quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

O FUTURO DAS NAÇÕES

Caros leitores,

Há algum tempo venho refletindo sobre um assunto que tem me deixado um pouco preocupada com o futuro de alguns países do planeta.  Quando penso assim lembro-me de minha ex-terapeuta que sempre dizia que devemos nos "ocupar" e não nos "pré-ocupar" que é o significado intrínseco de "preocupar-se".  Então, embora por um lado preocupo-me com o futuro de algumas nações,  ao mesmo tempo, por outro lado, ocupo-me com os meus afazeres diários e caminho adiante.

Bem, depois de toda essa introdução vamos ao tema.  Que eu possa ser inspirada a colocar no papel exatamente o que penso.

Sou uma leitora assídua de tudo o que aparece pela minha frente - jornais, boletins informativos, apostilas, cartilhas, bulas de remédio, receitas e obviamente - livros.  Desses últimos leio romances, livros didáticos, leio sobre história, política, religião, filosofia.

Dessa maneira quase posso me colocar na posição de "intelectual" ou melhor, de "auto-didata".  Sendo assim, o meu conhecimento do mundo e dos povos como um todo é razoavelmente bom.

Atualmente tenho me deparado com situações bizarras e acontecimentos à minha volta que julguei serem frutos da pandemia (ela ampliou essa percepção, é verdade!), mas que são situações, eu diria, globais, visto que também ocorrem em outros locais, não só no Brasil, ao meu ver - refiro-me à falta de instrução, de leitura, de conhecimento de uma grande maioria de pessoas, infelizmente - em resumo, falta de estudo, de leitura.

Alguns regimes de governo cometeram deslizes, imprudência e foram relapsos e negligentes no quesito instrução/estudo de sua população.  Ao invés de primarem pela importância do mesmo no primeiro e segundo graus escolares, hoje denominados ensinos fundamental e médio, resolveram abrir mais escolas de ensino superior.  Entretanto, essa prática não trouxe um conhecimento básico de certas disciplinas globais; dá a impressão que o aluno só quer o diploma do curso superior sem se importar se ele consegue ou não ser um bom profissional em seu campo de atuação - às vezes prefere cursar o que dá dinheiro sem se importar se gosta ou não da área.  Aqui estou me referindo ao trabalho, à profissão, à carreira.  Mas, muitas lacunas também não são preenchidas na vida diária.  Conceitos básicos de matemática, geografia, química, biologia, física não são aprendidos satisfatoriamente, fazendo com que uma pessoa saiba razoavelmente como seguir os passos básicos de construção de uma casa, por exemplo, no caso de um engenheiro civil, mas não saiba noções elementares de hidráulica.  Esse exemplo é de uma casa construída na vizinha de uma amiga.  A casa em questão, terminada a obra, num dia de chuva torrencial, o quintal, feito totalmente de porcelanato, não conseguiu dar vazão ao excesso de água, inundando partes da casa.  Ao se verificar o problema constatou-se que o cano que daria saída da água do quintal de trás da casa não tinha uma queda adequada para tal finalidade.  Este exemplo é um dos muitos que venho constatando que ilustra a falta de escolaridade de uma dada população.

Agora lembrei-me de outro exemplo.  Neste fim de semana, numa cafeteria conceituada da cidade, a pessoa que me atendeu no caixa não conseguiu me dar o troco correto nem usando uma calculadora (talvez não soubesse usá-la...), troco este muito fácil, sem necessidade de calculadora.  Esse caso pode se enquadrar na política de cotas de pessoas específicas que devem preencher vagas nos locais de trabalho; cotas estas determinadas por um determinado regime de governo. Bem, como o texto de hoje é sobre a falta de estudo/leitura das pessoas, não me alongarei nesta ideia.

Todos nós precisamos uns dos outros e está claro que não devemos saber fazer tudo - sempre há alguém que me fornecerá aquilo de que preciso, o qual não conseguirei fazer por falta de conhecimento.  Mas, como confiar numa pessoa que diz ter um diploma de grau superior e às vezes até doutorado, mas que não consegue realizar a tarefa para a qual foi diplomada a contento? O exemplo do engenheiro civil é um de muitos.  Mas conheço médicos que esperam o paciente quase chegar a óbito para lhe dar um medicamento que pode mitigar a sua dor; conheço mecânicos de automóveis que não entendem o simples funcionamento de um motor de carro, não conseguindo achar soluções para um simples vazamento de gasolina de um tanque furado; conheço psicólogos que acreditam poder ditar regras para seus pacientes esquecendo-se que eles têm livre arbítrio e que o mais importante é ouvi-los e na melhor da hipóteses, ensiná-los a pensar; conheço psiquiatras que ouvem dez minutos da fala de uma pessoa e que ministram medicamentos de tarja preta que irá fazer com que os pacientes fiquem escravos desse medicamento por quase uma vida inteira, sem trazer-lhes melhoria; conheço advogados que não conhecem as leis adequadamente e dão conselhos errôneos aos seus clientes; e por aí vai.

O futuro do planeta depende de pessoas que conheçam suas funções, seus limites e que continuem estudando e se aperfeiçoando para oferecer a todos um bom trabalho.

O planeta necessita de pessoas cultas que saibam o que estão fazendo ou falando.  Não se pode esquecer o passado - ele existe para todos sabermos o que já foi feito e partir dali para continuar a evolução da humanidade.  Não temos mais que inventar a roda - alguém já fez isso por nós.  Atualmente, já vi pessoas trazendo ideias que, se se dessem ao trabalho de pesquisar sobre elas, descobririam que essa ideia já foi aventada no passado e que não deu certo.

Já vi pessoas criticando ardorosamente o que uma pessoa escreveu sem ao menos ter lido o seu livro, ou texto por completo.  É aquele que diz "Não li e não gostei."

Em minha opinião, nesse meu desabado e nessa minha reflexão, é que sem leitura voltaremos a ser bárbaros/primitivos dependendo daqueles poucos que leem. Se esses poucos que leem tiverem uma boa base moral, que leem os clássicos e os filósofos e cientistas, essa sociedade poderá prosperar, principalmente se esses poucos leitores incentivarem todos a ler e a pensar.  Do contrário, se esses poucos que leem quiserem controlar a sociedade, com sanhas de poder, que leem, por exemplo, os discursos de Mussolini, teremos uma sociedade servil, ignorante e o pior de tudo, uma sociedade que terá perdido a capacidade de pensar e de refletir, simplesmente  por recusar-se a ler e ater-se a obedecer aos governantes. (Nesse quesito, sugiro o filme "O Livro de Eli" com Denzel Washington - nesse filme é fácil constatar  esse fato.  Filme bom, apesar de muitas cenas violentas, e que traz boas reflexões - eu recomendo).

Para terminar, gostaria de trazer uma pequena reflexão que realizei hoje mesmo num sebo (livraria de livros usados).  Havia um cartaz enorme de Einstein com uma frase escrita em inglês, a qual é atribuída à ele (não sei se ele é o autor da mesma, em realidade): "A imaginação é mais importante que o conhecimento!" Desculpe, senhor Einstein, mas não concordo. Acredito que sem o conhecimento a imaginação pode trazer ilusões e se apartar da verdade.

Boa reflexão!





  


sábado, 22 de janeiro de 2022

HÁBITOS

Olá amigos leitores,

No dicionário Aurélio, hábito pode ser uma disposição duradoura, adquirida pela repetição frequente de um ato, uso, costume ou maneira usual de ser.

A construção de nossos hábitos começa na infância.  Aqui, então um pedido de atenção para os pais.

Inicialmente os adultos, na educação de seus filhos, têm duas atitudes: familiarizam a criança com os hábitos da família e do grupo social em que vivem e, depois colocam limites de comportamento de acordo com os moldes em vigência pré-estabelecidos pela sociedade.

Mas, aqui há que ter um equilíbrio, um meio-termo.  Quanto mais rígidos esses preceitos, mais dificuldade a criança encontrará para se adaptar e transgredirá as normas estabelecidas, sem contar os traumas psicológicos futuros que podem advir de tal atitude.  Por outro lado, quanto mais permissivos forem os pais, mais autonomia a criança terá e neste momento de formação de seu caráter e personalidade, esta atitude poderá ser perigosa, também trazendo problemas psicológicos na vida adulta.

Então, espera-se que os pais, sendo adultos maduros possam exercitar sua flexibilidade na educação de seus filhos seguindo o caminho do meio - nem tão austeros e nem tão brandos. A base da educação deve estar na consciência de que se todos somos pessoas a caminho de um objetivo, nossos filhos também são.  Como pais também devemos saber que devemos  acordá-los para as verdades da vida social e espiritual  através do exemplo, do carinho, da atenção e do ensino das leis morais. Cada ser humano é diferente, pois tem personalidades diferentes, então aos pais cabe observá-los, se importar com eles, para realmente descobrir qual é a meta deles e ajudá-los na mesma.

Às vezes, no afã de conduzir seus filhos para uma vida adulta melhor do que àquela que eles têm, os pais podem tender a educar seus filhos para serem o que eles não conseguiram ser.  Por exemplo, mulheres que sempre quiseram ser modelos, mas não o foram porque a vida não lhes deu condições de seguir esta carreira ou porque a beleza física não fazia parte de sua juventude, na vida adulta, como mães, tendem a querer que as filhas participem de concurso de misses, levam-nas a salões de cabeleireira, sessões de fotografia, etc.

Nossos filhos não são a continuação de nossa vida - eles têm vida própria - a ideia é conduzi-los, guiá-los para o mesmo lugar que estamos indo, mas com as características de personalidade deles e não nossas.  E, na medida do possível, apresentá-los a este mundo cheio de possibilidades, demonstrando que cada ato, atitude, palavra traz uma consequência.

Como eu disse no início, os hábitos começam na infância, mas isso não quer dizer que não se pode mudá-los no decorrer de nossas vidas.  Uma vez adultos, podemos e devemos refletir sobre nossos hábitos diários e realizar as devidas mudanças que podem nos trazer mais equilíbrio e paz interior.  Atentemos para hábitos automáticos que podem nos trazer aborrecimentos, principalmente se nem percebemos que os temos. Aqui novamente, a ideia é o autoconhecimento para cultivar bons hábitos.

Já escrevi outras vezes sobre hábitos - em outubro e novembro de 2020. Acho que é porque acredito que eles são úteis em nosso dia-a-dia e porque vez ou outra devemos fazer um check-up para ver se ainda são bons para nós e assim podermos eliminar alguns e começar outros.  Como nesse mês de janeiro dá a ideia de início de um ciclo, principalmente depois de tudo o que aconteceu nos dois anos anteriores, acredito ser interessante refletirmos sobre nossos hábitos atuais.

Como vão seus hábitos?  Começou um novo recentemente? Ou ainda não refletiu sobre alguns deles? Se não, mãos à obra. É revigorante e traz uma boa sensação de começar bem o ano.

Boa semana!





sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

"NOVA ORDEM MUNDIAL?"

Caros amigos leitores,

Recentemente assisti no YouTube uma fala de Kyle Cease sobre a atual situação mundial pós-pandemia; recebi o vídeo de uma amiga.  Nunca tinha ouvido falar dele mas achei interessante.  Ele explica, entre outras coisas, os comportamentos estranhos das pessoas depois de ficarem 2 anos em reclusão.  Ele fala da sociedade americana, creio eu, mas isso se aplica praticamente a todo o planeta.  Eu, particularmente, tenho realmente presenciado comportamentos diferentes de amigos, parentes, conhecidos e até de desconhecidos, esses últimos atendentes de lojas, prestadores de serviços, e outros.  Bem, com certeza, eu também devo estar "estranha", diferente para algumas pessoas...

Achei o seu discurso coerente.  Ele trouxe um dado bem possível e vou compartilhá-lo com vocês para vossa reflexão.  O nome da live dele era "A sujeira no porão" (em tradução livre) que para nós fica mais fácil entender como "A sujeira debaixo do tapete".  Só com essa expressão creio já ter dado a entender sua ideia.  Para ele, e eu concordo, tudo o que tínhamos guardado "debaixo do tapete" agora, começa a sair.  Isso está acontecendo com a maioria das pessoas e o ideal não é manter a sujeira sob o tapete - o ideal é aceitar que todo esse "lixo" guardado dentro de nós deva ser "expelido".  Pois é só vindo à tona é que podemos nos conhecer e realizar as mudanças necessárias em nós (para melhor, é claro!).

Nessa questão, eu sempre uso a analogia de uma draga no rio - ela revolve o fundo do rio para que a sujeira venha à tona para que dessa maneira seja mais fácil a limpeza do rio.  Conosco acontece de maneira semelhante - como saber o que tenho dentro de mim se isso nunca vêm à superfície, ou melhor, à flor da pele?  Muitas pessoas são facilmente irritáveis mas não demonstram e então ficam doentes, pois o corpo cobra atitudes não expressas pela personalidade através de enfermidades.  Claro está que não devemos "jogar" tudo no meio externo, mas como saber quem somos se tudo fica às escuras?  Assim, de acordo com Kyle, todos estamos levantando o tapete e deixando os "vermes" à solta - entretanto para ele isso estará acontecendo no mês de janeiro - devido à liberdade após a "prisão domiciliar" - um efeito falso da liberdade - a ideia dele é "aceita que dói menos". 

Assim sendo, tratemos de nos perceber para conseguirmos realizar as mudanças necessárias em nossa personalidade.  Aproveitemos a oportunidade!

No início do vídeo, ele também falou da incondicionalidade da vida - para ele o mundo do fim de 2019 não é o mesmo de hoje, 2022.  Devemos aceitar também a vida incondicional, ou seja, agora faremos o que acharmos condizente com nossa personalidade.  Por exemplo, não trabalharei porque preciso de dinheiro, mas porque é importante para meu crescimento como pessoa e porque eu aprecio; irei visitar alguém porque gosto de sua companhia e porque talvez esse alguém precise de uma companhia e não porque seja uma obrigação.  Esse é o tipo de "amor incondicional" da nova era.  Para ele, essa seria a atitude ideal após o mês de janeiro (para ele esse é o mês da limpeza e da descoberta).

Em realidade, a incondicionalidade da vida se resume, em minha opinião, no seguinte:  se trato bem à pessoa com a qual convivo ou com a qual interajo, por exemplo, atendentes de lojas, prestadores de serviços, pessoas com as quais encontro casualmente, também posso ser bem tratada e me sinto bem; se estou sempre pronta a ajudar a quem precisa, se tenho sempre um sorriso no rosto, não importando meus problemas pessoais, se tenho boas palavras a todos que me cercam - em suma, quando o mundo à minha volta, o outro à minha frente está bem, eu também estarei - a vida será mais leve e promissora.

Então, achei interessante refletirmos sobre essa nova visão da realidade - também achei lógica e bem possível de acontecer.  O que vocês acham? Também sentiram algo diferente no ar?

Boa reflexão!

Até!

    


 

sábado, 8 de janeiro de 2022

VAZIO EXISTENCIAL

Caros amigos leitores,

O vazio existencial é o vazio espiritual, o vazio da vida.  Quando fazemos as perguntas que não querem calar: Quem somos? A que viemos? Para onde vamos? e não encontramos respostas, nos angustiamos por não encontrarmos significado na vida.  Este é o sentimento angustiante do homem atual sem espiritualidade.

A felicidade do homem consiste na busca deste sentido para a vida.  Então, quando ele acredita num ser superior e em sua misericórdia, ele sabe quem é, para onde vai e o porquê de estar aqui.  Aquele que se atém à dimensão espiritual sabe que é inteiro, completo, jamais vazio - este não sente angústia.  Mas a maioria das pessoas ainda prende-se à dimensão física (material) onde se vê frente a frente com a finitude da vida - estes possuem uma falta de significado para a vida, uma sensação de vazio.

Hammed afirma: "A origem de mal-estar, de incômodo e de insatisfação está na falta de algo que desconhecemos e na crença de que a vida está desprovida de significado."

Aí se encontra o motivo de tentar preencher o vazio com drogas, álcool, fumo, excesso de todo o tipo (de limpeza, de esportes, de comida, de cuidar da aparência física, etc.).  Tenta-se colocar para dentro qualquer coisa, pois se acredita no vazio interno.  Mal o indivíduo sabe que é de dentro que saem todas as respostas para sua vida.  Jesus disse: "Vós sois deuses".  Tratemos então de viver a vida de acordo com esta parcela divina que todos temos dentro de nós.

Assim, recomecemos nossa vida, a partir de hoje, cuidando de nosso interior, buscando respostas para as coisas que ocorrem em nossas vidas e compreendendo que tudo tem um propósito, um significado.  A vida de todas as pessoas importa. Quando nos conscientizamos disso fica mais fácil  achar o significado para nossas ações do cotidiano.  Que possamos realizar hoje uma boa reflexão a respeito desse tema para termos uma vida mais plena. 

Boa semana!

 


sábado, 1 de janeiro de 2022

NOVO ANO, NOVAS MANEIRAS DE REFLETIR

Caros amigos leitores,

Feliz Ano Novo!  Hoje, primeiro dia do ano de 2022 trago duas novidades.  Antes disso gostaria de desejar a todos um ano bom, com liberdade, descontração mas também muito trabalho e diversão.  Que vossos dias sejam cheios de novas descobertas, não somente sobre o mundo e os outros, mas também sobre vocês mesmos.  Afinal de contas, crescemos diariamente aprendendo a lidar com obstáculos diferentes os quais nos trazem aborrecimentos de início, mas grandes lições, principalmente se soubermos aproveitá-las e entender suas nuances.  Há que se ter paciência, tolerância para obter um bem estar interior.

Bem, a primeira novidade de hoje é  uma oração que recebi de uma pessoa no WhatsApp a qual replico aqui.  Esse ano falaremos mais de espiritualidade.  Aquela crença que todos temos em algo independente de religião. Eis a oração:

" Oração de Ano-Novo

Senhor Deus, dono do tempo e da eternidade,

Teu é o hoje, o amanhã, o passado e o futuro


Ao iniciar mais um ano, paro minha vida diante

De teu calendário que ainda não comecei

E te apresento estes dias,

Que somente tu sabes se chegarei a vivê-los


Hoje te peço para mim e para todos

Os meus parentes e amigos a paz e a alegria,

A fortaleza e a prudência, a lucidez e a sabedoria


Quero viver cada dia com otimismo e bondade

Levando por toda a parte

Um coração cheio de compreensão e paz


Que meu espírito seja repleto somente de bênçãos

Para que as derrame por onde eu passar


Enche-me de bondade e alegria para que

Todas as pessoas que eu encontrar no meu caminho

Possam descobrir em mim um pouquinho de ti


Dá-me um ano feliz e ensina-me a repartir felicidade

Amém."

Achei essa oração muito bonita.  Simples, fácil de ser lembrada e pode ser repetida a qualquer momento, em qualquer lugar, até em pensamento, principalmente nos dias mais turbulentos.  Vale a pena tentar.  

A outra novidade é uma série de haicais.  Para quem não sabe, Haicai é uma forma tradicional da poesia japonesa, que procura num texto de três versos e dezessete sílabas expressar um instante fugaz da Natureza.  É algo como um instantâneo fotográfico.

Os cinco haicais seguintes são de autoria do haicaista e escritor José Tucón.  Ele participou de 1997 a 2011 do Grêmio Haicai Ipê em São Paulo.  Em 2013 teve um haicai de sua autoria selecionado pela NASA no concurso "Going to Mars" e enviado a Marte à bordo da MAVEN em 18 de novembro do mesmo ano.  Resolvi trazer esses haicais para que no exercício de nossa espiritualidade, possamos também admirar a natureza e sentirmo-nos mais calmos e pacíficos.  Eis os haicais:

"Tapete amarelo!

Nem o gari ousa varrer

Embaixo do ipê


Orquídea em flor

Muro velho e descascado

Passagem do tempo


Tarde de domingo -

Só o sabiá a cantar

Na ponta da antena


Só uma testemunha

Da demolição da casa -

Céu azul profundo


Sorrateiramente

O jasmim lá do vizinho

Perfuma o quintal."

Assim, meus amigos termino a postagem de hoje.  Que possamos através desses haicais e dessa oração começarmos o ano com a alma mais leve.

Boa semana!


   

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

PORQUE A BELEZA IMPORTA

Caros leitores amigos,

No decorrer de minha vida, através dos anos de observação do mundo, das pessoas, das cidades, das casas, do meio ambiente, da sociedade enfim, tenho me questionado sobre o valor da beleza.  Então, como por uma sincronicidade do destino, onde sabemos que nada é por acaso, tenho me deparado com essa temática - em livros, palestras, conversas.

Como já mencionei, através da observação do meio social me deparei com a feiúra do mesmo. Há muito lixo pelas ruas (será que é só na cidade em que resido?). Bem, já viajei para outras cidades de outros países e isso, pelo menos antes da pandemia, não era marcante.  Desde o início do "Fique em casa" (meu marido e eu não aderimos) notei que o lixo nas ruas aumentou bastante, assim como a feiúra das casas, as quais também têm muito lixo em frente (restos de "poda" de árvores [coloquei "poda" entre aspas porque em realidade são árvores cortadas - isso aumentou bastante também], restos de materiais de construção, tais como areia, pedra, tijolos [a reforma da casa já acabou mas as sobras não são retiradas na maioria dos casos - e é incrível, ninguém rouba e eles, os restos, são levados pelo vento e pela chuva {quando chove, o que tem sido raro}], sacos de lixo (os moradores assim que "produzem" o lixo, o mesmo é colocado na frente de casa ou nas lixeiras [quando elas existem] imediatamente [às vezes coloca-se o lixo no sábado pela manhã e o caminhão da coleta só irá passar na segunda feira à noite - no bairro em que moro; assim são muitos saquinhos de lixo em frente às casas - isso é o que chamo de feiúra).

Outro item que tem me chamado a atenção é o vestuário - roupas inadequadas e corpos não compatíveis para certos tipos de roupa - entendo que hoje todos querem (e eles acreditam que devem) chamar a atenção à qualquer custo - me vem à mente as tais calças jeans rasgadas (antes era só no joelho; hoje é em toda sua extensão - já vi um rapaz com o rasgo na bunda onde podíamos ver sua cueca...), os shorts extremamente curtos numa cidade que nem litorânea é.  Sei que alguns de vocês poderão pensar "ela é idosa, de outra geração, pudica..." Não é caso de pudor, é apenas mau gosto e total deselegância.

Outra característica que foge totalmente aos padrões de beleza e harmonia é a música.  A cada dia é uma martelada no ouvido, onde o famoso ritmo "bate-estaca" causa até dor de estômago (os carros com som em volume altíssimo voltaram com força total - parece que para essas pessoas é como se nada tivesse mudado em seus íntimos - acho que precisam de umas três pandemias para acordarem...).

Outra dissonância que me ocorre no dia-a-dia no quesito som são os alarmes (de carro, de moto, nas casas, nas lojas e empresas) - geralmente o alarme dispara quando passa uma borboleta por perto... os ladrões nunca fazem disparar um alarme - acredito que sabem como fazer para que alarme não toque; outro detalhe - fulano vai viajar ou se ausenta por um tempo - então o tal alarme começa a tocar e não há Cristo que o desligue - a polícia não "pode" fazer nada... outra feiúra no mundo.

Esses casos de falta de beleza não creio serem prerrogativas exclusivas do Brasil - creio ser global.

Um dos livros que me chamou a atenção para esse tema foi o livro "Manual de Sobrevivência do Conservador no Século XXI" de Daniel Lopez.  Esse livro "tem por objetivo oferecer ao leitor instrumentos conceituais que lhe sirvam para compreender e contestar narrativas que a mídia pinta como verdades, principalmente as relacionadas à política em geral, à educação, à cultura e às artes como um todo." (trecho da apresentação do livro).

Não entrarei em muitos detalhes, mas Lopez me mostrou e provou com fatos a decadência da arte que vem ocorrendo após Leonardo da Vinci (século XVI), por exemplo. Na pintura, nessa época a arte buscava imitar, na maneira mais perfeita possível, a realidade.  Isso foi sendo mudado - no decorrer dos séculos, tivemos, na pintura, por exemplo, Jackson Pollock que "pintava" com um balde furado cheio de tinta onde a tela ficava no chão e os respingos de tinta transformavam-se em arte abstrata; outro integrante dessa arte foi Pablo Picasso "que começou a desconstruir as formas e a mostrar um objeto sob vários pontos de vista ao mesmo tempo."

Através da leitura do livro de Lopez comecei a observar realmente a falta de beleza em outras coisas, como já mencionei.

Jordan B. Peterson em sua oitava regra, também fala da importância da beleza para nosso cotidiano.  Desde o seu segundo livro (esse, ao qual me refiro, é o terceiro) ele ficou conhecido por encorajar as pessoas, principalmente os jovens, a limparem e arrumarem seus quartos.  Nessa regra, ele sugere que cada pessoa deve tentar transformar um cômodo de sua casa (pelo menos um) num lugar mais bonito/belo possível.

Ele explica, "transformar alguma coisa em beleza é difícil, mas é extremamente compensador.  Se você aprender a fazer alguma coisa em sua vida verdadeiramente bonita - uma única coisa - então você já estabeleceu contato com a beleza - deste ponto em diante você poderá expandir esse relacionamento para outros elementos de sua vida e do mundo.  Este é um convite para o divino." "Você considerará outras pessoas mais inteligentemente e completamente.  Você cuidará de você mesmo mais efetivamente."

Esse texto de hoje pode ter parecido a vocês bastante pessimista, deprimido, como se eu somente visse esse lado ruim da vida.  Mas não, apenas quis apontar a todos para olharem para o outro lado da vida - o da beleza.  E para que todos nós pudéssemos "construir" beleza ao nosso redor.

Peterson continua - "nós vivemos pela beleza, pela literatura, pela arte - não conseguimos viver sem alguma conexão com o divino - e a beleza é divina."

Ele vai além e eu concordo plenamente com ele:  "A beleza pode nos ajudar a apreciar a beleza de ser e nos motivar a buscar a gratidão quando, ao contrário, estivermos propícios a um ressentimento destrutivo."

Eu tive a oportunidade e o privilégio de ir à Galeria Nacional de Londres e pude observar os quadros dos grandes pintores de outros séculos - é um banho de arte para qualquer um - essa história de que alguém não vai porque não entende de arte não existe.  Basta olhar, imaginar, perceber, colocar a alma nessa visita e você terá estado um tempo em frente ao divino. O mesmo ocorre num teatro ouvindo uma orquestra sinfônica tocando um clássico.  É simplesmente irresistível - nesse quesito qualquer orquestra vale - todas, em minha opinião, são magistrais...

Peterson acredita que "os artistas são pessoas que estão no limiar de transformação do desconhecido para o conhecimento." "Os artistas ensinam pessoas a ver."

"A beleza te leva de volta ao o que você perdeu.  A beleza o relembra daquilo que permanece para sempre imune ao cinismo.  A beleza o relembra que há um pequeno e um grande valor nas coisas.  Muitas coisas fazem sua vida valer a pena: amor, coragem, gratidão, trabalho, amizade, verdade, graça, esperança, virtude e responsabilidade.  Mas a beleza está entre uma das maiores coisas."

Hoje termino o texto com o primeiro parágrafo do prefácio do livro de Roger Scruton, "Beleza", o qual ainda estou para ler: "A beleza pode ser reconfortante, perturbadora, sagrada e profana; pode revigorar, encantar, inspirar, atemorizar.  Ela pode nos influenciar de inúmeras formas.  Não obstante, jamais é vista com indiferença: exige nossa atenção; fala-nos diretamente, como a voz de um amigo íntimo.  Se há alguém indiferente à beleza, sem dúvida, é porque não a percebe."

Boa reflexão!

Feliz Natal!





 

 


  

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

O CARVALHO E O CANIÇO

Caros leitores,

Esta semana traremos mais uma fábula.

"Um carvalho, de bom coração, porém superficial em seus julgamentos, uma vez que acreditava na superioridade da aparência e desconhecia os valores verdadeiros ocultos na essência, olhando a fragilidade do caniço e dele se compadecendo, assim falou:

- A natureza foi injusta com você.  Frágil como é, um passarinho é uma carga pesada para suas forças.  E o mais fraco dos ventos o obriga a inclinar-se e vergar a fronte.  Ainda se tivesse nascido à sombra de minha ramagem e fosse mais alto, eu poderia servir de escudo para você e protegê-lo das tempestades que o ameaçam.  Devo acrescentar que o admiro pela maneira como aceita, sem reclamar, a sua pequenez e a sua debilidade.

O caniço agradeceu a compaixão e a bondade do carvalho e replicou: Não se preocupe com a minha suposta fragilidade.  Você se engana com ela.  Por trás dessa aparência delicada existe, em essência, uma força que me faz ser forte e autossuficiente.  Eu sou flexível.  Eu me curvo, se preciso for, mas não quebro.  Na verdade, os ventos são mais perigosos para você do que para mim.

Mal terminou de proferir essas palavras, no final do horizonte forma-se um terrível vendaval que, furioso e implacável, fustiga tudo que lhe aparece pela frente.  E o carvalho e o caniço são alvos de seus açoites.

A árvore enfrenta o vento forte e tenta a todo custo manter-se em pé; a cana dobra, inclina a fronte.

O forte, que se julgava alto como as montanhas do Cáucaso e capaz de suportar os violentos temporais, não resiste.  E o vento fica mais violento e arranca aquele cuja cabeça era vizinha do céu e cujos pés tocavam o império dos mortos."

Comumente, vislumbramos, em cada fábula de La Fontaine uma ideia principal e a analisamos à luz da psicologia no que tange o comportamento humano.

Aqui, a ideia central que Hammed nos traz é a da flexibilidade.  As pessoas flexíveis conseguem muitas coisas porque não oferecem resistência - em contrapartida, lembremo-nos de que as coisas duras quebram com mais facilidade, e, com as pessoas essa regra não é diferente.

Hammed nos traz como exemplo de flexibilidade, a água.  Para os chineses, ela é o mais poderoso dos elementos porque, entre outras qualidades, tem o mais alto grau de "não-resistência".  Em circunstâncias atípicas, a água tem o poder de desgastar uma rocha e arrasar tudo o que encontrar pela frente pela sua força.  Por outro lado, frente a um obstáculo, uma pedra, por exemplo, a contorna e ao contrário, não fica irritadiça e se preciso for ela também pode se comprimir.

Assim como é o fluxo da correnteza que traz vida a um rio, é o movimento e o dinamismo de nossa personalidade que traz vivacidade a nossa existência.  Nossa personalidade, nosso comportamento é dinâmico quando somos flexíveis, abertos a novas ideias - quando nos movimentamos para frente, com a cabeça altiva não perdendo de vista a meta a ser alcançada.

Então, compreendamos que a vida é movimento, é transformação, é ciclo e é mutabilidade.  Se observarmos os grandes vultos da humanidade, perceberemos que os mais fortes são os mais maleáveis, abertos a mudanças e a novas informações.

Há duas fábulas anteriores falamos da essência de cada ser - falamos da importância de conhecermos nossa essência e partirmos dela para realizarmos modificações. Como somos membros do Universo em contínuo crescimento, aprendamos a nos adaptar e a nos ajustar a uma visão de mundo onde a transformação de nossa personalidade é a meta a ser alcançada e para tanto, há de reciclar pensamentos, crenças, ideias, fazer novas interpretações das circunstâncias e das ocorrências do dia-a-dia ao nosso derredor.  Não podemos deixar tudo cair no automático.  O homem automatizado não pensa, não reflete, não analisa e, portanto, não evolui.

Se não há liberdade para questionar a si e ao mundo, não há ética (no dicionário Aurélio, ética é o estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e o mal, relativamente a determinada sociedade, ou de modo absoluto). Quando o homem questiona, ele busca conhecer algo diferente - e esse novo conhecimento pode alavancá-lo para frente e para cima.  Quando ele expande a sua consciência, sua qualidade de vida cresce, e ele caminha mais facilmente até o seu objetivo.

Muitas vezes, a maneira rígida de pensar ilude o "homem carvalho" (como chama Hammed, "de bom coração, porém superficial em seus julgamentos"). Ele acredita possuir uma força indestrutível - mas frente às tempestades existenciais ele tomba ("...tenta a todo custo manter-se em pé;(...) se julgava alto como as montanhas do Cáucaso e capaz de suportar os violentos temporais, não resiste.  E o vento fica mais violento e arranca aquele cuja cabeça era vizinha do céu(...)".

Ao contrário do que muitos pensam, só teremos vigor e firmeza, quando mantivermos a flexibilidade do "caniço" - quando pudermos refazer e reformular planos, admitir novas opiniões, buscar o novo sem temores.  A cada passo adiante quando abraçamos o novo trazemos estímulos à nossa vida que, por sua vez, nos trazem energias que nos alimentam e fortalecem o espírito.

No universo, há o que Hammed chamou de "ritmicidade cósmica" onde há um fluir permanente que mantém tudo em perfeita ordem.

Muitos cientistas falam do caos porque para eles, quando há algo que não podem controlar, a eles, parece haver confusão e desordem.  Mas, em verdade, não há o caos.  Em tudo há harmonia.  Em cada situação há um propósito que para nós ainda é desconhecido - mas para o Criador tudo tem um objetivo, um ciclo em completa ordem.  Tudo está de acordo com os desígnios do Alto.  A dureza, a inflexibilidade vem exatamente dessa tentativa de controlar o mundo.

Perante novas situações, há de se ter novos comportamentos.  Se uma situação exige uma mudança de opinião, de ideia, de pensamento e nós nos mantemos arrogantes e reticentes à mudança, nossa vida torna-se infeliz, amarga e pior que tudo, estagnada.  Isso não quer dizer que devemos jogar no lixo nossas convicções internas a respeito de certos assuntos, mas que devemos ser flexíveis para repensar pontos de vista, raciocinar e refletir sobre outras possibilidades.  Não nos achemos fracos por mudarmos nosso modo de sentir, pensar e agir diante das coisas e pessoas.  Sem errar não há produção de conhecimento do que é bom e do que é ruim.  Sem este conhecimento não há crescimento espiritual e sem este crescimento a humanidade não estaria neste estágio de evolução.

Há de se ter coragem, humildade e força de vontade para perceber que os desacertos fazem parte desse processo de vida e que eles nos auxiliam a raciocinar.  Livremo-nos das culpas, das queixas, dos ataques de irritação, da frustração, da agressividade - essas características só servem para nos atrasar a marcha e para trazer à nossa existência um teor vibratório negativo.

Se permanecemos inflexíveis perante circunstâncias que requerem mudança, seremos como o carvalho perante as intempéries - tomba "a árvore que enfrenta o vento forte e tenta a todo custo manter-se em pé; a cana dobra, inclina a fronte" e permanece sã e salva.

Boa semana!

















 

"O CAIBALION" - CAUSALIDADE

Olá leitores, O sexto Princípio Hermético é bem conhecido nosso - hoje falaremos da Causa e Efeito, onde nada é por acaso.  Esse princípio a...