quarta-feira, 27 de outubro de 2021

CHARLES DARWIN - UM HOMEM À FRENTE DO SEU TEMPO

Caros amigos leitores,

Na última semana, acabei de ler a biografia de Charles Darwin: "Darwin - A vida de um evolucionista atormentado" escrito por Adrian Desmond & James Moore - um catatau de 742 páginas.  Eu gosto muito de ler biografias - já li a de Gandhi e a de Leonardo Da Vinci das que eu me recordo agora; também leio autobiografias, entretanto prefiro biografias por conterem dados pesquisados onde não aparecem os sentimentos e emoções narradas pelo próprio autor.  Embora os dois tipos contenham esses dados - sentimentos e emoções - na biografia podemos perceber de maneira mais imparcial como era a pessoa biografada, na minha opinião.  Tentarei trazer a vocês algumas ideias que achei interessantes na leitura deste livro, principalmente no que concerne à época (século XIX) e de como muita coisa não mudou até hoje e de muitas coincidências na leitura do livro com os dias atuais.

Bem, Charles Robert Darwin nasceu em 12 de fevereiro de 1809 e morreu em 19 de abril de 1882, portanto com 73 anos de idade, na Inglaterra.  Desde pequeno se interessou por pequenos animais, insetos e minhocas e colecionava conchas, selos, ovos de pássaros e minerais.  Sempre foi uma criança reservada e quando adulto detestava reuniões e lugares cheios de pessoas.  Na escola, os companheiros de Darwin o achavam "velho para a sua idade", tanto em "maneiras como em espírito."

Um dos pontos que me chamou a atenção no decorrer da leitura foram os desentendimentos entre política, religião e ciência.  As pesquisas de Darwin ao longo de sua vida foram criticadas duramente por essas três instituições.  Seu trabalho foi considerado herege pela igreja anglicana.  A igreja da Inglaterra e os cientistas da época se engalfinhavam para tentar explicar a origem do homem e o trabalho de Darwin foi considerado por muitos como não científico.

Com a insistência da família ele começou a cursar medicina na Escócia, mas nunca se formou.  Depois ele achou que seria melhor tornar-se sacerdote e então foi estudar na Faculdade de Cristo em Cambridge, embora não acreditasse muito em religião.  Mas essa função/profissão também não deu certo.  Então, dos 22 aos 27 anos Charles Darwin resolveu participar de uma viagem exploratória de navio pelas Américas (de 1831 a 1836).  Foi nesta viagem que ele começou a escrever sobre os animais e as plantas que depois culminaria em sua obra magistral "A Origem das Espécies" (a teoria de Darwin foi publicada vinte anos após o seu início).   Imaginem viajar de navio nessa época.  Ele pesquisou espécimes nas ilhas de Cabo Verde, nas Galápagos, na Patagônia.  Ele passou até pelo Brasil, em Salvador na Bahia, no Rio de Janeiro, em Pernambuco e no sul do país.

Darwin era contra a escravidão e "um dia ele observou que a escravidão não era tão intolerável, pois os brasileiros no geral tratavam bem seus criados negros". Mas apesar dessa observação, "ele sugeriu que a única solução era a emancipação." Entretanto, em outro momento, Darwin publicou no Journal em 1845 sobre a escravidão no Brasil: "Rogo a Deus que não mais visitarei um país que mantém escravos.  Até hoje, quando ouço um grito distante, ele me lembra com dolorosa vivacidade meus sentimentos, quando passando em frente a uma casa próxima de Pernambuco (Brasil), eu ouvi os mais penosos gemidos, e não podia suspeitar que pobres escravos estavam sendo torturados... Perto do Rio de Janeiro eu morava do lado oposto à casa de uma velha senhora, que usava pregos para perfurar os dedos de suas escravas. Eu fiquei em uma casa em que um jovem caseiro mulato, diária e de hora em hora, era vituperado, chicoteado, e perseguido o suficiente para arrasar com o espírito de qualquer animal.  Eu vi um garotinho, de seis ou sete anos, ser castigado três vezes com um chicote para cavalo (antes que eu pudesse interferir) batendo em sua cabeça, por ter me servido um copo de água que não estava muito limpo."  Em outro momento, muitos anos depois desta viagem, ele afirmou: "Não havia justificativa científica para a escravidão..."  Ele dizia "quão  frágeis são os argumentos daqueles que sustentam que a escravidão é um mal necessário!"

O navio também ancorou no Rio da Prata, em Montevidéu e depois em Buenos Aires que foi dito que "vivia em estado de revolução permanente". Achei esse detalhe muito interessante, pois a Argentina realmente até os dias de hoje está assim...

Enquanto viajava no Beagle (nome do navio) Darwin foi crescendo, pesquisando, estudando, observando e meditando sobre o homem, a sociedade, o meio ambiente.  Na Terra do Fogo, ao observar a cultura dos indígenas de lá teve uma "iluminação", a qual concordei.  Ele disse: "a perfeita igualdade de todos os habitantes impedirá por muitos anos sua civilização.  Até que "algum chefe" ascenda, que "por seu poder" possa acumular as posses para si mesmo, "deve haver um fim para todas as esperanças de melhorar as condições deles." (Muitos dados de seus pensamentos e falas são de seus diários - Darwin os escreveu no decorrer de sua vida).

Darwin teve muito contato com diferentes tribos indígenas, primitivas nessa viagem e tirou muitas conclusões do que observou.  No sul da América do Sul indignou-se de como o povo dito "civilizado" aprisionava os índios: "Prisioneiros eram tratados como animais". "As mulheres índias são massacradas a sangue frio." "Quem acreditaria que nesta época em um país civilizado e cristão, tais atrocidades são cometidas?" E sua melhor reflexão nesse período: " A carnificina podia beneficiar a economia, mas corromperia o povo.  O país estará nas mãos de selvagens gaúchos brancos em vez de índios cor de cobre.  Os primeiros sendo um pouco superiores em civilização, ao mesmo tempo que são inferiores em todas as virtudes morais."

Na América do Sul, Darwin "tinha visto tantas coisas em três anos e meio: terremotos, erupções vulcânicas, fósseis gigantes, selvagens."

Após a viagem no Beagle ele dedicou-se inteiramente ao estudo da natureza. "Seus professores de Cambridge haviam colocado a devoção ao Deus da Natureza entre as mais altas.  Ele iria além deles - estudaria a Natureza por amor dela mesma, explicaria seus poderes, entenderia sua sabedoria, justificaria seus caminhos."

Em toda sua trajetória de vida, Darwin, muito crente em Deus (mas não na religião), sempre buscava entender como as espécies se transmutavam e onde estava o papel do Criador - ele, em suas pesquisas, aceitou que "O Criador cria por leis" "Assim como os ventos dos Andes obedeciam a leis regulares, as idas e vindas do animais na superfície do planeta também o faziam." "Poderia a bondade de Deus ser deduzida da adaptação perfeita dos animais?" Os autores afirmam que "Darwin não era ateu.  Ele aceitava que tudo isto resultava das leis naturais de Deus." Em outro momento ele afirmou: "Deus com o seu "perfeito conhecimento do futuro" havia desencadeado uma lei no momento da Criação e o universo seguiu desenvolvendo-se desde então." E em outro momento, mais tarde em sua vida, ele disse que "a existência de Deus "está além do alcance do intelecto do homem." 

Algumas reflexões de Darwin sobre a evolução das espécies no Planeta:

"Ele achava que espécies e indivíduos tinham duração de vida fixa, limitada pela força vital." "Os mamíferos, sendo complexos e com força vital mais difusa, deveriam ter, como espécies, vida mais curta do que criaturas microscópicas simples." "Os antigos gigantes não tinham sido extintos pela mudança do clima, disse Darwin.  Assim, talvez "como um indivíduo o tempo de vida tenha completado seu curso e se esgotado para as espécies."

"... a complexidade de uma espécie era inversamente proporcional à sua duração de vida." " A origem da vida era um evento único, perdido em alguma parte dos tempos pré-Silurianos." "Se o ambiente mudasse gradualmente, os animais se adaptavam, transmutando-se para se manter sincronizados; se falhassem em manter o passo, a extinção era inevitável." (aqui falando da adaptação da espécies às mudanças). "A inovação em Darwin estava em observar que o melhor adaptado se selecionava, e a mudança se estabelecia através dos tempos."

"Se escolhermos deixar a conjectura correr livremente, então os animais são nossos companheiros na dor, doença, morte e sofrimento e fome; nossos escravos no trabalho mais laborioso, nossos companheiros em nossos divertimentos; eles podem partilhar de nossa origem em um ancestral comum, podemos todos estar enredados juntos." "Qualquer observador sincero poderia ver que o homem e os animais compartilham não somente os sentimentos, mas os meios de expressá-los."

"As adaptações novas não podiam ser perfeitas como ensinavam os antigos teólogos, ou não haveria competição, seleção e progresso.  A imperfeição era a norma da natureza."

"Deus designara leis naturais para desenvolver a vida em vez de intervir ele próprio." "...a natureza era autossuficiente."

Socialmente, Darwin era como um ermitão, como já mencionei, ele detestava multidões e reuniões com muitas pessoas.  Irritava-se facilmente quando tinha que participar de algum evento.  Talvez esse tenha sido um dos motivos pelos quais tinha muitas crises de problemas estomacais - de origem nervosa pelo excesso de esforço mental.  Sofria de gota (ataques recorrentes de artrite inflamatória).  Para esse problema fez tratamento hidroterápico, o qual não acreditava que daria certo (ele não defendia tratamentos alternativos para a saúde) mas que, não só foi bom, como ele o  repetiu várias vezes numa estância de águas na cidade de Malvern, no condado de Worcestershire na Inglaterra.  O médico, Dr. Gully, era bondoso, gentil e atencioso, embora autoritário.  Darwin creditou sua melhora mais na atitude do médico do que ao próprio tratamento. Além desses problemas, também sofria de má circulação.

Outra característica de sua personalidade era o seu orgulho: "...ficaria irritado se qualquer um publicasse as minhas teorias antes de mim."

O seu único prazer na vida era trabalhar: "A ociosidade é um completo desastre para mim" (comentou com um amigo certa vez).

Ele era totalmente contra a guerra e em 1877 endossou uma "Declaração pública contra a Guerra" e pôs seu nome no alto de uma lista de assinaturas.

Sobre política, ele afirmou que " os políticos perdem seu tempo discutindo sobre tudo, mas negligenciando as boas ações."

Em sua vida pessoal, Darwin casou-se com sua prima Emma Wedgwood e teve 10 filhos, com três deles falecendo antes dele.  Era feliz no casamento, admirava sua esposa - ela era seu suporte emocional (bem, quase todas as esposas são assim...). 

Para finalizar, acredito que esse texto nem deu muito para refletir.  Como gostei de ter lido essa biografia, quis passar um resumo razoável (sic!) para vocês.

Boa semana!


 







sábado, 23 de outubro de 2021

A COBRA E A LIMA

Caros amigos leitores,

Hoje trago outra fábula.  Vamos à ela.

"Conta-se que uma cobra vivia vizinha de uma relojoaria.  Um dia ela entrou na oficina atrás de alguma sobra, mas de comida, ali, nem cheiro.  Nada encontrando para satisfazer a sua fome e, com o apetite redobrado ao ver uma lima, se põe a roê-la.

A lima então lhe diz:

- Que pretendes fazer, pobre infeliz? Não vês que sou feita de aço?  E que, antes de me prejudicar, você está prejudicando a si mesma? Não percebes que não terás dentes para usar, e eu continuarei intacta, pois não conseguirás tirar do meu corpo o menor pedaço? A mim nada causa contratempo.  Os únicos dentes que podem me afetar são os dentes do tempo!

Esta história se endereça a vós que só sabeis criticar, nada mais.  A tudo e a todos mordeis, imprimindo a marca ultrajante de vossos dentes, mesmo sobre as obras-primas.

Será que podeis roer essas "limas"? Não se esqueçam: elas são de aço, bronze e diamante!"

Interessante o ponto no qual Hammed se baseou quando escolheu essa fábula de La Fontaine - ele se baseou nos valores eternos, aqueles em que a traça não rói - os valores espirituais - os únicos valores verdadeiros, universais de qualquer pessoa.  São os tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam,  que o evangelista Mateus descreve no capítulo 6, versículo 10 do Novo Testamento, da Bíblia.

A vida material realmente toma muito do  nosso tempo.  Há tanto para ser feito no afã da sobrevivência - trabalhar, comer, cuidar da higiene do lar e do corpo, adquirir bens de consumo, consumi-los, estudar para ter uma profissão, etc. - que a parte moral, espiritual é negligenciada.  Então como fazer para manter viva dentro de si a chama da vida espiritual?

Felizmente, a misericórdia divina oferece a todo o momento oportunidades a todas as criaturas para que elas percebam a grandeza da natureza e deste modo possam, ao admirá-la, refletir, pensar, sentir esta chama espiritual que brilha dentro delas ininterruptamente.  Com certeza aqueles mais sensíveis, "espiritualizados" por assim dizer, a percebem de imediato e procuram cultivá-la, pois sabem até mesmo intuitivamente que ela é o futuro, ou como dizia Jesus, quando se referia ao seu Evangelho, o caminho, a verdade e a vida. A esses, Hammed se referiu como homens fortes, de aço, não manipuláveis, com valores próprios - são como a lima da fábula.  Outras criaturas mais ligadas à matéria, ou podemos dizer materialistas, teriam mais dificuldade para percebê-la.  Estariam atentas para o lado oposto do futuro, do conforto, da verdade.  Estes seriam como a cobra da fábula - perecíveis, manipuláveis, buscando valores efêmeros.

Os tesouros no céu a que Mateus se referia são a posse dos dons da expressão, da criatividade, da compaixão, da liberdade, da lucidez, da alegria, da naturalidade, do desapego, da tolerância, da paz interna, e outros tantos valores universais.

Na fábula, a cobra tenta roer a lima, mas esta é praticamente indestrutível, pelo menos aos dentes da cobra - na vida de relações, muitos agem como a cobra, achando que podem "roer" (destruir, difamar) a vida de outrem, caluniando-os com falsas afirmações a seu respeito.  Como os valores definitivos são adquiridos por cada pessoa no viver do seu dia-a-dia, as "cobras sociais" como diz Hammed, não podem corrompê-los.

Muitos pais supervalorizam seus filhos dizendo a eles que eles podem tudo na vida (até "roer lima") e então quando estes atingem a idade adulta se acham superiores.  Assim, de modo inconsciente, em seus sentimentos, atos e atitudes eles recriminam a tudo e a todos, advindo daí aquilo que se chama "falso orgulho", pois ninguém é melhor ou pior do que o outro em sua totalidade.

Aquele que já adquiriu alguns valores morais universais sabe que não há como perverter pessoas ou criticá-las porque compreende que cada um dá do que tem dentro de si.

Muitos homens criticam porque querem ser aceitos e inadvertidamente, acabam permitindo que todos interfiram em sua vida.  Ou seja, assim como quem manipula é manipulado sem se dar conta disso, quem critica também é criticado.  O semelhante atrai o semelhante - lei de atração.  Usarei novamente uma fala de Jesus em Mateus 7, 1-2 que explica melhor essa afirmação: "Não julgueis para não serdes julgados; porque com o juízo que julgardes os outros, sereis julgados; e com a medida com que medirdes vos medirão também a vós."

Antes de continuar nesta linha de raciocínio gostaria de voltar a discorrer um pouco mais sobre aquele ser que se acha superior.  Ele julga, critica, censura, aumentando o seu próprio sofrimento, pois se acha absoluto e incomparável, pois, no fundo todo ser superior se sente inferior e acaba recriminando a todos para que a atenção seja voltada para ele mesmo.  Se ele conhecesse o tamanho de sua pessoa na realidade, talvez não necessitasse tanto ser maior e melhor que os outros.

Aquilo que popularmente é chamado de "Complexo de Superioridade" gera dentro do indivíduo uma sensação íntima de opostos extremos - às vezes se acha extremamente competente e outras vezes extremamente insuficiente, às vezes se acha extremamente habilidoso e outras vezes extremamente incapaz.  Então, esse indivíduo tem dificuldade de enfrentar a vida e seus problemas por causa das oscilações de comportamento.  Sente-se inadequado perante os outros, pois quanto mais se "eleva", mais se sente diminuído.  Dentro dele há uma total indefinição de quem ele realmente é.  Então como resolver tal dilema?  Buscando cultivar a humildade através de uma autoajuda; realizando uma autoanálise, e assim, buscando o autoconhecimento para colocar potenciais e defeitos nos seus devidos e reais lugares.  Porque é assim como dizem que "aqueles que não conhecem a História, tendem a repeti-la", aquele que não se conhece, tende a repetir os mesmos erros.

Quando censuramos alguém porque temos o dever de reprimir o mal, é louvável, pois se pode extirpá-lo da sociedade e ajudar na evolução da mesma.  Mas quando censuramos para difamar a pessoa, esta censura decorre da maledicência e da maldade.  Esta traz desequilíbrio tanto para o criticado, quanto para aquele que critica.

E aquele que é criticado?  Como deve agir? Calar-se.  A ideia é deixar que o silêncio envolva o maledicente para que ele possa ouvir as próprias palavras e perceba o equívoco e refaça seus atos, ou na pior das hipóteses para ele,  que ele seja envolvido pelo magnetismo negativo de suas próprias palavras.

Atualmente os indivíduos reúnem-se em "bandos", ou como diz Hammed, "rebanhos", porque têm medo da vida e do desconhecido e por causa deste medo recusam-se a conhecer o "desconhecido", formam uma "massa inconsciente" e assim refugiam-se naqueles que consideram seus semelhantes.  Então fazem tudo o que todos fazem, agrupam-se para criticar e se auto defender, julgando-se ameaçados por outros grupos.  Percebe-se que com a globalização atingiu-se o contrário do esperado - ao invés de nos tornarmos uma nação cósmica planetária, nos refugiamos em guetos, massas, tais como a massa de cientistas, de operários, de políticos, de religiosos, de filósofos... Por que há a necessidade de tanta proteção? Porque há o desconhecimento do que levam dentro de si.  Como disse no início do texto, a chama da espiritualidade encontra-se dentro de cada indivíduo e cada indivíduo possui uma realidade íntima particular e aquele que não vive de acordo com essa realidade íntima, vive a vida com medo, entregando as próprias rédeas da existência para outros, para os grupos.

Ao final da fábula, La Fontaine deixa um recadinho para aqueles que se acham o máximo: Esta história se endereça a vós que só sabeis criticar, nada mais.  A tudo e a todos mordeis, imprimindo a marca ultrajante de vossos dentes, mesmo sobre as obras-primas.

Não nos esqueçamos também que estas criaturas podem criticar por inveja e menosprezam os bens conquistados pelos que não são escravos da opinião pública; pelos que sabem distinguir aquilo que lhes é útil, lhes convém daquilo que não lhes serve.  Eles depreciam aqueles que dirigem seu comportamento conforme julgam correto porque desenvolveram o "senso crítico", o discernimento baseado na ética - propriedade esta, de uma individualidade universal.

O senso crítico é diferente do senso comum.  O senso comum é um conjunto de opiniões, entendimentos que cada um assentou dentro de si mesmo, tendo como base a herança cultural do meio em que vive e as experiências familiares.  O contexto social no qual o indivíduo vive dita as regras de vida como se estas fossem naturais e necessárias, mas onde não há reflexão, avaliação, questionamentos e ponderação de tais regras.  Na maioria dos casos, esse senso comum baseia-se em fontes de conhecimento que variam entre o não saber e a tradição, os preconceitos e até a ingenuidade.  Quando se age pelo senso comum, age-se de acordo com as ideias dominantes, mas nem sempre adequadas, e aos poderes preestabelecidos e não necessariamente estes estarem de acordo com a lei moral universal.  Podemos até dizer que aquele que obedece ao senso comum, age como uma "Maria vai com as outras".

O senso crítico é quase o oposto do senso comum.  Hammed nos esclarece dizendo que a palavra crítico é latina e vem de criticus, derivada do grego kritikós que quer dizer aquele que questiona sempre, que avalia, que decide, que julga.  Enquanto aquele que usa o senso comum é levado pela corrente de pensamentos e atos do convívio social, aquele que usa o senso crítico investiga criteriosamente atos ou opiniões, apresenta ideias em objeção a outras ideias, porque usa a reflexão, o questionamento, a contestação a fatos e conceitos.  Só é possível desenvolver o crivo da razão quando se aprende a arte de questionar.

O hábito de perguntar a nós mesmos se aquilo é adequado ou bom para nós, se é verdadeiro, se é melhor para nós de acordo com o entendimento que temos de nossa vida, deve fazer parte de nossa rotina do dia-a-dia.  Não se deve aceitar nada sem questionamentos.  Tudo deve passar pela nossa reflexão e pelo crivo da razão.  O senso crítico dá a nós consciência do adequado e do não adequado.

E assim chegamos à moral da história.  A crítica nociva faz parte dos indivíduos que não realizam nada de importante - não se arriscam a transformações e mudanças e não enfrentam desafios.

O crítico destrutivo fica estático, observando tudo o que os outros dizem, fazem e pensam, para depois criticá-los.  Ele é preso às normas sociais, submete-se ao senso comum, mas nunca usa o próprio senso crítico.

Aquele que tem senso crítico é lúcido e rompe com posições preconceituosas, pessoais e mal fundamentadas retiradas das crenças populares.

Aquele que faz uso do seu senso crítico sabe que as discordâncias são normais e saudáveis, uma vez que se apoiem em fatos concretos e não em suposições ou projeções de personalidades doentias.

Finalizo com a frase de La Rochefoucauld: "Somos muitas vezes mais maledicentes por vaidade do que por malícia."

Boa reflexão e boa semana! Até!










 

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

O LEÃO APAIXONADO

Caros leitores amigos,

A postagem de hoje traz outra fábula.  Vamos à ela.

"A marquesa de Sévigné (La Fontaine, nesta fábula, faz uma homenagem à beleza da marquesa de Sévigné, Marie de Rabutin-Chantal [1626-1696], escritora francesa cujas cartas são modelo do gênero epistolar [composição poética em forma de carta]) era de uma beleza rara.  E estava tão acostumada a ser cortejada, que o fato de até um leão apaixonar-se por ela não era de estranhar.

No tempo em que os animais falavam, era comum que eles ambicionassem fazer parte do convívio humano.  Afinal, tal qual os humanos, eles também tinham inteligência, força, coragem e até se comunicavam usando o mesmo código dos homens.

Foi nessa época que o leão apaixonou-se pela bela senhorita Sévigné e, sem demora, pediu-a em casamento.

O pai da jovem assustou-se.  Ele queria para a filha um marido um pouco menos terrível, mas temia que uma recusa pudesse apressar um casamento clandestino.  Com sua experiência, ele sabia que o fruto proibido tem sempre um paladar melhor.

Resolveu então aceitar a proposta do leão e disse a ele:

- Agrada-me a ideia de tê-lo como genro, mas preocupa-me o fato de que você machucará o corpo delicado de minha filha com suas garras, e, ao beijá-la, os seus dentes impedirão que ela lhe corresponda com prazer.

E o leão apaixonado permitiu que lhe cortassem as garras e lhe lixassem os dentes.

Sem garras e sem dentes, sua fortaleza foi destruída e um bando de cães o atacou, sem que ele conseguisse se defender.

Ah! A paixão! Feliz daquele que escapa dos seus ardis!"

Entre outras interpretações, Hammed indica inicialmente que esta fábula fala de dignidade - palavra derivada do latim "dignitas, atis" que quer dizer nobreza, merecimento, valor.  Essa qualidade íntima da consciência do próprio valor, do apreço que se tem de si mesmo inspira a si e aos outros respeito, limite, estima e consideração.

A história do leão apaixonado ilustra o tema da paixão.  Aquele que já esteve apaixonado (e isso inclui todo ser humano, excetuando-se as crianças em tenra idade...) sabe do que estou falando.  Em termos psicológicos, quando um ser se apaixona, ele se apaixona por si mesmo, ou seja, pelas suas próprias características as quais ele desconhece.  Ainda em termos de psicologia, ele projeta seu eu no objeto de desejo.  Então, muitas vezes, ele se ilude quando julga as características de personalidade do ser amado.  Em verdade, o outro que se apaixona por ele faz o mesmo.  Então, enquanto o relacionamento caminha, essas projeções retornam aos donos originais.  Nesse momento, todos conhecem a famosa afirmação: "Não foi com essa pessoa que me casei".  Mas, nem tudo é negativo neste cenário.  Muitos relacionamentos transformam-se em amor verdadeiro enquanto outros casais tendem a separar-se nesta fase.

Quando "garras e dentes" são cortados a fortaleza interna também está comprometida, pois se comete um erro crasso: entrega-se o controle da vida à outra criatura.  Como resultado, perde-se o comando do próprio mundo afetuoso - porque quando não somos fiéis a nós mesmos, ao invés do relacionamento afetivo fortalecer-nos, fragilizar-nos-á.  Quando o outro tem controle sobre nossa vida e nós o permitimos, abdicamos da nossa dignidade pessoal.

Naturalmente quando estamos envolvidos afetuosamente com outra pessoa enfrentamos nossos monstros internos que nos fazem sentir inseguros, fracos, incapazes de agir, expostos.  Algumas pessoas, quando nessa condição, sentem-se limitadas a ponto de sentirem dificuldade de amadurecerem emocional, psicológica e espiritualmente.  Neste momento podem até agir como vítimas.  Hammed nos lembra sabiamente que as fragilidades são os pontos vulneráveis de nossa intimidade.  Daí novamente a importância do autoconhecimento.  Aquele que conhece suas fragilidades age de maneira diferente.  E, quando ele ainda não conhece suas fragilidades, o ponto positivo desta circunstância é exatamente aprender a observá-las, analisá-las, transformá-las, adequá-las à situação vivida.

Hammed traz como exemplo, a crítica.  Ele diz que se não soubermos lidar com ela, a julgaremos como algo negativo.  Por outro lado, se, quando formos criticados, mantivermos a calma, analisarmos o ocorrido com imparcialidade, vendo o cenário à distância, "fora de nós", descobriremos, se quisermos, porque certos fatos se repetem em nossa vida.  E então, a partir deste momento, a solução poderá ser encontrada porque fomos em busca da causa, não ficando presos aos efeitos.

Muitas pessoas acham que precisam anular-se para ser um ótimo objeto de amor.  Quando fazem isso perdem o valor como pessoas, dissimulam a verdade, perdem a autenticidade e afirmam ser verdadeiro o que é falso.  Muitas histórias de amor, filmes, livros, poemas afirmam que se deve fazer tudo pelo outro, do contrário ele pode abandonar-nos e é exatamente esse "perder-se na personalidade do outro" que faz com que um relacionamento afetivo desmorone.  Aquele que perde sua própria dignidade num relacionamento tende a perder o objeto amado.

Quando a dignidade pessoal é colocada em segundo plano, a alegria de viver se esvai de nosso espírito. Num texto anterior falei do "cuidado com as criações de "scripts" que outros nos escrevem de como deveríamos nos comportar".  Quando não fazemos uso de nosso poder pessoal, ou seja de nossa dignidade, sentimos um vazio existencial, onde uma onda de insatisfação invade nossa vida - quando valorizamo-nos na vida, os outros nos valorizam.

A façanha mais equivocada que uma pessoa possui é achar que pode resolver os conflitos dos seres amados, manter tudo na mais perfeita ordem, deixar todos felizes o tempo todo, no afã de ser querido.  Essa postura vai de encontro ao bom senso e à razão.

Essas pessoas creem que se forem fiéis a si e às suas convicções e coerentes com aquilo que pensam e acreditam seriam abandonadas, rejeitadas pelas suas autenticidades e, finalmente desprezadas.

Muitos indivíduos ainda relutam em expressarem seus verdadeiros sentimentos afetivos.  Então, perguntamos: "Qual o tipo de mensagem familiar que ainda ecoa em nossa casa mental?"

Aqui um alerta aos pais: existem crianças que são criticadas por serem honestas, quando contam algo negativo que fizeram e ouvem algo do tipo "Não quero ouvir nada de vergonhoso que você fez, do contrário o/a colocarei de castigo."  Então, quando se tornam adultas, na maioria das vezes, têm relutância em dizer a verdade ou expressar seus sentimentos.  A ideia não é oprimi-las, mas educá-las.  E a educação demanda compreensão, diálogo e elucidação dos fatos reais do dia-a-dia.

Como toda escolha na vida pressupõe vantagens e desvantagens, a vantagem de não revelar o que há no nosso íntimo é a criação de um escudo protetor à nossa volta, impedindo-nos de sermos invadidos pelos outros, pois quando sabem de nossas características de personalidade podem repelir-nos, magoando-nos ou abandonando-nos.

A desvantagem encontra-se neste escudo protetor que nos impede de desfrutarmo-nos de relações saudáveis, sinceras e de mútua confiança.

O ideal não é construir essa barreira, mas realizar o autoconhecimento (novamente) como já foi dito, para conhecermos nossos limites.  Quando não nos deixamos conhecer pelo outro verdadeiramente, podemos ficar vulneráveis a abusos, pouco caso, correndo o risco de viver isoladamente e evitando o mundo.

O caminho do meio para amar e ser amado, é não temer, é demonstrar ao outro o que se sente, como se pensa e age.  Para termos relacionamentos gratificantes e agradáveis é preciso que nos sintamos bem, à vontade com nós mesmos.  O melhor da vida é sermos respeitados e amados por aquilo que somos e não por aquilo que aparentamos ser.

Hammed fala de uma grande verdade: apesar da passagem do tempo, ainda vive-se de maneira caótica no ato de amar e ser amado, e que as dificuldades na área da afetividade continuam as mesmas. 

Moral da História: A paixão e a prudência, na maioria das vezes, são incompatíveis. Na fábula foi demonstrado que quando o homem se priva daquilo que lhe traz a sua dignidade ou a sua valorização, ele torna-se presa frágil e fica exposto ao fracasso diante daqueles que outrora o respeitavam.

Boa reflexão e boa semana!















 

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

AS FASES DA VIDA

Caros leitores,

Recentemente assisti a uma pequena palestra de um programa chamado "Insight" da Brasil Paralelo intitulada "As camadas da personalidade", onde particularmente preferi chamar de "As fases da vida" por compreender melhor dessa maneira.  A ideia dessas "camadas" é do filósofo e ensaísta Olavo de Carvalho, embora  elas tivessem sido apresentadas  no programa por outra pessoa.

Como não conhecia Olavo de Carvalho fui no Wikipédia pesquisá-lo - há controvérsias sobre sua pessoa; é o tipo "ame-o ou odeie-o".  Todavia esse conteúdo me chamou a atenção por achá-lo interessante e coerente.  Então resolvi hoje fazer essa postagem baseado nele.

Para ele, as tais "camadas da personalidade" vão se desenvolvendo no decorrer da vida mas eu as vejo como "fases", mas não fases que vão da infância até a velhice, mas circunstâncias as quais o indivíduo pode vivenciar muitas delas concomitantemente ou até estacionar em alguma(s) e não vivenciar outra(s).

Antes de listar as fases, Carvalho explica que o indivíduo que possui uma personalidade marcante, forte seria aquele indivíduo inconfundível, singular, único na sociedade e aquele que, ao contrário, tivesse uma personalidade mais débil, fraca seria uma pessoa genérica que confundir-se-ia com a massa.  Concordo com essas ideias.

Bem, depois dessa breve explanação de como vejo esse material, vamos às fases.

Carvalho lista doze camadas, então as enumerarei, embora para mim, elas não sigam uma ordem cronológica.

1ª fase: O corpo.  A preocupação de cada pessoa em relação à sua imagem; o corpo com suas dores físicas, suas deficiências, dores, doenças, fome, sede, sono.  A necessidade de cada um de nós em entender e "dominar" nossa constituição física.

2ª fase: Nossa manifestação no mundo.  Como nos comportamos, quais os nossos modelos/exemplos; nossos gostos, preferências e desejos. Nessa camada, Carvalho também atribui muito do que somos aos nossos antepassados, a compreensão de suas vivências, seus sucessos e fracassos e, se conseguimos não repetir seus fracassos ou até, ao contrário, copiar seus sucessos.

3ª fase: Nossa capacidade de aprendizado, percepção e cognição.  Como aprendemos/como entendemos como as coisas funcionam para interagir no mundo.

4ª fase: A construção de nossa segurança emocional.  Aqui, Carvalho coloca essa camada como sendo decisiva, pois caso o indivíduo, na infância, não tendo recebido afeto, quando na adolescência e na vida adulta, ele poderá se tornar  uma pessoa rejeitada e por isso um indivíduo que reclama de tudo na vida, uma pessoa que acha que o mundo lhe deve algo.  Ao meu ver, essa fase  pode ser aquela em que encontraremos a aceitação e a segurança emocionais e onde teremos a capacidade de lidar com o sentimento de rejeição, se porventura o temos. É a fase de superação da necessidade afetiva.

5ª fase: O ego/a autoconsciência. Nessa fase buscamos a vitória, onde sentimos o "orgulho" de sermos quem somos.  Coloquei orgulho entre aspas porque se ele for exacerbado o indivíduo pode tornar-se um déspota. Nessa fase,  o indivíduo pode vencer disputas para ganhar autoconfiança.  A ideia aqui é ir de encontro a uma autossatisfação que possa transformar o indivíduo num ser realizado com o que faz, com o que é, sem espezinhar os outros.

6ª fase: Conquista de habilidades/aptidão/vocação. Esta fase é a da obtenção de resultados positivos e práticos, o resultado material, o lucro/o dinheiro. Nessa fase,  também podem ocorrer prejuízos dos objetivos materiais.

7ª fase: A descoberta do dever social; o reconhecimento que devemos fazer algo pelos outros como um dos papéis sociais; compreender quem se é no grupo e sentir-se bem com essa situação.

8ª fase: O indivíduo diante da morte; distinção entre o bem e o mal; buscar o sentido da vida.  Em realidade, é mais comum o indivíduo reconhecer a morte como uma fase após os 60 anos, mas cada um de nós pode questionar-se sobre esse fato em qualquer idade, pois ninguém sabe o dia de sua morte.  Na minha opinião, todas as pessoas deveriam ser ensinadas sobre esse fato - a morte - desde tenra idade - afinal de contas, ela fatalmente chegará para todos nós, sem exceção...

9ª fase: A busca da verdade - a vida intelectual; não somente nossa verdade interior, mas a do mundo, a dos outros também.  Nossa forma de ver o mundo, a sociedade.  Esta fase é mais fácil de ser buscada com mais idade, mas temos jovens onde a maturidade sobre este tema aparece cedo na vida.

10ª fase: A vida moral.  Essa característica deveria ser educada/buscada/exemplificada desde sempre, em todos os momentos.  Ao meu ver, é o que traz bem estar interior ao indivíduo.  Ele deve buscar sua excelência moral para não só melhorar sua própria vida, mas também a vida daqueles com quem ele compartilha.

11ª fase: A nossa marca na história da civilização.  Carvalho coloca nessa camada a mudança consciente da história do mundo pelo indivíduo através de suas próprias ações.  Aqui compreendo que muitos indivíduos realmente deixaram sua marca.  Por exemplo, Gandhi, Jesus, Darwin, como marcas positivas e até Hitler, Mussolini, Stálin, como marcas negativas.  Então aqui cada um de nós, ao sair deste  mundo, terá deixado sua marca na família, nos amigos, na sociedade, em nosso microcosmo pessoal e, não necessariamente teremos que ser famosos.

12ª fase: O indivíduo diante de Deus.  O eu transcendental; quem é Deus para o indivíduo; nossa espiritualidade, nossa religiosidade.

Assim, como eu disse anteriormente, as fases podem ser vivenciadas em qualquer tempo da vida; algumas não terão importância para certos indivíduos e portanto não serão experienciadas.  Outros podem ter até as doze fases simultaneamente em momentos diferentes de suas vidas.  Acredito que o importante é conhecê-las e o que fazer ou não com elas, depende de nós.

Então, em qual fase você se encaixa neste exato momento?

Boa reflexão.








  




quarta-feira, 29 de setembro de 2021

O REVOLUCIONÁRIO PODER DO PENSAMENTO GLOBAL

Caros leitores amigos,

O texto desta semana foi provocado pela reflexão do TED Talk da escritora turca Elif Shafak que tem como título "O revolucionário poder do pensamento diverso/diversificado/diferente" (em tradução livre de "The revolutionary power of diverse thought").  Eu gostei muito da fala dela embora ela tivesse citado filósofos socialistas, ideologia a qual não concordo em muitos aspectos.  Essa fala foi há 3 anos, mas continua atual; foi antes da pandemia.

Nessa época em que o mundo está dividido politicamente em direita e esquerda, seu discurso trouxe ideias novas que não compactuam com essa noção dualista que os países adotaram como sendo a única verdadeira.

Todos os povos que ela citou e, incluiu-se num deles, são nações despedaçadas por governos ditatoriais e embora pareça que ela pertença à ala esquerda do mundo com a conhecemos, em realidade ela apenas está desse lado por causa de seu nascimento e/ou residência.

Bem, então supõe-se que ela fugiu (ela nasceu na Turquia, mas agora mora em Londres) para fazer parte da ala direita do mundo? Também não.

Então em que lugar da escala direita/esquerda ela pertence?  A resposta é: a nenhum dos dois lados.

Bem, tentarei transcrever o que ela nos trouxe em sua fala da melhor maneira possível.

No início do discurso de vinte minutos aproximadamente ela nos remete a "sentirmos" as palavras, ou melhor, a percebermos o sabor delas.  Algumas palavras têm um sabor bem diferente, tais como: criatividade, igualdade, amor, revolução e pátria.

Ela explica como muitas vezes frente a determinadas perguntas de seus leitores em dia de lançamento de seus livros, ela se calou com medo de falar o que pensa ou de dar uma resposta inadequada naquele momento.  Muitos assuntos são complexos e, agora, nessa palestra ela afirma que ninguém nunca deveria se calar para dizer o que pensa, nem ter medo de assuntos complexos.

Assim, falando de palavras agridoces quando ela se refere à sua pátria, a Turquia, surgem para ela emoções diferentes à respeito de sua própria pátria - embora tendo grande amor à ela, também experimenta uma grande frustração com seus políticos e então tem emoções e sentimentos de desespero, de medo, de raiva.

Para ela, os políticos prestam pouca atenção às emoções das pessoas.  A humanidade passa por um novo estágio na história mundial onde os sentimentos coletivos guiam as nações e os políticos.  As redes sociais polarizadas (não gosto dessa palavra, pois ela divide, separa, mas está na moda e foi a palavra que ela usou) alcançam a todos.

Emoções como ansiedade, ressentimento, medo, raiva, desconfiança não são levadas em conta, mas os políticos aproveitam essa circunstância para controlar e explorar os cidadãos como se houvessem dois campos imaginários opostos.

Ela faz uso de um conceito do filósofo polonês Zygmunt Bauman, falecido em 2017, para falar de países líquidos e países concretos sendo que, os líquidos (do oriente) estão em constante movimento, com águas turbulentas e os concretos (do ocidente) são países mais estáveis.

Nesses países líquidos há a necessidade dos ativismos, do feminismo (pois neles a mulher é a que mais sofre) e dos direitos humanos.  Quem vem desses países líquidos deve continuar lutando por esses valores essenciais à vida, como no caso dela.

Para ela, hoje vivemos em "ambientes líquidos" em quase todo o planeta.  Então, não há mais tão claramente a divisão em países líquidos e concretos.

Muitas vezes, ela continua, nos sentimos estranhos em nossa pátria; neste mundo cheio de desafios e diante de mudanças rápidas, muitas pessoas querem desacelerar e quando tudo é desconhecido as pessoas sentem saudades do familiar; quando as coisas ficam muito complicadas as pessoas desejam simplicidade.

Neste momento da história aparecem os demagogos: eles afirmam que vivemos em tribos, eles "conhecem" os sentimentos coletivos e dizem que estaremos mais seguros se estivermos junto com nossos iguais; eles não gostam da pluralidade, não sabem lidar com a multiplicidade.

Ela cita o filósofo alemão Adorno "A intolerância à ambiguidade é um sinal de uma personalidade autoritária". ( Parece a marca de nosso tempo?)

Os demagogos, ela continua, estão negando o nosso direito de sermos complexos.  O tribalismo encolhe as mentes e os corações.

Ela cita então o escritor iraniano/persa Hafiz: "Você carrega na alma todos os ingredientes necessários para transformar sua existência em felicidade.  Tudo o que você precisa fazer é misturar esses ingredientes."

Ela se considera uma alma global com conexões múltiplas e histórias múltiplas.  Para ela, os demagogos querem estimular a dualidade (concordo com ela).

Quase ao final ela cita o escritor e pensador libanês Khalil Gibran: "Aprendi o silêncio com os que falavam; tolerância com os intolerantes e bondade com os cruéis." Os demagogos populistas podem nos ensinar que a democracia é indispensável; com os isolacionistas aprenderemos a necessidade de uma solidariedade global e com os tribalistas aprenderemos a beleza da diversidade e do cosmopolitismo.

Ela finaliza afirmando que a pátria, a terra natal pode ser portátil; podemos carregá-la onde estivermos.  Concordo, pois afinal somos todos habitantes do planeta Terra que é a nossa pátria.

Assim como ela, finalizo com uma palavra: Liberdade - que sabor ela tem para você?

(Quem quiser assistir esse TED Talk, ele está no YouTube com legendas em português).

Até semana que vem!


 






quarta-feira, 22 de setembro de 2021

A GATA TRANFORMADA EM MULHER

Olá leitores,

Errata:  Antes de entrar no texto de hoje, gostaria de me desculpar.  Na postagem anterior, quando listei todos os textos do ano ficou faltando um texto: "O Destino do Herói" de 23.07.21, o qual versa sobre outra regra do novo livro de Jordan Peterson.

Então agora vamos à fábula de hoje.

"Uma gata mimosa, bela e delicada, era, para seu dono a coisa mais amada que havia neste mundo.

E o homem, desvairado e inconsequente, amava perdidamente essa gata além dos limites do que é normal.  Um dia ergueu os braços para o céu e, em prece, implorando aos deuses auxílio, fez promessas, orações e magias.  Tanto fez até que conseguiu dos deuses que aquele felino se transformasse em mulher: uma dama lindíssima, uma bela mulher, como convinha a todo homem.

Cego de amor, casou-se com ela.  Homem apaixonado, marido carinhoso, ele a adulava, embevecido pela beleza daquela, cuja origem felina ele havia esquecido completamente.  Para o homem, ela era uma mulher igual a todas as outras.

Numa noite, porém, alguns camundongos entraram no quarto conjugal.  A mulher sentiu a presença deles e, seguindo seus instintos de gata, começou a caçá-los.  Arqueada e ofegante, ela se atirou sobre os ratos, que escapam por um triz.

Ela não conseguiu da primeira vez, mas, na noite seguinte, com os sentidos mais aguçados pela experiência da véspera, assim que os camundongos apareceram, saltou do leito e, em posição felina, arremessou-se sobre eles e os apanhou.

Depois de conservar por muito tempo um licor, o vaso continua a guardar seu odor.  Não perde o pano a antiga dobra, por mais que se tente esticá-lo:  passado um tempo, ele a recobra.

O natural não sofre abalo quando escondido.  Só descansa.  Subitamente, entra na dança, e não há como refreá-lo, nem a bastão, espada ou lança.  Fecha-se a porta com tramela, e ei-lo que sai pela janela."

Hammed interpreta essa fábula, tendo como simbolismo principal a vocação.  Então, primeiramente, falemos sobre a vocação.

A palavra vocação vem do latim vocacio, que quer dizer chamado. No dicionário Aurélio, vocação é "1. Escolha, chamamento, predestinação; 2. Tendência, disposição, pendor; 3. Talento, aptidão.

Num artigo de "O Estado de São Paulo" publicado em 02.08.2003, o jurista, já falecido, Miguel Reale, afirma que existe a ideia de que "ao nascer, cada ser humano chega para exercer uma profissão determinada, para a qual estaria sendo chamado."

Assim podemos concluir que somos chamados a realizar determinada tarefa que nos auxiliará no nosso crescimento pessoal.  Quando seguimos em direção a esta vocação sentimos certa facilidade e certo prazer decorrente desta facilidade.  Entretanto muitos não a seguem como uma meta a ser alcançada e a utilizam como um hobby - então ainda sentem certa alegria na caminhada do dia-a-dia, mas há outros que nem ouvem esse chamado e são esses os que vivem suas vidas de maneira triste, mal humorados e tornam-se pessoas fracassadas e mal sucedidas.

Para Hammed é a "vocação que induz uma pessoa a escolher seu próprio caminho." Muitas vezes é graças à vocação que um indivíduo pode tornar-se um ser único, não se misturando às massas inconscientes nem se influenciando com o psiquismo delas.  Cada um de nós possui vidas,  personalidades diferentes - cada um de nós é um ser único com anseios, passados, características psicológicas e potenciais diferentes.  Quando não nos conhecemos, não olhamos para dentro de nós mesmos, não ouvimos o chamado e não seguimos a vocação que se nos apresenta, temos dificuldade para crescer e quando o fazemos, há muito sofrimento envolvido.

Miguel Reale, no seu já citado artigo, também menciona fatores físicos que podem determinar a atividade profissional.  No esporte, o mais alto pode tornar-se um bom jogador de basquete.  

Lembro-me de uma história de um homem que vivia num vilarejo e que se sentia mal por ser pequeno e de baixa estatura.  Certo dia, um menino havia caído dentro de um buraco e ele foi o único no vilarejo que pode entrar nesse buraco para retirar o menino, devido ao seu pequeno porte.  Então, ele sentiu-se bem e aceitou sua condição física, porque viu e compreendeu nela um propósito.

Cada um de nós deve aceitar sua condição física do jeito que é; a compleição física pode apresentar certas características que auxiliam a pessoa numa tarefa a ser executada.  Entretanto não se pode esquecer o livre arbítrio, a vontade e que em muitas circunstâncias há que se fazer ajuste no físico quando houver necessidade de viver uma vida mais plena - por exemplo, quando houver perigo de vida (obesidade mórbida, por exemplo).

Miguel Reale salienta também que "a vocação é um dom que exige preparo e educação." Ele afirma que "no mundo não se recebe nada de graça, sem estudo e dedicação." 

Juntando os conceitos dos dois pensadores, podemos concluir que quando seguimos nossa vocação, ou ouvimos o seu chamado, temos que nos preparar, estudar com afinco, para depois nos dedicarmos a realizar tal tarefa.  Uma coisa é o campo das ideias e outra é a ação propriamente dita.  E, sem a ação não há realização e não há crescimento pessoal.

Para Hammed, a vocação é "uma manifestação inerente e comum a todos" - não é um privilégio somente de grandes celebridades ou personalidades.  A vocação emerge, envolvendo todo o ser, trazendo à tona uma ideia principal ou um sentimento inato - é como "ouvir uma voz que nos é dirigida."

Toda essa reflexão a respeito da vocação encontra-se na expressão qüididade (no dicionário Aurélio: 1. A essência duma coisa; qualidade essencial; 2. O conjunto das condições que determinam um ser particular).

Hammed usa as expressões "é assim mesmo" e "as coisas são como são" para explicar qüididade, mas ela não tem a conotação de passividade, conformismo ou estagnação - mas designa a realidade essencial e natural das coisas.

Na filosofia, qüididade é "aquilo que faz com que a "coisa seja o que ela é"". Aristóteles em seus escritos usava a expressão "ousia": substância essencial.

Pode-se recorrer ao termo qüididade para dizer "o que é", "é natural que seja assim", "deve ser assim mesmo", quando alguém não se conforma com o modo de ser de uma pessoa ou de uma situação.

Muitas pessoas assemelham-se ao dono da gata da fábula - querem mudar a natureza das coisas e pessoas a qualquer preço - não compreendem que cada um entende a vida do jeito que a percebe, de acordo com sua personalidade, vive da maneira que quer ou que consegue e dá aquilo que possui dentro de si.

Quando se fala de disposições inatas, vocações e tendências pessoais, todos têm necessidades e características próprias de "ser como se é", "de estar onde e com quem desejar", tanto na vida pessoal quanto na social.

O progresso no Planeta Terra aconteceu e acontece desde que éramos "antropoides nus" até "especialistas vestidos".  Nessa caminhada evolutiva a humanidade apreendeu um apanhado de ferramentas intelectuais e/ou emocionais, úteis e produtivas, onde foi possível todos trabalharem juntos e se complementarem unidos, facilitando assim nossa evolução como espécie humana.  E, nessa jornada fomos adquirindo padrões naturais de conduta e desempenho, conhecidos hoje como vocações.

Hammed sugere que, com aquilo que foi explicitado até o presente momento, possamos buscar a verdade dentro de nós mesmos, criteriosamente, pois é este o local onde habita a fonte de sabedoria, que poderá nos trazer a paz com a nossa natureza e concomitantemente, a paz com a natureza dos outros.  Neste quesito, uma sugestão aos pais - na educação dos filhos é importante estar de olhos, ouvidos, mente e coração abertos para trazer à tona a verdadeira natureza deles.  A ideia é auxiliá-los a prestar atenção em suas tendências, disposições inatas, gostos e preferências e assim encontrar suas vocações.

Até aqui muita teoria, muito conhecimento no campo das ideias.  E quanto à ação - importante para o crescimento pessoal? Como percebermos a vida em nós?  Em textos anteriores falamos de quietude íntima, de reflexão, de meditação.  Na maioria das vezes, olhamos para fora e raras vezes olhamos para dentro de nós mesmos.  Já foi dito em inúmeras ocasiões que devemos olhar para nosso interior; mas que não podemos subestimar nosso exterior.  É através da vivência, do contato com outras pessoas e situações que descobrimos características de nossa personalidade.  Quando aquietamos nossos pensamentos, podemos observar essas situações com mais discernimento e entrar em contato com nossas tendências inatas.  "Depois de conservar por muito tempo um licor, o vaso continua a guardar seu odor.  Não perde o pano a antiga dobra, por mais que se tente esticá-lo: passado um tempo, ele a recobra."

Aqueles que têm uma espiritualidade/maturidade bem trabalhada, consciente, não ficam imaginando como as coisas deveriam ou poderiam ser.  Eles sabem que, para certas coisas, todos somos impotentes, e acreditam nesta verdade, portanto vivem de acordo com ela.  Essas pessoas sabem da possibilidade de aprimorar, aperfeiçoar a essência de algo ou alguém e, nunca alterá-la ou descaracterizá-la.  Eles têm o conhecimento de que é possível lapidar o diamante, mas não mudar a sua propriedade íntima; é possível entalhar e cortar a madeira, mas não transformar a sua natureza orgânica; é possível esculpir o mármore, mas não modificar a sua estrutura interna.

Por este motivo, essas pessoas sábias não se lastimam ou reclamam quando algo não sai a contento ou quando alguém não preenche as suas expectativas - eles apenas conseguem discernir o que pode ser mudado e o que não está fora de suas possibilidades, distinguem o que é qüididativo e declaram "é assim, assim seja".  Como eles sabem que as leis naturais regem o transcurso da vida, acompanham o fluir das modificações , intuitivamente deixam-se levar através do curso dos fatos e acontecimentos, sem tentar modificá-los de acordo com sua vontade.

Para não sermos corrompidos por devaneios, preconceitos, caprichos, obstinações e expectativas devemos perceber a Natureza (homem e coisas) em sua multiplicidade de seres diferentes, pois só assim atingiremos a verdadeira vida interior.

Cuidado com delírios alheios que possam nos induzir a uma maneira de viver que não condiz com nossos atributos naturais ou motivações internas;  cuidado com criações de "scripts" que outros nos escrevem de como deveríamos ser, ou de como deveríamos nos comportar.  Cada um de nós é um ser único em crescimento, com níveis diferentes de entendimento e, portanto, diferenças de comportamento.  

Assim como na fábula, não há como transformar gatos em seres humanos - porque gatos sempre serão gatos e homens sempre serão homens - não há como anular nossa índole - propensão natural, característica inerente a todas as criaturas.

Atualmente a humanidade, com raras exceções, convive presa a regras "desnaturadas", ou seja, distanciada da condição "natural" a que foi chamada a viver.

"O que é inato, natural e instintivo não se elimina - equilibra-se". Essa afirmação de Hammed é muito verdadeira. Em nossa caminhada, quando estamos em meio ao processo de crescimento pessoal, na dominação de nossos impulsos, quando achamos que já os dominamos e quando tomamos todas as precauções possíveis para afastá-los e impedi-los de se manifestar, eis que eles surgem na primeira oportunidade favorável - haja vista o exemplo da gata/mulher que assim que aparecem os ratos sai à caça deles.

Boa reflexão e boa semana!

Até!
















 

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

ANIVERSÁRIO - UM ANO DO BLOG REFLETINDO

Caros leitores,

Dia 17 de setembro de 2021 o blog Refletindo completa um ano de existência - foram 52 textos postados religiosamente um por semana como foi enunciado na primeira postagem com o título de "Apresentação" em 17 de setembro do ano passado.

Eu acredito ter realizado um bom trabalho; sinto-me grata por ter conseguido atingir a meta prometida.

No texto de hoje elencarei todos os 52 textos e um breve resumo de cada um deles; caso alguém tenha perdido e queira ler ou reler algum deles fica mais fácil de buscá-los pelos títulos.

17.09.20 - "Apresentação" - obviamente a apresentação e a proposta do blog Refletindo - reflexões causadas por livros, filmes, textos, fatos do cotidiano.

21.09.20 - "O Sentido da Vida" - reflexão sobre o livro de Viktor Frankl "Em Busca de Sentido" - criador da logoterapia, psiquiatra sobrevivente dos campos de concentração nazistas na Segunda Guerra Mundial.

29.09.20 - "Educação" - conceito de educação e reflexões sobre o livro de Sri Prem Baba "Transformando o sofrimento em alegria" o qual traz um capítulo sobre educação.

07.10.20 - "Mantenha-se ereto - com os ombros para trás e as costas retas" - reflexões sobre o livro de Jordan B. Peterson, um psicólogo clínico canadense contemporâneo "Doze regras para a vida"; o título da postagem refere-se à primeira regra.

12.10.20 - "Uma amizade inusitada" - reflexões sobre o documentário "Professor Polvo".

19.10.20 - "Como alguns hábitos do dia-a-dia levam à violência social" - reflexões sobre um TED Talk (Technology, Entertainment, Design) do YouTube de Christiane-Marie Abu Sarah de Dallas, Texas, EUA.

27.10.20 - "Nosso planeta, nossa morada" - reflexões sobre o documentário da National Geographic de David Attenborough "Nosso Planeta".

04.11.20 - "Você cuida de si mesmo?" - reflexão sobre a segunda regra do livro de Jordan B. Peterson "Doze regras para a vida".

10.11.20 - "Nossa vida depende delas" - reflexão sobre uma das minhas paixões - as árvores - reflito também sobre o livro "A vida secreta das árvores" de Peter Wholleben.

18.11.20 - "Mude de destino mudando de hábito" - sobre o livro de Gretchen Rubin "Melhor do que antes - o que aprendi sobre criar e abandonar hábitos". Adorei esse livro e foi ele que me deu a ideia de começar um blog.

25.11.20 - "A verdade que liberta" - o que é a verdade? Reflexões sobre as fake news/os boatos do cotidiano.

01.12.20 - "Seja amigo de pessoas que querem o seu melhor" - terceira regra do livro de Jordan Peterson já citado.

07.12.20 - "Ler ou não ler - eis a questão!" - reflexões sobre minha paixão principal - a leitura - com algumas dicas de livros.

14.12.20 - "Algumas reflexões sobre a vida em sociedade" - sobre a reciclagem de lixo; o racionamento de água aqui em Curitiba.

22.12.20 - "Fratelli Tutti" - "Todos Irmãos" - Parte I - sobre a encíclica do Papa Francisco de 04.10.20 - uma parte dela; ela é extensa e rica em boas ideias; coloquei Parte I mas ainda não me deu vontade de voltar à ela para escrever outras partes - quem sabe mais para a frente.

29.12.20 - "Você é um ser único" - quarta regra do livro de Jordan Peterson.

04.01.21 - "Ano Velho" - reflexões sobre o primeiro ano da pandemia.

12.01.21 - "Filhos, regras e limites" - quinta regra do livro de Jordan B. Peterson.

19.01.21 - "Seja impecável com a sua palavra" - reflexões sobre o livro "Os Quatro Compromissos" do tolteca Don Miguel Ruiz; o primeiro compromisso.

26.01.21 - "Não leve nada para o lado pessoal" - o segundo compromisso.

01.02.21 - "Não tire conclusões" - o terceiro compromisso.

11.02.21 - "Dê sempre o melhor de si" - o quarto e último compromisso.

16.02.21 - "Deixe sua casa em perfeita ordem antes de criticar o mundo" - sexta regra do livro de Jordan Peterson.

25.02.21 - "Recapitulações" - "Bloqueio do Escritor" - experiência pessoal do primeiro ano de pandemia.

04.03.21 - "Busque o que é significativo, não o que é conveniente" - sétima regra do livro de Jordan Peterson.

12.03.21 - "A ansiedade nossa de cada dia" - tópico sugerido por uma leitora - ansiedade.

19.03.21 - "Fale a verdade, ou, pelo menos, não minta" - oitava regra do livro de Jordan Peterson.

25.03.21 - "Escolha sua meditação" - reflexões sobre vários tipos de meditação.

01.04.21 - "Clube Paulista de Patinação - CPP" - reflexão sobre meus tempos de adolescência como patinadora e dicas na educação de filhos.

08.04.21 - "Saber ouvir" - nona regra do livro de Jordan Peterson.

15.04.21 - "Esopo/La Fontaine/La Rochefocauld/Hammed: Fábulas" - apresentação de uma série de textos sobre fábulas.

21.04.21 - "Medo do novo" - três fábulas sobre o medo do novo com cães, coelhos e um peixinho vermelho.

29.04.21 - "Seja preciso no que diz" - décima regra do livro de Jordan Peterson.

03.05.21 - "O corvo e a raposa" - a fábula.

14.05.21 - "O skate como forma de aprendizado" - décima primeira regra do livro de Jordan Peterson.

19.05.21 - "A rã e o boi" - a fábula.

26.05.21 - "Acaricie um gato quanto encontrar um na rua" - décima segunda e última regra do livro de Jordan Peterson.

02.06.21 - "O lobo e o cachorro" - a fábula.

12.06.21 - "Vícios - nós os temos ou eles nos têm?" - reflexões sobre um curso de 5 aulas que participei online com o psiquiatra Bruno Lamoglia na Plataforma da Brasil Paralelo.

16.06.21 - "Os dois alforjes" - a fábula.

24.06.21 - "A andorinha e os outros pássaros" - mais uma fábula.

28.06.21 - "Instituições e Regras X Criatividade Moral" - reflexões sobre o novo livro de Jordan B. Peterson "Além da Ordem - Mais doze regras para a vida" - primeira regra.

06.07.21 - "A raposa e as uvas" - outra fábula.

14.07.21 - "Coreia do Sul X Coreia do Norte" - reflexão causada por uma série coreana da Netflix "Pousando no Amor" que traz de maneira superficial o conflito entre as duas Coreias - trago também dados mais completos sobre a separação das Coreias pesquisados na Wikipédia.

28.07.21 - "A raposa e a cegonha" - outra fábula.

04.08.21 - "Omissão nos relacionamentos" - terceira regra do novo livro de Jordan Peterson.

11.08.21 - "O cachorro que trocou sua presa pelo reflexo" - outra fábula.

19.08.21 - "Todos estamos conectados" - reflexão causada por um vídeo do YouTube de um índio da tribo Hopi dos EUA.

26.08.21 - "O olho de Hórus" - a mitologia egípcia de Osíris, Set, Isis e Hórus contada na visão e reflexão de Jordan Peterson em outra regra de seu novo livro.

03.09.21 - "O moleiro, o menino e o burro" - outra fábula.

10.09.21 - "Abandone a ideologia" - sexta regra do novo livro de J. Peterson.

Bem, aí estão todos os títulos das postagens anteriores.  Espero continuar escrevendo e postando - gosto de escrever, me ajuda a refletir e evoluir.  Espero também que eu esteja ajudando os leitores a realizarem também suas reflexões e posterior autoconhecimento.

Boa semana!

Rumo ao segundo ano! Até!








 

FELIZ ANIVERSÁRIO!

Olá leitores, Dia 17 de setembro último o blog Refletindo completou 6 anos de existência.  Não sei se isso é um sucesso ou um exercício de d...