sexta-feira, 16 de setembro de 2022

UM LUGAR MÁGICO

Olá amigos,

Durante dez anos (excetuando-se os dois anos da pandemia) tenho ido para São Paulo para realizar uma palestra num instituto espiritual, dando continuidade dessa prática, a qual era realizada quando morava em São Paulo.  As palestras são sobre espiritualidade e psicologia e são realizadas no primeiro sábado de cada mês.

Essa é uma atividade que gosto muito - todos aproveitam, refletem e crescem - os que me assistem e eu.  Para chegar lá viajo de ônibus na sexta à noite, chego em Sampa de manhãzinha no sábado (a viagem dura seis horas e meia, quando não há acidentes na estrada - durante o período mencionado de uns 8 anos, só houve dois atrasos.)  A tarefa parece sofrida, mas é agradável porque posso visitar alguns amigos que deixei no torrão natal.

Assim, geralmente no sábado tomo café da manhã com uma amiga, depois almoço com outra amiga perto do instituto onde ministro a palestra (às 14 horas chego no instituto para um papinho antes do evento - a palestra é das 15 às 16:45 horas).  Depois vou para a casa de uma amiga que esteve no instituto em outra atividade, para lanchar com ela e depois ela me leva para uma estação do metrô para que eu vá até a rodoviária tomar o ônibus que me trará de volta a Curitiba.

Então "durmo" dois dias no ônibus, entretanto a atividade é tão prazerosa que quando chego no domingo bem cedo em casa já começo o meu dia - tomo o café com meu marido, vamos assistir uma palestra, almoçamos em nosso restaurante predileto aos domingos, vamos a uma cafeteria para um cafezinho e se tiver um bom filme vamos ao cinema; se não há filmes bons, vamos a um parque ou à casa de algum amigo. Quando chegamos em casa, há pipoca com sessão de filme na TV.  Em realidade, independente dessa ida para Sampa uma vez por mês, todos os nossos domingos são geralmente como esse.

Todo esse relato de hoje tem o propósito de contar a vocês, vez ou outra, encontros e situações interessantes que presencio quando estou na rodoviária de São Paulo, pois às vezes, essa minha amiga da tarde não pode me receber em sua casa para o lanche pois tem outro compromisso e então alguém de lá do instituto me leva até alguma estação do metrô e eu chego cedo na rodoviária e acabo ficando lá de 4 a 5 horas esperando o horário do meu ônibus para Curitiba.

Quem não conhece a fundo a rodoviária de São Paulo - o Terminal Tietê do metrô, acaba imaginando que todas as rodoviárias são iguais - sujas, cheias de pessoas "desclassificadas", malas, crianças "berrando", maus elementos, "aproveitadores de ocasião", etc.  Todos esses exemplos existem de verdade, mas pessoas que nunca estiveram lá pedem que eu tome o máximo cuidado com os "bandidos", pois estou sempre sozinha (meu marido não me acompanha, pois é o meu momento de estar com meus pensamentos, meu momento de liberdade e eu sou grata a ele por respeitar esse meu trabalho).

A rodoviária parece um shopping center - tem lojas, lanchonetes, padaria, farmácia e uma excelente livraria (uma das melhores que conheço).  Em cada ponta do terminal na parte de cima há um piano (em cada ponta) para quem quiser tocar.  Assim há de tudo neste local que considero mágico - mendigos que dormem lá com seus cobertores e odores, turistas de muitos cantos do país e de fora dele, pessoas em viagens de trabalho e os trabalhadores deste "shopping".  Com o tempo fui me aclimatando com esse lugar e hoje sinto-me muito bem lá.

Para mim, a cada mês que passa, percebo essa rodoviária como "um lugar mágico" - as pessoas que encontro, que converso, que conheço são criaturas interessantes - como sou psicóloga, embora ninguém o saiba, o magnetismo natural da vida faz com que a maioria acabe se abrindo comigo e eu acabo realizando um trabalho de escuta, de caridade, onde todos saem ganhando - eles por visualizarem outras ideias para sua problemática e eu sentindo um grande prazer interior por ter podido ajudar.  Não existe maior satisfação na vida do que ajudar alguém incondicionalmente.  Quem já fez isso sabe o que quero dizer.

Contudo vocês poderiam se perguntar: "Mas não acontece nada de ruim, de mal nessas jornadas mensais?" Claro que vez ou outra ocorrem situações desagradáveis, mas elas não valem a pena comentar meticulosamente, tal como, por exemplo, pessoas que conversam durante toda a madrugada no ônibus - eu pego o ônibus nesse período por entender que todos irão dormir ou pelo menos terão respeito com outros que desejem fazê-lo - mas não é bem assim.  No início até me irritava, hoje coloco meus protetores auditivos de silicone e relaxo.

Hoje, contarei apenas uma situação que me deixou feliz por ter ajudado uma pessoa.  Numa ocasião, sentada na rodoviária lendo o jornal no celular, um senhor se aproximou e perguntou se eu poderia ligar do meu celular para a esposa dele, avisando que ele não poderia ir para casa.  Então perguntei o porquê e ele disse que havia gastado o dinheiro da passagem do ônibus com bebida e não tinha como ir para casa.  Questionei onde ele morava e ele me disse que era um município de São Paulo, até que perto, não me lembro o nome da cidade.  Então perguntei à ele se não era melhor eu comprar a passagem para ele, ao invés de ele ligar para a esposa.  Os olhos dele se iluminaram e ele perguntou perplexo se eu faria isso.  Eu levantei e disse para ele me levar até aonde era o guichê de seu ônibus. Fomos até lá, comprei a passagem (era mais ou menos uns vinte reais);  aí perguntei se ele não queria comer algo e ele aceitou - paguei um sanduíche e um café com leite - nesse interim ele me contou que era metalúrgico (como meu pai o foi) e minha mãe foi alcoólatra (como esse cidadão o era - gastou o dinheiro que recebera de parte do salário em bebida).  Como na vida, não há coincidências, nada é por acaso, ao ajudá-lo era como se estivesse "ajudando" meus pais...

Ao final, ele me disse que eu poderia ir até a sala do embarque para provar que ele lá estaria aguardando o ônibus.  Eu disse que não havia necessidade pois acreditava que ele iria realmente embarcar. 

Em verdade, para mim nem me importava se ele iria ou não, pois o ajudei da melhor maneira que pude e mais que isso, senti-me grata por Deus ter me proporcionado essa possibilidade de ajudar alguém.

Eu sempre falo que o mundo está repleto de anjos - algumas vezes são pessoas que nos ajudam, aparecem quando menos se espera e outras vezes nós somos o anjo de alguém.

Há outras histórias interessantes que ocorreram em minhas "estadias"/passagens pela rodoviária de Sampa, mas ficam para outra oportunidade.

Que hoje vocês possam refletir nas circunstâncias especiais em que somos colocados pelo destino, as quais, muitas vezes, não damos o devido valor, mas que deveríamos fazê-lo - elas nos trazem paz interior e a certeza que somos colocados em situações que parecem aquém de nossa vontade, mas que fazem toda a diferença em nossa existência.

Boa semana!

 


 

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

DIGNIDADE MORAL

Caros amigos,

Atualmente vivemos tempos difíceis.  O pós pandemia trouxe algumas sequelas, ou melhor dizendo, para alguns trouxe à baila tudo o que estava "trancafiado" dentro do íntimo, mostrando as "entranhas" para o entorno e, muitas vezes, deixando pessoas boquiabertas.  Ideias estapafúrdias têm surgido e aqueles que possuem coerência e bom senso têm tido dificuldade de interagir com tais maneiras de pensar.

Para a postagem de hoje, trago um capítulo do livro de Joanna de Ângelis escrito em 2013, mas que parece ter sido escrito para os dias de hoje, tamanha sincronicidade das ideias.  Ei-lo ipsis litteris: 

 "Vive-se hoje, na Terra, o momento culminante da perda do senso moral a benefício da vulgaridade e do prazer enganoso.

Depois das indiscutíveis conquistas da inteligência, desvaira o ser humano, não mais deslumbrado com as glórias e expressões do macro assim como do microcosmo, perdido nos estímulos perturbadores dos gozos temporários, que gostaria de torná-los permanentes.

Luta-se, quase em desvario, para a aquisição de recursos legais ou não, a fim de participar-se do banquete do desperdício e da luxúria, da disputa entre os egos auto fascinados, utilizando-se de quaisquer métodos que confiram o triunfo, sem a mínima consideração pela ética do comportamento.

É certo que, nesse terrível combate, existem exceções valiosas que estão mantendo as heranças ancestrais do dever e da dignidade moral, pagando o caro tributo das zombaria dos frívolos e do desrespeito dos alucinados.

Parece predominar uma conspiração generalizada contra a dignidade moral que é a base da sociedade próspera e feliz.

Os altos índices de corrupção nas diversas áreas de atividades públicas e privadas são assustadores, porém mais graves são a indiferença com que os extravagantes, depois de denunciados, prosseguem no convívio social criando leis e administrando os bens conseguidos de maneira indigna, como se fossem verdadeiros e honestos cidadãos.

Momentos há que se apresentam difíceis para discernir-se entre o certo e o errado, a desonra e a moralidade, tal o amontoado de justificativas para as condutas esdrúxulas e incorretas que adquirem respeitabilidade, zombando dos princípios morais de todos os tempos.

Estudos valiosos e profundos em várias áreas do conhecimento psicológico e sociológico demonstram que o bem é bom para quem o pratica, tanto quanto a verdadeira aquisição da saúde inicia-se no pensamento equilibrado, exteriorizando-se como alegria e bem-estar, que superam as injunções  perturbadoras da caminhada evolutiva.

Nunca foram apresentados os excelentes resultados de pesquisas acadêmicas, demonstrando o alto significado do amor, da gratidão, do perdão, na construção do ser integral, como nestes dias conflitivos.  No entanto, o volume de apelos ao erotismo e à violência sombreia as claridades libertadoras, gerando desconforto e tormento emocional.

Indispensável quão urgente faz-se o investimento da dignidade em todos os comportamentos humanos.

Evita o tumulto extravagante das novidades perturbadoras.  Harmoniza-te, de forma que não sejas arrebatado pela ilusão de estar presente em todo lugar ao mesmo tempo, fruindo somente prazeres, possuindo os equipamentos mais recentes, que logo são ultrapassados por outros mais complexos, incapazes, porém, de proporcionar-te a harmonia interior.

Essa correria insensata para a aquisição de instrumentos de utilidade tecnológica e virtual esconde, no seu bojo, a fuga psicológica do indivíduo que não se encoraja a viajar para dentro, procurando descobrir as razões dos conflitos que o aturdem, escondendo-se sob a tirania das máquinas que lhe permitem comunicação com o mundo e todos quantos deseje, sem produzirem autorrealização no seu possuidor.

O encantamento pela posse, para estar atualizado, resulta dos medos internos, dos tormentos pessoais e da imaginação exacerbada pela propaganda muito bem dirigida, que embeleza o pântano das paixões morais, encobrindo a claridade da razão com as sombras dos gozos fugidios.

Ninguém pode viver em paz interior, sem a consciência do dever retamente cumprido.  Após anestesiar-se a consciência por algum tempo, ei-la desperta, gerando culpa e necessidade de corrigenda por meio de punições.

Surgem, então, os mecanismos de fuga e de transferência que, por algum tempo, distraem o enfermo moral, cedendo lugar a falsas necessidades que se convertem em ufania conduzindo à drogadição, ao envenenamento pelos vícios sociais e espirituais de consequências lamentáveis.

Após a larga trajetória do instinto e o quase recente surgimento da razão e do discernimento, ainda no ser humano predominam os hábitos automáticos, os impulsos imediatistas, as heranças ancestrais...

A conquista da dignidade moral é um desafio que deve ser enfrentado e vivenciado desde as experiências mais simples, a fim de ser criado o condicionamento superior para que se transforme em aquisição valiosa.

A dignidade é um tesouro ainda conhecido com reservas, possuindo, no entanto, as imensas fortunas da honradez e do alto significado existencial a que todos os seres estão destinados."

Com este texto, desejo a todos uma boa reflexão e que possamos rever nossos comportamentos para interagir melhor com o meio social e que possamos também relevar os comportamentos de outros ao nosso redor que, temporariamente, possam nos parecer estranhos.

Boa semana!










 

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

PARTE 4 - CICLO DE TEXTOS SOBRE SENSIBILIDADE HUMANA

 SINTONIA E HOMOGENEIDADE

Olá leitores,

Antes de adentrar o tema propriamente dito, apresento a definição desses dois vocábulos encontrada no dicionário Aurélio.  São elas:

Sintonia: Acordo mútuo; harmonia, reciprocidade.

Homogeneidade: Qualidade de homogêneo.

Homogêneo: Adjetivo. 1. Cujas partes são todas da mesma natureza; 2. Cujas partes são ou estão solidamente e/ou estreitamente ligadas; 3. Cujas partes ou unidades não apresentam ou quase não apresentam desigualdades, altos e baixos.

Todo tipo de grupo social visa um objetivo comum.  Por exemplo, no esporte, num jogo de basquete, quanto mais sintonizadas as pessoas de um time estiverem, mais facilmente é alcançada a vitória.  Cada jogador deve conhecer-se (suas limitações e seus pontos fortes), conhecer seus colegas de time e conhecer as regras do jogo.  Entra, então numa quadra de basquete, o conhecimento, a disciplina, o preparo anterior, a confiança mútua, a obediência às regras do jogo, a harmonia.  Isso quer dizer que todos esses quesitos constroem a sintonia do time - e é este fator que coloca ao alcance de todos os componentes do time, o triunfo do jogo.  Assim, em todos os agrupamentos sociais, essas características devem ser observadas para que se atinja o objetivo a que se propôs.

Através de reflexões, chamei essa característica de "consciência da vida cósmica", onde cósmico de acordo com o dicionário Aurélio é "pertencente ou relativo ao cosmo, ou seja, ao Universo."

Aproveitando novamente o exemplo do jogo de basquete, para alcançar o sucesso no jogo, há que se ter consciência do que o basquete e suas regras significam.  

Para obter uma sintonia vibratória em qualquer tarefa social/espiritual devemos "encadear/ligar no Universo."

"Sintonizar-se quer dizer perceber a razão incomensurável e coesa da existência humana, que preenche o vazio que acreditamos existir entre os seres humanos"(Hammed) (o grifo é meu).  Só quando realmente introjetarmos que estamos todos interligados no Universo é que poderemos ter uma boa sintonia vibratória social/espiritual.

Abandonar essa ideia ilusória do vazio entre nós não é tarefa fácil - mas uma coisa é acertada - quanto mais superficial for nossa visão da unidade de todas as coisas, mais estaremos vivendo dentro de uma "realidade fragmentada".  Felizmente, quanto mais nos desenvolvemos socialmente/espiritualmente, mais nos capacitamos para enxergar a profundidade e significado das criações e das criaturas - é a "maturidade espiritual".

Atualmente, a humanidade já vem atingindo esta consciência, principalmente após o advento da globalização.  No entanto, muitos ainda acreditam que essa globalização está somente  à serviço das comunicações, da vida social, comercial, industrial e cultural do planeta e onde vislumbramos a possibilidade de saber dos fatos em tempo real.  Digo vislumbramos porque em verdade, conhecemos apenas a ideia dos fatos, mas não o acontecimento pleno de todos os fatores que envolvem os fatos.  Mas a tal globalização é mais do que isso - é o início da consciência de união dos seres humanos para atingir um objetivo comum - a paz e o bem estar interior de cada ser do Universo.

Com a evolução da humanidade, cada pessoa se alarga, amplia seus conceitos, transpões barreiras, desobstrui fronteiras - amadurece social e espiritualmente.  Quando há a universalização do indivíduo, ele descobre a abundância das relações por todo o mundo - ele descobre que tudo e todos estão interligados - espiritualmente ele descobre que não está só - que nunca esteve e que nunca estará só; sua vida antes vista sob um plano horizontal, verticaliza-se.  Seu coração, pouco a pouco se abre e seus sentidos, antes embrutecidos pela falta de conhecimento e falta de vivência, se suavizam e ele então compreende o amor amplo, dinâmico, sem fronteiras sociais, de raça ou de crença.

Para compreendermos a ideia de homogeneidade, uma reunião só pode ser homogênea quando seus participantes realmente acreditam que as alegrias do serviço e as habilidades de cooperação são um poderoso e sábio investimento para a evolução.  Mais que isso, seus participantes devem compreender que a harmonia do grupo depende de uma interação coletiva mais profunda e devem reconhecer que nenhum participante ganhará à custa de outro, pois cada um contribui para a totalidade e a totalidade, por sua vez, sustentará todos os participantes.

Em 1852, um chefe indígena Seattle fez um discurso quando seu povo foi obrigado a ceder suas terras aos colonizadores norte-americanos.  Aqui está um trecho: "A terra não pertence ao homem: o homem pertence à terra.  Isso nós sabemos.  Todas as coisas estão interligadas, como o sangue que une uma família.  O que quer que aconteça à terra acontece aos filhos da terra. O homem não teceu a trama da vida, ele é simplesmente um fio nela.  O que quer que ele faça à trama faz a si mesmo."  São palavras sábias, verdadeiras e que revelam que a maturidade espiritual independe de religião e cultura.

Não importa qual seja a religião, todo ser humano tem uma dimensão espiritual em sua vida - todos compartilham dessa espiritualidade em sua experiência íntima - católicos, hindus, taoístas, budistas, protestantes, espíritas, muçulmanos, agnósticos, ateus - mesmo que não a reconheçam em si.

Ainda pairam muitas dúvidas ou até indignações frente aos processos da Natureza.  Por exemplo, se um homem das cavernas aparecesse no mundo de hoje, muitas coisas que ele visse, ele dividaria ou até não aceitaria como verdadeiro.

A percepção de nossa realidade tem a dimensão exata de nossa própria consciência. Quanto mais nossa consciência for ampliada, mais estaremos espiritualizados e mais poderemos abarcar o mundo.

Muitas vezes não temos a noção do que é a nossa vida - em realidade, ela é muito maior do que imaginamos - precisamos participar da vida de relações, interagir com os outros, refletir, pensar, agir, sentir e mais que tudo contribuir com nossa parte para que o todo se torne mais transparente e real.

Boa semana a todos!





sexta-feira, 26 de agosto de 2022

COMO MANTER O ROMANCE EM SEU RELACIONAMENTO

Olá caros leitores,

Depois de um tempo lendo diversos tipos de livros, assistindo filmes, séries, palestras, participando de alguns grupos virtuais e presenciais, trabalhando em casa (em casa sempre há o que fazer, quero dizer, trabalho - fico a imaginar como é a vida de algumas pessoas que dizem que não há o que fazer em casa...), no consultório, finalmente voltei a ler o livro "Além da ordem - mais doze regras para a vida" de Jordan Peterson, uma das pessoas contemporâneas que mais admiro nesta existência.

Então hoje tentarei resumir e comentar sua décima regra - as outras nove regras já foram discutidas em postagens anteriores.  No final deste texto elencarei as postagens referentes às nove regras anteriores, caso alguém deseje lê-las ou relê-las. Os títulos que coloco no blog nem sempre se referem ao título que ele deu às regras no seu livro, caso alguém tenha o mesmo para acompanhar.

Esta regra de Peterson trata de como podemos manter acesa a chama do amor/romance em relacionamentos matrimoniais.

Antes de mais nada, ele pede que atentemos para o detalhe primordial de que "manter algo complexo como um casamento requer compromisso, prática e esforço." Para ele, "romance requer confiança - e quanto mais profunda a confiança, mais profunda a possibilidade para romance." Ele afirma que "você não pode manter a confiança em você mesmo se você mente.  Assim, os votos que permitem que um casamento preserve seu componente romântico é a decisão de não mentir para seu/sua companheiro/a. Num relacionamento onde o romance permanece intacto, a verdade deve ser soberana."

No decorrer de seu texto ele, obviamente, discorre sobre todas as intercorrências de uma vida de casado - profissões de cada cônjuge, o cuidado da casa, filhos - muitas vezes, essas circunstâncias não permitem que o tal romance se mantenha no relacionamento.  A vida de cada um de nós é composta de atos rotineiros - estes podem ser entediantes e escravizantes por um lado mas podem trazer segurança por outro lado.

Nesta regra o que me trouxe mais reflexão foram as perguntas que ele faz ao leitor, sem necessariamente respondê-las todas.  Então listarei as mesmas para vossa reflexão.

Essas dizem respeito aos papéis de cada cônjuge no casamento: "A carreira de quem terá prioridade? Quando e por que? Como as crianças serão educadas e disciplinadas e por quem? Quem fará a limpeza de casa? Quem porá a mesa? Recolherá e colocará o lixo para fora? Quem limpará os banheiros? Quem cuidará das contas a pagar e dos serviços de banco? Quem fará o supermercado? Quem comprará as roupas? Os móveis? Quem pagará o quê? Quem ficará responsável pelos impostos? Quem preparará as refeições? Quando? Quem lavará a louça? Quem decide o que comer? Qual o papel das crianças nessas tarefas? Todos sentarão juntos para comer?"

Uma dica que ele dá para trazer longevidade ao casamento é conversar com seu cônjuge ao menos 90 minutos por semana sobre assuntos práticos do dia a dia e também assuntos pessoais.  Assim temos mais questões/ sugestões para essa conversa com seu cônjuge: "Como está o seu trabalho? Como estão as crianças? O que precisa ser feito na casa?" Assuntos corriqueiros, porque, afinal de contas, você tem sua história, seu cônjuge tem a história dele/a e vocês têm uma história em conjunto.

E, finalmente, ele lista questões de como podemos continuar mantendo o respeito no relacionamento, ou melhor, muitas vezes "manter a cerimônia", como dizemos, deve ser importante: "Como podemos acordar cada manhã ao lado da pessoa que dividimos a vida de maneira agradável? Podemos conversar educadamente sem distrações eletrônicas enquanto comemos? Quando um companheiro chega em casa é cumprimentado com alegria pelo outro ou é ignorado porque está no celular, ou pior, é recebido com uma lista de reclamações?"

Ele afirma que "muitas pessoas se sentem aliviadas quando elas se casam porque não precisam mais fazer um esforço para sentirem-se amadas." 

Entretanto, eu acredito que para que o romance possa continuar "aceso" temos que continuar nos tratando com polidez, como se tivéssemos nos casado a semana passada.  Palavras como "por favor", "obrigado", "fique bem", "tenha um bom dia" jamais devem ser eliminadas.

Bem, acho que esse texto trouxe boas interrogações para reflexão.  Sendo assim, boa reflexão e até a próxima semana.

P.S. Como dito anteriormente, aqui estão as datas e títulos das postagens das regras anteriores:

9ª regra: Memórias inconvenientes - 23.02.22

8ª regra: Porque a beleza importa - 22.12.21

7ª regra: Uma visão da força de trabalho - 11.12.21

6ª regra: Abandone a ideologia - 10.09.21

5ª regra: Não faça o que você detesta - 18.11.21

4ª regra: O olho de Hórus - 26.08.21

3ª regra: Omissão nos relacionamentos - 4.08.21

2ª regra: O destino do herói - 23.07.21

1ª regra: Instituições e regras X criatividade moral - 28.06.21

Até.




 




 

terça-feira, 16 de agosto de 2022

"A VOLTA DO PARAFUSO"

Caros leitores,

O livro do mês que foi discutido em nosso clube de leitura foi "A Volta do Parafuso" de Henry James.  O livro foi escrito em 1898 e na época fez sucesso por ser um suspense de terror.  Em realidade, nosso grupo nem achou tão aterrador.

A história trata de uma preceptora - uma professora, aquela que ministra preceitos ou instruções; para nós fica mais fácil entender que é uma professora particular que mora na residência e que ensina não somente as matérias de um currículo escolar mas também boas maneiras e comportamentos em sociedade.  Essa preceptora é contratada para cuidar de um casal de crianças de idade entre 8 e 10 anos.  O contratante é o tio delas que não mora na residência porque trabalha numa cidade cosmopolita.  A casa em questão se encontra numa região isolada - obviamente, o lance do terror acontece sempre num casarão no meio do nada - um clichê de contos de terror, embora acredite que na época em que foi escrito, esse detalhe não era de praxe para trazer a ideia do terror.

Bem, logo nos primeiros dias lá, essa preceptora já percebe algo estranho na casa - há dois espíritos/fantasmas envolvendo as crianças e ficamos sabendo que se tratam da preceptora anterior que havia morrido mas não se sabe a causa e o antigo jardineiro que um dia foi encontrado morto no campo.

Pessoal, não darei o "spoiler" final, mas o livro é envolvente pois pode se tirar ideias diversas sobre se eles, os espíritos, realmente existem ou é imaginação da preceptora/narradora.

O título para nós foi um enigma, embora o autor tenha mencionado no corpo do livro seu significado, entretanto, de maneira subjetiva.  Na introdução há uma breve explicação: "A volta do parafuso é uma metáfora; é o parafuso da tensão, da emoção, da aflição interna que se vai apertando e esgarçando os nervos.  Aperta e revela: pressão que, a cada rotação dada, age sobre "muitas coisas das camadas mais profundas", como diz a personagem-narradora, e faz que tais camadas se abram, se deixem entrever ainda que de modo obscuro e subjetivo - subjetivo porque tudo nos chega pelo enfoque único da governanta e porque cada leitor terá uma compreensão muito particular dos efeitos dessa subjetividade."

No dicionário Aurélio encontrei uma definição interessante sobre o verbo "parafusar" - a definição é "pensar, cismar, meditar detidamente, matutar, refletir - e traz o exemplo "Parafusou numa solução para o caso."

Em minha opinião, é um bom livro para se ler numa noite chuvosa na cama, antes de dormir...

Bora ler o livro?

Boa semana a todos.



 

terça-feira, 9 de agosto de 2022

CENTÉSIMO TEXTO

Olá leitores,

Quando decidi iniciar um blog de textos não imaginei que um dia iria completar cem textos.  Foi escrito um texto por semana, religiosamente. Muitas vezes não tinha muito assunto, ou o assunto que perpassava minha mente não era adequado naquele momento e então nessas circunstâncias, confesso que lancei mão de textos já escritos anteriormente para algumas palestras realizadas no passado as quais foram adaptadas para o blog.

Hoje, como centésimo texto quis apenas parabenizar a mim mesma pelo feito. 

Durante minha caminhada pela vida realizei alguns trabalhos de cunho voluntário com o afã de ajudar pessoas em situação de dificuldade, não somente financeira, mas também dificuldade emocional.

Com o advento do famoso "fecha tudo" não foi possível realizar um trabalho espiritual, social em nível presencial.  Com o "fim" da pandemia outras ideias surgiram.  Então resolvi escrever para fazer com que as pessoas exercitem a leitura, mas também a reflexão.

Foi e está sendo um exercício onde todos saem ganhando - eu, que me esforço para escrever/postar um texto por semana e os leitores que exercitam a leitura - todos exercitamos a capacidade de refletir.

E, hoje também estimulo os que me leem a realizar algumas mudanças em seus comportamentos.

Estou consciente que nem todos aos quais mando o link leem meus textos, mas a ideia é tentar auxiliar a quem precisa refletir sobre algumas situações da vida e do mundo e assim ter condições de realizar mudanças em sua própria vida.

O texto de hoje nem traz muitas ideias para reflexão, mas é também uma maneira de agradecer aqueles que leem e se beneficiam das reflexões obtidas através deles.

Assim, espero dar continuidade a essa tarefa que me propus desde setembro de 2020.

Boa semana!



 

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

PARTE 3 - CICLO DE TEXTOS SOBRE SENSIBILIDADE HUMANA

AUTOPERCEPÇÃO

Percepção de acordo com o dicionário Aurélio é ato, efeito ou faculdade de perceber e Perceber em sua primeira definição é adquirir conhecimento de, por meio dos sentidos, entre outras definições.

Então, autopercepção é a faculdade de perceber nossos sentidos; é a capacidade de nos conhecermo-nos através de nossos sentidos.

A ideia a ser exercitada através do texto de hoje é a percepção do que estamos sentindo neste momento.  Proponho a todos então que fechem os olhos e anotem tudo o que estão sentindo agora numa folha de papel.  Aqui tudo é válido, desde que se reporte às sensações corporais, então estas também podem levar em conta os órgãos dos sentidos disponíveis: tato (sensações da pele), audição (o que ouve agora), olfato (se sente algum aroma no ar); a fala e a visão não devem ser consideradas neste momento.  Este exercício visa a aperfeiçoar, desenvolver, potencializar o sexto sentido - a sensibilidade.

No dicionário Aurélio, temos: Inspiração: Qualquer estímulo ao pensamento ou à atividade criadora; o resultado de uma atividade inspiradora. Intuição: Ato de ver, perceber, discernir; percepção clara ou imediata; discernimento; ato ou capacidade de pressentir; pressentimento; instinto. Instinto: impulso espontâneo a alheio à razão; intuição.  Como notamos, as palavras muitas vezes nos confundem e o próprio dicionário traz muitas delas como sinônimos.  Entretanto, em meu parecer, vejo inspiração como um estímulo externo, intuição como um estímulo interno e instinto, como a parte natural do ser humano.

A autopercepção seria então o conjunto das impressões internas e externas ao mesmo tempo. Essa sensação generalizada nos auxilia, se prestarmos atenção à ela e entrarmos em contato com nosso íntimo, a discernirmos o que é nosso do que não é. A sugestão aqui é diferenciar as muitas energias vibratórias que circulam em nossa volta.  Toda vez que não conseguimos distinguir nossas emoções ou impressões, nos tornamos escravos das mais diversas ondas magnéticas - é como se estivéssemos presos a um mundo caótico.

Todas as sensações advindas tanto do mundo exterior, quanto do mundo interior expressam-se diretamente no corpo somático.  Através delas recebemos informações sobre nós mesmos e o mundo que nos cerca.

À medida que cada um de nós se desenvolve e cresce, aguçamos mais e mais nossa sensibilidade no meio em que transitamos.  Neste trajeto selecionamos pensamentos, ideias, percebemos oscilações psíquicas.  Essa percepção pode vir acompanhada de um grupo de impressões com diferentes qualidades, como por exemplo: percepções emocionais (raiva, medo, surpresa), percepções sentimentais (angústia, alegria, tristeza, amor), percepções sinestésicas (tato, olfato, gustação).

Quanto  mais auto observarmo-nos, mais poderemos avaliar as energias das situações, acontecimentos e das pessoas, dentro e fora de nós.

Para ilustrar melhor o tema, gostaria de citar algumas ideias de Daniel Goleman, de seu livro "Inteligência Emocional", escrito em 1995.  Aliás, a expressão inteligência emocional usada popularmente, iniciou-se com este livro. 

Bem, então Goleman define Inteligência Emocional como um estado de ser capaz, por exemplo, de controlar seu impulso emocional; "ler" os sentimentos íntimos dos outros; lidar com relacionamentos de maneira suave, tranquila, serena, apropriada.  Ele lembra que o temperamento não é o destino de uma pessoa.

Assim, somos emocionalmente inteligentes primeiramente quando damos importância às nossas emoções, ou seja, prestamos atenção a elas e as analisamos e compreendemos, e depois, quando as organizamos, contendo nossos impulsos mais infelizes para podermos nos relacionar com os outros e com nosso eu.

Infelizmente, ainda existem pessoas que valorizam o intelecto e desprezam as sensações.  Entretanto a autopercepção é uma atividade de nossos sentidos.

Carl Gustav Jung, psiquiatra suíço, que foi discípulo de Freud, em seu estudo da natureza humana, na dissertação de seus tipos psicológicos enumerou quatro tipos de personalidade: o tipo sentimento, o tipo pensamento, o tipo intuição e o tipo sensação.  De acordo com ele, cada criatura "enxergaria" o mundo através de seu tipo psicológico.  Para simplificar, podemos dizer que o tipo sentimento vê o mundo baseado em seus sentimentos, seria uma pessoa mais emocional e sentimental; o tipo pensamento vê o mundo usando mais a razão que a emoção; o tipo intuição vê o mundo de maneira quase que inconsciente, usando a intuição e não a lógica; e o tipo sensação, esse que nos interessa aqui, vê o mundo através de suas sensações.  Naturalmente, em sua teoria, Jung apenas quis dizer que o tipo é aquele que predomina, pois é sabido que todos nós somos os quatro tipos, mas existe aquele que é predominante.  Esse conceito se aplica também quando falamos que uma pessoa possui memória visual e outra possui memória auditiva - no ato de memorizar alguma coisa, cada criatura irá fazer predominar uma ou outra.

"Se não exercitarmos e mantivermos uma comunicação constante com nós mesmos, não poderemos nos comunicar, adequadamente, com outras pessoas." - Hammed.

Boa semana!



 






 

FELIZ ANIVERSÁRIO!

Olá leitores, Dia 17 de setembro último o blog Refletindo completou 6 anos de existência.  Não sei se isso é um sucesso ou um exercício de d...