sábado, 25 de fevereiro de 2023

VIDA SEM CARRO

Caros amigos leitores,

Esta semana fiquei a refletir sobre o que escrever nesse espaço.  Dentro do ônibus, em minhas andanças pela cidade, tive a ideia desse texto.  Há 13 anos atrás vendi meu carro, ainda quando morava em São Paulo, e, de lá para cá nunca mais dirigi e nem tive outro carro.

Até os dias de hoje, muitas pessoas me perguntam, perplexas, porque não tenho carro.

Essa decisão nem foi exatamente e completamente minha.  Meu marido, quando começamos a namorar não tinha carro e, enquanto eu tinha o meu, eu dirigia para nós dois, pra cima e pra baixo.

São Paulo foi ficando uma cidade difícil para o carro - o trânsito era  (creio ainda o ser) intenso, e sem lugar para estacionar.  Ao mudarmos para Curitiba, escolhemos uma casa que fica perto (umas cinco quadras) de um terminal de ônibus expresso que trafega numa canaleta exclusiva, embora os ciclistas não acreditem nisso.  De minha residência até meu consultório no centro da cidade levo de 20 a 30 minutos

Bem, obviamente há algumas desvantagens em não ter carro.  Por exemplo, se ando leve, sem problemas; mas muitas vezes há que se carregar guarda chuva (aqui chove muito), alguns pertences, livros, casaco, etc. Quando morava em Sampa, trabalhei uns 15 anos como professora particular de inglês - dava aulas em empresas, e em domicílio - nessa época, tinha carro porque tinha que levar livros, gravador.

Outra desvantagem - ao fazer viagens curtas para outros municípios, o campo ou a praia, tenho que enfrentar ônibus de viagem (dependendo da distância a percorrer) - hoje, felizmente ainda temos o Uber.

Entretanto, quando estava pensando nesse texto percebi mais vantagens do que o contrário.

A sensação de liberdade ao caminhar para nosso destino, ou ter que tomar o ônibus quando a distância é grande não tem preço.  A maioria das pessoas acredita que ter carro é ter a sensação de liberdade e não ter que "depender" do transporte coletivo.

Reflitamos: com o carro vem: o mecânico, o posto de gasolina, o borracheiro, o pagamento do IPVA, a limpeza/lavagem do carro, a renovação da habilitação, a troca de peças quebradas, o pagamento do estacionamento, e por aí vai uma dedicação sem fim.  Você perde muito tempo cuidando e pensando nele, como se dele dependesse a sua vida (bem, algumas pessoas acreditam que depende...) Se ele dá pane no meio da rua ou de uma rodovia, haja paciência e tempo não só para contatar um auxílio, guincho, por exemplo, como também aguardar sua chegada.  Se o ônibus que você está quebra ou dá um problema é só sair dele, esperar outro, ou até buscar soluções alternativas - larga-se ele lá e vai-se embora.  Com o carro é diferente - não dá para largá-lo lá.

O ponto principal  ao qual me ative para escrever esse texto foi a observação do meio social quando se está num coletivo.  Se não tivesse escolhido ser psicóloga clínica, teria sido psicóloga social. O ser humano é uma criatura excepcional para estudo - tem-se de tudo no ônibus, na rua: ambulantes, jovens com seus celulares em punho, idosos com suas bengalas, chapéus, salto altos e hoje, calças rasgadas - esse item uniformiza a todos e, infelizmente, atualmente as pessoas vestem-se muito mal (já relatei esse fato em outro texto meu "Porque a beleza importa"). Esqueci das crianças que falam alto, mas até que elas são raras no ônibus.  Os pais precisam ter carro para levá-las à escola.

Como eu ia dizendo, outra característica prazerosa, para mim é ver a natureza pela janela (quando viajo sentada; pensando melhor, até de pé consigo admirar a natureza pela janela). O percurso de minha casa para o centro e vice-e-versa é muito bonito - há árvores, flores, pássaros, gatos, cães - o trajeto passa pelo Jardim Botânico.  Curitiba é realmente uma bela cidade - tem crescido, tem muita gente e com isso também vem o barulho e a sujeira, mas ainda é uma boa cidade para se viver.  Ao caminhar a pé você, além de se exercitar, acaba conhecendo pessoas, lugares, flores, árvores, animais.  Dentro de um carro você até pode também admirar essas coisas, mas muitas vezes há que se ater ao volante ou a se enraivecer perante os percalços não só da via como também dos outros motoristas.

Quando vendi o carro senti-me muito triste, pois gostava de dirigir e também achei que tinha perdido um "poder" - "eu sei dirigir, tenho esse "poder". Hoje, ao contrário, adquiri um poder maior - o de ter minha liberdade de ir e vir quando meu aprouver.  Sem contar a economia financeira adquirida - afinal de contas, o custo de um carro é muito alto e conheço pessoas que não possuem casa própria, mas possuem o carro do ano - uma questão de escolha e prioridade.  Hoje em dia, em minha opinião, há três coisas que possuem um alto custo financeiro: filhos, pets e carros.

Acredito que muitas pessoas ao lerem esse texto podem achar que sou biruta por preferir não ter carro - mas, é que essas pessoas nunca ou quase nunca andam a pé ou de coletivo, e assim não têm essa experiência - só imaginam.

Uma vez, quando frequentava um curso, percebi que um colega sempre tinha o tênis bem limpo e praticamente novo - a sola era pouco gasta e aí perguntei à ele se ele "levitava" ao invés de caminhar e ele me contou que descia de seu apartamento pelo elevador, pegava o carro na garagem, dirigia até o local do curso, colocava o carro no estacionamento ao lado do local do curso e praticamente não caminhava na rua e então, "Voilá!" - o tênis não gastava.

Felizmente, aqui em Curitiba o preço dos calçados, tênis e botas não é caro.  Troco tênis e botas todos os anos - não só porque ando muito, mas porque as calçadas e, principalmente, o calçadão da XV de Novembro, acabam com eles.

E aí pessoal, bora caminhar e curtir o meio social?

Até!








sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

HONESTIDADE EMOCIONAL

Olá leitores,

Sempre é importante tratarmos da saúde espiritual/mental, ou seja, compreendermos e percebermos os nossos pensamentos - como eles são, isto é, somos racionais ou abstratos, otimistas ou pessimistas, rápidos ou lentos, superficiais em nossa maneira de ser? Assim, como realizar um autoconhecimento satisfatório sem percebermos o que se passa em nossas cabeças?

Antes de adentrarmos o tema propriamente dito, entendamos o que é o pensamento.

Para o dicionário Aurélio, o pensamento é: 1. ato ou efeito de pensar, meditar; processo mental que se concentra nas ideias; 2. poder de formular conceitos; 3. aquilo que é pensado; o produto do pensamento; ideia.

Bem, agora que já explicamos satisfatoriamente a definição de pensamento, falaremos hoje, entre outros temas similares, das ideias fixas.

Para o dicionário Aurélio, ideia é: 1. representação mental de coisa concreta ou abstrata; imagem; 2. elaboração intelectual, concepção; 3. conhecimento, memória, lembrança; 4. invenção, criação; 5. maneira particular de ver as coisas, opinião, conceito; 6. visão imaginária, imaginação.

O indivíduo que traz uma ideia fixa em seus pensamentos é considerado um indivíduo enfermo - ele nada vê, nada ouve, nada sente ou nada percebe além daquilo, ou daquela pessoa onde seus pensamentos ficaram cristalizados.  Essa cristalização pode durar dias, meses, anos.  Quando isto ocorre, a criatura se isola do mundo externo, passando a viver em circuito fechado, vivendo dentro do desequilíbrio, ficando assim, paralisada, dominada por esses pensamentos fixos e, estes podem ter tido sua origem em fatos reais ou em fatos ilusórios, produtos de sua imaginação.

Começamos aqui a falar daquelas pessoas que estão desarmonizadas tanto com o mundo exterior quanto consigo próprias, ou seja, com o seu mundo interior.  Esses são casos sérios de indivíduos que vivem em constantes conversações de si para consigo próprios - há um diálogo ininterrupto em seus pensamentos.  As palavras, as discussões e os pensamentos giram sem parar porque eles se fixam em determinado acontecimento ou até em determinada coisa ou pessoa e assim o seu mundo de ideias torna-se hiperativo - não há descanso e eles, por causa disso, acabam atraindo para si o mesmo problema várias vezes, repetindo-o e assim, levando-os à fadiga e dificultando o progresso moral e intelectual.  Esses são os casos de indivíduos com problemas mentais, doentes do espírito no seu aspecto mais grave.

Entretanto, a maioria de nós também tem os nossos momentos de nossas ideias fixas.  Como então fazer para percebê-las, analisá-las e minorá-las? O que dizer das ideias fixas que aparecem quando "cismamos" com alguma coisa, algum acontecimento ou alguém?

Quando há uma ideia fixa, o indivíduo se faz prisioneiro não só dos inimigos externos, mas também dos inimigos internos, ou seja, dele mesmo.  Nesse caso, ficando como já o dissemos, em "circuito fechado", ele se abstém de observar, perceber novas oportunidades de desenvolvimento e crescimento moral, mental, espiritual.  É um indivíduo aprisionado nas próprias visões íntimas.

Pessoas com ideias fixas são criaturas que tem como características mais comuns a de serem: carrancudas, tímidas, envergonhadas, supersensíveis, desprovidas de humor, reservadas, não sociáveis; não conseguem aproximar-se dos outros e expressar suas emoções e assim são avessas à afetividade - com o tempo sua capacidade amorosa se reduz e elas tornam-se indiferentes e apáticas.

Esse tipo de pessoa vive numa espécie de "desonestidade emocional", pois ela não é ela mesma, não está fazendo uso de seus potenciais internos para crescer e caminhar para frente, mas, ao contrário, cria um afastamento de si própria e do mundo que a cerca, pois pensa sempre a mesma coisa e se entrega a ela - é como uma pessoa fanática que acredita que aquilo que ela vê é tudo o que existe no mundo.  Ex.: futebol, hobbies.  São pessoas de uma única atividade.

As ideias fixas podem ocorrer pelo fato de termos dificuldade em expressar nossos sentimentos e/ou emoções.

Quando estamos com medo ou quando negamos o que sentimos podemos ocasionar uma situação que provoca alucinação.  Por exemplo, se estou com medo de estar em casa quando a luz é cortada, posso imaginar ruídos, visões de algo que não existe.  Outro exemplo pode ser o de uma pessoa que tem medo de andar de elevador, mas não sabe, ou não expressa este medo, isto é, nega esse sentimento; ela pode, uma vez dentro do elevador, sentir náusea, suar ou até falar sem parar.  Vale lembrar que ignorar as sensações e/ou os sentimentos não faz com que eles desapareçam.  O melhor a fazer é identificar, perceber o que se sente para transformá-los com vagar - esse é um desafio que se pode dominar aos poucos.

A maioria de nós aprendeu desde cedo a reprimir alguns sentimentos.  Podemos ter seguido frases-chave, com disciplina, tais como: "Não devo sentir isso"; "Homem não chora"; "Não posso demonstrar que estou com medo, com raiva, que estou magoado", etc. Esses tipos de afirmações fizeram com que tivéssemos dificuldade de entrar em contato com nossos sentimentos.

Nossa área emocional é uma parte valiosa de nós mesmos.  Ela diz respeito a quem somos, como vivemos, como crescemos e como amadurecemos.

Nossos sentimentos não podem esta guardados a "sete chaves" dentro de nós, embora eles possam ser difíceis, problemáticos, e até outras vezes explosivos e irritantes - eles devem ser reelaborados, reeducados e transformados.  Eles não podem ser reprimidos e nem permitidos a controlar nossos atos ou atitudes - só podemos modificar aquilo que conhecemos.  Se não percebo meus sentimentos e emoções não posso julgá-los bons ou ruins, ao passo que se os percebo ruins posso mudá-los para bons, após análise e observação.

O mecanismo de negação descoberto por Freud é o seguinte: "Negação é a tentativa de não aceitar na realidade um fato que perturba o ego" ("Teorias da Personalidade, James Fadiman, Robert Fraser, 1986).  Ele deve ser um mecanismo temporário e deve nos proteger até que possamos nos equipar para lidar com os fatos de nossa vida, tanto dentro quanto fora de nós.  Entretanto não podemos passar muito tempo negando a realidade.

A ideia fixa, a alucinação, ou a imaginação, consciente ou inconsciente, limita nossa liberdade de ação na vida.  Entrar em contato com o "chão da realidade" é o antídoto para não cairmos na rede das ideias fixas.

Existe uma cura definitiva para esse tipo de mal? Sim.  Basta aprimorarmos nossos sentimentos, abrandarmos nosso coração, acalmarmos nossa ansiedade e expectativas para identificar com atenção o que sentimos para poder transformar sentimentos desagradáveis em sentimentos melhores que nos auxiliem a amadurecermo-nos.

Quando decidirmos cultivar a "honestidade emocional" em todas as nossas relações, com nós mesmos ou com os outros, estabeleceremos em nós o início da edificação da paz no reino interior.

Boa semana!

Até!













 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

DANIELLE STEEL - A DAMA DO ROMANCE

Caros leitores,

Em minha juventude sempre fui uma leitora ávida, como já comentei algumas vezes nesse blog.  E continuo sendo.

Conforme fui evoluindo em minhas leituras, haviam alguns escritores que eu me recusava a ler por acharem-nos medíocres, fúteis e até os considerava como sendo leitura barata, para pessoas de pouca instrução.  Felizmente, hoje essa ideia mudou.

Há alguns anos atrás, praticamente desde que me mudei para Curitiba, costumo uma ou duas vezes por ano ir para São José dos Campos - SP ficar alguns dias em casa de minha irmã para matar as saudades.  Minha irmã é até hoje leitora assídua de Danielle Steel - sendo essa uma das escritoras a qual eu considerava fútil e enfadonha. 

Então numa dessas pequenas visitas à minha irmã resolvi pegar um dos livros dessa escritora para ler.  Qual não foi minha surpresa ao perceber que os seus livros me levavam à grandes voos pela imaginação e pelo prazer de viver.  Se me recordo bem, o primeiro livro dela que li foi "A Casa" - como diz o título é sobre uma mulher que recebe como herança uma casa, praticamente uma mansão, no campo.  A história mescla momentos de reflexão da personagem em se mudar da cidade para o campo, a reforma da casa e até a história sobre os antigos moradores.

Esse foi o início de um feliz relacionamento com essa autora.  Assim, todas as vezes que vou à casa de minha irmã, pego um livro dela para ler.  Todo ano compro um livro novo de Danielle Steel e presenteio a minha irmã - como dizem, "mato dois coelhos com uma cajadada só".  Já li uns 20 ou 30 livros dela.  Como leio muitos livros técnicos de várias áreas, vez ou outra Danielle Steel é um oásis para mim.  Sua leitura é leve, fácil, você dá asas à imaginação como mencionei e é como um relaxamento depois de um árduo dia de trabalho.  Eu recomendo - apenas aponto que quando você inicia um livro dela, este pode apresentar um pouco de dificuldade para "entrar" na história - apresentação dos personagens, localização histórica - mas depois você praticamente participa quase como um dos personagens da trama, você não quer mais largar o livro - e no fim, você sabe que sentirá saudades dos personagens.

Como ela é de descendência francesa embora seja americana, muitos de seus livros se passam entre os Estados Unidos e a França.

"Seus livros já venderam 650 milhões de exemplares em todo o mundo, foram traduzidos para 43 idiomas e publicados em 69 países.  Só no Brasil, a autora já vendeu mais de 2 milhões de exemplares." (Copiei da orelha do último livro dela que li "Jogos Perigosos" - seu primeiro livro com abordagem política - mas leve e adorável como todos.)

"Danielle Steel nasceu em 14 de agosto de 1947, em Nova Iorque, EUA, porém passou a maior parte de sua infância na França. Mãe de nove filhos e casada por cinco vezes, Steel viveu períodos de agitação sentimental." (Wikipédia)

Ela começou a escrever romances em 1973 aproximadamente e escreve de 1 a 3 livros por ano até os dias de hoje.

Bora ler algum livro de Danielle Steel?

Boa semana!



 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

O BEM E O MAL - PARTE IV

Olá leitores,

Em continuidade ao tema em questão, lembro a todos sobre as instituições apontadas nos textos anteriores: a família, a escola, a religiosidade/espiritualidade (essas duas são um pouco diferentes, mas isso fica para um próximo texto), o ambiente de trabalho/a profissão.

O bem e o mal, em minha opinião, está contido em todos nós - cada indivíduo possui sua parcela de mal e sua parcela de bem.

Quanto mais conhecemos o mundo que nos cerca e quanto mais nos conhecemos, mais fácil fica fazermos boas escolhas no dia a dia - falamos sobre pessoas más e pessoas boas.  Em realidade, seria mais adequado falarmos de atos maus e atos bons.

Cada um de nós pode escolher consciente (quando sabemos quem somos) ou inconscientemente (quando não nos conhecemos) situações na vida.  O que define uma pessoa boa é sua grande quantidade de atos bons realizados e vice-e-versa - o que define uma pessoa má é sua grande quantidade de atos maus.

Mas, em verdade, aqui falo de casos bem específicos - a maioria das pessoas está na média.  Para exemplificar, posso conhecer uma pessoa, gostar dela, perceber nela boas ações no geral, mas também detecto uma atitude sua de pouca tolerância com outras pessoas que falam muito, por exemplo, e aí posso defini-la como uma pessoa boa com esse defeito peculiar.

Ao falarmos de boas ações podemos citar a paciência, o altruísmo, a tolerância, a caridade, a indulgência, o perdão.  E, ao falarmos de más ações, podemos citar o egoísmo, o orgulho, a raiva, a mágoa, a impaciência, a irritação.

No texto anterior mencionei a inveja porque ela pode ser o estopim para muitos atos maus.  Por exemplo, a vingança, a raiva ou até mais forte - o ódio por uma pessoa.  Vale lembrar que estamos todos interligados energeticamente falando (vide meu texto "Todos estamos conectados" de 19.08.21) e sendo assim cada emoção nossa, cada sentimento, cada ação prejudicará ou beneficiará uma outra pessoa, um grupo e, por conseguinte, toda a humanidade.

Nem todo sentimento de inveja leva ao ódio ou à vingança.  Entretanto, pode contaminar nosso próprio organismo antes de prejudicar outra pessoa.  A inveja pode ocorrer em quaisquer das instâncias - na família, na escola/faculdade, na reunião religiosa, no ambiente de trabalho.  Porém se cada indivíduo pudesse perceber esse seu sentimento em si mesmo, ele poderia "bloquear" suas possíveis consequências, tais como, a raiva, a desconsideração e a falta de respeito para com a outra pessoa e, em realizando tal ato, poderia evitar o desejo de vingar-se.

A vingança pode aparecer indireta ou diretamente.  Eu diria que indiretamente poderia usar de maledicência, da calúnia e diretamente, caso tivesse algum poder sobre o indivíduo invejado, tirá-lo do emprego, rebaixá-lo de um posto superior, destruir sua reputação perante o público e assim por diante.

De tudo isso adviria o mal e em continuando nessa toada esse indivíduo poderia ser considerado mau, vil, perverso.  Se ele soubesse o porque ele está fazendo o que faz, se se conhecesse realmente, talvez ele mudasse suas ações.

Hammed, em seu livro "A busca do melhor" traz o seguinte:

"A vingança ocorre quando o indivíduo não consegue perceber seu íntimo enrijecido por velhas dores mal resolvidas.  Ao sofrer uma ofensa, crê que sua amargura será sanada somente quando houver vingança.  Como não pode se vingar de si mesmo, torna-se um acusador, um perseguidor feroz e implacável, ignorando que a vingança por si só não cura agressão física e verbal, na maioria das vezes, pelo contrário, só as agrava."

"Não existe grandeza de caráter sem bondade, assim como não existe vingança sem mediocridade."

"Quem está em perfeita harmonia não se encoleriza, mas quem está em discordância e incoerência consigo mesmo vive sempre armado, pois se acredita invadido e maltratado segue sempre inseguro.  Como não fica tranquilo, acusa os outros da sua intranquilidade."

Como já disse no outro texto: o mal faz mal para nós e o bem faz bem para nós.

A raiva, a mágoa, a impaciência, a vingança fazem mal a nós, nos trazem sofrimento - quando somos ofendidos sofremos e quando nos vingamos de quem nos ofendeu, sofremos em dobro com suas consequências - é como um ciclo vicioso.  Só a constatação de que os outros não pensam como nós, que não temos como mudá-los e que somente buscando a harmonia interior evitamos o sofrimento.  

Finalizo o texto de hoje com mais um parágrafo do livro de Hammed citado anteriormente para vossa reflexão mais profunda:

"Mais do que nos fixarmos em atitudes e palavras, é preciso mudar pensamentos e crenças.  Antes de investirmos no sentimento de vingança, devemos reavaliar as experiências vividas e buscar ajustar nossas deficiências interiores, para não repetirmos as mesmas reações precipitadas.  Reações essas que resultarão em novos sofrimentos, ofuscando os verdadeiros motivos que impulsionam nosso modo de agir desastroso."

Boa semana!




 

sábado, 28 de janeiro de 2023

O SIMBOLISMO DOS SONHOS

Caros amigos leitores,

O tema de hoje é bastante polêmico, interessante, que faz parte da vida humana, visto muitas vezes como curiosidade, estudado pelos cientistas do comportamento do sono.  Desde a antiguidade os sonhos são interpretados muitas vezes como fatos premonitórios, como fantasia ou resquícios de fatos transcorridos durante o dia.

No dicionário Aurélio, sono é: Fisiol. Estado de repouso normal e periódico, que no homem e nos animais superiores se caracteriza especialmente pela suspensão da consciência, relaxamento dos sentidos e dos músculos, diminuição do ritmo circulatório e respiratório, e atividade onírica.

Agora que definimos o sono, vamos refletir sobre o simbolismo e significado dos sonhos.  Os sonhos possuem símbolos conectados aos estados inconscientes ou conscientes da alma. Na psicologia, os símbolos contidos nos sonhos, são, em sua grande maioria, manifestações de uma parte do psiquismo que foge ao controle do consciente.

Sonho para o dicionário Aurélio é, entre outras coisas: 1. Sequência de fenômenos psíquicos (imagens, representações, atos, ideias, etc.) que involuntariamente ocorrem durante o sono.

Cada característica de cada sonho, como por exemplo, sonhar que se está voando, caindo de um edifício, com o mar, com uma floresta, com animais, com uma xícara, estar no sótão ou no porão de uma casa, ou sonhar que está num local desconhecido, pode simbolizar diferentes facetas de nossa vida interior.

A análise de nossos sonhos pode fazer com que conheçamos algumas características superficiais ou profundas de nosso inconsciente, pois, quando nos lembramos deles, eles trazem o que os psicólogos chamam de conteúdo manifesto, ou seja, aquilo que aparece através de alegorias, emblemas, figuras, paisagens, pessoas, as quais, após uma interpretação de sua simbologia pode-se chegar àquilo que interessa, isto é, ao conteúdo latente, ou seja, sentimentos reprimidos, desejos, traumas, lembranças, etc.

O sonho pode revelar variados contextos: insegurança ou medo de fatos e/ou situações que estamos na iminência de vivenciar, perturbações de saúde do corpo físico, ansiedade e/ou preocupações do dia-a-dia.

Para poder melhor analisarmos nossos sonhos, percebamos que em nosso cotidiano, em nossos gestos, em nossa linguagem utilizamos a simbologia, mesmo que não notemos.  Dentro de nós existe um grandioso mundo de símbolos.  Quando começamos a tentar decifrar esses símbolos que nos rodeiam, podemos "achar o fio da meada" para continuar tecendo o tapete por onde caminhamos em direção ao nosso objetivo.

Cada um de nós, é, ao mesmo tempo, conquista e dádiva da herança biopsicoespiritual da milenar humanidade.  Somos formados por aspectos culturais e sociais próprios da vida atual. Assim, temos em nós uma parte consciente, onde temos perfeita  noção do motivo pelo qual fazemos o que fazemos, ou dizemos o que dizemos; e outra parte inconsciente - são nossos sentimentos pensamentos que acontecem automática e involuntariamente, porque não os conhecemos.

Carl Gustav Jung, iminente psicólogo suíço, define inconsciente individual: "Uma porção de nossa mente da qual não estamos diretamente cônscios, mas que está sempre ativa, determinando uma forte e decisiva atuação sobre nossos comportamentos, realizações e sentimentos e, talvez, a mais séria de todas - sobre nossa saúde.  Tudo o que os meus sentidos percebem, mas não é discernido pela minha mente consciente: acontecimentos desprezados durante o dia, deduções concluídas de maneira precipitada, tudo o que, involuntariamente, penso, sinto, desejo, noto e faço; ideias inaceitáveis e recalcadas, afetos não consentidos e conteúdos que ainda não foram digeridos totalmente ou imaturos."

Vale lembrar que desde sempre, a humanidade analisa e registra os sonhos.  Não somente os judeus o cultivam, como está no Velho e Novo Testamentos da Bíblia, mas também outros povos.

Lembremo-nos de José do Egito que, através da interpretação dos sonhos do faraó, conseguiu salvar não só sua própria vida, mas também a de sua família e do povo egípcio naquela época.

Na América do Norte, os índios escolhiam seus xamãs através dos sonhos, além da ordenação de guerras, caçadas, além do nome dado aos recém-nascidos.

Na Grécia, os sonhos relatados pelos doentes à época de Asclépio (Esculápio para os romanos) eram os veículos de cura para suas enfermidades físicas e mentais.  Os enfermos eram levados a manusear argila para visualizarem seus sonhos e assim modelar dificuldades internas para posterior reabilitação.  Através desse manuseio, o doente entrava em contato com sua parte inconsciente e tinha assim, uma maior oportunidade para recuperar a sanidade.  Hoje, os psicoterapeutas fazem uso de técnicas similares.

A vida interior é uma vida rica a ser explorada para nosso próprio bem.  Se desejarmos nos espiritualizar não podemos nos ater à vida de aparências, de superfície. E, para tanto, o sonho é um dos melhores instrumentos de informação sobre o estado físico, psíquico e espiritual de cada um de nós.

Mas, para que a interpretação dos sonhos possa ser realizada a contento, quando efetuada por um terapeuta, por exemplo, que este conheça algumas características do indivíduo que sonha.  Quando a pessoa que sonha interpreta seu próprio sonho, ela precisa levar em conta que o material aparentemente desconexo, tem uma razão de ser e tentar decifrar a simbologia do sonho de acordo com sua vida cotidiana.

Em todos os processos de desenvolvimento da humanidade, os sonhos facilitam o crescimento e a integração do homem.  Quando as imagens oníricas são bem interpretadas e compreendidas, elas ajudam na percepção do universo espiritual.

Finalizo o texto com um alerta de Hammed: "A interpretação dos símbolos oníricos serve unicamente para explicar que eles são uma das formas de expressão do inconsciente e que necessitam ser traduzidos, a fim de facilitarem o entendimento da vida.  Porém, não serve para induzir leitores a uma análise precipitada de exótica adivinhação."

Boa semana e boa reflexão!

Até! 



 



 

 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

O BEM E O MAL - PARTE III

Leitores amigos,

Nesta terceira parte mas não última, continuarei a trazer minhas reflexões sobre esse tema.  A cada dia que passa penso nele e as ideias continuam a surgir em minha mente.  Nos textos anteriores falei da família, da religiosidade, da escola e do papel do professor.

Outra instituição que me vem à mente é o ambiente de trabalho - como existem muitos tipos de profissão, cada um deles requer um ambiente de trabalho diferente.  Obviamente não conseguirei abarcar todos eles, mas trarei alguns exemplos.  Existem fábricas, escritórios, hospitais, lojas, indústrias, escolas; existem funções nos meios de comunicação (TV, rádio, mídia em geral), na política (vereadores, senadores, deputados, prefeitos, governadores); existem trabalhadores autônomos com escritórios próprios (advogados, contadores, psicólogos, médicos, veterinários); existem aqueles trabalhadores do campo que mencionei no outro texto (criadores de gado, galinha, peixe; plantadores de frutas, verduras, grãos).

Em todas essas áreas há pessoas de diferentes graus de educação familiar, financeira, religiosa, ideológica - em sendo assim, cada um lidará, no seu ambiente de trabalho de maneira diversa, dependendo de sua personalidade.

Assim, aos poucos conseguimos refletir e visualizar boas e más ações nesses ambientes e por conseguinte, boas e más pessoas.

Em qualquer desses ambientes, uns mais outros menos, há muitos tipos de pessoas: os bons trabalhadores, os preguiçosos, os acomodados, os idealistas, os conformados, os bons colegas, os bons ajudantes, os maus administradores, e por aí vai a lista.  Alguns estão em seus ofícios  por escolha, uns outros por imposição de alguém ou até do "destino", e outros porque não "acharam" nada melhor para trabalhar.  Deste modo, cada um reagirá no seu ambiente de trabalho de acordo com sua personalidade e muitas vezes, de maneira inconsciente, por não se autoconhecer.

Assim sendo hoje, finalmente, peço a vocês que reflitam num dos grandes "vícios", se assim posso designá-lo, da vida em sociedade - a inveja.

Creio que a maioria de vocês já entenderam onde quero chegar.

A meu ver há dois tipos de inveja - a inveja do ter e a inveja do ser - há os que invejam o que o outro tem e eles não podem ter e há os que invejam o que o outro é - esse último tipo é o mais prejudicial ao bom relacionamento social.

Quando alguém inveja o que um outro tem, ele faz pouco caso desse indivíduo que tem e até o critica - muitas pessoas ao redor percebem essa atitude, mas o invejoso, na maioria das vezes não, pois é um ato inconsciente.

Quando alguém inveja o que o outro é, pode acontecer o mesmo tipo de crítica, mas há o agravante de tentar destruir essa pessoa que tem a personalidade ou algumas características desejadas, pela pessoa que inveja.

No quesito "ter" é bem verdade que nem todas as pessoas podem ter o que outros têm - mas as perguntas que ficam no ar são: precisamos ter tudo o que o outro tem? precisamos ter o último modelo de celular? um carro do ano? uma bolsa da Prada? uma camiseta do Tommy Hilfiger ou uma caneta Montblanc? Se todos pudessem caminhar na vida dentro de suas possibilidades, uma certa paz reinaria no ambiente, creio eu.

No quesito "ser" a "solução" é mais difícil.  Por exemplo, uma pessoa inveja outra que é disciplinada em seus afazeres, no seu dia a dia.  Então ela a critica, dizendo que é rígida, inflexível e, muitas vezes, gostaria de ter algumas de suas características, mas ela têm uma vontade débil, uma grande preguiça.  Nesse caso, em minha opinião, essa pessoa invejosa tem duas opções: ou tentar "copiar" a pessoa disciplinada ou aceitar-se como é.  Logicamente, ela necessita, em primeiro lugar, "perceber" sua inveja.  Caso o faça, há um trabalho árduo pela frente, mas bastante compensador trazendo como consequência um bem estar interior.  Do contrário, há um grande mal estar interior, buscando sempre a necessidade de criticar, difamar, maldizer a pessoa invejada em questão.

Hammed, em seu livro "As dores da alma" no capítulo "Inveja" traz duas afirmações que citarei para elucidar melhor o tema e por concordar com elas:

"O invejoso é inseguro e supersensivel, irritadiço e desconfiado, observador minucioso e detetive da vida alheia até a exaustão, sempre armado e alerta contra tudo e todos."

"Não há nada a nos censurar por apreciarmos os feitos das pessoas e/ou por a eles aspirarmos; o único problema é que não podemos nos comparar e querer tomar como modelo o padrão vivencial do outro."

Nessa segunda afirmação, atentemos para o detalhe bem importante de que cada indivíduo possui um "background" (vivência) diferente e por isso não podemos e nem devemos copiá-lo integralmente.

Assim, finalizo essa terceira parte (ainda haverá outros textos) com mais perguntas a refletir: já dá para imaginar onde se encontra o bem e o mal no âmbito social? já se pode compreender o porquê de suas existências? 

Até o próximo texto.

Boa semana!


 




 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

O BEM E O MAL - PARTE II

Caros amigos leitores,

Nessa segunda parte trago mais perguntas do que respostas, mais dúvidas do que certezas, mas por fim, trago reflexões próprias que possam não ser as vossas embora possam fazer com que todos pensem.

No texto anterior trouxe, ao meu ver, a importância da família e da religiosidade - também comentei que essas duas instituições estão decaídas, fracas e a primeira pergunta que faço é Por quê?

A terceira importante instituição que quero trazer à baila hoje é a escola, o ensino, a instrução.  Ela também encontra-se em crise.  Num passado não tão distante assim, aquele que sabia mais ensinava o que sabia menos e era dessa maneira que a instrução, o conhecimento era passado de geração à geração - a humanidade evolui desse jeito.  Depois vieram os livros, a didática, a formação de professores de diversas disciplinas - então, você tinha, por exemplo, o químico que trabalhava nessa área ou o professor de química, para aqueles que gostavam de ensinar. 

Com o avançar da evolução e da importância do dinheiro para todos, valorizou-se algumas profissões em detrimento de outras - umas "davam" mais dinheiro que outras e houve também o que eu chamo de "ciclos de importância" - esses ciclos vem e vão.  Já tivemos a valorização da profissão de médico, o qual ganhava muito dinheiro e tinha uma grande importância na sociedade.  Hoje, dependendo da especialidade médica ou do expertise do profissional, ele nem ganha muito, embora muitos deles ainda cultivem o status.

Atualmente no Brasil temos o ciclo dos advogados, mais precisamente a função de juízes - os quais acreditam serem os que detém a profissão mais importante do meio social.

Ao meu ver todas as profissões são muito importantes numa sociedade - muitas vezes, quando uma delas é enfraquecida ou falta, outra pode ser criada para preencher a lacuna.  Atualmente muitas novas funções surgiram por causa do avanço da tecnologia e assim, hoje muitos jovens querem trabalhar nessa área, não só porque pode parecer mais rentável, mas também porque lhe é dada uma importância demasiada, mas não verdadeira.

Todos nós precisamos nos alimentar, mas poucas pessoas querem trabalhar no plantio, na colheita, na criação de gado, frango, peixe.  Essas funções ficaram relegadas a pessoas de pouca instrução, pouca escolaridade.  Por quê? Não deveria ser uma profissão valorizada por lidar com o essencial de toda a humanidade?

Então, chegamos numa das profissões mais desvalorizadas em muitos países (excetuando-se no Japão) que é a função do professor. No Brasil, eu até arriscaria dizer que é uma das profissões onde o salário é muito aquém da importância desta atribuição.  No Japão, ela é a profissão mais importante e muito bem valorizada.  O povo japonês respeita muito o professor.  Não é à toa que é uma das culturas mais avançadas, não só em termos de tecnologia (hoje a Índia é a melhor nessa área) como também exemplo de povo educado, polido, respeitoso.

Em realidade, cada um deveria escolher a profissão que mais gostasse, que tivesse mais aptidão - mas não é o que ocorre.  Por quê? Devido a alguns fatores: nível econômico de uma família pode impedir um aluno que queria cursar medicina a não fazê-lo porque o curso é muito caro; o aluno atual muitas vezes, não sabe o que gosta, ou até não sabe no que é bom e acaba escolhendo uma área de estudo na qual lhe trará uma profissão mais rentável no futuro, sem levar em consideração se ele se sente bem ou não realizando tal função; às vezes a função do pai ou da mãe é o diferencial, ou seja, o aluno/o filho acaba escolhendo a mesma profissão dos pais, por comodismo, não por aptidão.

Esses são alguns exemplos de situações que ocorrem no âmbito social no que diz respeito à profissão, ou à escolaridade.

(Novamente muitas ideias surgem enquanto estou escrevendo - talvez esse tema necessite de uma terceira parte...)

Hoje, termino essa segunda parte com as perguntas: O que tem a ver tudo isso com o bem e o mal? A desvalorização contínua das instituições família, religiosidade, ensino/educação, trabalho/profissão nos movem para o lado do bem ou do mal? Do bem estar ou do mal estar? Por quê? Como? Tentarei responder com minhas próprias reflexões num próximo texto.  Aceito sugestões.

Boa semana!




 

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