terça-feira, 12 de setembro de 2023

AUTOCONSIDERAÇÃO

Caros leitores,

Hoje iremos refletir sobre nosso relacionamento com nós mesmos.

Os pais têm um papel importante na educação e no processo de crescimento de toda criança.  Todos nós já fomos crianças um dia e passamos pelo mesmo processo, ou seja, apreendemos aspectos da vida com nossos pais e com nosso ambiente familiar.  Salvo exceções, muitos desses aspectos, principalmente os negativos, podem ainda estar nos influenciando inconscientemente, abalando nossa autoestima e até prejudicando nossa vida adulta no que diz respeito ao nosso relacionamento com os outros e às nossas empreitadas diárias. Quando disse salvo exceções, falo daquelas criaturas às quais isso não fez muita diferença no seu psiquismo, por serem indivíduos mais adiantados moral e espiritualmente e que conseguiram driblar essas dificuldades mais facilmente. 

Hammed, um pensador, explica:"...carreguemos características de nossos pais; isso não quer dizer que devamos ser exatamente iguais a eles.  Não somos e jamais seremos, pois temos reações e condutas individuais, uma maneira particular de pensar e agir, ou seja, uma personalidade própria."  

Atualmente é sabido da importância da criança ser aceita com seus dons naturais.  Entretanto, isso nem sempre se dá de maneira muito harmônica - umas são barulhentas e peraltas, outras são quietas demais.  Todos nós gostaríamos que nossas crianças fossem comportadas, educadas, brincalhonas mas tranquilas, extrovertidas mas com momentos calmos para devida reflexão.  Pais atletas não suportam crianças extrovertidas.  Pais intelectuais não aguentam crianças ruidosas.  Gostaríamos que nossos filhos fossem bem na escola, fossem sociáveis com os outros, obedientes à nossa ordem.  Todos os nossos "desejos" podem ser alcançados com a devida atenção a elas, buscando descobrir junto com elas em que atividade elas se sobressaem para, assim, ajudá-las no seu desenvolvimento.  Pais que trabalham juntamente com os filhos em suas escolhas sem tolherem o seu livre arbítrio são o ideal de vida de cada criança.  Mas, às vezes, esse "ideal" está distante da realidade, quando pais não são orientados para esse tipo de observação.

Quando há desrespeito, falta de amor, atenção e carinho, a criança pode crescer acreditando não ser aceita, amada no mundo - ela pode desenvolver um "sentimento de autodepreciação".

Se pudéssemos ouvir a conversa íntima dessa criança com ela mesma poderíamos talvez ouvir os seguintes comentários: "Se as pessoas soubessem como eu sou realmente e o que quero, por certo não gostariam de mim." "Devo fazer as coisas bem feitas e com capricho para conquistar a admiração e  o respeito dos outros." "Não sou uma pessoa importante e agradável.  Não consigo encontrar uma razão para que alguém goste de mim." "Sinto que tenho que ser mais inteligente, produtiva e útil." "Eu deveria dar mais e receber menos, pois quando faço algo por mim mesma, sinto-me culpada."

Essas "conclusões" podem ser atribuídas a crianças que podem ter tido pais ocupados demais com seus negócios/trabalho, ou pais que foram mal preparados para dar aos filhos um crescimento saudável, ou pais "rigorosos que submeteram seus filhos à necessidade de crescer apressadamente e impuseram a eles uma postura competitiva e um desempenho exemplar nas relações com os outros.  Instigavam a criança a uma "síndrome de crescimento rápido".  Demonstravam amor somente quando ela desempenhava um script perfeito, e era rejeitada, de forma velada ou explícita, quando fracassava." Ou até mesmo pais que eram adultos infantilizados.

Todas essas experiências com esses pais e seus comportamentos e atitudes peculiares começam a fazer parte da personalidade das crianças sem ninguém notar.  No momento em que essas crianças se tornam adultas terão uma tendência à autodesconsideração, à introversão, ao isolamento, à falta de interesse no trato social, aonde impera a "vergonha" ou até elas serem consideradas "sem graça".

Quando não nos valorizamos, criamos à nossa volta uma vibração negativa - um campo magnético com "energias negativas mantidas por pensamentos habituais de autodesvalorização." E pelo princípio de sintonia acabamos atraindo para nós acontecimentos inconvenientes que por sua vez atraem indivíduos semelhantes aos nossos pensamentos de autodepreciação.  Acabamos então rodeados de circunstâncias infelizes que atestam nossos sentimentos de menos valia, e assim, acreditamos fielmente que não valemos nada, que não somos importantes nesse mundo, e que se nós não existíssemos não faria diferença para ninguém.

Quando repetimos sempre para nós mesmos que somos desprezíveis, indignos, tolos, infelizes, atraímos, obviamente, ondas mentais semelhantes a esses autoconceitos e assim entramos em faixas vibratórias similares de outras criaturas que pensam como nós mesmos - neste caso, vibramos contra nós mesmos!!!...

"A energia que dissipamos é que atrai a consideração, ou não, dos outros.  Quanto mais nos rejeitamos, maior é a rejeição das pessoas para conosco." Nossa vida está onde está o nosso pensamento.

O melhor antídoto contra essas energias destrutivas é o amor a nós mesmos, a autoconsideração.  Esse comportamento afetuoso por nós mesmos melhorará a qualidade de nosso relacionamento com os outros e com nós próprios.  Vale a tentativa!

Cuidemos para não confundir autoconsideração com egoísmo ou narcisismo.  Somos tão dignos de amor quanto nossos semelhantes.  Em realidade, o egoísta e o narcisista são criaturas aparentemente com boa autoestima, mas sentem-se também tão desvalorizados e desconsiderados pelos outros, exatamente pelo princípio da sintonia.  Tanto aquele que se despreza quanto aquele que se admira em excesso (narcisista) ou pensa só em si próprio (egoísta) vivem num mundo ilusório.  Não somos melhores nem piores que os outros.

Quando nos autoconsideramos fazemos nosso "universo íntimo" girar ao redor do amor e por este motivo, atraímos energias e criaturas amorosas a nossa volta.

Bora tentar?

Boa semana!












sábado, 9 de setembro de 2023

O CONTROLADOR

Olá leitores,

No dicionário Aurélio, Liberdade é:

1. Faculdade de cada um se decidir ou agir segundo a sua própria determinação;

2. Poder de agir, no seio duma sociedade organizada segundo a própria determinação, dentro dos limites impostos por normas definidas;

3. Faculdade de praticar tudo o que não é proibido por lei;

4. Estado ou condição de homem livre;

5. Independência; autonomia;

6. Permissão, licença;

7. Confiança, familiaridade, intimidade (às vezes, abusiva).

A liberdade, na ciência é a possibilidade da experimentação e o uso concomitante do raciocínio; na filosofia é o uso do bom senso; na religião é o discernimento; na arte, a liberdade é a inspiração e o uso da originalidade e, na sociedade é a igualdade e a solidariedade.

No dicionário Aurélio, controle é:

1. Ato ou poder de controlar; domínio, governo;

2. Autodomínio físico e psíquico;

3. Equilíbrio.

E controlar  é:

1. Exercer o controle de;

2. Submeter a controle;

3. Manter o controle, conter-se, dominar-se.

E onde controlado é:

1. Submetido a controle;

2. Que tem controle;

3. Comedido, moderado;

4. Ponderado, prudente.

O reverso daquele que é submetido ao controle, o controlado, é o controlador. Esse indivíduo é o ponto central do texto de hoje. "Controladores" são criaturas que tentam fazer a vida acontecer do jeito que elas querem. Usam de simulações conscientes ou inconscientes e forçam os eventos de suas vidas a acontecerem quando e como desejam.  Muitas vezes realizam suas "artimanhas" em segredo, usando técnicas indiretas.  Agem sutilmente, educadamente e de maneira dócil e quase nunca são identificadas como "controladores".  Em muitas circunstâncias não têm consciência do que fazem - é um hábito, um comportamento a que estão acostumadas.  Vivem dessa maneira, sentem-se razoavelmente confortáveis com essa atitude, mas o que elas não sabem é que esse modo de ser faz-lhes mais mal do que bem.  Em toda essa estratégia usada, há muito desgaste de energia, onde acontece a incapacidade de relaxar, a impaciência e a impossibilidade de "ficar sem fazer nada" - não conseguem meditar, ouvir uma boa música, admirar uma paisagem, ler um bom livro, ouvir seus interlocutores numa conversa.

O que os "controladores" não imaginam é que para dominarem os outros e o ambiente, eles necessitam viver distanciados de seus próprios sentimentos, pois eles creem inconscientemente que os mesmos poderiam deixá-los fracos, vulneráveis frente aos outros.  Então acham melhor não se arriscar a mostrar o que sentem realmente.  Preferem ter o poder sobre os outros e não que os outros tenham poder sobre eles.  Se demonstrarem o que sentem podem vir a ser usados, desmascarados, maltratados e desse modo pode existir a possibilidade de qualquer pessoa ter poder sobre eles.  Eles cuidam para ter sempre as rédeas da vida em suas mãos e então necessitam ordenar tudo e todos.

Há controladores mais fáceis de identificar - são duros, diretos, estão sempre dando ordens, são imponentes e possuem uma "aura" de poder e podem até ser temidos pelos incautos.  Mas, há controladores difíceis de identificar como tais - são os que se fazem de vítima. Poderosos controladores, estes usam como recurso a "máscara da fragilidade".  Mas na realidade, essa é uma outra tática para obrigar o outro "a fazer o que eles querem que seja feito."

Há algumas atitudes mentais que fazem parte da vida psicológica dos "controladores":

- Como sentem um vazio interior, controlam para satisfazer suas "falsas" necessidades de poder;

-  Para se protegerem de uma possível humilhação, fazem com que se sintam respeitados (e muitas vezes, odiados) através do controle;

-  Como se consideram socialmente inadequados (e muitas vezes, realmente, o são), fortalecem, pelo controle, seu desejo de impressionar terceiros;

-  Receiam ser rejeitados, magoados, ridicularizados.

Como são inseguros, temem ser controlados (manipulados), obrigados a fazer o que não desejam ou temem ficar sobrecarregados com enormes responsabilidades.  Assim "atacam" antes que os outros os ataquem; impõem-se aos outros antes que esses os controlem.  Como na maioria das vezes não sabem que são inseguros ou que sentem medo, dominam os outros e as circunstâncias para amenizar ou, até "resolver" conflitos íntimos.

A maior ilusão de nossa vida é acreditar que podemos controlar a vida alheia.  No afã de acreditar que somos livres quando controlamos os outros, fazemos exatamente o contrário.  Imposição é o oposto da liberdade e esta elimina a independência do dominado e também daquele que domina, ou seja, nos tornamos dependentes daquele que dominamos.

A verdadeira libertação chama-se autocontrole.  Atenhamo-nos a controlar a nós mesmos - nossas energias devem ser gastas para nossa evolução emocional, intelectual e espiritual.  Não desgastemos nossas energias para comandar a vida dos outros.

A vida não deve ser um Comandar X Ser Comandado.  Aqueles que "mandam", ou seja, que estão numa posição de autoridade devem tratar os outros com bondade e benevolência, porque são seus iguais frente a Deus.  Devem usar de sua autoridade para erguer a moral alheia e não para esmagá-la com seu orgulho.  Aqueles que são "controlados" devem compreender que quando delegam o controle de suas próprias vidas a outra pessoa, seja ela quem for (pais, filhos, cônjuges, namorados, parentes, amigos, chefes) estão renunciando ao mais importante direito inato: a liberdade.  Sem ela, o livre-arbítrio não existe - a liberdade pressupõe auto respeito, dignidade e escolha.  Quando não nos valorizamos, nos julgamos um "nada" frente ao mundo, com essa sensação virá um sentimento de grande vazio na alma, uma sensação de "não ser".

Finalizo com uma frase de Victor Hugo que aqui cabe ao nosso propósito: "O pior uso que se pode fazer da liberdade é abdicar dela."

Boa reflexão!






sexta-feira, 1 de setembro de 2023

COMPAIXÃO: A CHAVE PARA A TOLERÂNCIA

Olá leitores,

Em nossa vida, nosso conteúdo interno se construiu, num primeiro momento, através de noções e conceitos ditados por nosso pais, parentes, professores e todas as pessoas que se relacionaram conosco na infância. Entrementes, este conteúdo continua sendo transformado dia a dia, conforme vamos estudando, vivendo a vida e assim cambiamos defeitos em virtudes para sermos mais felizes, atraindo para nós uma paz de espírito.

Durante toda a nossa vida de relação internalizamos histórias, críticas, tradições, aplausos, experiências, hábitos e costumes que constituem nosso caráter.  Também incorporamos sentimentos de honestidade, flexibilidade, independência, afetividade, assim como sentimentos de medo, de culpa, de condenação, de insegurança, em primeiro lugar com nossos familiares, depois com os professores, dirigentes religiosos, políticos, filantrópicos, ou seja, com todos aqueles que em nossa vida detiveram destaque ou certa autoridade.

Toda nossa personalidade está baseada em como apreendemos e trabalhamos tudo o que nos vêm de fora e nos influencia.  Quanto mais inconscientes, mais dificuldade de compreender e interagir com o meio.  E, ao contrário, obviamente, se sei quem eu sou, se conheço razoavelmente meus defeitos e qualidades, ou seja, se sou consciente, minha interação com o meio externo se dá de maneira mais eficiente, harmônica e pacífica.  Naturalmente, também neste quesito preciso usar de minha boa vontade para realizar esta interação.

Durante nossa fase de aprendizagem, podemos ter vivido como pessoas excessivamente injustas, preconceituosas, rígidas e inflexíveis as quais nos levaram a reprimir ou até desprezar nossos impulsos, vocações, tendências e inclinações, e, por vezes, julgando nossos sentimentos como ilógicos ou irracionais, podemos ter nos tornado prisioneiros de grande sentimento de "inadequação íntima". Neste caso, podemos, como maneira de compensar nossa sensação de fraqueza interior ou baixa estima - desenvolver o papel de defensor da justiça e da verdade absolutas, escondendo desse modo, nosso desajuste íntimo, aparentando segurança, determinação e força, liderando outros com muito rigor e repreensão.

Ao longo do tempo, por causa deste sentimento de incompetência, aqueles que tiveram esses modelos no decorrer do aprendizado, se autodenominam "donos da verdade". Auto enganam-se e fixam-se na única ideia de como as coisas deveriam ser.  Esses indivíduos chamam isso de boa fé ou até de idealismo, mas , em verdade querem somente compensar sua fragilidade ou instabilidade pessoal.

Cuidemos para que não nos recusemos a aceitar a vulnerabilidade e a incerteza como parte de nós.  Talvez não tenhamos conseguido lidar com as repreensões e condenações assimiladas em outros momentos e possamos estar encobrindo nossa autoconsciência com uma postura de prudência exagerada, severidade e intolerância sem medidas.  Não tenhamos medo de errar. Muitos dos nossos acertos de hoje foram aprendidos através de nossos erros de ontem.  Aprendemos muito com os erros dos outros, entretanto quando nós erramos nosso aprendizado se solidifica, simplesmente porque ainda muitos de nós temos dificuldade de nos colocarmos no lugar do outro.  Quando erramos é porque não sabemos como fazer melhor.  Ninguém, de propósito, quer ser infeliz; por isso, ninguém escolhe o pior.

O texto de hoje é sobre a tolerância versus intolerância, mas reflitamos também um pouco sobre a paciência, a flexibilidade-rigidez, a humildade-orgulho, o complexo de superioridade e o autoritarismo para chegarmos na  compaixão.

A intolerância anda de mãos dadas com a rigidez, o orgulho, o complexo de superioridade e o autoritarismo.  O intolerante perde muito no aprendizado que a vida oferece porque ele acha que conhece todas as regras do mundo e acha que todas as pessoas devem obedecê-las - ele não vê que nem todas as pessoas enxergam o mundo como ele. Ele perde também oportunidade de abarcar ideias novas e com elas novos caminhos que podem levar ao bem estar.  "Atrás de todo excesso ou rigidez se encontra a não aceitação da naturalidade da vida, fora e dentro de nós mesmos." (Hammed).

Nossa saúde mental e psicológica se deve à nossa adaptação ao meio externo - nossa bagagem interior deve se adequar às coisas que nos acontecem no dia a dia - quanto maior nossa capacidade de adequação maior nossa evolução e menor nosso sofrimento. Por isso, abandonar a rigidez mental é fator primordial para o crescimento interior. Nesse quesito vale lembrar que a ideia aqui não é comprar/aceitar as ideias dos outros como se fossem suas.  Cada um de nós deve manter seus valores desde que eles tragam bem estar a nós e ao nosso entorno.

Pessoas com atitudes exageradas significam o contrário do que parece.  Por exemplo, o autoritário é uma pessoa que se sente rebaixada, sem autoridade própria, com problemas de baixa estima (aí podemos incluir os invejosos, os que têm complexo de superioridade, enfim, os orgulhosos).

Ser flexível não é não ter personalidade própria ou ser considerado "volúvel"; é apenas ser mais acessível à compreensão das coisas e pessoas.

Praticamente todas as nossas imperfeições têm como base o orgulho, e a intolerância não deixa de ser uma das faces do mesmo - quando somos intolerantes para as atitudes dos outros é porque queremos controlar suas vidas, ditando regras de como eles deveriam viver e esta compulsão de querer controlar a vida alheia é fruto de nosso orgulho. Se deixarmos os outros pensarem por nós e determinarem o que devemos escolher, teremos muita dificuldade em amadurecer. Então não façamos aos outros o que não quereríamos que eles fizessem conosco.  Simples, não?

Para iniciarmos nossa guerra contra nosso orgulho, temos que vencer pequenas batalhas contra a intolerância, a rigidez, o autoritarismo, entre outros.  Cada um de nós necessita saber quais são suas imperfeições mais graves - aquelas que nos impedem o crescimento mais contínuo - para então travar uma luta contra elas.  E, para lutar contra imperfeições, é mais fácil tentar conquistar virtudes.  No caso em questão, conquistemos a paciência, a humildade e a compaixão.

A humildade está relacionada com a gentileza, a lucidez, a simplicidade, a graciosidade e a distinção;  tem a ver com a forma de comportamento íntimo e não com a ausência ou presença de bens materiais, como se acredita erroneamente.

Assim, ter compaixão é ter uma compreensão maior das fragilidades do ser humano - é nos tornarmos mais realistas, menos exigentes e mais flexíveis com as dificuldades dos outros.  Quanto mais compaixão tivermos pelos outros, mais nossa visão de mundo se alargará.

A conquista da paciência, da humildade e da compaixão nos auxilia a lidarmos com a intolerância, a inflexibilidade, o autoritarismo e o medo de errar.

E, finalmente, a compaixão é: 

- Admitir que os outros pensem, ajam, sintam diferentemente de nós;

- Compreender essas pessoas com respeito e bondade;

- Admitir e perdoar as faltas dos outros;

- Nunca esquecer que o desenvolvimento de qualquer pessoa ocorre a partir do potencial interno dela.

A evolução acarreta em nós uma alquimia espiritual, pois é das cinzas da intolerância que irá nascer a fênix da compaixão, trazendo para nós o entendimento de que ela, a evolução, sempre acontece.  Há de se ter paciência e confiança na Vida Providencial.

Boa reflexão e mais que tudo, força de vontade para mudar o que precisa ser mudado em sua vida.

Até!














 

quinta-feira, 24 de agosto de 2023

"PERSUASÃO"

Caros leitores amigos,

O livro do mês de nosso Clube de Leitura foi "Persuasão" de Jane Austen.

Jane Austen é a queridinha dos britânicos - seus livros usualmente são transformados em filmes ou séries de TV - como exemplos cito "Razão e Sensibilidade" e "Orgulho e Preconceito".  "Persuasão" portanto também deve ter sua versão para as telas embora eu não tenha checado.

Este livro foi o último romance que a autora escreveu e foi publicado em 1818 postumamente (Jane Austen - 1775-1817).

A obra traz um vívido retrato de época com as convenções e costumes da sociedade rural inglesa do começo do século XIX e conta a história de um casal, os quais, 8 anos após o rompimento de seu noivado, reencontram-se em circunstâncias adversas daquelas do passado.

O livro é denso, com poucos diálogos, pouca descrição das paisagens e dos locais onde a história se passa, entretanto, a riqueza das descrições fica por conta dos pensamentos, emoções e sentimentos dos personagens, principalmente de Anne, a personagem central do enredo.

Eu, particularmente, gostei do livro, talvez por ser psicóloga e "entrar" no mundo interno dos personagens sempre me fascina.  Nesse quesito, o de opinar sobre o livro, não houve consenso geral, isto é, algumas pessoas não gostaram da obra, exatamente por essa característica, embora a discussão tenha sido acalorada discutindo-se exatamente a personalidade dos personagens. 

Confesso que não é, em minha opinião, uma obra com grandes doses de suspense, surpresas, mistério e aventura, mas cumpriu o seu papel de descrever os hábitos e costumes daquela sociedade inglesa do começo do século XIX.

Por ser um livro bom, recomendo a leitura  e, a ideia que fica é que a pessoa que é persuadida a realizar o que outros determinam para sua vida acaba frustrando-se por não viver aquilo que seu coração dita.

Boa semana! 



 

sexta-feira, 18 de agosto de 2023

CONTRADIÇÕES

Caros leitores,

No texto de hoje discutiremos e analisaremos as contradições de ideias, palavras escritas e/ou faladas, percepções/sensações, pensamentos.  Vivemos num mundo de contradições - este é um fato.  Seria este um dos motivos para tantas dissensões, discórdias, males entendidos no nosso dia-a-dia? Façamos uma breve reflexão sobre o nosso cotidiano e nos perguntemos por qual motivo rejeitamos certas ideias, pensamentos de forma categórica e imediata e aceitamos facilmente outras.  Por que há tantas ideias e/ou interpretações discordantes? Perguntemo-nos por qual motivo muitas vezes somos impedidos de ouvir o que os outros têm a partilhar.  Talvez existam bloqueios psicológicos que temos e que nos dificultam o entendimento do que a outra pessoa quer dizer.

Se pensássemos mais intensamente sobre as respostas a essas questões talvez pudéssemos entender o mundo das contradições em que vivemos.

A maioria de nós tem a tendência a analisar o outro sem analisar-se a si próprio - em realidade, "analisamos" o outro baseado em nossas convicções internas, baseado em nossas vivências, em suma, analiso o outro tendo por base o meu grau de evolução - quanto mais adiantada moralmente a criatura, menos ela analisa o seu semelhante, ao contrário, ela o compreende e o respeita em suas convicções.

O primeiro passo é o nosso de sempre AUTOCONHECIMENTO.  Ao ouvir o outro e me perceber nesse intento já estou realizando o exercício do autoconhecimento.  Quando ouvimos uma pessoa, seja numa palestra, numa entrevista, numa discussão entre amigos, ou até, apenas num diálogo, prestamos atenção àquilo que consideramos mais importante para nós naquele momento, o nosso real interesse no assunto em questão.

Por exemplo, se não simpatizo com determinada figura pública e, ao assistir uma entrevista ou até uma fala sua num meio de comunicação, seja falada ou escrita, procuro inconscientemente uma ideia da qual não concordo para confirmar a minha antipatia por ela - se não me "desarmar" em minha atitude, não encontrarei nessa pessoa nada de bom, e eu acredito que todos têm algo de bom.

Então, no exercício do autoconhecimento, ao interagir com outras pessoas, também posso atentar para meu interior, meus interesses, minhas atitudes, meu comportamento no momento da interação.

As contradições existem exatamente porque todas as pessoas são diferentes, com diferentes graus de entendimento.

A comunicação entre duas pessoas não é tão fácil assim.  A comunicação será boa, ou melhor, satisfatória se ambas se dispuserem a ouvir, a se imbuir de boa vontade para tal interação.  A comunicação não é uma arte tão fácil de ser apreendida.  Muitos acreditam que basta abrir a boca, emitir sons, fazer perguntas, responder para se comunicar.  Em realidade, se pararmos para prestar atenção nas conversas alheias perceberemos como cada pessoa está sempre falando de si própria e dos seus interesses - prestemos atenção à nós mesmos em interação com os outros - é também um bom exercício de autoconhecimento.

Através do autoconhecimento contínuo nossa comunicação será mais coerente, pois saberemos transmitir o que pensamos e o que sentimos de acordo com nosso código interno de valores, assim como também teremos parâmetros para traduzir situações, acontecimentos, atos e sentimentos dos outros.

Quantas vezes em nossas conversas com as pessoas pensamos ter entendido o que foi conversado para depois descobrirmos que o que estava sendo dito era completamente diferente.

Para nos tranquilizarmos daqui para frente em como podemos ser melhores comunicadores e intérpretes da comunicação alheia, basta admitirmos nossa compreensão limitada do mundo que nos cerca - desta maneira é mais fácil aceitar equívocos na interpretação das comunicações, pois todos nós temos lapsos em nossa comunicação - admitir isto é sinal de humildade, é também sinal de caridade para conosco e para com os outros.

Lembremo-nos que somos diferentes.  Absolutamente, ninguém é igual a outrem.

Quando nos autoconhecemos, evoluímos.  A ideia é sermos autênticos, sermos nós mesmos com nossas convicções, ideias, valores.  Entretanto existe um mecanismo de defesa do ego que dificulta esse processo.  Esse mecanismo chama-se introjeção.

De acordo com Jung, introjeção é o processo de assimilação do objeto ao sujeito; é o oposto da projeção.  Hammed, um pensador, explica de uma maneira mais simples: "é uma técnica de reter ou atribuir jeitos de agir e pensar, dons, predicados e atitudes dos outros como sendo nossas qualidades." Indivíduos que fazem uso desse mecanismo, muitas vezes, não conseguem diferenciar o que realmente sentem e pensam do que sentem e pensam as outras pessoas.  Pode ocorrer, neste caso, da pessoa introjetiva assimilar opiniões, pontos de vista e atitudes discordantes entre si.  Desse modo, essa pessoa pode se tornar incoerente, fragmentada e confusa.  Esse mecanismo é mais facilmente utilizado por pessoas inseguras, vaidosas/orgulhosas, com baixa autoestima - qualquer pessoa pode fazer uso dele em situações específicas.

Atualmente, vejo esse mecanismo ser usado muito frequentemente por muitas pessoas.  Por falta de reflexão, de autoconhecimento, pessoas repetem as falas e ideias de outras como se fossem delas.  Acredito que até nós mesmos possamos fazer isso inconscientemente.  Então, evitemos contradições internas também, ou seja, às vezes, concordamos com ideias que estão diametralmente contrárias àquilo que acreditamos. 

Pensemos nisso! Boa semana! 













domingo, 13 de agosto de 2023

ESCREVENDO COM A LUZ - por José Tucón

Caros amigos leitores,

Nesta edição do "Refletindo", publicarei um texto de autoria de J.Tucón, meu marido.  Ele nos conta como foi sua experiência numa viagem que fizemos em 2015 ao Velho Oeste, mais especificamente ao estado do Novo México, nos Estados Unidos.

"Em 2015 viajei para Taos, New Mexico, USA.

Taos é uma pequena cidade com cerca de seis mil habitantes no meio do Velho Oeste, porém é uma cidade altamente cultural com galerias de artes plásticas, de fotografia, etc...

Também é um local para onde vão pessoas que lidam com criatividade, na busca de revisão de conceitos, de novos rumos, de novas possibilidades...

Não foi diferente comigo.

Como escritor de ficção científica viajei com este propósito.  E lá entrei em contato com a sociedade literária local, a quem ofereci um exemplar de um livro de minha autoria.

Foi nesse momento que me dei conta do pouco alcance da língua portuguesa.  O resto do dia, bem, é melhor nem falar.

Porém, no dia seguinte acordei com outro olhar.  Outro olhar para a paisagem do deserto e das montanhas.  Um deserto exuberante! Exuberante? Sim, com áreas de pequenas flores criando superfícies sutilmente coloridas.  Rochas revelando suas texturas e formas sob a luz de Taos.  O horizonte a perder de vista diluindo as formas das montanhas mais longínquas.

Bem, e como falar de tudo isso?

Antes que me desse conta, estava fotografando não mais como turista mas como escritor.  Fotografar como escritor?

Sim, a palavra "Fotografia" significa literalmente "Escrever com a luz".  E é uma linguagem universal.

Comecei a usar a luz para expressar e desvendar os mistérios da "arquitetura da natureza" ou no dizer dos índios locais, expressar a essência da obra do Grande Espírito.

E, logo a seguir, descubro a pintora Georgia O'Keeffe que viveu em Taos e procurou a fronteira entre a abstração e a figura em suas pinturas cuja temática era a paisagem da qual falei.  Sua obra foi um ótimo guia para os primeiros passos de uma caminhada que pretendo seja bem longa."

J.Tucón é arquiteto e escritor de ficção científica, autor de "O Esmagador de Detroit" (Ed. Ithala, Curitiba, 2010).  Participou em 2013 do concurso "Going to Mars" promovido pela NASA.  Seu texto foi selecionado e enviado à órbita de Marte pela nave MAVEN.

Em 2015, após uma viagem a Taos (New Mexico, USA), um lugar altamente inspirador, passou a dedicar-se a fotografar a Natureza no projeto "The Architecture of Nature".

Links: 

saatchiart.com/jtucon

the-architecture-of-nature.blogspot.com

Boa semana!


 

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

"INSIDE MAN"

Olá leitores,

"Inside man" é o nome de uma minissérie da Netflix - são 4 episódios de uma hora de duração cada um.

Hoje resolvi escrever sobre essa série porque depois de tanta "porcaria" que tem aparecido nesse canal, encontrei uma que valia a pena compartilhar.

Obviamente não vou contar toda a trama.  A série é muito bem escrita por Steven Moffat, escocês (sempre os escoceses...), que escreveu a série Sherlock baseada na obra de Arthur Connan Doyle.  

Os dois atores principais são estupendos: David Tennant, faz o papel de um vigário britânico e Stanley Tucci, faz o papel de um professor de criminologia que se encontra no corredor da morte de uma penitenciária no Arizona, por ter assassinado sua esposa.

A história se passa em dois locais, praticamente simultaneamente - nos Estados Unidos da América, no Arizona e na Inglaterra, num pequena cidade perto de Londres, da qual não lembro o nome (aliás, a casa do vigário é muito formosa).

As duas histórias, do vigário inglês e do prisioneiro americano se entrelaçam de uma maneira extraordinariamente sincrônica, que se você perder um detalhe você "perde" toda a trama.  Eu fiquei perplexa em ver uma história tão bem escrita - ela contém cenas de violência psicológica e a angústia dos personagens é passada para quem assiste - como eu disse, se você perder um detalhe, volte o filme.  Acredite, ele vale a pena!

Depois que eu a assisti, após reflexões,  consegui compreender melhor a parte moral, social e espiritual do enredo.

Um último detalhe: a explicação do nome da série "Inside Man" é mencionada nas cenas finais.  Por isso, assista até o fim.  Você verá que o nome da série faz todo o sentido.

Bora assistir a série?

Boa semana!



  

O FIM DE UMA CIVILIZAÇÃO - 2

  A DESTRUIÇÃO DE UMA CIDADE - 2 Caros leitores, Esse é o segundo texto da série "O Fim de uma Civilização". Hoje, ainda abordando...