quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

A PESSOA TRANSLÚCIDA

Olá leitores,

A palavra "translúcido"  é um adjetivo e quer dizer de acordo com o dicionário Aurélio, "que deixa passar a luz sem permitir que se vejam os objetos"  e, no sentido figurado é, "claro, evidente". O substantivo "translucidez" por sua vez é "qualidade ou estado de translúcido; diafaneidade, transparência."

Assim, uma pessoa honesta, íntegra, é uma "pessoa translúcida" - aquela que deixa passar a luz, que é transparente, clara, evidente.

Hoje, discorrerei sobre a honestidade e sua importância.  No dicionário Aurélio, "Honesto" é "1. Honrado, digno, decente. 2. Íntegro, probo, reto, decente. 3. Conveniente, correto, adequado. 4. Casto, puro, virtuoso."

A pessoa honesta é uma pessoa de bem consigo mesma e com os outros.  É uma das qualidades que facilita o progresso moral, pois quanto mais exercitada, mais fácil nos livrarmos de nossas imperfeições, desde que não sejamos honestos só com os outros, mas principalmente conosco mesmos.  Para construirmos nossos relacionamentos em bases sólidas não podemos prescindir da honestidade.  Caso contrário nossas relações sociais, familiares, afetivas, profissionais não resistirão à "fragilidade do solo". A honestidade é sempre a melhor política em todas as situações.  Entretanto a retirada das máscaras requer coragem, esforço, vontade e acima de tudo, consciência de quem somos.

O filósofo chinês Confúcio afirmou: "Vencer-se a si mesmo, controlar suas paixões, devolver a seu coração a honestidade que ele herdou da Natureza, eis a virtude perfeita.  Que vossos olhos, vossos ouvidos, vossa língua, tudo em vós seja mantido nas regras da honestidade."

Muitas pessoas se dizem honestas porque não roubam, não matam, não bebem, não fumam, etc., mas traem os amigos, os cônjuges, mentem para seus filhos.  A honestidade é mais do que isso tudo.  Somos ainda seres imperfeitos, porém isso não quer dizer que não possamos ser honestos com nossas emoções, sentimentos, palavras, atos - a honestidade não pede perfeição, apenas o reconhecimento de nossa condição de aprendizes no "palco da vida".  Aceitar limitações, reconhecer erros, buscar a verdade - posturas de uma pessoa que deseja crescer e aprender a ser honesta.

William J. Bennett em seu livro "O Livro das Virtudes", no capítulo Honestidade, afirma que ser honesto é ser real, genuíno, autêntico.  Para ele, a honestidade expressa respeito por si próprio e respeito pelos outros.

Porque alguém desejaria ser desonesto? Essa é uma pergunta que nós, brasileiros, na atualidade, sabemos responder.  Entretanto, o escritor irlandês Jonathan Swift confronta os seus leitores no livro "As viagens de Gulliver".

Gulliver, numa de suas viagens, encontra um povo tão racional que eles achavam a desonestidade quase ininteligível.  Um deles explicou a Gulliver que o uso da fala servia para que eles entendessem um ao outro e recebessem informações dos fatos; então se alguém dizia uma coisa que não era verdade, esse objetivo não era alcançado.  Swift entendia que nosso mundo não é povoado por pessoas totalmente racionais, mas ele se divertiu em apontar o fato contrário nessa passagem de seu livro.

Nós temos muitas atitudes que não se harmonizam com a razão.  Para tanto o exercício da honestidade se faz necessário para nos tornarmos pessoas íntegras e confiáveis. Bennett nos adverte que devemos levar seriamente esse exercício e reconhecer que o fato de sermos honestos é uma condição fundamental para o inter-relacionamento e a troca entre os homens, para a amizade e para a comunidade como um todo.

No momento em que formos mais honestos conosco mesmos, dificilmente seremos falsos com os outros.

O mais importante para nos sentirmos honestos é saber o porquê de nossas decisões, ações e reações.  Um hábito saudável a adquirir é investigar como se processa em nossa intimidade a  forma de perceber, sentir, justificar e argumentar diante da vida.  Cada um de nós irá realizar essa investigação de maneira diferente e individual.  O importante é começar; é usar de vontade para tal fim.  Lembremo-nos de que o resultado final é a liberdade, o bem estar, a consciência tranquila, a paz interior e a tão almejada felicidade.

Para finalizar e facilitar a reflexão, trago a definição do dicionário Aurélio de Sincero: 1. Que se expressa sem intenção de enganar; franco, leal. 2. Que se mostra disposto a reconhecer a verdade. 3. Verdadeiro, autêntico. 4. Sem afetação ou disfarce. 5. De boa fé. 6. Sem malícia.

Honesto e Sincero são sinônimos, mas, em realidade tem sutis diferenças.  Contudo ambos substantivos podem considerar-se "translúcidos".

E então, quantas pessoas translúcidas você conhece? Você se considera uma delas?

Boa semana!






 

 

quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

A "PAULIFICAÇÃO" DA "CIDADE ECOLÓGICA"

Caros leitores,

Novamente hoje escrevo um desabafo e junto dele um alerta - alerta esse por ter passado por uma experiência similar quando morava em São Paulo.

Meu bairro, Capão da Imbuia, em Curitiba, já foi considerado um bom e bonito bairro para se morar.

Quando nos mudamos para cá, meu marido e eu, fizemos amizades com a vizinhança rapidamente - embora tivéssemos sido alertados em São Paulo que o curitibano é fechado e não fala com ninguém - isso é uma lenda urbana.  Moramos numa rua sossegada e,  à noite é silenciosa.

Então, os fatos se sucederam.  Como já havíamos passado por uma situação semelhante em São Paulo foi fácil adivinhar a sucessão dos mesmos.  Para muitas pessoas isso pode parecer "coincidência" ou "paranoia de minha pessoa."

Bem, o estopim foi a construção de um Shopping Center nas adjacências - ele não é muito perto de casa, mas dá para ir a pé, principalmente para quem não tem preguiça de andar.  Em São Paulo morávamos praticamente na mesma distância do Shopping Morumbi e do Shopping Market Place.

Para a grande maioria das pessoas o Shopping Center é de extrema importância - é "seguro", estacionamento coberto, há lazer (cinema, teatro, playground), há comida (praça de alimentação), lojas que vendem de tudo (roupas, cosméticos, farmácia, papelaria).

Com toda esse estrutura é necessário (a prefeitura acredita nisso) também que o entorno seja revitalizado - ruas precisam ser alargadas, modernizadas para que todos possam chegar ao Shopping Center em grande estilo, segurança e rapidamente.

E então entra em cena, o maior amigo do homem - aquele que faz você se endividar com a sua manutenção, abastecimento, impostos num "looping" infinito - não, não é o cachorro, embora ele também traga sua gama de gastos.  Estou falando do carro - um item indispensável para aquele que acredita que sem ele você não vale nada.

Curitiba é a cidade brasileira com o maior número de carros, levando-se em conta a quantidade da população.

Assim, o próximo passo foi a prefeitura resolver fazer aqui o que eles chamam de "binário" - pegam-se duas ruas paralelas - no caso do meu bairro duas ruas que cortam o bairro praticamente ao meio - com mão dupla e as transformam em mão única - uma vai de norte a sul e a outra vice-e-versa. E adivinhem só - as duas desembocam no tal Shopping Center.  Aliás, havia até uma piada local quando ele estava sendo construído - Shopping Jockey Plaza (ele fica "ao redor" do Jockey Clube) - "o Shopping Center onde os cavalos correm e os burros assistem".

O maior drama vem agora - correu um boato no bairro que iriam cortar todas as árvores dessas duas ruas e que sobraria pouca calçada para pedestres; foi dito que teríamos que andar em fila indiana.  Ao saber dessa "fofoca" liguei para a prefeitura e foi marcada uma reunião com as arquitetas do projeto na administração regional que fica perto de casa.  Quando conversei com elas foi em junho de 2023 e em uma das ruas as obras já haviam iniciado e as árvores todas da rua já haviam sido cortadas - nessa rua não haviam muitas  - umas dez aproximadamente e a mesma ficou descaracterizada, irreconhecível mesmo - desde que nos mudamos, as árvores desta rua foram sendo todas cortadas paulatinamente. A rua principal ainda não havia começado a "matança".  Bem, elas me garantiram  que era tudo boato, trouxeram o mapa elaborado pelo Google Streetview e disseram que algumas árvores seriam cortadas (não me disseram quais) e que a rua não seria alargada.

O mês passado começaram as obras nessa rua (moro numa rua transversal, que corta essas duas ruas).  Serão cortadas todas as árvores (faltam umas dez e já cortaram umas 25) a maioria de grande porte (tipuanas) - estão sendo cortadas para que a rua seja alargada (ela atualmente tem 4 pistas, sendo 2 pistas para cada direção da via). Em realidade, não haveria realmente a necessidade de alargá-las, pois uma vez que o binário fosse estabelecido, seriam 4 pistas numa única direção.

Ontem cortaram uma gigantesca tipuana que eu admirava de minha casa (estou anexando fotos) - agora ela não existe mais...

Pergunta que não quer calar: "O projeto foi mudado ou mentiram para mim?" Parece que a cada dia colocam um novo nariz de palhaço em nossa face, não é?

Depois do choro (sim, eu choro pelas árvores, agora tão vilipendiadas pela cidade "ecológica" - outro embuste...), bola para frente - vamos às possíveis consequências:

Desertificação do bairro - muitas pessoas continuam cortando árvores, principalmente novos proprietários de casas com árvores, as quais, na opinião deles, traz sujeira...

Descaracterização do bairro - as árvores de ambos os lados da rua faziam um arco bonito de se ver.

Pouca quantidade de chuvas - talvez isso não ocorra tão drasticamente pois há um bosque do Museu de História Natural, na rua principal que pode até ajudar no índice pluviométrico.

Muito calor pela falta de sombra - Curitiba por ser muito alta, o sol quando aparece "queima" mesmo - é bem quente. Meu consultório dista 20 minutos do Capão da Imbuia (bairro onde moro) para o centro da cidade.  Quando nos mudamos em 2011, o bairro era de 2 a 3 graus centígrados mais frio que o centro da cidade - hoje é exatamente o oposto.  Coincidência?

Algumas pessoas poderão objetar: "em nome do progresso tudo é válido." Será isso um progresso?

Meu marido e eu, "compramos" a propaganda da "cidade ecológica" e ficamos felizes quando nos mudamos - o bairro era lindo (espero que ele volte a ser).  Entretanto, a cada dia que passa, de seis anos aproximadamente para cá, Curitiba vai se "paulificando" - muita sujeira, muita gente, muito barulho, muitos carros, muitas obras, muitos prédios... Aquela frase que ouvimos tantas vezes quando nos mudamos "curitibano não joga nem papel de bala no chão" não existe mais.

Acabei de ler no jornal que outro bairro também terá árvores sacrificadas em nome da construção de um novo tubo (parece que será de alvenaria) que será o primeiro a substituir os tubos transparentes e versáteis, típicos de Curitiba.  Para a construção dele serão cortados 15 pinheiros do tipo pinus.  Será no bairro Cabral perto da Faculdade de Ciências Agrárias (que ironia!).

Depois desse "desabafo" concluo que ainda é bom viver em Curitiba e que continuo, apesar da tristeza, a fazer a minha parte - plantando árvores, alimentando os pássaros, passeando pelo centro da cidade(gosto muito - há bons lugares típicos como a velha XV de Novembro e seu calçadão) e tentando ser gentis com todos - fizemos muitos amigos aqui - aliás fizemos uma vida! 

Para aqueles que leram o meu texto "Os melhores anos de minha vida" conto que não iremos mais mudar de nossa casa querida.  O vizinho não fez a gentileza de "espelhar" o projeto, construindo o sobrado com o recuo do nosso lado como gostaríamos - ele irá construir junto ao nosso muro e então, meu marido, arquiteto com grandes ideias, resolveu fazer uma claraboia em cada cômodo prejudicado  pela falta de luz (uma no meu escritório e outra no escritório dele) - desse modo a luz virá por cima do telhado.

O texto ficou longo, mas creio que deu para entender.

O alerta fica para as gerações futuras - as árvores são necessárias para o equilíbrio da natureza! Vou deixar um link para quem quiser ler um texto que fiz sobre as árvores em novembro de 2020.

https://soniahutterer.blogspot.com/2020/11/nossa-vida-depende-delas.html

As três primeiras fotos são da grande tipuana cortada. A quarta foto mostra mais uma que será cortada.  E a última foto mostra a rua com o lado direito com todas as árvores já cortadas.

Boa reflexão!











 





 

 

domingo, 14 de janeiro de 2024

QUAL É A SUA PALAVRA?

Caros leitores,

Janeiro, mês de férias - entretanto ainda podemos fazer nossas "propostas" para este ano que está iniciando.

Por esses dias ouvi um podcast que me chamou a atenção - ele falava sobre palavras.

Palavras muitas vezes são apenas palavras e muitas pessoas não dão muita importância.  Mas outras pessoas se atém a elas com unhas e dentes. Eu, de minha parte, acredito no poder que elas têm para mudar qualquer situação.

Como exemplo, peguemos duas frases significativas que trazem impacto onde forem proferidas: "Eu te amo" e "Eu odeio você". Nesse caso específico, o verbo dá o tom da situação.  A vibração da palavra "ódio" e da palavra "amor" é bem diferente e cada uma delas traz consigo uma sensação, uma "energia" diferente e bem peculiar.

Assim, pensei que neste ano, cada um de nós poderia escolher uma palavra "para chamar de sua" - uma palavra na qual pudéssemos pautar nosso ano através dela.

Então, ao invés de inúmeras "promessas" para o ano que entrou, pudéssemos escolher uma palavra que guiasse nosso comportamento para o dia a dia de 2024.

Não gostaria de citar exemplos pois os mesmos poderiam influenciar vossas escolhas, mas sem os mesmos talvez fique mais difícil de compreender o que quero dizer.  A palavra escolhida para o ano seria um substantivo.  Então temos alguns exemplos: alegria, disciplina, entretenimento, trabalho, natureza, felicidade, luz, cor/cores, caridade, fé - bem existem outras inúmeras palavras.

Eu já escolhi a minha. A ideia é fazer desse seu ano de 2024 o retrato fiel de sua palavra. Todos os seus atos, situações diárias devem levar em conta a atitude que retrata fielmente a palavra escolhida.

Compartilhe com todos a sua palavra.

A minha é Fraternidade.

Qual é a sua palavra?

Boa semana!




 

terça-feira, 2 de janeiro de 2024

"ASSIM RASTEJA A HUMANIDADE..."

Caros leitores,

Hoje, primeiro dia do ano de 2024 (escrevi ontem, embora esteja postando hoje) - entra ano e sai ano e a humanidade terrestre continua a mesma - estamos no limiar de algo grandioso e as pessoas estão cada vez mais anestesiadas - continuam consumindo coisas que nem precisam para seu dia a dia; comendo alimentos que não são bons para o organismo e então devem tomar medicamentos, os quais, através de seus efeitos colaterais os obrigam a consumir outros medicamentos numa ciranda interminável; buscam prazeres efêmeros que não trazem boas consequências; atem-se à vícios de toda ordem onde a força de vontade débil não consegue fazer com que se livrem deles; não querem tomar conhecimento sobre nossa origem, nosso destino ficando à deriva de notícias falsas e sensacionalistas dos meios de comunicação; atualmente o importante é a imagem de cada pessoa nas redes sociais, mesmo que essa imagem não retrate a realidade de cada um; consomem fotos, filmes, séries, textos curtos na internet, talvez porque não consigam ler um texto longo ou um livro o qual requer concentração e raciocínio para sua compreensão; o culto ao corpo tomou lugar do culto à mente, à cultura ancestral - cultura essa que nos trouxe até este patamar de evolução, mas como a humanidade não caminha mais, apenas rasteja e então a evolução, o crescimento torna-se cada dia mais distante.

Bem, vocês poderiam me questionar: "Pera aí! Veja a internet, que avanço tecnológico! Hoje, através de nosso celular, podemos falar com qualquer pessoa de qualquer lugar do planeta...!" "É verdade!" - eu respondo. A tecnologia deu um salto à frente do humanismo.   Logo seremos substituídos pelos robôs e então, não existirá mais a raça humana como a conhecemos - não haverá mais abraços, amizades verdadeiras, famílias, alegria genuína, amor fraternal...

O texto de hoje não é um texto animador embora eu seja uma pessoa otimista - ainda acredito que os humanos têm jeito.  Basta que uma maior percentagem de pessoas acorde desse marasmo que parece dizer "não tenho nada com isso, minha vida é outra; o outro que se vire..."

Entretanto, a realidade não é essa - somos todos interligados dentro dessa "sopa energética" que é o cosmos.  Em sendo assim o que cada um faz e o que cada um pensa é importante - quanto mais pessoas saírem desse sono letárgico e perceberem que são seres espirituais a caminho de um todo maior, mais perfeito, mais haverá esse contágio onde os bons realizando bons atos, tendo bons pensamentos poderão influenciar a massa humana a compreender que todos estamos interligados e que quando um fracassa, a humanidade sente o baque e que quando um obtém sucesso nessa ascensão todos são beneficiados.  E, como diria Luke Skywalker " A Força está com todos nós!"

A ideia desse texto surgiu ontem à noite na virada do ano.  Muito se fala sobre não soltar fogos de artifício por causa de muitos seres do planeta sofrerem com o barulho - os animais, as crianças e idosos mais sensíveis, os autistas - mas ontem aqui no meu bairro foi um absurdo - o barulho durou uns 15 minutos e à uma hora da manhã, quando se achava que tudo havia sossegado e só haviam risos, conversas e trocas de confraternização, tudo começou novamente por mais uns dez minutos.

Vocês podem pensar: "Ela é idosa e por isso não gosta de fogos!" Não, eu nunca gostei (talvez eu seja um pouco autista - afinal de contas, está na moda as pessoas diagnosticarem-se mutuamente...). O interessante é que há proibição de soltar fogos, mas não há a proibição de vendê-los ou comprá-los. 

Então, com fogos ou sem fogos, a virada de ano é como outro dia qualquer - no dia seguinte levantamos da cama para mais um dia de vida onde muitos fazem promessas de mudanças no ano que entra, mas que a quase totalidade delas não são cumpridas e são "jogadas" para a frente para o próximo ano.

Eu sofro com a inconsciência da humanidade, onde todos continuam fazendo o que todos fazem e poucos fazem a diferença - como modificar o teor vibratório de si próprio e da Terra se não se muda de atitude? Alguém já disse que não há como fazer mudanças em sua vida, se você faz sempre a mesma coisa. Há de se ter coragem  para mudar se queremos um mundo melhor - olhemos para frente sem esquecer os ensinamentos da retaguarda.  A história do mundo, de cada país e de nós mesmos é importante conhecer e refletir sobre ela, do contrário estaremos fadados a repetir tudo novamente e teremos dado um passo ínfimo em direção ao Destino Maior.  Por enquanto, em minha singela opinião, continuamos rastejando, ao invés de caminharmos sobre os dois pés.

Então, que neste novo ano possamos acordar, levantar e caminhar com os ombros firmes, buscando novos objetivos, mas tendo em mente que todos somos irmãos em humanidade, buscando o mesmo fim: a felicidade e a paz íntima.

Que 2024 seja um bom ano!








 

 

quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

SENSO CRÍTICO

Caros leitores,

A palavra "senso" vem do latim "sensus" - faculdade de raciocinar.  O sentido linguístico do termo "crítico" tem origem no grego "kritikós" - a arte de avaliar ou apreciar.

Para podermos compreender melhor o que é Senso Crítico e como ele pode nos beneficiar quando do seu uso, tomemos como ponto de partida a frase de Jesus: "Fazei aos outros aquilo que gostaríeis que vos fizessem."

Em nossas ações do dia a dia raramente nos colocamos no lugar do outro.  Muitos dirão que é difícil, outros dirão que o outro é diferente e que nós no seu lugar, em determinado momento, não sentiríamos nada ou faríamos diferentemente.  Os dois argumentos, entretanto, estão corretos.  Colocarmo-nos no lugar do outro é difícil porque o outro é uma pessoa singular que muitas vezes não compartilha da mesma opinião que nós sobre o mesmo assunto e então, este pode vir a reagir de uma maneira inusitada, diferentemente da maneira que nós reagiríamos.

Então o que fazer? Aqui podemos começar a fazer uso do tal do "senso crítico".  Como? Usando de nossa análise, raciocínio, discernimento em cada situação que nos parecer de difícil enfrentamento no nosso dia a dia.  Usamos nosso discernimento submetendo a informação recebida ao julgamento de nosso "universo interior".

Cada um de nós vê o mundo de maneira diferente - assim devemos avaliar ou apreciar a vida de acordo com fundamentos particulares de nossas experiências pessoais.

A lição maior a se aprender com esse aprendizado é que "quanto mais valorizarmos nossa força interior, mais nos sentiremos estimulados a usá-la.  Quanto mais exercitarmos o nosso senso íntimo, mais claro e eficiente ele se tornará, pois nos dará uma lucidez cada vez maior em relação a tudo e a todos."  Não é um bom estímulo para exercitarmos nossa força de vontade?

Quando aprendemos a nos interiorizar, a nos percebermos como individualidades singulares, aprenderemos a conviver conosco mesmos, embora às vezes, seremos transportados a momentos de solidão - solidão esta necessária para a reflexão.  Muitos gênios da humanidade que, pelos naturais questionamentos perante a vida foram criaturas solitárias - tais como: Leonardo da Vinci, Beethoven, Freud, Darwin, Einstein e outros.  Personagens da História, quando compelidos às investigações das coisas ou às buscas existenciais, distanciavam-se de certas pessoas.

A ideia aqui não é nos afastarmos do convívio social, pois ele é importante para ressarcirmos nossos atos errôneos, mas também para nos auto avaliarmos em nossas condutas - o ideal é separarmos momentos de silêncio e introspecção para podermos realizar a mudança de nossos comportamentos equivocados para crescermos social, psicológico e espiritualmente. Pessoas que realizam tal intento têm mais condições para auxiliar os outros e a si mesmos. 

Quando dizemos que algo está certo ou errado, estamos expressando conhecimento pessoal, subjetivo.  Em muitos casos apenas reproduzimos algo que lemos ou ouvimos sem muitas reflexões - da mesma maneira que cultivamos alguns preconceitos, muitos deles sem nem saber se condiz com aquilo que pensamos.  Quando empregamos o "senso crítico" conseguimos explicar ou fundamentar nosso parecer sobre o fato ou mensagem certa ou errada, avaliando-a; utilizamos a faculdade de raciocinar com objetividade, razões ou ponderações sensatas.

"Nossa alma tem sua própria história de vida". Muitas vezes gostaríamos que todos tivessem esse discernimento e usassem o bom senso, mas mesmo dentro de nossa casa negamos aos filhos o direito de gostar ou não de determinada coisa.  Queremos que eles tenham nossas preferências porque acreditamos serem elas melhores.  Mas todos nós nascemos com o direito de desenvolver nosso senso de análise, ou melhor dizendo, nosso "senso crítico".  Nossos filhos são criaturas únicas com condições de aperfeiçoarem seu senso crítico - ajudemo-las a realizarem esse contento, incentivando-as a realizarem suas tarefas ou fazerem suas escolhas pessoais, deixando de lado nosso medo, nossos preconceitos, nossos próprios gostos pessoais e nossa mania de acharmos que sabemos perfeitamente o que é melhor para elas. Quando nos é retirado o direito de dizermos "sim" ou "não" na situações do dia a dia, não conseguiremos esse desenvolvimento.

Para aperfeiçoarmos nossa avaliação das coisas temos que ser expostos a novas experiências.  Cada nova experiência que vivemos traz para nós novas oportunidades de mudarmos padrões de comportamento equivocados.

No exercício do desenvolvimento do "senso crítico" aprendemos a discernir - "aprender a discernir não é uma simples questão de obter informações, mas de relacioná-las com novas informações e conquistas filosóficas e científicas, integrando-as com bom senso."

Boa reflexão!


 






 

sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

OS MELHORES ANOS DE MINHA VIDA

Queridos leitores,

O texto de hoje é quase um desabafo sobre uma nova situação a qual estou passando. 

Há doze anos meu marido e eu nos mudamos de São Paulo - Capital para Curitiba no Paraná.  Meu marido , arquiteto, escolheu a casa e nos mudamos.  Era a primeira vez que moraria numa casa de madeira.  Ela foi reformada para atender nossos interesses: um amplo jardim, uma lavanderia dentro de casa, a pia da cozinha com duas cubas, no centro da casa, dois pequenos banheiros (em realidade um banheiro e um lavabo; com barra no interior do box), sem escadas (só duas pequenas rampas), cada compartimento da casa pintado numa cor diferente inclusive cor diferenciada no teto e nas paredes; piso de madeira com Bona; passadeiras de linóleo no corredor central e na sala, torneiras elétricas na pia da cozinha, na pia do banheiro e no tanque (aqui faz muito frio).

O que mais me encanta é o comedouro de pássaros, o qual pode ser avistado da sala de jantar, onde fazemos nossos cafés da manhã e podemos admirá-los se alimentando com as frutas que colocamos (existem 12 espécies de pássaros que frequentam o local diariamente - para citar alguns: sabiás laranjeira, sanhaçus azuis, periquitos, sanhaçus do coqueiro, bem-te-vis, saíras preciosas e os insetívoros: joão-de-barro, corruíras, tico-ticos, pardais; já fomos visitados pela Jacutinga(mais conhecido por Jacu), por uma coruja (mocho, aquela que tem orelhas), saracuras, guaches, pica-paus e na época das flores, muitos tipos de beija-flores) e também abelhas, insetos, besouros, borboletas, taturanas, lesmas, etc.

No início, quando compramos a casa o jardim não era tão bonito e nem tinha tantas plantas.  Haviam apenas dois limoeiros, um pé de mexerica, um pé de romã e dois cidrós.  Hoje, além disso também plantamos um ipê, o qual está imenso e já passou de longe uns seis metros de altura e que na época certa nos traz alegrias amarelas; uma jabuticabeira que a cada dia traz mais novos brotos e muitas jabuticabas (aliás agora está coberto delas) - tenho que me adiantar para comer algumas antes dos pássaros; uma cerejeira, um dedaleiro (alfineteiro) e quatro hibiscos vermelhos muito altos (hoje) plantados na calçada.

Em matéria de flores, no jardim há rosas (brancas, cor-de-rosa, vermelhas), ipomeias (branca, azul e rosa), hortênsias azuis e muitos nasturtiuns (conhecidos também por flor de chagas) (cor de laranja, vermelhos, espalhados pelo quintal/jardim, cujas sementes foram trazidas da Inglaterra quando lá estivemos em 2017.

Aqui passei os melhores 12 anos de minha vida (a infância também foi um bom período para mim; entretanto a adolescência e a mocidade não o foram).  Esse texto é quase uma maneira de manter essa casa na memória para sempre lembrar desse período com doçura.

Neste semana soubemos que a pessoa que comprou o terreno do lado direito da casa irá construir dois sobrados os quais farão com que não tenhamos mais luz desse lado da casa (é onde ficam os nossos escritórios, meu e do meu marido e a lavanderia).  Ah, esqueci de mencionar que nossa casa fica no meio do terreno, é rodeada pelo jardim, com um muro alto rodeando o terreno e com janelas em todos os cômodos e temos luz/sol em todas as estações do ano. Assim  perderemos a luz numa parte da casa, onde o jardim desse lado perderá as plantas e nós também sofreremos com um local que se tornará insalubre. Após a conversa com o proprietário, não houve como ele construir casas térreas, as quais não trariam "escuridão" para nós, resolvemos buscar outra casa.

A tristeza tomou conta de nós; fizemos uma vida nesse local com bons vizinhos, onde muito perto de casa temos um comércio local farto (hortifrúti, supermercado, farmácias, lavanderia, restaurantes, etc.) e onde à noite o silêncio é sepulcral.

Creio que há um motivo por trás de tudo isso, mas ainda não consigo visualizar qual é.

Apesar do choro, da tristeza, temos que olhar para frente - ainda temos saúde para começar tudo novamente.

Peço a Deus que na próxima residência nós também consigamos ser tão felizes como o fomos nessa casa.

Boa Semana!

P.S.: Notícias alvissareiras: ontem falamos com a arquiteta responsável pela obra e soubemos que haverá um recuo de uns dois metros de um lado dos sobrados e que este recuo se encontra do outro lado.  Então, pedimos a ela, verificar se existe uma possibilidade de este recuo ser do nosso lado.  Em sendo assim, não perderemos tanta luz e poderemos continuar aqui.  Ela acredita não ter problema pois é só virar a planta do terreno 180 graus, ou como ela disse, espelhar a planta. Mesmo porque o proprietário já conseguiu o alvará da prefeitura.  Aguardaremos essa resolução que indica ser positiva para nós.  Entretanto também vamos começar a procurar outra casa.  Seja feita a vontade de Deus e que Força esteja conosco.














 

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

LUZES DE NATAL

Olá leitores,

Outra vez chegamos ao final do ano (como o fazemos todos os anos...) e eu estou aqui hoje a pensar sobre o que escrever no blog.  Como sempre, todos vivem essa época numa correria, presentes a comprar, ceias a preparar, viagens a realizar, amigos a visitar, família a se reunir - é uma canseira só.  Eu, cá estou tranquila pois não participo de nada disso.  Meu marido e eu passamos essas datas (natal e ano novo) normalmente, sem grandes desgastes físicos e emocionais. Não fazemos ceias especiais - comemos o usual; não compramos presentes - apenas panetones para pessoas que nos ajudaram no decorrer do ano (coletores de lixo, vizinhos, alguns amigos que sempre visitamos, nossos assessores financeiros, o pessoal que trabalha no edifício onde tenho consultório, meu cabeleireiro, minha manicure, pessoal do correio); não viajamos nessa época porque não temos condições emocionais e físicas para tal - visitamos minha irmã e sobrinhos em janeiro (eles moram em São José dos Campos - SP).

Então, nesses dias nos dedicamos a ficar perambulando pela cidade visitando alguns amigos, admirando a decoração natalina (eu, de minha parte adoro as luzes de natal - ao vê-las me bate uma melancolia e uma saudade que nem sei de quê). Curitiba no natal é especial, tem muitas luzes e o pessoal das casas se esmera na decoração. Eu gosto muito.

Sábado passado fomos num Oratório de Natal e saímos de lá embevecidos pelo coral, o qual nos trouxe muita paz interior.

Na noite de natal comemos e dormimos na hora usual, mas fazemos um evangelho especial, lembrando o nascimento de nosso Mestre e agradecendo à toda espiritualidade todas as benesses e as oportunidades de crescimento e aprendizado adquiridos neste ano que já vai findando.

Que todos nós possamos nesses dias atribulados, onde o planeta parece estar realmente mudando, onde tudo parece estranho e diferente, aproveitar o silêncio interior para agradecer ao nosso Deus íntimo nossa vida de relações.

Ainda estamos razoavelmente distantes do dia 25 de dezembro, mas hoje veio essa inspiração.

Muita paz! 

Boa semana!




O FIM DE UMA CIVILIZAÇÃO - 2

  A DESTRUIÇÃO DE UMA CIDADE - 2 Caros leitores, Esse é o segundo texto da série "O Fim de uma Civilização". Hoje, ainda abordando...