sexta-feira, 25 de novembro de 2022

BABYLON 5

Caros leitores amigos,

Na década de 90, mais precisamente de 1993 a 1999, assisti a uma série na Warner Bros (TV a cabo) chamada Babylon 5, a qual deixou marcas profundas em minha vida.  Na época, tinha começado a frequentar uma nova religião e essa série me fez refletir sobre isso.

A série é composta de 5 temporadas de 22 episódios cada.  Na ocasião ela passava só aos domingos à noite, na Warner, como já mencionei.  Eu tinha um casal de amigos que também assistia e toda semana nos reuníamos para discutir sobre os episódios - falávamos dos personagens, da trama, da moral, imaginávamos como cada personagem reagiria aos eventos.

"Babylon 5 é uma série de televisão americana, produzida e escrita por J. Michael Straczinsky. A série é construída em torno da estação espacial Babylon 5, um ponto central na política, diplomacia e conflitos durante os anos de 2257-2262." (Wikipédia).

O autor, Straczinsky, ao falar da série, "afirmou que queria que a série fosse  um espelho do mundo real e, secretamente, pudesse ensinar." E ensina.

De lá para cá, muitas vezes, lembrava dos episódios, da trama, tinha saudades e pensava como seria bom se pudesse assistí-la novamente, uma vez que agora podemos assistir os episódios de séries dos canais pagos quando quiséssemos.

Em 2020, durante a pandemia, resolvi buscar no Google a série e acabei encontrando que ela continuava "viva" entre os fãs.  Vi uma entrevista com o ator principal Bruce Boxleitner (ainda vivo, hoje com 72 anos) falando do lançamento digitalizado, remasterizado na HBO Max (aventou-se a possibilidade de uma nova versão com outros atores atuais, mas os fãs preferiram a tal da remasterização). Na época não havia HBO Max no Brasil.  Eu assinava e continuo assinando Netflix e Prime Video (Amazon).  Em fevereiro deste ano fui passar uns dias em casa de minha irmã que tem HBO Max (hoje já existe no Brasil) e qual não foi minha grata surpresa de, finalmente, encontrar Babylon 5.

Assim, hoje já consegui assistir novamente essa série fabulosa que me trouxe e traz muitas reflexões sobre a humanidade e suas relações, seus sentimentos, seu modo de viver.  A primeira temporada há um capitão da estação que depois das outras temporadas é trocada por outro e essa primeira temporada não é tão espetacular assim - é a apresentação dos personagens principais, as várias raças de alienígenas que habitam a estação espacial.  Da segunda temporada até a última - a quinta -  onde entra outro capitão, outro ator, existe de tudo: romance, aventura, suspense, guerras interplanetárias (não poderiam faltar num filme de ficção científica), política (muita política com suas intrigas e seus segredos).  Os efeitos especiais, apesar da década de 90 em que foi produzida, são primorosos.

Há também muita espiritualidade e psicologia - a última temporada e, principalmente nos dois últimos episódios dela, a emoção te leva às lágrimas - você acaba sabendo que sentirá saudades dos personagens. Um detalhe: muitos atores já são falecidos; a atriz principal faleceu o ano passado.

Em realidade, não sei bem o porquê  dessa série ter me impactado tanto no passado e agora também de uma maneira diferente.  Talvez pela moral envolvida na trama, mostrando que embora haja "alienígenas" entre nós, ou seja, embora sejamos diferentes - todos nós sentimos raiva, tristeza, emoção, sentimentos de vingança, alegria, amor em muitos momentos de nossas vidas.

Em Babylon 5 você consegue perceber que o autor colocou emoções e sentimentos humanos nos alienígenas e que cada raça de cada planeta apresentado tem um nível de evolução diferenciado - e você acaba se "apaixonando" por todos eles.

Para quem gosta de ficção científica com um pouco de filosofia, psicologia, espiritualidade, política, uma ficção científica onde podemos pensar sobre as questões da vida e de nosso cotidiano, eu recomendo.

Boa semana!

 







 

sábado, 19 de novembro de 2022

CONSCIÊNCIA DE ORGULHO

CICLO DE TEXTOS SOBRE SENSIBILIDADE HUMANA - PARTE 7

Olá amigos,

No dicionário Aurélio, orgulho é, entre outras definições, conceito elevado ou exagerado de si mesmo; amor próprio demasiado; soberba.

Cada ser humano é um ser pensante e por isso é produto de suas sensações e percepções.  

Através do livre arbítrio, nós é que decidimos de que modo interpretaremos as ações, os comportamentos e atitudes que acontecem em nossa vida.  Tudo o que acontece em nossa existência tem o valor e o sentido exatos que nós lhes atribuímos.  Mas nosso livre arbítrio pode ser exercido de maneira consciente ou inconsciente.  Para tomarmos as rédeas de nossa vida com firmeza é necessário o tão falado autoconhecimento.  É necessário nos percebermo-nos em nossos atos diários frente ao mundo - em nossos relacionamentos pessoais, profissionais, amorosos, familiares. É preciso analisar as sensações que nos chegam de fora e vem de encontro aos nossos centros nervosos causando bem estar e/ou mal estar.

Como modificar padrões de pensamento sem perceber o que sentimos? Aquele que não faz esta autoanálise age por impulso, inconscientemente, e não educa sua personalidade.

Vale lembrar que, em muitos momentos, percebemos as coisas não como elas são, mas como nós somos. Nossos cinco sentidos podem por vezes nos auxiliar, no que diz respeito à nossa maneira de ser e ver as coisas, mas o sexto sentido - a sensação - pode nos auxiliar a ver a realidade.  Quanto maior é o nosso desenvolvimento interno, maior é a nossa capacidade de discernimento das coisas. É essa capacidade de discernimento que faz com que nós possamos captar forças psíquicas do mundo que nos cerca.

A maioria de nós tem tão pouco conhecimento de nossas percepções que somos incapazes de manter relações duráveis ou até sinceramente afetivas.  Muitas vezes quebramos relações pessoais e não percebemos onde foi que erramos - achamos até que foi o outro que interpretou erroneamente nossas ações.  Em geral, em muitas ocasiões, neste caso, são as duas pessoas que não se autoconheciam.

A pessoa orgulhosa baseia sua existência no ego, onde predominam as ilusões. Ela está mais interessada no modo como se apresenta do que no modo como sente.  Age distante de sua intimidade; valoriza nomes importantes e títulos, possui atitudes moralistas ou regras rígidas e tem tendência a ser pretensiosa.  Quer ter a aparência do que não é e desta maneira perde a criatividade, a originalidade e a sinceridade.  O orgulhoso concentra -se nos seus próprios interesses, mas lhe falta os verdadeiros valores internos - ética, bom senso, sensibilidade e naturalidade.

Tudo o que faz, o faz para exaltação de si mesmo, e muitas vezes, é incapaz de distinguir entre realmente o que é e o "eu idealizado" que fantasia ser.  Ele é um enamorado de sua autoimagem, um Narciso e para tanto se identifica com a imagem de poder imaginário tipo "todos são menos do que eu".

Enfim, ele tem dificuldade de ser genuíno, verdadeiro, despretensioso porque não tem contato com os próprios sentimentos e como estes são uma realidade importante da vida humana, pouco a pouco, em sua vida acontece uma séria descompensação emocional. Por isso o ponto principal para a erradicação do orgulho em sua vida é o contato direto com suas próprias emoções e sentimentos e a busca, através da percepção dos mesmos, pelo bem estar, a harmonia e o equilíbrio interior.  Esse é um caminho possível para a conscientização do orgulho e sua posterior erradicação.

Entretanto, atentemos para o detalhe de que não podem ser considerados orgulhosos aqueles que têm interesse pela boa apresentação pessoal ou que procuram manter-se arrumados, asseados.  Não confundir esmero saudável com endeusamento pela própria imagem.  A boa educação nos compele a apresentarmo-nos perante os outros com asseio corporal e boa apresentação - pessoas desleixadas ou indolentes em sua aparência podem denotar pessoas emocionalmente perturbadas.  Essa parte da estética, do bom parecer constitui parte do modo de vida natural.

Para darmos início ou continuidade na erradicação do orgulho em nossas vidas atuais, Hammed, em seu livro "A imensidão dos Sentidos", aponta algumas medidas:

- não ficar facilmente magoado com a crítica ou desaprovação dos outros;

- desenvolver a autoconfiança, não se preocupando com o medo de ser rejeitado ou abandonado;

- promover o senso de valor, aceitando seus próprios sentimentos e experiências íntimas;

- estar aberto à aprendizagem, tomando decisões sem procurar excessivamente o conselho das pessoas;

- não lutar para controlar e mandar, mas se tornar a própria fonte de satisfação ou prazer;

- não perder a identidade, aprendendo a viver sem a simbiose familiar, social, profissional, religiosa e assim por diante;

- sentir, pensar e agir e nunca utilizar a "imaginação fantasiosa", subestimando a experiência.

Essas instruções se colocadas em prática, poderão trazer um estado de consciência mais pleno onde poderemos aprender sobre quem realmente somos e quem poderemos vir a ser e melhorar o nosso relacionamento com os outros.

Então, a situação política atual em nossa pátria, me levou a pesquisar sobre esse assunto em vista de certas personalidades atuantes nesse meio demonstrarem esse tal de orgulho.  Todos nós o demonstramos em alguns momentos de nossa vida, mas existem pessoas que tal sentimento é tão patente que fica difícil não o percebermos, apontarmos, criticarmos e nos surpreendermos.  Muitas vezes a soberba é tão grande que pode chegar a apresentar delírios de grandeza, apresentando problemas mentais.

Boa reflexão! Boa semana!






 

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

PÁTRIA AMADA, BRASIL!

Caros amigos leitores,

Nesse momento único em nossa história eu não me atreveria a escrever sobre outra coisa.

Embora tenha afirmado que este momento é único, não é verdade.  Em 1964 tivemos um evento similar - na época eu estava com sete anos, então não me recordo dele, entretanto tenho ouvido relatos dos mais velhos - meu marido, por exemplo, estava com 14 anos naquele período e ele tem mais lembranças dos acontecimentos do que eu.

Naquela data as forças armadas também auxiliaram o povo.

Durante os últimos quatro anos, minha mente expandiu-se para além de tudo o que eu conhecida como vida corrente.  Eu vivia na zona de conforto - minha casa, minha família, meu trabalho, meu lazer, meus interesses pessoais, minha espiritualidade inquestionável.  E então a confusão deu início.  A pandemia, a truculência dos governantes, a mentira, os segredos, a manipulação dos políticos, a mudança no idioma, o caos global.

Hoje, depois desse período ter passado eu agradeço ao Plano Maior do Planeta, embora quando no meio do furacão não entendia nada.  Durante os dois anos "benéficos" da pandemia, li muito, estudei muito, mudei conceitos sobre o mundo, fiz muita meditação, expandi meus conceitos espirituais para além de uma religião contida com seus dogmas (todas os têm), suas regras de conduta, aprendi sobre economia e política (continuo aprendendo e lendo muito).

E então outro furacão aconteceu em minha vida (aliás, na vida de muitas pessoas) - um presidente da república populista de direita - até o termo parece estranho - mas quando ouvi alguém usá-lo, adotei-o como coerente.  Outro momento de agradecimento aos céus.  Pouco a pouco comecei a ver o Brasil como um país possível de ser vivenciado com dignidade, alegria, honra e mais que tudo - com liberdade.

Em realidade, não estou preocupada se você leitor, discorda de mim.  A ideia desse blog é trazer reflexão - não concordar comigo é também um exercício muito bem vindo de liberdade.

Hoje consegui resgatar meu patriotismo - ele existia quando eu estava no ginásio - era o período do dito temeroso "regime militar", onde tive um estudo exemplar e momentos de alegria, descontração e liberdade na escola pública estadual em São Paulo onde estudei.  Hoje amo nossa bandeira e me emociono ao cantar o hino nacional.  Hoje compreendo que sim, o Brasil tem chance de ser o gigante do mundo - o provedor de alimentos, a alegria contagiante do povo - povo esse que se alegra, mas também um povo trabalhador.

Pátria amada querida tanto tempo adormecida, esquecida, desorientada, negligenciada - hoje estás sendo resgatada por aqueles que querem que tu possas dar certo - por aqueles que saíram de um torpor contagiante, anestesiante, por aqueles que valorizam a família, a vida, a moral e a espiritualidade, por aqueles que finalmente perceberam que não eram livres, nunca o foram, e que agora conseguiram a chance de lutar pela liberdade.

Pátria amada querida, um filho teu não foge à luta, um povo heroico bradou, e o sol da liberdade está brilhando no nosso céu - gigante pela própria natureza, forte, colosso, com um futuro grandioso.  Terra adorada!  Nossos campos têm flores, os bosques têm vida - verde, amarelo, azul, branco - cores de nossa bandeira antes esquecida.

Hoje minha homenagem é a todos nós que estamos lutando contra forças que querem nos escravizar, vilipendiar, destruir nossa liberdade de ir e vir e mais que tudo, nossa liberdade de pensar.  Patriotas coragem - não desistir - jamais desistir - quanto mais tempo resistirmos, mais doce será a vitória - ela é certa!  Não caiam em manipulações dos políticos - o povo (nós) é soberano.  Para viver com dignidade e liberdade é necessário lutar por elas - quem não luta, não vivencia  a vitória com plenitude.

Esse é o recado que resolvi ofertar a vocês hoje. Reflitam se vale a pena viver sem liberdade! Avante Brasil!

Boa semana!



 


 

sábado, 5 de novembro de 2022

"O PROCESSO"

Caros leitores,

O livro do mês de nosso Clube de Leitura foi "O Processo" de Franz Kafka.  Há muito tempo atrás o único livro que li desse autor foi "A Metamorfose" do qual só me lembro da essência.

"O Processo" relata a história de Joseph K. que é considerado culpado de um crime no qual ele não conhece; há um processo correndo no tribunal, mas ele também não sabe em que pé está.  O livro foi escrito entre os anos de 1914 e 1915, mas só foi publicado postumamente em 1925.

Achei sua leitura fluida, mas senti muito mal estar tamanha a confusão do sistema judiciário da época e do local - um país do leste europeu, provavelmente a Tchecoslováquia (hoje República Tcheca), nacionalidade do autor.

A sensação que tive foi a mesma quando li "Crime e Castigo" de Dostoievsky - opressão!  Embora, como disse, sua leitura é fluida, o clima do livro é pesado e as situações chegam a ser bizarras - muitas vezes, imaginei que se tratasse de um sonho do personagem.  Mas não o era.

Uma pessoa do grupo gostou do livro e o comparou com nosso sistema judiciário atual - a mesma confusão de ideias, segredos, distorções do sistema jurídico - até concordei com ela - houve uma sincronicidade da escolha desse livro para ler nesse exato momento da história.

Na introdução do livro há uma biografia do autor - gosto sempre de saber um pouco sobre a vida do escritor do livro - sempre há similaridade da obra com a vida dele - neste caso não é diferente.  O livro, ao meu ver, retrata muito bem o conflito interno que Kafka tinha em relação ao seu pai - o pai era rígido, distante e pouco carinhoso com ele - mas era um pai eficiente que não deixava faltar nada em casa.  Eu diria que Kafka sempre sentiu-se em débito em relação à figura paterna - é como se ele nunca tivesse preenchido as expectativas do pai.  Então em "O Processo" ele é culpado de um crime ao qual ele desconhece, mas quer compreendê-lo e então "segue" todas as pistas para descobrir suas nuances, mas nunca obtém êxito nessa empreitada. É como um esforço para compreender o pai - mas até a morte dele (do pai) ele não conseguiu.

Boa semana!


 

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

BUSQUE A INSPIRAÇÃO PARA CRIAR

CICLO DE TEXTOS SOBRE SENSIBILIDADE HUMANA - PARTE 6

Caros amigos,

No dicionário Aurélio, Criar é, entre outras definições, dar princípio a, produzir, inventar, imaginar, suscitar, donde Criatividade é a capacidade de criar algo baseado no já existente.

A criatividade é de grande importância se quisermos modificar, transformar nossas atitudes para obter uma vida mais leve, mais tranquila, mais harmoniosa.

Quando falamos de criatividade temos que compreender que ela é ampla e de múltiplas facetas e variadas escolhas.  Muitas vezes aparece de forma involuntária, quando o indivíduo não faz uso de sua vontade ou até automática, quando o indivíduo faz uso do hábito ao realizar alguma coisa.

Como nossas escolhas estão condicionadas à nossa maneira de perceber a vida, como já foi dito anteriormente, o ato de criar está subordinado à nossa capacidade de associação.  Quando melhoramos nossa habilidade de interconectar as coisas, conseguimos que uma ideia contate outras.  Vale lembrar que desenvolvemos "pensamentos férteis" na medida em que nos conhecemos e descobrimos nossas necessidades e nossos desejos.  Quando analisamos nossos gostos e desgostos e posteriormente refletimos sobre eles, temos a chance de, voluntariamente, criar novos hábitos e, para um melhor equilíbrio existencial, novos hábitos mais saudáveis.

Assim como o autoconhecimento é auto libertador, a criatividade também prospera num ambiente de independência tendo como força propulsora a satisfação, a alegria, o prazer, o contentamento.  Onde haja um ambiente supercrítico, não há liberdade de agir e de pensar.  Há que se ter liberdade para criar.

Fator importante e porque não dizer preponderante deste texto de hoje é a inspiração - o ser criativo mantém forte ligação com a inspiração; ele olha o mundo com grande visão de liberdade interior.  O ser criativo resolve seus conflitos revendo seus valores particulares, buscando novas ideias, reorganizando, desta maneira, sua vida íntima.

No dicionário Aurélio, inspiração é a) qualquer estímulo ao pensamento ou à atividade criadora; b) por extensão, o resultado de uma atividade inspiradora; c) pessoa ou coisa que inspira; inspirador.

Quando o indivíduo está amadurecido espiritualmente, como sabe que é portador de uma faculdade extra-sensorial, sabe também que existem muitos modos de evoluir e viver no planeta; por conseguinte, ele também sabe que seu jeito de ser é único, assim como cada pessoa é única em sua personalidade.  Por isso, esse indivíduo que tem maturidade espiritual, está prestando atenção constante à lições particulares que a vida apresenta para que ele possa desenvolver-se e, portanto, progredir.  Ele que é um ser inspirado entende que não sabe as respostas para todos os conflitos que sua existência apresenta.

Bem, se não somos esse ser inspirado, amadurecido espiritualmente, o que podemos fazer para nos tornarmos um? Uma boa dica é procurar abordar a vida com os olhos de uma criança, não no sentido literal, infantilizado, ingênuo, mas de uma maneira livre , usando a imaginação, buscando trazer ao espírito uma personalidade imaculada, ainda não influenciada por normas e regras rígidas e preconceituosas da sociedade.

Talvez Jesus, em sua frase "Deixai vir a mim as criancinhas", quis falar da pureza de coração, da naturalidade, da sinceridade, qualidades essas dos infantes ainda não imersos nos conflitos sociais.  No período da infância ocorre o auge da espontaneidade da criatura - um dos campos propícios para a inspiração ou criatividade.

Nós, quando nos tornamos adultos, nos esquecemos dessa fase inicial de nossa vida, fase das perguntas, dos "porquês", da reflexão.  Preocupados com nossos afazeres, nosso trabalho, nossos deveres como pais, tios, filhos, profissionais, cidadãos, nos esquecemos de olhar o mundo como ele se nos apresenta, esquecemos de que um dia já fomos crianças e já usamos de nossa imaginação para interagir com os outros, com as coisas, com as situações.  Busquemos dentro de nós essa criança ávida por conhecer lugares novos, pessoas novas, novas situações.  A imaginação, a criatividade nos auxiliam a descobrir dentro de nós as respostas para nossos conflitos existenciais e assim, reencontrar o caminho perdido em direção aos nossos objetivos, conquistando uma vida mais plena de vitalidade e paz interior.

As lições da natureza no dia-a-dia nos ensinam que a "Voz de Deus" em nosso interior é a fonte inesgotável de toda criatividade e que, muitas vezes, esse diálogo acontece dentro de nós, através da linguagem da sensibilidade e do amor.

Se tratarmos nossa vida como uma grande aventura, sabendo que ela pode trazer riscos, obstáculos, dificuldades, com certeza ao final, acharemos aquele tesouro escondido no recôndito de nosso ser, lugar onde sempre esteve, mas que Deus deu-nos a oportunidade de descobrirmos por nós mesmos, pois Ele sabe que nossa satisfação e nossa sensação de bem-estar seriam mais plenas.

Boa semana!







quarta-feira, 12 de outubro de 2022

O MEDO

 Caros amigos,

"...o ser humano é, na verdade, um aglomerado de substância viva, uma imensa colônia celular, mas nela se observam, além das atividades próprias da vida "elementar" de cada uma de suas micro partes, outras - globais, individuais, inter e supra celulares ou pessoais - que lhe imprimem um peculiar modo de viver e comportar-se, assegurando não só sua sobrevivência no espaço e no tempo, como sua expansão e transcendência em outro plano, mais recente: o plano super pessoal ou social." Emilio Mira y López

O texto de hoje foi me sugerido por uma palestra que assisti há uns quinze dias atrás sobre o medo.  No dicionário Aurélio medo é: 1. Sentimento de viva inquietação ante a noção dum perigo real ou imaginário, de uma ameaça; susto, pavor, temor, terror. 2. Receio.

Nos dois anos da "pandemia", esse sentimento esteve presente em muitas pessoas.  Os meios de comunicação foram, em parte, responsáveis pela onda de "pânico" que se espalhou pelo planeta - as autoridades governamentais também deram sua contribuição para esse evento - entretanto, ao meu ver, a maioria das pessoas acometidas do medo foram aquelas fragilizadas por sua insegurança interior.  Além da insegurança outros fatores foram responsáveis - a falta de fé, o reconhecimento da própria finitude - não houve apenas medo de perder a vida, mas o medo de perder pais, parentes, amigos - todos estiveram frente a frente com a morte, como se ela não fosse natural, como se esse não fosse o fim de todos nós.  Porém, mesmo aqueles que estavam razoavelmente conscientes desta etapa da vida não gostariam de saber que talvez sua hora tivesse chegado - o medo juntou-se à tristeza daqueles que não queriam deixar essa existência.  Mesmo as pessoas que acreditavam/acreditam numa vida após a morte sentiram o tal do medo.

Agora que o fantasma da doença dita mortal foi afastado, a vida tenta voltar ao "normal" - mas para muitos esse normal não é mais o mesmo.  Nesses dois anos muitas perdas ocorreram - vidas, bens materiais, lares desfeitos, sequelas da epidemia, não somente devido ao contágio com a doença, mas sequelas do medo.

Atualmente existe em nosso país (mas acredito que em outros países o mesmo esteja ocorrendo) o medo de quem irá "ganhar" as eleições presidenciais - cada um, ao seu modo, luta para que seu candidato seja o vencedor e também acredita que ele trará um "novo" Brasil - mal imaginam que, se cada pessoa não fizer a sua parte na rede da sociedade, o "novo" Brasil não acontecerá.

Os dois anos do "fique em casa" tolheram a liberdade de todos mas, trouxeram a oportunidade da reflexão, da interiorização, de questões tais como "o que estou fazendo com minha vida?" "qual o meu papel em minha família, na sociedade?" "quem sou eu?" "o que gosto de fazer?" "o que não gosto de fazer?" "o que pretendo fazer do meu presente para melhorar o meu futuro?"

Assim, aqueles que aproveitaram a reclusão para essa prática, hoje se encaminham melhor para seus próprios objetivos, podendo trazer benfeitorias para si mesmos e para aqueles que vivem perto deles, podendo, em larga escala, trazer benefícios a todos.  Entretanto, existem os que ficaram na retaguarda, com medo, como que aguardando uma nova catástrofe, sem confiança no futuro, e não vivendo, apenas vegetando - com medo de viver.

Hammed em seu livro "As dores da alma" afirma: " O resultado do medo em nossas vidas será a perda do nosso poder de pensar e agir com espontaneidade." Isso ficou bastante claro durante a pandemia e hoje, aos poucos se dilui, mas devido a tal da "polarização" na área política essa característica está crescendo - hoje muitas pessoas têm receio/medo de expressarem suas preferências não somente políticas, mas preferências sobre outros aspectos da vida.

Alguém já disse "dividir para governar" é o ideal de poder de um governante - e nessa hora, sempre me pergunto: qual é a vantagem, o benefício e a dignidade de governar para cidadãos que estão eternamente em luta, em conflito? O governante sábio, para mim, é aquele que pode administrar o povo quando este está satisfeito, livre e em paz - onde cada cidadão pode crescer, evoluir, caminhando em direção aos seus objetivos, enfrentando desafios da melhor maneira possível.

Então, como sair da "zona" do medo?

O medo pode andar de mãos dadas com o desconhecido - geralmente temos medo daquilo que não conhecemos.  Nos casos citados - pandemia e resultado das eleições - até podemos dizer que são circunstâncias conhecidas.  Mira y López em seu livro "Quatro gigantes da alma" traz alguns antídotos contra o medo, ou melhor, como sair dele, livrar-se dele, uma vez que ele já se tornou parte da vida:

-identificação do objeto e causa do medo;

- seleção das armas para combatê-lo;

- analisar os motivos da vulnerabilidade à ele;

- observar deficiências de : alimentação, sono, temperatura, líquidos, repouso, lazer, etc.;

- adotar: normas de higiene, dietéticas, ginásticas, ou medicamentosas adequadas aos casos do item anterior;

-agir para aumentar a confiança em si;

- resolver, responder as perguntas: "Quem sou eu?" "Que valho?" "Quais são minhas possibilidades de ação?" ;

- decidir o que irá fazer na realidade, baseado no que lhe agrada e no que deve fazer.

Essas medidas, em minha opinião, podem ser o início de um auto tratamento para lidar com nossos medos internos.  Eu incluiria o cultivo da arte - música, dança, pintura, cinema, leitura - são práticas que nos afastam do pessimismo e nos preenchem de bem estar e espiritualidade.

Joanna de Ângelis em seu livro "Conflitos Existenciais" afirma que "A grande terapia para todos os tipos de medo é a do amor.  O amor a si mesmo, ao seu próximo e a Deus."

Transcrevo aqui sua explanação sobre esse amor a si mesmo, ao próximo e a Deus:

"A si mesmo, de forma respeitosa e racional, considerando a utilidade da existência e o que a vida espera de cada um, desde que todos somente esperam da vida a sua contribuição.  Quando diminuam ou desapareçam as doações que a vida oferece, chega o momento da retribuição, no qual é preciso que se lhe dê sustentação, harmonia para que o melhor possa acontecer em relação aos demais."

"Nesse raciocínio a doação expressa-se o amor ao próximo, mediante o qual a vida adquire sentido e o relacionamento se vitaliza; porque centrado no interesse pelo bem-estar do outro, irradia-se bondade e ternura em seu benefício, sem o propósito negocista de receber-se compensação."

"Esse intercâmbio que une as criaturas umas às outras, leva-as à afeição pela Natureza e por todas as formas vivas ou não, alcançando o excelente amor a Deus, no esforço de preservação de tudo."

Hoje, desejo a todos uma boa semana e um bom trabalho de introspecção!




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terça-feira, 4 de outubro de 2022

MECANISMOS DE DEFESA - CICLOS DE TEXTOS SOBRE SENSIBILIDADE HUMANA - PARTE 5

Caros amigos leitores,

Hoje falaremos sobre a importância do conhecimento de nossos sentimentos e emoções.  Para este aprofundamento, vejamos as definições dessas duas palavras, de acordo com o dicionário Aurélio:

Sentimento: 1. Ato ou efeito de sentir (-se); 2. Faculdade de conhecer, perceber, apreciar, percepção, noção, senso; 3. Disposição afetiva em relação às coisas de ordem moral ou intelectual.

Sentimentos: 1. O conjunto das qualidades morais do indivíduo.

Emoção: 1. Ato de mover (moralmente); 2. Abalo moral, comoção.

Todas as vezes que uma situação se nos apresenta temos uma emoção frente a ela, que por sua vez traduz um sentimento e este nada mais é que o reflexo de nossa história de vida, ou seja, nossas experiências passadas, nossa busca de sentido na vida presente e a construção de nosso potencial futuro.

Cada vez que sentimos  alguma coisa, essa sensação nos mostrará uma característica de nossa personalidade.  Novamente falamos aqui do autoconhecimento.  Então, frente a um sentimento não podemos nos intimidar ou fingir que não o estamos percebendo - ao contrário devemos deixá-lo simplesmente FLUIR. Qualquer julgamento precipitado poderá distorcer o aprendizado do mesmo.  Como vamos realmente realizar mudanças em nossos comportamentos ou atitudes, isto é, em nossa personalidade, se não queremos saber quem somos nem quando estamos "a sós" com nós mesmos, no recôndito de nossos seres?

Freud enumerou mecanismos de defesa que usamos quando não queremos ou não conseguimos aceitar algumas características em nossas personalidades.  Esses mecanismos, como a palavra já diz, "defendem" o ego da ansiedade de ter que enfrentar os obstáculos e percalços da existência.  Eles são úteis temporariamente, quando ainda não temos bagagem suficiente para enfrentar a viagem da vida.  Porém, eles são um obstáculo ao crescimento, uma vez que aquilo que não quero ver, também não posso mudar.

Rapidamente vamos citar alguns que nos interessam aqui e defini-los para compreendê-los.  São eles: Repressão, Negação, Racionalização e Projeção.

Repressão: Para não entrar em contato com a realidade tanto externa quanto interna, com esse mecanismo o indivíduo evita a realidade.  Esse mecanismo afasta da consciência uma ideia, evento ou percepção que possa provocar ansiedade e com isso torna-se impossível uma solução.  Mas, os elementos reprimidos continuam a fazer parte do indivíduo.  Exemplos temos de repressão, algumas doenças psicossomáticas, tais como asma, artrite, úlcera, etc.  Há também a possibilidade de um cansaço excessivo, uma vez que o indivíduo gasta energia para reprimir o que não quer ver.  Não seria mais útil e producente usar esta energia para autoconhecimento para mudar padrões de comportamento que estão trazendo sofrimento?

Negação: Neste mecanismo o indivíduo simplesmente exclui a realidade.  A negação é a tentativa de não aceitar na realidade um fato que o perturba.  Um exemplo desse mecanismo é quando uma pessoa vai contar um acontecimento, recorda dos fatos de forma vívida, entretanto depois mais tarde pode lembrar-se do incidente de forma diferente e pode dar-se conta de que a primeira vez que contara o fato estava usando da construção defensiva, ou seja, negava as características do mesmo.

Racionalização: Na racionalização o indivíduo redefine a realidade - é o processo de encontrar motivos aceitáveis para pensamentos e ações inaceitáveis.  As seguintes afirmações podem ser consideradas exemplos de racionalizações; as afirmações entre parênteses são as possíveis razões não expressas:

1. "Eu só estou fazendo isto para o seu próprio bem." (Eu quero fazer isto para você.  Eu não quero que me façam isto.  Eu até mesmo quero que você sofra um pouco).

2. "O experimento foi uma continuação lógica do meu trabalho anterior." (Eu comecei com um erro, mas tive sorte quanto ao fato dele ter dado certo).

3. "Eu acho que estou apaixonado por você." (Estou "ligado" no teu corpo, quero que você relaxe e se "ligue" no meu).

Projeção: Com este mecanismo de defesa, o indivíduo "coloca" sentimentos internos no mundo externo.  Esse mecanismo já foi visto em textos anteriores.  Quando critico o outro numa característica que me incomoda é porque também tenho esta característica em mim, mas não a reconheço como minha.  Para características positivas isto também é válido.  Quando elogio ou admiro exageradamente uma característica alheia é porque eu também a possuo, mas não a percebo ou a aceito como fazendo parte de minha personalidade.

Como foi dito antes, esses mecanismos podem e devem, em algumas circunstâncias e com alguns indivíduos, fazer parte de suas vidas.  Entretanto, com o conhecimento de si e do mundo que o cerca, e com a maturidade espiritual, não há mais necessidade de fazer uso deles.

Como a causa de tudo está dentro e não fora de nós, quando conhecemos os verdadeiros motivos de tudo que impele nossas ações, temos como dirigir nossos sentimentos, conseguindo vislumbrar o que é certo fazer e assim decidindo o que é melhor para nosso crescimento interior.

Quando alguém não percebe claramente os sentimentos que antecedem suas ações, altera sua percepção das pessoas e situações, porque está preso num quarto escuro de sua "casa mental" - lá onde forças envolventes o enredam, tirando o comando da vida de suas mãos.

Para que isso não ocorra, devemos fazer de nossos sentidos, nossos aliados, pois que são guias de interpretação de nossa vida interior.

O desconhecimento de nós mesmos nos leva a uma abundância de comportamentos, e, por conseguinte, a uma confusão de "eus" incoerentes.

Mas, devemos nos animar e nos alegrar porque nossos "sentimentos inadequados" são nossos grandes mestres.  Quando temos uma conduta invejosa numa determinada situação, podemos transformá-la em atitude oposta, ou seja, a admiração.  Tudo são uma questão de oportunidade, percepção, vontade e disciplina - a oportunidade Deus nos concede, a percepção que a busquemos com discernimento, e, a vontade e a disciplina que nos habituemos a elas para realizar nossa caminhada ascensional com mais facilidade e consciência.

A conduta invejosa pode nos oferecer uma grande oportunidade para o crescimento íntimo e uma vida mais madura social e espiritualmente.

Os enganos do passado podem se transformar nas virtudes do presente e, se hoje ainda falhamos com disciplina, vontade e conscientização, no futuro, provavelmente, acertaremos.

O texto acabou saindo longo e denso, mas espero que tenham entendido o básico.  Para compreendermos melhor a sensibilidade humana, esses mecanismos são de uma grande ajuda.  A pergunta que fica no ar é: para que preciso de autoconhecimento? Para ter uma vida mais leve, mais tranquila e com a sensação de estar realizando o melhor que posso para caminhar em direção à felicidade e ao objetivo almejado.

Boa reflexão e boa semana!

Até!













 






 

FELIZ ANIVERSÁRIO!

Olá leitores, Dia 17 de setembro último o blog Refletindo completou 6 anos de existência.  Não sei se isso é um sucesso ou um exercício de d...