quinta-feira, 15 de abril de 2021

ESOPO/LA FONTAINE/LA ROCHEFOCAULD/HAMMED: FÁBULAS

Queridos Leitores,

 Hoje começarei uma nova série de textos, os quais serão intercalados com outros de assunto diversificado e os textos sobre as regras de Jordan Peterson.

Fábulas são histórias fictícias que simulam verdades, com fundo moral ou didático, envolvem animais que falam ou divindades, com um toque de humorismo.  A palavra fábula significa relato.

Essa série de textos terá como base o livro de Hammed "La Fontaine e o Comportamento Humano".

Esopo é conhecido como o mais antigo fabulista da história - foi um escravo da Grécia do século VI a.C. "A presença dos animais em seus contos deve-se principalmente ao convívio ativo entre os homens e o mundo animal naqueles tempos.  Ele teve alguns continuadores, como o romano Fedro (séc. I a.C.), que enriqueceu suas fábulas estilisticamente, e o francês Jean de La Fontaine (séc. XVII), entre outros.

La Fontaine, inspirado por Esopo, popularizou as histórias, escritas em 12 livros publicados entre 1668 e 1694 na França - muitas delas são conhecidas até os dias de hoje.

Hammed traz uma boa explicação no início do livro, antes mesmo da introdução, para compreendermos como abstrair e refletir sobre cada fábula: "Ao comentarmos estas fábulas, temos a aspiração de levar a todos uma reflexão dos porquês da diversidade comportamental dos indivíduos, para que possamos nos entender melhor e, ao mesmo tempo, entender os outros em suas peculiares maneiras de agir e reagir ante as diferentes circunstâncias existenciais.

Acreditamos que as fábulas podem ter a mesma função do espelho.  A variedade de imagens e ideias descritas leva o leitor a identificar-se emocionalmente com elas e projetar suas necessidades evolutivas nos contos, moldando seus significados de modo que reflitam conteúdos psicológicos que precisam de ressignificação."

La Fontaine foi amigo de outro famoso escritor, La Rochefocauld, cuja obra fala também da moral e da ética humanas.  Em seu famoso livro "Máximas e Reflexões", há um capítulo intitulado "Da Relação dos Homens com os Animais", cujas ideias são similares às ideias de La Fontaine.  Aqui retrataremos alguns trechos:

"Há tantas espécies de homens quantas de animais, e são os homens para os outros homens o que as diferentes espécies de animais são entre si, e umas para as outras.  Quantos homens não vivem do sangue e da vida dos inocentes! Uns, como tigres, são sempre bravios e cruéis; outros, como leões, guardam certa aparência de generosidade; outros, como ursos, são ávidos e grosseiros; outros, como lobos, são raptores e impiedosos; outros, como raposas que vivem de sua indústria, têm por ofícios lograr.

Quantos homens não têm parte com os cães! Destroem a própria espécie, caçam para o prazer de quem lhes dá de comer; às vezes seguem os donos, outras lhe guardam a casa.  Há lebréus de guerra (cão amestrado na caça das lebres) que devem a vida ao próprio valor; que têm nobreza na coragem; há dogues (cão de pequeno porte, focinho chato e índole bravia) encarniçados (ferozes, cruéis) que só o furor têm por qualidade; há cães menos ou mais inúteis que ladram sempre e só às vezes mordem, há mesmo os cães de guarda que nem comem o que é do dono nem deixam os outros comerem.  Há símios e macacas que agradam pelas maneiras, que têm espírito e fazem sempre o mal; há pavões que só beleza têm, cujo canto desagrada e que destroem o lugar que habitam.

Há pássaros que só se recomendam pela plumagem e pelas cores.  Quantos papagaios não falam sem cessar e nunca ouvem o que dizem; quantas pegas e gralhas não se deixam amansar para melhor furtar; quantas aves de rapina (furto, roubo) não vivem só da rapina; quantas espécies de animais pacíficos e tranquilos não servem só de comida aos outros animais!

Há gatos, sempre à espreita, maliciosos e infiéis, que têm a pata de veludo; há víboras de língua venenosa cujo restante tem emprego, há aranhas, moscas, pulgas e percevejos sempre incômodos e insuportáveis; há sapos que só dão pavor e veneno; há corujas que temem a luz.  Quantos animais não vivem debaixo da terra somente para se preservar! Quantos cavalos não empregamos em tantas coisas e não abandonamos quando já não servem; quantos bois não trabalham a vida toda para enriquecer aquele lhe impõe o jugo; quantas cigarras que passam a vida a cantar; lebres que de tudo têm medo; coelhos que se assustam e sossegam num prisco (salto, pulo para o lado); porcos que vivem na devassidão e no lixo; canários domesticados que logram seus semelhantes e os atraem para a rede; corvos e abutres que só vivem de podridão e corpos mortos! Quantas aves de arribação (migratórias) não vão de um mundo para o outro e se expõem a perigos em busca da vida! Quantas andorinhas sempre à procura de bom tempo; besouros irrefletidos e sem rumo; borboletas que anseiam pelo fogo que as queima; abelhas que respeitam a rainha e com regras e indústria se mantêm! Quantos zangões errantes e preguiçosos que procuram se estabelecer às expensas das abelhas! Quantas formigas cuja previdência e economia lhes alivia as necessidades! Quantos crocodilos que fingem derramar lágrimas para devorar quem com elas se comove! E quantos animais subjugados porque ignoram sua força!

Todas essas qualidades têm o homem, e pratica com os outros homens tudo o que praticam os animais de que falamos."

La Fontaine possui uma frase muito conhecida: "Sirvo-me de animais para instruir os homens."

Hammed faz uma releitura das fábulas contadas por La Fontaine lembrando que ações e condutas exteriores são geradas primeiramente na vida íntima, onde os pensamentos criam a saúde ou a enfermidade.  Essas fábulas podem levar-nos a profundas reflexões.

As fábulas, na visão de Hammed, agem como um auto trabalho terapêutico, porque quando um indivíduo se associa a um personagem fictício, ele tem mais facilidade de entrar em contato com suas próprias memórias e/ou fantasias, podendo ressignificar seus conflitos e reinterpretar seus desejos ignorados.

O texto de hoje foi apenas uma introdução sobre o assunto.  Posteriormente, num outro texto, trarei a vocês a primeira fábula.

Você já se lembraram de alguma fábula que conheceram em vossa caminhada pela vida? Compartilhem se lembrarem.

Boa semana! 




quinta-feira, 8 de abril de 2021

SABER OUVIR

Caros amigos leitores,

Olá! Hoje vamos à nona regra de "Doze regras para a Vida" de Jordan B. Peterson: "Presuma que a pessoa com quem está conversando possa saber algo que você não sabe."

Antes de entrar no tema propriamente dito, gostaria de fazer uma ressalva: Tatiana Feltrin, que tem um canal do youTube onde discute livros, hoje, ao ver sua postagem, ela comentou que este livro no Brasil está classificado como livro de autoajuda. No exterior, ele não está com essa classificação.  Ela não acha adequada essa classificação e eu concordo com ela.  A princípio, eu, particularmente, não tenho nada contra livros de autoajuda, pois na minha opinião e experiência, eles ajudam, entretanto parece que o povo brasileiro não os acha sérios o suficiente para lê-los.  Assim, Jordan B. Peterson não escreve livros de autoajuda e este livro não o é.  Ao contrário é um bom livro para quem quer mudar algum comportamento, refletir sobre si mesmo e ter uma boa vida.

Bem, vamos à nona regra.

De acordo com o título, fica claro que muitos de nós temos dificuldade para ouvir.  Para nós, terapeutas, fica um pouco mais fácil; afinal de contas o nosso ganha pão é ouvir.  Entretanto, também falamos.  Com algumas pessoas ouço mais e com outras falo mais.  Muitas pessoas não tem com quem falar e quando falam colocam tudo para fora o que as incomoda e muitas vezes, de quebra, ao ouvirem à si próprias até conseguem achar, por si mesmas, soluções para suas dificuldades.

Todas as pessoas podem tornar-se terapeutas apenas ouvindo o que outras pessoas têm a dizer.  É incrível o que elas te contam quando você realmente as ouve.

Todos nós gostamos de sermos ouvidos, então vamos dar a chance a outros também realizarem essa prática.  Mas o que é ouvir genuinamente?

Jordan B. Peterson nos aponta dois tipos de pessoas que parecem estar ouvindo atentamente o outro, mas não o estão.

Tipo 1: "Uma pessoa começa a contar uma história sobre uma ocorrência interessante, recente ou passada, sobre algo bom, ruim ou surpreendente o suficiente para fazer com que valha a pena ser ouvida.  A outra pessoa, a que está ouvindo, já começa a pensar em outro assunto melhor, pior ou mais surpreendente para contar."

Tipo 2: "Há outro tipo de conversação onde um dos participantes busca atrair a atenção "vitoriosa" para o seu ponto de vista.  Essa é uma variante da conversação hierárquica-dominante.  Durante a conversa, a qual frequentemente tende a ir em direção a uma ideologia, a pessoa que fala empenha-se em: a) denegrir ou ridicularizar o ponto de vista de alguém que professe posição contrária; b) usar evidência seletiva ao fazer isso e finalmente c) impressionar os ouvintes (muitos dos quais já estão ocupando o mesmo espaço ideológico) com a validade de suas assertivas.  A meta nesse tipo de conversação é ganhar apoio para uma visão de mundo mais hipersimplificada, unilateral e abrangente.  Portanto, o propósito da conversação é fazer com que não pensar seja a melhor tática." 

"Esses dois tipos de conversação são muito diferentes do tipo em que um fala e outro ou outros ouvem.  Quando uma conversação genuína ocorre, cada pessoa tem a sua vez de falar e todos os outros estão ouvindo."

Muitas vezes, nossos julgamentos, nossos preconceitos dificultam a arte de ouvir.  Peterson afirma: "Se você ouve, sem julgamentos prematuros, as pessoas geralmente lhe dirão tudo o que estão pensando; lhe contarão as coisas mais absurdas, incríveis e interessantes.  Poucas de suas conversas serão entediantes. (Você, em realidade pode dizer se está  realmente ouvindo ou não.  Se a conversa é entediante, provavelmente você não está ouvindo.)"

"Quando contamos algo para alguém estamos reorganizando um evento que nos trouxe preocupação, algum trauma, algum desabafo e dessa maneira reavemos a situação para nossa própria reflexão pessoal." Já foi dito popularmente que temos dois ouvidos e uma boca - para ouvir mais e falar menos e, que nossa boca está mais próxima de nossos ouvidos do que dos ouvidos de nossos interlocutores, para que possamos nos ouvir e refletir no que falamos.

"Nós organizamos nossas mentes com conversações."

"Outro tipo de conversação é num workshop, por exemplo.  As pessoas envolvidas nesse tipo de conversa discutem ideias para estruturar suas percepções e guiar seus atos e palavras.  Há uma filosofia comum nesse tipo de grupo e antes de participarmos dele temos que ter em mente algumas informações."

"Você já sabe o que você sabe e, a menos que sua vida seja perfeita, o que você não sabe não é o suficiente.  Você continua sendo ameaçado por enfermidades, decepções próprias, infelicidade, malevolência, traição, corrupção, dor  e limitação. Você está sujeito a todas essas coisas e na análise final, isso acontece porque você não sabe como se proteger.  Se você soubesse mais, você poderia ser mais saudável e mais honesto.  Você sofreria menos.  Você poderia reconhecer, resistir e até triunfar sobre a malevolência e o mal.  Você não trairia um amigo, nem lidaria com políticos, negócios ou amor com falsidade.  Entretanto, seu conhecimento atual não te fez perfeito nem te manteve seguro.  Assim, o que você sabe é insuficiente, por definição - radicalmente e fatalmente insuficiente."

"Você deve aceitar esses fatos antes de conversar com alguém em termos filosóficos, ou no citado workshop, ao invés de convencer, oprimir, dominar ou até entreter.  Para ter esse tipo de conversação é necessário respeitar a experiência pessoal de seus interlocutores.  Você deve presumir que eles chegaram cuidadosamente a conclusões genuínas.  Você deve acreditar que se eles compartilham suas conclusões com você, você pode ao menos agradecer ao fato de não precisar passar pelas mesmas experiências pessoalmente (aprender com experiências alheias pode ser mais rápido e muito menos perigoso).  Você deve meditar, ao invés de buscar estratégias para alcançar a vitória sobre a fala do outro."

"Uma conversa como essa, onde o desejo por verdade prevalece - da parte de todos os participantes - existe verdadeiramente o ouvir e o falar.  Nesta situação você está estável o suficiente para sentir-se seguro, mas flexível o suficiente para se transformar.  Ali, você permite que novas informações te atinjam - permeando sua estabilidade, reformando e melhorando sua estrutura de personalidade e expandindo seu domínio de conhecimento."

"Assim, ouça, a você e àqueles com os quais você está falando.  Sua sabedoria então consiste não no conhecimento que você já tem, mas na contínua procura por conhecimento, a qual é a mais alta forma de sabedoria.  É por esta razão que a profetiza do Oráculo de Delfos na Grécia Antiga considerou Sócrates em sua alta conta, pois ele sempre buscava a verdade.  Ela o descreveu como o homem mais sábio na Terra, porque ele sabia que nada sabia."

"Presuma que a pessoa com quem está conversando possa saber algo que você não sabe."

Muitas coisa para refletir hoje.  Então boa reflexão!

Até!

  

 




 

quinta-feira, 1 de abril de 2021

CLUBE PAULISTA DE PATINAÇÃO - CPP

 Queridos amigos leitores,

Quando vamos ficando com mais idade é comum nos lembrarmos de nossas fases anteriores, a infância, a adolescência e a mocidade.  Isso não quer dizer, de maneira nenhuma que "os meus tempos eram melhores" - ao contrário, os tempos atuais trazem muita comodidade, algum conforto e inovação.

Muitas pessoas tendem a relembrar tragédias pelas quais passaram, outras recusam-se a lembrar, dizem que o passado enterrado está.  Eu faço parte do grupo que gosta de lembrar coisas boas, divertidas, para sorrir e rir novamente.  

Essa semana, no café da manhã, em conversa com meu marido (nossas conversas no café da manhã são longas - comemos muito, principalmente muitas frutas e cereais e refletimos sobre os acontecimentos da véspera, as leituras que realizamos) comecei a lembrar-me de minha adolescência.

Poucas pessoas tiveram e têm hoje uma adolescência tão feliz como a que eu tive.  Assim, o texto de hoje traz um pouco de minhas memórias e uma dica para os pais que hoje tem filhos adolescentes.

Aos 13 anos comecei a participar de um clube de patinação em São Paulo, onde morava.

A ideia e a organização do clube estava nas mãos de meus padrinhos de batizado, amigos de meus pais, Lyla-Léa Casale e Mário Casale Primo.  O texto de hoje também é uma homenagem e um agradecimento a esse casal, o qual ainda está entre nós, embora bem idosos, por ter auxiliado muitas famílias a educarem seus filhos para um futuro mais saudável e maduro.

Coloquei no título de hoje, o nome do clube que existe até hoje, sem sede, e onde alguns antigos membros ainda jogam hóquei sob essa designação - para que alguns desses meus amigos que estão no Facebook e que por ventura não gostem de ler, ou não costumam ler o meu blog possam ver o título, e, quem sabe, queiram, ler esse texto.

Assim, quero dizer que fui muito feliz entre essa turma e que muito do que me tornei hoje devo a essa fase de minha vida.

Nós praticávamos, treinávamos corrida sobre patins todas as quartas feiras à noite nas marquises do Parque do Ibirapuera e aos domingos à tarde, treinávamos patinação artística e hóquei sobre patins  no Centro Educacional de Santo Amaro, pois não tínhamos sede própria.

O que gostaria de trazer para reflexão e também como sugestão aos pais que hoje tenham filhos adolescentes é o que relatarei a seguir.

No início éramos um grupo pequeno, tipo umas 3 ou 4 famílias, entretanto a cada ano, mais e mais famílias buscavam esse esporte.  Não era um esporte muito barato - os patins eram caros, tínhamos uniforme, a cada show de patinação artística tínhamos roupas diferentes/fantasias, embora muitas mães se esmeravam na confecção das mesmas diminuindo o seu custo.

Os pais estavam presentes em TODAS as atividades desse clube junto com os filhos - às quartas à noite as mães levavam café e bolo para os treinos, principalmente nas noites frias.  Por causa dos campeonatos conheci muitos clubes: Palmeiras, Portuguesa, São Paulo, AABB (Associação Atlética Banco do Brasil - na minha opinião, melhor ginásio para se patinar), Clube de Regatas Santista, Internacional de Santos.

Esse esporte, essa família, esse clube nos afastou, a todos nós das drogas, das bebidas.  Atualmente, os filhos não querem a presença dos pais em suas atividades e, infelizmente, na minha opinião, os pais abraçam essa ideia.  Vocês, amigos que ainda tem filhos pequenos e adolescentes busquem um atividade onde vocês todos possam participar juntos.  No início, é possível que seus filhos achem essa ideia "careta", "ultrapassada", "os tempos são outros".  Hoje, vejo pais deixarem seus filhos realizarem atividades que gostam sem o apoio deles.  Os pais são responsáveis pelos filhos, sua educação, suas vidas até os 21 anos de idade (pela lei) e é um tempo razoavelmente curto para ajudá-los a descobrir seus talentos.  Os filhos, embora não o saibam no começo, mas fazem muitas amizades, conhecem pessoas nessa fase que podem tornar-se seus amigos até o fim da vida.

Infelizmente vejo hoje muitos adolescentes perdidos, droga adictos, depressivos, com baixa autoestima.  Os pais atuais não são necessariamente os responsáveis por isso, mas o apoio deles nas atividades dos filhos faz uma grande diferença.

Então, hoje me lembrei dessa maravilhosa fase de minha vida e com ela lembro com carinho de muitos amigos, alguns estão no meu Facebook e outros já não sei o paradeiro.  São eles: família Azevêdo, família Ruggeri, família Chicarino, família Castro, família Casale (óbvio), família Halker. Minha irmã hoje está casada, com duas filhas, com uma pessoa que ela conheceu no clube; aliás alguns casais se fizeram assim.

O clube em si foi se desfazendo à medida que entrávamos na faculdade e começávamos a trabalhar - embora os treinos fossem quartas à noite e domingos à tarde, nosso estudo e trabalho tomavam boa parte de nossas vidas.  Lembro-me de ter parado de patinar aos 21 anos quando entrei na PUC, na primeira faculdade.  Hoje, já não tenho mais meus patins; foram doados quando me mudei para Curitiba.  Tenho boas lembranças desse tempo e muitas saudades de tudo e de todos. Entretanto a vida continua e eu sou feliz onde estou.

Que o texto de hoje possa ter levado alguns de vocês ao passado  e à contribuição dele para a reflexão de vossa vida atual.

Boa Semana!




quinta-feira, 25 de março de 2021

ESCOLHA SUA MEDITAÇÃO

Caros amigos leitores, 

Os dias vão correndo e nós, muitas vezes, não vislumbramos uma luz nesse túnel que parece não ter fim.  A cada momento somos acometidos por notícias não desejadas e raros instantes de segurança íntima.  Algumas pessoas nos dizem que é melhor não recorrermos aos noticiários para nos inteirarmos  dos acontecimentos recentes; outras pessoas acreditam ser necessário estarmos a par de tudo o que acontece para nos sentirmos mais seguros pois estaremos mais atualizados.  Entretanto, pergunto: qual dos dois grupos está com a razão, ou melhor, qual dos dois grupos de pessoas nos trazem mais serenidade? Todos nós gostaríamos de pertencer a algum grupo - apontei apenas dois grupos - existem outros - mas, nos dias atuais eu diria que esses dois grupos são os mais aparentes.

Ontem assistimos, meu marido e eu, um bom documentário e descobrimos que, mesmo nos dias de hoje podemos fazer parte de um outro grupo de pessoas - o grupo da serenidade, da paz interior, do crescimento humano, da boa saúde, da paciência, da tranquilidade e do equilíbrio.

O nome do documentário da Netflix é "The Road to Wellbeing" (Em tradução livre "A estrada para o bem estar"). No documentário, um casal argentino convida o monge budista tibetano Mathieu Ricard para passar uns dias num tipo de retiro na Patagônia.  Nessa pequena viagem, o monge ensinaria algumas técnicas de meditação - a esposa do Argentino, um cineasta estava passando por momentos de stress e ela fez uma surpresa para o marido, convidando esse monge e assim ajudar o marido a aprender a meditar para diminuir o stress.  Em contrapartida, o monge que tem como hobby/trabalho tirar fotografias de paisagens - ele sempre quis conhecer a Patagônia e o monte Fitzroy (o maior da região, fica na fronteira do Chile com a Argentina) para fotografá-los - ele então fotografaria a região. Assim, numa relação "uma mão lava a outra" o documentário traz boas ideias para meditar e de quebra belíssimas imagens da Patagônia e do monte nevado Fitzroy.

Como já mencionei em outros textos, a meditação foi uma das práticas que mais utilizamos, meu marido e eu, no nosso dia-a-dia para suportar todos os revezes que o tal vírus trouxe para todos.

Durante esse tempo, aprendemos muitos tipos diferentes de meditação.

Por exemplo, há a meditação guiada onde você é levado a várias situações ou lugares para realizar algumas tarefas enquanto medita, com sua mente, sua imaginação.  Jay Stephenson, um australiano tem boas meditações guiadas no YouTube - tem de 10 minutos, mas também tem de 2 a 3 horas - infelizmente só em inglês.

Há outra meditação guiada do indiano Deepak Chopra realizada por uma coach brasileira chamada Ana Rita Alves - ela dirige o programa de "21 dias de abundância de Deepak Chopra" em português - abundância aqui não só material, mas também de saúde. Já fizemos esse programa duas vezes.

Outro tipo de meditação que gostamos muito e o que mais usamos (praticamente todos os dias) é chamado de "15 minutes Vipassanã Meditation" no YouTube - é uma meditação tibetana - há pouca coisa escrita em inglês no início (ele não é falado) - se resume em ficar de 5 a 15 minutos em silêncio absoluto com os olhos fechados, numa posição confortável - a cada 5 minutos toca um sino para você voltar a se conectar e ter o controle do tempo.  Não é necessário saber inglês para realizá-lo. Inclusive você pode escolher quanto tempo quer ficar, de 5 a 15 minutos.  Dependendo do dia fazemos só 5 minutos; e assim que toca o sino paramos. Para nós, ocidentais, esse é mais difícil pois não estamos acostumados a ficar em silêncio.

Mas ontem aprendemos uma nova maneira de meditar que nos deixou mais confortáveis e mais serenos.

Sempre acreditei no poder da oração, da prece - independente da crença de cada pessoa, a prece, a oração pode ser feita por qualquer pessoa em qualquer lugar, em qualquer circunstância.

A prece ou a oração é uma conversa íntima com Deus, com alguém ausente, com uma pessoa querida ou com você mesmo.  Pode ser um desabafo com seu guia, mentor, ou seu anjo de guarda, como queira chamar.  É aquele momento que, na quietude de nossos pensamentos, conversamos com alguém.  É aquele momento de interiorização em que colocamos nossos problemas para fora para examiná-los melhor, fazer os ajustes necessários para o transcorrer de nossas vidas.

Mathieu Ricard nos ensina a meditar desejando o bem estar dos outros - nessa meditação desejamos o bem estar para nós mesmos, para os nossos parentes e amigos e até para nossos desafetos.  Estamos todos interligados nesse planeta e a ação e o pensamento de cada pessoa ressoa em outra pessoa.

Se você for na Internet, na Wikipédia procurar informações sobre o monge tibetano Mathieu Ricard, você verá que ele foi considerado "o homem mais feliz do mundo" embora ele mesmo tenha dito nesse documentário, que para isso ser verdadeiro, o mundo inteiro deveria ter sido contatado para chegar a essa conclusão, o que aliás faz sentido.

O ideal é meditarmos com esses pensamentos de generosidade e doação numa natureza pacífica - em frente a um rio calmo, defronte a uma montanha nevada, olhando para uma pradaria verdejante, sentados numa praia num dia de mar tranquilo.

Porém, atualmente, tudo isso está longe de nós.  Assim, temos que fazê-la com uma música relaxante num momento de quietude em casa; podemos também buscar vídeos de paisagens, pinturas, pássaros na Internet  e realizar a meditação com os olhos abertos.  Olhando para esses vídeos também relaxamos e podemos  adquirir a serenidade.  O YouTube tem vídeos incríveis  - você se transporta e realiza sua meditação, prece, oração - e sai dessa experiência mais calmo, tranquilo e com mais disposição para enfrentar o desconhecido - ou seja, nossa vida atual.

E então, que espécie de meditação é boa para você?

Para a maioria de nós, meditar parece algo dificílimo - mas, creiam não é tão árduo assim - tudo é uma questão de hábito e vontade - onde há uma vontade há uma realização.  Meditar não é necessariamente deixar a mente vazia - isso é impossível, afirma o monge Mathieu Ricard.  A ideia é preencher nossa mente  com imagens positivas, pensamentos de generosidade, doação, alegria, paciência, perdão e amor - muito amor.  Espero que vocês tentem  - não se arrependerão, pois o resultado é positivo.

Boa semana!



 









sexta-feira, 19 de março de 2021

FALE A VERDADE, OU, PELO MENOS, NÃO MINTA

 Caros amigos, 

A oitava regra do livro "Doze Regras para a Vida" de Jordan B. Peterson é "Fale a verdade, ou, pelo menos, não minta".

Nos dias atuais as palavras mentira e verdade têm sido muito usadas.  A ideia de falar a verdade é sempre mais confortável do que mentir.  Então, por que, algumas vezes, mentimos?

Em minha jornada pela vida, sempre fui uma pessoa que, regularmente, falava a verdade - lembro-me das vezes que mentia - eram poucas, mas me deixavam sempre com uma sensação ruim - às vezes, eu conseguia "consertar" a situação explicando para as partes envolvidas que havia mentido, mas nem sempre compreendia porque mentira.  Mesmo quando eram mentirinhas, as quais muitas pessoas chamam de "mentiras brancas", eu sempre me sentia mal.  Quando não havia como remediar o erro, ele ficava muito tempo pairando em minha mente - em outras vezes, ocorriam consequências funestas dessa atitude.

Jordan Peterson relata uma experiência pessoal quando ainda era estudante de psicologia.  Os estudantes de psicologia clínica podiam visitar os doentes mentais num hospital que ficava na cidade de Montreal, Canadá onde ele cursava a faculdade.  Hoje em dia esses tipos de hospitais não existem mais.  Essas pessoas são tratadas em casa ou em day-clinics à base de medicamentos.  Então, num desses dias, ele estava com alguns colegas de sua turma numa fila, esperando instruções do responsável pelo programa de treinamento da clínica, quando uma interna do hospital perguntou, numa maneira infantil, a uma colega de Peterson: "Por que vocês estão aqui parados nesta fila? O que vocês estão fazendo? Posso me juntar a vocês?" A colega de Peterson virou para ele e perguntou: "O que devo dizer à ela?" Nenhum deles queria dar uma resposta que poderia ser considerada uma rejeição ou uma reprimenda.  Todos eles eram estudantes de psicologia, não estavam preparados para esse tipo de situação, esse tipo de confronto com uma paciente esquizofrênica que fez uma simples e amigável pergunta sobre a possibilidade de interação social.

Naquele momento, Jordan Peterson se pergunta: "Quais era exatamente as regras em tal situação, longe dos limites de uma interação social normal? Quais eram exatamente as opções?"  Ele poderia ter respondido: "Só podemos ter 8 pessoas no grupo (eles estavam em oito)", ou "estamos saindo do hospital"; ele imagina que isso possa "salvar" à todos da continuidade da conversa.  Mas essas respostas não eram a verdade.

Assim, ele resolveu contar a verdade.  Contou à paciente que eles eram estudantes novos, treinando para serem psicólogos, e que ela, por esse motivo, não poderia se juntar à eles.

A resposta, obviamente, aumentou a distinção entre eles, fazendo com que a separação entre eles fosse evidente.  A resposta foi dura mas melhor do que uma mentira branca elaborada.  A pessoa pareceu desconcertada por um instante.  Depois, ela compreendeu e se foi.

(Esse história me lembrou quando eu era uma estudante de psicologia em São Paulo - minha classe foi a um hospital psiquiátrico (ainda existiam alguns, e eles foram fechando paulatinamente enquanto eu me formava na faculdade) e todos fomos de jaleco branco - nosso professor nos lembrou antes de entrarmos que a única diferença entre eles, os internos, e nós, os estudantes, era o jaleco branco.)

A verdade é sempre a melhor resposta, entretanto em muitas situações, muitos de nós nos escondemos (não sei do que ou de quem) e preferimos mentir ou falar meias verdades.

Jordan Peterson nos dá algumas ideias do porque mentimos.

Para ele, algumas vezes "usamos algumas palavras para manipular o mundo para que o mesmo se apresente mais agradável para nós.  Algumas vezes esse tipo de atitude é categorizado de "politicamente correto" - é a especialidade de marqueteiros inescrupulosos, vendedores, anunciantes, alguns artistas, utopistas com slogans prontos e psicopatas.  É a fala que as pessoas usam quando tentam influenciar e manipular os outros.  É o que estudantes universitários fazem quando escrevem o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) para agradar o professor, ao invés de articular e esclarecer suas próprias ideias."

Esse tipo de comportamento (as "mentirinhas") pode incluir como razões e/ou desculpas, ideias tais como "para impor minhas crenças ideológicas", "para provar que eu estou (ou estava) certo", "para parecer competente", "para evitar responsabilidade", "para ser promovido", "para assegurar que todos gostem de mim", "para minimizar conflitos imediatos", "para sempre parecer um santinho".

Com estes exemplos é fácil nos espelharmos em algum ou alguns deles e perceber com é difícil ser verdadeiro, autêntico atualmente e mais que isso, como é difícil não incorrer vez ou outra na atitude da "mentirinha" ou da tal "mentira branca".

"A mentira tem perna curta" é o famoso ditado popular.  Ele é bem real, pois cedo ou tarde (mais cedo que que imaginamos) a mentira aparece.

Jordan afirma "se você trai a você mesmo, se você diz coisas falsas, se você mente, você enfraquece seu caráter, sua personalidade.  Se você tem um caráter fraco, então seu adversário poderá eliminá-lo quando ele aparecer e o fará, inevitavelmente.  Você se esconderá, mas não haverá onde se esconder.  E então você se verá fazendo coisas terríveis." Quando ele fala em adversário ele quer dizer qualquer contratempo ou qualquer pessoa que pode vir a perceber que você mentiu e então você terá que mentir cada vez mais para corroborar sua história.

"Não há como culpar o inconsciente.  Quando um indivíduo mente, ele sabe que o fez.  Ele pode até fazer-se de cego para as consequências de sua mentira.  Ele pode até falhar em analisar ou articular seu ato passado, e em fazendo isso ele não compreenderá o que está acontecendo.  Ele pode até esquecer que mentiu e estar inconsciente deste fato. Mas ele estava ciente, no presente, durante o ato do erro e a omissão da responsabilidade.  Naquele momento, ele sabia o que fazia". E mesmo que ele tenha "esquecido" que tenha faltado com a verdade num dado momento passado, as consequências desse ato cobrarão um preço muito alto no futuro.

"A mentira corrói a estrutura do caráter." 

"Aqueles que mentem corriqueiramente, em palavras e atos, vivem no Inferno."

"É a mentira que faz as pessoas miseráveis além do que elas podem suportar.  É a mentira que preenche as almas humanas com ressentimento e ideias de vingança.  É a mentira que produz o terrível sofrimento da humanidade: a morte nos campos nazistas; as câmaras de tortura e genocídios de Stálin e do monstro maior, Mao.  Foi a mentira que matou centenas de milhões de pessoas no século vinte.  Foi a mentira que quase dizimou a própria civilização. É a mentira que ainda nos ameaça, muito profundamente, hoje."

"Não minta.  Especialmente para você mesmo."

Peterson relata sua própria experiência:  "Eu experimento uma sensação interna de estar afundando e de estar dividido, ao invés de solidez e força, quando sou incauto com meus atos e palavras.  Essa sensação parece estar centrada no meu plexo solar, onde parece haver um grande nó de tecido nervoso.  É através dessas sensações que percebo que estou mentindo.  Algumas vezes uso palavras para aparecer.  Outras vezes estou tentando disfarçar minha real ignorância do tópico em questão.  Algumas vezes estou usando palavras dos outros para evitar a responsabilidade de pensar por mim mesmo."

"A mentira corrompe o mundo.  Pior; esse é seu intento".

Hoje, como nunca, onde temos dificuldade de ver a verdade, podemos perceber como a mentira traz um rastro de desequilíbrio e este, por sua vez, traz insegurança e medo.

Para finalizar, Peterson pede: "Veja a verdade.  Diga a verdade."

"Sua verdade só pode ser vista por você baseada nas circunstâncias únicas de sua vida."

Ele termina: "Se sua vida não é o que poderia ser, tente dizer a verdade.  Se você está preso/atado a uma ideologia, ou afundado no niilismo (corrente filosófica que acredita no vazio), tente dizer a verdade.  Se você se sente fraco e rejeitado, desesperado, confuso, tente dizer a verdade.  No Paraíso todos falam a verdade.  Essa é a característica que faz dele o Paraíso."

"Fale a verdade, ou, pelo menos, não minta."

Boa reflexão a todos.  

Até.


 


  








sexta-feira, 12 de março de 2021

A ANSIEDADE NOSSA DE CADA DIA

 Caros Leitores,

Uma de minhas leitoras sugeriu que eu escrevesse um texto sobre ansiedade - afinal de contas, essa sensação está presente na vida da maioria das pessoas, principalmente nos dias atuais.  Então, o que é realmente a ansiedade, quais suas causas, seus benefícios e malefícios e como lidar com ela?

No dicionário Aurélio Ansiedade é: Psic. Estado afetivo em que há sentimento de insegurança.  Ansioso é aquele que tem ânsia ou anseio.  Ânsia: 1. aflição, angústia; 2. desejo ardente, anseio, anelo; 3. perturbação de espírito causada pela incerteza ou pelo receio.  Também temos a origem, o verbo Ansiar: 1. causar ânsia ou ansiedade a: oprimir, angustiar; 2. desejar ardentemente ou com ânsia, anelar, almejar; 3. ter ou padecer ânsias; 4. respirar com dificuldade ou ruidosamente, ofegar; 5. angustiar-se, agoniar-se.

Bem, vamos tentar destrinchar tudo isso.  A palavra ansiedade está na boca de muitas pessoas atualmente, entretanto esse sentimento muitas vezes é diagnosticado erroneamente.  Alguns confundem uma pessoa acelerada com uma pessoa ansiosa.

Via de regra, a ansiedade está atrelada à situações ou preocupações futuras; aliás falar de preocupações futuras é um pleonasmo, pois a ideia não é pré-ocupar-se e sim ocupar-se...

Então, quando nos ocupamos, fazemos alguma coisa, não há tempo hábil para sentirmos ansiedade, mesmo que tenhamos algumas questões futuras, pendentes a resolver.

Hammed no livro "As dores da Alma" afirma: "A preocupação pode produzir ansiedade, levando-nos, a partir de então, a imaginar fatos catastróficos.  Quando nos preocupamos com o futuro, não vivemos o agora e sofremos imensa imobilização, que toma conta do nosso presente, advinda de coisas que irão ou não acontecer no amanhã.  A reunião de todas as nossas ansiedades não poderá alterar nosso destino; somente nosso empenho, determinação e vontade no momento presente é que poderá transformá-lo para melhor. 

As situações calamitosas que imaginamos apenas se materialização, se as dramatizarmos constantemente.  Se imprimirmos com pensamentos trágicos os fatos e acontecimentos da vida, eles assumirão proporções que não tinham a princípio e, realmente, se tornarão realidade.  Criaturas trágicas atrairão certamente a tragédia."

Assim, viver o agora, trabalhando, se ocupando além de afastar a ansiedade, ainda traz um relativo bem estar.  Como dizem popularmente "o futuro a Deus pertence."

Nossa vida depende em grande parte, de nossos pensamentos - se eles são bons, cheios de esperança, mesmo que algo de ruim aconteça conseguimos compreender sua amplitude e muitas vezes, as consequências são aceitas da melhor maneira possível.  Ao contrário, se nossos pensamentos são pessimistas, esperando as catástrofes, elas fatalmente virão e, se porventura nesse ínterim, acontecerem coisas boas, nem perceberemos.  Existe um termo na psicologia chamado "profecia auto realizadora": "se refere ao processo no qual uma pessoa ao acreditar na possibilidade da ocorrência de determinados eventos contribui para que de fato eles ocorram sem perceber sua participação." (blog.opsicologo.com.br)

Encontrei na internet bons exemplos dessa ideia:

-"se uma pessoa que não se acredita capaz de concorrer a determinada vaga de emprego, pode apresentar-se a esta vaga de forma inadequada e sem demonstração de interesse que faria o selecionador acreditar que o próprio candidato não quer a vaga;

- um professor que não acredita no potencial de determinado aluno, por algum preconceito, talvez pode não aplicar tanto seu interesse, tempo e técnicas de forma a dificultar o aprendizado desse aluno;

- uma pessoa que não acredita que possua atrativos, pode vestir-se de forma tão desleixada a ponto de não permitir que seus reais atrativos sejam vistos, etc. 

Este processo não é consciente e nem sempre esta pessoa deseja que tais coisas aconteçam, mas ao "profetizar" ou seja, ao acreditar que ocorrerão, acabará por colaborar para este desfecho sem ao menos perceber o quanto interferiu no resultado." ( blog.opsicologo.com.br.)

Hammed continua "Lembremo-nos, porém, de que a imaginação serve para criarmos quadros de alegria, beleza, progresso, amor.  No entanto, se a estivermos usando para produzir tristeza, ansiedade, abandono, medo e desconfiança, o melhor a fazer é interromper o negativismo e mudar o estado mental."

Então, em relação a ansiedade, ela só acontece quando não temos bons pensamentos a respeito de situações que ainda não ocorreram.  Entendo que muitas vezes a vida nos traz insegurança, principalmente no momento atual que vivemos pois não temos o controle de nada e outras pessoas creem poder ditar regras de conduta para nós.  Nessa situação quando podemos reverter esse processo que o façamos - entretanto, em outros momentos não há o que fazer, mas "dançar conforme a música."

A ansiedade ocorre também quando não vemos "luz no fim do túnel" - então é quando perdemos a esperança e sua prima-irmã, a fé.  Assim, aqui a ideia é eliminar a ansiedade com boas doses de fé e esperança; afinal de contas foi o que sobrou na caixa de Pandora.

O ansioso possui muito pouco do sentimento da paciência.  Assim, a existência da ansiedade numa pessoa é proporcional à inexistência da paciência em sua vida.

Hammed pede que analisemos as plantas: " se quiseres que elas cresçam e se desenvolvam, limita-te a deixá-las viver naturalmente, pois, por mais que possas dispensar-lhes cuidados e zelos contínuos, somente quando estiverem prontas é que brotarão e se cobrirão de flores."

Então, ele continua: "Não queiras burlar as barreiras naturais do Universo, acalma-te, procura caminhar passo após passo, porque somente assim chegarás à serenidade que tanto procuras.

Não tentes fazer de tua vida um caminho meticuloso, calculando tua existência minuciosamente, pois estarás prejudicando o ritmo natural dos acontecimentos.

Não tenhas pressa - a paciência te ajudará a atravessar o momento de crise e os frutos do amanhã serão proporcionais à tua paciência de agora."

Para finalizar, lembremo-nos que a ansiedade é um sofrimento inútil em nossa mente e pode nos inclinar à enfermidade, prejudicando muitas oportunidades na vida - policiemos assim nossos pensamentos, assegurando-lhes a serenidade necessária para levarmos nossa vida adiante.

Você tem momentos de ansiedade em sua vida? Se os têm, como lida com eles?

Boa semana!










quinta-feira, 4 de março de 2021

BUSQUE O QUE É SIGNIFICATIVO, NÃO O QUE É CONVENIENTE

Amigos leitores,

Vamos à sétima regra do livro "Doze Regras para a Vida" de Jordan Peterson: "Busque o que é significativo, não o que é conveniente".

Para compreendermos essa afirmação devemos entender o que é significativo e o que é conveniente.

No Dic. Aurélio: Significativo: 1. Que significa; 2. Que expressa com clareza; 3. Que contém revelação interessante, expressiva. E Conveniente: 1.Útil, proveitoso, interessante; 2. Vantajoso, cômodo; 3. Favorável, propício, oportuno; 4. Decoroso, decente.

Eu entendo como significativo uma coisa importante, que claramente me auxilia no meu crescimento como ser humano, que revela não somente algo sobre o mundo que me cerca, onde eu vivo, mas também algo sobre mim mesma.  Em contrapartida, entendo como conveniente aquilo que está facilmente ao meu alcance, que é cômodo, que pode me trazer vantagens, principalmente materiais; também traz a ideia de algo favorável, propício, assim como uma oportunidade imperdível.  A última definição que o dicionário traz de conveniente vem do verbo convir e então me lembro da frase de Paulo de Tarso: "Tudo posso mas nem tudo me convém" - refletindo nessa afirmação, vislumbro situações na vida que são lícitas, as quais posso me envolver, mas que não me trarão boas consequências.

Nessa regra, Jordan Peterson traz muitas ideias interessantes e proveitosas - tentarei trazer a todos as ideias que fazem eco em meu espírito, aquelas nas quais acredito serem genuínas para o bem viver.

Primeiramente, ele discorre sobre a diferença entre trabalho duro, árduo e sacrifícios que fazemos na vida - as duas situações não possuem diferença em suas ações mas são diferentes em sua essência, pois podem levar a consequências diversas.

Por exemplo, o castor é um construtor nato, assim como nosso joão-de-barro - eles constroem suas casas, seus ninhos de maneira instintiva - nenhum deles diz: "Ah, está um lindo dia, então não vou construir meu ninho/casa hoje e vou para a praia".  Entretanto, o ser humano constrói sua casa, por exemplo, porque ela pode trazer-lhe conforto futuro.

"Nós aprendemos que se agirmos adequadamente agora, no presente - regulando nossos impulsos, considerando as dificuldades dos outros - podemos obter recompensas no futuro." Assim muitos sacrifícios que fazemos hoje, como separar e guardar dinheiro para comprar uma casa, um carro, viajar;  parar de ingerir determinada substância que nos causa mal ou quando queremos emagrecer; ficar calado numa reunião familiar ou de amigos para apenas ouvir e dar oportunidade a outros para se expressarem; deixar de ir a um lugar "badalado" para visitar um parente doente, por exemplo - são pequenos ou até grandes atos que podemos fazer para vislumbrar uma consequência que nos fará sentirmo-nos mais realizados e pacíficos mais adiante.

Então muitos sacrifícios são significativos pois podem levar a boas consequências; digo podem pois alguns sacrifícios que fazemos para alcançar um certo objetivo podem, no meio do caminho, ser mudados ou pela nossa vontade ou até por circunstâncias alheias a ela.

Peterson afirma: "Se o mundo que você está vendo não é o mundo que você quer, é hora de examinar seus valores.  É hora de você livrar-se de seus pressupostos atuais.  É hora de deixá-los ir.  Pode até ser o momento de você ter que sacrificar o que mais ama, assim você poderá vir a ser, do que continuar sendo o que é." Ao meu ver essa é uma maneira interessante de mudar sua visão do mundo.  Às vezes queremos mudar o outro, o mundo e se somente mudássemos a maneira de vê-los, eles, o outro e o mundo, tornar-se-iam "digeríveis" para nós. Jordan Peterson nos traz um exemplo para entendermos melhor o que quero dizer.

Xenofonte, discípulo de Sócrates, escreve em seu livro "Apologia de Sócrates", sobre como "Sócrates radicalmente alterou sua visão do significado de seu julgamento." ( Sócrates foi sentenciado a tomar cicuta, um veneno mortal, porque suas ideias estavam contrárias às ideias da época). "Ele começou a considerar que poderia ser uma benção, ao invés de uma maldição.  A decisão de Sócrates de aceitar seu destino permitiu a ele colocar de lado o terror mortal que sentia sabendo que iria morrer logo, antes, durante e após seu julgamento e até durante sua execução.  Ele viu que sua vida tinha sido tão rica e tão completa que ele podia abandoná-la graciosamente.  A ele foi dada a oportunidade de colocar seus assuntos em ordem.  Ele também viu que podia livrar-se da lenta degeneração do avanço dos anos.  Ele entendeu que o que estava acontecendo para ele era um presente dos deuses."

Sócrates mudou sua maneira de encarar seu destino  como uma tragédia e aceitou-o.  Dessa maneira sofreu pouco e como disse Jordan Peterson "e então, ele tomou o veneno como um homem."

"Se você cessa de proferir mentiras e vive de acordo com o que sua consciência dita, você mantém sua dignidade, mesmo quando estiver enfrentando uma ameaça final." - "Se você viver adequadamente, você poderá descobrir um significado tão profundo em sua vida o qual o protegerá até do medo da morte."

Para que nossa vida tenha significado ela precisa ser vivida na íntegra - você precisa dar um sentido à ela.  Buscar realizar aquilo que sua alma almeja.  Aquilo que te dá dignidade e que faz com que você se  sinta um ser humano completo. Peterson traz algumas conclusões morais, as quais ele delineou após ter refletido sobre essa regra:  "Preste atenção.  Faça o que você pode fazer.  Não seja arrogante em seu conhecimento.  Esforce-se para ser humilde, porque o orgulho totalitário manifesta-se em intolerância, opressão, tortura e morte.  Seja consciente de sua própria insuficiência - sua covardia, malevolência, ressentimento e ódio.  Considere a capacidade homicida de seu espírito antes de ousar acusar os outros, e antes de você tentar consertar a estrutura do mundo. E acima de tudo , não minta.  Não minta sobre nada nunca.  Mentir leva ao Inferno."

Para finalizar Peterson afirma que "não há fé, coragem ou sacrifício em fazer o que é conveniente.  Quando se busca o que é significativo percebemos que estamos no lugar certo, na hora certa, apropriadamente equilibrados entre a ordem e o caos, onde tudo está alinhado da melhor maneira naquele momento."

"O que é conveniente funciona somente por um tempo - é imediatista, impulsivo e limitado."

"O significativo é o balanço final entre o caos da transformação e possibilidade  de um  lado, e a disciplina da ordem imaculada de outro, cujo propósito é produzir, a partir do caos, uma nova ordem que se tornará mais pura, e capaz de trazer ainda caos e ordem porém, equilibrados e produtivos.  O significativo é o Caminho da vida abundante, o lugar em que você habita quando é conduzido pelo Amor e a Verdade, quando nada que você queira ou possa querer está acima disso tudo."

"Busque o que é significativo, não o que é conveniente."

Boa semana a todos. 



 

 

 

"O CAIBALION" - CAUSALIDADE

Olá leitores, O sexto Princípio Hermético é bem conhecido nosso - hoje falaremos da Causa e Efeito, onde nada é por acaso.  Esse princípio a...