sábado, 23 de agosto de 2025

O FAROL E A LIBÉLULA

Caros leitores,

O livro do mês de agosto de nosso Clube de Leitura foi de autoria de uma escritora canadense premiada.  "O Farol e a Libélula" é seu primeiro romance para adultos.  O nome dela é Jean E. Pendziwol e "ela mora aos pés das montanhas Nor'Wester, perto do Lago Superior, e tira sua inspiração para escrever da rica história, da cultura e da geografia do noroeste de Ontário, no Canadá.  Ela tem três filhos adultos, um vira-lata amável e várias galinhas temperamentais, todos ocasionalmente visitados por cervos, raposas, lobos e ursos."

A obra foi escrita em 2017 com o título original em inglês de "Lightkeeper's Daughters" ("As filhas do faroleiro").  Acredito que o título em português foi adotado por ser mais poético, em minha opinião, e talvez por chamar a atenção.

Todos do clube, inclusive eu, amaram sua leitura.

A escritora colocou duas narradoras "Elizabeth" e "Morgan" e os capítulos vêm com os nomes da duas personagens e escritos intercaladamente. O início foi um pouco difícil de engrenar na história mas depois que você se acostumava com o estilo da autora, a leitura foi ficando mais fluida.

Assim como os filmes e as séries atuais, a narrativa também se intercalava muitas vezes entre o presente e o passado.  Como há muitos personagens eu fui fazendo, no decorrer de sua leitura, uma ficha com os nomes deles e suas relações com os outros.  Apesar de tudo isso que parece desgastante, quando se chega ao final da história, não há como não amá-la.  Esse é um daqueles livros que você fica com saudades dos personagens, do local e da história embora pareça de difícil compreensão no início, a autora se esmerou no suspense, no drama, no mistério e terminou com uma história comovente e bem contada.

A discussão no grupo foi bem acalorada e muitos aspectos duvidosos do enredo foram resolvidos no encontro.

Esse livro daria uma ótima série na Netflix.

Uma das coisas que mais gostei na obra foi entender e aprender um pouco sobre as pessoas que cuidavam/trabalhavam num farol no passado.  Creio que hoje a tecnologia auxilie de uma maneira mais tranquila a rotina de um faroleiro. A região norte do Canadá, onde se passa a história é uma região muito gelada e a vida dos faroleiros era muito difícil - desde estocar comida e enlatados no verão para o inverno, até coletar ovos de gaivotas e a plantação de raízes - tipo batata.  Isso foi bem interessante.  A autora escreveu o livro baseado na região em que mora, então a ficção da história quase pode ser comparada a uma história real.

Eu recomendo a obra - amei a história, sua leitura a qual ficará na minha memória por um bom tempo.

Boa semana!



 

sábado, 16 de agosto de 2025

O PREÇO DA MENTIRA

Olá leitores,

Recentemente assisti a um filme que me trouxe algumas reflexões. O filme era sobre um erro médico.  O título do filme era "A Mistake" (sem título em português) - traduzindo é "Um Erro".

Geralmente os títulos de filmes em inglês, principalmente dos EUA trazem uma ideia dúbia e com esse filme é exatamente isso - há alguns "erros" na história e a meu ver, o erro médico não é o maior deles.

A película começa com uma moça de uns 26 anos aproximadamente que chega a um hospital com muita dor no abdômen e febre e deve ser submetida a uma cirurgia de urgência pois tratava-se de uma apendicite.  Durante o procedimento por laparoscopia, a cirurgiã chefe permitiu que o residente a auxiliasse na cirurgia e ele, por pressa dela, insere a câmera com muita força e esta causa uma hemorragia interna - então a cirurgia que parecia simples foi bem complicada; estancada a hemorragia, operado o que "poderia" ser feito e ela foi para a UTI.

Obviamente, o primeiro erro foi esse.

O segundo erro foi ela ter dito para o residente comunicar aos pais da paciente que a cirurgia ocorreu dentro do esperado e que agora era só aguardar o seu pronto restabelecimento.

Então ela veio à óbito (como dizem os médicos) e tudo virou de cabeça para baixo.

A diretoria do hospital marcou uma reunião com a equipe da cirurgia e a cirurgiã chefe disse a verdade de como ocorreu e também disse que como ela já tinha entrado com uma apendicite supurada ela iria morrer de qualquer maneira de sepse (contaminação generalizada por conta das bactérias).  Nós que estamos assistindo o filme não temos tanta certeza se essa é a verdade...

Então, repentinamente o hospital resolve que irá publicar periodicamente uma estatística dos cirurgiões do hospital com erros e acertos ou seja, cirurgias bem sucedidas e cirurgias mal sucedidas, por conta de uma melhor transparência. Nessa reunião, a cirurgiã, protagonista da história, retruca que isso fará com que bons cirurgiões  afastem-se do hospital e até muitos pacientes deixariam de escolher esse ou aquele cirurgião por causa dessa listagem.

Quando você pensa que o pior não pode acontecer, ele acontece.  Os pais da moça não ficaram satisfeitos com o resultado do ocorrido.  Então a diretoria do hospital pede que a cirurgiã fale com os pais e explique o ocorrido.  Então ela o faz e repete a mesma história que ela relatou para a diretoria.  Embora ela tivesse relatado superficialmente a participação do residente, ela sempre reiterou que a responsabilidade era dela, pois ela era a cirurgiã chefe do procedimento .  Ao meu ver ela foi correta pois acidentes ocorrem em todos os lugares e em todas as áreas.

Porém, mesmo assim os pais abrem uma ação na justiça porque não aceitaram e não acreditaram nessa explicação simplista do fato. Então o nome e a foto da cirurgiã vão para os jornais e ela perde a credibilidade frente ao hospital e à comunidade da cidade.

Agora acontece o terceiro erro - ela tinha  um relacionamento afetivo com a pessoa encarregada da anestesia (inclusive da cirurgia em questão) e esta termina a relação pois não queria também ser envolvida no processo.  Por esse fato, a protagonista fica arrasada, mas continua sua vida.

Quarto erro - o residente a procura para dizer que tem tido pesadelos e se auto culpando sobre a morte da moça.  Ela diz à ele para não achar que a culpa era dele e que a paciente morreria de qualquer maneira por causa da sepse e também que ela era a responsável e não ele e que ele não deveria preocupar-se. Ficamos sabendo nessa conversa que o residente era filho de um médico importante em outra cidade.

Então após esse encontro, ele liga várias vezes para ela, mas ela ignora as ligações.  Mas quando ela decide atendê-lo depois de muitas ligações, era tarde demais - ele suicidou-se.

Ela fica muito mal e o hospital faz uma pequena cerimônia fúnebre em memória dele.  

Ela então é enquadrada no hospital a atender casos mais simples, apesar do diretor ter dito que ela era a melhor cirurgiã do hospital e ainda rotulá-la de emotiva (na minha opinião não achei nada disso - percebe-se nesse momento um "machismo" sutil; não haviam mulheres na diretoria).

Infelizmente, o melhor do filme foi o final, digo infelizmente pois haverá spoiler, sorry...

Ela entende para quê serviu toda essa ocorrência.

Assim, ela decide procurar os pais da moça na casa deles e lhes conta a verdade nua e crua - que a operação não foi bem sucedida, que houve um acidente na inserção da câmera no abdômen, o qual ocasionou uma hemorragia devido ao longo tempo para ser estancada. Esta infeccionou o corpo e embora tivesse com uma apendicite supurada, o motivo da sepse pode ter sido da hemorragia interna e então, ocorreu o óbito.

O pai da moça, então, às lágrimas, afirmou que se ela tivesse dito a verdade desde o início, ele nem teria aberto a ação contra ela e o hospital.  Ele queria a verdade; queria entender o que realmente tinha acontecido.

A verdade por pior que possa parecer sempre é a melhor e única alternativa.  A mentira desencadeia uma série de mal entendidos ou assumpções que levam a situações desgastantes e muitas vezes inúteis.  Porém, mesmo que as mentiras continuem a acontecer (e ela continuarão, sem dúvida) há que analisarmos que tipo de lição podemos tirar delas, uma vez que a verdade apareça.

Na minha opinião embora a cirurgiã tenha falado a verdade para o hospital, não falou a verdade para os pais.  Em qualquer profissão, seja ela a medicina, a engenharia ou a advocacia, para listar as maiores, devemos ficar atentos aos detalhes que podem fazer toda a diferença para o desfecho de uma situação.

Eu gostei da história por sua capacidade de nos trazer reflexões. A história se passa em Auckland, na Nova Zelândia.

Boa semana!


  

sábado, 9 de agosto de 2025

AINDA ESTAMOS LÁ

Olá leitores,

O texto de hoje é de autoria de J.Tucón.

Saudações! Ou melhor: "bip", "bip", "bip"...

Em 1977, aproveitando um raríssimo alinhamento dos planetas do Sistema Solar nós duas fomos lançadas com a missão de fotografar os planetas Júpiter e Netuno.

Por que esse alinhamento era importantíssimo? Porque nossa trajetória foi planejada usando a aproximação a cada planeta de forma a aumentar nossa velocidade sem ter que recorrer ao uso de combustível.

A cada planeta do qual nos aproximávamos, depois de orbitá-lo usávamos as leis da gravidade para fazer da órbita uma funda que nos atiraria na direção do próximo.  Nossa missão tinha uma duração prevista de apenas alguns anos e de fato durante esse tempo fomos fotografando e enviando informações a respeito desses planetas.

E dessa forma chegamos ao último planeta, ultrapassamos o Cinturão de Kuiper, a Nuvem de Oort(*) e finalmente saímos do Sistema Solar.

E lá fomos nós.

Continuando a nossa viagem enviando informações para a Terra.  Levamos a bordo várias informações sobre a Terra, gravadas em disco de ouro para o caso de sermos interceptadas por outra civilização.  Vocês aí do Brasil sabiam que nesse disco existe uma imagem do Cristo Redentor?

As informações enviadas para a Terra continuam até hoje, quarenta e oito anos depois.

E aí é que vem o grande ponto.  Na época em que fomos lançadas, nossa capacidade de processar informações e enviá-las a Terra era (e continua sendo até hoje) de 70 KB, ou seja centenas de vezes menos que um telefone celular.

Dentro de dois anos comemoraremos meio século (duas gerações de humanos) de trabalho dedicado em busca de respostas de valor inestimável para a raça humana.  E tudo isso com uma capacidade "n" vezes menor que a de um celular.

Nossos softwares foram escritos numa linguagem computacional chamada Fortran.  Alguém se lembra disso?

O que estarão fazendo os terráqueos com celulares de 256 GB? Estão conseguindo respostas? Porque a questão aqui está nas perguntas e para isso não adianta a melhor das IAs.

Encontraremos outra civilização?

Na verdade, isto pouco importa, pois disse Arthur C. Clarke: "Existem duas possibilidades: ou estamos sozinhos no Universo ou não estamos.  Ambas são igualmente aterrorizantes."

Enquanto isso, continuamos a viajar na velocidade de 17 km por segundo (seria como ir de São Paulo ao Rio de Janeiro em 30 segundos).

Continuamos conversando com a Terra, embora entre a ida e a volta de um sinal se passem quase 22 horas.

Até a próxima! "Bip", "Bip", "Bip"...

Assinado:  As Naves Voyager.

(*) Aos interessados em saber o que são o Cinturão de Kuiper e a Nuvem de Oort, favor dirigir-se ao Google.  Como dissemos, o importante é perguntar!

Boa semana!

 

sábado, 2 de agosto de 2025

SEJA GRATO APESAR DOS PERCALÇOS DA VIDA

Olá leitores,

A 12ª regra do terceiro livro de Jordan Peterson "Além da ordem - mais 12 regras para a vida" trata da gratidão.  Já escrevi sobre as outras 11 regras (no fim desse texto relacionarei os títulos das mesmas, caso alguém queira lê-las ou relê-las).

Peterson colocou nesse capítulo um título um pouco diferente: "Seja grato apesar do seu sofrimento". Como estou traduzindo do livro em inglês, achei esse título difícil de encarar...

Ele inicia explicando que "ele acredita que as pessoas têm a habilidade de transcender seu sofrimento, psicológica e praticamente, e conter sua malevolência/maldade, tanto quanto o mal que caracteriza os mundos social e natural."

"Os seres humanos têm a capacidade de confrontar corajosamente seu sofrimento.  Se você confronta as limitações da vida, corajosamente, você terá um propósito que lhe servirá como antídoto para o sofrimento."

A coragem de "olhar para o abismo", metaforicamente falando, como ele diz, te dá a capacidade de enfrentar as dificuldades da existência sem fugir delas.

"Se você age com nobreza (uma palavra que é usada raramente hoje em dia) frente ao sofrimento, você tem a capacidade de amenizá-lo não somente para você mas também para as outras pessoas.  Você pode fazer desse mundo um lugar melhor (parece piegas, n'é, mas não é).  Ele traz o exemplo da malevolência - todos nós gostamos de falar de vidas alheias - mesmo que não sejam tão próximas - falamos de pessoas públicas, como se nós as conhecêssemos na íntegra, como se participássemos de suas vidas - mas muitas vezes o que "sabemos" são notícias dos jornais e/ou das redes sociais...  Hoje em dia, sejamos francos conosco mesmos: Será que tudo o que ouvimos, lemos ou vemos é verdade?

Peterson, em seus livros, fala do relacionamento interpessoal, não somente da vida individual de cada um - para ele, e eu também concordo, para melhorar o mundo há que se melhorar a si próprio.  

De acordo com Jiddu Krishnamurti, filósofo, escritor, orador indiano do século passado, para melhorarmos o mundo (o qual achamos que muitas vezes está indo para o "buraco"), temos que nos conhecer genuinamente com nossos defeitos e virtudes - não podemos "tapar o sol com a peneira" - devemos enfrentar nossa realidade de frente - só assim poderemos "começar" a impulsionar o mundo para um patamar mais alto.

E, voltando ao texto de Peterson - "começar a parar de mentir ou espalhar/compartilhar aquilo que percebemos ser mentira, é o primeiro passo na direção certa". Para ele, o otimismo é mais confiável que o pessimismo - não o otimismo ingênuo - mas o otimismo daquele que frente a escuridão enxerga uma tênue luz que parecia tão diminuta, mas que no final traz uma grande surpresa e um grande alívio e até nos faz gratos por a termos enfrentado.

"E a pergunta que fica é Por quê sempre olhamos para a escuridão? Somos fascinados pelo mal.  Assistimos a dramáticas representações de "serial killers", psicopatas, reis do crime organizado, membros de gangue, estupradores, matadores de aluguel e espiões.  Voluntariamente, muitos de nós, nos aterrorizamos e nos enojamos com filmes de suspense, de terror - é mais do que uma curiosidade.  O conhecimento do mal é necessário - se você falha em conhecê-lo ou entendê-lo poderá cair em algumas de suas armadilhas.  E então, você procura os lugares escuros para se proteger, no caso de a escuridão aparecer, para encontrar a luz (e ela sempre está lá - grifo meu).

Inúmeras situações na vida são difíceis de enfrentar, mas na maioria das vezes temos que fazê-lo, até para que nossos familiares e amigos poderem encontrar alguma força para dar continuidade a seus planos, ou até suas vidas.  Peterson traz o exemplo mais difícil de encarar para a maioria das pessoas - é o sofrimento, a dor de uma perda para a morte.  Raras são as pessoas que enfrentam o funeral de uma pessoa querida de maneira tranquila, como algo natural.  Entretanto esse é o momento que se dever ter uma certa coragem/força para seu enfrentamento - pois seria uma maneira das outras pessoas terem com quem contar ou se apoiar. "Se você consegue observar uma pessoa "pairar" acima de uma catástrofe, perda, desesperança/desespero, você verá evidência que a resposta a tal catástrofe é possível. Coragem e nobreza em face da tragédia é o reverso da destruição, do cinismo vazio que aparentemente se justifica em tais circunstâncias."

"A atitude negativa de algumas pessoas é compreensível - elas têm vidas difíceis, mas quando encontramos na vida pessoas em situações mais difíceis que as nossas até acharíamos muito difícil se estivéssemos no lugar delas."

O sofrimento de pais em relação aos filhos é bem real - um sofrimento que devemos ser gratos - me explico melhor.  Peterson trouxe o exemplo dos próprios filhos. Quando os filhos são pequenos, os pais têm uma árdua lição a aprender, na minha opinião.  Peterson explica: "há uma vulnerabilidade que não pode ser negada sobre os filhos/crianças pequenas que fazem os pais ficarem atentos, conscientes do desejo de protegê-los, mas também do desejo de lhes ensinar autonomia e empurrá-los para o mundo, porque isso os fortalecerão.  É também essa vulnerabilidade que faz com os pais fiquem zangados/furiosos com a vida por causa da fragilidade dos filhos e que faz com que os pais odeiem essa circunstância, mas ao mesmo tempo é a que os une (pais e filhos)."

"Voltando ao tema da morte, quando falamos dela, a resposta de todos é o pesar, a tristeza - principalmente da morte de uma pessoa que nem foi tão próxima de nós - mas se vamos a um funeral, a tristeza é uma experiência estranha - você sente confusão, você nem sabe como agir. Entretanto Peterson acredita que a tristeza, nesse caso é o reflexo do amor.  A tristeza é uma manifestação incontrolável de sua crença de que a vida da pessoa que se foi, apesar das limitações e defeitos que ela tinha, foi valorosa.  Muitas vezes você chora, se entristece porque algo que você valorizava não existe mais.  Mesmo uma pessoa que teve uma vida catastroficamente errônea, sua morte é sentida com tristeza.

Peterson começou a escrever essa regra perto do dia de Ação de Graças nos E.U.A. E então ele notou como é importante dar graças - na minha opinião é uma data que deveria ser comemorada em todos os países, pois deveríamos dar graças por muitas coisas que nos acontecem na vida.  

"Sermos gratos por nossa família é lembrar de tratá-los bem.  Eles podem deixar de existir a qualquer momento.  Sermos gratos por nossos amigos é acordarmos para o fato de tratá-los adequadamente.  Sermos gratos pela sociedade é nos lembrarmos de que somos os beneficiários do imenso esforço da parte daqueles que nos precederam e nos deixaram uma incrível estrutura social, cultural, artística, tecnológica, de luz, de sistema sanitário, que fez com que nossas vidas fossem melhores que as deles."

Seja grato pelos percalços da vida pois eles te fizeram mais forte, mais apto, e mais feliz na medida do possível.  Na maioria das vezes, aprendemos e crescemos por causa das adversidades da existência.  Isso é o que acredito ser humano.

Boa semana!

(P.S. As outras 11 regras desse livro, encontram-se nos textos com os seguintes títulos:

Regra 1 - Instituições e regras X criatividade moral

Regra 2 - O destino do herói

Regra 3 - Omissão nos relacionamentos

Regra 4 - O olho de Hórus 

Regra 5 - Não faça o que você detesta

Regra 6 - Abandone a ideologia

Regra 7 - Uma visão da força de trabalho

Regra 8 - Porque a beleza importa

Regra 9 - Memórias inconvenientes

Regra 10 - Como manter o romance em seu relacionamento

Regra 11 - Ressentimento, falsidade e arrogância

Procure pelo titulo no blog).




 

sábado, 26 de julho de 2025

VISITA A SÃO PAULO

Caros leitores,

Este ano, em nossa ida para Sampa para visitar amigos que lá deixamos, visitamos 15 pessoas.  O ano passado ficamos 6 dias e neste ano ficamos 7 dias.  Foram dias de muito movimento - o bendito metrô nos levou para muitos bairros - Chácara Santo Antônio (zona sul, meu ex-bairro - dois dias) não deu para colocar todos os amigos deste bairro no mesmo dia; Sumaré, Pinheiros, Barra Funda, Av. Paulista, São José dos Campos (rodoviária Tietê), Campo Belo, Centro da cidade.

Chegamos na quinta à noite depois de dez horas na estrada (ficamos parados duas horas devido a um "pane" no sistema do pedágio em Miracatu). O ônibus não paga pedágio pois está incluído na passagem, mas como "passar por cima" de carros, motos e caminhões? Sendo assim, a chegada  ao hotel às 20 horas (era para chegar o mais tardar 17.30 hs.) foi muito desagradável.

Na sexta feira, o dia seguinte da chegada, visitamos 6 pessoas - duas pessoas no café da manhã (casal adorável com gatos mais adoráveis...), duas pessoas no meio da manhã no sebo "Ao pé da letra" - parada obrigatória; fizemos um pacote de livros que o dono do sebo, grande amigo de longa data, enviará pelo correio.  Almoçamos com uma pessoa que eu não via desde os meus 18 anos aproximadamente - foi "resgatada" do CPP (Clube Paulista de Patinação) dos meus tempos de patinação. Tanto eu quanto ela relatamos nossas vidas (trabalho, família, casamento, filhos) desde essa época até hoje. Foi bem interessante!

No final da tarde desse dia marcamos com outra amiga na padaria na rua Vergueiro, perto do hotel onde estávamos hospedados.  Sempre ficamos no hotel Ibis Budget por estar ao lado da Estação Paraíso do metrô.

No sábado eu fui tomar café da manhã na casa de uma amiga no Butantã, enquanto meu marido foi matar as saudades da Biblioteca Municipal Mário de Andrade.  Depois nos encontramos para almoçar em Pinheiros.  Perto do local do almoço fomos em dois sebos e já comprei mais 4 livros.  No final da tarde tentamos fazer um lanche  no Shopping Paulista, pois não tínhamos agendado nenhum amigo para estar, mas sem sucesso - muita gente, muito barulho e então fomos comer na padaria "Moça Paulista" perto do hotel (aliás, praticamente comemos sopa lá todos os dias no fim da tarde).

No domingo só tínhamos compromisso às 15 horas então fomos caminhar na Av. Paulista - andamos de ponta a ponta - gostamos de ver os artesãos e seus trabalhos. Às quinze horas, nos dirigimos para o Sumaré para encontrar um casal que não víamos há muito tempo - foi uma boa visita, pois trocamos ideias similares e a casa deles é bem agradável.

Na segunda feira tomamos um ônibus para São José dos Campos no terminal Tietê (bendito metrô que nos leva a vários lugares) para visitar parentes - minha sobrinha mais nova e o marido estão morando temporariamente em Montreal, no Canadá e eles vieram matar as saudades dos pais (dela e dele) - almoçamos com eles e voltamos para Sampa para o hotel.

Na terça feira voltamos para a Chácara Santo Antônio para almoçar com uma amiga querida (bem, todos os nossos amigos são queridos...)e tomamos lanche no Campo Belo na casa de uma prima de minha mãe que eu não via há uns 25 anos.

Na quarta feira tínhamos o dia livre.  Na parte da manhã fizemos uma simulação - em outubro participarei  de um congresso perto do terminal Barra Funda - e como não conhecia o lugar, resolvemos ir até lá para que no dia do congresso eu não me perca "muito"...

Após o  almoço foi o momento mágico para mim - meu marido que é um grande conhecedor e admirador do centro de São Paulo me levou para um tour à Praça da República, Av. São Luiz, Av. São João - foi a primeira vez que vi o famoso Edifício Itália e o Copam (quase uma pequena aldeia).

A tristeza maior foi ver um coreto na Praça da República inteirinho sujo com urina e fezes.  Que pena que muitas pessoas não são educadas a preservar o patrimônio público - não há policiamento ostensivo para esse tipo de vandalismo... Em frente à esse coreto tirei foto de uma seringueira gigantesca maravilhosa (é a foto da capa desse texto).  O centro é bem arborizado, as ruas são largas e percebi o quanto Curitiba não tem muitas árvores no centro - temos a Praça Osório que as tem e a rua Comendador Araújo tem algumas árvores grandes.  Entendo que as ruas de Curitiba são mais estreitas e talvez por isso não tenha muitas árvores.  Amei ver o centro de Sampa - tomamos um cafezinho na esquina da Av. São Luiz com a Av. Ipiranga - foi mágico - parecia estar em outro país.

Na quinta feira voltamos sãos e salvos e felizes de ter estado com amigos - eles são o melhor nessa época de nossas vidas.

Boa semana!



 

sábado, 12 de julho de 2025

"ATÉ QUANDO CATILINA?"

Olá leitores,

Atualmente tenho visto, presenciado e ouvido tantas coisas estranhas acontecendo  no mundo e, principalmente no Brasil, que nada mais me surpreende.  Passados cinco anos da "fraudemia" e ainda existem pessoas dormindo em "berço esplêndido" (aliás essa expressão/frase deveria ser eliminada de nosso hino - talvez ela seja responsável por termos ficado adormecidos por tanto tempo).

Parafraseando uma figura política, da qual não vale a pena nomear, "A pandemia foi a melhor coisa que aconteceu..." - para mim e para muitas pessoas que "sobreviveram lucidamente" a ela foi um divisor de águas.  Aqueles que acordaram viram um novo mundo a se descortinar frente aos seus olhos - no bom e no não tão bom sentido.  

O mundo que achávamos que estávamos vivendo não é real. Tudo é uma simulação parecida com o filme "O Show de Truman" - a diferença é que nessa película o espaço da cidade é limitado.  A nossa "realidade" acontece no planeta como um todo.

Melhor eu me explicar.  Aquilo que acreditávamos ser a vida - nascer, estudar/brincar, namorar, arranjar emprego, trabalhar até se aposentar, se aposentar, envelhecer, morrer - não é bem assim.  Muitas "teorias da conspiração" surgiram e algumas delas não são teorias.

O melhor exemplo é o antigo livro de George Orwell "1984" (já escrevi um texto sobre ele) - outras obras deste autor também são muito boas; outro livro que trata dessa mesma realidade em outro contexto de uma maneira mais sutil é "A Revolta de Atlas" (também escrevi um texto sobre esse livro) onde Ayn Rand dá uma boa ideia (na minha opinião) de como poderemos sair dessa sinuca.  Livros à parte, quero compartilhar um pouco do meu "desabrochar" ou "acordar" desse sono que pareceu longo demais.  O termo "desabrochar" até serve melhor nessa fase pois foi como um "renascer" para uma nova realidade (mas qual é a realidade?).

Durante a "fraudemia", como não podíamos sair e ir onde quiséssemos, assistimos, meu marido e eu, muitos filmes, documentários, canais diferentes do YouTube e descobrimos um novo mundo: ETs, meditação (fizemos e fazemos muita meditação), geografia política (apelidada hoje de geopolítica), história dos povos e mais que tudo, tentamos e ainda continuamos a tentar compreender a NOM - Nova Ordem Mundial (também escrevi um texto sobre isso superficialmente).

Até entendo que o planeta está superpopuloso, mas há regiões sem excesso de pessoas - a maioria prefere as zonas urbanas, enquanto o meio rural escasseia de população.  Com a população excessiva num local também escasseia a instrução, o trabalho - também um causador de "adormecimento" - as pessoas leem menos, estudam menos e por conseguinte, raciocinam/pensam menos - atualmente pensar por si próprio virou egoísmo, individualismo, solitude - para o meio social temos que ter uniformidade, pensamento único, harmonia.  A diversidade (de sexos, não de opiniões) é buscada, mas a cada dia temos muitas brigas, revoltas, falta de paciência, tolerância com os diferentes (e hoje os diferentes são os que estudam, que leem, os mais velhos).  Os de opinião X não querem tolerar os de opinião Y - só aceitam a si próprios como pessoas tolerantes, os outros é que são intolerantes - é como o livro 1984 "Guerra é Paz".

Bem, parece até que saí do tema - mas não - o texto é um desabafo sobre como as pessoas são manipuladas (ainda sou uma delas em algumas áreas) e não percebem e se percebem preferem assim - o mundo ficou apático, eu diria até medíocre.  Não se pode falar nada às claras.  Só os corajosos, aqueles que não tem nada a perder, aqueles que entenderam que o mundo espiritual, a alma, o bem estar, o estar em paz dentro de si é o mais importante para a vida, conseguem se expor.  Para aqueles que já entenderam para onde o mundo caminha sabem do que estou falando.

A cada dia que passa fica mais difícil voltar ao normal (mas o que é o normal?).  Para mim, a moral é começo do "normal" - Onde podemos aceitar que matar, roubar, mentir, ludibriar, manipular é bom? Quando começamos a aceitar que "bandidos" fiquem "incomodando" a vida dos outros, onde precisamos colocar grades, cercas elétricas, câmeras, em nossas casas para podermos viver bem? Quando começamos a aceitar que alimentos processados em indústrias de grande escala são bons para nossa saúde? Quando começamos a aceitar que todo medicamento quimicamente modificado (às vezes até com derivados de petróleo) é bom para nosso tratamento ao invés de frutas, verduras, plantas medicinais, ervas naturais ou até tomar sol? Quando começamos a aceitar como normal termos animais "domesticados", presos em nossas casas sendo alimentados por ração e muitas vezes maltratados (imagine pássaros em gaiola com asas para voar...)? Quando começamos aceitar como normal retirar todas as árvores de uma rua porque "as folhas" entopem bueiros e sujam as calçadas? Quando começamos a aceitar o lixo acústico (eles chamam de música), a fumaça, o barulho de vizinhos como se isso fosse "direito" deles? Aonde está a polidez, o bom senso, o respeito de um ser humano por outro? Quando começamos a comprar compulsivamente roupas e objetos pois o "novo" nos traz mais conforto e faz-nos sentirmos especiais? E o que dizer do lixo acumulado no planeta do descarte de nossas roupas e objetos "velhos"? Quando começamos a tirar a terra, as plantas e árvores de nossas casas e começamos a substituí-las por cimento, lajotas, porcelanato, asfalto nas ruas porque isso é (ou era) o retrato do progresso? Até quando vamos aceitar pagar impostos/taxas sobre nossa casa própria, nosso carro, nosso trabalho? "Até quando Catilina?"

Pois é - acordei para  muitas coisas que não percebia como excrecências da dita raça "humana" - e achava tudo normal.  Hoje, pós-pandemia me vejo como "um cego em tiroteio" ou "um cachorro caído de um caminhão de mudança" como dizem.  Mas vou levando: aprendo a cada dia onde não quero estar e com quem não quero compartilhar minha vida, meus pensamentos, meus sonhos, minhas coisas e minha dores.  Compartilho com vocês, leitores do meu blog e acredito fazer "eco" em alguns poucos de vocês.

Desculpem o desabafo!

Boa reflexão!

Boa semana!

P.S.: A expressão "Até quando Catilina?" se encontra explicada em um texto do blog  de dezembro de 2024 intitulado "Megalópolis parte 1".

 


 

 

sábado, 5 de julho de 2025

"O ESTRANGEIRO"

 Caros leitores,

Nosso livro do mês, em nosso Clube de Leitura foi "O Estrangeiro" de Albert Camus, "um escritor, filósofo e jornalista franco-argelino (ele nasceu na Argélia) conhecido por suas contribuições à literatura e ao pensamento filosófico do século XX.  Em 1957, foi agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura.

Em sua produção literária e filosófica, Camus destacou-se por abordar questões como a liberdade, a justiça e a responsabilidade individual.  Sua filosofia, frequentemente associada ao Absurdismo, enfatiza a contradição entre a busca humana por sentido e a aparente indiferença do universo.  Entre suas obras mais conhecidas estão "O Estrangeiro" (1942), "O Mito de Sísifo" (1942) e "A Peste"(1947).

No campo político, Camus posicionou-se contra o Totalitarismo criticando tanto o fascismo quanto o stalinismo.  Sua postura crítica em relação à União Soviética e ao Partido Comunista Francês levou a divergências com outros intelectuais, como Jean- Paul Sartre." (Wikipédia).

"O Estrangeiro" é denso, pesado, mas tem seu propósito - a reflexão.  Quando comecei a ler achei a linguagem do livro "pobre", direta.  Inclusive achei que tinha comprado uma edição adaptada/condensada - mas depois descobri, conforme fui lendo, que foi uma ideia proposital do autor - o personagem Meursault (o tal "estrangeiro") era uma pessoa assim - pouca reflexão, vivia de uma maneira simples, e aparentemente era uma pessoa insensível (era o que os outros o consideravam).  No funeral da mãe não mostrou grandes emoções, não chorou e depois do mesmo foi nadar.  Em tempo, a mãe vivia num asilo e ele pouco a visitava.

Não irei contar toda a história mas ele comete um crime lá pela segunda metade do livro e é condenado.  Entretanto, nas entrelinhas, ele foi condenado mais por sua insensibilidade (também ao cometer o crime) e não pelo crime propriamente dito. Em seu julgamento, o procurador afirmou "Acuso este homem de ter assistido ao enterro da mãe com um coração de criminoso".

Para mim, este livro fala mesmo sobre "a contradição entre a busca humana por sentido (entendo que o personagem não vê sentido nas coisas que faz) e a aparente indiferença do Universo" (como está no Wikipédia).  Ele comete o crime por causa do calor excessivo e a luz do sol do local em seus olhos, por sua falta de paciência com os outros - no interrogatório do juiz de instrução ele pensa "Como sempre que me quero desembaraçar de alguém que já nem estou a ouvir, fiz menção de aprovar", entre outros fatores, na minha opinião.

A leitura da obra não foi fácil, confesso.  Mas a discussão do grupo foi rica em reflexões.  O personagem é o estrangeiro do título, uma vez que seu comportamento é bem diferente do que se espera de um ser humano e por essa razão achei muito interessante a sua leitura.

Que tal ler e buscar sua própria reflexão?

Boa semana!



"O CAIBALION" - CAUSALIDADE

Olá leitores, O sexto Princípio Hermético é bem conhecido nosso - hoje falaremos da Causa e Efeito, onde nada é por acaso.  Esse princípio a...