazzeti Leite que realizou a façanha de ir à cavalo de Calgary no Canadá até Barretos, em São Paulo, Brasil.

Esse documentário, que praticamente já rodou o mundo, está disponibilizado na plataforma da BP - Brasil Paralelo.

O relato, os momentos vividos por ele nesse percurso que levou 2 anos e 3 meses é comovente, emocionante e extraordinário.

Ao assistir à sua entrevista pós-documentário realizada por um dos criadores da Brasil Paralelo, Felipe Valerim, ficamos sabendo que ele mesmo filmou a saga - não havia equipe de filmagem como costuma ter em documentários.  Ele explicou que filmou com uma câmera com dois cartões, aos quais, um ficava com ele como back-up e outro enviava por Fedex para uma produtora realizar a edição.  Sua aventura começa em 2012 e, nessa época, não haviam tantas facilidades em produzir vídeos em celulares com temos atualmente.

Filipe percorreu 12 países em 3 viagens.  A primeira durou 2 anos e 3 meses e foi do Canadá para o Brasil, como mencionei.  A segunda foi de Barretos até Ushuaia na Argentina com percurso de 7.500 quilômetros, durante um ano e 3 meses, percorrendo 3 países.  E a última foi de Fairbanks no Alasca até Calgary no Canadá percorrendo 3.500 quilômetros.

O documentário em questão só trata da primeira viagem e uma parte da segunda viagem.

Uma de suas maiores dificuldades foi passar pelas fronteiras de alguns países, principalmente do México - lhe foi dito que podia ser morto - mas, seu anjo da guarda estava alerta e tudo correu a contento.

Duas vezes, dois de seus cavalos (ele viajou com três cavalos) sofreram acidentes, mas felizmente foram tratados em tempo hábil.  Filipe relata que, no geral, todas as pessoas foram boas com ele, algumas lhe alimentando ou dando pousada.

A chegada em Barretos foi gloriosa, num local de rodeio - fizeram até uma estátua dele e dos cavalos.

No fim do documentário há o relato de que ele enfrentou um período de depressão após a primeira viagem, onde até sua namorada terminou o relacionamento . Na entrevista ele conta que ficou até envergonhado do período de depressão - mas outras pessoas que também fizeram esse tipo de aventura também tiveram esse problema. Eu acredito que o término da aventura, do sonho realizado, do objetivo alcançado pode-se ter uma fase de vazio a qual necessita ser preenchida com outra meta, seja ela qual for.

O que o tirou desse estado foi fazer uma visita ao Hospital de Câncer Infantil de Barretos - ele mesmo achou absurdo estar deprimido e a volta dele crianças às vezes, sem braço, sem pernas, todas felizes por encontrá-lo.  E sua segunda jornada até Ushuaia também teve por finalidade angariar fundos para este hospital.  Aliás nessa nova aventura ele conheceu sua noiva Clara que está com ele até hoje - ele moram no Canadá e, pelo que entendi ele hoje tem 34 anos. Ele é jornalista formado no Canadá e hoje escreve para o Toronto Star.

Bem, o ideal é assistir o documentário quem puder.  Procurei a entrevista no YouTube, mas não localizei; o filme só mesmo no canal da Brasil Paralelo, mas talvez esteja em outro canal de streaming; eu não procurei.

Boa semana!










 

 

"O CAIBALION" - CAUSALIDADE

Olá leitores, O sexto Princípio Hermético é bem conhecido nosso - hoje falaremos da Causa e Efeito, onde nada é por acaso.  Esse princípio a...