sábado, 27 de setembro de 2025

"O DEMÔNIO E A SRTA. PRYM"

Caros leitores,

O livro desse mês de nosso Clube de Leitura foi o livro do escritor brasileiro Paulo Coelho, "O Demônio e a Srta. Prym".

O livro mistura suspense e crime. Já tinha lido outras obras desse autor e essa é bem diferente - não há o misticismo usual, embora haja um personagem que fala com os mortos.

O livro foi escrito em 2000 e o autor em sua nota já fala que o livro será uma luta entre o bem e o mal.

Um homem chega na cidade fictícia de Viscos disposto a provar que o mundo é mau. Então ele faz uma proposta à cidade: entregaria 10 barras de ouro se alguém matasse uma pessoa.

Na página 27, ele diz o seguinte para Srta. Prym, a qual foi incumbida de comunicar a sua proposta para a cidade:

"Meu prazo é de uma semana.  Se no final de sete dias, alguém na aldeia aparecer morto - pode ser um velho que já não produz mais, um doente incurável, ou um deficiente mental que só dá trabalho, tanto faz a vítima - este dinheiro será de seus habitantes, e eu concluirei que nós todos somos maus."

Outra fala dele nas páginas 28/29 onde ele explica sua proposta: 

"Quero saber se somos bons ou maus.  Se somos bons, Deus é justo; e me perdoará por tudo que fiz, pelo mal que desejei aos que me tentaram destruir, pelas decisões erradas que tomei nas horas mais importantes, por esta proposta que lhe faço agora - pois foi Ele quem me empurrou para o lado escuro."

"Se somos maus - então tudo é permitido, nunca tomei nenhuma decisão errada, estamos já condenados, e pouco importa o que fazemos nesta vida - pois a redenção está além dos pensamentos ou atos do ser humano."

O grupo gostou do livro, tivemos uma boa discussão sobre o bem e o mal com poucas conclusões finais.  Alguns de nós e eu me incluo, não gostamos do final, mas o livro traz boas reflexões e o suspense é mantido até o fim.

É uma boa leitura.  Eu recomendo.

Boa semana!

 


 

sábado, 20 de setembro de 2025

CARLO ACUTIS

Leitores amigos,

No dia 07.09.25, o Papa Leão XIV canonizou Carlo Acutis, um adolescente que faleceu aos 15 anos de leucemia em 2006.

Quando soube disso quis entender um pouco da vida desse adolescente.  Não sou católica, mas achei esse fato intrigante, inclusive já o chamam de "O Santo de Jeans".

No canal da BP (Brasil Paralelo) apresentaram um documentário sobre ele e pelo que entendi, realizado por pessoas da Espanha.

Carlo Acutis nasceu em Londres, de família italiana e viveu até os seus 15 anos na Itália, na cidade de Milão. 

Pelo pouco que entendo da religião católica, uma pessoa é canonizada (se torna "santa") devido a alguns "milagres" (não sei quantos, três talvez...) que advieram de sua intercessão/influência.

Carlo, em vida, era uma pessoa muito querida, ajudava a tudo e a todos que encontrava.  Era muito bom em informática e matemática.

Sua grande contribuição para a igreja católica foi catalogar todos os milagres ocorridos no mundo (pelo que eu entendi - muitos sites descrevem-no como "evangelizador da internet" - mas esse documentário não usa essa expressão).

Bem, os "milagres" aconteceram após a sua morte.  Pessoas foram curadas de moléstias graves após orarem e pedirem a ajuda de Carlo.

O próprio Papa Francisco já tinha colocado em sua agenda futura a sua possível canonização.

O que mais gostei e simpatizei com esse rapaz, foi ele expressar muitas vezes que o importante é tratar a todos com bondade e consideração.  O importante é tratar todos bem - o amor é o resultado dessa atitude.

Muitas vezes supervalorizamos o amor em si e não percebemos que ele é apenas o resultado de nossa conduta na vida.  Nossas crenças, nossos preconceitos nos afastam dessa atitude.

Acredito que Carlo Acutis em sua simplicidade, fraternidade e maneira tranquila de ser jamais considerou a possibilidade de, no futuro, tornar-se "santo".

Num mundo atual tão coberto de maldade, atos vis, mentiras, manipulações, uma pessoa simples, boa, tranquila, que não vê maldade em tudo, chame a atenção como se fosse uma atitude extraordinária.  Bem, ele nasceu, viveu e morreu antes de 2020 - então, na minha opinião faz toda a diferença! Quero dizer que hoje atos bons não são vistos com naturalidade, mas sim como uma coisa extraordinária, se é que entendem o que quero dizer.

Reflitamos!



 

sábado, 13 de setembro de 2025

CAMINHO PARA AUTO-ILUMINAÇÃO

Caros leitores,

No domingo passado assisti a uma palestra que me fez reavaliar meus valores.  Acredito que todos nós deveríamos realizar essa tarefa vez ou outra.  Muitas vezes nos arraigamos em nossas crenças, nossos valores, às vezes, crenças e valores que ao longo do tempo não nos trouxeram bem estar ou paz.  Então, "o mestre aparece quando estamos prontos" como dizem.

Há algum tempo não estava sentindo-me bem - haviam ideias que pululavam em minha mente, mas eu não conseguia colocá-las em ordem.  Creio que muitas pessoas também estejam sentindo-se dessa maneira.

A palestra tinha como título "Jornada de auto-iluminação" - confesso que achei o título bem pomposo!  A palestrante começou sua fala calmamente e começou pela figura iluminada de Jesus Cristo! Ah, então foi uma palestra religiosa? Sim e não.  Ao longo de sua exposição trouxe exemplos de pessoas comuns e famosas e suas dificuldades no caminho da auto-iluminação.

Então lá pela segunda metade de sua apresentação comecei a compreender aonde ela queria chegar.

Sua fala, seus comentários, suas conclusões já eram conhecidas para mim, entretanto algo dentro do meu íntimo começou a fazer eco - comecei a entender a tal jornada a caminho da iluminação.  

Já comentei em outros textos que após 2020, a maneira que encarava o mundo foi mudada.  E agora após 5 anos eu ainda tentava entender como continuar minha caminhada pelo planeta.  Nesse tempo tentei modificar meus conceitos e valores sobre tudo e todos, mas nessa palestra acabei de volta ao meu passado e comecei a compreender e analisar a minha "jornada de auto-iluminação".

Nesses 5 anos tentei me livrar daquilo que acreditava, achando que era bobagem cultivar crenças que considerei, nesse tempo, errôneas.  E hoje elas retornaram a mim de uma maneira mais lúcida, clara e reconfortante - a idade quando avança no tempo nos traz essa transparência e só não a percebe quem não olha para dentro e quem não reflete sobre a sua própria existência.  

Sempre acreditei que a vida de cada um tem um propósito e que cabe a cada indivíduo descobrir qual é.  A vida não é simplesmente uma sucessão de atos, de situações e prazeres e/ou sofrimentos. Aquele que nunca pára para se analisar ou até que se recusa a fazer isso, perde o compasso em direção ao seu objetivo/propósito.

Após 2020 tentei mudar minha maneira de ver a vida, tornei-me rebelde, bem sempre fui, às situações pré-estabelecidas e disse "Chega! Vou buscar outro caminho!"

Mas o destino, o plano maior, Deus, como queiram chamar, mostrou-me que eu não estava equivocada em minhas crenças, apenas precisava fazer umas mudanças em meus paradigmas.

E então, essa palestra aconteceu - a palestrante falava devagar, usava bem as palavras, e em sua calma eu encontrei o fio da meada e pude retomar meu caminhar em direção ao meu propósito nesta existência.

Assim, saí do local da palestra andando nas nuvens e ainda tentando compreender aonde estive perdida nesses cinco anos - em realidade hoje entendo que eu estava fazendo uma revisão interna sobre o que é a vida, qual o seu propósito, porque estou aonde estou, com a família de origem e meus amigos e, meu marido.  Aliás, muito dessa reflexão devo ao meu marido, meu companheiro e meu melhor amigo.  O destino/Deus deixou-me à procura de uma companhia para essa jornada há tanto tempo... Mas quando reencontrei essa "alma gêmea" (creio que estivemos juntos há tantas vidas...) a vida começou a ficar mais leve e pude e ainda posso ser livre para escolher aonde quero estar.

Sim, essa palestra, essa fala, essa apresentação me trouxe de volta ao meu mundo interno onde posso buscar respostas para os fatos do dia-a-dia com mais paciência, tolerância e fraternidade.

Essa jornada é fácil para aqueles que compreendem que os altos e baixos ocorrem absolutamente na vida de todos nós do planeta - para aqueles que compreendem essa característica o caminho se faz mais leve, mas para aqueles que ainda não tiveram esse "insight" o caminho tem mais pedras, depressões e obstáculos.

Afinal de contas, todos estamos no "mesmo barco" como costumamos dizer, embora alguns estejam na proa, outros na popa, uns com coletes salva-vidas por não saberem nadar e outros exímios nadadores.  Entretanto esse barco levará todos para o mesmo lugar - o lugar da auto-iluminação!

Boa reflexão!


sábado, 6 de setembro de 2025

EM SILÊNCIO

Olá leitores,

Hoje vi um vídeo no YouTube que achei bem interessante.  Ele compilou conceitos da psicologia analítica de Carl Gustav Jung, meu eterno mestre, e resumiu com ideias de comportamentos que podemos mudar em nós mesmos no silêncio de nosso íntimo.

A psicologia de Jung é voltada para o processo de individuação, onde no decorrer de nossa existência  devemos, se possível, nos tornar autênticos - ou seja, buscarmos nossa essência e nos transformarmos naquilo que somos verdadeiramente.

Num mundo onde nos voltamos para a vida exterior, onde participamos da vida social extravasando nossa personalidade, são sugeridos através dos escritos de Jung, cinco coisas que deveriam ser eliminadas em nossa vida as quais podem e devem ser feitas em silêncio, sem alarde, sem reconhecimento.

Todos nós, sem exceção, temos o poder de mudar características dentro de nós mesmos, em silêncio.  Para tanto, devemos deixar para trás hábitos, pensamentos, relações, crenças - ou seja, tudo que impede que vivamos com mais autenticidade.  Obviamente, é preciso deixar claro que só mudaremos aquilo que nos incomoda e que, muitas vezes, não percebemos, e que impedem nosso crescimento, nosso desenvolvimento na vida social, mental, emocional e espiritual.

Assim, sem mais delongas, vamos às cinco coisas.

1. Pessoas que drenam a nossa energia

Muitas vezes é difícil perceber aquilo que muitos chamam de "pessoas tóxicas".  São aqueles indivíduos que reclamam, criticam, desmotivam, manipulam ou estão em posição de vítimas o tempo todo. Lembremo-nos que tudo ao nosso redor nos influencia.

Estar com essas pessoas nos esgotam - são pessoas do nosso convívio, nosso trabalho, colegas de classe, vizinhos e, infelizmente pode até ser um parente que você deve visitar vez ou outra.  O que fazer então numa situação dessa? Ninguém precisa saber que você tem essa dificuldade com esse tipo de pessoa - só você sabe desse fato.  Se não der para eliminá-la de sua vida, reduzir a presença é uma opção - afinal de contas você não gosta de sentir-se drenado, sem energia, não é? O crescimento pessoal envolve escolhas difíceis.

2. Máscaras sociais

Todos nós, em diferentes momentos de nossa vida, tivemos que usar máscaras.  São papéis que representamos nos diversos ambientes que frequentamos - Jung chamou essa característica de Persona (máscara usada na Grécia Antiga em representações teatrais). Usamos as máscaras pelo cuidado com nossa busca por aceitação.  Aliás, nos dias atuais todos nós queremos ser aceitos por tudo e por todos.  Entretanto, isso nos esgota e nos traz ansiedade, pois os papéis  que representamos não somos nós em realidade.

3. Hábito de se auto sabotar

Em minha opinião, essa é a característica mais difícil de abandonar, uma vez que ela é sutil, de difícil percepção por nós mesmos.

Aqui vão alguns sinais para facilitar a percepção: procrastinação, auto crítica excessiva, perfeccionismo, comparações constantes, medo de se expor, sensação de não merecimento.  Creio que agora ficou fácil de perceber a auto sabotagem, não é?  Não acredite que as coisas ruins em sua vida são azar, destino ou que sua vida é difícil.

Para abandonar esse hábito você precisa começar aos poucos sua mudança, com pequenos atos de coragem e gestos de amor próprio.

4. Necessidade de validação externa

A caminho do processo de individuação, como Jung o denominou, não precisamos e nem devemos ou podemos precisar da aprovação alheia.  Essa validação externa/do outro é uma prisão.  Você constrói uma vida que agrada aos outros, mas não te satisfaz.  A consequência disso é um vazio silencioso - não é, como nos propomos aqui. Propomos um mundo íntimo silencioso para o meio externo, mas rico de possibilidades para o meio interno.

Aqui valem as perguntas: "Isso é realmente o que eu quero? Ou faço isso para ser aceito? Por que preciso ser aceito? E por quem?"

Como já foi dito, fazer escolhas próprias é um ato de coragem.  A verdadeira liberdade é quando não nos preocupamos com o que os outros vão falar - a verdadeira aprovação vem de dentro.

5. Vícios que anestesiam sua alma

Esse item é até bem fácil de perceber.  Exemplos são o que não faltam: redes sociais, trabalhar até a exaustão, comprar o que não precisa, comer sem fome e por aí vai. Para facilitar a descoberta de vícios que anestesiam sua alma, pergunte-se o que você faz ou consome quando está triste, cansado.

Outro tema de Jung é a Sombra - aquilo que desconhecemos de nós mesmos; podem ser características positivas ou negativas - tudo é Sombra.  Para entender como eliminar os vícios que anestesiam sua alma você deve integrar a Sombra no silêncio, no espaço vazio.

Tudo ocorre em silêncio.  Em silêncio você deve ter a coragem de ficar consigo mesmo.  A verdadeira transformação acontece no íntimo, no silêncio.

Pense nisso!








  

sábado, 30 de agosto de 2025

CAPACIDADE ESCONDIDA

Caros leitores,

Há muito tempo atrás li um livro de Hammed intitulado "A Imensidão dos sentidos" e hoje folheando-o achei interessante resgatar algumas ideias dele para o texto de hoje.  Esse tópico do qual me refiro no título, Hammed o colocou como "capacidade ignorada" em um de seus capítulos.

Vocês lerão no decorrer do texto como essa capacidade que todos nós temos é ignorada e portanto escondida em nosso interior.

A vida de cada um de nós é influenciada pela força de nosso pensamento - o recurso mais poderoso que temos ao nosso alcance é o ato de pensar - tudo o que pensamos se materializa.  A força de nosso pensamento transforma ondas energéticas em componentes sólidos com forma e sentido.  Como nosso corpo material está intimamente ligado ao corpo espiritual, compreendemos que o indivíduo enfermo é, em verdade, um reflexo de seus atos e atitudes desarmônicas.

Nossas anomalias, debilidades, insanidades são uma expressão do desajuste de nossa consciência, que se materializa no corpo físico.

Assim sendo, Hammed nos pede que tenhamos "novos olhos"  para transformar nossa maneira de ver, observar e interpretar nossas doenças.

Há uma necessidade urgente de perceber nossas sensações interiores.  A cada situação específica de nossa vida deveríamos nos perguntar "O que senti com isso que me aconteceu?" ou até no tempo presente "O que sinto com isso que me acontece?" "Sinto alegria? Tristeza? Raiva? Bem Estar?" e depois da constatação das sensações, sentimentos, perguntar-se "Por que isto aconteceu agora?" ou "Por que isto acontece sempre?" e então depois, corajosamente, perguntar-se "O que posso fazer para não mais me sentir desse jeito?" (quando há sensações negativas envolvidas) ou "O que posso fazer para me sentir sempre assim?" (quando há sensações positivas envolvidas), ou melhor, "Que tipos de comportamentos devo mudar para não repetir acontecimentos como estes no futuro ou ao contrário, no caso de uma sensação agradável, perpetuar esses acontecimentos?"

Assim, nossa maneira de pensar é a "escultora" de nosso corpo físico; nossos pensamentos comandam as funções internas e externas, construindo, reconstruindo, reformando, transformando o nosso organismo.

Hammed lista alguns pensamentos, sentimentos e emoções e suas sensações específicas:

"O medo nos dá uma sensação que aprisiona, o pranto nos alivia, o perdão nos liberta, a mágoa nos adoece, o amor nos cura, a ansiedade nos enfraquece, a insegurança nos desmotiva, a rigidez nos inibe, a culpa nos constrange, a ilusão nos entorpece, o orgulho nos martiriza, a crueldade nos agride, a preocupação nos paralisa."

A enfermidade e a saúde são apenas a solidificação de constantes atitudes mentais.  Com isso em mente, atentemos para algumas crenças que por ventura adicionamos ao nosso modo de pensar - crenças são ideias ou pensamentos que aceitamos como verdade que criam equilíbrio ou deformidade em nosso corpo fisiológico.

"Cada estrutura celular, ou cada órgão interno, reage a cada emoção que sentimos ou a cada expressão que verbalizamos."

Hammed afirma "Organizamos nossos espaços interno e externo de acordo com nossas relações emocionais com os outros e com nós mesmos." Nossa postura corporal pode estar tensionada porque contraímos, esticamos, desviamos, paralisamos ou inflamos nossos músculos.

Nossa força de vontade pode ser usada a favor de nossos ideais mais nobres, desmanchando velhas estruturas energéticas que não mais sejam úteis à nossa vida, e tecendo novas formas de viver.

Hammed traz exemplos de atitudes e suas consequências, as quais devem  ser analisadas com certo cuidado.  São elas:

- atitudes controladoras e dominadoras podem provocar inflamações na espinha dorsal;

- atitudes de ansiedade e preocupação geralmente se manifestam em forma de gastrite, úlceras, azia e outros problemas digestivos;

- atitudes de apego ou dependência afetiva podem causar intensos movimentos peristálticos e tensão na área muscular abdominal;

- atitudes de temor ou pânico refletem sobre as vísceras, ocasionando paradas intestinais ou diarreias que não cessam;

- atitudes de perfeccionismo criam enrijecimento ou deformações ósseas, podendo causar artrites ou artroses;

- atitudes de submissão e passividade desenvolvem um arqueamento das costas - cifose - decorrente da contenção de energia bloqueada nessa área;

- atitudes de culpa e ressentimento podem originar nódulos, cistos ou gânglios no corpo, resultantes de estados crônicos de tristeza e mágoa mal resolvida.

A reflexão que gostaria com esse texto é conscientizarmo-nos dessa capacidade até hoje ignorada/escondida de que podemos e devemos restaurar ou até aperfeiçoar nossas estruturas celulares danificadas com o nosso pensamento e nossa vontade.

A ideia central é descobrir o auto curador que há em todos nós.  Para tanto, analisemos nossos conjuntos de crenças e regras interiores, estas muitas vezes, distorcidas por ambientes familiares e/ou sociais inadequados.

Os benfeitores do planeta não nos curarão magicamente, sem nos dar oportunidades de perceber quais atitudes ou emoções nos ocasionaram nossas doenças.  Eles, nossos mentores/anjos da guarda/guardiões ou como quiserem chamar, nos facilitam a conscientização para que nós mesmos possamos transformar a enfermidade em saúde.  Esse é o caminho da evolução própria baseada no livre arbítrio.

Para finalizar, creio que, depois de toda essa explanação, podemos compreender perfeitamente porque Jesus dizia em muitos momentos no ato da cura "A tua fé te salvou" (Lucas, 17:19).

Boa reflexão!









 

sábado, 23 de agosto de 2025

O FAROL E A LIBÉLULA

Caros leitores,

O livro do mês de agosto de nosso Clube de Leitura foi de autoria de uma escritora canadense premiada.  "O Farol e a Libélula" é seu primeiro romance para adultos.  O nome dela é Jean E. Pendziwol e "ela mora aos pés das montanhas Nor'Wester, perto do Lago Superior, e tira sua inspiração para escrever da rica história, da cultura e da geografia do noroeste de Ontário, no Canadá.  Ela tem três filhos adultos, um vira-lata amável e várias galinhas temperamentais, todos ocasionalmente visitados por cervos, raposas, lobos e ursos."

A obra foi escrita em 2017 com o título original em inglês de "Lightkeeper's Daughters" ("As filhas do faroleiro").  Acredito que o título em português foi adotado por ser mais poético, em minha opinião, e talvez por chamar a atenção.

Todos do clube, inclusive eu, amaram sua leitura.

A escritora colocou duas narradoras "Elizabeth" e "Morgan" e os capítulos vêm com os nomes da duas personagens e escritos intercaladamente. O início foi um pouco difícil de engrenar na história mas depois que você se acostumava com o estilo da autora, a leitura foi ficando mais fluida.

Assim como os filmes e as séries atuais, a narrativa também se intercalava muitas vezes entre o presente e o passado.  Como há muitos personagens eu fui fazendo, no decorrer de sua leitura, uma ficha com os nomes deles e suas relações com os outros.  Apesar de tudo isso que parece desgastante, quando se chega ao final da história, não há como não amá-la.  Esse é um daqueles livros que você fica com saudades dos personagens, do local e da história embora pareça de difícil compreensão no início, a autora se esmerou no suspense, no drama, no mistério e terminou com uma história comovente e bem contada.

A discussão no grupo foi bem acalorada e muitos aspectos duvidosos do enredo foram resolvidos no encontro.

Esse livro daria uma ótima série na Netflix.

Uma das coisas que mais gostei na obra foi entender e aprender um pouco sobre as pessoas que cuidavam/trabalhavam num farol no passado.  Creio que hoje a tecnologia auxilie de uma maneira mais tranquila a rotina de um faroleiro. A região norte do Canadá, onde se passa a história é uma região muito gelada e a vida dos faroleiros era muito difícil - desde estocar comida e enlatados no verão para o inverno, até coletar ovos de gaivotas e a plantação de raízes - tipo batata.  Isso foi bem interessante.  A autora escreveu o livro baseado na região em que mora, então a ficção da história quase pode ser comparada a uma história real.

Eu recomendo a obra - amei a história, sua leitura a qual ficará na minha memória por um bom tempo.

Boa semana!



 

sábado, 16 de agosto de 2025

O PREÇO DA MENTIRA

Olá leitores,

Recentemente assisti a um filme que me trouxe algumas reflexões. O filme era sobre um erro médico.  O título do filme era "A Mistake" (sem título em português) - traduzindo é "Um Erro".

Geralmente os títulos de filmes em inglês, principalmente dos EUA trazem uma ideia dúbia e com esse filme é exatamente isso - há alguns "erros" na história e a meu ver, o erro médico não é o maior deles.

A película começa com uma moça de uns 26 anos aproximadamente que chega a um hospital com muita dor no abdômen e febre e deve ser submetida a uma cirurgia de urgência pois tratava-se de uma apendicite.  Durante o procedimento por laparoscopia, a cirurgiã chefe permitiu que o residente a auxiliasse na cirurgia e ele, por pressa dela, insere a câmera com muita força e esta causa uma hemorragia interna - então a cirurgia que parecia simples foi bem complicada; estancada a hemorragia, operado o que "poderia" ser feito e ela foi para a UTI.

Obviamente, o primeiro erro foi esse.

O segundo erro foi ela ter dito para o residente comunicar aos pais da paciente que a cirurgia ocorreu dentro do esperado e que agora era só aguardar o seu pronto restabelecimento.

Então ela veio à óbito (como dizem os médicos) e tudo virou de cabeça para baixo.

A diretoria do hospital marcou uma reunião com a equipe da cirurgia e a cirurgiã chefe disse a verdade de como ocorreu e também disse que como ela já tinha entrado com uma apendicite supurada ela iria morrer de qualquer maneira de sepse (contaminação generalizada por conta das bactérias).  Nós que estamos assistindo o filme não temos tanta certeza se essa é a verdade...

Então, repentinamente o hospital resolve que irá publicar periodicamente uma estatística dos cirurgiões do hospital com erros e acertos ou seja, cirurgias bem sucedidas e cirurgias mal sucedidas, por conta de uma melhor transparência. Nessa reunião, a cirurgiã, protagonista da história, retruca que isso fará com que bons cirurgiões  afastem-se do hospital e até muitos pacientes deixariam de escolher esse ou aquele cirurgião por causa dessa listagem.

Quando você pensa que o pior não pode acontecer, ele acontece.  Os pais da moça não ficaram satisfeitos com o resultado do ocorrido.  Então a diretoria do hospital pede que a cirurgiã fale com os pais e explique o ocorrido.  Então ela o faz e repete a mesma história que ela relatou para a diretoria.  Embora ela tivesse relatado superficialmente a participação do residente, ela sempre reiterou que a responsabilidade era dela, pois ela era a cirurgiã chefe do procedimento .  Ao meu ver ela foi correta pois acidentes ocorrem em todos os lugares e em todas as áreas.

Porém, mesmo assim os pais abrem uma ação na justiça porque não aceitaram e não acreditaram nessa explicação simplista do fato. Então o nome e a foto da cirurgiã vão para os jornais e ela perde a credibilidade frente ao hospital e à comunidade da cidade.

Agora acontece o terceiro erro - ela tinha  um relacionamento afetivo com a pessoa encarregada da anestesia (inclusive da cirurgia em questão) e esta termina a relação pois não queria também ser envolvida no processo.  Por esse fato, a protagonista fica arrasada, mas continua sua vida.

Quarto erro - o residente a procura para dizer que tem tido pesadelos e se auto culpando sobre a morte da moça.  Ela diz à ele para não achar que a culpa era dele e que a paciente morreria de qualquer maneira por causa da sepse e também que ela era a responsável e não ele e que ele não deveria preocupar-se. Ficamos sabendo nessa conversa que o residente era filho de um médico importante em outra cidade.

Então após esse encontro, ele liga várias vezes para ela, mas ela ignora as ligações.  Mas quando ela decide atendê-lo depois de muitas ligações, era tarde demais - ele suicidou-se.

Ela fica muito mal e o hospital faz uma pequena cerimônia fúnebre em memória dele.  

Ela então é enquadrada no hospital a atender casos mais simples, apesar do diretor ter dito que ela era a melhor cirurgiã do hospital e ainda rotulá-la de emotiva (na minha opinião não achei nada disso - percebe-se nesse momento um "machismo" sutil; não haviam mulheres na diretoria).

Infelizmente, o melhor do filme foi o final, digo infelizmente pois haverá spoiler, sorry...

Ela entende para quê serviu toda essa ocorrência.

Assim, ela decide procurar os pais da moça na casa deles e lhes conta a verdade nua e crua - que a operação não foi bem sucedida, que houve um acidente na inserção da câmera no abdômen, o qual ocasionou uma hemorragia devido ao longo tempo para ser estancada. Esta infeccionou o corpo e embora tivesse com uma apendicite supurada, o motivo da sepse pode ter sido da hemorragia interna e então, ocorreu o óbito.

O pai da moça, então, às lágrimas, afirmou que se ela tivesse dito a verdade desde o início, ele nem teria aberto a ação contra ela e o hospital.  Ele queria a verdade; queria entender o que realmente tinha acontecido.

A verdade por pior que possa parecer sempre é a melhor e única alternativa.  A mentira desencadeia uma série de mal entendidos ou assumpções que levam a situações desgastantes e muitas vezes inúteis.  Porém, mesmo que as mentiras continuem a acontecer (e ela continuarão, sem dúvida) há que analisarmos que tipo de lição podemos tirar delas, uma vez que a verdade apareça.

Na minha opinião embora a cirurgiã tenha falado a verdade para o hospital, não falou a verdade para os pais.  Em qualquer profissão, seja ela a medicina, a engenharia ou a advocacia, para listar as maiores, devemos ficar atentos aos detalhes que podem fazer toda a diferença para o desfecho de uma situação.

Eu gostei da história por sua capacidade de nos trazer reflexões. A história se passa em Auckland, na Nova Zelândia.

Boa semana!


  

O FIM DE UMA CIVILIZAÇÃO - 2

  A DESTRUIÇÃO DE UMA CIDADE - 2 Caros leitores, Esse é o segundo texto da série "O Fim de uma Civilização". Hoje, ainda abordando...